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Após o casamento ser consumado, a união é considerada indissolúvel?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Pergunta:

Bom dia, amado.

Li em seu site o seguinte:

“Após o casamento ser consumado, a união é considerada indissolúvel. Não há base bíblica para o divórcio e um novo casamento enquanto ambos os parceiros ainda estão vivos.”

Alguém em um segundo matrimônio, sem ter estado viúvo ou solteiro, casando-se de novo, estará em pecado de adultério, correto? Como será salvo alguém numa situação trágica assim? Pois conheço várias pessoas crentes em tal situação... Dói-me o coração, entende? Uma tragédia eterna (condenação) que se avizinha, pois?

Obrigado por tudo, amado Josué.

Aliás, quando se consuma o casamento?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito importante, principalmente porque envolve duas verdades que precisamos manter juntas: a santidade do casamento e a grandeza da graça de Deus. Não devemos diminuir aquilo que a Palavra de Deus diz sobre o casamento, mas também não devemos transmitir a ideia de que alguém que caiu nesse pecado está necessariamente além do alcance da salvação. A Bíblia não ensina isso.

Primeiramente, preciso fazer uma pequena correção na maneira como a frase que você encontrou no site pode ser entendida. Quando se diz que “após o casamento ser consumado” a união é indissolúvel, alguém poderia entender que é a relação sexual que cria o casamento. Biblicamente, não devemos colocar a questão dessa maneira. A relação sexual é a consumação física do casamento, mas não é simplesmente o ato sexual que transforma duas pessoas em marido e mulher.

  1. Quando duas pessoas se tornam marido e mulher?

Precisamos voltar ao primeiro casamento registrado na Bíblia:

“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e se apegará à sua mulher, e serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24).

Observe a ordem. Ela já é chamada de “sua mulher”, e então aparece a expressão “serão ambos uma carne”. Quando o Senhor Jesus citou essa passagem, acrescentou:

“Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Portanto, o casamento não é constituído simplesmente pela relação sexual. Se assim fosse, qualquer relação sexual entre duas pessoas solteiras automaticamente constituiria um casamento, e a Bíblia não ensina isso.

Primeira aos Coríntios 6:16 mostra justamente a diferença. Paulo fala de um homem que se une sexualmente a uma prostituta e diz que os dois se tornam “um corpo”. Evidentemente, Paulo não está ensinando que aquele homem se casou com ela.

O casamento envolve um homem e uma mulher assumindo uma união matrimonial reconhecida como tal. A relação sexual posteriormente consuma fisicamente essa união.

Por isso, seria mais preciso dizer que, uma vez estabelecido o casamento, Deus considera aquele homem e aquela mulher unidos matrimonialmente, e a relação sexual é a expressão física e a consumação dessa união.

Isso também ajuda a compreender José e Maria. Antes de viverem juntos e antes da consumação física do casamento, Maria já é chamada de “mulher” de José, e José é chamado de “marido” (Mateus 1:18-20). Havia, no costume judaico, um compromisso matrimonial muito mais vinculativo do que aquilo que atualmente chamamos simplesmente de noivado.

  1. O casamento foi planejado para durar enquanto ambos vivem

Quando os fariseus perguntaram ao Senhor Jesus sobre o divórcio, Ele não começou por Moisés. Ele voltou à criação:

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez?” (Mateus 19:4).

Depois declarou:

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Quando perguntaram por que Moisés havia permitido carta de divórcio, o Senhor respondeu:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:8).

Esta última frase é muito importante: “ao princípio não foi assim”.

O padrão de Deus não é casamento, divórcio e novo casamento. O padrão apresentado desde Gênesis é um homem e uma mulher unidos por toda a vida.

Esse ensino aparece de maneira muito clara também em Marcos:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Lucas registra:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

Paulo ensina o mesmo princípio:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido” (Romanos 7:2-3).

E novamente:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (Primeira aos Coríntios 7:39).

Assim, dentro desse entendimento das Escrituras, a morte é que põe fim ao vínculo matrimonial e deixa o cônjuge sobrevivente livre para casar novamente.

  1. E se houver separação?

A própria Bíblia reconhece que podem surgir situações extremamente difíceis nas quais ocorre uma separação. Mas é muito significativo observar a orientação apostólica:

“Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” (Primeira aos Coríntios 7:10-11).

Veja as duas possibilidades apresentadas depois da separação:

“fique sem casar”

ou

“que se reconcilie”.

Não aparece uma terceira opção dizendo: “case-se com outra pessoa”.

Isso é importante porque mostra que a separação, por mais dolorosa que seja, não concede automaticamente liberdade para outro casamento.

  1. Então alguém no segundo casamento está irremediavelmente condenado?

Aqui precisamos ter muito cuidado.

Não devemos concluir: “Essa pessoa está em adultério, portanto não poderá ser salva”.

