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Por que razões alguns afirmam que o Evangelho de Mateus foi escrito em língua hebraica ou aramaica?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia, irmão Josué.

Por favor, por que razões alguns afirmam que o Evangelho de Mateus foi escrito em língua hebraica ou aramaica? Isto é verdade? Por que é importante para essas pessoas afirmarem isso?

Alguns também afirmam que a Grande Comissão, no último capítulo, seria de origem posterior para induzir as pessoas a crerem na doutrina bíblica da Trindade.

Como podemos responder a isso, irmão Josué?

Obrigado desde já.

Minha Resposta:

Essa é uma excelente pergunta, pois envolve tanto a história da transmissão do Novo Testamento quanto a confiabilidade das Escrituras.

Em primeiro lugar, é verdade que alguns escritores antigos, como Papias (século II), mencionaram que Mateus teria organizado os "oráculos" do Senhor em "língua hebraica". Entretanto, essa afirmação tem sido entendida de diferentes maneiras.

Alguns estudiosos acreditam que Papias estivesse se referindo a uma coleção inicial dos ensinos de Cristo em hebraico ou aramaico, usada entre os judeus. Outros entendem que ele se referia ao próprio Evangelho de Mateus. O problema é que nenhum manuscrito hebraico ou aramaico antigo desse Evangelho chegou até nós.

Todos os manuscritos antigos de Mateus que possuímos, inclusive os mais antigos conhecidos, são em língua grega. Além disso, o texto apresenta características típicas de uma composição originalmente grega, como jogos de palavras, construções gramaticais e numerosas citações do Antigo Testamento seguindo, muitas vezes, a tradução grega conhecida como Septuaginta.

Portanto, não existe evidência manuscrita de que o Evangelho de Mateus preservado pela Igreja tenha sido originalmente escrito em hebraico ou aramaico. A evidência disponível favorece fortemente o texto grego que chegou até nós.

Quanto ao motivo de alguns insistirem numa origem hebraica, muitas vezes isso ocorre porque desejam defender determinadas teorias segundo as quais o texto grego teria sido alterado posteriormente. Entre essas teorias está a alegação de que Mateus 28:19 teria sido modificado para incluir a fórmula:

"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo."

Alguns afirmam que essa expressão teria sido acrescentada séculos depois para apoiar a doutrina da Trindade.

Entretanto, essa teoria não encontra apoio nas evidências históricas.

Todos os manuscritos gregos conhecidos que contêm Mateus 28 apresentam essa leitura. Da mesma forma, antigas versões em latim, siríaco e copta também a preservam. Além disso, escritores cristãos dos séculos II e III já citavam esse texto muito antes do Concílio de Niceia.

Outro argumento frequentemente apresentado é que, no livro de Atos dos Apóstolos, os convertidos eram batizados "em nome de Jesus Cristo" (Atos 2:38; 8:16; 10:48; 19:5).

Mas isso não representa uma contradição.

Em Mateus 28:19, o Senhor Jesus estabeleceu a fórmula do batismo. Já em Atos, a expressão "em nome de Jesus Cristo" identifica a autoridade sob a qual aquelas pessoas eram batizadas, distinguindo o batismo cristão dos demais batismos conhecidos pelos judeus, como o batismo de João Batista.

É semelhante a alguém dizer hoje que determinada pessoa foi presa "em nome da lei". Isso não significa que essas palavras precisem ser pronunciadas literalmente no momento da prisão, mas indica sob qual autoridade o ato foi realizado.

Outro detalhe importante é que a doutrina da Trindade não depende apenas de Mateus 28:19.

A Bíblia inteira apresenta o Pai como Deus (João 6:27), o Filho como Deus (João 1:1; João 20:28; Tito 2:13; Hebreus 1:8) e o Espírito Santo como Deus (Atos dos Apóstolos 5:3-4). Ao mesmo tempo, afirma claramente que existe um só Deus (Deuteronômio 6:4; Isaías 45:5; 1 Coríntios 8:4-6).

Portanto, a doutrina da Trindade não foi construída sobre um único versículo, mas sobre o conjunto da revelação bíblica.

Devemos lembrar ainda da promessa do próprio Senhor:

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar." (Mateus 24:35)

E também:

"Toda a Escritura é inspirada por Deus." (2 Timóteo 3:16)

Assim, não temos razão para desconfiar da autenticidade de Mateus 28:19. A evidência manuscrita, o testemunho da Igreja primitiva e a harmonia das Escrituras apontam para a preservação fiel desse texto.

Josué Matos

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