Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Bom dia, irmão Josué. Estou precisando de ajuda para melhor explicar Primeira Coríntios 11:15, onde diz: "pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha".
Há mulheres que querem justificar o não uso do véu na congregação com este verso bíblico.
Minha Resposta:
Bom dia, irmão. Desculpe não ter respondido na hora. Quando o irmão me enviou a mensagem, eu estava saindo para caminhar. Agora voltei e preparei este texto para tentar explicar melhor 1 Coríntios 11:15, porque realmente esse versículo, quando é separado do restante do capítulo, pode dar a impressão de que o cabelo substitui o véu. Mas, quando acompanhamos o argumento de Paulo desde o início, percebemos que o cabelo comprido e o véu são duas coisas diferentes.
O versículo 15 diz:
“Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.” — 1 Coríntios 11:15
A pergunta então é: se o cabelo foi dado à mulher “em lugar de véu”, por que ela precisaria usar também uma cobertura na cabeça na congregação?
A resposta fica mais simples quando não começamos pelo versículo 15, mas pelos versículos anteriores.
Em 1 Coríntios 11:5-6, Paulo fala da mulher que está com a cabeça descoberta. E então diz:
“Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também...”
Veja a importância desse argumento.
Paulo está falando de uma mulher que já possui cabelo. Tanto possui que ele diz que, se ela não quiser se cobrir, então que seja também tosquiada ou rapada.
Portanto, naquele momento existem duas coisas distintas:
1. O cabelo que a mulher já possui.
2. Uma cobertura que ela deve colocar sobre a cabeça.
Se o cabelo fosse o próprio véu dos versículos 5 e 6, o argumento de Paulo não faria sentido. Seria como se Paulo estivesse dizendo: “Se a mulher não tem cabelo, então corte o cabelo”. Isso seria contraditório.
Mas não é isso que ele diz.
Ele diz, em outras palavras: se ela não quer colocar a cobertura sobre a cabeça, então que corte também o cabelo. E, como é vergonhoso para a mulher ficar tosquiada ou rapada, Paulo conclui claramente:
“Que ponha o véu.” — 1 Coríntios 11:6
Então, este é o primeiro ponto que eu explicaria às irmãs: o próprio contexto mostra que cabelo e véu não são a mesma coisa.
Depois, chegando aos versículos 14 e 15, Paulo passa a falar da cobertura que a própria natureza deu à mulher.
Ele diz que é desonra para o homem ter cabelo crescido, mas:
“Ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso.”
Ou seja, Deus deu à mulher uma glória natural: o cabelo comprido.
Há inclusive uma diferença interessante nas palavras gregas usadas por Paulo.
Nos primeiros versículos, quando Paulo fala de a cabeça estar coberta, ele emprega palavras relacionadas ao verbo grego κατακαλύπτω — katakalyptō, que significa cobrir, velar, manter coberto.
Mas, no versículo 15, quando diz que o cabelo foi dado à mulher “em lugar de véu” ou “por cobertura”, a palavra é περιβόλαιον — peribólaion, que tem o sentido de cobertura, envoltório, algo que envolve ou cai ao redor.
Portanto, Paulo não está simplesmente repetindo no versículo 15 exatamente a mesma coisa que havia dito nos versículos 5 e 6.
Podemos entender assim, de uma maneira bem simples:
A mulher possui uma cobertura natural: o seu cabelo comprido.
E, quando está na reunião da igreja, usa uma cobertura sobre a cabeça: o véu, lenço ou mantilha.
Uma cobertura não elimina a outra.
Pelo contrário, as duas ensinam o mesmo princípio espiritual.
E qual é esse princípio?
Precisamos voltar ao versículo-chave de toda essa passagem, 1 Coríntios 11:3:
“Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo.”
Esse é o assunto principal do capítulo: a ordem de chefia estabelecida por Deus.
Por isso o homem participa das reuniões com a cabeça descoberta, enquanto a mulher cobre a cabeça. São sinais visíveis de uma verdade espiritual.
Paulo ainda diz em 1 Coríntios 11:10:
“Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.”
Ou seja, existe alguma coisa sobre a cabeça dela que manifesta exteriormente o reconhecimento da autoridade estabelecida por Deus.
Depois, nos versículos 14 e 15, Paulo mostra que a própria natureza confirma essa distinção: o cabelo comprido é desonroso para o homem, enquanto o cabelo comprido é glória para a mulher.
Então podemos resumir assim:
O homem: cabelo curto e cabeça descoberta na reunião.
A mulher: cabelo comprido e cabeça coberta na reunião.
São duas distinções que caminham juntas.
Há ainda uma maneira muito simples de mostrar que o versículo 15 não pode significar: “Como tenho cabelo, não preciso usar véu.”
Se essa interpretação fosse correta, teríamos que voltar ao versículo 6 e perguntar:
Por que Paulo mandaria colocar o véu?
Ele diz expressamente:
“Que ponha o véu.”
Não faria sentido Paulo ensinar nos versículos 5 e 6 que a mulher deve se cobrir e, nove versículos depois, dizer que ela não precisa se cobrir porque já tem cabelo.
Isso faria Paulo contradizer a si mesmo dentro de poucos versículos.
Não há contradição quando entendemos que são duas coberturas diferentes.
O cabelo é a cobertura natural, a glória que Deus deu à mulher.
O véu é a cobertura colocada sobre a cabeça no contexto da reunião, manifestando a ordem de chefia estabelecida por Deus.
Por isso, quando alguém usa somente a última frase do versículo 15 — “o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha” — para dizer que a irmã não precisa usar véu, está isolando essa frase de todo o raciocínio que Paulo começou no versículo 3 e desenvolveu até o versículo 16.
É preciso ler o capítulo inteiro.
E há outro detalhe importante: Paulo não fundamenta isso simplesmente num costume de Corinto. Nos versículos 7 a 9, ele volta até Gênesis, capítulos 1 e 2, à criação do homem e da mulher. No versículo 10 menciona os anjos. Nos versículos 14 e 15 apela à natureza. E no versículo 16 termina mencionando “as igrejas de Deus”.
Portanto, o argumento é muito mais amplo do que um costume local de Corinto.
Assim, eu explicaria às irmãs com bastante simplicidade:
“Irmãs, o cabelo comprido não substitui o véu. Se substituísse, Paulo não poderia dizer no versículo 6: ‘que ponha o véu’. O cabelo comprido é a cobertura natural e a glória que Deus deu à mulher; o véu é a cobertura que ela coloca sobre a cabeça na reunião, como sinal da ordem de chefia ensinada desde o versículo 3. Uma coisa não anula a outra.”
E é importante ensinar isso com mansidão, sem transformar o véu simplesmente numa regra da congregação. A irmã precisa compreender por que usa o véu. Quando compreende o princípio da chefia, deixa de ser apenas “a igreja manda usar” e passa a ser uma maneira consciente de honrar a ordem que Deus estabeleceu.
No final, o assunto não é simplesmente um pedaço de tecido sobre a cabeça. O assunto maior é a honra devida a Cristo e a submissão à ordem estabelecida por Deus na Sua Palavra.
Josué Matos
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