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QUAIS AS PASSAGENS QUE REFUTAM A CRIAÇÃO DE DENOMINAÇÕES?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

QUAIS AS PASSAGENS OU QUAL A PASSAGEM BÍBLICA QUE ENSINA NOS REUNIRMOS SOMENTE AO NOME DO SENHOR, E REFUTA A CRIAÇÃO DE DENOMINAÇÕES CRIADAS POR HOMENS?

Minha Resposta:

A Escritura não apresenta um único versículo isolado que funcione como um “slogan”, mas um conjunto harmonioso de ensinamentos que, quando considerados em conjunto, estabelecem dois princípios claros:

(1) o centro da reunião cristã é exclusivamente o nome do Senhor Jesus Cristo;
(2) as divisões carnais e os nomes religiosos criados por homens são contrários à mente de Deus.

Abaixo estão as principais passagens, organizadas de forma bíblica e progressiva.

  1. Reunidos ao nome do Senhor

A passagem mais direta e fundamental é Mateus 18:20:
“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

O texto não diz “reunidos em torno de uma doutrina”, “de uma instituição” ou “de um sistema”, mas reunidos em meu nome. Na Escritura, o “nome” expressa a pessoa, a autoridade e a glória de quem é nomeado. Assim, o Senhor Jesus é o único centro legítimo da reunião.

Esse princípio já estava tipificado no Antigo Testamento. Em Deuteronômio 12:5 lemos:
“Mas o lugar que o Senhor vosso Deus escolher de todas as vossas tribos, para ali pôr o seu nome e a sua habitação, esse buscareis, e ali vireis.”

Israel não podia escolher vários centros; Deus determinava um só lugar para o Seu nome. No Novo Testamento, esse princípio não está mais ligado a um local geográfico, mas a uma Pessoa glorificada: o Senhor Jesus Cristo.

  1. Um só corpo e um só nome

O Novo Testamento ensina que todos os salvos pertencem a um único corpo, não a vários corpos denominacionais.

Efésios 4:4-6 declara:
“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos.”

Se há um só corpo, não há base bíblica para a existência de múltiplos corpos identificados por nomes humanos. As denominações, ainda que bem-intencionadas, introduzem divisões visíveis em algo que Deus vê como um todo indivisível.

  1. A repreensão divina às divisões e aos nomes humanos

A passagem mais contundente contra o espírito denominacional encontra-se em 1 Coríntios 1:10-13:
“Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.
Quero dizer com isto: que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.
Está Cristo dividido? Foi Paulo crucificado por vós? Ou fostes vós batizados em nome de Paulo?”

Note que até o uso do nome “Cristo” como bandeira sectária é reprovado quando usado de forma exclusivista e carnal. O problema não era a doutrina de Paulo ou de Apolo, mas a identificação do povo de Deus por nomes de homens.

Mais adiante, em 1 Coríntios 3:3-4, o apóstolo afirma que esse tipo de divisão é carnal, não espiritual.

  1. O único nome dado por Deus

Atos 4:12 afirma:
“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”

Se o nome do Senhor Jesus é o único nome dado por Deus para a salvação, não há autorização bíblica para acrescentar outros nomes como marcas de identidade do povo de Deus.

Colossenses 3:17 reforça este princípio:
“E, quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei tudo em nome do Senhor Jesus.”

Isso inclui a maneira como os crentes se reúnem, se identificam e testemunham.

  1. A prática da igreja no Novo Testamento

Quando lemos o livro de Atos e as epístolas, nunca encontramos uma igreja chamada por um nome denominacional. A identificação é sempre simples e espiritual:
– “a igreja de Deus que está em Corinto” (1 Coríntios 1:2);
– “as igrejas da Galácia” (Gálatas 1:2);
– “a igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:1).

O padrão é geográfico e espiritual, nunca institucional ou ideológico.

  1. Advertência final contra sistemas religiosos humanos

O Senhor Jesus advertiu em Marcos 7:7-8:
“Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens.
Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens.”

Sempre que uma estrutura religiosa substitui a simplicidade de Cristo por rótulos, hierarquias e identidades criadas por homens, corre-se o risco de honrar a Deus apenas externamente, enquanto se perde a essência espiritual.

Conclusão

A Escritura ensina que:
– o centro da reunião cristã é somente o nome do Senhor Jesus Cristo;
– existe um só corpo, não vários;
– as divisões identificadas por nomes de homens são reprovadas;
– a igreja no Novo Testamento nunca foi organizada em denominações.

Reunir-se ao nome do Senhor não é uma bandeira sectária, mas um retorno à simplicidade, à autoridade e à suficiência de Cristo, reconhecendo-O como o único centro, Senhor e Cabeça da Sua igreja.

Josué Matos