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Pessoa alegadamente convertida a Cristo, mas cuja vida é uma exposição clara de não ter havido a obra da regeneração em seu interior

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão Josué, uma pessoa alegadamente convertida a Cristo, mas cuja vida é uma exposição clara de não ter havido a obra da regeneração em seu interior… como falar de Cristo para ela, a fim de que ela seja liberta deste engano fatal?

Quais autores cristãos, de antes ou atuais, o senhor mais aprecia? Que pontos nestes mesmos o senhor teria restrições doutrinárias?

Minha Resposta:

Caro irmão,

A situação que você descreve é, infelizmente, mais comum do que gostaríamos. A Escritura reconhece que pode haver uma profissão externa de fé sem que tenha ocorrido, de fato, a obra interior da regeneração. O Senhor Jesus falou daqueles que dizem “Senhor, Senhor”, mas cuja vida não corresponde à vontade de Deus, mostrando que palavras corretas não substituem uma vida transformada (Evangelho segundo Mateus 7:21–23).

Como falar de Cristo a alguém nessa condição exige, antes de tudo, discernimento espiritual, humildade e amor sincero. Não se trata de confrontar apenas comportamentos isolados, mas de apresentar com clareza a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo, mostrando que o novo nascimento não é uma reforma moral, mas uma nova vida concedida por Deus. O caminho bíblico passa por apontar a santidade de Deus, a gravidade do pecado e a suficiência da obra de Cristo na cruz, sempre lembrando que somente o Espírito Santo pode convencer do pecado, da justiça e do juízo (Evangelho segundo João 16:8). A nossa responsabilidade é dar testemunho fiel da verdade, com graça, paciência e coerência de vida, sabendo que resultados genuínos pertencem a Deus.

Quanto aos autores cristãos, aprecio especialmente os escritos antigos que se encontram entre os chamados “irmãos”, nos quais há grande ênfase na autoridade das Escrituras, na centralidade de Cristo e na simplicidade da vida cristã. Esses escritos, ainda que não inspirados, são valiosos por manterem uma linha expositiva, pastoral e profundamente bíblica.

Entre os autores mais recentes, destaco William MacDonald, cuja clareza, equilíbrio e fidelidade às Escrituras têm sido de grande ajuda ao povo de Deus. Além dele, há outros autores cujas obras foram traduzidas e publicadas por editoras como A Verdade e a Sã Doutrina, que, de modo geral, preservam um compromisso sério com a Palavra de Deus e com o ensino saudável.

Naturalmente, nenhum autor humano é isento de limitações. Sempre leio qualquer obra com a Bíblia aberta, como fizeram os bereanos, examinando tudo à luz das Escrituras (Atos dos Apóstolos 17:11). Minhas principais restrições doutrinárias surgem quando há desvios quanto à suficiência da obra de Cristo, à natureza da graça, à segurança da salvação ou quando experiências humanas passam a ocupar o lugar da autoridade da Palavra de Deus. Onde isso ocorre, é preciso cautela, ainda que o autor tenha contribuições úteis em outros aspectos.

Em resumo, tanto no aconselhamento de pessoas quanto na leitura de autores cristãos, o princípio permanece o mesmo: Cristo no centro, a Escritura como autoridade final e dependência constante do Espírito Santo para discernir, ensinar e viver a verdade.

Fraternalmente,

Josué Matos