Se fizermos isso, estaremos indo além da Escritura.

A Bíblia realmente diz:

“Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros...” (Primeira aos Coríntios 6:9).

Isso é muito sério.

Mas precisamos continuar lendo:

“E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” (Primeira aos Coríntios 6:11).

Observe cuidadosamente:

“E é o que alguns têm sido.”

Entre os cristãos de Corinto havia pessoas cujo passado incluía pecados sexuais gravíssimos. Contudo, o Evangelho havia alcançado essas pessoas.

Foram lavadas.

Foram santificadas.

Foram justificadas.

Portanto, não existe fundamento bíblico para dizer que o adultério seja um pecado que o sangue de Cristo não possa purificar.

O sangue de Jesus Cristo é suficiente para purificar de todo pecado:

“O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (Primeira de João 1:7).

  1. Mas salvação envolve arrependimento

Aqui está o ponto que não podemos ignorar.

A graça de Deus perdoa o pecador, mas não transforma o pecado em algo aceitável.

Quando o Senhor Jesus tratou com a mulher samaritana, Ele revelou a situação dela:

“Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido” (João 4:18).

Que declaração impressionante!

O Senhor conhecia perfeitamente sua situação conjugal. Ainda assim, ofereceu-lhe a água da vida.

Portanto, aquela mulher não estava fora do alcance da graça.

Da mesma maneira, quando uma mulher foi apanhada em adultério, o Senhor lhe disse:

“Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais” (João 8:11).

Observe o equilíbrio perfeito.

Ele não disse que o pecado não importava.

Também não disse que aquela mulher estava além da possibilidade de perdão.

Disse:

“Não te condeno.”

Mas também:

“Não peques mais.”

Esse é o equilíbrio da graça e da verdade.

  1. E alguém que se converte estando num segundo casamento?

Esta é provavelmente a parte mais dolorosa da sua pergunta.

Imagine uma pessoa que passou muitos anos longe de Deus. Divorciou-se, casou novamente, teve filhos nesse segundo relacionamento e, muitos anos depois, ouviu o Evangelho e verdadeiramente se converteu.

O que fazer?

Primeiro, devemos afirmar claramente que ela pode ser salva.

O Evangelho não diz:

“Crê no Senhor Jesus Cristo, a menos que você tenha complicado demais a sua vida matrimonial.”

A mensagem é:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

O Senhor Jesus disse:

“O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37).

Portanto, jamais devemos dizer a uma pessoa sinceramente arrependida: “Para você não existe mais salvação”.

Isso seria negar o poder do Evangelho.

Entretanto, depois da conversão surge outra pergunta: como colocar a vida em conformidade com a Palavra de Deus?

E aqui a situação pode tornar-se extremamente dolorosa.

Se o primeiro cônjuge ainda vive, dentro do entendimento bíblico que estamos considerando, o segundo casamento não desfez o vínculo original. Por isso, não podemos simplesmente dizer que, depois da conversão, aquilo que anteriormente era contrário à Palavra de Deus automaticamente se tornou correto.

Primeira aos Coríntios 6:11 não diz: “E é o que alguns ainda continuam sendo”. Diz:

“E é o que alguns têm sido.”

Houve uma mudança.

É precisamente aí que entram o arrependimento, a obediência e, muitas vezes, consequências muito dolorosas.

  1. Isso significa que a pessoa deve abandonar todas as suas responsabilidades?

Não.

Essa questão precisa ser tratada com muita sabedoria, especialmente quando existem filhos.

Uma coisa é reconhecer biblicamente uma situação matrimonial irregular. Outra coisa é imaginar que arrependimento significa abandonar filhos, deixar pessoas sem sustento ou agir irresponsavelmente.

Um homem continua tendo responsabilidades para com os filhos que gerou. O arrependimento nunca é desculpa para irresponsabilidade.

Por isso, casos concretos podem ser extremamente complexos e precisam ser tratados individualmente, com muita oração, conhecimento dos fatos, temor de Deus e submissão às Escrituras.

Pode haver consequências materiais, familiares e emocionais que permanecerão durante muitos anos.

Deus perdoa o pecado, mas nem sempre remove todas as consequências temporais daquele pecado.

Davi foi perdoado quando confessou:

“Pequei contra o Senhor.”

Natã respondeu:

“Também o Senhor traspassou o teu pecado; não morrerás” (Segundo Samuel 12:13).

Davi foi perdoado, mas várias consequências de suas escolhas permaneceram.

  1. Portanto, essas pessoas estão caminhando inevitavelmente para a condenação eterna?

Eu não diria isso.

Não temos autoridade para olhar para determinadas pessoas que professam fé em Cristo e decretar individualmente: “Essas pessoas estão condenadas”.

A salvação é pela graça, mediante a fé:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9).

Ao mesmo tempo, a verdadeira salvação produz transformação:

“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras” (Efésios 2:10).

