Alguém que me escreveu no YouTube:
Quem gosta de pedir vai para "esse céu".
Quem gosta de dar, oferecer, vai para o inferno.
Porque "esse céu" é lugar de mendigos espirituais.
Minha Resposta:
Percebo que a sua frase parte de uma visão em que o Céu seria lugar de “mendigos espirituais” e o inferno destino de quem gosta de dar. Permita-me responder com base naquilo que as Escrituras ensinam.
A Bíblia declara que todos nós, sem exceção, somos espiritualmente necessitados. Romanos 3:23 afirma: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Isso significa que, diante de Deus, ninguém é rico espiritualmente. A diferença entre os homens não está em quem tem mais méritos, mas em quem reconhece a própria necessidade.
O Senhor Jesus disse em Mateus 5:3: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Ele não elogiou o orgulho espiritual, mas a humildade de quem reconhece que precisa de salvação. O problema não é “pedir”; o problema é imaginar que não precisamos de nada.
A salvação não é um prêmio para quem faz mais boas obras. Efésios 2:8-9 declara: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie”. Se o homem pudesse alcançar o Céu pelo que dá ou faz, a morte de Cristo na cruz seria desnecessária.
Ao mesmo tempo, a Bíblia não ensina que quem pratica o bem vai para o inferno. As boas obras são importantes, mas são consequência de uma vida transformada, não a causa da salvação. Efésios 2:10 diz que fomos criados em Cristo Jesus para boas obras. Primeiro vem a salvação; depois, o fruto.
O critério que a Palavra de Deus apresenta é este: João 3:36 afirma que “aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida”. A questão central não é se a pessoa gosta de pedir ou de dar, mas se ela crê ou rejeita o Filho de Deus.
O Senhor Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano em Lucas 18:9-14. O fariseu apresentou suas obras; o publicano apenas pediu misericórdia. E Jesus declarou que foi este último que saiu justificado. Não porque pedir fosse virtude em si, mas porque ele reconheceu sua condição diante de Deus.
O Céu não é lugar de mendigos no sentido depreciativo, mas de pecadores perdoados. E o inferno não é destino de pessoas generosas, mas daqueles que rejeitam o único meio de reconciliação com Deus: a obra consumada de Cristo.
Diante de Deus, todos precisamos receber antes de poder dar. Primeiro recebemos perdão, vida eterna e nova natureza. Depois, sim, damos amor, serviço e generosidade como fruto dessa nova vida.
Com respeito, deixo esta reflexão: o orgulho espiritual fecha o coração; a fé humilde o abre para a graça de Deus.