Alguém que me escreveu no YouTube:
De acordo com o ensino de Jesus, a permissão para o divórcio dada por Moisés não anulou o propósito original de Deus para o casamento.
Em Mateus 19:3-9, quando os fariseus perguntaram sobre o divórcio, Jesus respondeu citando Gênesis:
'O que Deus ajuntou não o separe o homem.'
E acrescentou que Moisés permitiu o divórcio 'por causa da dureza do vosso coração', mas que 'no princípio não foi assim'.
Nessa interpretação, Jesus apresenta duas ideias:
O ideal de Deus desde a criação é a união permanente entre marido e mulher.
A concessão de Moisés sobre o divórcio foi uma permissão dada para lidar com a realidade do pecado humano, não uma revogação do plano original de Deus.
O apóstolo Paulo de Tarso também ensina que o vínculo matrimonial é para toda a vida, sendo a morte o que normalmente encerra essa união (Romanos 7:2-3; 1 Coríntios 7:39).
Há diferentes interpretações entre as tradições cristãs sobre exceções ao divórcio e novo casamento, mas a maioria concorda que Jesus afirmou a superioridade do propósito original de Deus para o matrimônio em relação à concessão mosaica do divórcio.
Minha Resposta:
Você está correto ao afirmar que o propósito original de Deus para o casamento nunca foi alterado. Desde Gênesis 2:24, Deus estabeleceu uma união permanente entre um homem e uma mulher, e o Senhor Jesus confirmou esse princípio ao declarar: "O que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mateus 19:6).
Entretanto, é importante esclarecer um ponto que costuma gerar muita confusão. Muitos entendem que Mateus 19:9 autoriza o divórcio em caso de adultério. Porém, o texto não utiliza a palavra "adultério", mas "fornicação". No Novo Testamento existe uma distinção entre esses termos. Fornicação refere-se à impureza sexual de uma pessoa que ainda não consumou o casamento, enquanto adultério é a infidelidade de quem já está casado.
Essa distinção é confirmada pelo próprio contexto judaico. Naquele tempo existia o desposório, um compromisso muito mais forte do que o noivado moderno. José e Maria estavam desposados, sendo chamados marido e mulher, embora ainda não tivessem convivido maritalmente (Mateus 1:18-20). Se durante esse período fosse descoberta fornicação, o compromisso poderia ser desfeito.
Assim, a chamada "cláusula de exceção" do Senhor Jesus não trata de um casamento consumado, mas da quebra do compromisso do desposório por causa da fornicação. Ela não constitui autorização para dissolver um casamento já estabelecido.
Quando os apóstolos ensinam sobre o casamento cristão, essa exceção sequer é mencionada. Pelo contrário, a doutrina é clara e uniforme. Romanos 7:2-3 afirma que a mulher está ligada ao marido enquanto ele vive. 1 Coríntios 7:10-11 ordena que a esposa não se aparte do marido e que o marido não deixe a esposa. Se ocorrer uma separação física, a orientação é igualmente clara: permanecer sem casar ou reconciliar-se.
Isso demonstra que existe diferença entre separação e divórcio. Em determinadas circunstâncias graves, como violência, abandono ou impossibilidade de convivência, pode haver uma separação física para preservar a vida, a segurança ou a paz. Contudo, essa separação não dissolve o vínculo matrimonial diante de Deus e não autoriza um novo casamento enquanto o outro cônjuge estiver vivo.
Por isso, o ensino bíblico permanece o mesmo do princípio ao fim: o casamento é uma união estabelecida por Deus e somente a morte desfaz esse vínculo. O divórcio civil pode produzir efeitos perante as leis humanas, mas não altera aquilo que Deus uniu.
Esse entendimento harmoniza Gênesis 2:24, Mateus 19:3-9, Marcos 10:11-12, Lucas 16:18, Romanos 7:2-3, 1 Coríntios 7:10-11 e 1 Coríntios 7:39, preservando o propósito original de Deus para o matrimônio e a figura da união indissolúvel entre Cristo e Sua Igreja.
Josué Matos