Portanto, existem dois erros que precisamos evitar.

O primeiro seria dizer: “Está num segundo casamento, então não existe mais salvação para essa pessoa.”

Isso não é verdade.

O segundo seria dizer: “Se professou fé em Cristo, então não importa como continua vivendo.”

Isso também não é verdade.

A graça que salva também ensina o salvo a renunciar à impiedade, conforme Tito 2:11-12.

  1. A diferença entre cair em pecado e viver deliberadamente no pecado

Isso também precisa ser compreendido.

Um verdadeiro cristão ainda pode pecar. Primeira de João 2:1 diz:

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.”

Observe que João diz “se alguém pecar”, e não que o cristão tenha licença para permanecer deliberadamente no pecado.

Existe diferença entre um cristão cair, confessar seu pecado, arrepender-se e buscar restauração, e alguém decidir que continuará conscientemente numa condição contrária à Palavra de Deus porque não deseja enfrentar as consequências da obediência.

A Escritura nunca apresenta a graça como autorização para continuar no pecado.

Paulo pergunta:

“Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante?”

E responde:

“De modo nenhum” (Romanos 6:1-2).

  1. Por isso, não devemos olhar para essas pessoas sem compaixão

Você escreveu uma frase que merece atenção:

“Dói-me o coração.”

E deve doer mesmo.

Mas essa dor não deve ser apenas medo da condenação. Deve produzir compaixão.

Existem pessoas que tomaram decisões erradas antes de conhecerem a Palavra de Deus. Algumas receberam orientações religiosas equivocadas. Outras chegaram a Cristo depois de décadas de uma vida completamente desorganizada.

Não devemos diminuir a verdade para aliviar a consciência delas. Mas também não devemos usar a verdade como uma pedra para esmagá-las.

Precisamos fazer o que o Senhor fazia: apresentar verdade e graça.

A Palavra diz:

“Chorai com os que choram” (Romanos 12:15).

Existem situações matrimoniais em que praticamente qualquer caminho envolve sofrimento. Nesses casos, não ajudamos ninguém simplesmente dizendo: “Você está condenado”.

Devemos levar a pessoa a Cristo, mostrar-lhe o Evangelho, ajudá-la a compreender as Escrituras e, depois, ajudá-la a enfrentar honestamente diante de Deus as consequências da sua situação.

  1. Há esperança até para quem arruinou completamente a própria vida

Talvez esta seja a parte mais importante da resposta.

Não existe uma vida tão complicada que Cristo seja incapaz de salvar.

Paulo escreveu:

“Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (Primeira a Timóteo 1:15).

Ele não veio salvar pessoas que conseguiram organizar perfeitamente suas vidas antes de chegar a Ele.

Ele veio salvar pecadores.

A cruz prova duas coisas ao mesmo tempo: quão terrível é o pecado e quão maravilhosa é a graça de Deus.

Se o pecado fosse uma coisa pequena, Cristo não precisaria morrer.

Mas se a graça de Deus fosse pequena, a morte de Cristo não seria suficiente para nós.

Por isso, quando você olha para conhecidos que estão nessa situação, não pense imediatamente: “Uma tragédia eterna se aproxima e não há mais esperança”.

Pense antes:

“Essas pessoas precisam conhecer profundamente a graça de Deus e também compreender seriamente aquilo que Sua Palavra ensina.”

Ore por elas.

Apresente-lhes Cristo.

Não esconda a verdade sobre o casamento, mas também não esconda a verdade sobre a cruz.

Há perdão para o adúltero.

Há perdão para o fornicário.

Há perdão para o ladrão.

Há perdão para o idólatra.

Há perdão para todo pecador que verdadeiramente se volta para Cristo.

Foi exatamente depois de mencionar vários desses pecados que Paulo escreveu aquelas palavras maravilhosas:

“E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” (Primeira aos Coríntios 6:11).

Portanto, devemos sustentar as duas verdades.

O casamento deve ser honrado e sua permanência defendida: “O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Mas o pecador também deve ouvir que existe um Salvador: “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (Primeira a Timóteo 1:15).

Não devemos tornar o pecado menor do que Deus diz que ele é.

Mas também nunca devemos tornar a graça de Deus menor do que ela realmente é.

Josué Matos

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Efésios 12 referências ao Espírito Santo. Em 1:17, fiquei pensando sobre. Espírito Santo sempre aparece com letra maiúscula, menos neste texto.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

O professor menciona no estudo em Efésios 12 referências ao Espírito Santo. Em 1:17, fiquei pensando sobre. Espírito Santo sempre aparece com letra maiúscula, menos neste texto.

Poderia esclarecer melhor?

O objetivo é esse. A Palavra sempre terá a primazia.

Minha Resposta:

Sim, entendi perfeitamente a sua dúvida, e a sua observação sobre Efésios 1:17 é muito boa.

