Alguém que me escreveu no WhatsApp:
A pessoa me enviou o texto abaixo:
Esboço de um sermão de meu amigo e irmão, pastor batista
O SOFRIMENTO.
“mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela nao comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gn.2:17; 3:6)
1. Toda a criação padece. Rm.8:20
a. Cristão. At.14:22
b. Não cristão. Is.57:21
2. Alguns motivos do sofrimento do cristão.
a. Como prova da fé. Por meio das provas, nosso Deus mostra ao mundo que a sua fé depositada no coração de seus filhos é indestrutível. (1 Jo.5:4-5; Jó 1 e 2)
b. Para crescer em humildade. (Jó: 40-3-5; 42:1-6)
c. Como consequência de semear o errado. (Gl.6:7-8)
- Existe perdão e purificação (1 Jo.1:8-9)
- Porém ficam consequências:
- Moisés. (Nm. 20:8-12; Dt.3:24-27; 4:21)
- Davi. (2 Sm.12:10-14)
Assumir a nossa responsabilidade, traz mais calma. (2Sm.16:5-10)
d. Para ser usados em nossa debilidade. (2Co.12:6-10)
e. Como parte da nossa luta na boa batalha. Desde o mesmo instante do novo nascimento, somos recrutados para ser soldados do exército do Deus vivente, e somos imersos numa feroz batalha. Essa batalha chega ao fim só quando morrer ou quando Cristo voltar. (2Tm.4:4-8)
- Cada soldado de Jesus recebe uma armadura para enfrentar tal batalha. (Ef.6:10-18)
- A luta é contra o velho homem. Ele já foi crucificado juntamente com Cristo e não pode ser mais senhor, porém todo tempo guerreia contra nós para entrar na tentação. (Rm.6:6,14;7:21-25)
- A luta é também contra Satanás e o seu sistema invisível de maldade chamado mundo. (1P.5: 7-10)
3. A vitória é do Senhor. Nosso Deus, pela vitória de Cristo em favor do seu povo, tudo o inclina para o bem de seus redimidos. (Hb.10:14; Rm.8:28). Então, derramemos nossa alma confiadamente no trono da graça para encontrar oportuno socorro. (Sal.56:22, 62:8; Hb.4:14-16)
Conclusão: Não existe tribulação que não traga consigo uma bênção.
Minha Resposta:
Fiquei pensando na conclusão do "esboço do pastor batista" sobre o sofrimento e creio que vale a pena fazer uma distinção importante, para que o ensino fique ainda mais preciso e equilibrado.
Ele escreveu que “não existe tribulação que não traga consigo uma bênção”. De modo geral, isso é verdadeiro quando falamos dos que amam a Deus, conforme Romanos 8:28. Contudo, quando tratamos especificamente das tribulações causadas pelo pecado do próprio crente, é necessário qualificar melhor essa afirmação.
Sofrimento por fidelidade e sofrimento por pecado não são iguais
A Escritura mostra que há sofrimentos que vêm:
– Por causa da fidelidade a Deus (Atos 14:22; 1 Pedro 4:14-16).
– Como disciplina por causa de pecado (Hebreus 12:6-11).
No primeiro caso, o sofrimento é prova da fé e instrumento de refinamento. Em 1 Pedro 1:6-7, vemos que a provação da fé é comparada ao ouro purificado no fogo.
No segundo caso, não estamos diante de uma simples prova, mas de correção paternal.
A disciplina é correção, não condenação
Hebreus 12:6-7 declara:
“O Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho.”
A disciplina é evidência de filiação. Deus não disciplina o mundo como Pai, mas julga o mundo como Juiz. Ao crente, Ele trata como Pai.
Entretanto, o texto também diz:
“Na verdade, nenhuma correção, ao presente, parece ser de gozo, senão de tristeza; mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.” (Hebreus 12:11)
Observe a expressão: “nos exercitados por ela”. Ou seja, a disciplina só produz fruto quando há resposta correta.
A consequência do pecado não é bênção automática
Gálatas 6:7-8 estabelece um princípio solene:
“Tudo o que o homem semear, isso também ceifará.”
O perdão é real — 1 João 1:9 é claro — mas o perdão não anula necessariamente as consequências temporais.
Veja alguns exemplos:
Moisés (Números 20:8-12; Deuteronômio 3:24-27) — homem fiel, mas disciplinado e impedido de entrar na terra prometida.
Davi (2 Samuel 12:10-14) — pecado perdoado, mas a espada não se apartaria de sua casa.
Nesses casos, o sofrimento não foi uma “bênção” em si mesmo. Foi disciplina. Tornou-se instrumento de amadurecimento porque houve arrependimento genuíno.
O Salmo 51 mostra o coração quebrantado de Davi. Ali vemos como a disciplina o levou à restauração.
Quando a disciplina se torna bênção?
A disciplina se transforma em bênção quando:
– há confissão sincera (1 João 1:9);
– há abandono do pecado (Provérbios 28:13);
– há submissão humilde à mão de Deus (1 Pedro 5:6).
Se o crente resiste, endurece-se ou se justifica, o sofrimento pode prolongar-se e até agravar-se. Em 1 Coríntios 11:29-32 vemos crentes disciplinados por causa de pecado não julgado — alguns estavam fracos, outros doentes, e alguns haviam dormido (morrido). A disciplina tinha propósito corretivo, mas nem todos responderam da mesma maneira.
Uma formulação mais precisa
Talvez possamos dizer assim:
– Toda tribulação permitida por Deus pode resultar em bênção para o crente.
– Mas quando a tribulação é fruto do pecado pessoal, ela é, primeiramente, disciplina corretiva.
– Ela só se tornará bênção espiritual se houver arrependimento e restauração.
Isso mantém o equilíbrio das Escrituras.
Não podemos ensinar que todo sofrimento é automaticamente bênção, pois isso pode banalizar a gravidade do pecado. Por outro lado, também não podemos ver a disciplina como rejeição, pois ela é prova do amor paternal de Deus.
No fim, a vitória é do Senhor. Hebreus 10:14 declara que Cristo aperfeiçoou para sempre os que são santificados. Romanos 8:28 assegura que Deus governa todas as coisas para o bem dos que O amam. Mas esse “bem” passa muitas vezes pelo caminho da correção.
Creio que, com esse ajuste, seu esboço ficará ainda mais sólido e fiel ao ensino completo das Escrituras.
Fraternalmente.
Josué Matos