Áudios

Pesquisar este blog

Então, podemos afirmar que há uma consciência da alma após a morte?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Boa tarde, Sr. Josué Matos! Tudo bem contigo? Espero que sim. Então, podemos afirmar que há uma consciência da alma após a morte? Que lugar necessariamente ficamos e o que fazemos durante esse tempo de espera até a ressurreição eterna? Desculpe, sou pouco conhecedor ainda. Abraços.

Minha Resposta:

Boa tarde! Tudo bem, sim, graças a Deus. Fico muito feliz pela sua pergunta, porque ela é sincera e demonstra desejo de compreender melhor as verdades das Escrituras. Não precisa pedir desculpas; todos nós estamos em constante aprendizado.

A Bíblia ensina claramente que há consciência após a morte. A morte física não é o fim da existência, mas a separação entre o corpo e a alma (ou espírito). O corpo retorna ao pó, mas a alma continua viva e consciente. Isso fica evidente em vários textos bíblicos.

O Senhor Jesus deixou isso muito claro quando falou da morte, especialmente no relato do rico e de Lázaro. Ambos morreram, e ambos estavam conscientes após a morte: um em conforto, o outro em tormento, ambos capazes de lembrar, reconhecer, sentir e até dialogar. Isso mostra que não existe um “sono da alma” inconsciente após a morte.

O apóstolo Paulo também confirma essa verdade quando diz que preferia “partir e estar com Cristo”, o que só faria sentido se houvesse consciência imediata após a morte. Ele também afirma que estar ausente do corpo é estar presente com o Senhor. Portanto, para o crente, a morte não é um estado de inconsciência, mas uma entrada consciente na presença de Cristo.

Quanto ao lugar onde ficamos, a Escritura mostra que há dois destinos distintos no estado intermediário (isto é, o período entre a morte e a ressurreição):

  1. Para os salvos em Cristo
    A alma do crente vai imediatamente para a presença do Senhor. Esse lugar é chamado, nas Escrituras, de Paraíso ou Céu. Foi isso que o Senhor Jesus prometeu ao ladrão arrependido na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Não é um estado de espera em sofrimento ou confusão, mas de descanso, consolação e comunhão com Cristo. Ainda não é o estado final com o corpo glorificado, mas é um estado consciente, bendito e seguro.

  2. Para os que morrem sem Cristo
    A alma vai para um lugar de espera em tormento, chamado Hades. É um lugar real, consciente, onde não há possibilidade de arrependimento ou mudança de destino. Ali também há memória, consciência e expectativa do juízo final.

E o que fazemos durante esse tempo de espera até a ressurreição?
A Bíblia não nos dá muitos detalhes sobre todas as atividades nesse estado intermediário, mas deixa claro alguns pontos importantes:

– Há consciência plena.
– Há lembrança da vida passada.
– Há percepção da condição em que se está (consolo ou tormento).
– Há expectativa do futuro.

No caso dos salvos, há descanso, alegria e comunhão com o Senhor, aguardando a ressurreição do corpo, quando alma e corpo serão reunidos em glória. No caso dos ímpios, há tormento e expectativa do juízo final.

A ressurreição não cria a vida eterna; ela completa a redenção. O crente já possui vida eterna agora, e após a morte essa vida continua. Na ressurreição, o corpo será transformado e glorificado, adequado para a eternidade, assim como o Senhor Jesus ressuscitou.

Portanto, podemos afirmar com segurança bíblica:
– Sim, há consciência após a morte.
– A alma não deixa de existir nem entra em um “sono inconsciente”.
– O destino imediato depende da relação da pessoa com Cristo.
– Todos aguardam a ressurreição, mas em estados completamente distintos.

Espero que isso ajude a clarear um pouco esse assunto tão importante. Continue perguntando, estudando e buscando na Palavra. É assim que crescemos no conhecimento do Senhor.

Um abraço fraterno.

Josué Matos

Meu amigo, você não sabe o que é um anacronismo

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Meu amigo, você não sabe o que é um anacronismo. Cronologicamente, ninguém vai morrer para ser salvo e outro para ser condenado que exercesse mais errado Marcos 10:30. Nós nascemos no século vindouro, aí vêm estes pastores e fazem um anacronismo.   O que eles querem é o seu dinheiro, oferta e dízimo.

Minha Resposta:

Meu amigo, compreendo a sua preocupação com o uso correto dos termos e com os abusos que infelizmente existem no meio religioso. No entanto, é importante tratar o assunto com precisão bíblica e também com equilíbrio.

Primeiro, quanto ao uso do termo “anacronismo”: ele ocorre quando se transporta um conceito de uma época para outra de forma indevida. O Novo Testamento, porém, não faz isso ao tratar da salvação. Pelo contrário, ele apresenta de forma clara a distinção entre o “já” e o “ainda não” da obra de Deus. A salvação possui aspectos passados, presentes e futuros, sem qualquer contradição cronológica.

A Escritura afirma que já fomos salvos pela graça mediante a fé, como lemos em Efésios 2:8. Também afirma que estamos sendo salvos no presente, como em 1 Coríntios 1:18. E igualmente ensina que seremos salvos no futuro, quando da plena redenção do corpo, conforme Romanos 5:9 e Romanos 8:23. Isso não é anacronismo, mas revelação progressiva do plano de Deus.

Quanto à afirmação de que “ninguém vai morrer para ser salvo e outro para ser condenado”, é justamente o oposto do que a Escritura ensina. Hebreus 9:27 declara que aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo. O Senhor Jesus ensinou claramente sobre dois destinos distintos após a morte, como se vê em Lucas 16:19–31. Daniel 12:2 também fala de ressurreição para vida eterna e para vergonha e desprezo eterno.

Em relação a Marcos 10:30, o texto não ensina que já nascemos no século vindouro. O Senhor Jesus afirma que aqueles que O seguem recebem bênçãos no tempo presente e, no século vindouro, a vida eterna. Ou seja, há uma distinção clara entre esta era e a era futura. O crente vive hoje neste mundo, mas aguarda a consumação final no reino vindouro, como ensina Filipenses 3:20 e Tito 2:13.

Sobre os abusos financeiros, concordo que existem práticas lamentáveis. A Bíblia jamais autoriza mercantilizar a fé. Atos 8:20 mostra que o dom de Deus não se adquire por dinheiro. 1 Pedro 5:2 adverte contra o ministério exercido por ganância. No entanto, o erro de alguns não invalida a verdade das Escrituras nem autoriza generalizações que colocam todos no mesmo rótulo.

A solução não é rejeitar a doutrina bíblica, mas examiná-la com cuidado, como os bereanos faziam em Atos 17:11, conferindo nas Escrituras se as coisas são assim. A Palavra de Deus permanece firme, independentemente das falhas humanas.

Que o nosso diálogo seja sempre guiado pela verdade, mas também pela mansidão e pelo temor do Senhor, conforme 2 Timóteo 2:24–25 e Efésios 4:15.

Josué Matos

Não existe nada na Bíblia que diga que o tal relógio profético parou?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Não existe nada na Bíblia que diga que o tal relógio profético parou. Sem fundamento bíblico isso.

Minha Resposta:

A afirmação de que “não existe nada na Bíblia que diga que o relógio profético parou” ignora um princípio bíblico claro: Deus, em determinados momentos da história da revelação, suspende um programa para introduzir outro, sem anular Suas promessas anteriores. Isso não é um conceito filosófico, mas uma leitura atenta do próprio texto bíblico.

Em Daniel 9:24–27, temos a profecia das setenta semanas determinadas sobre o povo de Israel e sobre a santa cidade. Sessenta e nove semanas se cumprem de forma contínua até a manifestação do Messias. Contudo, após a morte do Messias, algo claramente distinto ocorre: Jerusalém é destruída, o povo é disperso, e a última semana não se cumpre imediatamente. O texto não diz que a profecia falhou, mas que há um intervalo histórico antes da septuagésima semana. Esse intervalo não é contado nas setenta semanas, o que já indica uma pausa no cumprimento direto daquele programa profético ligado a Israel.

Esse intervalo é explicado no Novo Testamento como um “mistério”, isto é, algo não revelado no Antigo Testamento. Paulo afirma que esse mistério diz respeito à Igreja, formada de judeus e gentios em um só corpo, algo “oculto em Deus” e agora revelado, conforme Efésios 3:3–6. Enquanto esse propósito celestial está em andamento, Israel permanece, em termos nacionais, em endurecimento parcial, como ensina Romanos 11:25. Esse endurecimento não é definitivo, mas temporário, “até que a plenitude dos gentios haja entrado”.

Além disso, o próprio Senhor Jesus reconheceu essa interrupção histórica quando, em Nazaré, leu Isaías 61:1–2. Ele leu até a parte que fala do “ano aceitável do Senhor” e interrompeu a leitura antes da frase “o dia da vingança do nosso Deus”, conforme Lucas 4:18–21. O texto de Isaías apresenta os dois eventos juntos, mas o Senhor faz uma clara separação entre eles, mostrando que há um intervalo entre Sua primeira vinda em graça e Sua manifestação futura em juízo.

Portanto, quando se fala em “relógio profético”, trata-se apenas de uma forma didática de explicar essa pausa bíblica no cumprimento do programa de Deus com Israel, enquanto Ele chama e forma a Igreja. Não é ausência de fundamento bíblico, mas uma harmonização coerente entre Daniel, os Evangelhos e as Epístolas. O plano de Deus nunca parou; o que mudou foi o foco do Seu agir dispensacional, algo que a própria Escritura revela de forma progressiva e consistente.

Josué Matos

O que é um evangelista?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O que é um evangelista?