O texto diz:

“Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação” (Efésios 1:17).

A questão é: por que algumas Bíblias trazem “espírito” com letra minúscula, enquanto o estudo inclui este versículo entre as referências ao Espírito Santo?

Primeiramente, precisamos entender um detalhe importante: essa diferença entre “Espírito” e “espírito” não resolve a questão no texto original. O grego antigo dos manuscritos do Novo Testamento não fazia essa distinção da maneira como fazemos hoje nas nossas traduções. Portanto, colocar “Espírito” com maiúscula ou “espírito” com minúscula já envolve uma decisão de interpretação por parte dos tradutores.

A expressão de Efésios 1:17 pode, de fato, ser entendida de duas maneiras.

Alguns entendem “espírito de sabedoria e de revelação” como uma disposição ou capacidade espiritual concedida ao crente, isto é, um espírito caracterizado pela sabedoria e pelo entendimento das coisas divinas.

Outros, porém, entendem que Paulo está falando do próprio Espírito Santo exercendo uma função específica: Ele é o Espírito que concede sabedoria e revelação no conhecimento de Deus.

Creio que esta segunda interpretação explica por que o professor inclui Efésios 1:17 entre as referências ao Espírito Santo em Efésios.

Observe o contexto.

Poucos versículos antes, Paulo já havia falado claramente do Espírito Santo:

“...tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança...” (Efésios 1:13-14).

Portanto, os efésios já possuíam o Espírito Santo. Paulo não está orando para que eles recebam o Espírito Santo como se ainda não O tivessem. Eles já haviam sido selados com Ele quando creram.

Em Efésios 1:17, a oração é para que o Espírito que já habitava neles operasse dando-lhes sabedoria e entendimento espiritual para conhecerem mais profundamente a Deus e compreenderem aquilo que Deus havia realizado em Cristo.

Isso fica ainda mais claro no versículo seguinte:

“Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” (Efésios 1:18).

Portanto, a ideia não é receber uma nova revelação além das Escrituras. Trata-se de iluminação espiritual para compreender aquilo que Deus já revelou.

Existe uma diferença importante entre revelação e iluminação.

Deus revelou Sua verdade por meio dos apóstolos e profetas, e essa revelação nos foi comunicada nas Escrituras. O Espírito Santo, porém, também opera no crente dando-lhe entendimento espiritual da verdade revelada.

Paulo explica esse princípio em 1 Coríntios 2:10-12:

“Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. [...] Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.”

E acrescenta:

“Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Coríntios 2:12).

Isso combina perfeitamente com Efésios 1:17-18. É o Espírito Santo quem capacita o crente a compreender espiritualmente as coisas de Deus.

Há ainda uma passagem muito interessante no Antigo Testamento. Isaías, falando profeticamente do Messias, diz:

“E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Isaías 11:2).

Perceba a semelhança da linguagem: “Espírito do Senhor” e “espírito de sabedoria”. Portanto, chamar o Espírito Santo de Espírito de sabedoria está perfeitamente de acordo com a linguagem bíblica.

Assim, quando o estudo afirma que existem doze referências ao Espírito Santo em Efésios e inclui Efésios 1:17, está interpretando “espírito de sabedoria e de revelação” como uma referência ao Espírito Santo em Sua atividade de proporcionar sabedoria, revelação e iluminação para conhecermos melhor a Deus.

Entretanto, é importante reconhecer que existe outra interpretação possível. Alguns entendem que “espírito” aqui se refere ao espírito humano do crente, ou à sua capacidade espiritual, sendo iluminado pelo Espírito Santo. Mesmo nessa interpretação, a sabedoria e a iluminação continuam tendo sua origem no Espírito de Deus.

Por isso, eu não fundamentaria a doutrina do Espírito Santo apenas na letra maiúscula ou minúscula de uma tradução. A doutrina precisa ser estabelecida pelo contexto e pelo conjunto das Escrituras.

E aqui está, creio eu, a principal verdade do texto: Paulo não está pedindo que os efésios simplesmente acumulem informações bíblicas. Ele deseja que aquilo que Deus revelou seja espiritualmente compreendido e transforme a maneira como eles enxergam a sua posição em Cristo.

Por isso a oração continua:

“Para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; e qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos” (Efésios 1:18-19).

Podemos conhecer as palavras e ainda precisar compreender melhor a grandeza das verdades que elas comunicam. É justamente aí que vemos a necessidade da atuação do Espírito Santo.

Portanto, resumindo: a letra minúscula em algumas traduções não significa que necessariamente não seja o Espírito Santo. Trata-se de uma decisão interpretativa do tradutor. Há duas interpretações possíveis para Efésios 1:17, mas o estudo que você está lendo entende a expressão como referência ao Espírito Santo, especialmente em Sua função de conceder sabedoria e iluminação para o conhecimento de Deus.

