Alguém que me escreveu no YouTube:
Mas na casa de Cornélio… não tinha um rio ou uma piscina ou alguma coisa parecida… mas foram batizados… com água seria com uma caneca… dúvida minha, ok, com todo respeito, ok.
Minha Resposta:
A sua dúvida é muito válida e respeitosa, e o próprio texto bíblico nos permite respondê-la com clareza, sem necessidade de especulações.
Em Atos dos Apóstolos 10, quando Cornélio e os de sua casa creem, recebem o Espírito Santo enquanto Pedro ainda anunciava o evangelho. Esse fato foi extraordinário, pois demonstrou publicamente que Deus concedia aos gentios a mesma salvação concedida aos judeus. Porém, logo em seguida, o texto diz claramente:
“Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes que também receberam como nós o Espírito Santo?” Atos dos Apóstolos 10:47
“E mandou que fossem batizados em nome do Senhor.” Atos dos Apóstolos 10:48
Note que o texto fala explicitamente em água. Pedro não diz “simbolicamente”, nem “de outra forma”, mas pergunta se alguém poderia impedir a água, o que pressupõe um batismo real, visível e concreto.
A Escritura não informa o local exato, nem o volume de água utilizado. Isso não é o foco do Espírito Santo ao registrar o acontecimento. A Bíblia também não diz se foi um rio, um tanque, uma cisterna ou qualquer outra fonte disponível. O silêncio quanto a esses detalhes não invalida o fato do batismo, mas apenas mostra que o essencial não é o recipiente, e sim a obediência ao mandamento do Senhor Jesus.
Desde o início do livro de Atos, vemos que o batismo nas águas era a prática normal e imediata após a fé. Em Atos dos Apóstolos 2:41, os que creram foram batizados. Em Atos dos Apóstolos 8:36, o eunuco pergunta: “Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?”. Em Atos dos Apóstolos 16:33, o carcereiro de Filipos foi batizado “naquela mesma hora da noite”, certamente com os recursos disponíveis.
Isso nos ensina algo importante: o Novo Testamento nunca condiciona o batismo a um local específico ou a uma quantidade exata de água descrita em detalhes narrativos. O que ele sempre ressalta é que o batismo é um ato literal, com água, realizado em obediência ao Senhor Jesus Cristo, como testemunho público da fé e identificação com Ele.
No caso de Cornélio, o ponto central não era o “como” logístico, mas o “quem”: gentios também deveriam ser batizados nas águas, assim como os judeus. Isso confirma que o batismo não era um rito exclusivo de Israel, mas uma ordenança válida para todos os que creem no evangelho, independentemente da sua origem.
Portanto, ainda que não saibamos se foi um rio, um tanque ou outro meio, a Escritura é clara em afirmar que houve batismo com água, e que isso foi feito por ordem apostólica, em plena harmonia com o ensino do Senhor Jesus em Mateus 28:19.
A sua pergunta é legítima, e a resposta bíblica é simples: a ausência de detalhes práticos não anula a realidade do batismo, nem diminui sua importância como ordenança para judeus e gentios que creem.