Alguém que me escreveu no YouTube:
Perfeito seu comentário, mas eu chego à conclusão que o arrebatamento também se encaixa no Dia do Senhor, afinal o arrebatamento é agir do Altíssimo. Então, para mim, o Dia do Senhor começa com o arrebatamento dos vencedores.
Minha Resposta:
É importante distinguir, com base nas Escrituras, entre o arrebatamento da Igreja e o chamado Dia do Senhor, pois embora ambos sejam atos de Deus, não são o mesmo evento nem pertencem ao mesmo período.
O arrebatamento está relacionado diretamente com a Igreja e com o evangelho da graça. Ele é apresentado como um evento de caráter celestial, secreto para o mundo, no qual o Senhor Jesus vem buscar os seus. Em 1 Tessalonicenses 4:16-17 vemos que os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro e os vivos serão arrebatados juntamente com eles para encontrar o Senhor nos ares. Não há juízo sobre o mundo nesse momento, mas consolação para os salvos (1 Tessalonicenses 4:18).
Já o Dia do Senhor tem um caráter completamente diferente. Nas Escrituras, especialmente em profetas como Isaías, Joel e Sofonias, esse “dia” é descrito como um período de juízo, ira e intervenção pública de Deus sobre a terra. Em 1 Tessalonicenses 5:2-3, ele vem “como o ladrão de noite”, trazendo destruição repentina sobre os que dizem “paz e segurança”.
Portanto, o arrebatamento não é o início do Dia do Senhor, mas sim o evento que o antecede. Ele encerra o período da graça (iniciado em Atos 2) e remove a Igreja da terra. Depois disso, inicia-se uma nova fase nos caminhos de Deus com o mundo, preparando o cenário para os juízos que caracterizam o Dia do Senhor.
Essa distinção está em harmonia com o fato de que Deus trata de formas diferentes com a Igreja e com o mundo. A Igreja não é destinada à ira (1 Tessalonicenses 5:9), enquanto o Dia do Senhor é precisamente o tempo em que essa ira será manifestada.
Além disso, a própria estrutura das Escrituras mostra que Deus age em diferentes dispensações, sem contradição, mas com propósito definido. Há uma progressão nos seus caminhos, conforme se vê ao longo da revelação bíblica . O período atual é o da graça; o Dia do Senhor pertence ao tempo de juízo e restauração futura.
Assim, embora o arrebatamento seja, de fato, um agir do Altíssimo, ele não deve ser confundido com o Dia do Senhor. Ele é um evento distinto, anterior, e voltado exclusivamente para a Igreja, enquanto o Dia do Senhor é um período mais amplo de intervenção divina sobre a terra, envolvendo juízo e estabelecimento do reino.
Agora, acrescentando ao ponto que você levantou sobre “o arrebatamento dos perfeitos” ou “dos vencedores”, é importante tratar isso com muito cuidado à luz das Escrituras.
A Palavra de Deus não ensina que haverá um arrebatamento parcial, isto é, que apenas alguns crentes mais espirituais, mais fiéis ou “vencedores” serão arrebatados primeiro, deixando outros para trás. Pelo contrário, o ensino apostólico apresenta o arrebatamento como um evento que abrange todos os que estão em Cristo.
Em 1 Coríntios 15:51-52 está escrito: “Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados”. Note a expressão “todos”. Não há divisão dentro do corpo de Cristo nesse momento. Todos os salvos participam dessa transformação.
Da mesma forma, em 1 Tessalonicenses 4:16-17, não há distinção entre crentes mais ou menos fiéis. O texto fala dos “mortos em Cristo” e dos “vivos que ficarmos”, ou seja, todos os que pertencem a Cristo. Não diz “alguns”, nem “os mais espirituais”, mas todos os que estão em Cristo.
Isso está ligado a uma verdade fundamental: a Igreja é o corpo de Cristo. Em Efésios 5:30 lemos que somos “membros do seu corpo”. Seria inconcebível que Cristo viesse buscar apenas parte do seu corpo e deixasse outra parte para trás. A unidade do corpo impede essa ideia.
A questão dos “vencedores”, mencionada especialmente em Apocalipse capítulos 2 e 3, não se refere a um grupo seleto que será arrebatado antes dos demais, mas descreve o caráter normal do verdadeiro crente. Em 1 João 5:4-5 está claro: “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé… quem é o que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?”. Ou seja, todo verdadeiro salvo é um vencedor, porque nasceu de Deus.
Portanto, não existe uma classe especial de “crentes perfeitos” que serão arrebatados antes dos outros. A perfeição do crente não está em si mesmo, mas em Cristo. Em Hebreus 10:14 lemos que, por uma só oferta, Ele “aperfeiçoou para sempre os que são santificados”. Essa perfeição é posicional, baseada na obra do Senhor Jesus, não no desempenho espiritual do crente.
É verdade que haverá diferença de recompensa. Em 1 Coríntios 3:13-15 vemos que as obras de cada um serão provadas, e alguns receberão galardão enquanto outros sofrerão perda. Mas isso acontece após o arrebatamento, no tribunal de Cristo, e não determina quem será arrebatado.
Assim, a ideia de um “arrebatamento dos perfeitos” ou de “vencedores” como um grupo separado não encontra base no ensino claro das Escrituras. Todos os que são de Cristo serão arrebatados, porque pertencem a Ele, não por mérito próprio, mas pela graça.
Concluindo: o arrebatamento não é para um grupo seleto de crentes mais espirituais, mas para toda a Igreja, todos os que estão em Cristo.
Josué Matos