E concordo plenamente com aquilo que você disse: a Palavra sempre terá a primazia. Todo comentário, estudo ou explicação deve ser julgado por ela. “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21).

Josué Matos

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Estava olhando aqui no meu Kindle. Adquiri bastante material da sua autoria, inclusive o estudo sobre Efésios.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Estava olhando aqui no meu Kindle. Adquiri bastante material da sua autoria, inclusive o estudo sobre Efésios.

Material excelente.

Minha Resposta:

Muito obrigado pelas suas palavras e pelo incentivo. Fico muito contente em saber que o material tem sido útil e, especialmente, que você adquiriu e está lendo o estudo sobre a Epístola aos Efésios.

Sempre considero importante lembrar que todo material cristão deve ter como objetivo conduzir o leitor de volta à própria Palavra de Deus. Um livro, comentário ou estudo bíblico pode ajudar a organizar os pensamentos, esclarecer o contexto e chamar a atenção para determinados detalhes, mas a autoridade permanece sendo a Palavra de Deus.

A Epístola aos Efésios é particularmente preciosa porque nos apresenta algumas das verdades mais elevadas do Novo Testamento. Logo no início, Paulo escreve: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Efésios 1:3).

É maravilhoso perceber que, antes de tratar da caminhada cristã, Paulo apresenta aquilo que Deus fez por nós e aquilo que possuímos em Cristo. Somos escolhidos nEle (Efésios 1:4), feitos agradáveis no Amado (Efésios 1:6), temos redenção pelo Seu sangue e perdão dos pecados (Efésios 1:7), fomos selados com o Espírito Santo da promessa (Efésios 1:13) e recebemos uma esperança e uma herança que procedem de Deus (Efésios 1:18).

Depois, a epístola mostra a grandeza da graça de Deus na nossa salvação. Estávamos “mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2:1), mas Deus, sendo rico em misericórdia e por causa do Seu grande amor, nos vivificou juntamente com Cristo (Efésios 2:4-5). Por isso, a salvação não é apresentada como resultado do mérito humano: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9).

Efésios também apresenta de maneira maravilhosa a Igreja como o Corpo de Cristo, tendo Cristo como seu Cabeça. Paulo fala da Igreja como “seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efésios 1:22-23). Mais adiante, aprendemos que os salvos são unidos em um só Corpo (Efésios 2:16; 4:4) e que Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela (Efésios 5:25).

Mas a verdade doutrinária nunca deve permanecer apenas em nosso conhecimento. Por isso, depois de apresentar essas grandes verdades nos três primeiros capítulos, Paulo começa a parte prática dizendo: “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados” (Efésios 4:1).

Esse “pois” é muito importante. Em outras palavras: diante de tudo aquilo que Deus fez por nós, como devemos viver?

A resposta ocupa a segunda metade da epístola. Devemos andar em humildade, mansidão e longanimidade (Efésios 4:2); preservar a unidade do Espírito (Efésios 4:3); abandonar a velha maneira de viver (Efésios 4:22); revestir-nos do novo homem (Efésios 4:24); andar em amor (Efésios 5:2); andar como filhos da luz (Efésios 5:8); andar prudentemente (Efésios 5:15); e, finalmente, permanecer firmes no Senhor, revestidos de toda a armadura de Deus (Efésios 6:10-18).

Portanto, conhecer Efésios não é somente conhecer uma grande doutrina. É compreender melhor nossa posição em Cristo para que essa posição produza uma vida correspondente aqui neste mundo.

Fico agradecido por saber que você tem adquirido outros materiais também. Comentários como o seu servem de encorajamento para continuar preparando conteúdos bíblicos. Entretanto, toda a glória deve ser dada ao Senhor. Como Paulo escreveu: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2:10).

Que o Senhor continue usando Sua Palavra para edificar sua vida, aumentar seu conhecimento de Cristo e produzir frutos para a Sua glória. Minha oração é a mesma que encontramos em Efésios: que Deus conceda “espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele”, tendo iluminados os olhos do entendimento (Efésios 1:17-18), e que possamos continuar crescendo “na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18).

Muito obrigado pelo carinho, pela confiança e pelo incentivo.

Josué Matos

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João 20:17 deixa claro o seguinte: o espírito só sobe após a ressurreição, e não antes dela?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Perdoe-me, acho que não fui claro na minha colocação. Eu não disse que você havia afirmado que Jesus tinha pressa, mas eu quis dizer que a pressa fica evidente ao ler João 20:17. Porém, a sua resposta para esse trecho que diz: ‘Não me detenhas’ seria porque Ele ainda não havia sido glorificado, ao passo que eu disse que isso não faria sentido, pois, após deixar Maria Madalena, Jesus volta a aparecer no mesmo dia à tarde; depois, só aparece oito dias depois, vindo a ser glorificado quase 40 dias depois, conforme você mesmo afirma.

