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Existem várias passagens na Bíblia em que Jesus afirma que voltaria para aquela geração

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão Josué, existem várias passagens na Bíblia em que Jesus afirma que voltaria para aquela geração, ele chega a dizer que muitos dos que estavam ouvindo sua palavra não provariam a morte antes que ele voltasse. Como o senhor me explica isso? 2 + 2 = 5?

Minha Resposta:

Bem, essa questão não é um “2 + 2 = 5”, mas sim uma questão de interpretar corretamente os termos e os contextos bíblicos. Quando isso é feito, não há contradição alguma.

Vamos analisar com calma e à luz das Escrituras.

1. A expressão “esta geração” não significa apenas as pessoas vivas naquele momento

O Senhor Jesus usa a expressão “geração” em diferentes sentidos. Em muitos textos, “geração” não significa apenas um grupo de pessoas vivendo ao mesmo tempo, mas uma classe moral, um tipo de povo caracterizado por incredulidade.

Por exemplo:

  • “Geração má e adúltera pede um sinal” (Mateus 12:39)
  • “Ó geração incrédula e perversa” (Mateus 17:17)

Ou seja, trata-se de um caráter espiritual, não apenas de um limite cronológico.

Assim, quando o Senhor fala em Mateus 24:34 —
“Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam” —
Ele está se referindo à geração incrédula de Israel, que permanecerá até o cumprimento desses juízos.

2. “Alguns não provarão a morte” refere-se a uma antecipação da glória do reino

Quando o Senhor diz:

  • “Alguns dos que aqui estão não provarão a morte até que vejam o Filho do Homem vindo no seu reino” (Mateus 16:28)

Isso não aponta para a segunda vinda completa, mas para um antegosto dessa vinda, que ocorre logo em seguida:

  •  A transfiguração (Mateus 17)

Ali, Pedro, Tiago e João veem o Senhor em glória. Isso é uma manifestação do reino em miniatura, uma antecipação visível daquilo que ainda virá plenamente.

O próprio apóstolo Pedro confirma isso depois:

  • “Fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pedro 1:16-18)

3. Há distinção entre o arrebatamento, a vinda em glória e o juízo

Um dos grandes erros que gera confusão é misturar eventos diferentes:

  • A vinda do Senhor para a Igreja (1 Tessalonicenses 4:16-17)
  • A manifestação pública em juízo (Mateus 24; Apocalipse 19)
  • O reino milenar (Apocalipse 20)

O Senhor Jesus, especialmente nos evangelhos, muitas vezes fala de forma profética condensada, reunindo eventos distintos sem detalhar os intervalos.

Isso é comum nas Escrituras. Por exemplo:

  • Isaías 61:1-2 fala da primeira e segunda vinda juntas
  • Lucas 4:18-19 mostra que o Senhor separa essas partes

4. O “tempo” profético não segue a lógica humana

Na Bíblia, o tempo profético não é medido como o nosso:

  • “Um dia para o Senhor é como mil anos” (2 Pedro 3:8)

Além disso, há períodos em que o plano de Deus fica suspenso em relação a Israel, como o tempo atual da Igreja (Romanos 11:25).

Portanto, o fato de parecer “demorado” para nós não significa erro, mas sim que estamos dentro de um plano divino mais amplo.

5. O ponto central: não há erro nas palavras do Senhor

O problema nunca está nas palavras do Senhor Jesus, mas na interpretação.

Ele mesmo disse:

  • “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mateus 24:35)

E de fato, toda a Escritura mostra uma harmonia perfeita quando:

  • distinguimos os contextos
  • separamos os eventos proféticos
  • entendemos os termos espiritualmente

Conclusão

Não é “2 + 2 = 5”.
É mais como alguém olhando uma equação complexa sem entender todas as variáveis.

Quando compreendemos:

  • o uso bíblico de “geração”
  • a transfiguração como antecipação do reino
  • a distinção entre as vindas de Cristo
  • e o caráter progressivo da profecia

então tudo se encaixa perfeitamente.

A Palavra de Deus não contém contradição — ela exige interpretação cuidadosa e reverente.

Josué Matos