Alguém que me escreveu no YouTube:
A PAZ DO SENHOR PRESBÍTERO, NO CASO SE UMA PESSOA É ABANDONADA PELO CÔNJUGE NA SUA MOCIDADE, COMO A PESSOA VAI PAGAR O PREÇO DE FICAR SOZINHO(A), POR UMA INCONSEQUÊNCIA E FALTA DE TEMOR A DEUS DE UMA OUTRA PESSOA, O PRÓPRIO APÓSTOLO PAULO DISSE QUE NO CASO DE ABANDONO O IRMÃO OU IRMÃ FICAM LIVRES. 1 Coríntios 7: 15 Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz. 27 Estás ligado à mulher? Não busques separar-te. Estás livre de mulher? Não busques mulher. 28 Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos.
Minha Resposta:
A tua pergunta é muito importante, e exige que leiamos toda a orientação bíblica do apóstolo Paulo, e não apenas uma frase isolada. O Senhor conhece perfeitamente a dor de quem foi abandonado por um cônjuge, e nunca trata essa situação com indiferença. A Palavra não exige que alguém “pague o preço” pelo pecado do outro. Porém, também não nos autoriza a tomar decisões que contradigam aquilo que Deus estabeleceu no princípio.
O ensino do Novo Testamento sobre casamento, abandono e “liberdade” está em 1 Coríntios 7, e precisa ser lido com atenção.
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Quando Paulo diz que o irmão ou irmã “não está sujeito à servidão” (1 Coríntios 7:15), ele não está ensinando que a pessoa pode casar-se de novo, mas que não está obrigada a lutar pela manutenção de um vínculo que o incrédulo rejeitou.
Ou seja: a pessoa fica livre do dever conjugal, mas não livre para contrair novo casamento. -
A “paz” mencionada no versículo não é autorização para um novo vínculo, mas a cessação de um conflito impossibilitado pela recusa do cônjuge incrédulo.
É liberdade de perseguição e de opressão, não liberdade para um novo matrimônio. -
O próprio apóstolo Paulo, no mesmo capítulo, interpreta o que significa estar “livre”:
“Estás ligado à mulher? Não busques separar-te.
Estás livre de mulher? Não busques mulher.”
(1 Coríntios 7:27)Aqui, “livre” significa não casado — seja por viuvez, seja por nunca ter casado. E mesmo nessa condição, Paulo recomenda prudência: “não busques mulher”.
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Tanto é assim, que no versículo seguinte ele explica:
“Mas, se te casares, não pecas…” (1 Coríntios 7:28)
Quem são os que “não pecam” ao casar-se?
Os solteiros e as viúvas, conforme todo o contexto do capítulo (1 Coríntios 7:8,9 e 7:39, onde a viúva pode casar-se novamente, mas somente “no Senhor”).Não há, em todo o capítulo, qualquer autorização para recasamento de alguém que foi abandonado, mas cujo cônjuge ainda vive.
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O próprio Senhor Jesus reforça o princípio:
“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
(Evangelho segundo Mateus 19:6)Nenhum apóstolo poderia contradizer o que o Senhor estabeleceu. E Paulo não contradisse.
Mas então… é justo que alguém fique sozinho por causa do pecado do outro?
A Bíblia não coloca essa situação em termos de justiça humana, mas de fidelidade ao que Deus estabeleceu desde a criação. O Senhor sabe perfeitamente quem foi culpado, quem sofreu, e quem está pagando o preço do abandono. E Ele mesmo se apresenta como o defensor dos injustiçados.
A Bíblia que trata desse assunto mostra com clareza que o crente abandonado:
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não é culpado pelo pecado do outro;
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não está obrigado a conviver com perseguição ou opressão;
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não está em servidão, ou seja, não tem mais obrigações conjugais para com quem o abandonou;
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mas permanece ligado pelo vínculo que Deus estabeleceu, enquanto ambos viverem.
A dor é real, mas a Palavra é clara: o casamento é indissolúvel aos olhos de Deus enquanto ambos viverem.
O Senhor nunca exige que alguém “pague o preço” pelo erro do outro — Ele mesmo conhece e recompensará a fidelidade. Não há castigo em permanecer fiel ao que Deus estabeleceu; há segurança, honra e paz diante d’Aquele que julga com justiça.
A promessa dEle permanece firme:
“Deus chamou-nos para a paz.”
(1 Coríntios 7:15)
A paz não vem de um novo casamento, mas da consciência tranquila diante da vontade do Senhor.
Sei que este assunto é sensível e envolve lágrimas, feridas e história de vida. Mas precisamente por isso precisamos repousar na sabedoria do Senhor, que nunca erra quando orienta os Seus filhos.
Que Ele te fortaleça, console e sustente.
E que, acima de tudo, te dê a paz que excede todo o entendimento.