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Temos que diferenciar judaísmo de cristianismo; que só os judeus passarão por esse período da Grande Tribulação, que será precedida pelo princípio das dores?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, sobre esse tema de Mateus, o autor, Mario Persona, desse vídeo diz que, para entendê-lo, temos que diferenciar judaísmo de cristianismo; que só os judeus passarão por esse período da Grande Tribulação, que será precedida pelo princípio das dores. Realmente, é notório que, quando fala em Judeia e montes, denota que está falando de judeus, e a maioria se concentra em Israel. Claro que afirmando que essa tribulação será em todo o mundo. E, quando fala dos escolhidos, está falando dos judeus, em um período que, se não fosse abreviado, ninguém se salvaria. Muitos líderes religiosos denominacionais defendem que essa passagem fala sobre o arrebatamento de cristãos, mas não está falando de cristãos, e sim de judeus que passarão pela Grande Tribulação. Quando fala que um será deixado e outro tirado, está falando da morte deles. Você entende dessa forma também?

Então, fica entendido o casamento indissolúvel até a morte, depois da ordem de Jesus, como sempre deveria ter sido desde o princípio. Mesmo no período do divórcio por qualquer motivo permitido por Moisés, havia pena de morte, e não divórcio, quando havia pecado sexual por parte de ambos. Jesus voltou ao princípio e determinou o casamento até a morte, até os dias de hoje. A Bíblia alerta para se afastar da falsa doutrina. Entendo que DÍZIMO, como exigido nos dias de hoje, e criações denominacionais são falsas doutrinas. Sendo assim, exceto para viúvas e viúvos, pode-se dizer que o segundo casamento é uma falsa doutrina?

Quando puder finalizar essa resposta, obrigado, irmão. Tenho aprendido muito com seus ensinamentos; descobri coisas das quais não tinha ideia: casamento, dízimo, denominações. Por falar em casamento, você acredita que alguém que está no segundo casamento deve confessar e abandonar para ter misericórdia?

Porém, irmão, quando lemos o restante do capítulo, dá a entender que está falando para cristãos, como: aparecerá no céu, enviará seus anjos, ajuntarão os seus escolhidos, vigiai, estai vós preparados; e, no final, Ele fala da parábola do servo fiel. Mesmo assim, está falando de judeus não convertidos ou de cristãos da Igreja celestial, composta por todo aquele que for trigo?

‘E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.
Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.
Aprendei, pois, esta parábola da figueira: quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão.
Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas.
Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.
O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.’

Mateus 24:29-35 | ACF

Minha Resposta:

Irmão, você percebeu corretamente que a chave para compreender Mateus 24 é não confundir Israel com a Igreja. Entretanto, é necessário fazer algumas distinções importantes, especialmente quando chegamos aos “escolhidos”, ao ajuntamento pelos anjos e às exortações para vigiar.

  1. Mateus 24 não descreve o arrebatamento da Igreja

O arrebatamento da Igreja é revelado claramente em 1 Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:51-52. Ali, o Senhor vem para os Seus santos. Os mortos em Cristo ressuscitam, os crentes vivos são transformados, e todos são arrebatados “a encontrar o Senhor nos ares”.

Em Mateus 24:29-31, porém, temos outra cena. O próprio texto estabelece o momento:

“E, logo depois da aflição daqueles dias...” (Mateus 24:29).

Portanto, esta vinda acontece depois da Grande Tribulação. É a manifestação pública e gloriosa do Filho do Homem para estabelecer o Seu reino.

No arrebatamento, Cristo vem buscar a Igreja e os santos encontram o Senhor nos ares (1 Tessalonicenses 4:17). Em Mateus 24, Ele vem em manifestação pública, “com poder e grande glória” (Mateus 24:30). Compare também Apocalipse 1:7 e 19:11-16.

São acontecimentos relacionados à mesma Pessoa, o Senhor Jesus Cristo, mas não são o mesmo acontecimento.

  1. O contexto de Mateus 24 é profundamente judaico

Observe os elementos utilizados pelo Senhor:

“Judeia” — Mateus 24:16;

“montes” — Mateus 24:16;

“sábado” — Mateus 24:20;

“lugar santo” — Mateus 24:15;

a “abominação da desolação” profetizada por Daniel — Mateus 24:15; Daniel 9:27; 12:11;

“grande aflição” — Mateus 24:21;

e a vinda do Filho do Homem para estabelecer o Seu reino.

