Áudios

Pesquisar este blog

O Crente Vota em Quem?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Muito precioso, irmão, seu vídeo: “O Crente Vota em Quem?”, Josué Matos.

Louvado seja o Senhor Jesus por partilhar essa verdade, para a qual muitos estão cegos, inclusive muitos de nossos irmãos.

Minha Resposta:

Amém, irmão. Fico muito agradecido pelas suas palavras e, acima de tudo, desejo que toda a glória seja dada ao Senhor Jesus Cristo.

Esse assunto realmente exige cuidado, porque vivemos numa época em que a política tem provocado divisões profundas até mesmo entre aqueles que professam o nome de Cristo. Muitas vezes, irmãos que deveriam estar unidos em torno da Pessoa do Senhor Jesus acabam discutindo, separando-se e até tratando uns aos outros como adversários por causa de candidatos, partidos e ideologias políticas.

A grande questão que o crente precisa fazer não é simplesmente: “Qual candidato é melhor?” ou “Em quem devo votar?”, mas uma pergunta anterior e muito mais importante: “Qual é o lugar que o Novo Testamento dá ao cristão em relação à política deste mundo?”

Quando examinamos o Novo Testamento, encontramos orientações muito claras sobre a relação do crente com as autoridades. Devemos respeitá-las, obedecer às leis, pagar os impostos e orar pelos governantes. Entretanto, não encontramos os cristãos sendo orientados a participar da disputa pelo governo deste mundo.

Em Romanos 13:1, lemos:

“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.”

Portanto, o cristão não deve ser rebelde contra o governo. Ainda que discorde das autoridades, deve respeitá-las. Evidentemente, existe um limite: quando uma autoridade exige algo contrário à Palavra de Deus. Nesse caso, permanece o princípio de Atos dos Apóstolos 5:29:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.”

Mas é muito interessante observar que, quando o Novo Testamento fala sobre a influência que os cristãos devem exercer em relação aos governantes, ele não aponta primeiramente para as urnas, mas para a oração.

Paulo escreveu:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1 Timóteo 2:1-2).

Observe a diferença. Deus não disse à Igreja que sua missão seria conquistar o governo, transformar o Império Romano ou colocar cristãos no poder. Deus mandou os cristãos orarem pelas autoridades para que pudessem viver uma vida tranquila, piedosa e honesta.

Isso acontece porque a vocação da Igreja é celestial.

Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Essa verdade muda completamente nossa perspectiva.

O cristão vive neste mundo, trabalha neste mundo, paga impostos neste mundo, respeita as autoridades deste mundo e procura fazer o bem enquanto estiver neste mundo. Contudo, ele pertence a outro lugar.

O próprio Senhor Jesus declarou diante de Pilatos:

“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).

Se o reino de Cristo fosse deste mundo, Seus servos lutariam para defendê-Lo. Mas o Senhor deixou muito claro que Seu reino não possui sua origem no sistema político presente.

Isso não significa que o cristão seja indiferente ao sofrimento das pessoas ou aos problemas da sociedade. Pelo contrário. Devemos fazer o bem, ajudar os necessitados, defender aquilo que é justo em nossa conduta pessoal, anunciar a verdade e manifestar o caráter de Cristo.

O Senhor Jesus disse:

“Vós sois o sal da terra” (Mateus 5:13).

E também:

“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14).

Mas existe uma diferença entre sermos luz no mundo e tentarmos assumir o controle do mundo.

A missão principal da Igreja não é reformar politicamente a sociedade, mas anunciar o Evangelho.

Quando observamos o livro de Atos dos Apóstolos, encontramos os cristãos vivendo sob governos que estavam muito longe dos princípios bíblicos. Havia idolatria, imoralidade, injustiça, escravidão e inúmeras práticas pecaminosas no Império Romano. Mesmo assim, os apóstolos não organizaram movimentos políticos para conquistar Roma.

Eles pregavam Cristo.

Pedro anunciou:

“Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos dos Apóstolos 4:12).

Paulo atravessou cidades e províncias anunciando o Evangelho. Sua preocupação fundamental não era substituir César, mas apresentar Cristo.

Isso ocorre porque o problema fundamental da humanidade não é político. É espiritual.

Um novo governo não pode produzir um novo coração.

Uma nova lei não pode produzir o novo nascimento.

Uma eleição não pode reconciliar o pecador com Deus.

Somente Cristo pode fazer isso.

Por isso Paulo escreveu:

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17).

