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O batismo infantil católico romano é diferente - é um sacramento

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Há igrejas protestantes históricas que batizam crianças, como diz o vídeo. Entretanto, o batismo infantil católico romano é diferente - é um sacramento. O ato tende a fazer com que a pessoa permaneça aprisionada e dependente da religião desde que nasce até a morte, com o sétimo e último sacramento -- o da "extrema unção"! É uma forma tradicional de perpetuar a religião de geração em geração - de pai para filho! [Sem falar da questão da forma: Ablução, aspersão ou imersão!?!]

Minha Resposta:

A sua observação toca em pontos importantes e merece uma resposta equilibrada, bíblica e historicamente consciente.

De fato, existem igrejas protestantes históricas que praticam o batismo de crianças. Isso, porém, não significa que todas o façam com o mesmo entendimento do catolicismo romano. No sistema romano, o batismo infantil está inserido num conjunto sacramental que atribui ao rito um valor regenerador em si mesmo, como se o ato, por si só, comunicasse graça, apagasse o pecado original e introduzisse a criança numa economia religiosa da qual ela dependerá ao longo de toda a vida, culminando nos chamados sacramentos finais. Esse entendimento confere ao batismo um caráter quase automático e institucional.

Já nas igrejas protestantes históricas que batizam crianças, a justificativa teológica costuma ser diferente. Em geral, elas veem o batismo infantil não como regeneração, mas como um sinal externo de inclusão numa comunidade que se entende herdeira das promessas feitas às famílias no Antigo Testamento. Ainda assim, é preciso reconhecer com honestidade que essa prática não encontra um mandamento direto nem um exemplo explícito no Novo Testamento. Em todas as passagens claras sobre batismo, a ordem é sempre a mesma: primeiro ouvir o evangelho, depois crer, e então ser batizado. Isso aparece de forma consistente desde os Evangelhos até Atos dos Apóstolos e as Epístolas.

O Novo Testamento apresenta o batismo como uma resposta consciente de fé, ligada ao arrependimento e à identificação pública com a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Por isso, quando se fala de crianças, surge inevitavelmente uma tensão: como aplicar um sinal que pressupõe fé pessoal a alguém que ainda não pode crer, arrepender-se ou confessar o Senhor de forma consciente? É exatamente aí que muitos veem uma ruptura entre a prática apostólica e as tradições posteriores, sejam elas católicas ou protestantes.

Quanto ao ponto levantado sobre a perpetuação religiosa de geração em geração, ele também merece reflexão. Qualquer sistema que substitua a fé pessoal por um rito recebido na infância corre o risco de produzir membros religiosos, mas não necessariamente convertidos. O Novo Testamento é muito claro ao afirmar que ninguém nasce cristão por herança familiar, por tradição ou por vínculo institucional. O novo nascimento não é transmitido pelos pais, nem conferido por um ato externo, mas é resultado da ação do Espírito Santo mediante a Palavra de Deus, quando o pecador crê.

Sobre a forma do batismo — ablução, aspersão ou imersão —, o próprio Novo Testamento associa o batismo ao simbolismo de sepultamento e ressurreição, o que naturalmente aponta para a imersão como a forma que melhor expressa essa verdade espiritual. Ainda que o foco principal não deva ser a forma em si, mas o significado, não é irrelevante notar que a prática mais antiga e mais coerente com o símbolo bíblico é a imersão.

Em resumo, é correto afirmar que o batismo infantil católico romano difere teologicamente do praticado por algumas igrejas protestantes históricas. Contudo, também é legítimo dizer que ambos se afastam do padrão simples e claro apresentado no Novo Testamento, onde o batismo segue a fé pessoal e consciente no Senhor Jesus Cristo. O cristianismo bíblico não se sustenta em sacramentos recebidos ao longo da vida, mas numa relação viva com Cristo, iniciada pela fé e mantida pela graça.

Josué Matos