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Irmão, há amparo bíblico para hierarquia na igreja ou o modelo hierárquico é puramente humano?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão, há amparo bíblico para hierarquia na igreja ou o modelo hierárquico é puramente humano?

Minha Resposta:

A pergunta é extremamente importante, porque toca na própria natureza da igreja. Precisamos distinguir cuidadosamente entre autoridade espiritual estabelecida por Deus e hierarquia clerical criada pelos homens. A Palavra de Deus ensina claramente a primeira, mas não sustenta a segunda.

  1. O modelo deixado pelo Senhor Jesus

O Senhor Jesus ensinou um princípio fundamental em Mateus 20:25-28. Ele disse que os governantes dos gentios dominam sobre eles, mas “entre vós não será assim”. No Seu reino, grandeza não é medida por posição hierárquica, mas por serviço. O próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir.

Isso já elimina qualquer estrutura baseada em superioridade de classe espiritual. O padrão cristão é serviço, não dominação.

  1. A autoridade espiritual no Novo Testamento

Embora não haja base para um sistema hierárquico no sentido clerical (como papa, arcebispos, bispos superiores e inferiores em cadeia de comando), há sim autoridade espiritual reconhecida por Deus.

Em Atos 14:23 vemos que Paulo e Barnabé constituíam presbíteros em cada igreja. Em Filipenses 1:1 aparecem “bispos e diáconos”. Em 1 Timóteo 3 e Tito 1 encontramos as qualificações desses homens.

Aqui está o ponto central:
– Presbítero (ancião)
– Bispo (supervisor)
– Pastor (aquele que apascenta)

Esses termos não indicam três cargos diferentes em níveis hierárquicos distintos, mas aspectos diferentes da mesma função. Em Atos 20:17,28 Paulo chama os presbíteros de Éfeso e os denomina bispos (supervisores), e diz que devem apascentar (pastorear) o rebanho.

Portanto, existe liderança, mas não uma escada hierárquica.

  1. Pluralidade e igualdade entre os anciãos

Em nenhuma igreja local do Novo Testamento encontramos um único homem governando como autoridade máxima. Sempre aparece pluralidade de presbíteros (Atos 20:17; Tito 1:5; Tiago 5:14).

Essa pluralidade impede concentração de poder e evita hierarquia interna. Não há um “presbítero chefe”. Todos são irmãos entre irmãos, ainda que exerçam responsabilidade.

  1. Cristo é o Cabeça da Igreja

Efésios 1:22-23 e Colossenses 1:18 ensinam que Cristo é o Cabeça do Corpo. Não há outro cabeça visível na terra. Qualquer sistema que coloque um homem como cabeça universal da igreja contradiz essa verdade fundamental.

A igreja é um corpo vivo, não uma organização piramidal.

  1. O sacerdócio de todos os crentes

1 Pedro 2:5 e 2:9 afirmam que todos os crentes são sacerdotes. Isso elimina a distinção entre “clero” e “leigos”. No Novo Testamento não existe uma classe espiritual intermediária entre Deus e o povo. Há dons diferentes (Efésios 4:11), mas não classes espirituais superiores.

Os dons são para edificação do corpo, não para formar uma elite espiritual.

  1. O perigo histórico do modelo hierárquico

Historicamente, após o período apostólico, começou a surgir a figura do “bispo monárquico”, e gradualmente desenvolveu-se uma estrutura piramidal que culminou no sistema papal. Esse modelo não encontra fundamento nas Escrituras apostólicas, mas nasceu da necessidade humana de organização centralizada e controle institucional.

A Escritura apresenta uma estrutura simples:
– Cristo como Cabeça.
– O Espírito Santo como guia presente.
– Presbíteros locais como supervisores.
– Diáconos como servos administrativos.
– Toda a assembleia responsável diante do Senhor.

  1. Conclusão

Portanto, há base bíblica para autoridade espiritual e liderança reconhecida, mas não para um sistema hierárquico clerical.

A liderança na igreja é:
– Espiritual, não institucional.
– Colegiada, não monárquica.
– Servidora, não dominadora.
– Local, não centralizada mundialmente.

O modelo hierárquico rígido, como estrutura de poder em níveis superiores e inferiores, é desenvolvimento humano posterior e não padrão apostólico.

Que o Senhor nos dê discernimento para permanecer no modelo simples, espiritual e bíblico apresentado no Novo Testamento.

Josué Matos