Então, podemos concluir que a pressa de Jesus não era por causa daquele glorioso dia em que Ele sobe na presença de todos, mas para nos deixar claro que Ele ainda não havia se apresentado a Deus, fato esse que pode ter acontecido logo após deixar Maria.

Pois bem, João 20:17 deixa claro o seguinte: o espírito só sobe após a ressurreição, e não antes dela. E isso fica claro quando Paulo afirma, em 1 Coríntios 15, que, sem a ressurreição, estaríamos perdidos. Ora, se o espírito já está com Deus, como, pois, estaríamos perdidos sem a ressurreição?

Em relação a Cristo assumir diferentes corpos, nós sabemos que, para Ele, tudo é possível, pois foi Ele quem ressuscitou Lázaro num corpo carnal; porém, no nosso caso, ressuscitar-nos-á num corpo espiritual ou em espírito.

Assim, voltando aos dois discípulos no caminho de Emaús, se, por um lado, Lucas afirma que era como se eles tivessem escamas nos olhos, por outro, Marcos diz que Jesus aparece em outra forma, o que deixa entender que Ele pode ter aparecido em outro corpo, não reconhecido pelos dois. Veja:

‘Depois disso, Jesus se apresentou com outra aparência a dois discípulos que iam caminhando para o campo. Eles voltaram e foram contar isso aos outros discípulos, e estes não acreditaram no que os dois disseram.’ (Marcos 16:12-13, versão Gateway).

Minha Resposta:

Obrigado pelo esclarecimento. Agora compreendi melhor o seu argumento. Entretanto, creio que precisamos separar alguns assuntos que estão sendo colocados juntos: a ascensão do Senhor Jesus, o destino do Seu espírito quando morreu, a necessidade da ressurreição e a natureza do corpo ressurreto.

  1. João 20:17 não ensina uma ascensão secreta naquele mesmo dia

O ponto principal está nas próprias palavras do Senhor:

“Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20:17).

A expressão “não me detenhas” não significa necessariamente: “Não me toque porque preciso subir imediatamente ao céu”. A ideia é de não continuar segurando, prendendo-se ou apegando-se fisicamente a Ele.

Isso fica ainda mais claro porque o próprio Senhor permitiu contato físico depois da ressurreição.

Em Mateus 28:9, as mulheres “abraçaram os seus pés e o adoraram”. Em Lucas 24:39, o Senhor disse:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.”

E, em João 20:27, disse a Tomé:

“Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; e chega a tua mão e põe-na no meu lado.”

Portanto, João 20:17 não pode significar simplesmente que Maria estava proibida de tocar no corpo de Cristo porque Ele ainda não havia se apresentado ao Pai.

Há também outro problema. Não encontramos nenhum texto das Escrituras afirmando que Cristo subiu secretamente ao céu naquela manhã, apresentou-Se ao Pai e depois voltou à terra.

Ao contrário, a ascensão é apresentada nas Escrituras como um acontecimento definido, ocorrido depois do período em que Cristo ressurreto apareceu aos discípulos.

Lucas escreve:

“Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias” (Atos dos Apóstolos 1:3).

Depois:

“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos” (Atos dos Apóstolos 1:9).

Assim, não vejo fundamento bíblico suficiente para introduzir outra ascensão entre João 20:17 e João 20:19. A Bíblia registra uma ascensão corporal de Cristo ao céu depois das Suas aparições durante aqueles quarenta dias.

  1. O espírito de Cristo foi ao Pai quando Ele morreu

Aqui está, talvez, o ponto principal da nossa diferença.

João 20:17 não diz: “Meu espírito ainda não foi ao Pai”. Cristo diz:

“Ainda não subi para meu Pai.”

Ascensão e entrega do espírito não são a mesma coisa.

Na cruz, as últimas palavras do Senhor são muito importantes:

“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46).

Imediatamente depois, Lucas acrescenta:

“E, havendo dito isto, expirou.”

Portanto, não me parece possível usar João 20:17 para afirmar que o espírito de Cristo somente foi ao Pai depois da ressurreição, porque Lucas 23:46 indica exatamente o contrário.

Isso também está de acordo com a promessa feita ao ladrão:

“Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43).

Observe a palavra “hoje”.

O corpo de Cristo foi colocado no sepulcro, mas isso não significa que Sua existência pessoal cessou até a ressurreição. O Senhor entregou Seu espírito ao Pai.

Encontramos algo semelhante na morte de Estêvão:

“Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (Atos dos Apóstolos 7:59).

Portanto, precisamos distinguir entre o estado da pessoa após a morte e a futura ressurreição do corpo.

  1. Se o espírito está com Cristo, por que ainda precisamos da ressurreição?

Essa é uma excelente pergunta, mas 1 Coríntios 15 não ensina que a existência consciente do crente começa somente na ressurreição.

