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A Bíblia não deixa brecha para um segundo casamento consumado; isso está bem claro, exceto para viúvos(as)?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, boa tarde. Sou do Brasil, vi seus vídeos no YouTube sobre casamento e outros temas. Poderia me tirar uma dúvida?

Realmente, a sua explicação tem muita coerência com a Bíblia sobre os ensinamentos.

A Bíblia não deixa brecha para um segundo casamento consumado; isso está bem claro, exceto para viúvos(as).

Mas, no contexto judaico, pela Lei Mosaica, a mulher tinha que ser virgem para se consumar um casamento, pelo que a gente lê em Deuteronômio 22, que diz respeito a essa Lei Mosaica, não é isso?

Porém, se essa Lei Mosaica foi instituída por Moisés, como é que Moisés permitiu o divórcio por qualquer motivo?

Eu entendo que o divórcio foi permitido por qualquer motivo, mas, havendo ilicitude sexual, vigorava o apedrejamento. É isso?

Só que, quando Jesus dá a cláusula de exceção entre judeus — πορνεία (porneía), que significa, de modo geral, imoralidade sexual, prostituição ou relações sexuais ilícitas —, Ele sabia que a mulher poderia ser morta. Então, Ele deu a cláusula respeitando a Lei Mosaica? Se for isso, faz sentido não haver a cláusula entre gentios. Eu não consigo entender de outra forma.

Irmão, quanto à ligação da lei do marido à mulher em Romanos 7 e 1 Coríntios 7:39, seria a lei divina do matrimônio?

Minha Resposta:

Irmão, boa tarde. Sua pergunta é muito pertinente porque você percebeu corretamente que, para entendermos a chamada “cláusula de exceção” de Mateus 5:32 e Mateus 19:9, precisamos considerar conjuntamente Gênesis, Deuteronômio, os Evangelhos e, finalmente, a doutrina apostólica. Quando fazemos isso, algumas distinções tornam-se importantes.

Primeiramente, precisamos estabelecer algo que vem antes da Lei de Moisés: o casamento não começou com Moisés.

A instituição do casamento aparece em Gênesis 2:24:

“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”

Quando os fariseus perguntaram ao Senhor Jesus sobre o divórcio em Mateus 19, o Senhor não começou Sua resposta em Deuteronômio 24. Ele voltou a Gênesis.

Isso é fundamental.

Os fariseus perguntaram:

“É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mateus 19:3).

O Senhor respondeu recordando a criação do homem e da mulher e concluiu:

“Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Portanto, para compreendermos o pensamento de Deus acerca do casamento, nosso ponto de partida não deve ser a concessão mosaica, mas a instituição divina estabelecida na criação.

  1. Moisés não instituiu o casamento

A “lei do marido” de Romanos 7:2 e o princípio de 1 Coríntios 7:39 não começam propriamente com Moisés. Trata-se do vínculo matrimonial reconhecido por Deus, cuja origem remonta à criação.

Romanos 7:2 diz:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido.”

E 1 Coríntios 7:39 afirma:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

Portanto, respondendo diretamente à sua última pergunta: sim, entendo “a lei do marido”, nesse contexto, como o vínculo ou princípio divino que rege a união matrimonial. Não se trata simplesmente de uma determinada disposição civil da legislação mosaica.

Isso fica ainda mais claro porque Paulo está escrevendo aos cristãos em Roma e Corinto, e não estabelecendo uma regra matrimonial exclusiva para judeus vivendo debaixo da Lei de Moisés.

O princípio é universal porque o casamento é anterior a Israel, anterior à Lei e anterior até mesmo à queda do homem.

  1. O que aconteceu, então, em Deuteronômio 24?

Aqui precisamos fazer uma distinção importante.

O Senhor Jesus explicou:

“Por causa da dureza dos vossos corações vos permitiu Moisés repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:8).

Observe cuidadosamente a palavra usada pelo Senhor: “permitiu”.

Os fariseus haviam perguntado:

“Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?” (Mateus 19:7).

Mas Cristo corrige a maneira como eles apresentaram a questão.

Eles disseram: “Moisés mandou”.

Cristo disse: “Moisés permitiu”.

Há uma enorme diferença.

Deuteronômio 24 não instituiu o divórcio como sendo o ideal de Deus para o casamento. A legislação mosaica regulamentou uma situação que já ocorria em consequência da dureza do coração humano.

É exatamente por isso que Cristo acrescenta:

“Mas ao princípio não foi assim.”

Ou seja: vocês querem discutir a concessão; Eu estou levando vocês de volta ao propósito original de Deus.

  1. Deuteronômio 22 realmente faz uma distinção importante

Sua observação sobre Deuteronômio 22 está na direção correta, mas precisamos formulá-la com precisão.