Existe ainda outro perigo muito sério. Quando os cristãos começam a identificar a causa de Cristo com determinado partido, candidato ou ideologia, facilmente o testemunho do Evangelho fica comprometido.

O incrédulo pode começar a pensar que ser cristão significa pertencer a determinada posição política. Entretanto, o Evangelho não é de direita nem de esquerda. O Evangelho vem do céu.

Nosso Senhor não veio fundar um partido político. Ele veio:

“buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).

Além disso, nenhum candidato representa perfeitamente os princípios de Deus. Podemos encontrar alguém que defenda determinada questão moral correta e, ao mesmo tempo, sustente outras coisas incompatíveis com as Escrituras.

Por isso devemos ter muito cuidado para não colocar nossa esperança nos homens.

O Salmo 146:3 declara:

“Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação.”

A esperança do cristão não está na próxima eleição.

Nossa esperança é uma Pessoa.

Paulo escreveu:

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13).

Também precisamos lembrar que Deus continua soberano sobre as autoridades humanas. Daniel aprendeu esta grande verdade:

“O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Daniel 4:32).

Isso não significa que todos os governantes sejam bons ou que Deus aprove suas ações. Significa que nenhum governo escapa à soberania divina e que Deus continua conduzindo a história para o cumprimento de Seus propósitos.

Portanto, enquanto o mundo pergunta:

“Quem vai governar?”

O cristão sabe:

“Deus ainda está no trono.”

Enquanto as pessoas colocam sua esperança em candidatos, o cristão coloca sua esperança em Cristo.

Enquanto partidos prometem transformar a sociedade, o Evangelho anuncia uma transformação muito mais profunda: a transformação do pecador mediante o novo nascimento.

E enquanto os reinos deste mundo surgem e desaparecem, nós aguardamos aquele Reino que jamais passará.

Apocalipse 11:15 aponta para o dia em que será declarado:

“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.”

Até aquele dia, nossa responsabilidade é clara: respeitar as autoridades, pagar aquilo que lhes é devido, obedecer às leis enquanto não contrariem a Palavra de Deus, orar pelos governantes, viver de maneira santa e anunciar fielmente o Evangelho.

Não fomos enviados ao mundo para conquistar o sistema político, mas para apresentar Cristo aos pecadores.

Nossa maior influência não está numa urna, mas numa vida piedosa, numa igreja que ora e num Evangelho anunciado com fidelidade.

Podemos mudar um governante através de uma eleição, mas somente Deus pode mudar um coração através do Evangelho.

Por isso, em vez de depositarmos nossas esperanças nos homens, devemos manter os olhos naquele que em breve virá buscar a Sua Igreja.

“Porque a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

Que o Senhor nos dê graça para vivermos neste mundo sem pertencermos ao seu sistema, respeitando as autoridades sem colocarmos nelas nossa esperança, fazendo o bem a todos e mantendo nossa fidelidade Àquele que verdadeiramente é o Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

A “lei do marido”, mas a lei que é citada em Romanos 7 e 1 Coríntios 7:39 não seria a lei divina do matrimônio criada por Deus?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão, estava lendo aqui, e você cita a “lei do marido”, mas a lei que é citada em Romanos 7 e 1 Coríntios 7:39 não seria a lei divina do matrimônio criada por Deus?

Minha Resposta:

Sim, irmão. É importante fazer essa distinção, porque a expressão “lei do marido”, em Romanos 7:2, não deve ser entendida simplesmente como uma referência à Lei de Moisés sobre divórcio, nem como se Paulo estivesse estabelecendo uma regra exclusivamente judaica. O princípio que Paulo usa é muito mais antigo. Ele está fundamentado na ordem divina estabelecida por Deus para o matrimônio desde a criação.

Em Romanos 7:2-3 lemos:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido.”

Observe a expressão: “enquanto ele viver”. Depois Paulo acrescenta: “morto o marido, está livre da lei do marido”.

Portanto, a morte aparece como aquilo que encerra o vínculo e dá liberdade para uma nova união.

Isso fica ainda mais claro quando comparamos Romanos 7 com 1 Coríntios 7:39:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

Em Romanos 7, Paulo utiliza o matrimônio como uma ilustração para explicar nossa antiga relação com a lei e nossa nova relação com Cristo. Portanto, o assunto principal de Romanos 7 não é casamento e divórcio. Contudo, a ilustração somente funciona porque Paulo parte de um princípio matrimonial que seus leitores poderiam reconhecer: enquanto o cônjuge vive, permanece o vínculo; ocorrendo a morte, existe liberdade para uma nova união.

