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O SUMO SACERDOTE E SUA RELAÇÃO COM CRISTO


Entre todas as figuras do Antigo Testamento, poucas são tão ricas em significado espiritual quanto a do sumo sacerdote de Israel. Sua pessoa, suas vestes, suas funções e seu ministério foram estabelecidos por Deus para ensinar verdades profundas acerca do Senhor Jesus Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote.

O sacerdócio israelita não surgiu por iniciativa humana. Foi instituído pelo próprio Deus. Arão, irmão de Moisés, foi escolhido para ocupar esse cargo elevado, e seus descendentes exerceram essa função ao longo da história de Israel.

Êxodo 28:1 registra:

"Faze também chegar a ti teu irmão Arão, e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o sacerdócio."

O sumo sacerdote era o representante oficial do povo diante de Deus e, ao mesmo tempo, representava Deus diante do povo.

A FUNÇÃO DO SUMO SACERDOTE

O sumo sacerdote exercia um ministério único em Israel.

Embora houvesse muitos sacerdotes, somente ele podia entrar no Lugar Santíssimo uma vez por ano, no Dia da Expiação.

Levítico 16 descreve essa cerimônia solene.

Ali ele levava o sangue do sacrifício para dentro do véu e o apresentava diante de Deus em favor da nação.

Essa entrada anual demonstrava duas verdades.

Primeiro, que o pecado separava o homem de Deus.

Segundo, que somente através do sacrifício poderia haver aproximação.

Hebreus 9:7 diz:

"No segundo tabernáculo entrava só o sumo sacerdote, uma vez no ano."

Todo esse sistema apontava para a obra futura do Senhor Jesus Cristo.

A MITRA

Sobre a cabeça do sumo sacerdote estava a mitra, uma espécie de turbante sagrado.

Na parte frontal havia uma lâmina de ouro puro contendo as palavras:

"Santidade ao Senhor."

Êxodo 28:36-38 mostra que essa inscrição representava a separação total para Deus.

A cabeça fala dos pensamentos, propósitos e intenções.

No Senhor Jesus vemos perfeita santidade.

Jamais houve um pensamento impuro ou uma intenção errada em Sua vida.

Hebreus 7:26 declara:

"Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores."

AS PEDRAS DE ÔNIX

Sobre os ombros do sumo sacerdote havia duas pedras de ônix.

Nelas estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel.

Êxodo 28:12 afirma:

"Arão levará os seus nomes diante do Senhor sobre ambos os seus ombros, para memória."

Os ombros simbolizam força.

O sumo sacerdote carregava simbolicamente o povo sobre seus ombros.

Essa figura encontra seu cumprimento em Cristo.

O Bom Pastor não apenas conhece Suas ovelhas, mas as carrega em Seu poder.

Lucas 15:5 diz:

"E, achando-a, a põe sobre os seus ombros, cheio de júbilo."

O PEITORAL DO JULGAMENTO

O peitoral era uma das peças mais impressionantes das vestes sacerdotais.

Nele estavam doze pedras preciosas, cada uma representando uma tribo de Israel.

Êxodo 28:29 declara:

"Assim Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o seu coração."

Se os ombros falam da força de Cristo, o peitoral fala do Seu amor.

O povo era levado não apenas sobre os ombros, mas também sobre o coração.

Cristo sustenta os Seus com poder infinito e os ama com amor perfeito.

João 13:1 declara:

"Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim."

Cada pedra era diferente.

Algumas eram mais brilhantes.

Outras possuíam cores distintas.

Mas todas estavam igualmente próximas do coração do sumo sacerdote.

Assim também acontece com os crentes.

Cada um possui sua individualidade, mas todos são igualmente amados pelo Senhor.

URIM E TUMIM

Dentro do peitoral encontravam-se o Urim e o Tumim.

Embora a Bíblia não explique detalhadamente sua forma ou composição, sabemos que eram utilizados para buscar orientação da parte de Deus.

Eles simbolizam luz e perfeição.

No Senhor Jesus encontramos a perfeita revelação da vontade de Deus.

João 14:9 registra Suas palavras:

"Quem me vê a mim vê o Pai."

Toda a luz divina encontra-se nEle.

