Alguém que me escreveu no YouTube:
Por isso que creio no arrebatamento depois da grande tribulação, porque a primeira ressurreição, que é a dos Santos, ocorre depois da grande tribulação, em Apocalipse 20.
Minha Resposta:
A chave para entender Apocalipse 20 é lembrar que ali não começa a primeira ressurreição — ali ela é apenas vista em visão profética. A Bíblia nunca ensina que a primeira ressurreição ocorre naquele momento depois da Grande Tribulação; ela ensina que a primeira ressurreição é uma categoria, não um único evento.
A própria Escritura mostra que a primeira ressurreição acontece em fases, ao longo do plano de Deus, antes e até depois da Tribulação. Vejamos com calma:
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O Senhor Jesus Cristo já ressuscitou dentre os mortos como “as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20). Isso já é parte da primeira ressurreição.
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Muitos santos do Antigo Testamento ressuscitaram quando Cristo ressuscitou (Mateus 27:52-53). Eles também pertencem à primeira ressurreição.
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A ressurreição dos salvos da presente dispensação ocorre no arrebatamento, quando “os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16). Isso também é parte da primeira ressurreição.
Apocalipse 20 não diz que a primeira ressurreição acontece naquele ponto; diz apenas que os mártires mortos durante a Tribulação também ressuscitam e participam da primeira ressurreição, porque estão no mesmo grupo: o grupo dos justos.
Isto é confirmado pela própria explicação do Apocalipse:
“Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição” (Apocalipse 20:5-6).
Observe: parte (ou “porção”). Não diz: “este é o momento em que acontece”.
Diz: “estes fazem parte do mesmo grupo”.
Portanto, os mártires da Tribulação não inauguram a primeira ressurreição; eles se unem a uma ressurreição que já começou:
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com Cristo (as primícias),
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continuou com alguns santos em Mateus 27,
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continua com a Igreja arrebatada antes da Tribulação,
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e culmina com os mártires e santos da Tribulação.
Se Apocalipse 20 fosse a primeira vez que os justos ressuscitam, então o apóstolo Paulo estaria errado quando afirmou:
“Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16).
Mas Paulo escrevia a respeito do arrebatamento, antes da Tribulação.
Além disso, se todos os salvos só fossem ressuscitar após a Tribulação, não existiria:
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arrebatamento,
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nem tribunal de Cristo,
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nem bodas do Cordeiro (Apocalipse 19),
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todas as quais acontecem no céu, antes da manifestação gloriosa.
Apocalipse 20, então, não está em conflito com o arrebatamento pré-tribulacional. Ele apenas mostra que os mártires da Tribulação não ficarão de fora da primeira ressurreição — eles são acrescentados ao grupo dos justos, mas não definem o seu início.
A distinção bíblica é simples:
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Primeira ressurreição = ressurreição dos justos, em etapas.
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Segunda ressurreição = ressurreição dos ímpios, ao final do milênio.
Assim, a ressurreição de Apocalipse 20 não determina o momento do arrebatamento; determina apenas a inclusão dos santos martirizados no mesmo grupo de bem-aventurados que já ressuscitaram antes.