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A Mesa do Senhor, a Ceia do Senhor e a comunhão da igreja

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Olá, boa tarde, obrigado por esclarecer seu ponto a respeito de evangelho, salvação e graça, mas devo ressaltar que qualquer um que escute o que você disse no tempo que mencionei pensaria a mesma coisa, principalmente quem caiu de paraquedas nesse vídeo e não conhece o seu canal (que é meu caso).

Tendo esclarecido isto gostaria de tocar em um ponto que o senhor tocou e principalmente em um comentário que fez no primeiro vídeo desta coletânea intitulado "os irmãos exclusivistas", você mencionou que a mesa deve ser aberta, e que qualquer um pode participar e é o senhor Jesus quem decide quem deve entrar e sair de comunhão, também mencionou que Paulo orientou para que este permanecem nas reuniões, por lado na mesma carta a 1 corintos 5:2 ele questiona porque o que cometeu tais impurezas ainda não foi tirado de comunhão, você mencionou diferente desse outros permaneciam porque não tinham divergências doutrinárias graves, mas será que Paulo que por sua autoridade apostólica e com a direção do Senhor não permitiu que isto ocorresse para que ele pudesse admoesta-los sobre dissensões e falsos mestres ?

Você também tocou bastante na tecla de que quem pede o seu local a mesa e está ligado ao sistema denominacional é reprovado automaticamente, você disse que se a pessoa não estiver com erros doutrinárias graves que possam levedar a massa podem ser recebidos a mesa, mas o fato estes são reprovado não por estarem em na dominação, mas por: causa e efeito, se estes estão em denominação logo estarão sendo aprendendo má doutrina, acho que isso é uma coisa bem óbvia e que qualquer um saiba contar quanto é 2+2 consegue chegar a mesma conclusão, você não é proibido de entrar em um templo para cerimônia de casamento ou  enterro, a questão é pessoa está recebendo má doutrina independente onde seja, numa praça, praia, sítio ou salão, a questão principal é: não trazer má doutrina para as reuniões.

Mas seus vídeos, foram importantes para esclarecer algumas coisas que tenho observado, estava assistindo um vídeo sobre o atual estado da igreja que é mencionado nas 7 cartas profético as igrejas no livro de Apocalipse, que se encontra como Laodicéia, quando terminei de ver o vídeo do irmão Mario fui consumido por uma tristeza no meu trabalho que cheguei a chorar e nem eu sabia o porquê, me perguntava se os irmãos reunidos ao nome do Senhor não estariam na condição de Filadélfia, mas o seu vídeo me veio como reforço para algo que não queria aceitar.

Eu percebi que em outros comentários de sua coletânea com outras pessoas discutindo sobre quem cometeu erros doutrinárias primeiro ou quem criou uma organização de governos centralizados, bom a conclusão que cheguei é que não vamos a chegar a lugar nenhum com esses puxa rabo um do outro, também não estou interessado em discutir quem está mais ou menos errado que o outro, não estou me conformando, apenas reconheço o atual estado que igreja está, e seu vídeo ilustra bem isso, não tento mudar sistemas pré estabelecidos, só o que posso fazer é orar para que eu possa prevalecer na doutrina dos apóstolos, e confiar no Senhor para que ele cuide da sua igreja apesar das fraquezas e dificuldades.

Minha Resposta:

Permita-me reorganizar toda a resposta, agora incluindo também o ponto sobre pessoas que se confessam salvas e vêm de denominações ou de ambientes que usam o nome “irmãos”.

Antes de discutir recepção e disciplina, é indispensável esclarecer três expressões que frequentemente são confundidas: a Mesa do Senhor, a Ceia do Senhor e a comunhão da igreja.

A Mesa do Senhor, conforme 1 Coríntios 10:16-21, não é uma reunião, nem um local físico. Ela fala da comunhão espiritual estabelecida pelo próprio Senhor com todos os que foram salvos pelo Seu sangue. É uma realidade espiritual ligada à obra de Cristo. Nenhum homem recebe alguém à Mesa do Senhor. Quem recebe é o Senhor, quando salva uma alma. Também nenhum homem pode excluir um verdadeiro crente da Mesa do Senhor, pois isso pertence à esfera da obra e da autoridade de Cristo.

