Alguém que me escreveu no YouTube:
Mas a igreja presbiteriana não reivindica ser a verdadeira igreja de Cristo, e há um equívoco, pois a igreja presbiteriana não ensina que Deus predestinou pessoas para o inferno. Ocorre que, na verdade, todos os homens nascem predestinados ao inferno porque não há um justo sequer. E todos estão MORTOS em seus pecados e delitos, e por estarem MORTOS, não podem ver, ouvir e nem crer por si só. É preciso que primeiro Deus lhes dê vida para que possam ouvir e crer. Isso significa que a salvação é obra exclusiva de Deus do início ao fim, porque até para crer em Deus precisamos de Deus. E sim, Deus escolhe, dentre todos os condenados, uns para a salvação, e isso não depende de quem quer e nem de quem corre e nem de mérito humano, mas apenas de Deus em sua soberania e misericórdia. Lembre-se de que Deus amou a Jacó e aborreceu-se de Esaú antes de terem nascido. E Deus não é injusto ao eleger alguns e rejeitar outros, simplesmente porque todos merecem o inferno, pois não há UM justo sequer.
Minha Resposta:
A sua colocação traz pontos bíblicos verdadeiros misturados com uma conclusão que precisa ser cuidadosamente examinada à luz de toda a Escritura.
Primeiro, é verdade que todos os homens são pecadores. Romanos 3:10 declara: “Não há justo, nem um sequer”, e Efésios 2:1 afirma que o homem está “morto em ofensas e pecados”. Isso mostra a total incapacidade do homem em produzir salvação por si mesmo. Também é verdade que a salvação é inteiramente pela graça de Deus, e não por mérito humano (Efésios 2:8-9).
No entanto, o ponto central que precisa ser corrigido é a ideia de que o homem não pode crer até ser regenerado, ou que Deus dá vida primeiro para depois o homem crer. Esse raciocínio não está em harmonia com o ensino geral das Escrituras.
A Palavra de Deus ensina que a fé vem pelo ouvir. Romanos 10:17 diz: “A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”. Ou seja, Deus usa a Sua Palavra para despertar o pecador. O homem está morto espiritualmente, sim, mas essa morte não significa incapacidade absoluta de responder à voz de Deus quando Ele fala. É uma morte moral e espiritual, não uma inexistência de responsabilidade.
O próprio Senhor Jesus declarou em João 5:25: “Vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão”. Note a ordem: ouvem e vivem. A vida não vem antes da resposta, mas como resultado dela.
Além disso, João 1:12 afirma claramente: “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome”. Primeiro vem o crer, depois o novo nascimento como resultado da ação de Deus.
O novo nascimento é obra do Espírito Santo, mas ocorre em conexão com a fé na Palavra. O próprio ensino bíblico mostra que o pecador é despertado pela Palavra e, ao crer, recebe a vida.
Quanto à eleição, é importante entender corretamente Romanos 9. Quando se diz que Deus amou a Jacó e aborreceu-se de Esaú, o contexto não está tratando de salvação individual para o céu ou condenação eterna, mas de propósito de Deus na história, especialmente na escolha de uma linhagem para cumprir Seus planos. Isso é confirmado pelo contexto de nações (Gênesis 25:23).
A Escritura também afirma claramente que Deus deseja a salvação de todos. Em 1 Timóteo 2:4 lemos que Deus “quer que todos os homens se salvem”. E em 2 Pedro 3:9: “Não querendo que alguns se percam, senão que todos venham ao arrependimento”.
Se Deus desejasse salvar apenas alguns de forma arbitrária, essas declarações perderiam o sentido.
Outro ponto importante: o evangelho é oferecido a todos. João 3:36 diz: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida”. A responsabilidade é colocada sobre o homem: crer ou não crer.
Portanto, o equilíbrio bíblico é este:
O homem é pecador e incapaz de salvar-se
Deus age através da Sua Palavra para despertar o pecador
O homem é responsável por crer
Ao crer, o Espírito Santo opera o novo nascimento
Toda a glória da salvação pertence a Deus, mas sem anular a responsabilidade humana
A ideia de que Deus escolhe alguns para a salvação e deixa outros inevitavelmente condenados não reflete o caráter revelado de Deus nas Escrituras, que é justo, mas também amoroso e que chama todos ao arrependimento.
A salvação não é uma imposição divina sobre alguns, mas uma oferta graciosa a todos, recebida pela fé no Senhor Jesus Cristo.