Alguém que me escreveu no YouTube::
A Igreja Presbiteriana chamou a Igreja Congregação Cristã no Brasil de seita. É uma desonestidade do pastor Augustus Nicodemus?
Minha Resposta:
Bem, a questão não deve ser tratada com base em ataques pessoais, mas à luz da Palavra de Deus, com discernimento espiritual e sobriedade.
Primeiramente, é importante entender que, biblicamente, o termo “seita” não deve ser usado de forma leviana ou meramente como acusação entre grupos. A própria Escritura usa a palavra em diferentes sentidos. Em Atos dos Apóstolos 24:14, o apóstolo Paulo diz: “confesso-te, porém, que, conforme aquele caminho que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais”. Ou seja, o termo era usado muitas vezes como acusação externa, não necessariamente como definição correta diante de Deus.
Por outro lado, a Palavra de Deus também alerta contra divisões e ensinos humanos que se afastam da verdade. Em Gálatas 5:20, entre as obras da carne aparecem as “heresias” (ou seitas), mostrando que aquilo que divide e se afasta da doutrina de Cristo é reprovado por Deus.
Assim, o ponto principal não é defender instituições, mas examinar tudo pela Escritura. Como está em 1 Tessalonicenses 5:21: “Examinai tudo. Retende o bem.”
Outro princípio fundamental é que a Igreja de Deus, conforme revelada no Novo Testamento, não é uma organização denominacional, mas o corpo de Cristo, formado por todos os salvos (Efésios 1:22-23). As divisões em sistemas religiosos organizados, com nomes próprios e doutrinas particulares, não refletem o modelo simples da igreja local que vemos em Atos dos Apóstolos.
A própria Escritura mostra que, desde cedo, haveria desvios e sistemas humanos se formando. Em 2 Timóteo 2:20, lemos: “numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro”. Isso indica uma mistura no testemunho cristão ao longo do tempo.
Portanto, ao avaliar qualquer grupo — seja presbiteriano, congregação cristã ou qualquer outro — o critério não deve ser opinião de homens, mas:
- Se está fundamentado somente na Palavra de Deus
- Se reconhece a suficiência da obra de Cristo
- Se evita tradições humanas como autoridade
- Se mantém a simplicidade da doutrina apostólica
Acusar ou defender sem esse exame pode levar a julgamentos precipitados.
Além disso, devemos lembrar o ensino de Romanos 14:4: “Quem és tu que julgas o servo alheio? Para o seu próprio senhor está em pé ou cai.” Isso nos chama à cautela e humildade.
Por fim, quanto a chamar alguém de desonesto, isso já entra no campo do julgamento de intenções, algo que a Escritura nos orienta a evitar. Em 1 Coríntios 4:5 está escrito: “não julgueis antes de tempo… o Senhor… manifestará os desígnios dos corações.”
O mais seguro é permanecer firme na verdade da Palavra, com espírito de mansidão, como ensina 2 Timóteo 2:24-25, corrigindo com brandura os que pensam diferente.
A verdadeira questão não é qual grupo está certo por afirmação humana, mas quem está realmente sujeito à Palavra de Deus.