Mas de onde vem esse princípio?

Precisamos voltar a Gênesis, e não começar em Deuteronômio.

  1. A lei fundamental do casamento vem da criação

Antes de existir Israel, antes de Moisés, antes do Sinai e antes da antiga aliança, Deus já havia estabelecido o casamento.

Gênesis 2:24 declara:

“Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.”

Esse princípio foi estabelecido quando havia apenas um homem e uma mulher. Não existia ainda a nação de Israel nem a Lei mosaica.

Portanto, o casamento pertence à ordem criacional de Deus.

É muito significativo que, quando os fariseus perguntaram ao Senhor Jesus sobre o divórcio, Ele não começou por Deuteronômio 24. Ele voltou a Gênesis.

Mateus 19:4-6 diz:

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.”

Veja a expressão empregada pelo Senhor:

“no princípio”.

Esse detalhe é fundamental.

Os fariseus queriam discutir aquilo que Moisés havia permitido. O Senhor Jesus os levou àquilo que Deus havia estabelecido antes da permissão mosaica.

Depois eles perguntaram:

“Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?”

E o Senhor respondeu:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:7-8).

Novamente aparece a expressão decisiva:

“ao princípio não foi assim”.

Portanto, há uma diferença entre o princípio divino da criação e aquilo que posteriormente foi permitido por causa da dureza do coração humano.

  1. “A lei do marido” não deve ser confundida com a permissão de Deuteronômio 24

Esse ponto ajuda bastante a compreender Romanos 7.

Quando Paulo fala da “lei do marido”, ele não está dizendo que a carta de divórcio de Deuteronômio 24 constitui o fundamento permanente do matrimônio.

Pelo contrário, ele apresenta uma relação que permanece enquanto o cônjuge vive e que termina pela morte.

A própria ilustração seria enfraquecida se Paulo estivesse dizendo que o vínculo poderia terminar simplesmente por uma decisão humana. Seu argumento depende da permanência daquela relação enquanto houver vida.

Por isso ele diz:

“enquanto ele viver”.

E:

“morto o marido, está livre”.

Depois, em 1 Coríntios 7:39, praticamente o mesmo princípio aparece novamente:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive.”

Logo, podemos chamar isso de lei divina do matrimônio no sentido de ser o princípio estabelecido por Deus para a união conjugal.

  1. O casamento precede a Lei de Moisés

Isso também responde a uma questão importante que apareceu anteriormente em nossa conversa.

Não podemos colocar tudo o que o Senhor Jesus ensinou sobre casamento simplesmente dentro da categoria de “antiga aliança” e, depois, dizer que o ensino apostólico começou do zero após a cruz.

Há elementos especificamente mosaicos que pertenciam a Israel, mas o matrimônio não nasceu no Sinai.

Adão não era israelita.

Eva não estava sob a Lei mosaica.

Mesmo assim, Deus disse:

“serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24).

O Senhor Jesus confirmou esse princípio em Mateus 19:4-6 e Marcos 10:6-9.

Paulo voltou ao mesmo texto em Efésios 5:31:

“Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa carne.”

Assim temos uma sequência muito importante:

Gênesis 2 estabelece o princípio.

O Senhor Jesus confirma o princípio.

Paulo confirma o princípio.

Isso mostra a permanência da ordem divina para o matrimônio.

  1. “Uma só carne” é mais profundo do que um contrato humano

Outro detalhe importante é que Deus não descreve o casamento apenas como um contrato social.

Ele diz:

“serão uma só carne”.

O Senhor Jesus acrescenta:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Portanto, existe uma ação divina reconhecida nessa união.

Um tribunal humano pode declarar duas pessoas civilmente divorciadas, mas a pergunta bíblica é mais profunda: o que acontece com o vínculo que Deus estabeleceu?

É exatamente nesse ponto que Romanos 7:2-3 se torna tão importante:

“vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido”.

Por quê?

Porque o primeiro homem ainda está vivo e, portanto, o vínculo que serve de base à argumentação de Paulo permanece.

  1. 1 Coríntios 7 confirma essa compreensão

Esse princípio não aparece apenas incidentalmente em Romanos 7.

Em 1 Coríntios 7, Paulo está tratando diretamente de casamento.

Aos casados ele diz:

“Todavia, aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” (1 Coríntios 7:10-11).

Observe as duas possibilidades dadas à pessoa separada:

“que fique sem casar”;

ou

“que se reconcilie”.

