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A menina em Lucas 8 foi ressuscitada para a salvação?!

 Alguém que escreveu por e-mail:

Boa noite irmão. A menina em Lucas 8 foi ressuscitada para a salvação?! Ou seja não era salva ?! Diferente de Lázaro que morreu salvo e foi ressuscitado para a glória de Deus. Ambos foram para glória de Deus, mas o que me chamou a a atenção foi : “Mas Jesus, ouvindo isto, lhe disse: Não temas, crê somente, e ela será salva.” ‭‭Lucas‬ ‭8‬:‭50‬ ‭

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito pertinente, porque toca numa distinção importante entre ressurreição física e salvação eterna.

Vamos considerar os dois casos com atenção às Escrituras.

1. A filha de Jairo – Evangelho de Lucas 8

O texto diz:

“Não temas; crê somente, e ela será salva.” (Lucas 8:50)

A palavra traduzida por “salva” é o verbo grego sōzō, que possui um campo semântico amplo. Pode significar:

  • salvar espiritualmente (da condenação),

  • curar,

  • preservar,

  • livrar da morte física.

No próprio contexto imediato, vemos que a menina estava morta (Lucas 8:53). O Senhor toma-a pela mão e diz: “Menina, levanta-te” (Lucas 8:54), e o espírito dela voltou (Lucas 8:55). Logo, aqui a “salvação” mencionada em Lucas 8:50 refere-se claramente à preservação da vida física, ou seja, à sua restauração corporal.

Não há qualquer indicação no texto de que o Senhor estivesse tratando da condição eterna da menina. O assunto em foco é a morte física e a angústia do pai.

Observe que, em vários lugares, o verbo “salvar” é usado nesse sentido temporal:

  • “A tua fé te salvou” – no caso da mulher do fluxo de sangue (Lucas 8:48), significando que foi curada.

  • “Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á” (Lucas 9:24), onde o termo envolve preservação da vida.

Portanto, em Lucas 8:50, o Senhor está dizendo a Jairo que sua filha seria restaurada à vida.

Isso não significa que ela não fosse salva espiritualmente, mas o texto não trata desse ponto.

2. Lázaro – Evangelho de João 11

No caso de Lázaro, o Senhor declara:

“Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25).

Aqui há uma ênfase muito mais clara na vida eterna. Marta faz uma confissão de fé: “Eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (João 11:27).

Tudo indica que Lázaro era um crente. Sua ressurreição foi “para a glória de Deus” (João 11:4), e o milagre teve caráter testemunhal e doutrinário mais explícito.

Mas, ainda assim, a ressurreição de Lázaro também foi ressurreição temporária. Ele voltou a morrer mais tarde. Não foi ainda a ressurreição glorificada como em 1 Coríntios 15.

3. Diferença entre ressurreições temporárias e ressurreição gloriosa

Tanto a filha de Jairo quanto Lázaro:

  • morreram fisicamente,

  • foram restaurados à vida terrena,

  • voltaram posteriormente a morrer.

Esses milagres foram sinais messiânicos, demonstrando autoridade sobre a morte (Isaías 35:5-6).

A ressurreição do Senhor Jesus, porém, foi diferente:

  • Ele ressuscitou para nunca mais morrer (Romanos 6:9).

  • Tornou-se as primícias dos que dormem (1 Coríntios 15:20).

4. Então, a menina não era salva?

O texto não afirma que ela não fosse salva espiritualmente. O foco é outro.

A expressão “ela será salva” em Lucas 8:50 deve ser entendida à luz do contexto imediato: ser salva da morte física naquele momento.

Assim como:

  • Pedro foi “salvo” ao andar sobre as águas (Mateus 14:30),

  • os discípulos clamaram: “Senhor, salva-nos, que perecemos” (Mateus 8:25).

Em todos esses casos, trata-se de livramento temporal.

5. Ambos foram para a glória de Deus

Sim, ambos os milagres tiveram o mesmo propósito maior: manifestar a glória de Deus.

  • No caso de Lázaro, isso é explicitamente declarado (João 11:4).

  • No caso da filha de Jairo, a manifestação do poder do Senhor também resultou em espanto e testemunho (Lucas 8:56).

Mas nenhum dos dois textos tem como objetivo discutir a condição eterna das pessoas envolvidas.

Conclusão

Lucas 8:50 não ensina que a menina não era salva espiritualmente.

A palavra “salva” ali significa restaurada à vida física.

Já no caso de Lázaro, há um desenvolvimento mais profundo da doutrina da vida eterna, mas a ressurreição em si também foi temporária.

Em ambos os casos, vemos o Senhor Jesus exercendo autoridade sobre a morte — antecipando aquilo que Ele mesmo venceria definitivamente na cruz e na ressurreição.

Josué Matos