Minha Resposta:

Um evangelista é alguém chamado e capacitado por Deus para anunciar o evangelho de Jesus Cristo de forma clara, direta e fiel às Escrituras, com o objetivo de levar pessoas ao arrependimento e à fé no Senhor Jesus. A palavra “evangelista” vem do termo que significa “portador de boas-novas”, isto é, aquele que proclama a mensagem da salvação.

Na Bíblia, o evangelista aparece como um dom concedido por Cristo à Igreja, conforme lemos em Efésios 4:11, onde são mencionados apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. O evangelista não substitui a igreja local, nem atua de forma independente do Corpo de Cristo, mas serve ao povo de Deus levando o evangelho aos que ainda não creem.

O foco principal do evangelista não é o ensino aprofundado de doutrina para crentes, como faz o mestre, nem o cuidado contínuo do rebanho, como faz o pastor. Seu encargo específico é anunciar Cristo aos perdidos, apresentando de forma simples e bíblica a realidade do pecado, a obra redentora do Senhor Jesus na cruz, Sua ressurreição e o chamado divino ao arrependimento e à fé. Vemos um exemplo claro disso em Atos dos Apóstolos 8, na vida de Filipe, chamado explicitamente de evangelista, que pregava Cristo tanto às multidões quanto individualmente, como no encontro com o eunuco etíope.

É importante lembrar que, embora nem todos sejam evangelistas, todo crente é chamado a testemunhar do Senhor Jesus. O evangelista, porém, possui um dom específico para essa obra, acompanhado de clareza na exposição do evangelho, amor pelas almas e dependência do Espírito Santo. Seu ministério visa glorificar a Deus e cooperar para que homens e mulheres sejam conduzidos à salvação em Cristo e, depois disso, integrados à comunhão da igreja local.

Josué Matos


Batizei minhas duas filhas após ver que tanto o carcereiro como Lídia permitiram o batismo de toda sua casa

 Alguém me escreveu no YouTube depois de assistir a meu vídeo: Onde na Bíblia lemos de batismo de crianças?

Me converti em 2018, me afastei da denominação em que fui batizado, CCB, e em 2020 batizei minhas duas filhas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, após ver que tanto o carcereiro como Lídia permitiram o batismo de toda sua casa. Expliquei para elas que o batismo não era para elas serem salvas, mas para introdução delas na esfera cristã, mas creio que esta é uma fé e exercício pessoal, não devo impor isto como doutrina, ou obrigação. Afinal, quando uma criança era circuncidada no Antigo Testamento, o que era obrigação, eles não sabiam o porquê daquilo, mas os pais queriam que eles fossem introduzidos na esfera da família de Deus e deixassem de ser pagãos, creio. Mas tenho que concordar que é após crer que alguém quer ser batizado, vemos isto em Atos 10:44-48. Mas creio ser um exercício pessoal e não impor ou ditar regras com a fé alheia. Se algo traz glória para o homem e fere a glória do nosso Senhor, creio que devemos ficar atentos. Tudo que for feito que seja para a glória do Senhor, hoje minha filha mais velha, graças ao Senhor, confessa crer no Senhor Jesus como seu único e suficiente salvador, mas mesmo que não cresse ainda, eu simplesmente tinha testificado para o Senhor meu desejo para com elas no Senhor.

Minha Resposta:

Obrigado por compartilhar com tanta franqueza e reverência a sua experiência e as suas convicções. A questão do batismo de crianças é, de fato, um tema que exige cuidado, equilíbrio e, acima de tudo, submissão às Escrituras.

Começo respondendo de forma direta à pergunta central: não há, em toda a Escritura, um mandamento explícito ou um exemplo inequívoco de batismo de crianças no Novo Testamento. Sempre que o batismo cristão é apresentado de forma clara, ele aparece ligado à fé pessoal, consciente e confessada. A ordem do Senhor Jesus em Mateus 28:19-20 é precedida pelo fazer discípulos, e o batismo surge como consequência desse discipulado. Da mesma forma, em Marcos 16:16, o crer vem antes do ser batizado.

Os relatos do livro de Atos confirmam esse padrão. Em Atos dos Apóstolos 2:41, os que receberam a palavra foram batizados. Em Atos dos Apóstolos 8:12, homens e mulheres foram batizados após crerem. Em Atos dos Apóstolos 10:44-48, como você bem mencionou, o Espírito Santo desce sobre os que ouviam a palavra, e só então Pedro ordena que sejam batizados. O mesmo princípio se repete em Atos dos Apóstolos 16:31-34, quando o carcereiro de Filipos crê, e sua casa é alcançada pela mesma fé, sendo instruída na palavra antes do batismo.

Os textos que mencionam o batismo de “toda a casa”, como o caso de Lídia em Atos dos Apóstolos 16:14-15 e do carcereiro, não afirmam que havia crianças pequenas, nem que alguém foi batizado sem entendimento ou fé. Pelo contrário, o contexto enfatiza que a palavra foi anunciada e recebida. A Escritura não constrói doutrina sobre inferências silenciosas, mas sobre ensino claro e repetido.

Quanto à comparação com a circuncisão no Antigo Testamento, é importante reconhecer tanto a semelhança quanto a diferença. A circuncisão era um sinal da aliança nacional dada a Israel, aplicada aos meninos ao oitavo dia, conforme Gênesis 17:10-14. Ela introduzia a criança na esfera do povo terreno de Deus, mas nunca foi apresentada como meio de salvação. Contudo, no Novo Testamento, a Igreja não é uma nação natural, nem uma continuidade direta de Israel segundo a carne. Ela é composta por aqueles que nasceram de novo mediante a fé em Jesus Cristo, conforme João 1:12-13 e João 3:3-6. A entrada nessa esfera não se dá por nascimento natural nem por um rito aplicado por terceiros, mas pela fé pessoal no Filho de Deus.

Nesse sentido, o batismo cristão não ocupa o mesmo lugar que a circuncisão ocupava na economia mosaica. Colossenses 2:11-12 mostra que a verdadeira circuncisão agora é espiritual, feita por Cristo, e ligada à união com Ele na Sua morte e ressurreição, realidade que só pode ser apropriada pela fé consciente.

Sua preocupação em não transformar uma prática pessoal em regra para os outros é extremamente saudável e bíblica. Romanos 14:4 nos lembra que cada servo está de pé ou cai diante do seu próprio Senhor. Quando algo não é claramente ordenado pelas Escrituras, a consciência deve ser exercida diante de Deus, sem imposição e sem espírito sectário. O próprio apóstolo Paulo ensina que tudo o que não procede de fé é pecado, conforme Romanos 14:23.

Também é digno de nota o seu cuidado em deixar claro que o batismo não salva, mas aponta para Cristo. Efésios 2:8-9 afirma de forma inequívoca que a salvação é pela graça, mediante a fé, e não por obras ou ritos. O batismo é um testemunho público dessa fé, não a sua causa.

O ponto que você levanta sobre a glória do Senhor é central e decisivo. 1 Coríntios 10:31 estabelece o princípio maior: quer comamos, quer bebamos, ou façamos qualquer outra coisa, tudo deve ser feito para a glória de Deus. Sempre que uma prática passa a exaltar o homem, a tradição ou a instituição, em detrimento da obra perfeita de Cristo, é necessário vigilância espiritual.

Por fim, o testemunho que você dá acerca de sua filha confessando hoje a fé no Senhor Jesus como seu único e suficiente Salvador é motivo de gratidão a Deus. Isso confirma que a obra da salvação pertence ao Senhor e acontece no tempo d’Ele, no coração preparado por Sua graça. O desejo apresentado diante de Deus em oração, confiando-O à Sua soberania, é algo profundamente bíblico, conforme vemos em 2 Timóteo 1:12.

Em resumo, a Escritura aponta o batismo como um ato de obediência que segue a fé pessoal. Fora disso, há espaço para consciência, temor de Deus e cuidado em não legislar onde a Palavra não legislou. Permanecer firmes na suficiência de Cristo e na autoridade das Escrituras é sempre o caminho mais seguro.

Josué Matos

Onde na Bíblia lemos de batismo de crianças?

Alguém me escreveu no YouTube depois de assistir a meu vídeo: Onde na Bíblia lemos de batismo de crianças?

E olha que eu, apesar de não ser convertido ao Senhor ainda, condenava veementemente esta prática católica. Mas quando li o batismo de casas inteiras em Atos 16: nos versículos 15 e 33. Mudei de opinião, embora jamais como doutrina, como a denominação católica impõe.

Minha Resposta:

A sua observação é honesta e muito pertinente, e merece uma resposta cuidadosa, bíblica e equilibrada.

Em primeiro lugar, é importante dizer claramente: não existe, em toda a Escritura, um único mandamento explícito, um exemplo direto ou uma instrução apostólica clara que ordene o batismo de crianças. Sempre que o batismo é ensinado de forma didática no Novo Testamento, ele está ligado à fé pessoal, ao arrependimento consciente e à confissão individual.

O próprio Senhor Jesus Cristo estabeleceu a ordem ao dizer: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo” (Evangelho de Marcos 16:15-16). A sequência é clara: primeiro crer, depois ser batizado. Da mesma forma, lemos que “os que de bom grado receberam a sua palavra foram batizados” (Atos dos Apóstolos 2:41). Receber a Palavra pressupõe entendimento, resposta consciente e fé.

Quanto aos textos que você mencionou em Atos dos Apóstolos 16, tanto no caso de Lídia quanto no do carcereiro de Filipos, eles precisam ser lidos com atenção ao contexto imediato. Em Atos dos Apóstolos 16:15, lemos que Lídia foi batizada “e a sua casa”. No entanto, alguns versículos antes está escrito que “o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (Atos dos Apóstolos 16:14). O foco do texto está na resposta à Palavra. Não há qualquer menção a crianças, bebês ou pessoas incapazes de crer.

