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Jesus, Ele é Deus por afiliação na cláusula?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Pelo contrário, a Tradução do Novo Mundo, João, Capítulo 1, realça a divindade de Jesus no contexto da afiliação. Note que neste capítulo e versículo o artigo acompanha o pai Deus por excelência no grego, não acompanha o artigo a cláusula C substantivo Anartro. No processo de tradução, quando isso acontece, você pode utilizar um artigo indefinido se o contexto exigir. É o que ocorre ali, a tradução do novo mundo está correta. Jesus, Ele é Deus por afiliação na cláusula, e nós temos o Deus com artigo o pai que é o Deus por excelência, perfeito, tradução do novo mundo.

Minha Resposta:

Essa questão não é apenas gramatical, mas profundamente doutrinária. Trata da própria natureza do Senhor Jesus Cristo. Vamos responder de forma clara, bíblica e fundamentada.

1. O texto original de João 1:1

O texto grego diz:

“καὶ θεὸς ἦν ὁ λόγος”
(“e Deus era o Verbo”)

A discussão gira em torno da palavra “θεός” (Deus) sem artigo definido na terceira cláusula.

A alegação apresentada é que, por não haver artigo, deveria ser traduzido como “um deus”.

2. O erro fundamental dessa interpretação

A ausência do artigo no grego não torna automaticamente o substantivo indefinido.

O grego do Novo Testamento funciona de forma diferente do português. Muitas vezes:

  • Um substantivo sem artigo pode ser definido, qualitativo ou enfático.
  • A posição da palavra na frase também influencia o sentido.

Neste caso, “θεός” está antes do verbo, o que, segundo a estrutura grega, indica ênfase na natureza, não indefinição.

Ou seja, o texto está afirmando:

O Verbo possui a mesma natureza divina.

Não está dizendo que Ele é “um deus menor”.

3. O contexto imediato destrói a ideia de “um deus”

Observe o próprio versículo completo:

  • “No princípio era o Verbo”
  • “o Verbo estava com Deus”
  • “e o Verbo era Deus”

Se traduzirmos “um deus”, criamos um problema grave:

  • Haveria dois deuses no texto
  • Isso contradiz toda a Escritura

A Bíblia é absolutamente clara:

  • “O Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 6:4)
  • “Antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá” (Isaías 43:10)

Portanto, a ideia de “um deus” é incompatível com o monoteísmo bíblico.

4. O testemunho do restante do Evangelho de João

O próprio Evangelho confirma a plena divindade do Senhor Jesus:

  • João 1:3 — “Todas as coisas foram feitas por ele”

    • Se tudo foi feito por Ele, Ele não pode ser uma criatura

  • João 1:18 — “o Deus unigênito”

  • João 20:28 — Tomé diz:

    • “Senhor meu, e Deus meu”

Se o Senhor Jesus fosse apenas “um deus”, essas declarações seriam impossíveis.

5. A gramática confirma a divindade, não nega

A construção de João 1:1 é bem conhecida entre estudiosos:

  • O predicativo (“Deus”) vem antes do verbo
  • Isso indica qualidade essencial, não indefinição

Ou seja, o sentido é:

O Verbo era plenamente Deus em Sua natureza

Não se trata de identidade com o Pai (pois “estava com Deus”), mas de igualdade de essência.

6. O ensino geral das Escrituras

Outros textos confirmam claramente:

Colossenses 2:9

  • “Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”
Hebreus 1:8
  • “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos”
Filipenses 2:6
  • “sendo em forma de Deus”

Essas passagens não deixam espaço para um “deus inferior”.

7. O problema doutrinário da Tradução do Novo Mundo

A tradução “um deus” não nasce da gramática, mas de uma posição doutrinária prévia.

Ela tenta:

  • Negar a divindade plena do Senhor Jesus
  • Introduzir uma hierarquia de deuses inexistente na Bíblia

Isso é extremamente sério, porque toca diretamente na identidade de Cristo.

8. Conclusão

A afirmação de que João 1:1 deve ser traduzido como “um deus” não se sustenta:

  • Nem pela gramática grega
  • Nem pelo contexto imediato
  • Nem pelo ensino geral das Escrituras

A tradução correta é:

“e o Verbo era Deus”

O texto declara que o Senhor Jesus Cristo:

  • É distinto do Pai
  • Mas possui a mesma natureza divina

Negar isso é comprometer o próprio fundamento do evangelho.

Josué Matos