Isso é muito significativo.

Paulo não apresenta a separação como oportunidade para começar outra união.

E quando chega ao final do capítulo, ele declara:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

A morte é apresentada novamente como o acontecimento que concede liberdade para casar novamente.

  1. Isso também explica Marcos 10 e Lucas 16

Marcos registra as palavras do Senhor:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Lucas registra:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

Essas declarações harmonizam-se perfeitamente com Romanos 7:2-3 e 1 Coríntios 7:39.

A razão pela qual uma nova união é chamada de adultério enquanto o primeiro cônjuge vive é justamente a permanência do vínculo matrimonial estabelecido por Deus.

  1. Portanto, irmão, sua observação está correta

Quando você pergunta se a “lei do marido” é a lei divina do matrimônio criada por Deus, eu diria que sim, desde que entendamos corretamente a expressão.

Romanos 7 está inserido numa discussão maior sobre a lei, e Paulo utiliza o matrimônio como ilustração. Porém, o princípio matrimonial utilizado por ele não começou com a legislação do divórcio dada a Israel.

Sua raiz está em Gênesis:

“serão ambos uma carne” (Gênesis 2:24).

Foi confirmado pelo Senhor:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Foi reafirmado por Paulo:

“A mulher casada está ligada [...] todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

E novamente:

“vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido” (Romanos 7:3).

Assim, podemos fazer uma distinção importante:

A permissão do divórcio em Deuteronômio estava relacionada à legislação dada a Israel e à dureza do coração humano.

O princípio da união matrimonial, porém, é anterior à Lei de Moisés. Ele pertence à própria ordem estabelecida por Deus na criação.

Por isso o Senhor Jesus não disse aos fariseus: “Vamos descobrir como facilitar o divórcio”.

Ele disse, em essência: voltem ao princípio.

“Desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea” (Marcos 10:6).

Essa é a chave.

O padrão não começa em Deuteronômio 24. Começa em Gênesis 2.

E é justamente esse princípio que encontramos novamente no ensino apostólico.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Como explicar Atos 13:48, no contexto do que diz a Escritura referente à universalidade da obra da salvação realizada pelo Senhor Jesus Cristo?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Meu amado irmão Josué, como explicar Atos 13:48, no contexto do que diz a Escritura referente à universalidade da obra da salvação realizada pelo Senhor Jesus Cristo?

Minha Resposta:

Meu amado irmão, esta é uma pergunta muito importante, porque Atos 13:48 precisa ser entendido sem diminuir nenhuma das duas verdades que a Escritura apresenta: de um lado, a soberania de Deus na salvação; de outro, a responsabilidade do homem diante do Evangelho e a suficiência da obra de Cristo para todos.

O texto diz:

“E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (Atos dos Apóstolos 13:48).

A expressão “ordenados para a vida eterna” não deve ser enfraquecida. O texto realmente apresenta uma ação divina. Entretanto, também não devemos transformar este versículo numa declaração de que Cristo morreu somente por determinadas pessoas ou de que Deus não deseja a salvação dos demais. Isso seria fazer Atos 13:48 contradizer muitas declarações claras das Escrituras.

  1. O contexto começa com a responsabilidade humana

Antes de chegarmos ao versículo 48, precisamos ler o versículo 46:

“Mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios” (Atos dos Apóstolos 13:46).

Observe o contraste.

No versículo 46, temos homens rejeitando a Palavra de Deus.

No versículo 48, temos pessoas crendo e sendo apresentadas como “ordenadas para a vida eterna”.

Portanto, Lucas coloca lado a lado duas verdades. A incredulidade não é atribuída a um decreto divino que obrigou aqueles judeus a rejeitarem o Evangelho. Paulo diz claramente: “visto que a rejeitais”.

Eles foram responsáveis por sua rejeição.

Por outro lado, quando os gentios creem, a salvação deles é atribuída à graça e ao propósito soberano de Deus.

Isto revela um princípio importante encontrado em toda a Escritura: quando o homem se perde, a responsabilidade é do próprio homem; quando o pecador é salvo, toda a glória pertence a Deus.

O Senhor Jesus expressou essas duas verdades de maneira muito bela:

“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37).

A primeira parte apresenta a soberania divina: “Todo o que o Pai me dá virá a mim”.

A segunda apresenta a porta inteiramente aberta ao pecador: “o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.

Não precisamos destruir uma verdade para preservar a outra.

