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O TABERNÁCULO NO DESERTO

 


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O TABERNÁCULO NO DESERTO 📙

Entre todas as revelações que Deus concedeu ao homem nas páginas das Escrituras, poucas possuem tanta profundidade, beleza e riqueza espiritual quanto o Tabernáculo erguido no deserto. À primeira vista, ele poderia parecer apenas uma antiga tenda utilizada pelo povo de Israel durante sua peregrinação rumo à Terra Prometida. Porém, quando examinamos cuidadosamente cada detalhe dessa extraordinária construção, descobrimos que ela constitui uma das mais completas revelações do pensamento de Deus acerca do Seu Filho, do plano da redenção e do Seu desejo de habitar entre os homens.

O Tabernáculo não nasceu da imaginação humana. Nenhum arquiteto elaborou seu projeto. Nenhum líder religioso decidiu sua forma. Sua origem está no próprio coração de Deus. Foi Ele quem revelou cada medida, cada material, cada móvel, cada cor, cada cortina e cada detalhe da sua estrutura. Nada foi deixado ao acaso. Tudo possuía um significado e um propósito.

Quando Israel saiu do Egito, o povo havia sido libertado da escravidão, mas ainda precisava atravessar um longo deserto. A jornada seria difícil. Haveria sede, fome, perigos, provações e muitas manifestações da fraqueza humana. Contudo, antes mesmo de conduzi-los à terra prometida, Deus lhes deu algo extraordinário: Sua própria presença.

A grande maravilha do Tabernáculo não era sua beleza exterior. Não eram suas cortinas, seus móveis de ouro ou seus utensílios sagrados. A verdadeira maravilha era que Deus desejava habitar ali.

Em Êxodo 25:8 encontramos uma das declarações mais notáveis de toda a Bíblia:

"E me farão um santuário, e habitarei no meio deles."

Essas palavras revelam algo precioso acerca do caráter divino. Deus não é indiferente ao homem. Ele não permaneceu distante em Sua majestade celestial observando a humanidade de longe. Pelo contrário, Seu desejo sempre foi aproximar-se da criatura que formou.

No Jardim do Éden, Deus andava com o homem.

No deserto, Deus habitou no Tabernáculo.

Em Jerusalém, Sua glória encheu o templo.

Na plenitude dos tempos, Deus veio ao mundo na Pessoa do Senhor Jesus Cristo.

Hoje, habita em Seu povo por meio do Espírito Santo.

E no futuro eterno, habitará para sempre com os remidos no novo Céu e na nova Terra.

O Tabernáculo ocupa um lugar central nessa maravilhosa história da presença de Deus entre os homens.

Ao observarmos o acampamento de Israel, percebemos algo significativo. As tribos eram organizadas ao redor do Tabernáculo. Ele ocupava exatamente o centro do povo. Não estava numa extremidade do acampamento. Não estava escondido numa montanha distante. Estava no meio deles.

Essa disposição ensinava uma verdade que permanece válida em todas as épocas: Deus deseja ocupar o lugar central.

O centro dos pensamentos.

O centro da adoração.

O centro da comunhão.

O centro da vida.

Tudo no acampamento convergia para aquele santuário. Quando a nuvem se movia, o povo se movia. Quando a nuvem parava, o povo parava. A presença de Deus determinava a direção da jornada.

Entretanto, o Tabernáculo não foi dado apenas para ensinar verdades sobre Deus. Ele também revela importantes verdades sobre o homem.

Ao longo de toda a sua estrutura encontramos uma realidade evidente: o homem não pode aproximar-se de Deus segundo seus próprios pensamentos.

Existe uma porta.

Existe um altar.

Existe uma bacia.

Existe um sacerdócio.

Existe sangue derramado.

Existe um caminho estabelecido por Deus.

Cada elemento do Tabernáculo proclama que a aproximação de Deus somente é possível através dos meios determinados por Ele.

Essa verdade alcança seu cumprimento perfeito no Senhor Jesus Cristo.

O próprio Senhor declarou:

"Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." (João 14:6)

O Tabernáculo, portanto, não é apenas um monumento histórico. É um retrato profético do Salvador.

O altar aponta para Seu sacrifício.

A bacia aponta para Sua obra purificadora.

O candelabro aponta para Sua luz.

A mesa dos pães aponta para Seu sustento.

O altar do incenso aponta para Sua intercessão.

O véu aponta para Sua carne.

A arca aponta para Sua Pessoa gloriosa.

Do início ao fim, o Tabernáculo fala do Senhor Jesus Cristo.

Por essa razão, durante séculos, estudantes das Escrituras dedicaram-se ao seu estudo. Quanto mais profundamente examinamos suas figuras, mais claramente percebemos a grandeza do plano divino.

Nenhum detalhe é insignificante.

Nenhuma medida é inútil.

Nenhuma cor foi escolhida sem propósito.

Nenhum móvel foi colocado por acaso.

Tudo possui uma mensagem.

Tudo possui uma lição.

Tudo aponta para Cristo.

Ao mesmo tempo, o Tabernáculo também nos apresenta uma visão da obra redentora de Deus ao longo dos séculos.

Ali vemos a santidade divina exigindo julgamento para o pecado.

Ali vemos a graça providenciando um substituto.

Ali vemos o sangue sendo derramado.

Ali vemos o pecador encontrando acesso à presença de Deus.

Ali vemos a comunhão restaurada.

Ali vemos, em figuras e sombras, as verdades que alcançariam sua plena realização na cruz do Calvário.

Mas o Tabernáculo não olha apenas para trás, para Israel, nem apenas para a cruz. Ele também aponta para o futuro.

A presença divina que habitava naquele santuário era uma antecipação daquilo que um dia será plenamente realizado.

O livro de Apocalipse descreve o momento em que Deus habitará para sempre com os homens.

Não haverá mais separação.

Não haverá mais pecado.

Não haverá mais véu.

Não haverá mais distância.

A comunhão interrompida no Éden será plenamente restaurada.

O propósito eterno de Deus alcançará seu cumprimento perfeito.

Assim, ao estudarmos o Tabernáculo, estamos contemplando muito mais do que uma antiga construção do deserto. Estamos observando um testemunho da graça divina, um retrato do Senhor Jesus Cristo, uma lição sobre a redenção e uma antecipação da glória futura.

Nas páginas que seguem, percorreremos cada parte dessa extraordinária habitação.

Entraremos pelo portão do átrio.

Pararemos diante do altar.

Observaremos a bacia de bronze.

Penetraremos no Santo Lugar.

Contemplaremos o candelabro, a mesa dos pães e o altar do incenso.

Atravessaremos o véu.

Chegaremos ao Santo dos Santos.

Ali encontraremos a arca da aliança, o lugar da presença de Deus.

E, ao longo dessa jornada, descobriremos que cada detalhe nos conduz à mesma Pessoa gloriosa: o Senhor Jesus Cristo.

Ele é o verdadeiro Tabernáculo de Deus.

Ele é o centro de toda a revelação divina.

Ele é o tema principal de todas as Escrituras.

E é para Ele que este estudo deseja conduzir o leitor.

Josué Matos