Alguém que me escreveu no YouTube:
Agradeço muito pela atenção. As contribuições têm uma finalidade, que é ajudar os necessitados etc. Se não estiverem priorizando essas finalidades, eu posso administrar minhas contribuições ajudando as pessoas necessitadas, priorizando os da fé? Tem um WhatsApp para eu falar com você?
Minha Resposta:
Agradeço muito pela sua mensagem e pela confiança. Para contato, prefiro responder por e-mail. Você pode escrever para:
Quanto à sua pergunta, é importante distinguir alguns aspectos do ensino bíblico sobre contribuições. No Novo Testamento, a contribuição do cristão não aparece como uma espécie de imposto religioso que simplesmente entregamos sem qualquer preocupação com a sua finalidade. Pelo contrário, contribuir é apresentado como um exercício espiritual, voluntário, consciente e responsável diante de Deus.
Paulo escreveu:
“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (Segunda Epístola aos Coríntios 9:7).
Portanto, existe responsabilidade pessoal diante de Deus na maneira como usamos aquilo que Ele colocou em nossas mãos.
Ao mesmo tempo, encontramos no Novo Testamento contribuições feitas por intermédio da igreja. Em Primeira Epístola aos Coríntios 16:1-2, Paulo orientou os irmãos a separarem regularmente uma contribuição destinada aos santos necessitados. Em Segunda Epístola aos Coríntios, capítulos 8 e 9, encontramos novamente uma grande coleta sendo organizada para socorrer irmãos que estavam passando necessidade. Isso mostra que uma das finalidades importantes das contribuições cristãs é justamente a assistência aos necessitados.
Há também um princípio muito claro em Gálatas:
“Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Epístola aos Gálatas 6:10).
Observe o equilíbrio da Palavra de Deus: “a todos”, mas “principalmente aos domésticos da fé”. Portanto, não devemos ser indiferentes ao sofrimento de qualquer pessoa, mas existe uma responsabilidade especial para com nossos irmãos e irmãs em Cristo.
Encontramos esse mesmo cuidado na igreja primitiva. Em Atos dos Apóstolos 4:34-35, havia preocupação para que as necessidades existentes entre os santos fossem supridas. Mais tarde, quando surgiu uma necessidade específica entre as viúvas, a igreja tomou providências para que elas fossem atendidas, conforme Atos dos Apóstolos 6:1-4.
Primeira Epístola de João também apresenta essa responsabilidade de maneira muito prática:
“Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus?” (Primeira Epístola de João 3:17).
Então, respondendo diretamente à sua pergunta: sim, biblicamente existe lugar para a contribuição pessoal e direta. Um cristão pode ajudar uma família necessitada, um irmão desempregado, uma viúva, alguém passando por dificuldades financeiras ou outra necessidade legítima. Não encontramos no Novo Testamento um mandamento dizendo que toda manifestação de generosidade do cristão obrigatoriamente precisa passar pela administração da igreja.
Entretanto, eu teria cautela em transformar isso numa escolha entre “contribuir para a igreja” ou “ajudar os necessitados”. O Novo Testamento apresenta as duas responsabilidades. Há necessidades relacionadas à obra de Deus, ao sustento daqueles que trabalham na Palavra e ao funcionamento das responsabilidades da igreja; e há também o socorro aos necessitados. Veja, por exemplo, Primeira Epístola aos Coríntios 9:7-14; Epístola aos Gálatas 6:6; Primeira Epístola a Timóteo 5:17-18 e Terceira Epístola de João 5-8.
Também é importante lembrar que as contribuições administradas pela igreja são algo sério e santo. Segunda Epístola aos Coríntios 8:18-21 mostra o cuidado que havia na administração da oferta. Paulo tomou providências para que tudo fosse feito corretamente, não apenas diante do Senhor, mas também diante dos homens. Isso ensina transparência, responsabilidade e cuidado na administração dos recursos confiados pelos irmãos.
Portanto, se a sua preocupação é que os necessitados não estejam recebendo a devida atenção, creio que é legítimo conversar com os irmãos responsáveis e procurar compreender como as contribuições estão sendo empregadas. Não devemos fazer acusações sem conhecer os fatos, mas também não precisamos tratar a administração financeira da igreja como um assunto sobre o qual ninguém pode perguntar.
Além disso, nada impede que você tenha um exercício pessoal diante de Deus para ajudar diretamente alguém necessitado. Dorcas, por exemplo, era conhecida pelas boas obras e esmolas que fazia (Atos dos Apóstolos 9:36). Cornélio dava muitas esmolas ao povo (Atos dos Apóstolos 10:2). Essas atitudes pessoais foram registradas de maneira positiva pela Palavra de Deus.
O princípio fundamental é reconhecer que aquilo que possuímos pertence ao Senhor e somos apenas administradores. Por isso, devemos buscar sabedoria diante dEle para distribuir nossos recursos de maneira que O agrade, lembrando especialmente dos necessitados e, conforme Gálatas 6:10 ensina, “principalmente dos domésticos da fé”.
A contribuição cristã não deveria ser simplesmente o ato de entregar determinado valor e esquecer o assunto. Ela faz parte da nossa mordomia diante de Deus e deve ser acompanhada de amor, discernimento, generosidade e responsabilidade.
“Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho da caridade que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis” (Epístola aos Hebreus 6:10).
Josué Matos
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