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O homem desse tempo precisa de ideias de acordo com a evolução que já adquiriu

Alguém que me escreveu no YouTube:

Esta pessoa que me escreveu tem sua doutrina firmada no espiritismo kardecista:
Uma coisa muito importante que vocês precisam pelo menos levar em consideração. É que a Bíblia não é o que a maioria dos leitores diz ser. É um livro escrito para atender às necessidades da época. Principalmente para funcionar como sistema de governo. O homem desse tempo precisa de ideias de acordo com a evolução que já adquiriu.

Minha Resposta:

Entendo a colocação que você faz, e ela reflete uma visão bastante comum em correntes filosóficas e religiosas modernas, inclusive no espiritismo kardecista. No entanto, essa afirmação parte de pressupostos que a própria Bíblia não assume sobre si mesma.

Em primeiro lugar, a Bíblia nunca se apresenta como um simples produto cultural destinado apenas a organizar sociedades antigas ou funcionar como um sistema de governo. Pelo contrário, ela se declara como revelação de Deus ao homem. O apóstolo Paulo afirma que “toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir e para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16). A inspiração não é atribuída às circunstâncias históricas, mas à ação direta de Deus sobre homens que escreveram conforme foram movidos pelo Espírito Santo, como declara o apóstolo Pedro (2 Pedro 1:20–21).

É verdade que a Bíblia foi escrita em contextos históricos reais e para pessoas reais, mas isso não a reduz a um manual ultrapassado. O próprio Senhor Jesus Cristo tratou as Escrituras do Antigo Testamento como autoridade viva e permanente, afirmando que “não passará um jota ou um til da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mateus 5:18). Ele não as apresentou como um texto condicionado à “evolução” humana, mas como Palavra que permanece.

Quanto à ideia de que o homem moderno precisa de novas ideias de acordo com sua evolução, a Escritura apresenta um diagnóstico diferente. O problema central do ser humano não é falta de evolução intelectual, social ou moral, mas o pecado. A Bíblia declara que “não há justo, nem um sequer” (Romanos 3:10) e que a separação entre Deus e o homem não é resolvida pelo progresso humano, mas pela intervenção divina. Por isso, a mensagem bíblica não é de adaptação do homem a novas ideias, mas de arrependimento e reconciliação com Deus (Atos dos Apóstolos 17:30).

Além disso, a Bíblia não acompanha a ideia de progresso espiritual contínuo do ser humano. Pelo contrário, ela afirma que o coração humano é enganoso e corrupto (Jeremias 17:9) e que o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus (1 Coríntios 2:14). A solução apresentada não é evolução, mas novo nascimento, conforme ensinado pelo Senhor Jesus a Nicodemos (João 3:3–7).

Por fim, se a Bíblia fosse apenas um livro ajustado às necessidades políticas de seu tempo, ela dificilmente teria confrontado reis, governos e sistemas religiosos como fez, nem teria produzido mártires ao longo da história. A Escritura não se molda ao homem; ela confronta o homem. E é justamente por isso que continua sendo atual: porque trata da condição humana diante de Deus, algo que não muda com o passar dos séculos.

A questão central, portanto, não é se a Bíblia precisa ser atualizada para o homem moderno, mas se o homem está disposto a se submeter à verdade que Deus revelou. Como disse o próprio Senhor Jesus Cristo: “A tua palavra é a verdade” (João 17:17).

Josué Matos