O mesmo ocorre em Atos dos Apóstolos 16:31-34, no caso do carcereiro. Paulo e Silas dizem: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”. Em seguida, lemos que “lhe anunciaram a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa” e que ele “se alegrou grandemente, crendo em Deus com toda a sua casa”. O próprio texto afirma que houve anúncio da Palavra e fé, não apenas no carcereiro, mas também nos que estavam com ele. Isso reforça que o batismo da casa não foi automático nem mecânico, mas resultado de uma resposta consciente à mensagem.

É importante notar que o Novo Testamento jamais usa a expressão “casa” como um atalho teológico para justificar uma prática que contradiga princípios claros já estabelecidos. Em todas as passagens doutrinárias sobre o batismo, ele é apresentado como uma identificação consciente com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo (Epístola aos Romanos 6:3-4; Epístola aos Colossenses 2:12). Essa identificação exige fé pessoal, algo que uma criança pequena ainda não pode exercer.

Além disso, quando a Escritura fala da salvação, ela sempre a apresenta como uma experiência individual diante de Deus. “O justo viverá da fé” (Livro de Habacuque 2:4; Epístola aos Romanos 1:17). “Cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Epístola aos Romanos 14:12). Não existe salvação por representação, nem fé herdada, nem regeneração por vínculo familiar.

Por isso, mesmo reconhecendo que o batismo de “casas inteiras” aparece no livro de Atos dos Apóstolos, a Bíblia não nos autoriza a concluir, a partir desses textos, que crianças eram batizadas sem fé. Essa conclusão vai além do que o texto afirma e acaba criando uma doutrina onde a Escritura permanece em silêncio.

Ao mesmo tempo, é correto rejeitar qualquer imposição doutrinária que transforme o batismo infantil em regra obrigatória, condição de salvação ou rito automático, algo que o próprio Novo Testamento nunca ensinou. O batismo bíblico é um testemunho público de uma obra que Deus já realizou no coração pela fé, e não um meio para produzir essa obra.

A sua postura, portanto, é sensata: examinar as Escrituras, reconhecer o que elas dizem e, igualmente, reconhecer aquilo que elas não dizem. Isso é exatamente o espírito elogiado em Atos dos Apóstolos 17:11, quando os bereanos foram chamados de nobres por examinarem cada dia as Escrituras para ver se as coisas eram assim.

Que essa busca continue, sempre com reverência, humildade e submissão à autoridade da Palavra de Deus, pois ela é suficiente para ensinar, corrigir e conduzir à verdade.

Josué Matos

Nenês, crianças e deficientes mentais na ocasião do arrebatamento da igreja?

Alguém que me escreveu no Facebook:

O irmão teria algum comentário ou estudo sobre nenês, crianças e deficientes mentais na ocasião do arrebatamento da igreja? 

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta muito séria e legítima, e a Bíblia nos dá princípios claros, ainda que não trate do assunto de forma direta e sistematizada em um único texto.

Em primeiro lugar, é importante lembrar que o arrebatamento da Igreja diz respeito, de maneira específica, àqueles que pertencem ao Corpo de Cristo. A Escritura ensina que a Igreja é formada por pessoas que ouviram o evangelho, creram no Senhor Jesus Cristo e foram seladas com o Espírito Santo. Textos como Efésios 1:13, Romanos 8:9 e 1 Tessalonicenses 4:16-17 deixam claro que o arrebatamento envolve os que “estão em Cristo”.

A grande dificuldade surge quando pensamos em bebês, crianças pequenas e pessoas com deficiências mentais severas, que não possuem capacidade moral ou intelectual para compreender o evangelho e exercer fé consciente. A Bíblia não apresenta um texto que trate diretamente dessa situação no contexto do arrebatamento, mas fornece princípios sólidos sobre o caráter de Deus, Sua justiça e Sua misericórdia.

Um desses princípios aparece quando Davi perde seu filho ainda bebê. Em 2 Samuel 12:22-23, Davi declara que a criança não voltaria a ele, mas ele iria até a criança. Essa declaração indica a convicção de que aquela criança estava segura diante de Deus. Da mesma forma, o Senhor Jesus demonstrou especial cuidado e apreço pelas crianças, afirmando em Mateus 19:14 que delas é o reino dos céus. Isso não ensina que todas as crianças são automaticamente parte da Igreja, mas revela claramente a atitude graciosa de Deus para com aqueles que não têm plena responsabilidade moral.

Outro princípio importante é que Deus não julga alguém sem responsabilidade consciente. Romanos 1:20 ensina que o homem é responsável na medida em que responde à revelação recebida. Onde não há capacidade de discernimento moral, não há imputação de culpa da mesma forma. Esse princípio é reforçado em Romanos 5:13, quando Paulo afirma que o pecado não é imputado quando não há lei.

À luz disso, muitos irmãos fiéis às Escrituras entendem que bebês, crianças pequenas e pessoas com deficiência mental profunda estão sob a graça e a justiça perfeita de Deus. Eles não são parte da Igreja no sentido técnico — pois a Igreja é composta por pessoas regeneradas mediante fé consciente —, mas também não são objetos do juízo destinado aos incrédulos responsáveis. O destino final dessas pessoas é confiado à bondade, à justiça e à misericórdia de Deus, que sempre age corretamente.

Quanto ao arrebatamento em si, a Bíblia afirma com clareza que Deus fará o que é justo. Gênesis 18:25 estabelece um princípio imutável: o Juiz de toda a terra fará justiça. Não há possibilidade de injustiça ou erro nos atos de Deus. Portanto, ainda que não tenhamos todos os detalhes revelados, podemos descansar plenamente no caráter de Deus.

Em resumo, a Escritura ensina com clareza quem participa do arrebatamento da Igreja, mas também nos assegura que Deus é justo, misericordioso e perfeito em todos os Seus caminhos. Onde a revelação termina, a fé descansa no caráter de Deus, não em especulações humanas.

Josué Matos

A CONFIANÇA INABALÁVEL - DEVOCIONAL DIÁRIO


Este livro nasceu da convicção de que a fé cristã precisa ser alimentada diariamente pela Palavra de Deus, não apenas para consolar, mas para formarcorrigirfortalecer e estabelecer uma confiança verdadeira e duradoura em Deus. Em tempos de instabilidade, relativismo espiritual e fé emocionalmente frágil, torna-se cada vez mais necessário retornar às fontes mais profundas da revelação bíblica.

Os livros de 
Salmos e Provérbios ocupam um lugar singular nas Escrituras. Eles falam diretamente ao coração, mas não ignoram a mente; tratam das emoções humanas, mas sempre à luz da verdade de Deus. Neles encontramos alegria e dor, fé e angústia, esperança e lamento, confiança e arrependimento. São livros profundamente humanos, mas absolutamente divinos em sua origem e propósito.

A palavra 
Salmos vem do termo hebraico Tehillim, que significa “louvores”. No entanto, esse nome não limita o livro apenas à exaltação jubilosa. Os Salmos são a expressão da alma humana diante de Deus em todas as circunstâncias da vida. Neles, o crente aprende que pode se aproximar de Deus com gratidão, mas também com lágrimas; com certeza, mas também com perguntas; com alegria, mas também com profundo quebrantamento. A alma dos Salmos é a vida real vivida diante de Deus, sem máscaras, sem religiosidade artificial.

Já o nome 
Provérbios vem do hebraico Mishlei, que carrega a ideia de comparações, máximas e instruções práticas. Provérbios revela como a sabedoria de Deus deve governar a vida diária. Se os Salmos nos ensinam a orar, Provérbios nos ensina a viver. Se os Salmos formam o coração, Provérbios orienta a conduta. Ambos se complementam de maneira extraordinária, pois a fé verdadeira precisa tanto de devoção quanto de discernimento.

Grande parte desses escritos está associada aos reinados de 
Davi e Salomão, figuras centrais da história de Israel. Davi reinou aproximadamente entre 1010 e 970 antes de Cristo, sendo conhecido não apenas como rei, mas como “o homem segundo o coração de Deus”. Seus Salmos refletem uma vida marcada por vitórias e fracassos, confiança e arrependimento, comunhão profunda e dependência constante do Senhor. Davi não escreveu como teórico da fé, mas como alguém que viveu intensamente a realidade do cuidado, da disciplina e da misericórdia de Deus.

Salomão, seu filho, reinou aproximadamente entre 
970 e 931 antes de Cristo. Seu reinado foi marcado por paz, prosperidade e sabedoria sem precedentes. Os Provérbios refletem essa sabedoria concedida por Deus, aplicada às áreas mais práticas da vida: relacionamentos, palavras, decisões, trabalho, disciplina, temor do Senhor e responsabilidade moral. Salomão nos ensina que a fé não se limita ao culto, mas deve moldar cada escolha cotidiana.
Este devocional foi estruturado para acompanhar o leitor 
dia após dia, ao longo de um ano inteiro, conduzindo-o a uma fé mais sólida, consciente e confiante. Os temas abordados não foram escolhidos para agradar emoções passageiras, mas para fortalecer a confiança em Deus em meio à realidade da vida: sofrimento, espera, silêncio divino, fragilidade humana, passagem do tempo, morte, esperança, eternidade e redenção.

Ao longo destas páginas, o leitor encontrará reflexões que tratam da criação de Deus, da soberania divina, da brevidade da vida, da fidelidade do Senhor, da necessidade de sabedoria, da confiança inabalável que nasce não das circunstâncias, mas da Palavra. Os Salmos e Provérbios são constantemente iluminados pelo ensino do Novo Testamento, mostrando que a fé cristã é uma só, coerente e progressiva, culminando na pessoa e obra de 
Jesus Cristo, o Filho prometido, o Salvador enviado e o Rei que reina eternamente.

