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É permitido a uma irmã dar estudo bíblico em vídeo chamada ou no YouTube?

Alguém que me escreveu no WhatsApp:

A mulher não é permitido pregar numa reunião como Igreja num local, mas a uma irmã é permitido dar estudo bíblico em vídeo chamada ou no YouTube?

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito importante, porque hoje a tecnologia criou situações que não existiam no tempo apostólico, mas os princípios da Palavra de Deus continuam os mesmos.

A base para entendermos essa questão está, principalmente, em 1 Coríntios 14:34-35 e 1 Timóteo 2:11-12. Em 1 Coríntios 14:34 está escrito: “As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar”. E em 1 Timóteo 2:12: “Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o homem, mas que esteja em silêncio”.

É importante notar que o contexto de 1 Coríntios 14 é claramente a reunião da assembleia reunida como igreja. O capítulo trata da ordem na reunião, do falar em línguas, da profecia, do falar “na igreja” (1 Coríntios 14:19, 23, 26). Portanto, a restrição está ligada ao âmbito da assembleia reunida.

Já em 1 Timóteo 2, o apóstolo fundamenta a instrução não em cultura local, mas na ordem da criação: “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva” (1 Timóteo 2:13). Isso mostra que não é algo meramente circunstancial, mas um princípio ligado à responsabilidade pública de ensino com autoridade.

Agora, precisamos distinguir duas coisas:

  1. A reunião da igreja como igreja.

  2. O testemunho individual fora da reunião formal.

A mulher pode e deve servir ao Senhor. Em Tito 2:3-4 vemos que as mulheres idosas devem ensinar as mais novas. Em Atos 18:26, Priscila, juntamente com Áquila, ajudou a explicar com mais precisão o caminho de Deus a Apolo. Em Atos 21:9, as quatro filhas de Filipe profetizavam. Portanto, não há silêncio absoluto da mulher em toda e qualquer esfera, mas há uma limitação específica quanto ao ensino com autoridade sobre homens e quanto ao falar na assembleia reunida.

Aplicando isso à sua pergunta:

Se uma irmã faz um estudo bíblico por videochamada ou no YouTube, precisamos perguntar: em que caráter isso está sendo feito?

Se for um ministério público de ensino dirigido indistintamente a homens e mulheres, assumindo posição de autoridade doutrinária sobre homens, isso entra no princípio de 1 Timóteo 2:12, mesmo que não seja dentro de uma reunião local. A tecnologia não altera o princípio espiritual. A internet não cria uma nova dispensação.

Por outro lado, se for ensino direcionado a mulheres, ou crianças, ou um testemunho pessoal, ou explicação informal da Palavra sem assumir autoridade pública sobre homens, a situação é diferente. A Escritura não proíbe a mulher de falar de Cristo, evangelizar, ensinar outras mulheres ou crianças, ou compartilhar a Palavra em conversas e contextos apropriados.

Portanto, o ponto central não é o meio (salão físico ou YouTube), mas o caráter do ministério: trata-se de ensino público com autoridade sobre homens? Está assumindo posição de liderança doutrinária geral? Ou é um exercício legítimo de dom dentro dos limites bíblicos?

Devemos sempre manter dois cuidados:

  1. Não restringir além do que a Escritura restringe.

  2. Não ampliar a liberdade além do que a Escritura permite.

O Senhor distribui dons como quer (1 Coríntios 12:11), mas nunca em contradição com a ordem que Ele mesmo estabeleceu.

Que o Senhor nos dê equilíbrio, submissão à Palavra e espírito humilde para aplicar corretamente esses princípios nos dias atuais.

Josué Matos