Áudios

Pesquisar este blog

A profissão de policial não parece seguir as pegadas de Cristo, estou certa?

Alguém que me escreveu no YouTube:

Me escreveu depois de assistir ao vídeo: O Cristão e a Guerra  - C. H. Mackintosh(1820-1896) - (Áudio Livro/Audiobook)

Ela disse-me:

Irmão Josué, depois de ouvir esse áudio, eu fiquei a pensar que a profissão de policial não parece seguir as pegadas de Cristo, estou certa?

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito sincera, e mostra um coração que deseja andar nas pegadas do Senhor Jesus.

Quando lemos os Evangelhos, especialmente em Evangelho de Mateus 5:38-44, vemos o Senhor ensinando: “Não resistais ao mal... amai os vossos inimigos”. Em Evangelho de João 18:36, Ele declara: “O meu reino não é deste mundo”. E, quando Pedro usou a espada, o Senhor lhe disse: “Embainha a tua espada” (João 18:11). Tudo isso revela claramente que o caráter pessoal do cristão é marcado por mansidão, paciência, perdão e disposição para sofrer injustiça.

Sob esse aspecto, é compreensível a sua inquietação. A função policial envolve o uso legítimo da força, e às vezes até o uso de armas. À primeira vista, isso parece distante da atitude do Senhor, que Se entregou voluntariamente à cruz.

No entanto, é importante considerar também o ensino das Escrituras acerca das autoridades civis. Em Epístola aos Romanos 13:1-4, lemos que “não há autoridade que não venha de Deus” e que a autoridade “não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, vingador para castigar o que faz o mal”. Aqui não se trata de vingança pessoal, mas da função do Estado na manutenção da ordem.

Portanto, há uma distinção fundamental entre:

  1. A conduta pessoal do cristão.

  2. A responsabilidade delegada por Deus às autoridades civis.

O cristão, como indivíduo, não deve buscar vingança (Romanos 12:19). Mas o Estado, como instituição estabelecida por Deus para conter o mal, tem o direito e o dever de punir o criminoso.

A questão, então, não é simplesmente a profissão em si, mas como ela é exercida. Um policial pode agir com senso de justiça, sem crueldade, sem ódio, sem abuso de poder. Pode exercer sua função como um serviço à sociedade, preservando vidas e protegendo inocentes. Nesse caso, ele estaria atuando dentro da esfera de autoridade que Deus permitiu.

Por outro lado, é verdade que essa profissão expõe a pessoa a situações moralmente complexas e espiritualmente desafiadoras. Nem todos conseguem manter uma consciência sensível e dependente de Deus nesse ambiente. Por isso, trata-se de uma decisão que deve ser considerada diante do Senhor, com oração e convicção pessoal.

As pegadas de Cristo são marcadas por amor, verdade, justiça e submissão à vontade do Pai. A pergunta que cada crente deve fazer não é apenas “qual é minha profissão?”, mas “posso exercer essa função com uma consciência limpa diante de Deus, refletindo o caráter de Cristo?”.

Se a resposta for não, então a inquietação é um alerta. Se for sim, e houver equilíbrio entre justiça e misericórdia, então a pessoa pode entender sua função como parte da ordem estabelecida por Deus neste mundo ainda marcado pelo pecado.

Que o Senhor lhe conceda discernimento e paz ao considerar essa questão.

Josué Matos