Ao final de cada devocional, há um espaço reservado para que 
o leitor registre sua reflexão pessoal diante da Palavra.

Josué Matos






 

ROMANOS 8 DENOTA QUE NEM TODOS DEUS PREDESTINOU PARA SALVAÇÃO, COMO ENTENDER ISSO?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A PAZ, PRESBÍTERO, ESSA QUESTÃO É CURIOSA COMO MUITAS DA BÍBLIA, AO MESMO TEMPO QUE É DITO QUE JESUS MORREU POR TODOS E QUEM QUISER TOME DE GRAÇA DA ÁGUA DA VIDA, EM ROMANOS 8 DENOTA QUE NEM TODOS DEUS PREDESTINOU PARA SALVAÇÃO, COMO ENTENDER ISSO?

Romanos 8: ²⁹ Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.³⁰ E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

Minha Resposta:

A questão que você levanta é realmente importante, e só pode ser bem compreendida quando mantemos juntas todas as verdades que a própria Escritura apresenta, sem isolar textos nem colocá-los em conflito entre si.

Primeiro, a Bíblia afirma de forma clara e repetida que a obra do Senhor Jesus tem alcance universal em sua provisão. Ele morreu por todos, o Evangelho é anunciado a todos, e o convite é genuíno: “quem quiser, tome de graça da água da vida” (Apocalipse 22:17). Deus não faz acepção de pessoas e não tem prazer na perdição do ímpio, antes chama todos ao arrependimento (Primeira Epístola a Timóteo 2:4; Segunda Epístola de Pedro 3:9). Portanto, não há limitação na oferta da salvação nem falsidade no chamado do Evangelho.

Ao mesmo tempo, Romanos 8 não está tratando da oferta do Evangelho ao mundo, mas do propósito eterno de Deus em relação aos que são Seus. O capítulo começa afirmando: “Agora, pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1). Ou seja, Paulo está falando de pessoas que já estão em Cristo, já justificadas pela fé.

Nesse contexto, surgem a eleição e a predestinação. Elas não são a mesma coisa. A eleição diz respeito à escolha soberana de Deus: “os que dantes conheceu”. Esse “conhecer” não é mera informação antecipada, mas um conhecimento relacional, eletivo, um ato soberano de Deus antes de qualquer mérito humano. Já a predestinação não diz respeito ao ato de crer, mas ao destino preparado por Deus para aqueles que Ele elegeu: “para serem conformes à imagem de seu Filho” (Romanos 8:29).

Observe que o texto não diz que Deus predestinou pessoas para crerem, mas que predestinou os eleitos para um fim específico: conformidade com Cristo, filiação plena, herança e glória. O chamado, a justificação e a glorificação, mencionados no versículo 30, descrevem a certeza do cumprimento desse propósito. Do ponto de vista de Deus, esse plano é tão seguro que a glorificação já é apresentada como um fato consumado.

Isso não anula, nem contradiz, a responsabilidade humana. A fé continua sendo o meio pelo qual o pecador entra, no tempo, naquilo que Deus determinou na eternidade. O Evangelho é anunciado, a Palavra é pregada, o Espírito Santo age, e o homem é responsável por crer. “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus” (Romanos 10:17). Quem crê é salvo; quem rejeita permanece sob condenação (Evangelho segundo João 3:18).

Portanto, não há contradição entre dizer que Cristo morreu por todos e afirmar que nem todos são predestinados. A morte de Cristo é suficiente para todos e oferecida a todos; a predestinação trata do destino final daqueles que Deus elegeu. Romanos 8 não discute a extensão da oferta da salvação, mas a segurança eterna dos que estão em Cristo.

Em resumo: o convite do Evangelho é amplo e sincero; a eleição é um ato soberano de Deus; a predestinação define o destino glorioso dos eleitos. Essas verdades não se anulam, mas se harmonizam no plano perfeito de Deus, revelado nas Escrituras.

Na revelação bíblica, a eleição soberana de Deus e a responsabilidade humana caminham juntas, lado a lado, como os dois trilhos de um trem. Ambos seguem paralelos, firmes e inseparáveis, conduzindo o plano de Deus sem contradição, ainda que a nossa mente limitada não consiga harmonizá-los plenamente. A Escritura afirma, ao mesmo tempo, que Deus escolhe segundo o Seu propósito eterno e que o homem é responsável por crer, arrepender-se e responder ao chamado do Evangelho. Quando tentamos submeter essas verdades apenas à lógica humana, corremos o risco de questionar a justiça divina ou de imaginar alguma incoerência em Deus. Contudo, a fé bíblica nos chama a aceitar aquilo que Deus revelou, mesmo quando não conseguimos explicar todos os seus mistérios. Devemos descansar na certeza de que chegará o dia em que veremos com absoluta clareza que Deus sempre amou o mundo de maneira perfeita e incondicional, que enviou o seu Filho unigênito não para condenar, mas para salvar, e que em todos os seus caminhos Ele foi justo, fiel e verdadeiro. 

Josué Matos

Se o novo nascimento é somente pela vontade de Deus, como podemos ser responsabilizados?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Uma dúvida, se o novo nascimento é somente pela vontade de Deus, como podemos ser responsabilizados pelo não nascer de novo? Se, após nascer de novo, somos novas criaturas, como o homem pode rejeitar? Ninguém pode se recusar a nascer.

Minha Resposta:

A dúvida levantada é compreensível e toca num ponto sensível da doutrina do novo nascimento. Ela surge, em geral, quando se tenta explicar essa verdade bíblica usando apenas categorias humanas ou lógicas naturais, sem considerar o conjunto do ensino das Escrituras.

Em primeiro lugar, é preciso afirmar claramente duas verdades bíblicas que caminham juntas, e não se contradizem:

1. O novo nascimento é, de fato, uma obra soberana de Deus.

2. O homem é plenamente responsável por crer ou rejeitar o testemunho que Deus lhe dá.


O erro surge quando se tenta separar essas duas verdades ou colocá-las em oposição.

O novo nascimento procede da vontade de Deus, mas Deus decidiu operar essa obra por meios definidos, e não de forma arbitrária ou independente da resposta humana. As Escrituras não dizem apenas que o homem “nasce de novo”, mas explicam como isso acontece.

O Senhor Jesus declarou a Nicodemos que “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Evangelho segundo João 3:3). Mais adiante, Ele esclarece que esse novo nascimento ocorre “da água e do Espírito” (Evangelho segundo João 3:5). A “água”, no contexto do ensino bíblico, está ligada à Palavra de Deus, enquanto o Espírito é o agente que aplica essa Palavra ao coração.

O apóstolo Pedro confirma isso ao dizer que fomos regenerados “pela Palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (Primeira Epístola de Pedro 1:23). Da mesma forma, Tiago afirma que Deus “nos gerou pela Palavra da verdade” (Epístola de Tiago 1:18). Portanto, o novo nascimento não acontece à margem da Palavra, mas por meio dela.

Aqui entra a responsabilidade humana. Deus chama, Deus fala, Deus testemunha por meio da Sua Palavra. O homem, ao ouvir, é confrontado com a verdade e chamado a responder. É por isso que o Senhor Jesus diz: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida” (Evangelho segundo João 3:36). Note que a condenação não é atribuída ao fato de não ter sido regenerado, mas ao fato de não crer.

A Escritura nunca apresenta o homem como alguém passivo diante do Evangelho. Pelo contrário, ela afirma repetidamente que o homem “resiste”, “rejeita”, “não quer vir” e “endurece o coração”. O próprio Senhor Jesus lamenta sobre Jerusalém: “Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos… e tu não quiseste” (Evangelho segundo Mateus 23:37). A vontade do homem é claramente mencionada.

A objeção “ninguém pode recusar nascer” só faria sentido se o novo nascimento fosse um ato imposto, automático e independente da fé. Mas a Bíblia não ensina isso. Ela ensina que ninguém pode produzir a vida nova por si mesmo, mas também ensina que essa vida é concedida àquele que crê. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (Evangelho segundo João 1:12). Receber e crer são atos conscientes e responsáveis.

Quando alguém rejeita o Evangelho, essa pessoa não está a rejeitar o novo nascimento em si, mas está a rejeitar o testemunho de Deus acerca do Seu Filho. E ao rejeitar o Filho, rejeita também a vida que está n’Ele. O apóstolo João é claro: “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (Primeira Epístola de João 5:12).

Portanto, o homem não é responsabilizado por “não nascer de novo” como se isso fosse um evento imposto que lhe foi negado arbitrariamente. Ele é responsabilizado por rejeitar a luz que lhe foi apresentada. “E a condenação é esta: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz” (Evangelho segundo João 3:19).

Quando alguém nasce de novo, torna-se, de fato, uma nova criatura (Segunda Epístola aos Coríntios 5:17). Mas essa nova condição não elimina a realidade de que, antes disso, o homem foi confrontado com a verdade e chamado a crer. A regeneração não anula a fé; ela é o resultado da fé produzida pela Palavra, sob a ação do Espírito Santo.

Assim, a harmonia bíblica permanece intacta: Deus é soberano na salvação, o Espírito Santo é o agente do novo nascimento, a Palavra é o meio, e o homem é responsável por crer ou rejeitar. Não há injustiça em Deus, nem violência à responsabilidade humana. Há, sim, graça oferecida, verdade proclamada e uma resposta exigida.

Josué Matos

As Crônicas de Valdarian (Reinado de Davi e Salomão)

 

À primeira vista, as Crônicas de Valdarian apresentam-se como uma grande saga épica, repleta de reinos, batalhas, intrigas políticas, alianças e quedas dramáticas. No entanto, para o leitor atento — especialmente aquele familiarizado com as Escrituras — torna-se evidente que esta série repousa sobre um dos alicerces mais profundos da narrativa bíblica: a história de Davi e de seu filho Salomão.