Daniel também deixa muito claro que a profecia das setenta semanas está relacionada a Israel:

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade” (Daniel 9:24).

O povo de Daniel é Israel, e a cidade de Daniel é Jerusalém.

Jeremias chama esse período de “tempo de angústia para Jacó”:

“Ah! Porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela” (Jeremias 30:7).

Portanto, embora os acontecimentos da Tribulação tenham repercussão mundial, Israel ocupa uma posição central no programa profético daquele período.

  1. Mas os “escolhidos” não são judeus incrédulos

Aqui precisamos fazer uma correção importante.

Quando Mateus 24:31 fala dos “seus escolhidos”, não devemos entender simplesmente “judeus não convertidos”.

Trata-se do remanescente fiel de Israel naquele período.

Haverá judeus que reconhecerão o testemunho de Deus e esperarão pelo Messias. Zacarias descreve a futura obra de Deus naquele remanescente:

“E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram” (Zacarias 12:10).

Também Apocalipse mostra um remanescente fiel durante aquele período. Em Apocalipse 12:17 encontramos aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo”.

Portanto, não devemos fazer apenas duas categorias — Igreja e judeus incrédulos. Depois do arrebatamento da Igreja haverá uma obra de Deus na Terra, especialmente relacionada a Israel, e haverá um remanescente fiel.

  1. Quem são os escolhidos de Mateus 24:31?

O texto diz:

“E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos” (Mateus 24:31).

Compare isso com Isaías:

“E acontecerá, naquele dia, que se tocará uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra da Assíria e os que foram desterrados para a terra do Egito tornarão a vir e adorarão ao Senhor no monte santo em Jerusalém” (Isaías 27:13).

Também:

“E levantará um pendão entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra” (Isaías 11:12).

A linguagem é muito semelhante.

Portanto, Mateus 24:31 não descreve a Igreja sendo arrebatada para o céu, mas o ajuntamento do remanescente escolhido para a bênção do reino que Cristo estabelecerá.

  1. “Um será tomado e outro será deixado”

Também concordo que Mateus 24:40-41 não descreve o arrebatamento da Igreja.

O próprio Senhor fornece a chave interpretativa nos versículos anteriores:

“E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24:39).

Quem foi levado nos dias de Noé?

Os incrédulos.

Quem permaneceu?

Noé e sua família.

Portanto, no contexto de Mateus 24, ser “tomado” não significa ser arrebatado para o céu, mas ser retirado em juízo.

Isso também combina perfeitamente com Mateus 13:40-43. Na consumação do século, os anjos retiram primeiro os ímpios para julgamento.

No arrebatamento ocorre exatamente outra coisa: os santos são arrebatados para encontrar o Senhor nos ares (1 Tessalonicenses 4:17).

  1. E por que Jesus diz: “Vigiai”?

Esta é uma excelente pergunta, porque frequentemente se conclui que toda exortação para vigiar necessariamente precisa ser dirigida à Igreja.

Não é assim.

Israel também é chamado à vigilância e preparação.

O fato de o Senhor dizer:

“Vigiai, pois” (Mateus 24:42),

e:

“Estai vós apercebidos também” (Mateus 24:44),

não transforma automaticamente aqueles ouvintes em Igreja.

Precisamos interpretar uma exortação dentro do programa profético em que ela aparece.

Lembre-se também de algo fundamental: quando o Senhor pronunciou Mateus 24, a Igreja ainda era uma realidade futura. Em Mateus 16:18 Ele havia dito:

“Edificarei a minha igreja”.

Não disse: “estou edificando”, mas “edificarei”.

A formação da Igreja como Corpo de Cristo está relacionada à obra consumada de Cristo, Sua ressurreição, ascensão e à vinda do Espírito Santo, conforme Atos dos Apóstolos 2; 1 Coríntios 12:13; Efésios 1:22-23; 2:14-16.

Portanto, não podemos simplesmente ler “vigiai” e concluir: “Logo, isto é a Igreja”.

  1. E a parábola do servo fiel?

O mesmo princípio deve ser aplicado.

As parábolas de Mateus 24 e 25 apresentam responsabilidade diante da ausência e do retorno do Senhor. Algumas contêm princípios morais que certamente podem ser aplicados aos cristãos, mas aplicação não é a mesma coisa que interpretação.

