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Porém, fiquei surpreso ao ver que eles mantêm comunhão com aqueles que se reúnem nas chamadas “Casas de Oração”.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Olá, tudo bem?

Conheci a respeito dos irmãos reunidos ao nome do Senhor através dos seus vídeos e dos vídeos do irmão Mário Persona. Desde então, estou me reunindo com outros irmãos somente ao nome do Senhor, que procuram se reunir de forma bíblica. Porém, fiquei surpreso ao ver que eles mantêm comunhão com aqueles que se reúnem nas chamadas “Casas de Oração”.

Onde eu moro existem Casas de Oração, e nunca me passou pela cabeça me reunir com eles, pois, para mim, sempre se tratava de uma denominação como as outras. Possuem instrumentos, corais, mulheres falam nas reuniões. Os irmãos não possuem comunhão com as denominações, mas com essas Casas de Oração possuem.

Afinal, qual é a diferença dessas Casas de Oração para as denominações? O que define que podemos estar em comunhão com um grupo em detrimento de outro?

Minha Resposta:

Olá, meu irmão. A sua pergunta é muito importante porque toca numa questão que, às vezes, causa alguma confusão: o nome colocado na fachada de um salão não determina, por si só, a posição bíblica de uma igreja local.

Em primeiro lugar, precisamos esclarecer a expressão “Casa de Oração”. Biblicamente, esse não é o nome de uma denominação. A expressão aparece nas Escrituras em relação ao Templo: “A minha casa será chamada casa de oração” (Isaías 56:7; Mateus 21:13). Portanto, chamar um salão de reuniões de “Casa de Oração” não transforma automaticamente aquele grupo em uma denominação, assim como não prova automaticamente que ele esteja reunido segundo o padrão do Novo Testamento.

Há igrejas locais entre os chamados “irmãos” que usam em seus edifícios nomes como “Casa de Oração”, “Salão do Evangelho”, “Salão Evangélico”, “Gospel Hall” e outros semelhantes. Esses nomes podem simplesmente identificar o prédio ou o local onde os cristãos se reúnem. A igreja, biblicamente, não é o edifício. A igreja é formada pelas pessoas que pertencem ao Senhor e se reúnem naquele lugar.

No Novo Testamento encontramos expressões como “a igreja de Deus que está em Corinto” (1 Coríntios 1:2), “a igreja dos tessalonicenses” (1 Tessalonicenses 1:1) e “as igrejas da Galácia” (Gálatas 1:2). Não encontramos os cristãos recebendo nomes denominacionais que os distinguissem de outros cristãos verdadeiros.

Esse é precisamente um dos problemas que Paulo enfrentou em Corinto. Alguns diziam: “Eu sou de Paulo; e eu, de Apolo; e eu, de Cefas; e eu, de Cristo”. A resposta apostólica foi: “Está Cristo dividido?” (1 Coríntios 1:12-13).

Portanto, o princípio bíblico não é procurar uma determinada placa, tradição histórica ou nome de movimento. É verificar se aquela igreja local procura obedecer ao padrão estabelecido pela Palavra de Deus.

Mateus 18:20 apresenta um princípio fundamental:

“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”

O centro da reunião é Cristo. A autoridade é Cristo. O Nome que reúne é o de Cristo. E a Palavra que governa é a Palavra de Cristo.

Isso também significa que simplesmente afirmar “somos reunidos ao nome do Senhor” não basta. Essa afirmação precisa ser acompanhada pela submissão à Palavra de Deus.

É aqui que entramos na segunda parte da sua pergunta.

Se uma determinada “Casa de Oração” possui práticas como mulheres pregando ou ensinando publicamente nas reuniões da igreja, isso precisa ser examinado à luz das Escrituras. O Novo Testamento estabelece uma ordem específica para as reuniões da igreja local.

Em 1 Coríntios 14:34 lemos:

“As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque lhes não é permitido falar.”

E em 1 Timóteo 2:11-12:

“A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio.”

Isso não significa inferioridade espiritual da mulher. Homens e mulheres possuem o mesmo valor diante de Deus e compartilham igualmente da salvação em Cristo. Há, porém, distinção de funções na ordem estabelecida por Deus para a igreja local.

Romanos 16 demonstra claramente que muitas mulheres desempenhavam serviços valiosos na obra do Senhor. Priscila, Febe e outras irmãs são mencionadas honrosamente. Entretanto, isso não altera a ordem estabelecida para o ministério público da igreja reunida.

Portanto, se determinada congregação permite regularmente aquilo que as Escrituras proíbem, existe uma questão séria que precisa ser considerada.

Quanto aos instrumentos musicais e corais, eu faria uma distinção. Não colocaria essas coisas exatamente no mesmo nível da questão do ministério feminino nas reuniões.

No Antigo Testamento havia amplo emprego de instrumentos musicais na adoração de Israel. Entretanto, quando chegamos às igrejas do Novo Testamento, encontramos uma ordem diferente. Lemos, por exemplo:

“Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” (Efésios 5:19).

Também:

“A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Colossenses 3:16).

O padrão apostólico enfatiza o canto dos santos, e não encontramos nas instruções dadas às igrejas locais a organização do culto segundo o sistema musical do Templo de Israel. Por isso, muitas igrejas locais que procuram seguir simplesmente o modelo do Novo Testamento não utilizam instrumentos musicais nem corais organizados nas suas reuniões.

Todavia, a questão principal da comunhão é ainda mais profunda.