A vida de Davi é uma das trajetórias mais longas, complexas e densas de toda a Bíblia. Poucos personagens foram acompanhados desde a infância até a velhice com tamanha riqueza de detalhes. Desde o chamado inesperado, quando Deus escolhe o menor entre os irmãos (Primeiro Livro de Samuel 16:1–13), passando pelos anos de perseguição, até o estabelecimento do reino e, finalmente, os dias de declínio e transmissão do legado, tudo em Davi carrega ensinamentos espirituais profundos.

Quando essa história é transportada para a ficção épica, com liberdade criativa responsável, ela se expande de forma natural. A narrativa bíblica não é diluída; ao contrário, é aprofundada. Elementos implícitos nas Escrituras ganham corpo: conflitos internos, dilemas morais, pressões do poder, tensões espirituais e consequências duras do pecado.

A série foi construída volume a volume, acompanhando esse percurso bíblico de forma progressiva.

LIVRO I — O Marcado das Colinas
Este primeiro volume encontra paralelo direto nos capítulos iniciais do Primeiro Livro de Samuel. Aqui vemos o chamado soberano de Deus, a unção ainda secreta, a formação do caráter longe do trono, o confronto com o gigante que simboliza forças maiores do que o homem pode enfrentar por si mesmo. Assim como Davi enfrenta Golias confiando no nome do Senhor (Primeiro Livro de Samuel 17:45–47), o protagonista enfrenta desafios que revelam que a vitória nunca vem da força humana, mas da dependência de Deus.

LIVRO II — O Exilado dos Caminhos Ocultos
Inspirado no longo período de fuga narrado em Primeiro Livro de Samuel 22–31, este volume revela o homem escolhido por Deus vivendo como forasteiro, perseguido injustamente, habitando cavernas e desertos. É o tempo em que o caráter é provado. As duas ocasiões em que Davi poupa a vida de Saul (Primeiro Livro de Samuel 24 e 26) tornam-se, na ficção, grandes dramas éticos: até onde ir quando se tem razão? O poder deve ser tomado à força ou aguardado segundo o tempo de Deus? Aqui ecoa a verdade de que “os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor” (Livro de Salmos 37:23).

LIVRO III — O Guerreiro das Quatro Fronteiras
Correspondente aos relatos de Segundo Livro de Samuel 1–10, este volume retrata a transição do homem perseguido para o rei estabelecido. Há luto, há unificação do reino, há guerras necessárias para consolidar aquilo que Deus havia prometido. A conquista da cidade fortificada — equivalente a Jerusalém — remete ao momento em que Davi estabelece o centro do reino (Segundo Livro de Samuel 5:6–10). É também o tempo das promessas messiânicas, quando Deus estabelece com Davi uma aliança eterna (Segundo Livro de Samuel 7:12–16), que ecoa por toda a série como uma sombra de algo maior e futuro.

LIVRO IV — O Rei das Sombras e da Luz
Inspirado em Segundo Livro de Samuel 11–14, este é o coração mais doloroso da narrativa. O pecado do rei, suas consequências irreversíveis, a disciplina divina e as fraturas familiares revelam que nem mesmo os mais usados por Deus estão acima da Sua santidade. O pecado oculto sempre cobra um preço público. O lamento, a culpa e o peso da consciência refletem o clamor expresso no Livro de Salmos 51, onde Davi reconhece: “Pequei contra ti, contra ti somente”. A luz e as sombras convivem no mesmo coração.

LIVRO V — A Queda e a Redenção
Baseado em Segundo Livro de Samuel 15–24, este volume aprofunda o drama da rebelião de Absalão, a fuga do rei, as traições internas e o sofrimento que nasce dentro da própria casa. O leitor encontra aqui o retrato vívido do princípio bíblico de que “o que o homem semear, isso também ceifará” (Epístola aos Gálatas 6:7). Ao mesmo tempo, vê-se a graça preservadora de Deus, que não abandona o seu servo, mesmo quando o corrige. A restauração não apaga as marcas, mas reafirma a fidelidade divina.

LIVRO VI — O Legado dos Tronos Queimados
Inspirado em Primeiro Livro dos Reis 1–11, o último volume conduz o leitor à velhice do rei, às disputas pela sucessão e à ascensão do sucessor — uma figura que reflete Salomão. A sabedoria concedida por Deus (Primeiro Livro dos Reis 3:9–12), a construção do templo, as alianças internacionais e a prosperidade do reino são narradas com grandiosidade. Contudo, as sombras finais anunciam uma verdade solene: o coração humano, mesmo cercado de bênçãos, pode se desviar se não permanecer vigilante. A advertência de que o declínio espiritual precede o colapso moral e político atravessa todo o encerramento da saga.

As Crônicas de Valdarian não são apenas uma obra de entretenimento. São uma releitura épica de verdades eternas. O leitor cristão reconhecerá nelas temas centrais das Escrituras: chamado, espera, obediência, pecado, disciplina, graça, redenção e legado. Por trás dos reinos fictícios, está o Deus real que governa a história, exaltando os humildes e resistindo aos soberbos.

Esta série convida o leitor a revisitar a história de Davi e Salomão sob uma nova perspectiva, não para substituir a Bíblia, mas para despertar o coração para as lições que ela contém — lições que continuam tão atuais quanto nos dias em que foram escritas.

Josué Matos

A fé é dom de Deus?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A Deus a glória. Eu descanso olhando para Cristo. A fé é dom de Deus. O que significa que ela vem de Deus e não é produzida por nós mesmo, logo, Deus não nos daria uma fé fingida, mas verdadeira.

Minha Resposta:

Concordo plenamente quando diz que toda a glória pertence a Deus e que o descanso do crente está em olhar para Cristo. O Novo Testamento aponta exatamente nessa direção: “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus Cristo” (Hebreus 12:2). A fé verdadeira nunca termina em si mesma, mas repousa na Pessoa e na obra consumada de Cristo.

Também é correto afirmar que a fé tem sua origem em Deus. A Escritura deixa claro que a salvação não procede do homem, nem nasce de mérito humano, para que ninguém se glorie. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2:8). A iniciativa é divina, a provisão é divina e a glória é exclusivamente divina.

No entanto, é importante observar com cuidado o modo como o Novo Testamento apresenta esse dom. A Palavra de Deus nunca ensina que a fé é implantada no homem de forma automática, independente da resposta do coração à revelação divina. Pelo contrário, a fé vem pela Palavra de Deus anunciada, ouvida e recebida: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). Deus concede a fé por meio da Sua Palavra, iluminada pelo Espírito Santo, e o homem é chamado a responder a essa Palavra com arrependimento e fé.

A fé verdadeira, portanto, não é uma fé “fabricada” pelo homem, nem uma fé mística imposta sem consciência ou convicção. Ela é fruto da ação do Espírito Santo usando a Palavra de Deus para convencer o pecador do pecado, da justiça e do juízo, conduzindo-o a confiar em Cristo (João 16:8). Essa fé é genuína porque tem um objeto verdadeiro — o Senhor Jesus Cristo — e um fundamento sólido — a obra consumada da cruz.

Quando afirma que Deus não daria uma fé fingida, isso está absolutamente correto. A Escritura afirma que a fé salvadora é viva, operante e acompanhada de frutos. “A fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tiago 2:17). No entanto, o Novo Testamento também mostra que é possível alguém professar fé sem nunca ter crido de fato. O próprio Senhor Jesus advertiu sobre aqueles que dizem “Senhor, Senhor”, mas nunca tiveram um relacionamento real com Ele (Mateus 7:21–23). Isso não significa que Deus tenha dado uma fé falsa, mas que houve uma profissão externa sem conversão genuína do coração.

Assim, a fé verdadeira é dom de Deus, nasce da Palavra, é despertada pelo Espírito Santo e é exercida conscientemente pelo pecador que crê. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida” (João 3:36). A responsabilidade de crer é real, e a graça que concede a fé também é real. Ambas caminham juntas no ensino apostólico.

Descansar em Cristo, portanto, não é negar a responsabilidade humana, mas reconhecer que até mesmo a capacidade de crer é sustentada pela graça de Deus. O crente descansa não na qualidade da sua fé, mas na suficiência do Salvador em quem essa fé repousa. “Quem crê em mim tem a vida eterna” (João 6:47).

Josué Matos

Cuidado! Em Mateus 3:11 o Profeta João Batista estava falando apenas com os seus seguidores fiéis

 Alguém que me escreveu no YouTube depois de assistir a meu vídeo: Qual é a diferença entre o Batismo no Espírito Santo e o Batismo no Fogo?

Cuidado! Em Mateus 3:11 o Profeta João Batista estava falando apenas com os seus seguidores fiéis, e essa Promessa se cumpriu em Atos 2:3,4 ( fogo - iluminar, aquecer e queimar ).

Minha Resposta:

A sua observação merece consideração, e é importante tratar este texto com atenção ao seu contexto imediato e ao conjunto do ensino bíblico.

Em Mateus 3:11, João Batista declara: “Eu, em verdade, vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu… Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”. A afirmação é uma só, mas os dois elementos — Espírito Santo e fogo — não possuem necessariamente o mesmo significado nem o mesmo alcance.

  1. O público de João Batista
    João não falava apenas a “seguidores fiéis”. O próprio texto mostra que ele se dirigia a uma multidão mista, incluindo fariseus e saduceus, a quem chamou de “raça de víboras” (Mateus 3:7). Portanto, suas palavras abrangem dois destinos distintos: um para os verdadeiramente arrependidos e outro para os que apenas tinham aparência religiosa. Isso é confirmado pelo contexto imediato, especialmente Mateus 3:10 e Mateus 3:12, onde aparecem o machado posto à raiz das árvores e o fogo inextinguível.

