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A Bíblia fala de Yahweh, El Shaddai, não tem nada a ver com deus

Alguém que me escreveu no YouTube:

A Bíblia fala de Yahweh, El Shaddai, não tem nada a ver com deus. Não é que deus exista, essa é outra mentira, mas vamos separar as mentiras, porque a mentira Yahweh e El Shaddai só vai virar a mentira deus séculos depois… Como pode um ‘deus’ de ‘amor’ condenar alguém ao sofrimento eterno? A Bíblia é pura mitologia!

Minha Resposta:

Antes de tudo, é importante separar algumas questões que foram misturadas: os nomes de Deus, a existência de Deus, a confiabilidade da Bíblia e o problema do juízo eterno.

  1. Sobre os nomes “Yahweh”, “El Shaddai” e “Deus”

A Bíblia, desde o Antigo Testamento, apresenta diversos nomes para Deus, não como “deuses diferentes”, mas como revelações progressivas do mesmo Ser. Por exemplo:

  • “Eu apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como o Deus Todo-Poderoso (El Shaddai); mas pelo meu nome, o SENHOR (Yahweh), não lhes fui conhecido” (Êxodo 6:3)

  • “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR” (Deuteronômio 6:4)

O uso de diferentes nomes não indica contradição, mas profundidade. Assim como uma pessoa pode ser conhecida como pai, juiz, amigo ou rei, Deus é revelado conforme o relacionamento que tem com o homem.

Além disso, quando a Bíblia foi traduzida para outras línguas (grego, latim, português), os nomes foram traduzidos para termos equivalentes, como “Deus” (Theos, em grego). Isso não é “invenção”, mas tradução, algo absolutamente normal em qualquer idioma.

  1. A acusação de “mitologia”

A Bíblia não se apresenta como mito, mas como história baseada em testemunhas e fatos reais. No Novo Testamento, vemos claramente essa intenção:

“Muitos empreenderam fazer uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram… segundo nos transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares”

Ou seja, não se trata de lendas distantes, mas de eventos que ocorreram em tempo e espaço, confirmados por testemunhas.

Além disso, a Bíblia não é um livro isolado, mas uma coleção de escritos produzidos ao longo de séculos, com coerência interna impressionante, algo que não se explica como simples “mitologia”.

  1. Sobre a rejeição da Bíblia ainda criança

Dizer que uma criança de 8 anos consegue compreender plenamente questões profundas como justiça divina, santidade, pecado e eternidade é, na verdade, uma simplificação da realidade.

A própria Escritura afirma:

“O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura” (1 Coríntios 2:14)

Ou seja, a dificuldade não está apenas no texto, mas na condição do coração humano diante de Deus.

  1. O problema do “Deus de amor” e o juízo eterno

Aqui está o ponto central da sua objeção.

A Bíblia afirma claramente que Deus é amor:

“Deus é amor” (1 João 4:8)

Mas também afirma que Deus é justo:

“Justo é o Senhor em todos os seus caminhos” (Salmos 145:17)

O erro comum é querer um Deus que seja amor sem justiça. Mas isso seria incoerente. Um juiz que não pune o mal não é bom, é corrupto.

O problema não é Deus condenar o homem — o problema é o homem estar em pecado diante de um Deus santo:

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23)

O juízo eterno não é uma reação desproporcional, mas a consequência de rejeitar o próprio Deus, que é infinito. Rejeitar o infinito tem consequências eternas.

Mas a Bíblia não termina no juízo — ela apresenta a solução:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16)

Deus não apenas julga o pecado — Ele providenciou um meio de salvação em Jesus Cristo.

  1. A questão da liberdade

Você citou uma frase sobre liberdade. A Bíblia concorda que a verdade liberta:

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32)

Mas a mesma passagem mostra que a verdadeira liberdade não está em rejeitar Deus, e sim em conhecer a verdade revelada por Ele.

Conclusão

A rejeição da Bíblia geralmente não nasce de uma análise completa, mas de uma reação a certos pontos difíceis. No entanto, quando examinada com seriedade, ela apresenta:

  • unidade na revelação de Deus
  • base histórica sólida
  • coerência entre justiça e amor
  • e uma solução real para o problema do pecado

O maior problema não é intelectual, mas moral e espiritual: o homem não quer se submeter a Deus.

E mesmo assim, Deus continua chamando:

“Convertei-vos a mim, e sereis salvos, todos os termos da terra” (Isaías 45:22)

Josué Matos