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O problema é que hoje pessoas que nunca pisaram os pés nos átrios da Congregação Cristã do Brasil

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Fazemos tudo isso, entendemos também que a igreja que somos nós não começou em 1910, e isso desde sempre sabemos, porém, nesse século e da forma que as denominações estão, preferimos nos preservar e manter o evangelho genuíno de Jesus Cristo, não fazemos parte do sistema religioso e daí sobrevém grande perseguição. 

Vivemos em comunidade em paz com nossos irmãos, a igreja que é o povo tem crescido e sentimos no nosso meio a Palavra de Deus se cumprindo, só quem vive essa união vai entender o que eu estou falando.

O problema é que hoje pessoas que nunca pisaram os pés nos átrios da Congregação Cristã do Brasil querem tirar o modo que temos que proceder, julgando ser certo ou errado. Precisamos analisar os contextos e não falar mentiras acerca da denominação.

Minha Resposta:

Entendo o que você está dizendo, e é importante analisar tudo com equilíbrio à luz das Escrituras.

Em primeiro lugar, é correto afirmar que a Igreja não começou em uma data histórica recente, como 1910. A Palavra de Deus ensina claramente que a Igreja teve início no dia de Pentecostes, conforme Atos dos Apóstolos 2, quando o Espírito Santo desceu e formou o Corpo de Cristo. Desde então, todos os verdadeiros crentes fazem parte desse único Corpo: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros… assim é Cristo também” (1 Coríntios 12:12-13).

Por isso, a Igreja não é uma organização humana, nem está ligada a um nome ou sistema religioso específico, mas é composta por todos os que nasceram de novo por meio da fé em Jesus Cristo. Esse princípio é fundamental para entendermos a diferença entre o que é a Igreja de Deus e o que são estruturas denominacionais ao longo da história.

Agora, quanto à questão de “preservar o evangelho genuíno” e não fazer parte de sistemas religiosos, esse é um desejo legítimo, pois a Escritura nos adverte contra desvios e corrupções doutrinárias. O apóstolo Paulo diz: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho… seja anátema” (Gálatas 1:8). Portanto, a fidelidade à verdade é essencial.

No entanto, há um ponto importante que precisa ser considerado com cuidado: a unidade verdadeira não está baseada em um grupo específico, mas em Cristo. O Senhor Jesus orou: “Para que todos sejam um… como nós somos um” (João 17:21). Essa unidade é espiritual, baseada na vida que todos os salvos possuem, e não em um sistema exclusivo.

A Escritura também nos mostra que a comunhão cristã não deve ser medida apenas por sentimentos de união interna, mas pela verdade da Palavra de Deus. Em Atos dos Apóstolos 2:42, vemos que os crentes perseveravam “na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”. Ou seja, a base da comunhão é a doutrina, não apenas a experiência.

Quanto à questão de perseguição, é verdade que aqueles que procuram viver piedosamente enfrentarão oposição: “Todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3:12). Mas essa perseguição, segundo a Bíblia, não é prova de que um grupo está certo em tudo, e sim consequência de viver fielmente à verdade.

Sobre o ponto que você levantou — pessoas de fora julgarem sem conhecer — isso também exige discernimento. A Palavra de Deus não proíbe o exame das práticas religiosas; pelo contrário, ordena: “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21). E ainda: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus” (1 João 4:1).

Portanto, qualquer prática, de qualquer grupo, deve ser avaliada à luz das Escrituras, e não baseada apenas em tradição, experiência ou sentimento de unidade. Isso vale para todos, sem exceção.

Além disso, é importante lembrar que, ao longo da história bíblica, o povo de Deus muitas vezes pensou estar correto simplesmente por estar unido ou organizado, mas o Senhor olhava para a fidelidade à Sua Palavra. Em Isaías 8:20 lemos: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva”.

Por fim, a verdadeira segurança não está em pertencer a um grupo específico, mas em estar em Cristo e andar conforme a Sua Palavra. A Igreja é espiritual, universal e formada por todos os salvos, independentemente de rótulos humanos.

Assim, o caminho seguro é sempre este:
– Submeter tudo à Palavra de Deus
– Reconhecer a unidade de todos os verdadeiros crentes
– Rejeitar o erro, mas com espírito de verdade e graça
– Não absolutizar estruturas humanas

E lembrar que o Senhor conhece os que são Seus (2 Timóteo 2:19).

Josué Matos