Alguém que me escreveu no YouTube:
Para se crer em Deus, tem que ser muito insano ao ponto de ir contra todos os estudos científicos comprovando a idade da Terra de 4,5 bilhões de anos, evolução e demais coisas, e mesmo assim, crer que tudo foi criado em 6 dias e, para piorar, tudo isso foi há 6 mil anos atrás… É muita fé mesmo.
Minha Resposta:
Meu amigo, chamar de “insano” quem crê em Deus não é um argumento científico, é apenas uma opinião. A ciência trabalha com modelos explicativos baseados em observação e interpretação de dados; ela não tem autoridade para declarar inexistente aquilo que está além do método científico.
Primeiro ponto: a idade estimada da Terra (4,5 bilhões de anos) é baseada em pressupostos interpretativos, especialmente no uniformitarismo — a ideia de que os processos atuais sempre ocorreram na mesma taxa no passado. Isso é um modelo. Não é uma observação direta de bilhões de anos. Nenhum cientista estava lá. São inferências feitas a partir de dados atuais.
Segundo ponto: evolução biológica no sentido de adaptação dentro de espécies (microevolução) é observável. Mas a transformação gradual de formas simples em toda a diversidade da vida (macroevolução universal) continua sendo uma construção teórica baseada em interpretação de evidências fósseis e genéticas. Há debates reais dentro da própria comunidade científica sobre lacunas, complexidade irreduzível e origem da informação biológica.
Terceiro ponto: crer que tudo surgiu por acaso, a partir de matéria inanimada, que por si mesma produziu informação genética altamente organizada, consciência, moralidade e racionalidade — isso também exige fé filosófica. A ciência descreve mecanismos; ela não explica a origem última da matéria, das leis naturais ou da própria racionalidade humana.
Além disso, a própria existência de leis físicas constantes, ajuste fino do universo, ordem matemática e inteligibilidade do cosmos são argumentos que muitos cientistas veem como compatíveis com a ideia de um Criador.
Quanto aos “seis dias”, a discussão não é simplesmente científica, mas também hermenêutica. Existem diferentes interpretações entre cristãos sobre como entender Gênesis 1. Mas independentemente disso, a questão central não é o número de anos — é se o universo é fruto de mente ou de acidente.
A fé bíblica não é fé contra evidências; é fé baseada na revelação histórica, especialmente na pessoa do Senhor Jesus Cristo. O cristianismo se ancora em fatos históricos verificáveis: vida, morte e ressurreição. Se Cristo ressuscitou, então a cosmovisão bíblica merece ser levada muito a sério.
No fim, todos têm pressupostos. A pergunta não é “quem tem fé”, mas “em quê está sendo depositada a fé?”. Em matéria impessoal que, sem propósito, gerou mente e moralidade? Ou em um Deus pessoal que criou o universo com propósito?
Chamar o outro lado de insano não resolve o debate. O que precisamos é de argumentos, não de rótulos.
No fim das contas, a questão não é apenas quantos bilhões de anos a Terra teria, mas o que acontece depois que nossos poucos anos aqui terminam. A ciência pode medir matéria, energia, fósseis e radiação; mas ela não responde à pergunta mais profunda: o que acontece com a consciência, com a alma, com a responsabilidade moral do ser humano após a morte?
Se não há Criador, então a morte é apenas extinção. Não há prestação de contas, não há justiça final, não há esperança além do túmulo. Tudo termina no silêncio da decomposição. Mas se há um Deus pessoal, santo e justo, então a morte não é o fim — é transição. E, nesse caso, cada ser humano terá de responder diante dEle.
A mensagem bíblica vai além de afirmar que existe um Criador. Ela revela que o próprio Criador entrou na história. O Filho de Deus veio ao mundo não apenas para mostrar poder, mas para salvar pecadores. Ele não veio apenas como Criador, mas como Salvador. A cruz não foi um acidente; foi substituição. Ali, o Senhor Jesus levou sobre Si o juízo que cabia a nós.
A salvação não é por mérito, religião ou boas obras. É pela fé. Arrependimento diante de Deus e confiança pessoal na obra de Cristo. Reconhecer que somos pecadores, incapazes de nos justificar, e descansar somente no sacrifício dEle.
A pergunta final não é se alguém crê em bilhões de anos ou seis dias. A pergunta é: você está preparado para morrer? Se Cristo é quem disse ser, então a decisão mais racional da vida é confiar nEle enquanto há tempo.
Josué Matos