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Só confusão e engano, palavras que saem da cabeça do pregador, conforme o entendimento de cada um.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A doutrina de Paulo que você diz são os usos e costumes, e ela se esconde na aparência, mas não tem evangelho, não tem conhecimento bíblico, e nem revelação, só confusão e engano, palavras que saem da cabeça do pregador, conforme o entendimento de cada um.

Minha Resposta:

A sua afirmação revela um problema muito sério: você está confundindo aquilo que a Escritura apresenta como doutrina inspirada com opiniões humanas. A doutrina do apóstolo Paulo não é fruto da mente dele, nem “usos e costumes”, mas revelação direta de Deus.

Primeiramente, é importante entender que o próprio Novo Testamento reconhece que o ensino de Paulo tem autoridade divina. O apóstolo Pedro escreveu claramente que as cartas de Paulo fazem parte das Escrituras: “...o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada... nas quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos torcem, como também fazem com as outras Escrituras” (2 Pedro 3:15-16). Portanto, rejeitar a doutrina de Paulo é rejeitar o próprio testemunho inspirado da Palavra de Deus.

Além disso, Paulo não pregava ideias próprias. Ele afirma de forma categórica: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei” (1 Coríntios 11:23). E ainda: “Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens; porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo” (Gálatas 1:11-12). Isso mostra que sua mensagem não procede da mente humana, mas do próprio Senhor.

Quanto à acusação de que não há evangelho em seu ensino, isso não se sustenta. Paulo foi exatamente o instrumento levantado por Deus para revelar com clareza o evangelho da graça. Em Romanos 1:16 ele diz: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”. Em Efésios 2:8-9 ele apresenta de forma cristalina a base da salvação: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

Se alguém considera isso “confusão”, o problema não está na doutrina, mas na compreensão. A própria Escritura já antecipava isso: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura” (1 Coríntios 2:14). O entendimento espiritual não vem de esforço intelectual, mas da ação do Espírito Santo por meio da Palavra.

Também é incorreto dizer que a doutrina apostólica se baseia em aparência externa ou costumes. Pelo contrário, Paulo combateu fortemente o legalismo e os rituais vazios. Em Colossenses 2:20-23 ele rejeita ordenanças humanas como meio de espiritualidade. Em Gálatas, ele se opõe à imposição de práticas externas como condição de salvação, mostrando que isso é “outro evangelho” (Gálatas 1:6-9).

A verdade é que existe uma diferença entre tradição humana e doutrina apostólica. A doutrina apostólica é fundamentada na revelação de Deus e está em perfeita harmonia com todo o plano divino revelado nas Escrituras, desde o Antigo Testamento até o Novo, onde vemos uma progressão da revelação culminando em Cristo e explicada pelos apóstolos.

Portanto, rejeitar o ensino apostólico não é rejeitar homens, mas resistir à própria Palavra de Deus. O caminho seguro não é confiar em impressões pessoais, mas examinar as Escrituras com reverência e submissão, como os bereanos, que “examinavam cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:11).

Se há confusão, ela não vem da Palavra de Deus, porque “Deus não é Deus de confusão, senão de paz” (1 Coríntios 14:33), mas sim da rejeição da verdade revelada.

Josué Matos