Alguém que me escreveu no YouTube:
O verdadeiro Jesus está no evangelho de Tomé, acordem, a Bíblia foi manipulada por Roma, ela não é a ‘palavra de Deus.’
Minha Resposta:
É importante analisar essa afirmação à luz das Escrituras e dos fatos históricos, com sobriedade e fundamento.
Primeiramente, quanto ao chamado “evangelho de Tomé”, ele não faz parte dos escritos reconhecidos desde o princípio como inspirados. Os evangelhos verdadeiros — Mateus, Marcos, Lucas e João — foram escritos no primeiro século por testemunhas oculares ou por aqueles que tiveram contato direto com elas. O próprio evangelho de Lucas declara que foi baseado em investigação cuidadosa e testemunhas oculares dos fatos (Lucas 1:1-4) . Isso mostra um compromisso com a verdade histórica e não com especulações tardias.
Já o “evangelho de Tomé” surgiu muito depois, no século II, e contém ensinos que não estão em harmonia com a revelação clara das Escrituras. Ele apresenta um “Jesus” místico, desconectado da realidade histórica da encarnação, morte e ressurreição. Porém, a Palavra de Deus afirma que o verdadeiro Jesus é aquele que veio em carne, morreu pelos pecados e ressuscitou dentre os mortos (1 Coríntios 15:3-4; 1 João 4:2-3).
Sobre a ideia de que “a Bíblia foi manipulada por Roma”, isso não se sustenta historicamente. Os escritos do Novo Testamento já circulavam amplamente entre as igrejas muito antes de qualquer sistema religioso institucional se consolidar. No século I, as epístolas já eram reconhecidas como Escritura (2 Pedro 3:15-16), e os evangelhos eram lidos e aceitos pelas assembleias dos crentes espalhadas por diversas regiões.
Além disso, a preservação das Escrituras não dependeu de uma única instituição, mas da multiplicação de manuscritos em diferentes lugares. Isso impede qualquer tentativa de manipulação centralizada. O próprio Senhor prometeu: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mateus 24:35). A fidelidade de Deus na preservação da Sua Palavra é um fato evidente.
Quanto à afirmação de que a Bíblia não é a Palavra de Deus, isso contradiz o testemunho interno das próprias Escrituras. Em 2 Timóteo 3:16 lemos: “Toda a Escritura é divinamente inspirada”. E em 2 Pedro 1:21: “Homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”. A Bíblia não é produto de manipulação humana, mas de revelação divina.
Também é importante entender que muitos escritos antigos existiam, mas nem todos eram inspirados. Assim como nem tudo o que é religioso vem de Deus, nem todo “evangelho” é verdadeiro. O apóstolo Paulo já advertia: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gálatas 1:8).
Portanto, o verdadeiro Jesus não está em textos tardios e contraditórios, mas nas Escrituras inspiradas que revelam:
- Sua divindade (João 1:1)
- Sua encarnação (João 1:14)
- Sua obra redentora na cruz (Isaías 53; 1 Pedro 2:24)
- Sua ressurreição (Lucas 24:6-7)
- Sua volta futura (Atos 1:11)
Qualquer “Jesus” diferente desse é outro, não o revelado por Deus.
A questão não é “acordar” para teorias modernas, mas crer na revelação que Deus deu e preservou. O problema não está na falta de informação, mas na rejeição da verdade, como está escrito: “Porque não receberam o amor da verdade para se salvarem” (2 Tessalonicenses 2:10).