Quando estudamos a Bíblia de Gênesis a Apocalipse, percebemos que Deus não revelou todos os detalhes do Seu plano de uma só vez. Pelo contrário, Ele foi revelando Seus propósitos gradualmente ao longo da história. Essas diferentes etapas do relacionamento de Deus com a humanidade são chamadas de dispensações. (Ver imagem)
Uma dispensação é um período durante o qual Deus confia ao homem uma responsabilidade específica. Em cada dispensação Deus faz uma revelação, o homem recebe uma responsabilidade, o homem fracassa em cumpri-la, Deus executa juízo e, então, inicia uma nova etapa do Seu plano. O estudo das dispensações demonstra duas grandes verdades. A primeira é a incapacidade do homem de agradar a Deus por seus próprios méritos. A segunda é a fidelidade imutável de Deus em cumprir Seus propósitos apesar da falha humana.
As dispensações também nos ajudam a compreender muitas passagens bíblicas que, à primeira vista, parecem difíceis de harmonizar. Elas mostram que Deus não mudou de caráter, mas que foi acrescentando novas revelações à medida que Seu plano avançava. Cada dispensação revela algo mais da sabedoria, da graça, da justiça e da glória de Deus.
A DISPENSAÇÃO DA INOCÊNCIA
A primeira dispensação começou com a criação de Adão e Eva no Jardim do Éden. O homem foi criado à imagem de Deus, sem pecado, sem culpa e sem corrupção moral. Tudo ao seu redor era perfeito. Não havia morte, doença, sofrimento ou maldição.
Deus deu ao homem domínio sobre a criação e uma responsabilidade muito simples. Ele poderia comer livremente de todas as árvores do jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
A prova era a obediência.
Gênesis 2:16-17 diz:
"E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente; mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás."
Infelizmente, Satanás apareceu em cena através da serpente. Eva foi enganada e Adão desobedeceu deliberadamente ao mandamento divino.
A queda introduziu o pecado na raça humana.
Romanos 5:12 afirma:
"Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte."
Como consequência, o homem foi expulso do jardim, perdeu a comunhão que desfrutava com Deus e ficou sujeito à morte física e espiritual.
Mas já neste momento Deus revelou a esperança da redenção. Em Gênesis 3:15 encontramos a primeira profecia acerca do Senhor Jesus Cristo, a semente da mulher que pisaria a cabeça da serpente.
A DISPENSAÇÃO DA CONSCIÊNCIA
Após a queda, o homem passou a viver com o conhecimento do bem e do mal. Agora sua responsabilidade era obedecer à voz da consciência.
Durante este período viveram personagens como Abel, Enoque e Noé.
Abel aproximou-se de Deus por meio de um sacrifício aceitável. Enoque andou com Deus. Porém a maioria da humanidade seguiu um caminho de crescente corrupção.
Caim matou seu irmão Abel. A violência se espalhou pela terra. A perversidade tornou-se universal.
Gênesis 6:5 declara:
"E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra."
A consciência mostrou-se incapaz de controlar a natureza pecaminosa do homem.
O resultado foi o Dilúvio.
Somente Noé encontrou graça diante de Deus.
Enquanto o mundo zombava da mensagem divina, Noé construiu a arca e pregou a justiça.
Quando chegou o juízo, toda a humanidade pereceu nas águas, exceto os oito ocupantes da arca.
A DISPENSAÇÃO DO GOVERNO HUMANO
Depois do Dilúvio, Deus iniciou uma nova etapa.
Pela primeira vez foi estabelecido formalmente o governo humano.
Em Gênesis 9:6 Deus autorizou o homem a exercer autoridade sobre seus semelhantes e a punir o mal.
A humanidade recebeu também a ordem de espalhar-se por toda a terra.
Entretanto, em vez de obedecer, os homens decidiram unir-se em rebelião.
Em Babel construíram uma cidade e uma torre cujo topo deveria alcançar os céus.
Seu objetivo era exaltar o homem e rejeitar a autoridade de Deus.
Gênesis 11:4 registra suas palavras:
"Façamo-nos um nome."
Eles não queriam glorificar a Deus. Queriam glorificar a si mesmos.
O juízo veio através da confusão das línguas.
Os homens foram dispersos por toda a terra.
As nações surgiram e os diferentes idiomas apareceram.
Até hoje a humanidade vive as consequências daquele acontecimento.
A DISPENSAÇÃO DA PROMESSA
Após Babel, Deus escolheu um homem chamado Abraão.
Com ele inicia-se uma nova dispensação.
Em vez de tratar com toda a humanidade, Deus passou a tratar especialmente com uma família da qual surgiria a nação de Israel.
Abraão recebeu promessas extraordinárias.
Deus prometeu uma descendência numerosa, uma terra, uma grande nação e bênçãos para todas as famílias da terra.
Gênesis 12:2-3 diz:
"Far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei."
O princípio desta dispensação era a fé.