  2. O batismo no Espírito Santo
    O batismo no Espírito Santo é uma obra divina que coloca o crente em união vital com Cristo e o introduz no corpo espiritual formado por todos os salvos. No Novo Testamento, esse batismo é apresentado como uma realidade comum a todos os que pertencem a Cristo. O cumprimento histórico inicial ocorre em Atos dos Apóstolos 2:1-4, quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes. As línguas como que de fogo ali vistas não são o “batismo no fogo”, mas um sinal visível da descida do Espírito, assim como o vento impetuoso. O texto não diz que os discípulos foram “batizados no fogo”, mas que foram cheios do Espírito Santo.

O apóstolo Paulo mais tarde esclarece que esse batismo não é uma experiência repetida nem reservada a alguns, mas uma realidade espiritual comum a todos os crentes: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo” (1 Coríntios 12:13).

  1. O significado do fogo em Mateus 3
    O próprio contexto define o sentido do fogo. Poucos versículos depois, João diz que o Messias “limpará a sua eira, recolherá o trigo no celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível” (Mateus 3:12). Aqui, o trigo representa os salvos; a palha, os ímpios. O fogo, portanto, está ligado ao juízo, não à iluminação ou ao aquecimento espiritual do crente.

Essa mesma ideia aparece em outros textos. Em Malaquias 4:1, o dia do Senhor é comparado a um forno ardente para os soberbos e ímpios. Em Mateus 13:40-42, o Senhor Jesus fala do fogo como destino final dos que praticam a iniquidade. Em 2 Tessalonicenses 1:7-8, o juízo é descrito como sendo “em chama de fogo”.

  1. Pentecostes e o uso simbólico do fogo
    As línguas como que de fogo em Atos 2 não têm caráter judicial, mas simbólico e transitório, apontando para a presença divina, assim como o fogo o fazia no Antigo Testamento (Êxodo 3:2; Êxodo 13:21). Elas não queimaram, não julgaram, nem purificaram pecados; serviram como sinal visível da inauguração de uma nova fase do agir de Deus. Confundir esse sinal com o “batismo no fogo” de Mateus 3 leva a uma leitura que ignora o contexto imediato das palavras de João Batista.

  2. A distinção necessária
    Assim, biblicamente, o batismo no Espírito Santo está ligado à salvação, à formação do corpo de Cristo e à habitação divina no crente. O batismo no fogo, por sua vez, está associado ao juízo futuro, especialmente em relação aos que rejeitam a mensagem do arrependimento. A própria estrutura do discurso de João Batista exige essa distinção, pois ele contrasta bênção e julgamento, salvação e condenação.

Essa leitura preserva a harmonia das Escrituras e evita atribuir ao crente aquilo que a Palavra de Deus reserva claramente para o juízo dos ímpios.

Josué Matos


Deus é quem sabe tudo, talvez ele dê para todos uma chance

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Deus é quem sabe tudo, talvez ele dê para todos uma chance ou na minha opinião para quem não teve oportunidade, tem pessoas que viveram muito tiveram experiências e tempo para aceita-lo, mas sinto pelos jovens adolescentes que estão conhecendo o mundo e Deus e precisam de tempo como eu e meu irmão precisávamos na época pois eu me batizei com treze anos mas eu só sabia quem era Jesus não tinha tanto conhecido experiência e me afastei nunca de Jesus e sim da igreja, precisei de alguns anos vendo que pessoas e coisas não me eram suficientes , se eu tivesse partido jovem batizada e em pecado eu não teria salvação mas tive depois, prós adolescentes mortos e vivos Deus deve deixar Los na grande tribulação para ver se eles passam se não passaram na prova enquanto vivos.

Minha Resposta:

Agradeço pela sua sinceridade e pelo cuidado em refletir sobre um tema tão sério. A sua mensagem revela sensibilidade, experiência pessoal e um desejo genuíno de compreender a justiça e a graça de Deus. É importante responder com equilíbrio, deixando que a própria Escritura seja a base, e não apenas sentimentos, hipóteses ou experiências individuais.

Em primeiro lugar, a Bíblia é clara ao afirmar que Deus é justo, santo e perfeito em todos os Seus caminhos. “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras” (Salmos 145:17). Isso significa que Ele nunca julga de forma precipitada, arbitrária ou injusta. Ao mesmo tempo, a Escritura afirma que Deus é misericordioso, paciente e longânimo, “não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9).

Contudo, a Palavra de Deus nunca ensina que exista uma “segunda oportunidade” após a morte. Pelo contrário, lemos de forma muito direta: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27). O tempo da decisão é nesta vida, e não após ela. É aqui, enquanto há consciência, oportunidade e chamado da graça, que o ser humano responde ao evangelho.

A sua experiência pessoal ilustra algo muito importante: o fato de alguém ter sido batizado cedo, frequentado uma igreja ou conhecido externamente o nome do Senhor Jesus não significa, necessariamente, que essa pessoa tenha experimentado a salvação genuína. O novo nascimento não é um processo automático nem hereditário; é uma obra de Deus no coração daquele que crê de forma pessoal e consciente. O próprio Senhor Jesus afirmou: “Necessário vos é nascer de novo” (Evangelho de João 3:7). Esse novo nascimento está ligado à fé viva, e não apenas a uma fase da vida ou a um rito religioso.

É igualmente importante distinguir afastar-se da igreja de afastar-se de Cristo. Muitas pessoas, especialmente jovens, afastam-se do ambiente religioso, mas isso não significa que já tenham tido uma conversão verdadeira antes. A Escritura mostra que há aqueles que “saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco” (1 João 2:19). Isso não é para condenar, mas para esclarecer que a perseverança na fé é fruto de uma obra real de Deus no coração.

Quanto à preocupação com jovens e adolescentes que morrem cedo, a Bíblia não nos dá detalhes completos sobre todos os casos individuais, mas dá princípios claros. Deus julga com perfeita justiça e pleno conhecimento. Ele conhece o coração, a luz recebida, a responsabilidade individual e a resposta de cada um à verdade. “Porque o Senhor vê como vê o homem; pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1 Samuel 16:7).

No entanto, a ideia de que jovens que morreram sem Cristo seriam deixados na grande tribulação para uma nova prova não encontra apoio direto nas Escrituras. A grande tribulação é apresentada como um período de juízo sobre o mundo incrédulo e rebelde, não como uma segunda chance universal. Jesus advertiu repetidas vezes sobre a urgência da decisão agora: “Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação” (2 Coríntios 6:2).

Além disso, a salvação nunca é resultado de passar por provas extremas ou sofrimentos futuros, mas unicamente da obra consumada de Cristo na cruz. “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3). Acrescentar qualquer outro meio ou etapa como condição final da salvação enfraquece a suficiência da obra de Cristo.

A sua preocupação com justiça, misericórdia e tempo para amadurecimento é compreensível e humana. Contudo, a Bíblia nos conduz a confiar plenamente no caráter de Deus, mesmo quando não temos todas as respostas. “Porventura não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gênesis 18:25). Podemos descansar sabendo que Deus nunca errará em nenhum julgamento, nem será mais severo ou mais permissivo do que a Sua própria Palavra permite.

Por fim, esta reflexão deve levar-nos não à especulação sobre o destino dos outros, mas à urgência do testemunho e do ensino claro do evangelho aos jovens, adolescentes e crianças. “Instrui o menino no caminho em que deve andar” (Provérbios 22:6). E também à responsabilidade pessoal de cada um responder hoje ao chamado de Deus: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hebreus 3:15).

Que estas verdades nos conduzam à confiança na justiça perfeita de Deus, à valorização da graça presente e à fidelidade em anunciar o evangelho enquanto é tempo.

Josué Matos

Quando em Gênesis é dito "e serão ambos uma carne", que significa?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão Josué, me veio uma dúvida sobre uma passagem bem conhecida das Escrituras.

Quando em Gênesis é dito  "e serão ambos uma carne", princípio este reafirmado por Cristo nos Evangelhos e novamente citado nas epístolas paulinas.

O que me chamou a atenção foi o uso da palavra carne, que geralmente nos fala da natureza pecaminosa e decaída do ser humano.

Por natureza, o casamento é só para nossa jornada aqui na terra, certo? Seria essa a explicação de "uma só carne" e não, por exemplo, "uma só mente" ou qualquer outra expressão?

Minha Resposta:

Irmão, que boa pergunta. Ela mostra atenção ao texto bíblico e sensibilidade para perceber que a expressão “uma só carne”, repetida em Gênesis, nos Evangelhos e nas Epístolas, não foi escolhida por acaso.

O ponto de partida é o texto de Gênesis 2:24, onde Deus institui o casamento dizendo que o homem deixará pai e mãe, se unirá à sua mulher “e serão ambos uma só carne”. O Senhor Jesus cita este mesmo princípio em Mateus 19:4-6, e o apóstolo Paulo faz referência a ele em Efésios 5:31.

A tua dúvida é legítima: por que “carne” e não “alma”, “espírito”, “mente” ou “coração”?

É importante notar que a palavra “carne” na Bíblia tem mais do que um significado. Há casos em que ela descreve a natureza pecaminosa, mas há outros em que ela indica simplesmente a realidade física e humana e sem qualquer conotação de pecado. Por exemplo, em Gênesis 6:12, “toda a carne” significa toda a humanidade. Em Joel 2:28, “derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” não aponta para o pecado, mas para pessoas.

