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Deus é um Delírio? Richard Dawkins

 Alguém me escreveu no YouTube:

Me escreveu depois de ter assistido ao meu vídeo: Deus é um Delírio? Richard Dawkins  

Esta pessoa me disse: Como comprovar o inexistente? Quem afirma a existência é quem deve provar, o que nunca fizeram os cristãos.

Minha Resposta:

Você levanta um ponto que costuma aparecer com frequência em debates filosóficos e científicos, e ele merece uma resposta clara e honesta.

De fato, quando alguém afirma algo, deve estar disposto a apresentar razões para essa afirmação. Contudo, isso vale igualmente para ambos os lados. Dizer “Deus não existe” não é uma posição neutra; é uma afirmação metafísica tão forte quanto dizer “Deus existe”. Portanto, também exige fundamentos racionais. A ausência de prova empírica* não equivale automaticamente à prova da inexistência. Há muitas realidades que não são observáveis diretamente, mas são inferidas a partir de seus efeitos.

A própria Bíblia reconhece esse tipo de evidência indireta. Romanos 1:19-20 afirma que aquilo que pode ser conhecido de Deus é manifesto por meio da criação, de modo que o Seu eterno poder e divindade se tornam perceptíveis pelas coisas criadas. O argumento não é sentimental, mas racional: o efeito aponta para uma causa adequada. Ordem, racionalidade, leis constantes da natureza e inteligibilidade do universo não explicam a si mesmas.

Além disso, a questão da existência de Deus não se limita ao campo das ciências naturais. Trata-se também de uma questão filosófica e existencial. A ciência descreve como os fenômenos ocorrem; ela não responde por que existe algo em vez de nada, nem de onde vem a própria racionalidade humana capaz de investigar o universo. Salmos 19:1 declara que os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos, indicando que a criação comunica significado, não apenas dados.

Outro ponto frequentemente ignorado é o testemunho moral. A noção universal de certo e errado, de culpa e responsabilidade, pressupõe um padrão objetivo. Romanos 2:14-15 fala da lei escrita no coração humano, cuja consciência ora acusa, ora defende. Se tudo é fruto do acaso e da matéria impessoal, essa obrigação moral perde o seu fundamento real.

Quanto à fé cristã, ela não se apresenta como um “salto no escuro”. Hebreus 11:1 define a fé como a certeza de coisas que se esperam e a convicção de fatos que não se veem, não como ausência de razões, mas como confiança baseada em testemunho. A fé bíblica nasce do ouvir a Palavra de Deus, conforme Romanos 10:17, e envolve tanto a mente quanto a consciência.

Por fim, é importante lembrar que o cristianismo não afirma apenas a existência abstrata de Deus, mas um Deus que se revelou na história. Atos dos Apóstolos 17:26-27 declara que Deus determinou tempos e limites para as nações, para que O buscassem, ainda que tateando. A proposta bíblica não é uma prova de laboratório, mas um convite à reflexão honesta sobre a realidade, a vida, a moral, a história e o próprio ser humano.

Portanto, a pergunta não é simplesmente “onde está a prova?”, mas “que tipo de prova é adequada para a questão que está sendo feita?”. Negar Deus exige, no mínimo, explicar satisfatoriamente a origem do universo, da vida, da razão e da moralidade sem recorrer a pressupostos que, no fundo, também não podem ser provados empiricamente.

* A palavra empírica, no contexto do texto, refere-se a algo que é conhecido ou verificado exclusivamente por meio da experiência sensorial direta, isto é, pelos sentidos humanos como visão, audição, tato, olfato e paladar, geralmente associada à observação, experimentação e repetição controlada.

Em termos simples, conhecimento empírico é aquele que depende de testes observáveis e mensuráveis. Por exemplo, medir a temperatura de um corpo com um termômetro, observar uma reação química em laboratório ou verificar a queda de um objeto pela gravidade são experiências empíricas. Elas podem ser repetidas, comparadas e analisadas por diferentes pessoas, chegando a resultados semelhantes.

No texto, o termo foi usado para esclarecer que a ciência moderna trabalha prioritariamente com esse tipo de conhecimento. Ela é extremamente eficaz para explicar como os fenômenos naturais acontecem, mas é limitada quando tenta responder questões que vão além da observação direta, como a origem última da existência, o sentido da vida, o valor moral ou a razão pela qual o universo é inteligível.

A Bíblia, por sua vez, reconhece essas limitações humanas. Jó 38:4 registra a pergunta de Deus ao homem: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência”. O texto não rejeita a observação do mundo criado, mas mostra que nem tudo pode ser reduzido à experiência empírica humana.

Outro exemplo está em Eclesiastes 3:11, que afirma que Deus colocou a eternidade no coração do homem, sem que este possa compreender plenamente a obra que Deus faz do princípio ao fim. Isso indica que existem realidades verdadeiras que não são acessíveis apenas pelos sentidos ou por experimentos.

Portanto, quando se diz que algo não é empírico, não se está afirmando que seja irracional ou ilusório, mas que não pode ser provado ou refutado apenas pelos métodos das ciências naturais. A fé cristã se apoia na revelação divina, no testemunho histórico e na coerência racional, não em experimentos laboratoriais. Como afirma Hebreus 11:3, pela fé entendemos que o mundo foi criado pela palavra de Deus, de modo que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.

Assim, “empírico” descreve um tipo específico de conhecimento, válido e importante, mas não suficiente para responder todas as questões fundamentais da existência.

Josué Matos

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