Comunhão não significa simplesmente reconhecer que existem cristãos verdadeiros em determinado lugar.

Precisamos distinguir entre reconhecer um irmão em Cristo e reconhecer uma determinada posição eclesiástica.

Pode haver muitos filhos de Deus sinceros dentro de sistemas denominacionais. Não temos autoridade para afirmar que uma pessoa não pertence a Cristo simplesmente porque frequenta uma denominação. A salvação não depende da compreensão que alguém possui acerca da igreja local, mas da sua relação pessoal com o Senhor Jesus Cristo.

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

Entretanto, a comunhão da igreja local envolve mais do que a salvação individual.

Atos dos Apóstolos 2:42 diz:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.”

Observe a ordem. A comunhão está relacionada à doutrina apostólica.

Por isso, não podemos estabelecer como princípio: “Esse grupo é denominado Casa de Oração, portanto podemos ter comunhão com ele”, ou: “Esse grupo possui outro nome, portanto não podemos ter comunhão”.

O critério precisa ser bíblico.

Precisamos perguntar: Essa igreja reconhece somente o Senhor Jesus Cristo como Cabeça? Reúne-se sem assumir uma identidade denominacional? Reconhece a suficiência das Escrituras para determinar sua doutrina e prática? Mantém a ordem bíblica nas reuniões? Celebra a Ceia do Senhor segundo o ensino apostólico? Reconhece a disciplina da igreja conforme 1 Coríntios 5? Reconhece a liderança espiritual de uma pluralidade de anciãos conforme Atos dos Apóstolos 20:17, 28; Filipenses 1:1; 1 Timóteo 3:1-7 e 1 Pedro 5:1-4? Procura preservar a santidade moral e doutrinária? Mantém a distinção bíblica das funções de homens e mulheres na igreja?

Essas questões são muito mais importantes que o nome existente na porta.

Também precisamos considerar outro princípio: comunhão entre igrejas locais não significa uma organização denominacional.

No Novo Testamento, as igrejas locais eram autônomas quanto à sua administração, mas não eram isoladas umas das outras. Havia verdadeira comunhão entre elas.

Quando surgiu a necessidade entre os santos da Judeia, outras igrejas enviaram auxílio (2 Coríntios 8–9). Irmãos viajavam entre as igrejas e eram recebidos (Atos dos Apóstolos 18:27; Romanos 16:1-2). Paulo recomendava determinados servos às igrejas (1 Coríntios 16:10). As igrejas cooperavam na obra do Evangelho (Filipenses 4:15-16).

Isso é comunhão; não denominação.

Uma denominação cria uma identidade eclesiástica maior que a igreja local e menor que o Corpo de Cristo. No Novo Testamento encontramos apenas duas dimensões fundamentais da Igreja: a Igreja que é o Corpo de Cristo, formada por todos os verdadeiros salvos, e a igreja local, formada pelos crentes reunidos numa determinada localidade.

Por isso, devemos ter cuidado para não transformar até mesmo a expressão “irmãos reunidos ao nome do Senhor” numa espécie de denominação sem nome.

Não somos chamados para estar reunidos ao nome dos “Irmãos”, dos “Brethren”, das “Casas de Oração” ou de qualquer movimento histórico. Somos chamados para estar reunidos ao Nome do Senhor Jesus Cristo.

Também não podemos raciocinar assim: “Esta igreja tem comunhão conosco, portanto tudo o que ela pratica deve estar correto”.

Não. Nossa autoridade final continua sendo a Palavra de Deus.

Os próprios bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar aquilo que ouviam:

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Portanto, se os irmãos com quem você se reúne mantêm comunhão com determinada Casa de Oração, eu aconselharia primeiro descobrir exatamente que congregação é essa e como ela funciona. Não conclua apenas pelo nome.

Também é importante verificar se aquilo que você ouviu — instrumentos, corais e mulheres falando — realmente acontece naquela congregação específica. Pode existir mais de um grupo usando a expressão “Casa de Oração”, sem que todos tenham a mesma origem, doutrina ou prática.

Se, porém, ficar confirmado que uma determinada igreja adota conscientemente práticas contrárias à ordem apostólica, então é legítimo perguntar aos irmãos responsáveis pela igreja onde você se reúne qual é a base bíblica para manter comunhão eclesiástica com aquele grupo.

Faça isso com humildade e espírito de aprendizado, não de acusação.

A Escritura diz:

“Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).

E também:

“Porque é mister que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus... retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina” (Tito 1:7, 9).

Em resumo, não é a expressão “Casa de Oração” que determina se devemos ou não reconhecer comunhão. Também não é uma tradição histórica, nem o fato de determinados irmãos conhecidos terem comunhão com aquele lugar. O critério final é a Palavra de Deus.

Cristo deve ser o centro.

A Palavra deve ser a autoridade.

A doutrina apostólica deve ser preservada.

A santidade deve ser mantida.

A ordem da igreja deve ser respeitada.

E o Senhorio de Cristo deve ser reconhecido na prática, não apenas afirmado verbalmente.

Quando esses princípios são abandonados de maneira consciente e permanente, não podemos justificar uma comunhão simplesmente porque existe uma ligação histórica entre determinados grupos. Ao mesmo tempo, devemos evitar julgamentos precipitados baseados apenas no nome de um salão ou em informações de terceiros.

A pergunta decisiva não é: “Que nome está escrito na porta?”

A pergunta é: “O que dizem as Escrituras?”

“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8:20).

Josué Matos

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