No contexto do casamento, “carne” é usada nesse sentido não moral, mas sim humano e corporal, indicando duas realidades:

1. A união física real e visível entre marido e mulher, própria da vida terrena.

2. A formação de uma unidade nova, que Deus reconhece como uma só entidade, embora composta por duas pessoas distintas.

O casamento pertence de fato à esfera da vida presente. O Senhor Jesus ensinou isso quando disse que, na ressurreição, os homens “nem se casam nem se dão em casamento” (Lucas 20:34-36). Portanto, a união matrimonial não pertence ao estado eterno, mas ao cenário da história humana. Sendo assim, a expressão “uma só carne” harmoniza-se com a natureza temporal do casamento: Deus uniu dois seres humanos para caminharem juntos nesta vida, como uma unidade familiar formada aqui, para aqui.

Mas há ainda algo mais profundo.

A escolha da expressão “carne” realça que o casamento é uma união inteira, não apenas espiritual ou intelectual. Duas mentes podem concordar; dois espíritos podem partilhar fé; duas almas podem ter afinidade. Contudo, nada disso cria uma unidade ontológica nova. Só a união matrimonial, selada pela decisão, compromisso, vida comum e intimidade — elementos próprios da existência terrestre — produz aquilo que Deus chama de “uma só carne”.

Por outro lado, quando Paulo fala da união entre Cristo e a Igreja, ele usa exatamente esta citação de Gênesis para mostrar que o casamento terreno é uma sombra, um símbolo vivo de algo muito mais elevado: “Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da Igreja” (Efésios 5:32). A união espiritual com Cristo não é “uma só carne”, mas uma união eterna, que ultrapassa os limites da presente criação.

Portanto:

• O casamento é terreno e temporal;

• A expressão “uma só carne” descreve a união plena da vida humana nesta terra;

• A palavra “carne” não aponta para pecado aqui, mas para a realidade física e humana;

• Deus escolheu esta expressão porque é a única que descreve uma união de natureza corpórea, familiar e relacional, própria do propósito divino para o lar.

E ao mesmo tempo, esta expressão aponta para algo muito maior — um mistério que só se entende plenamente quando contemplamos Cristo e a Igreja.

Josué Matos

NO CASO DE ABANDONO DO CÔNJUGE O IRMÃO OU IRMÃ FICAM LIVRES?

Alguém que me escreveu no YouTube:

A PAZ DO SENHOR PRESBÍTERO, NO CASO SE UMA PESSOA É ABANDONADA PELO CÔNJUGE NA SUA MOCIDADE, COMO A PESSOA VAI PAGAR O PREÇO DE FICAR SOZINHO(A), POR UMA INCONSEQUÊNCIA E FALTA DE TEMOR A DEUS DE UMA OUTRA PESSOA, O PRÓPRIO APÓSTOLO PAULO DISSE QUE NO CASO DE ABANDONO O IRMÃO OU IRMÃ FICAM LIVRES. 1 Coríntios 7: 15 Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não está sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz. 27 Estás ligado à mulher? Não busques separar-te. Estás livre de mulher? Não busques mulher. 28 Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos.

Minha Resposta:

A tua pergunta é muito importante, e exige que leiamos toda a orientação bíblica do apóstolo Paulo, e não apenas uma frase isolada. O Senhor conhece perfeitamente a dor de quem foi abandonado por um cônjuge, e nunca trata essa situação com indiferença. A Palavra não exige que alguém “pague o preço” pelo pecado do outro. Porém, também não nos autoriza a tomar decisões que contradigam aquilo que Deus estabeleceu no princípio.

O ensino do Novo Testamento sobre casamento, abandono e “liberdade” está em 1 Coríntios 7, e precisa ser lido com atenção.

  1. Quando Paulo diz que o irmão ou irmã “não está sujeito à servidão” (1 Coríntios 7:15), ele não está ensinando que a pessoa pode casar-se de novo, mas que não está obrigada a lutar pela manutenção de um vínculo que o incrédulo rejeitou.
    Ou seja: a pessoa fica livre do dever conjugal, mas não livre para contrair novo casamento.

  2. A “paz” mencionada no versículo não é autorização para um novo vínculo, mas a cessação de um conflito impossibilitado pela recusa do cônjuge incrédulo.
    É liberdade de perseguição e de opressão, não liberdade para um novo matrimônio.

  3. O próprio apóstolo Paulo, no mesmo capítulo, interpreta o que significa estar “livre”:

    “Estás ligado à mulher? Não busques separar-te.
    Estás livre de mulher? Não busques mulher.”
    (1 Coríntios 7:27)

    Aqui, “livre” significa não casado — seja por viuvez, seja por nunca ter casado. E mesmo nessa condição, Paulo recomenda prudência: “não busques mulher”.

  4. Tanto é assim, que no versículo seguinte ele explica:

    “Mas, se te casares, não pecas…” (1 Coríntios 7:28)

    Quem são os que “não pecam” ao casar-se?
    Os solteiros e as viúvas, conforme todo o contexto do capítulo (1 Coríntios 7:8,9 e 7:39, onde a viúva pode casar-se novamente, mas somente “no Senhor”).

    Não há, em todo o capítulo, qualquer autorização para recasamento de alguém que foi abandonado, mas cujo cônjuge ainda vive.

  5. O próprio Senhor Jesus reforça o princípio:

    “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”
    (Evangelho segundo Mateus 19:6)

    Nenhum apóstolo poderia contradizer o que o Senhor estabeleceu. E Paulo não contradisse.

Mas então… é justo que alguém fique sozinho por causa do pecado do outro?

A Bíblia não coloca essa situação em termos de justiça humana, mas de fidelidade ao que Deus estabeleceu desde a criação. O Senhor sabe perfeitamente quem foi culpado, quem sofreu, e quem está pagando o preço do abandono. E Ele mesmo se apresenta como o defensor dos injustiçados.

A Bíblia que trata desse assunto mostra com clareza que o crente abandonado:

  • não é culpado pelo pecado do outro;

  • não está obrigado a conviver com perseguição ou opressão;

  • não está em servidão, ou seja, não tem mais obrigações conjugais para com quem o abandonou;

  • mas permanece ligado pelo vínculo que Deus estabeleceu, enquanto ambos viverem.

A dor é real, mas a Palavra é clara: o casamento é indissolúvel aos olhos de Deus enquanto ambos viverem.

O Senhor nunca exige que alguém “pague o preço” pelo erro do outro — Ele mesmo conhece e recompensará a fidelidade. Não há castigo em permanecer fiel ao que Deus estabeleceu; há segurança, honra e paz diante d’Aquele que julga com justiça.

A promessa dEle permanece firme:

“Deus chamou-nos para a paz.”
(1 Coríntios 7:15)

A paz não vem de um novo casamento, mas da consciência tranquila diante da vontade do Senhor.

Sei que este assunto é sensível e envolve lágrimas, feridas e história de vida. Mas precisamente por isso precisamos repousar na sabedoria do Senhor, que nunca erra quando orienta os Seus filhos.

Que Ele te fortaleça, console e sustente.
E que, acima de tudo, te dê a paz que excede todo o entendimento.

Josué Matos

Por isso que creio no arrebatamento depois da grande tribulação

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Por isso que creio no arrebatamento depois da grande tribulação, porque a primeira ressurreição, que é a dos Santos, ocorre depois da grande tribulação, em Apocalipse 20.

Minha Resposta:

A chave para entender Apocalipse 20 é lembrar que ali não começa a primeira ressurreição — ali ela é apenas vista em visão profética. A Bíblia nunca ensina que a primeira ressurreição ocorre naquele momento depois da Grande Tribulação; ela ensina que a primeira ressurreição é uma categoria, não um único evento.

A própria Escritura mostra que a primeira ressurreição acontece em fases, ao longo do plano de Deus, antes e até depois da Tribulação. Vejamos com calma:

  1. O Senhor Jesus Cristo já ressuscitou dentre os mortos como “as primícias dos que dormem” (1 Coríntios 15:20). Isso já é parte da primeira ressurreição.

  2. Muitos santos do Antigo Testamento ressuscitaram quando Cristo ressuscitou (Mateus 27:52-53). Eles também pertencem à primeira ressurreição.

  3. A ressurreição dos salvos da presente dispensação ocorre no arrebatamento, quando “os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16). Isso também é parte da primeira ressurreição.

Apocalipse 20 não diz que a primeira ressurreição acontece naquele ponto; diz apenas que os mártires mortos durante a Tribulação também ressuscitam e participam da primeira ressurreição, porque estão no mesmo grupo: o grupo dos justos.

Isto é confirmado pela própria explicação do Apocalipse:

Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição” (Apocalipse 20:5-6).

Observe: parte (ou “porção”). Não diz: “este é o momento em que acontece”.
Diz: “estes fazem parte do mesmo grupo”.

Portanto, os mártires da Tribulação não inauguram a primeira ressurreição; eles se unem a uma ressurreição que já começou:

  • com Cristo (as primícias),

  • continuou com alguns santos em Mateus 27,

  • continua com a Igreja arrebatada antes da Tribulação,

  • e culmina com os mártires e santos da Tribulação.

Se Apocalipse 20 fosse a primeira vez que os justos ressuscitam, então o apóstolo Paulo estaria errado quando afirmou:

“Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16).

Mas Paulo escrevia a respeito do arrebatamento, antes da Tribulação.

Além disso, se todos os salvos só fossem ressuscitar após a Tribulação, não existiria:

  • arrebatamento,

  • nem tribunal de Cristo,

  • nem bodas do Cordeiro (Apocalipse 19),

  • todas as quais acontecem no céu, antes da manifestação gloriosa.

Apocalipse 20, então, não está em conflito com o arrebatamento pré-tribulacional. Ele apenas mostra que os mártires da Tribulação não ficarão de fora da primeira ressurreição — eles são acrescentados ao grupo dos justos, mas não definem o seu início.