Toda a sabedoria divina manifesta-se nEle.

O ÉFODE

O éfode era uma vestimenta especial usada exclusivamente pelo sumo sacerdote.

Era confeccionado com ouro, azul, púrpura, carmesim e linho fino.

Cada elemento possuía significado espiritual.

O ouro fala da glória divina.

O azul fala do céu.

A púrpura fala da realeza.

O carmesim fala dos sofrimentos.

O linho fino fala da perfeição moral.

Todos esses elementos encontram sua plenitude na pessoa do Senhor Jesus.

Ele é Deus manifestado em carne.

É o Homem celestial.

É o Rei prometido.

É o Servo sofredor.

É o Homem perfeito.

A TÚNICA AZUL

Debaixo do éfode havia uma túnica inteiramente azul.

O azul frequentemente simboliza aquilo que é celestial.

O Senhor Jesus veio do céu.

João 3:13 declara:

"Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu."

Mesmo vivendo neste mundo, Sua origem, Seu caráter e Seus interesses eram celestiais.

Ele podia dizer:

"Eu não sou deste mundo."

OS SINOS E AS ROMÃS

Na borda inferior da túnica azul havia sinos de ouro alternados com romãs.

Êxodo 28:33-35 descreve esse detalhe.

Os sinos produziam som.

As romãs produziam fruto.

O som fala do testemunho.

O fruto fala do caráter.

Deus deseja ambos na vida do Seu povo.

Não basta falar sem produzir fruto.

Também não basta produzir fruto sem testemunho.

No Senhor Jesus encontramos perfeita harmonia entre palavras e obras.

Tudo o que Ele dizia era confirmado por aquilo que fazia.

A TÚNICA BRANCA

Por baixo de todas as demais vestes havia uma túnica branca de linho fino.

O branco fala de pureza, justiça e perfeição.

Cristo é absolutamente puro.

Pilatos declarou:

"Não acho nele crime algum."

O ladrão arrependido reconheceu:

"Este nenhum mal fez."

Até os demônios sabiam quem Ele era:

"O Santo de Deus."

O LUGAR SANTÍSSIMO

O sumo sacerdote tinha acesso ao Lugar Santíssimo.

Ali estava a arca da aliança.

Ali se manifestava a glória divina.

Ali o sangue era apresentado diante de Deus.

Mas tudo isso era apenas uma sombra.

Hebreus 9:24 declara:

"Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu."

O Senhor Jesus entrou na própria presença de Deus por nós.

Seu sacerdócio é superior ao de Arão.

Seu sacrifício é superior aos sacrifícios levíticos.

Seu ministério é eterno.

CRISTO, O GRANDE SUMO SACERDOTE

A Epístola aos Hebreus apresenta repetidamente o Senhor Jesus como nosso grande Sumo Sacerdote.

Hebreus 4:14 declara:

"Tendo, pois, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus."

Diferentemente dos sacerdotes terrenos, Ele nunca precisará ser substituído.

Nunca morrerá.

Nunca falhará.

Nunca precisará oferecer sacrifício pelos próprios pecados.

Hebreus 7:25 afirma:

"Pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus."

Hoje Cristo está à direita de Deus.

Intercede pelos Seus.

Sustenta os Seus.

Representa os Seus diante do Pai.

CONCLUSÃO

As vestes do sumo sacerdote não eram apenas roupas cerimoniais.

Cada detalhe foi planejado por Deus para revelar aspectos da pessoa e da obra do Senhor Jesus Cristo.

A mitra fala de Sua santidade.

As pedras de ônix falam de Sua força.

O peitoral fala de Seu amor.

O Urim e o Tumim falam de Sua perfeita sabedoria.

O éfode fala de Sua glória.

A túnica azul fala de Sua origem celestial.

Os sinos e romãs falam de Seu testemunho e fruto.

A túnica branca fala de Sua pureza absoluta.

Tudo converge para Cristo.

Aquilo que Arão representava em figura, o Senhor Jesus cumpre em realidade.

Hoje não dependemos de um sacerdote terreno para nos aproximarmos de Deus.

Temos um grande Sumo Sacerdote vivo, glorificado e eterno.

Por isso Hebreus 4:16 nos convida:

"Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça."

Josué Matos