Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Diferença entre Conversão e Comunhão?
Minha Resposta:
A diferença entre conversão e comunhão é fundamental na vida cristã, e a confusão entre esses dois conceitos costuma gerar muitas dúvidas e até insegurança espiritual. A Escritura trata desses temas de forma clara, mostrando que eles não são a mesma coisa, embora estejam intimamente ligados.
Conversão diz respeito ao início da vida cristã. É o momento em que o pecador, convencido pelo Espírito Santo por meio da Palavra de Deus, se volta para Deus em arrependimento e fé. Envolve uma mudança de posição diante de Deus. Antes, o homem está morto em delitos e pecados; após a conversão, ele passa da morte para a vida. Trata-se de uma obra divina realizada no interior do homem, que resulta no novo nascimento. A conversão não é um processo repetitivo, mas um acontecimento decisivo e definitivo.
A Bíblia descreve essa realidade de várias formas. Em Atos dos Apóstolos 3:19, lemos: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados”. Em 2 Coríntios 5:17, o apóstolo Paulo afirma: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. A conversão, portanto, está ligada à salvação, à justificação diante de Deus e à entrada do crente numa nova condição espiritual.
Comunhão, por outro lado, não trata do início da vida cristã, mas da experiência diária do crente com Deus após a conversão. Ela diz respeito ao relacionamento, à intimidade e à participação contínua na vida divina. Um crente verdadeiramente convertido pode, em determinados momentos, não estar desfrutando de comunhão plena com Deus, ainda que continue sendo salvo.
A comunhão pode ser afetada pelo pecado não confessado, pela negligência espiritual, pela desobediência ou pela frieza no coração. Isso não desfaz a salvação, mas prejudica o gozo da presença de Deus. Em 1 João 1:6-7 está escrito: “Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros”. Mais adiante, no mesmo capítulo, vemos o caminho da restauração da comunhão: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).
É importante notar que a comunhão é algo que deve ser cultivado continuamente. Ela envolve vida de oração, leitura da Palavra de Deus, obediência, sensibilidade à direção do Espírito Santo e participação saudável na vida do povo de Deus. Enquanto a conversão é o fundamento, a comunhão é o desenvolvimento da vida cristã.
Em resumo, a conversão trata da relação legal e eterna do homem com Deus: o pecador passa a ser filho. A comunhão trata da qualidade do relacionamento diário desse filho com o Pai. A conversão não se perde; a comunhão pode ser interrompida e restaurada. A conversão nos coloca em Cristo; a comunhão nos permite desfrutar, de forma prática, tudo o que temos em Cristo.
Essa distinção traz descanso e clareza ao coração do crente, evitando tanto o falso medo de perder a salvação quanto a falsa ideia de que a vida cristã não exige vigilância e santidade.