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Após o arrebatamento da Igreja, o aparecimento do iníquo será imediato, ou as pessoas irão clamar por um “salvador” para resolver o caos, e então ele se manifestará?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Uma pergunta: após o arrebatamento da Igreja, o aparecimento do iníquo será imediato, ou as pessoas irão clamar por um “salvador” para resolver o caos, e então ele se manifestará? Ou ele se manifestará imediatamente após o arrebatamento?

Minha Resposta:

A Palavra de Deus nos permite estabelecer a ordem dos acontecimentos, mas é importante não afirmar além daquilo que foi revelado. A Bíblia não diz que haverá determinado número de horas, dias, semanas ou meses entre o arrebatamento da Igreja e a manifestação do iníquo. Portanto, não podemos estabelecer um intervalo cronológico que as Escrituras não estabelecem.

Entretanto, há uma ligação muito estreita entre a retirada da Igreja e a manifestação desse homem.

O texto principal é 2 Tessalonicenses 2:6-8:

“E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda.”

A expressão “e então será revelado o iníquo” é muito importante. Existe atualmente uma força restritiva que impede a plena manifestação desse homem. O mistério da iniquidade já está operando, mas ainda não chegou à sua manifestação final numa pessoa.

Entendemos que Aquele que restringe essa manifestação é o Espírito Santo agindo presentemente por meio da Igreja. Quando a Igreja for arrebatada, conforme 1 Tessalonicenses 4:13-18, essa forma específica da atuação restritiva do Espírito Santo chegará ao fim. Isto não significa que o Espírito Santo deixará a Terra ou deixará de operar. Ele é Deus e é onipresente. Haverá, inclusive, pessoas salvas durante o período da tribulação. O que terminará será Sua atuação particular através da Igreja como habitação de Deus neste presente período.

É significativo que Paulo diga:

“E então será revelado o iníquo” (2 Tessalonicenses 2:8).

Isso indica uma sequência bastante direta: o impedimento é retirado e o iníquo é revelado.

Portanto, não encontramos fundamento bíblico para afirmar que necessariamente haverá um longo período depois do arrebatamento no qual a humanidade ficará procurando alguém para resolver o caos e somente depois surgirá o iníquo. Essa possibilidade pode parecer lógica do ponto de vista humano, mas não é apresentada dessa maneira nas Escrituras.

Por outro lado, também precisamos distinguir entre a existência desse homem, sua manifestação pública e o desenvolvimento posterior de seu poder.

Ele poderá muito bem já ser uma figura conhecida no cenário político antes de ser identificado pelo caráter profético que as Escrituras lhe atribuem. A Bíblia não diz que ele aparecerá subitamente do nada. O que 2 Tessalonicenses 2 ensina é que chegará o momento determinado por Deus em que ele será “revelado”.

Há também Daniel 9:27, que apresenta um acontecimento decisivo no início da última semana profética:

“E ele firmará aliança com muitos por uma semana.”

Essa semana corresponde ao período final de sete anos relacionado especialmente com Israel e com os acontecimentos que culminarão na manifestação gloriosa do Senhor Jesus Cristo.

Portanto, o cenário bíblico aponta para uma rápida reorganização política e religiosa depois do arrebatamento.

Podemos imaginar que o desaparecimento repentino de todos os verdadeiros crentes causará enorme perplexidade no mundo. Pense no impacto social, econômico, político e até familiar desse acontecimento. Milhões de pessoas desaparecerão instantaneamente.

“Num momento, num abrir e fechar de olhos” (1 Coríntios 15:52).

Entretanto, devemos ter cuidado aqui: a Bíblia não descreve detalhadamente como os governos explicarão o arrebatamento nem afirma explicitamente que haverá um clamor mundial dizendo: “Precisamos de um salvador.” Isso seria uma dedução, e não uma declaração das Escrituras.

O que sabemos é que surgirá um sistema de extraordinário poder político e religioso.

Apocalipse 13 apresenta duas figuras especialmente importantes. A primeira besta sobe do mar e recebe enorme autoridade política:

“E deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação” (Apocalipse 13:7).

Depois aparece outra besta:

“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão” (Apocalipse 13:11).

Esse segundo personagem possui uma aparência enganadora. Parece cordeiro, mas sua voz revela sua verdadeira origem: fala como o dragão. Haverá, portanto, uma combinação extraordinária de poder político, religioso e satânico.

Além disso, 2 Tessalonicenses 2:9 mostra que a manifestação do iníquo será acompanhada de elementos sobrenaturais:

“Esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira.”

Isso explica por que multidões acreditarão nele. Não será simplesmente um político habilidoso oferecendo soluções econômicas. Sua atuação estará relacionada diretamente com a atividade de Satanás.

É também importante perceber que seu verdadeiro caráter será revelado progressivamente.

No princípio, sua atuação poderá parecer extremamente benéfica. Daniel apresenta uma aliança, aparentemente oferecendo estabilidade. Mas, no meio da semana, essa situação mudará dramaticamente:

“Na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares” (Daniel 9:27).

O Senhor Jesus refere-Se diretamente a esse acontecimento:

“Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo...” (Mateus 24:15).

Paulo acrescenta outro detalhe impressionante:

“O qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Tessalonicenses 2:4).

Assim, aquele que inicialmente poderá ser recebido como solução acabará revelando-se como inimigo declarado de Deus.

É exatamente esse contraste que torna o período tão terrível. O mundo rejeitou o verdadeiro Cristo e acabará recebendo aquele que vem em seu próprio nome.

O próprio Senhor Jesus disse:

“Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis” (João 5:43).

Há aqui uma impressionante correspondência profética. O mundo rejeitou o Príncipe da Paz, mas receberá uma paz falsa. Rejeitou o verdadeiro Messias, mas aceitará um falso messias. Rejeitou a verdade de Deus e receberá a mentira de Satanás.

Por isso Paulo escreve:

“E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade” (2 Tessalonicenses 2:11-12).

Portanto, resumindo: o arrebatamento remove o testemunho da Igreja e a presente restrição que impede a plena manifestação do iníquo. Depois disso, o caminho estará aberto para sua revelação. 2 Tessalonicenses 2:7-8 sugere uma sequência muito próxima — “até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo”.

Mas não podemos dizer se haverá algumas horas, dias, semanas ou algum outro pequeno intervalo, porque Deus simplesmente não revelou isso.

Também não precisamos imaginar necessariamente que o mundo ficará durante muito tempo procurando desesperadamente um líder até encontrá-lo. É perfeitamente possível que esse homem já esteja em posição de destaque e que, depois do arrebatamento, as circunstâncias permitam sua rápida ascensão e manifestação. Contudo, isso permanece no campo da possibilidade; não devemos transformá-lo em doutrina.

O que podemos afirmar com segurança é a ordem bíblica:

A Igreja será arrebatada (1 Tessalonicenses 4:16-17); a presente restrição será removida (2 Tessalonicenses 2:6-7); o iníquo será revelado (2 Tessalonicenses 2:8); haverá uma aliança relacionada com a última semana de Daniel (Daniel 9:27); seu verdadeiro caráter será plenamente manifestado, inclusive com sua pretensão de ocupar o lugar de Deus (2 Tessalonicenses 2:4; Mateus 24:15); e, finalmente, o Senhor Jesus Cristo aparecerá em glória e destruirá todo esse sistema de rebelião.

O fim do iníquo já está determinado:

“E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2 Tessalonicenses 2:8).

Assim, a profecia bíblica não termina com o triunfo do anticristo, mas com o triunfo absoluto do Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos

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