Deuteronômio 22 apresenta diferentes situações envolvendo pecado sexual, e não podemos colocar todas elas simplesmente debaixo da palavra “adultério”.

Por exemplo, quando havia adultério propriamente dito entre pessoas casadas, a pena prevista pela Lei era a morte:

“Quando um homem for achado deitado com mulher casada com marido, então ambos morrerão” (Deuteronômio 22:22).

Portanto, dentro daquela legislação, adultério não era apresentado como fundamento para entregar uma carta de divórcio ao cônjuge culpado. A sanção prevista era muito mais grave.

Isso cria uma questão muito importante para quem interpreta a exceção de Mateus 19:9 simplesmente como “adultério”.

Se os fariseus estão discutindo com Cristo a legislação de Moisés, e se o adultério matrimonial, segundo essa mesma legislação, era tratado com pena de morte, precisamos perguntar: por que Cristo utilizou πορνεία (porneía) na exceção e depois utilizou outra família de palavras para falar de adultério?

É aqui que a terminologia grega se torna muito importante.

  1. Porneía e moicheía não são exatamente a mesma palavra

Em Mateus 19:9 encontramos dois conceitos no mesmo versículo.

Primeiro:

πορνεία — porneía

Depois, ao falar de adultério:

μοιχᾶται — moichâtai, do verbo μοιχάομαι, “cometer adultério”.

Isso merece atenção.

É verdade que porneía pode funcionar como uma palavra ampla para imoralidade sexual. Dependendo do contexto, pode abranger diferentes formas de relações sexuais ilícitas.

Entretanto, isso não significa que toda ocorrência de porneía possa simplesmente ser traduzida por “adultério”.

O próprio Evangelho segundo Mateus distingue os termos:

“Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição...” (Mateus 15:19).

Ali aparecem lado a lado os conceitos de adultério e porneía.

Portanto, quando duas palavras diferentes aparecem no mesmo contexto, precisamos respeitar a distinção feita pelo texto.

É justamente isso que acontece em Mateus 19:9.

O Senhor não disse simplesmente: “quem repudiar sua mulher, exceto por adultério...”.

Ele empregou porneía na exceção e a linguagem própria de adultério para descrever o pecado cometido quando alguém entra numa nova união.

Isso nos obriga a investigar o contexto judaico.

  1. O desposório judaico ajuda muito a compreender a exceção

Aqui chegamos a um ponto fundamental.

Entre os judeus, o desposório possuía uma força jurídica muito maior do que aquilo que hoje normalmente chamamos de “noivado”.

O melhor exemplo bíblico está exatamente no Evangelho segundo Mateus.

Mateus 1:18 diz que Maria estava “desposada com José”.

Antes de coabitarem, Maria foi achada grávida.

Qual foi a reação de José?

“Então José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mateus 1:19).

Observe algo extraordinário.

Eles ainda não haviam consumado o casamento:

“Antes de se ajuntarem” (Mateus 1:18).

Entretanto, José já é chamado de “seu marido”.

E para romper aquele vínculo seria necessário “deixá-la”, isto é, repudiá-la.

O anjo também disse:

“José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher” (Mateus 1:20).

Portanto, temos uma situação matrimonial peculiar ao ambiente judaico: havia um compromisso juridicamente vinculativo antes da consumação e da vida conjugal propriamente dita.

Isso ajuda consideravelmente a compreender por que a exceção aparece justamente em Mateus.

  1. Por que Mateus contém a exceção, mas Marcos e Lucas não?

Isso é muito significativo.

Mateus registra:

“a não ser por causa de prostituição” (Mateus 5:32);

e:

“não sendo por causa de prostituição” (Mateus 19:9).

Mas observe Marcos:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Nenhuma exceção.

Lucas igualmente diz:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

Novamente, nenhuma exceção.

Depois chegamos à doutrina apostólica e encontramos a mesma clareza.

Romanos 7:2-3 ensina que, enquanto o marido vive, a mulher permanece ligada a ele; se ela se unir a outro homem enquanto o primeiro vive, será chamada adúltera.

Primeira aos Coríntios 7:10-11 diz:

“Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.”

Observe as duas alternativas depois da separação:

ficar sem casar;

ou reconciliar-se.

Não encontramos uma terceira alternativa dizendo: “case-se novamente”.

Finalmente, Paulo conclui:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

Tudo isso precisa ser harmonizado.

  1. A cláusula de exceção não pode contradizer todo o restante do ensino

Este é talvez o ponto mais importante.

Uma interpretação de Mateus 19:9 não pode transformar esse único texto numa autorização geral para um novo casamento enquanto o primeiro cônjuge continua vivo, quando Marcos 10:11-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:10-11,39 apresentam o vínculo matrimonial permanecendo enquanto o cônjuge vive.