Esse princípio é muito importante no estudo bíblico.

Uma passagem pode não ter a Igreja como seu assunto profético direto e, ainda assim, conter princípios espirituais aplicáveis à Igreja.

Por exemplo, podemos aprender muito espiritualmente com a experiência de Israel no deserto. Paulo faz exatamente isso em 1 Coríntios 10:1-11. Contudo, Israel no deserto não era a Igreja.

Assim também ocorre em Mateus 24.

  1. Portanto, não devemos confundir “escolhidos” com a Igreja

A palavra “escolhidos” não é um nome técnico que sempre significa Igreja.

Israel também é chamado escolhido:

“Por amor de meu servo Jacó, e de Israel, meu eleito...” (Isaías 45:4).

Portanto, precisamos perguntar sempre: escolhidos em qual contexto?

Em Mateus 24, o contexto aponta para o remanescente de Israel durante a Tribulação e para sua reunião na chegada do Messias.

  1. A Igreja e Israel precisam permanecer distintos

Esse é um dos pontos fundamentais da profecia bíblica.

Deus não abandonou Israel.

Paulo pergunta:

“Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum” (Romanos 11:1).

E depois afirma:

“Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Romanos 11:29).

A Igreja não tomou definitivamente o lugar de Israel nas promessas nacionais feitas a Abraão, Isaque, Jacó e Davi.

Há promessas específicas para Israel e promessas específicas para a Igreja.

Misturar essas duas esferas produz grande confusão na interpretação profética.

  1. Quanto ao casamento, você também percebeu corretamente o princípio fundamental

O Senhor não começou Sua resposta em Mateus 19 por Moisés. Ele voltou a Gênesis.

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne?” (Mateus 19:4-5).

Depois concluiu:

“Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Quando perguntaram sobre Moisés, o Senhor explicou:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas, ao princípio, não foi assim” (Mateus 19:8).

Esta última expressão é decisiva:

“ao princípio, não foi assim”.

Cristo conduz o assunto novamente ao propósito original de Deus.

  1. No Antigo Testamento, adultério não era simplesmente fundamento para divórcio

Você também observou corretamente esse ponto.

Sob a legislação mosaica, o adultério tinha pena de morte:

“Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera” (Levítico 20:10).

Veja também Deuteronômio 22:22.

Portanto, não é correto simplesmente dizer que Deuteronômio 24 instituiu o divórcio por adultério.

Além disso, o próprio Deus declarou:

“Porque o Senhor, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio” (Malaquias 2:16).

  1. O que desfaz o vínculo matrimonial?

O ensino apostólico é muito claro:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido” (Romanos 7:2-3).

Também:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

A morte encerra o vínculo matrimonial.

Por isso o Senhor disse:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Lucas é igualmente categórico:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

  1. Então o segundo casamento, enquanto vive o primeiro cônjuge, pode ser ensinado como doutrina cristã?

Não.

É importante formular isso corretamente.

Não diria simplesmente que “o segundo casamento é uma falsa doutrina”, porque há segundo casamento perfeitamente legítimo nas Escrituras: o casamento depois da morte do cônjuge.

Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39 deixam isso absolutamente claro.

A falsa doutrina consiste em ensinar que o divórcio dissolve diante de Deus o primeiro vínculo e deixa alguém livre para contrair outro casamento enquanto seu primeiro cônjuge continua vivo.

Isso não encontra apoio em Marcos 10:11-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39.

O problema, portanto, não é “segundo casamento” em sentido absoluto. O problema é novo casamento enquanto permanece vivo aquele a quem a pessoa continua ligada pelo primeiro casamento.

  1. E Mateus 19:9?

Aqui é necessário considerar cuidadosamente a chamada cláusula de exceção.

Mateus emprega a palavra grega porneia, traduzida por “prostituição” ou “fornicação”, enquanto utiliza outra palavra para adultério, moicheia.

A distinção é importante.

Mateus também é o único Evangelho que apresenta detalhadamente a situação de José e Maria. Embora apenas desposados, José já é chamado “seu marido” e Maria, implicitamente, sua mulher:

“Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mateus 1:19).

O desposório judaico tinha força jurídica muito maior que nosso noivado moderno. Era necessário repúdio para desfazê-lo.

Assim, a cláusula de Mateus harmoniza-se com essa situação judaica de fornicação durante o período de desposório. Ela não contradiz Marcos 10:11-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39.