Paulo ensina claramente:

“Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5:8).

Observe a distinção: deixar o corpo e estar com o Senhor.

Em Filipenses 1:23, Paulo também escreve:

“Tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.”

Se a pessoa permanecesse inexistente ou inconsciente até a ressurreição, seria difícil compreender por que Paulo consideraria “partir e estar com Cristo” algo “muito melhor”.

A ressurreição é necessária porque a salvação que Deus planejou para o homem não consiste simplesmente na sobrevivência do espírito ou da alma.

Deus criou o homem como um ser completo. A morte produz uma separação anormal entre a parte material e a parte imaterial do homem. A ressurreição desfaz definitivamente essa obra da morte.

Por isso Paulo escreve:

“Esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8:23).

Portanto, quando um salvo morre, ele está com Cristo, mas ainda aguarda a ressurreição do seu corpo.

É exatamente por isso que 1 Tessalonicenses 4:16 diz:

“Os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.”

Depois haverá a reunião definitiva:

“E assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:17).

  1. Então, por que Paulo diz que sem a ressurreição estaríamos perdidos?

Porque, em 1 Coríntios 15, Paulo está demonstrando as consequências de negar a ressurreição.

Ele não está dizendo que a alma ou o espírito permanecem no cadáver até a ressurreição.

O argumento começa em 1 Coríntios 15:12:

“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?”

Paulo então demonstra a consequência lógica:

“E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou” (1 Coríntios 15:13).

E:

“E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Coríntios 15:17).

Este é o ponto.

Se não existe ressurreição, então Cristo também não ressuscitou. Se Cristo não ressuscitou, o Evangelho é falso, a fé cristã é vã e não existe salvação.

Mas Paulo imediatamente declara:

“Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20).

A ressurreição de Cristo é a garantia da nossa própria ressurreição.

Portanto, não há qualquer contradição entre dizer que o crente que morre está com Cristo e afirmar que ele ainda precisa da ressurreição.

  1. “Corpo espiritual” não significa “ser apenas espírito”

Aqui também precisamos fazer uma distinção importante.

Paulo escreve:

“Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual” (1 Coríntios 15:44).

Observe que Paulo não diz:

“Semeia-se um corpo e ressuscita um espírito.”

Ele diz:

“ressuscitará corpo espiritual.”

Continua sendo corpo.

“Espiritual” descreve a natureza e a condição daquele corpo, não significa que o corpo deixe de ser corpo e se transforme simplesmente em espírito.

Isso fica absolutamente claro no próprio Senhor Jesus ressuscitado.

Ele disse:

“Um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24:39).

Cristo ressurreto tinha um corpo verdadeiro. Ele podia ser visto, tocado e reconhecido. Ele também comeu diante dos discípulos:

“Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado e um favo de mel; o que ele tomou e comeu diante deles” (Lucas 24:42-43).

Todavia, aquele corpo não estava mais sujeito às limitações da mortalidade.

Assim também será conosco.

Paulo explica:

“Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia; ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza; ressuscitará com vigor” (1 Coríntios 15:42-43).

E Filipenses 3:21 acrescenta que Cristo:

“Transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso.”

Portanto, não seremos ressuscitados “em espírito”, no sentido de deixarmos de possuir corpo. Receberemos um corpo ressurreto, glorificado, incorruptível e imortal.

  1. Lázaro e Cristo não tiveram o mesmo tipo de ressurreição

Também precisamos fazer essa distinção.

Lázaro foi trazido novamente à vida física, mas voltou à condição mortal. Por isso saiu do sepulcro ainda:

“Ligado de pés e mãos com faixas” (João 11:44).

Lázaro voltou à vida que possuía anteriormente e posteriormente morreu.

A ressurreição de Cristo é diferente.

Cristo:

“Ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele” (Romanos 6:9).

Por isso Cristo é chamado:

“As primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20).

Sua ressurreição inaugura uma nova ordem.

  1. E quanto aos discípulos no caminho de Emaús?

Aqui precisamos ler Lucas e Marcos juntos, e não fazer um texto eliminar o outro.

Lucas diz:

“Os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem” (Lucas 24:16).

Mais tarde:

“Abriram-se-lhes, então, os olhos, e o conheceram” (Lucas 24:31).

Portanto, Lucas atribui o não reconhecimento deles a uma ação sobre a percepção dos próprios discípulos.

Marcos 16:12 acrescenta:

“E, depois, manifestou-se em outra forma a dois deles que iam de caminho para o campo.”

Isso pode indicar uma aparência diferente, mas não nos autoriza a concluir que Cristo assumiu “outro corpo”.

O texto diz “outra forma” ou “outra aparência”; não diz “outro corpo”.

Essa distinção é importante.

