Alguém que me escreveu no YouTube:
Acho que não existe outro assunto no Novo Testamento para dar dor de cabeça nos estudiosos como o assunto do véu. Mas está claro na sagrada escritura que o véu é uma ORDENANÇA para a mulher de Deus obedecer. Simples assim!
Minha Resposta:
Entendo a preocupação em não tratar o assunto do véu com leviandade, e concordo plenamente que 1 Coríntios 11 exige reverência e submissão à Palavra de Deus. Justamente por isso, creio que o texto não permite que o uso do véu seja reduzido a uma prática meramente cultural ou circunstancial.
O apóstolo Paulo não fundamenta seu ensino em costumes locais de Corinto, mas em princípios que antecedem qualquer cultura: a ordem da criação estabelecida em Gênesis, a distinção entre homem e mulher, a questão da autoridade e a glória de Deus. Esses fundamentos não pertencem ao primeiro século, mas à revelação divina. Quando Paulo apela à criação — “porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem” — ele nos leva para além de qualquer contexto histórico específico.
Além disso, há um elemento decisivo no texto que não pode ser explicado culturalmente: “por causa dos anjos” (1 Coríntios 11:10). Os anjos não estão sujeitos a modas, culturas ou convenções sociais. Trata-se de seres espirituais que observam a ordem de Deus. Isso demonstra que o sinal exterior tem implicações no mundo invisível, e não apenas no testemunho humano.
Quanto à expressão “nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus” (1 Coríntios 11:16), ela não relativiza o ensino, mas encerra a discussão. Paulo não está dizendo que o véu era opcional, mas que não havia entre as igrejas o costume de contender contra essa instrução. O costume das igrejas de Deus era justamente a aceitação da prática ensinada.
Historicamente, o uso do véu esteve presente nas reuniões cristãs por muitos séculos, sendo abandonado apenas em períodos mais recentes, quando pressões culturais passaram a influenciar a interpretação bíblica. Essa mudança não nasce da Escritura, mas de uma adaptação ao espírito do tempo.
Portanto, à luz do próprio texto bíblico e da prática histórica das igrejas, o véu deve ser entendido como um sinal exterior que expressa um princípio espiritual permanente. Não se trata de salvação, nem de mérito espiritual, mas de obediência, ordem e testemunho na presença de Deus e dos anjos. Onde esses princípios são reconhecidos, o sinal que os expressa também deve ser preservado.