Precisamos interpretar a passagem mais difícil à luz das passagens mais claras.

Por isso entendo que a exceção de Mateus está relacionada à situação de porneía no contexto judaico do desposório, antes da consumação definitiva da união.

O próprio Evangelho segundo Mateus fornece José e Maria como ilustração dessa realidade.

José julgou que Maria tivesse cometido infidelidade durante o período do desposório. Por isso pensou em repudiá-la. Ele não estava divorciando-se de uma esposa com quem havia vivido maritalmente durante anos para então receber autorização divina para constituir outro casamento.

Era uma situação anterior à consumação matrimonial.

  1. Mas então a sua explicação sobre o apedrejamento está errada?

Não completamente. Você percebeu uma conexão real, mas eu faria uma pequena correção na maneira de expressá-la.

Eu não diria simplesmente que “Jesus deu a cláusula porque a mulher poderia ser apedrejada”.

O texto não diz isso diretamente.

É melhor não afirmar além daquilo que podemos demonstrar pelas Escrituras.

O que podemos dizer com segurança é que o contexto judaico distinguia diferentes situações de pecado sexual; que a legislação mosaica previa pena de morte para determinados casos de adultério; que havia uma situação jurídica especial envolvendo a mulher desposada; e que Mateus, escrevendo num contexto particularmente judaico, é o único evangelista que registra a cláusula de porneía.

Esses elementos, considerados conjuntamente, ajudam a compreender a exceção.

Portanto, eu reformularia seu raciocínio assim:

não é simplesmente que Cristo estava “respeitando a pena de apedrejamento”, mas que Sua linguagem precisa ser entendida dentro das categorias matrimoniais e jurídicas conhecidas pelos judeus aos quais aquela discussão estava diretamente relacionada.

  1. Há outra razão muito forte contra entender porneía como adultério que dissolve o casamento

Suponhamos, apenas para argumentar, que Mateus 19:9 esteja dizendo:

“Se sua esposa cometer adultério, você pode divorciar-se dela e casar com outra.”

Nesse caso, o adultério teria poder para desfazer aquilo que Cristo acabara de dizer que Deus ajuntou.

Mas observe a sequência da própria passagem.

Primeiro:

“Serão dois numa só carne” (Mateus 19:5).

Depois:

“Assim não são mais dois, mas uma só carne” (Mateus 19:6).

Depois:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Depois:

“Por causa da dureza dos vossos corações vos permitiu Moisés repudiar vossas mulheres” (Mateus 19:8).

E finalmente:

“Mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:8).

O Senhor está restaurando o princípio original, não estabelecendo uma nova modalidade de divórcio.

  1. O adultério é terrível, mas não transforma automaticamente duas pessoas que eram “uma só carne” em pessoas livres para casar novamente

Essa distinção também é necessária.

O adultério é uma violação gravíssima da fidelidade matrimonial. Mas violar uma aliança não significa necessariamente que Deus considere aquela união inexistente.

Se assim fosse, as declarações de Romanos 7 e 1 Coríntios 7 seriam muito difíceis de explicar.

Paulo não diz:

“A mulher está ligada enquanto seu marido viver, exceto se ele cometer adultério.”

Ele diz:

“Enquanto ele viver.”

Da mesma maneira:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

O elemento que Paulo apresenta como libertador para um novo casamento é a morte.

É também exatamente o que ele diz em Romanos:

“Mas, morto o marido, está livre da lei do marido” (Romanos 7:2).

  1. E quanto ao abandono pelo descrente em 1 Coríntios 7:15?

Este texto também é frequentemente apresentado como outra exceção:

“Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão” (1 Coríntios 7:15).

Entretanto, o texto não diz:

“está livre para casar novamente”.

Isso seria especialmente estranho porque apenas alguns versículos antes Paulo já havia explicado o que fazer quando acontece uma separação:

“que fique sem casar ou que se reconcilie” (1 Coríntios 7:11).

“Não está sujeito à servidão” significa que o cristão abandonado não precisa obrigar o descrente a permanecer na convivência conjugal a qualquer custo.

Se o descrente insiste em partir, o cristão não é obrigado a persegui-lo ou forçá-lo a permanecer.

Mas separação não é dissolução do vínculo matrimonial.

E o próprio capítulo termina estabelecendo o limite:

“todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

  1. Então, o que realmente dissolve o casamento?

Biblicamente, encontramos uma resposta explícita:

a morte.

Romanos 7:2:

“morto o marido, está livre da lei do marido.”

Romanos 7:3:

“morto o marido, livre está da lei.”