A Ceia do Senhor, mencionada em 1 Coríntios 11:20, é uma reunião específica da igreja local, na qual o pão e o cálice são tomados em memória do Senhor Jesus Cristo. A Ceia é um dos privilégios que decorrem da comunhão.

Já a comunhão da igreja é a esfera prática de responsabilidade da assembleia local. É aí que a igreja pode agir, receber ou, em casos de disciplina, afastar alguém. Em 1 Coríntios 5:2, Paulo não fala de tirar alguém da Mesa do Senhor, mas de “tirar dentre vós” — ou seja, remover da comunhão prática da assembleia. O objetivo era disciplinar, para restauração, como vemos depois em 2 Coríntios 2:6-8.

Portanto, nunca existe exclusão da Mesa do Senhor; o que pode haver é exclusão da comunhão local, o que implica impedir a participação na Ceia enquanto a situação não for resolvida biblicamente.

Feita essa distinção, entramos na questão da recepção.

A Bíblia oferece princípios claros para a recepção à comunhão da igreja local. A igreja local bíblica é formada por pessoas salvas e que perseveram na sã doutrina. Atos 2:41-42 mostra que aqueles que receberam a Palavra perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão. Não é apenas uma profissão verbal de fé, mas uma posição clara quanto ao evangelho e quanto à doutrina.

Isso nos leva ao ponto delicado: pessoas que se confessam salvas, vindas de denominações ou até de lugares que se identificam como “irmãos”.

Não recebemos pessoas simplesmente porque vêm de determinado ambiente, seja denominacional ou use um nome bíblico. O critério não é o rótulo do lugar de origem. Também não as rejeitamos automaticamente apenas por essa razão. A avaliação é espiritual e doutrinária.

Contudo, é necessário afirmar com clareza: a comunhão da igreja não é aberta indiscriminadamente a todos que se declaram crentes.

Se alguém vem de um ambiente onde o evangelho não é claramente anunciado — por exemplo, onde a salvação é misturada com obras, sacramentos ou mérito humano — isso precisa ser examinado cuidadosamente. Gálatas 1:8-9 e 2 João 9-11 mostram que não se deve receber quem não permanece na doutrina de Cristo. Romanos 16:17 também orienta a marcar os que causam divisões contrárias à doutrina aprendida.

Assim, um visitante que vem de um ambiente que não traz clareza quanto ao evangelho e quanto à sã doutrina não deve ser automaticamente recebido à comunhão da igreja.

A recepção envolve:

  1. Clareza quanto à salvação pela graça, mediante a fé.

  2. Submissão à sã doutrina.

  3. Vida moral compatível com o testemunho cristão.

  4. Ausência de envolvimento ativo com erro doutrinário que comprometa o evangelho ou a Pessoa de Cristo.

A igreja local tem responsabilidade de guardar a pureza da comunhão. Um pouco de fermento leveda toda a massa (1 Coríntios 5:6). A comunhão pressupõe unidade prática na doutrina.

Ao mesmo tempo, é importante manter o equilíbrio: tais pessoas estão bem-vindas para assistir às reuniões. A porta para ouvir a Palavra permanece aberta. A assembleia não é um círculo secreto. Qualquer pessoa pode vir ouvir, aprender, examinar as Escrituras.

Mas ouvir não é o mesmo que estar em comunhão.

Receber à comunhão significa reconhecer publicamente unidade de fé e prática. Se isso não está claro, a recepção não deve ocorrer. Não por sectarismo, mas por responsabilidade bíblica.

Quanto à sua reflexão sobre Filadélfia e Laodiceia, em Apocalipse 2–3, é correto sentir tristeza pelo estado geral da cristandade. Mas a solução não é endurecer além da Escritura, nem relaxar os princípios bíblicos. É permanecer na doutrina dos apóstolos (Atos 2:42) e confiar que o Senhor Jesus, que anda no meio dos candeeiros (Apocalipse 1:13), cuida da Sua igreja.

A igreja não é preservada por sistemas, mas pela fidelidade de Cristo. A nossa responsabilidade é manter distinções bíblicas claras: a Mesa do Senhor pertence a Cristo; a comunhão local é responsabilidade da assembleia; a Ceia é expressão visível dessa comunhão.

E a recepção à comunhão deve seguir os princípios das Escrituras, não pressões emocionais, rótulos externos ou presunções automáticas.

Josué Matos