Alguém que me escreveu no YouTube:
Há comentários de que os evangelhos que descrevem as passagens proféticas, na verdade, foram escritos após os acontecimentos, como exemplo a destruição do templo em 70 d.C. Fico confusa.
Minha Resposta:
Essa é uma dúvida muito comum, porque muitos críticos da Bíblia partem do pressuposto de que a profecia não existe. Então, quando encontram uma previsão muito precisa nas Escrituras, concluem que ela só pode ter sido escrita depois dos fatos terem acontecido.
Mas essa conclusão não é baseada em provas históricas, e sim numa pressuposição filosófica: a de que Deus não revela o futuro.
Tomemos o exemplo da destruição do templo. O Senhor Jesus profetizou claramente esse acontecimento:
“Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada” (Mateus 24:2).
O templo foi destruído pelos romanos no ano 70 d.C., cerca de quarenta anos após a morte e ressurreição do Senhor Jesus.
A questão é: os Evangelhos foram escritos antes ou depois desse acontecimento?
Existem fortes evidências de que os Evangelhos foram escritos antes do ano 70 d.C.
Por exemplo, o livro de Atos dos Apóstolos termina com Paulo vivo e preso em Roma, aguardando julgamento. Não menciona sua morte, que ocorreu por volta de 67 d.C. Também não menciona a perseguição de Nero nem a destruição de Jerusalém em 70 d.C., acontecimentos extremamente importantes para os cristãos.
Isso sugere que Atos foi concluído antes desses eventos.
Como Atos foi escrito por Lucas e é a continuação do Evangelho de Lucas (Atos 1:1), então o Evangelho de Lucas necessariamente foi escrito antes de Atos.
E como Marcos e Mateus são geralmente considerados ainda mais antigos, temos razões sólidas para entender que os Evangelhos já circulavam antes da destruição de Jerusalém.
Além disso, se os escritores tivessem escrito depois do ano 70 d.C., seria natural que mencionassem o cumprimento exato da profecia do Senhor Jesus. No entanto, eles registram a profecia sem acrescentar qualquer comentário do tipo: “e isto aconteceu”. Esse silêncio é significativo.
A Bíblia está repleta de profecias cumpridas. O nascimento do Senhor Jesus em Belém foi anunciado séculos antes (Miqueias 5:2). Sua morte sacrificial foi descrita em detalhes em Isaías 53, cerca de setecentos anos antes de ocorrer. Sua entrada triunfal em Jerusalém foi prevista em Zacarias 9:9.
Portanto, a destruição do templo não é um caso isolado.
No fundo, a questão não é se havia capacidade humana para prever o futuro. Nenhum homem poderia fazê-lo. A questão é se Deus existe e se Ele pode revelar antecipadamente aquilo que irá acontecer.
A Bíblia apresenta um Deus que declara:
“Anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam” (Isaías 46:10).
Por isso, não há motivo para ficar confusa. A alegação de que os Evangelhos foram escritos depois dos acontecimentos não é um fato comprovado, mas uma teoria baseada na rejeição da possibilidade de profecias inspiradas por Deus. Para quem crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, o cumprimento dessas profecias é justamente uma das maiores evidências de sua origem divina.
Josué Matos