O próprio relato de Lucas identifica continuamente a Pessoa que caminhava com eles como Jesus:

“O próprio Jesus se aproximou e ia com eles” (Lucas 24:15).

Não diz que Jesus criou ou assumiu outro corpo.

Além disso, quando apareceu aos discípulos naquele mesmo dia, fez questão de demonstrar a identidade e continuidade do Seu corpo:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo” (Lucas 24:39).

“Sou eu mesmo” é uma expressão muito significativa.

Não era outro Cristo nem outro corpo assumido temporariamente. Era o mesmo Jesus que havia sido crucificado, agora ressuscitado e glorificado.

As marcas das Suas mãos, pés e lado confirmavam essa continuidade (João 20:20,27).

  1. A ressurreição não é uma sucessão de corpos diferentes

Se dissermos que Cristo simplesmente assumia corpos diferentes depois da ressurreição, enfraquecemos justamente uma das grandes verdades que os Evangelhos procuram demonstrar: o túmulo estava vazio porque o corpo que havia sido crucificado foi ressuscitado.

Quando as mulheres chegaram ao sepulcro, receberam a mensagem:

“Não está aqui, porque já ressuscitou” (Mateus 28:6).

Se o corpo colocado no túmulo permanecesse ali e Cristo simplesmente assumisse outro, isso não seria ressurreição daquele corpo.

Da mesma maneira, Pedro declara acerca de Cristo:

“Nem a sua carne viu a corrupção” (Atos dos Apóstolos 2:31).

A identidade corporal é preservada, embora a condição do corpo seja completamente transformada.

É exatamente a figura empregada por Paulo em 1 Coríntios 15:36-38. Uma semente é colocada na terra e dela surge algo numa condição muito superior, porém existe continuidade de identidade.

  1. O que significa, então, “não me detenhas”?

O sentido parece estar ligado à nova relação que estava começando.

Maria conhecera Cristo segundo Sua presença física aqui na terra. Quando percebeu que Ele estava vivo, naturalmente desejou segurá-Lo, como se a antiga convivência fosse simplesmente continuar.

Mas não seria assim.

Cristo ressuscitou e estava caminhando para Sua ascensão ao Pai. Uma nova ordem estava começando.

Por isso Ele disse:

“Não me detenhas.”

Em outras palavras, Maria não deveria pensar que a relação com Ele continuaria simplesmente como antes da cruz. Ele subiria ao Pai, e os discípulos passariam a conhecê-Lo numa nova relação, associada à Sua posição celestial.

Isso combina perfeitamente com o que Ele já havia ensinado antes da cruz:

“Convém-vos que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei” (João 16:7).

  1. A sequência bíblica permanece muito clara

Podemos resumir assim:

Cristo morreu → entregou Seu espírito ao Pai (Lucas 23:46).

Seu corpo foi colocado no sepulcro (João 19:40-42).

Ao terceiro dia, Ele ressuscitou corporalmente (Lucas 24:6; 1 Coríntios 15:4).

Durante quarenta dias apresentou-Se vivo aos discípulos com muitas provas (Atos dos Apóstolos 1:3).

Depois ascendeu corporal e visivelmente ao céu (Atos dos Apóstolos 1:9-11).

Foi exaltado à direita de Deus (Atos dos Apóstolos 2:32-33).

Não precisamos inserir entre esses acontecimentos uma ascensão secreta na manhã da ressurreição, porque nenhum texto bíblico afirma que ela ocorreu.

Da mesma forma, quanto ao salvo, a sequência bíblica é:

Ele morre → deixa o corpo e está com Cristo (2 Coríntios 5:8; Filipenses 1:23).

Seu corpo aguarda a ressurreição.

Na vinda do Senhor, os mortos em Cristo ressuscitarão (1 Tessalonicenses 4:16).

O corpo será transformado em incorruptibilidade e glória (1 Coríntios 15:42-44,51-53).

Finalmente, estaremos completos e para sempre com o Senhor (1 Tessalonicenses 4:17).

Portanto, concordo que Marcos 16:12 mostra uma mudança na aparência sob a qual Cristo Se manifestou aos discípulos de Emaús. O que não creio que possamos concluir é que se tratava de “outro corpo”. Também concordo plenamente que 1 Coríntios 15 torna a ressurreição absolutamente indispensável. Porém, isso não significa que o espírito do salvo permaneça no sepulcro aguardando a ressurreição. A Escritura distingue claramente o estado consciente com Cristo após a morte da futura ressurreição do corpo.

A esperança cristã não é simplesmente que nosso espírito sobreviva à morte. É muito maior: Cristo venceu a própria morte, ressuscitou corporalmente e, por causa da Sua vitória, também ressuscitará os Seus. Por isso Paulo encerra essa grande revelação dizendo:

“Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1 Coríntios 15:54-55).

A ressurreição é a vitória completa de Deus sobre a morte.

Josué Matos

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