Alguém que me escreveu no YouTube:
As obras são consequência dos salvos, não são as obras que salvam, e sim a fé em Jesus Cristo. Ela é acompanhada pelas obras, mas não salva por elas. Pois o mérito é de Cristo. Não faço as coisas para Deus para ser transformado, faço porque sou transformado, não faço para ser salvo, faço porque fui salvo, não amo a Deus pela boca, amo a Deus pela obediência. A fé é operante e genuína, dada a uma ação de Deus. O homem não consegue buscar a Deus, pois está morto em seus delitos e em seus pecados, mas, por causa de Cristo, temos a imagem de Deus Pai, temos o caminho para redenção.
Minha Resposta:
O que você expressou está, em essência, alinhado com o ensino claro das Escrituras quando elas são lidas em conjunto e não de forma isolada. A Palavra de Deus apresenta a salvação como uma obra exclusivamente da graça divina, fundamentada na pessoa e na obra de Jesus Cristo, e nunca como resultado do mérito humano.
A salvação tem sua origem em Deus, não no homem. O apóstolo Paulo afirma de modo inequívoco que somos salvos “pela graça, por meio da fé”, e acrescenta que “isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Carta aos Efésios 2:8–9). Aqui fica estabelecido o fundamento: a fé não é uma obra meritória, mas o meio pelo qual o pecador recebe aquilo que Cristo já realizou plenamente na cruz.
As obras, portanto, não são a causa da salvação, mas o seu resultado inevitável. O próprio texto de Efésios prossegue dizendo que fomos “criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Carta aos Efésios 2:10). Primeiro vem a obra de Deus no homem; depois, como consequência dessa nova vida, surgem as obras que glorificam a Deus.
Quando Tiago afirma que “a fé, se não tiver obras, é morta” (Carta de Tiago 2:17), ele não está ensinando que as obras salvam, mas que a fé verdadeira se manifesta de forma visível. Tiago trata da evidência da fé diante dos homens; Paulo trata do fundamento da justificação diante de Deus. Não há contradição, mas complementaridade. Uma fé que não produz obediência, transformação e frutos é apenas uma profissão verbal, não uma fé viva.
Também é correta a afirmação de que o homem, em seu estado natural, não busca a Deus. As Escrituras descrevem o ser humano como “morto em delitos e pecados” (Carta aos Efésios 2:1) e afirmam que “não há quem busque a Deus” (Carta aos Romanos 3:11). A iniciativa da salvação é sempre divina. Deus fala por meio da Sua Palavra, o Espírito Santo convence do pecado, da justiça e do juízo (Evangelho de João 16:8), e o pecador, despertado pela Palavra, responde em fé. Essa resposta não é mérito, mas submissão à graça que o alcançou.
Quando alguém diz: “não faço para ser salvo, faço porque fui salvo”, está expressando exatamente a lógica bíblica da vida cristã. A obediência não é um meio de transformação, mas o fruto de uma transformação já operada. O amor a Deus não se limita a palavras, mas se manifesta em guardar os Seus mandamentos, como o próprio Senhor Jesus ensinou: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (Evangelho de João 14:15).
Por fim, tudo converge para Cristo. Ele é o único mérito aceito por Deus. Nele temos redenção, reconciliação e acesso ao Pai (Carta aos Romanos 5:1–2). Qualquer sistema que introduza obras como fundamento da salvação retira a glória da cruz e desloca a confiança do Salvador para o esforço humano. A fé genuína, porém, repousa inteiramente na obra consumada de Cristo e, exatamente por isso, produz uma vida de obediência, gratidão e santidade.