  1. Atos 13:48 realmente ensina eleição

Não vejo necessidade de alterar o sentido natural de “ordenados” para evitar a doutrina da eleição. A eleição é uma doutrina bíblica.

Efésios 1:4 diz:

“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo.”

Segunda aos Tessalonicenses 2:13 declara:

“Deus vos elegeu desde o princípio para a salvação.”

Primeira de Pedro 1:2 fala dos crentes como:

“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai.”

Portanto, quando Atos 13:48 afirma que “creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna”, temos uma manifestação histórica do propósito soberano de Deus.

O Evangelho foi anunciado publicamente. Muitos ouviram a mesma mensagem. Alguns a rejeitaram, enquanto outros creram. E Lucas, olhando para aqueles que creram, mostra-nos o lado divino da sua salvação: eles estavam ordenados para a vida eterna.

Entretanto, isso não significa que o Evangelho tenha sido oferecido somente a eles.

Muito pelo contrário.

  1. O próprio contexto de Atos 13 mostra a amplitude da salvação

É muito significativo que, imediatamente antes de Atos 13:48, Paulo cite Isaías:

“Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até os confins da terra” (Atos dos Apóstolos 13:47).

Portanto, seria estranho interpretar o versículo seguinte como se estivesse restringindo a suficiência da obra de Cristo a um pequeno grupo, quando o versículo anterior acaba de apresentar a salvação alcançando “os confins da terra”.

O Evangelho não pertence exclusivamente a Israel. A salvação em Cristo é anunciada aos gentios e deve chegar a todas as nações.

O próprio Senhor havia dito:

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

E também:

“Que em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações” (Lucas 24:47).

Portanto, a eleição divina nunca deve ser usada como desculpa para limitar a proclamação do Evangelho. Nós não sabemos quem são os eleitos. Nossa responsabilidade é anunciar Cristo a todos.

  1. A obra de Cristo possui suficiência universal

Aqui precisamos fazer uma distinção importante.

A Bíblia ensina que a obra realizada pelo Senhor Jesus Cristo é suficiente para todos, embora somente aqueles que creem recebam pessoalmente os seus benefícios salvadores.

Primeira de João 2:2 declara:

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”

Observe cuidadosamente: João não diz apenas pelos pecados dos judeus e gentios eleitos. Ele amplia deliberadamente a declaração: “todo o mundo”.

Primeira a Timóteo 2:3-6 acrescenta:

“Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem, o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos.”

Também lemos:

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2:11).

E Hebreus 2:9 declara que o Senhor Jesus:

“pela graça de Deus, provasse a morte por todos.”

Estas passagens impedem que interpretemos Atos 13:48 como se a morte de Cristo fosse insuficiente para qualquer pecador que venha a Ele.

  1. “Todo aquele que quiser”

Talvez uma das expressões mais importantes para equilibrar este assunto seja encontrada no encerramento da própria Bíblia:

“E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida” (Apocalipse 22:17).

Não encontramos na Escritura um pecador querendo sinceramente vir a Cristo e sendo impedido porque descobriu que não era eleito.

Isso simplesmente não existe.

O Senhor Jesus disse:

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (João 7:37).

Também declarou:

“Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:15).

E novamente:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

A expressão é maravilhosa: “todo aquele”.

Não existe nenhuma autorização bíblica para dizermos a um pecador: “Talvez Cristo não tenha morrido por você” ou “Talvez você não possa ser salvo porque talvez não esteja entre os eleitos”.

A mensagem apostólica era muito diferente:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

  1. Então, como harmonizar eleição e universalidade?

Precisamos aceitar tudo o que Deus revelou, mesmo quando nossa capacidade humana não consegue explicar completamente como essas verdades se encontram no conselho eterno de Deus.

A Bíblia ensina simultaneamente:

Deus elege.

Deus chama.

O Espírito Santo convence.

Cristo realizou uma obra suficiente para todos.

O Evangelho deve ser anunciado a todos.

Deus deseja a salvação dos homens.

O pecador é chamado ao arrependimento.

O pecador é responsável quando rejeita Cristo.

Todo aquele que crê recebe a vida eterna.

Nenhum pecador que venha verdadeiramente a Cristo será rejeitado.

Há um belo exemplo dessa combinação em Atos dos Apóstolos 18. Quando Paulo estava em Corinto, o Senhor lhe disse:

“Não temas, mas fala, e não te cales; porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade” (Atos dos Apóstolos 18:9-10).

O Senhor sabia quem seria salvo. Mas qual foi a consequência disso?