Abraão deveria confiar nas promessas de Deus.
Hebreus 11:8 afirma:
"Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu."
Apesar do exemplo de Abraão, seus descendentes frequentemente demonstraram incredulidade.
Houve mentiras, conflitos, favoritismos, pecados e desobediência.
Ao final desta dispensação, a família de Jacó encontrava-se no Egito e seus descendentes acabaram reduzidos à escravidão.
Mas Deus permaneceu fiel à Sua promessa.
A falha do homem não anulou a fidelidade divina.
A DISPENSAÇÃO DA LEI
Por meio de Moisés, Deus libertou Israel do Egito e deu a Lei no Monte Sinai.
Esta dispensação durou aproximadamente quinze séculos.
A Lei revelava a santidade de Deus.
Os Dez Mandamentos tornaram-se o padrão moral da nação.
Além deles havia inúmeras instruções civis, religiosas e cerimoniais.
A Lei nunca foi dada para salvar.
Seu propósito era revelar o pecado.
Romanos 3:20 declara:
"Pela lei vem o conhecimento do pecado."
A história de Israel sob a Lei é marcada por repetidos fracassos.
Logo após receber os mandamentos, o povo adorou o bezerro de ouro.
Ao longo dos séculos houve idolatria, rebeliões, injustiça e afastamento de Deus.
Os profetas enviados para chamar a nação ao arrependimento foram perseguidos e rejeitados.
Finalmente, quando o próprio Filho de Deus veio ao mundo, Israel o rejeitou.
João 1:11 afirma:
"Veio para o que era seu, e os seus não o receberam."
A cruz demonstrou tanto a profundidade do pecado humano quanto a grandeza do amor divino.
A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA
Vivemos atualmente nesta dispensação.
Ela começou após a morte, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus Cristo.
No Dia de Pentecostes o Espírito Santo veio habitar na Igreja.
Agora Deus está chamando pessoas de todas as nações para formar um único corpo em Cristo.
A salvação é oferecida gratuitamente mediante a fé.
Efésios 2:8-9 declara:
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé."
O Evangelho é anunciado ao mundo inteiro.
Homens e mulheres são convidados a arrepender-se e confiar no Senhor Jesus Cristo.
Nesta dispensação não somos salvos pela Lei, por obras ou por méritos pessoais.
Somos salvos exclusivamente pela graça de Deus.
Infelizmente, a Bíblia também revela que a cristandade professa terminaria em grande apostasia.
Muitos abandonariam a verdade.
Falsos mestres surgiriam.
Doutrinas humanas substituiriam o ensino bíblico.
Por fim, o Senhor virá buscar Sua Igreja no arrebatamento.
Os mortos em Cristo ressuscitarão e os crentes vivos serão transformados.
A DISPENSAÇÃO DO REINO
Após os acontecimentos da Tribulação, o Senhor Jesus voltará em glória para estabelecer Seu reino sobre a terra.
Satanás será preso.
Israel será restaurado.
As promessas feitas a Abraão e Davi terão cumprimento pleno.
O Senhor Jesus reinará com justiça.
Isaías 11:9 declara:
"A terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar."
Será um período de paz, prosperidade e justiça sem precedentes.
As nações reconhecerão a autoridade de Cristo.
A criação experimentará bênçãos extraordinárias.
Entretanto, ao final dos mil anos, Satanás será solto por breve tempo.
Mesmo depois de viverem sob o governo perfeito de Cristo, muitos se rebelarão.
Mais uma vez ficará demonstrado que o problema fundamental do homem é o pecado do coração.
A rebelião será imediatamente destruída por Deus.
Então virá o julgamento final.
O PROPÓSITO DE TODAS AS DISPENSAÇÕES
Ao observarmos todas as dispensações, percebemos uma lição repetida continuamente.
O homem falhou na inocência.
O homem falhou sob a consciência.
O homem falhou no governo humano.
O homem falhou sob a promessa.
O homem falhou sob a Lei.
O homem falha durante a graça.
O homem ainda falhará ao final do Reino Milenar.
Mas Deus nunca falhou.
Sua graça permanece.
Sua fidelidade permanece.
Suas promessas permanecem.
As dispensações não mostram diferentes caminhos de salvação. Em todas as épocas os homens foram salvos pela graça de Deus mediante a fé.
O grande propósito das dispensações é revelar que não existe esperança para o homem fora do Senhor Jesus Cristo.
Toda a Bíblia aponta para Ele.
Adão aponta para Cristo.
A arca de Noé aponta para Cristo.
Os sacrifícios apontam para Cristo.
A Lei aponta para Cristo.
As promessas apontam para Cristo.
O Reino será estabelecido por Cristo.
E a eternidade será desfrutada com Cristo.
Ele é o centro do plano divino.
Ele é o Alfa e o Ômega.
Ele é o Cordeiro de Deus.
Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores.
E um dia todo joelho se dobrará diante dEle e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
Josué Matos
