Alguém que me escreveu no YouTube:
Graça e paz, meu querido! Mostre o texto? Aonde haverá um arrebatamento secreto? Mostre o texto? Aonde a igreja não passa pela tribulação? Segue alguns versículos que comprovam que a igreja passa pela tribulação! Apocalipse 3:10. Apocalipse 13. Apocalipse 7:14. Mateus 24:30. Se quiser, posso trazer também algumas falas dos pais da igreja.
Minha Resposta:
Antes de responder objetivamente à sua pergunta, permita-me apenas registrar que esta e outras questões diretamente relacionadas à escatologia bíblica, ao arrebatamento da Igreja e ao futuro de Israel já são tratadas de forma mais ampla e sistemática em meus livros disponíveis na Amazon:
• 1 e 2 Tessalonicenses: Jesus Cristo Arrebatará a Igreja e Reinará na Terra
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• Você Pergunta, a Bíblia Responde!
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O tema realmente é sério, amplo e precisa ser tratado com cuidado, distinguindo textos, contextos e públicos diferentes nas Escrituras. Vou procurar responder de forma direta, bíblica e organizada, sem pretensão de encerrar o assunto, mas esclarecendo os pontos centrais.
Onde a Bíblia fala de um arrebatamento distinto da manifestação pública de Cristo
O arrebatamento da Igreja é revelado de forma clara e direta nas epístolas, especialmente nos escritos do apóstolo Paulo, como um mistério até então não revelado no Antigo Testamento.
1 Tessalonicenses 4:16-17
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”
Observe alguns pontos fundamentais do texto:
– Cristo não pisa na terra; o encontro ocorre “nos ares”.
– Não há juízo, nem sinais cósmicos, nem manifestação ao mundo.
– O foco é a Igreja (“os que morreram em Cristo” e “nós”).
1 Coríntios 15:51-52
“Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta.”
Aqui Paulo chama esse evento de “mistério”, algo que não fazia parte das profecias conhecidas de Israel. Isso, por si só, já distingue o arrebatamento da manifestação pública do Messias em glória.
Por que o arrebatamento é distinto da vinda visível descrita em Mateus 24
Mateus 24:30
“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.”
Neste texto:
– Todas as tribos da terra O verão.
– Há sinais prévios, juízo e lamento.
– O contexto inteiro trata de Israel, do templo, da Judeia, da grande tribulação e da vinda do Filho do Homem para estabelecer o reino.
Nada disso aparece em 1 Tessalonicenses 4 ou 1 Coríntios 15. São eventos diferentes, com propósitos diferentes e públicos diferentes.
A promessa feita à Igreja quanto à ira vindoura
Apocalipse 3:10
“Porque guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.”
O texto não diz “guardar na hora”, mas “guardar da hora”. A promessa não é proteção dentro da tribulação, mas livramento da própria hora que virá sobre o mundo inteiro. Essa “hora” não é uma perseguição local, mas um período global de juízo.
Isso harmoniza perfeitamente com:
1 Tessalonicenses 1:10
“…Jesus, que nos livra da ira futura.”
E também com:
1 Tessalonicenses 5:9
“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo.”
A grande tribulação é descrita repetidamente como tempo de ira divina, não apenas de perseguição humana.
Apocalipse 7:14 e quem são os que passam pela grande tribulação
Apocalipse 7:14
“Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.”
O texto não diz que são a Igreja. Diz apenas que são pessoas que saíram da grande tribulação. O próprio contexto mostra:
– Um grupo numeroso, distinto dos vinte e quatro anciãos.
– Ligação direta com Israel (as doze tribos no capítulo anterior).
– Conversões ocorrendo durante a tribulação, algo perfeitamente bíblico.
A existência de salvos na tribulação não prova que a Igreja esteja nela, assim como a existência de salvos antes de Atos 2 não significa que a Igreja já existia no Antigo Testamento.
Apocalipse 13 e a perseguição da besta
Apocalipse 13 descreve a atuação da besta contra os santos. Mais uma vez, o texto não define esses santos como a Igreja, Corpo de Cristo. O Novo Testamento distingue claramente:
– Santos ligados ao testemunho do reino.
– Santos ligados à Igreja, unida a Cristo e já glorificada.
Além disso, a Igreja, como Corpo de Cristo, não é mencionada uma única vez em Apocalipse capítulos 6 a 18, o que é extremamente significativo.
Sobre os pais da igreja
As citações dos pais da igreja podem ser interessantes historicamente, mas não são normativas. A doutrina deve ser formada a partir das Escrituras corretamente divididas. Além disso, muitos escritos patrísticos (Pais da Igreja) misturam conceitos judaicos, eclesiásticos e escatológicos sem a clareza revelada posteriormente nas epístolas.
A base segura continua sendo:
2 Timóteo 2:15
“…manejar bem a palavra da verdade.”
Conclusão
– O arrebatamento é um evento revelado como mistério, distinto da manifestação pública de Cristo.
– A Igreja não é destinada à ira, mas é prometida livramento da hora da provação.
– A grande tribulação envolve Israel e as nações, com conversões ocorrendo nesse período.
– Os textos citados não negam o arrebatamento pré-tribulacional; ao contrário, harmonizam-se com ele quando respeitados seus contextos.
Permaneço à disposição para dialogarmos com serenidade e reverência às Escrituras, sempre permitindo que a Palavra interprete a própria Palavra.
Josué Matos