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Você ignora que o texto bíblico diz que "depois das 62 semanas será morto o Ungido"

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Já no início do seu texto, você ignora que o texto bíblico diz que "depois das 62 semanas será morto o Ungido". Ou seja, o que vem depois das 7 + 62 semanas? A 70ª, óbvio. E você se estendeu na resposta, e ainda não respondeu: Qual o texto bíblico que fundamenta a ideia de que o relógio parou e causou um hiato de tempo?

Minha Resposta:

Antes de responder objetivamente à sua pergunta, permita-me apenas registrar que esta e outras questões diretamente relacionadas à escatologia bíblica, ao arrebatamento da Igreja e ao futuro de Israel já são tratadas de forma mais ampla e sistemática em meus livros disponíveis na Amazon:

1 e 2 Tessalonicenses: Jesus Cristo Arrebatará a Igreja e Reinará na Terra
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Você Pergunta, a Bíblia Responde!
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Dito isso, vamos ao ponto levantado.

Você afirma que “depois das 62 semanas será morto o Ungido” implica necessariamente que, em seguida, venha imediatamente a 70ª semana. Contudo, o próprio texto de Daniel não sustenta essa conclusão automática.

Daniel 9.26 diz explicitamente: “E depois das sessenta e duas semanas será tirado o Ungido, e não será para si”. Observe com atenção: o texto não diz “na 70ª semana”, mas “depois das sessenta e duas semanas”. Isto já introduz, no próprio versículo, um período subsequente às 69 semanas, sem qualquer definição de duração. O texto descreve eventos que ocorrem após as 69 semanas, mas antes da 70ª.

Ainda no mesmo versículo, Daniel menciona dois fatos históricos claros:

  1. a morte do Messias;

  2. a destruição da cidade e do santuário pelo povo de um príncipe que há de vir.

Esses dois acontecimentos não pertencem à 70ª semana, pois a 70ª semana só é descrita no versículo seguinte (Daniel 9.27), e ali aparece um personagem distinto, que “confirmará uma aliança com muitos por uma semana”. Logo, o próprio texto separa os eventos: primeiro, fatos “depois das 62 semanas”; depois, a 70ª semana propriamente dita.

O chamado “hiato” não é uma invenção externa ao texto, mas uma consequência direta da observação cuidadosa da progressão profética. Entre Daniel 9.26 e Daniel 9.27 existe um intervalo histórico real, comprovado pelos próprios acontecimentos: a rejeição do Messias, Sua morte, a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. e a longa dispersão de Israel entre as nações.

Além disso, o fundamento bíblico do intervalo é reforçado por outros textos das Escrituras. O Senhor Jesus, em Lucas 4.18-21, lê Isaías 61 e interrompe a leitura no meio da profecia, deixando claro que havia ali uma separação entre Sua primeira vinda e o cumprimento futuro do “dia da vingança do nosso Deus”. Esse princípio profético — uma mesma profecia com intervalos não revelados no texto original — é recorrente nas Escrituras.

O apóstolo Paulo também esclarece que há um período distinto no plano de Deus em que Israel está temporariamente endurecido, enquanto Deus chama um povo dentre os gentios. Romanos 11.25 afirma claramente que esse endurecimento dura “até que a plenitude dos gentios haja entrado”. Esse “até” pressupõe um intervalo no trato direto de Deus com Israel como nação.

Portanto, a 70ª semana de Daniel não começa automaticamente após a 69ª, porque a própria profecia introduz eventos intermediários e porque o Novo Testamento confirma a existência de um período não revelado aos profetas do Antigo Testamento, relacionado à formação da Igreja.

Não se trata de “parar o relógio” arbitrariamente, mas de reconhecer que o texto bíblico distingue claramente:
– 69 semanas determinadas até o Messias;
– eventos ocorrendo depois dessas semanas;
– e, por fim, uma última semana futura, ainda não cumprida, ligada a Israel e ao tempo do fim.

Essa leitura não força o texto; ao contrário, respeita sua ordem, sua linguagem e sua harmonia com o restante das Escrituras.

Josué Matos