  1. Finalmente: alguém que está num segundo casamento, tendo o primeiro cônjuge vivo, deve apenas confessar ou também abandonar?

Esta é provavelmente a parte mais séria da sua pergunta.

Precisamos começar com o princípio bíblico do arrependimento.

Arrependimento não consiste somente em reconhecer verbalmente que algo está errado. Quando uma situação pecaminosa permanece sendo praticada e pode ser abandonada, arrependimento envolve abandonar o pecado.

“Quem encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13).

Observe as duas coisas:

“confessa e deixa”.

João Batista disse:

“Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8).

Portanto, se aceitamos a declaração de Cristo de que a união com outra pessoa enquanto o primeiro cônjuge vive constitui adultério, não podemos transformar a cerimônia civil posterior em algo capaz de santificar aquilo que Cristo chamou de adultério.

Marcos 10:11 diz:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela”.

A razão é justamente que o vínculo original permanece.

Romanos 7:3 diz que, “vivendo o marido”, se ela “for de outro marido”, será chamada adúltera.

Portanto, dentro dessa compreensão das Escrituras, não seria coerente dizer: “Confesse que foi pecado entrar nessa união, mas permaneça normalmente nela como marido e mulher”.

Se aquilo que torna a relação adúltera é justamente o fato de o primeiro cônjuge continuar vivo, então a passagem do tempo não modifica o princípio.

  1. Entretanto, cada situação deve ser tratada com verdade, graça e muita responsabilidade

Isso não significa tratar pessoas de maneira fria, precipitada ou cruel.

Há casos envolvendo filhos, dependência financeira, responsabilidades legais, moradia e inúmeras consequências produzidas durante anos. Os filhos não devem ser abandonados; responsabilidades paternas e maternas permanecem. Obrigações materiais não desaparecem.

Mas essas complicações também não podem ser usadas para alterar aquilo que as Escrituras dizem sobre o vínculo matrimonial.

Uma coisa é reconhecer responsabilidades decorrentes de uma situação; outra é declarar legítima a relação conjugal propriamente dita.

A graça de Deus não significa chamar o pecado de santidade. A mesma graça que perdoa também ensina:

“Que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tito 2:12).

  1. Há misericórdia para quem se arrepende?

Certamente.

Esse ponto também precisa ficar muito claro para que o ensino sobre casamento não seja apresentado sem o Evangelho da graça de Deus.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

O sangue de Jesus Cristo é suficiente para purificar de todo pecado (1 João 1:7). Não existe pecado tão profundo que a obra de Cristo seja insuficiente para aquele que verdadeiramente se volta para Deus.

A mulher de João 8 ouviu:

“Nem eu também te condeno”.

Mas o Senhor acrescentou:

“Vai-te, e não peques mais” (João 8:11).

A graça perdoa, mas não transforma o pecado em algo legítimo.

  1. Resumindo as duas questões

Quanto a Mateus 24, sim: entendo que o contexto é profético e predominantemente relacionado a Israel, especialmente ao remanescente judeu durante a Tribulação. A Igreja terá sido arrebatada anteriormente. Os “escolhidos” de Mateus 24:31 não são a Igreja sendo arrebatada, mas o remanescente escolhido sendo reunido para o reino. Os que são “tomados” em Mateus 24:40-41 são retirados em julgamento, assim como os homens dos dias de Noé foram levados pelo dilúvio.

Quanto ao casamento, o padrão estabelecido por Deus encontra-se desde Gênesis 2:24: um homem e uma mulher tornam-se uma só carne. O Senhor reafirmou esse princípio em Mateus 19:4-6 e declarou: “O que Deus ajuntou não o separe o homem”. Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39 mostram que a morte encerra o vínculo matrimonial. Por isso, não devemos ensinar como doutrina cristã que um divórcio civil concede liberdade diante de Deus para novo casamento enquanto o primeiro cônjuge vive.

Em ambos os assuntos existe uma lição semelhante: precisamos permitir que cada passagem permaneça no lugar que Deus lhe deu. Israel não deve ser transformado em Igreja, a vinda gloriosa de Cristo não deve ser confundida com o arrebatamento, e aquilo que Deus chamou de união de “uma só carne” não deve ser desfeito simplesmente porque a legislação humana emitiu um documento.

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Josué Matos

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