A distinção bíblica é simples:

  • Primeira ressurreição = ressurreição dos justos, em etapas.

  • Segunda ressurreição = ressurreição dos ímpios, ao final do milênio.

Assim, a ressurreição de Apocalipse 20 não determina o momento do arrebatamento; determina apenas a inclusão dos santos martirizados no mesmo grupo de bem-aventurados que já ressuscitaram antes.

Josué Matos


Quem são os tímidos? (Apocalipse 21:8)

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão, quem são os tímidos? Obrigada - "Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte."  (Apocalipse 21:8)

Minha Resposta:

Obrigado pela pergunta. O versículo de Apocalipse 21:8 é muito sério e precisa ser entendido com cuidado e reverência, pois não fala apenas de comportamentos, mas de atitudes do coração que revelam a verdadeira condição espiritual da pessoa diante de Deus.

A pergunta é: quem são os “tímidos”?

Em português, a palavra pode dar a impressão de alguém introvertido, quieto, inseguro ou com vergonha. Mas não é isso que o texto quer dizer.
A palavra usada no original tem o sentido de covardes, pessoas que recuam, que se acovardam diante da verdade, especialmente no que diz respeito ao testemunho de Cristo e à obediência à Palavra.

Segundo o próprio contexto de Apocalipse, os “tímidos” são:

  1. Os que recuam diante de Deus, não aceitam o evangelho, não se rendem ao Senhor Jesus e permanecem na incredulidade (note que o versículo coloca logo em seguida “os incrédulos”).

  2. Os que rejeitam a salvação por medo dos homens, que preferem agradar o mundo a confessar o Filho de Deus.

  3. Os que não enfrentam o pecado, mas se escondem dele, fugindo da luz como diz João 3:19–20.

Não se trata de personalidade.
Trata-se de posição espiritual.

A Bíblia mostra que o verdadeiro salvo pode ter temperamento tímido — Timóteo, por exemplo, era naturalmente reservado (2 Timóteo 1:7) — mas isso não tem nada a ver com Apocalipse 21:8. O crente pode ser quieto, discreto, sensível, introvertido, e ainda assim ser fiel, corajoso e firme diante da verdade.

O texto não condena temperamento, mas a postura de rejeitar a Cristo por amor ao mundo, por medo da perseguição, por recusar-se a crer e obedecer.

Os “tímidos”, portanto, são aqueles que:

Escolheram não seguir a Cristo, mesmo entendendo o chamado.
Retraem-se da fé, preferindo a aprovação humana à verdade de Deus.
Temem perder o mundo mais do que temem perder a própria alma.
Preferem calar-se diante do pecado em vez de se voltarem ao Salvador.

O contraste é muito forte com a palavra do Senhor Jesus:

“Qualquer que Me confessar diante dos homens, Eu o confessarei diante de Meu Pai; mas aquele que Me negar diante dos homens, Eu o negarei.”
(Mateus 10:32–33)

E com o que diz a Epístola aos Hebreus:

“Se Ele retroceder, a Minha alma não tem prazer nele.
Nós, porém, não somos daqueles que retrocedem para a perdição.”
(Hebreus 10:38–39)

Em resumo:

Os “tímidos” são os que recuam e rejeitam a fé; os salvos são os que confiam no Senhor Jesus, mesmo que sua personalidade seja mansa, calma ou reservada.

Que o Senhor use esta explicação para trazer clareza e firmeza ao coração de quem perguntou.

Josué Matos

É errado ter decoração de Natal em casa?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, é errado ter decoração de Natal em casa? Poderia enviar uma pregação sobre isto? Obrigado!

Minha Resposta:

Agradeço a sua pergunta, porque ela surge todos os anos e gera confusão em muitos lares cristãos. A questão não é nova, mas precisa ser tratada biblicamente, com calma e clareza, sem impor mandamentos humanos onde a Escritura não coloca.

A primeira coisa a dizer é: a Bíblia não diz, em nenhum lugar, que colocar decoração de Natal em casa é pecado. Não existe mandamento proibindo árvores, luzes, grinaldas ou qualquer enfeite que, na prática, é apenas decoração sazonal. O que a Bíblia condena é a idolatria — isto sim — quando um objeto recebe honra religiosa, devoção, adoração ou confiança espiritual.

O problema, portanto, não está no objeto, mas no uso e no significado dado a ele.

Quando o Senhor condenou Israel por fazer ídolos de madeira, não estava a falar de “árvores decorativas”, mas de estátuas para culto, diante das quais o povo se prostrava e buscava proteção. Em passagem alguma da Escritura vemos uma árvore enfeitada sendo tratada como ídolo, exceto quando ela era transformada em imagem, o que não é o caso de simples decorações domésticas.

Devemos lembrar também que o Natal não tem origem num mandamento bíblico, nem foi instituído pela igreja primitiva. É uma data cultural em que muitos, por tradição, lembram o nascimento do Senhor Jesus. Não há pecado em lembrar o Seu nascimento; pecado haveria em adorarmos a data, ou nos prendermos a tradições humanas como se fossem mandamentos divinos.

O ponto essencial é este: o cristão não adora símbolos. Adora a Cristo.

Se a pessoa coloca uma decoração apenas como “enfeite”, sem nenhum sentido religioso errado, ela não está pecando. Mas, se a consciência dela fica acusada, então não deve fazê-lo, pois “tudo o que não é de fé é pecado” (Romanos 14:23).

Por isso, Paulo ensinou que há assuntos em que Deus deixou espaço para discernimento pessoal, e que cada um deve agir com convicção diante Dele, sem impor fardos sobre os outros. O que não podemos fazer é transformar preferências pessoais em doutrina bíblica.

Quanto ao pedido de uma pregação, deixo-lhe um resumo claro do ensino bíblico que costumo apresentar sobre o tema:

— A idolatria está no coração, não no objeto. O problema não é madeira, vidro ou luzes, mas quando algo toma o lugar que pertence somente ao Senhor.

— A liberdade cristã não é licença para pecar, mas é liberdade de consciência diante de coisas que a Bíblia não proibiu.

— O cristão deve fazer tudo “para glória de Deus” (1 Coríntios 10:31). Se a decoração não é motivo de tropeço, e a consciência está tranquila, não há condenação.

— Ninguém deve julgar o servo alheio em assuntos que Deus não determinou (Romanos 14:4).

— Mais importante do que decorar a casa é guardar o coração, manter o testemunho e viver em santidade.

Portanto, irmão, não considere pecado aquilo que a Palavra de Deus não chama de pecado. E não permita que tradições humanas lhe roubem a simplicidade de Cristo. O que o Senhor procura é obediência, separação do mal e um coração puro que O adore em espírito e em verdade.

Mas o Natal não tem origem pagã?

Bem, essa é uma pergunta importante, e muitos crentes sinceros ficam perturbados por causa dela. Vamos tratá-la com equilíbrio bíblico.

É verdade que várias datas, costumes e práticas ao longo da história sofreram influência de culturas pagãs — mas esse fato, por si só, não transforma automaticamente tudo em pecado, nem significa que o cristão esteja praticando paganismo ao participar de algo que, hoje, tem outro significado.

A Bíblia mostra que Deus não condena um objeto ou um costume apenas pela sua origem remota, mas pelo uso presente, pela intenção do coração e pelo significado que lhe é atribuído.

1. Quando Israel tomou posse da terra, muitas terras antes eram usadas para idolatria. Deus não proibiu que eles morassem nelas; proibiu, sim, que adotassem os costumes idólatras.

2. A moeda usada no tempo do Senhor Jesus tinha a imagem de César, um imperador idólatra e adorado como deus, e ainda assim o Senhor disse: “Dai a César o que é de César” (Mateus 22:21). O objeto não era o problema.

3. O apóstolo Paulo ensinou que carnes vendidas nos mercados eram sacrificadas a ídolos — o que é origem pagã — e, mesmo assim, o cristão podia comer com liberdade se não estivesse participando de idolatria (1 Coríntios 8 e 10).

O princípio é claro: origem não define pecado — uso atual sim.

Quanto ao Natal:

— Não foi instituído pela Bíblia.

— Não é mandamento.

— Não é cerimônia religiosa imposta ao crente.

— Não guarda, hoje, ligação necessária com idolatria.

Sim, historicamente houve festividades pagãs em dezembro. Isso é um facto conhecido. Mas a questão é: o cristão hoje está a participar dessas antigas práticas idólatras? A resposta é: não.

A data tornou-se uma tradição cultural em que muitos lembram o nascimento do Senhor Jesus. Não adoram árvores, não oferecem sacrifícios, não se prostram a símbolos. Não há culto pagão envolvido.

E Paulo ensina que, se algo não envolve idolatria real, o cristão é livre para participar — desde que sua consciência esteja tranquila diante do Senhor.

O perigo maior, na verdade, não está na árvore, nas luzes ou na data, mas em dois extremos:

1. Transformar o Natal num ritual religioso obrigatório, quando a Bíblia nunca exigiu isso.

2. Tratar como pecado aquilo que Deus não chamou de pecado, impondo fardos que a Escritura não coloca.

Se uma família quiser apenas reunir-se, agradecer a Deus, lembrar do nascimento de Cristo e demonstrar amor uns aos outros, não há contaminação nisso.

CONCLUSÃO BÍBLICA

— A comemoração natalina não é um mandamento da Palavra.

— A sua origem histórica não define o uso atual.

— O cristão deve evitar idolatria, e não decorações domésticas.

— Cada um deve agir com convicção diante de Deus (Romanos 14).

— O centro não é a data, mas o Senhor Jesus.

Josué Matos