Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Como saber, então, se tenho vida espiritual verdadeira ou se eu estou por me enganar, pensando que sou de Cristo quando não sou, irmão Josué?
Minha Resposta:
Vivemos dias marcados por uma profunda superficialidade no campo religioso. Em muitos lugares, proclama-se um evangelho raso, que não trata da raiz do problema do homem: o pecado. Usa-se uma linguagem bem elaborada, discursos que encantam o intelecto e despertam emoções, levando pessoas a uma aceitação meramente mental da mensagem. O resultado é um cristianismo de aparência, onde muitos pensam estar salvos quando, na realidade, apenas passaram por uma experiência intelectual ou emocional.
Frequentemente, o apelo é feito como se o Senhor Jesus estivesse em busca de adesão, como partidos ou movimentos humanos que precisam de apoio popular. Convida-se o ouvinte a “decidir por Jesus” ou a “passar para o lado de Cristo”, como se o homem estivesse em posição neutra. Porém, o evangelho de Deus apresenta um quadro completamente diferente. O homem natural não está neutro; ele está perdido, morto em seus delitos e pecados, em rebelião contra Deus, necessitando desesperadamente de salvação.
O Senhor Jesus não pede que o pecador simplesmente Lhe entregue o coração como um gesto simbólico. Ele chama o pecador ao arrependimento e à fé. Arrependimento envolve reconhecer o próprio estado de perdição diante de Deus, abandonar toda confiança em si mesmo e voltar-se para Cristo. Fé, por sua vez, não é apenas concordar mentalmente com verdades bíblicas, mas confiar de coração. É por isso que a Escritura afirma que é com o coração que se crê para a justiça, e não apenas com a mente.
Para ilustrar essa diferença, imagine alguém numa estação rodoviária. Essa pessoa chega à plataforma correta e vê um ônibus com o destino claramente indicado. Ela acredita que aquele ônibus realmente vai para o lugar anunciado. Não tem dúvidas sobre o trajeto, nem sobre a capacidade do veículo, nem sobre a habilidade do motorista. Ainda assim, se essa pessoa permanecer na plataforma, por mais convicção que tenha, jamais chegará ao destino.
Para que ela chegue ao destino desejado, é necessário algo mais do que acreditar que o ônibus vai até lá. É preciso entrar no ônibus, sentar-se e confiar que ele a conduzirá até o fim da viagem. Esse ato simples demonstra uma fé que vai além do conhecimento; é uma fé que se expressa em confiança e entrega.
Assim acontece com a salvação. Não basta ouvir o evangelho, reconhecer que Jesus Cristo salva e admitir que tudo isso é verdadeiro. O pecador precisa, por um ato definido de fé, entregar-se a Cristo. Ele precisa colocar toda a sua confiança nEle, descansando exclusivamente em Sua pessoa e em Sua obra. Essa atitude mostra que ele deixou de confiar em si mesmo, em suas boas obras, em sistemas religiosos, em ritos, em líderes ou em qualquer outro recurso humano.
A fé salvadora é aquela que entra “no ônibus”, por assim dizer. Ela se lança inteiramente sobre Cristo. Se Cristo salva, esse pecador está salvo. Se Cristo falhasse, não haveria esperança alguma. Mas a Escritura afirma que Ele salva perfeitamente todos os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.
É essa confiança exclusiva em Cristo que resulta na justificação diante de Deus. O pecador é declarado justo não por causa de obras, nem por observar a lei, mas pela justiça de Deus concedida mediante a fé. Essa é a fé que produz vida, que gera novo nascimento e que distingue uma simples profissão religiosa de uma realidade espiritual verdadeira.
É exatamente isso que a parábola das dez virgens ensina. As prudentes tinham vida; as loucas tinham apenas aparência. As prudentes possuíam o essencial; as loucas descobriram tarde demais que nunca o tiveram. Por isso, a segurança de não ouvir “não te conheço” não está numa decisão superficial do passado, mas numa fé viva, de coração, que descansa exclusivamente no Senhor Jesus Cristo.