Primeira aos Coríntios 7:39:

“se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

É por isso que Paulo pode dizer aos viúvos:

“Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se” (1 Coríntios 7:8-9).

O novo casamento é claramente permitido quando a morte desfez o primeiro vínculo.

  1. Isso também explica por que o divórcio civil não determina a situação diante de Deus

Um Estado pode declarar duas pessoas legalmente divorciadas. Isso resolve determinadas questões civis, patrimoniais e jurídicas.

Mas a pergunta do cristão deve ser:

O divórcio civil desfez aquilo que Deus ajuntou?

Segundo as palavras do Senhor, não podemos simplesmente concluir que sim.

Mateus 5:32 é muito esclarecedor. O Senhor fala de uma mulher repudiada que entra em outra união e diz que há adultério.

Por quê?

Se o divórcio tivesse dissolvido completamente o primeiro casamento diante de Deus, não haveria adultério. Ela seria simplesmente uma mulher solteira casando-se novamente.

O fato de Cristo chamar a nova relação de adultério demonstra que existe um vínculo anterior que continua sendo reconhecido.

Lucas 16:18 torna isso ainda mais direto:

“E aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também.”

Legalmente ela podia estar repudiada.

Mas moralmente, diante de Deus, o primeiro vínculo continuava relevante.

  1. A reação dos discípulos também é muito significativa

Depois de ouvirem o ensino do Senhor, os discípulos disseram:

“Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar” (Mateus 19:10).

Por que reagiram dessa maneira?

Se Cristo simplesmente tivesse dito: “Vocês podem divorciar-se e casar novamente em caso de adultério”, a reação seria difícil de compreender.

Mas eles perceberam a seriedade daquilo que Cristo estava ensinando.

O casamento não deveria ser tratado como um contrato facilmente dissolvido.

É uma união para toda a vida.

Isso explica a gravidade da resposta dos discípulos.

  1. Portanto, resumindo suas perguntas

Sim, Deuteronômio 22 mostra que a Lei distinguia diferentes pecados e situações sexuais. Adultério propriamente dito era tratado com pena de morte, não simplesmente com uma carta de divórcio.

Sim, Deuteronômio 24 regulamentava o repúdio, mas Cristo deixou claro que isso foi uma concessão devido à dureza do coração humano e não representava o propósito original de Deus.

Sim, porneía possui significado amplo em determinados contextos, mas não devemos automaticamente fazê-la significar “adultério” em Mateus 19:9, especialmente porque o próprio versículo emprega linguagem específica para adultério e porque o Evangelho segundo Mateus conhece a distinção entre os termos.

Sim, o contexto judaico do desposório é extremamente importante para compreendermos a cláusula de exceção.

Sim, é significativo que somente Mateus registre essa cláusula, enquanto Marcos e Lucas apresentam a proibição sem ela.

E sim, Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39 apresentam aquilo que podemos chamar de princípio ou lei divina do vínculo matrimonial: enquanto ambos vivem, permanecem ligados; a morte de um deles deixa o sobrevivente livre para um novo casamento.

Por isso considero muito importante começarmos onde o próprio Senhor começou:

“Desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea” (Marcos 10:6).

A Lei de Moisés regulamentou situações produzidas pelo pecado humano. Cristo, porém, conduziu Seus ouvintes de volta à criação.

“Mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:8).

E qual era o princípio?

Um homem.

Uma mulher.

Uma só carne.

Uma união feita por Deus.

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Quando, infelizmente, ocorre uma separação, a orientação apostólica é igualmente clara:

“Que fique sem casar ou que se reconcilie” (1 Coríntios 7:11).

Isso pode ser extremamente difícil em determinadas circunstâncias, especialmente quando houve traição, abandono, violência, sofrimento familiar ou muitos anos de separação. A dificuldade da situação, porém, não nos autoriza a modificar aquilo que as Escrituras ensinam.

Devemos tratar pessoas feridas por divórcio com muita compaixão, graça e cuidado, nunca com desprezo. Ao mesmo tempo, compaixão bíblica não consiste em alterar o padrão de Deus para diminuir a dificuldade de obedecê-lo.

O princípio permanece:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

É justamente a combinação de Gênesis 2, Mateus 5 e 19, Marcos 10, Lucas 16, Romanos 7 e 1 Coríntios 7 que, a meu ver, oferece a compreensão mais coerente: o casamento é uma instituição divina anterior à Lei de Moisés; o divórcio foi uma concessão relacionada à dureza do coração; a cláusula de Mateus deve ser compreendida dentro de seu contexto judaico e não como autorização geral para segundas núpcias; e a liberdade inequívoca para um novo casamento surge quando a morte encerra o primeiro vínculo.

Josué Matos

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