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Na passagem Atos 4:35 (A Comunidade Cristã Primitiva), faziam tudo para ter equilíbrio os membros do Corpo de Cristo

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Na passagem Atos 4:35 (A Comunidade Cristã Primitiva), faziam tudo para ter equilíbrio os membros do Corpo de Cristo.

Exemplo — A COLETA era repartida entre os MEMBROS — para ter equilíbrio no Corpo — sendo que o que não tinha nada era suprido pela coleta do outro que tinha recursos, segundo a prosperidade que Deus dava a cada Membro.

Hoje, como as igrejas reunidas ao nome do Senhor veem isso?

Minha Resposta:

A prática descrita em Atos 4:35 precisa ser entendida com bastante cuidado, tanto no seu contexto histórico quanto no seu significado espiritual para as igrejas que hoje se reúnem ao nome do Senhor.

Em Atos 4:32–35, vemos um quadro muito específico da igreja em Jerusalém, logo após o derramamento do Espírito Santo. Ali havia uma comunhão viva, real e profundamente espiritual. O texto mostra que os bens não eram considerados como propriedade absoluta, mas colocados à disposição para suprir necessidades reais. O objetivo não era nivelar economicamente todos, nem estabelecer um sistema permanente de economia coletiva, mas cuidar dos irmãos que estavam em necessidade imediata, muitos deles peregrinos que permaneceram em Jerusalém após o Pentecostes.

É importante notar alguns princípios fundamentais presentes no texto:

  1. A prática era voluntária, não obrigatória
    Em nenhum momento os apóstolos impuseram a venda de bens ou a entrega de recursos. Isso fica ainda mais claro em Atos 5:4, quando Pedro diz a Ananias que o bem era dele antes de ser vendido e o valor continuava sob seu controle depois da venda. Portanto, não se trata de comunismo cristão, nem de um modelo econômico imposto à igreja, mas de liberalidade espontânea produzida pelo amor de Cristo.

  2. O foco era suprir necessidades, não criar igualdade material absoluta
    O texto diz que “não havia entre eles necessitado algum”. Isso não significa que todos passaram a ter exatamente a mesma condição financeira, mas que ninguém ficava abandonado. Esse mesmo princípio aparece em 2 Coríntios 8:13–15, quando Paulo ensina que não se trata de sobrecarregar uns para aliviar outros, mas de haver igualdade no sentido de suprimento, conforme a necessidade do momento.

  3. A responsabilidade era local e espiritual
    Os recursos eram colocados “aos pés dos apóstolos”, que tinham discernimento espiritual para distribuir conforme a necessidade. Não era um sistema institucionalizado, nem uma estrutura administrativa pesada, mas cuidado pastoral e comunhão no Espírito.

Quando olhamos para as igrejas que hoje se reúnem ao nome do Senhor, esse princípio continua válido, embora a forma prática possa variar conforme o contexto.

As igrejas reunidas ao nome do Senhor, de modo geral, entendem que:
– A comunhão material é expressão da comunhão espiritual, não sua base
– As ofertas são voluntárias, fruto da graça de Deus operando no coração
– O cuidado com os necessitados da comunhão local é uma responsabilidade real e bíblica
– Não existe um mandamento para repetir literalmente o modelo de Jerusalém, mas sim para viver o mesmo espírito de amor, cuidado e sensibilidade espiritual

O Novo Testamento mostra que, à medida que a igreja se espalhou, não se repetiu esse modelo de venda coletiva de bens. Em cidades como Corinto, Filipos e Tessalônica, havia crentes ricos e pobres, e Paulo não ordena a venda de propriedades, mas ensina liberalidade, generosidade e responsabilidade pessoal diante de Deus.

Portanto, o equilíbrio no Corpo de Cristo não vem de um sistema econômico imposto, mas da vida de Cristo fluindo nos membros. Quando o Senhor Jesus ocupa o lugar que Lhe é devido, o crente não se apega aos bens como absolutos, mas os reconhece como recursos confiados por Deus para serem usados com sabedoria, amor e discernimento.

Assim, Atos 4:35 não estabelece um modelo obrigatório para todas as épocas, mas revela o coração da igreja quando o Senhor Jesus é verdadeiramente o centro. Onde Ele governa, haverá cuidado, sensibilidade, justiça e amor prático entre os irmãos, sem coação, sem manipulação e sem interesses humanos.

Esse princípio continua plenamente atual, não como sistema, mas como vida.

Josué Matos