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Por qual razão Deus permite ou envia o mal e o pecado no mundo?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Amado amigo e irmão Josué.  Por que sofre o justo? Minha sogra, crente temente a Deus, está com câncer.  Além de orar por ela, poderia, por favor, nos ajudar quanto a esta questão? Por que parece que a providência de Deus demora tanto nas vidas dos justos? Obrigado, e que Deus te abençoe sempre.

Mês que vem fará sete anos da morte de meu filho, na época com 22 anos. Infarto fulminante. Por que dessas dores nas nossas vidas?

Em suma, por qual razão Deus permite ou envia o mal e o pecado no mundo?

Minha Resposta:

Recebo a sua mensagem com profundo respeito e temor diante da dor que o senhor compartilha. Não se trata de uma pergunta teórica, mas de um clamor que nasce do coração ferido. A Palavra de Deus não ignora esse tipo de dor; ao contrário, ela a reconhece, a acolhe e a ilumina com verdade, ainda que nem sempre com explicações simples.

  1. Por que sofre o justo?

A Bíblia é muito clara ao afirmar que o sofrimento não é, necessariamente, consequência direta de pecado pessoal. O livro de Jó foi preservado justamente para corrigir essa ideia simplista. Jó é apresentado como homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal, e ainda assim foi profundamente afligido. O próprio Deus confirma isso em Jó 1:8 e Jó 2:3.

O sofrimento do justo não significa ausência de cuidado divino, nem indiferença da parte de Deus. Muitas vezes, ele ocorre dentro de um mundo que está debaixo das consequências da queda. Desde Gênesis 3, a criação inteira foi sujeita à corrupção. O apóstolo Paulo declara que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora, conforme Romanos 8:22. A doença, a morte e a fragilidade do corpo fazem parte desse estado decaído da criação, e os justos não estão imunes a isso.

  1. Por que a providência de Deus parece demorar?

A demora da providência de Deus não é descaso, mas faz parte do Seu modo perfeito de agir. A Escritura nos ensina que Deus vê o fim desde o princípio, como afirma Isaías 46:10. Aquilo que para nós parece atraso, para Ele está dentro de um tempo exato.

Habacuque também lutou com essa sensação de demora e ouviu do Senhor: “Se tardar, espera-o; porque certamente virá, não tardará” (Habacuque 2:3). Aos nossos olhos humanos, a espera é pesada; aos olhos de Deus, ela está ajustada à Sua sabedoria eterna.

Além disso, a Palavra nos mostra que Deus, muitas vezes, opera mais profundamente em nós durante o tempo da espera do que no momento da resposta. Romanos 5:3–5 ensina que a tribulação produz perseverança, a perseverança experiência, e a experiência esperança. Não se trata de romantizar a dor, mas de reconhecer que Deus não a desperdiça.

  1. A dor da perda de um filho

A morte de um filho é uma das dores mais profundas que um ser humano pode experimentar. A Bíblia não tenta minimizar essa dor. O próprio Senhor Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro, conforme João 11:35, mesmo sabendo que o ressuscitaria. Isso nos mostra que o choro não é falta de fé, mas expressão legítima de amor e de perda.

O salmista declara: “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Salmos 116:15). Isso não significa que a morte seja boa em si mesma, mas que Deus não trata a vida dos seus filhos com indiferença. O apóstolo Paulo afirma que, para os que estão em Cristo, partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor, conforme Filipenses 1:23. Essa verdade não elimina a dor da separação, mas oferece esperança quanto ao destino daquele que partiu no Senhor.

  1. Deus permite ou envia o mal e o pecado?

A Escritura distingue claramente entre a origem do pecado e a soberania de Deus. Deus não é o autor do pecado, nem da maldade moral. Tiago 1:13 afirma que Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. O pecado entrou no mundo pela desobediência do homem, conforme Romanos 5:12.

Contudo, Deus é soberano até mesmo sobre aquilo que Ele não aprova moralmente. Ele permite o mal, mas nunca perde o controle da história. Um dos textos mais claros sobre isso é Gênesis 50:20, quando José diz a seus irmãos: “Vós intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem”. O mal foi real, a dor foi real, mas Deus operou acima e através disso para cumprir Seus propósitos.

No Novo Testamento, vemos o maior exemplo disso na cruz. Atos 2:23 afirma que o Senhor Jesus foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, e ainda assim foi morto por mãos de homens injustos. O pecado humano foi responsável; a soberania divina estava presente; e o resultado foi a nossa redenção.

  1. O que nos sustenta quando não há respostas completas?

A Bíblia não promete que entenderemos todas as razões nesta vida. Deuteronômio 29:29 declara que as coisas encobertas pertencem ao Senhor, mas as reveladas nos pertencem. O que nos é revelado é suficiente para confiar, mesmo quando não compreendemos.

O Senhor Jesus assegurou que nenhuma dor é ignorada por Deus. Ele afirmou que nem um pardal cai por terra sem o consentimento do Pai e que até os cabelos da nossa cabeça estão contados, conforme Mateus 10:29–30. Isso não explica tudo, mas garante que nada escapa ao cuidado divino.

Por fim, a esperança cristã não está na ausência de sofrimento nesta vida, mas na certeza de que ele não é o capítulo final. Apocalipse 21:4 declara que Deus enxugará dos olhos toda lágrima, e que não haverá mais morte, nem pranto, nem dor. Essa promessa não anula a dor presente, mas dá sentido à perseverança.

Que o Deus de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, conforme 2 Coríntios 1:3–4, fortaleça o seu coração, conforte sua família e sustente sua fé, mesmo quando as perguntas permanecem sem resposta completa.

Receba meu abraço fraterno em Cristo.

Josué Matos