Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Como explicar estes versículos que as Testemunhas de Jeová utilizam para dizer que o Filho não é eterno como o Pai?
João 14:28 — “o Pai é maior do que eu”
Colossenses 1:15 — “primogênito de toda a criação”.
Minha Resposta:
Esses dois textos são frequentemente usados de forma isolada, sem considerar o conjunto da revelação bíblica sobre a Pessoa do Senhor Jesus Cristo. Quando analisados à luz de toda a Escritura, eles não negam a eternidade do Filho, mas antes confirmam verdades profundas sobre a Sua encarnação e posição.
João 14:28 — “o Pai é maior do que eu”
O próprio contexto mostra que o Senhor Jesus está falando como homem, em Sua condição de humilhação voluntária.
Em Filipenses 2:6-8, lemos que Ele, “subsistindo em forma de Deus”, não deixou de ser Deus, mas “aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo”. Ou seja, Ele não perdeu a Sua divindade, mas assumiu uma posição inferior ao Pai no sentido funcional, não essencial.
Portanto, quando Ele diz que “o Pai é maior”, isso não se refere à Sua natureza divina, mas à Sua posição naquele momento, como Aquele que veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai. Em João 17:5, Ele pede: “glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”. Isso prova claramente a Sua existência eterna e igualdade com o Pai antes da encarnação.
Assim, João 14:28 não ensina inferioridade de natureza, mas submissão voluntária na missão redentora.
Colossenses 1:15 — “primogênito de toda a criação”
Aqui está um dos textos mais mal compreendidos. A palavra “primogênito” (gr. prototokos) não significa necessariamente “primeiro criado”, mas sim posição de supremacia, herança e autoridade.
Na própria Escritura, “primogênito” é frequentemente usado com sentido de posição e não de origem. Por exemplo, em Salmos 89:27, Deus diz sobre Davi: “também o farei meu primogênito, mais elevado do que os reis da terra”. Davi não foi o primeiro homem criado, mas recebeu posição de destaque.
No contexto de Colossenses 1, isso fica ainda mais claro:
“Porque nele foram criadas todas as coisas… tudo foi criado por ele e para ele” (Colossenses 1:16).
Se todas as coisas foram criadas por Ele, então Ele não pode ser parte da criação. Ele é o Criador. O termo “primogênito” indica que Ele tem preeminência sobre toda a criação, não que Ele tenha sido criado.
Além disso, o versículo 17 afirma: “Ele é antes de todas as coisas”. Isso aponta diretamente para Sua eternidade.
A plena revelação bíblica sobre o Filho
Quando juntamos toda a Escritura, vemos claramente que o Filho é eterno e divino:
- João 1:1 — “o Verbo era Deus”
- João 1:3 — “todas as coisas foram feitas por ele”
- Hebreus 1:8 — “o teu trono, ó Deus, é para todo o sempre”
- Miquéias 5:2 — “cujas origens são desde os dias da eternidade”
Essas passagens não deixam espaço para interpretar o Filho como um ser criado.
Conclusão doutrinária
Os dois textos apresentados não negam a eternidade do Filho, mas ensinam:
- Em João 14:28: a Sua posição de humilhação como homem
- Em Colossenses 1:15: a Sua supremacia sobre toda a criação
Interpretar esses versículos isoladamente, ignorando o contexto e o restante da revelação, leva a erro. A Escritura é harmoniosa, e nela vemos que o Filho é eterno, divino e igual ao Pai em natureza, ainda que tenha assumido voluntariamente uma posição de servo para cumprir a obra da redenção.
A própria análise cuidadosa dos textos bíblicos mostra que a doutrina correta não é a de um Cristo criado, mas de um Cristo eterno, Criador de todas as coisas, digno de toda a glória.
Josué Matos