Paulo não deixou de evangelizar pensando: “Se Deus tem Seu povo aqui, então não preciso pregar”.

Foi exatamente o contrário:

“E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus” (Atos dos Apóstolos 18:11).

A eleição não destrói a evangelização; ela a encoraja.

  1. O mesmo Paulo que ensinou eleição desejava a salvação dos perdidos

Este ponto é especialmente importante.

Paulo, que escreveu extensamente sobre eleição e predestinação, também escreveu:

“Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação” (Romanos 10:1).

Ele não raciocinava: “Se são eleitos, serão salvos; portanto, não preciso me preocupar”.

Pelo contrário, desejava ardentemente a salvação deles.

Poucos versículos depois escreveu:

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13).

E então apresenta a necessidade da evangelização:

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14).

Portanto, a soberania de Deus não elimina os meios que Ele determinou para alcançar os pecadores. Deus salva, mas determinou que o Evangelho fosse anunciado e que o pecador fosse chamado a crer.

  1. A Bíblia apresenta os dois lados sem constrangimento

Talvez nossa dificuldade esteja em querer fazer a Escritura responder perguntas filosóficas que ela não pretende responder.

Deuteronômio 29:29 estabelece um princípio muito útil:

“As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre.”

Há aspectos dos conselhos eternos de Deus que pertencem a Ele.

Aquilo que foi revelado a nós é claro:

“Deus... anuncia agora a todos os homens, e em todo lugar, que se arrependam” (Atos dos Apóstolos 17:30).

Também é claro:

“Quem crê no Filho tem a vida eterna; mas quem não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36).

Nossa responsabilidade, portanto, não é descobrir previamente quem foi ordenado para a vida eterna. Nossa responsabilidade é anunciar Cristo.

Depois que uma pessoa crê, pode olhar para trás e perceber que sua salvação não começou nela mesma, mas no propósito gracioso de Deus. Em vez de produzir orgulho, a eleição deveria produzir profunda humildade e adoração.

  1. Atos 13:46 e 13:48 devem permanecer juntos

Creio que esta seja uma das chaves mais importantes do texto.

Atos dos Apóstolos 13:46:

“Visto que a rejeitais...”

Responsabilidade humana.

Atos dos Apóstolos 13:48:

“Creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.”

Soberania divina.

Não devemos retirar nenhum dos dois versículos.

Se ficarmos somente com o versículo 46, poderemos acabar fazendo da salvação uma realização humana.

Se ficarmos somente com o versículo 48 e ignorarmos o restante das Escrituras, poderemos acabar eliminando a responsabilidade humana e restringindo indevidamente a oferta sincera do Evangelho.

A Escritura mantém ambos.

  1. A cruz é a base da proclamação universal

Finalmente, devemos distinguir entre a provisão realizada na cruz e a apropriação pessoal dessa provisão.

Cristo morreu e ressuscitou. A obra está consumada. O Evangelho pode agora ser anunciado indistintamente.

O Senhor Jesus disse:

“E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (João 12:32).

Paulo escreve:

“Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” (Segunda aos Coríntios 5:19).

Por isso o apóstolo continua:

“Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” (Segunda aos Coríntios 5:20).

A obra de Cristo fornece uma base perfeita para que possamos olhar para qualquer pessoa neste mundo e dizer sinceramente: “Creia no Senhor Jesus Cristo”.

Conclusão

Atos 13:48 não contradiz a universalidade da obra salvadora do Senhor Jesus. O versículo revela o lado soberano da salvação: aqueles gentios que creram estavam “ordenados para a vida eterna”.

Mas o mesmo contexto revela a responsabilidade humana, pois outros “rejeitaram” a Palavra de Deus e julgaram a si mesmos indignos da vida eterna.

A Escritura não nos autoriza a resolver uma dessas verdades eliminando a outra.

Podemos resumir assim:

A fonte da salvação está em Deus.

O fundamento da salvação está na obra consumada de Cristo.

O poder que opera na salvação é do Espírito Santo.

A mensagem da salvação deve ser anunciada a todos.

O convite do Evangelho é dirigido a todos.

A responsabilidade de crer é colocada sobre o pecador.

Aquele que rejeita Cristo é responsável por sua rejeição.

Aquele que vem a Cristo jamais será rejeitado.

E aquele que é salvo descobrirá que, por trás da sua fé, havia uma graça que o precedeu e um propósito eterno de Deus que jamais poderia conhecer antes de crer.

Assim, quando pregamos o Evangelho, não perguntamos ao pecador se ele é eleito. Dizemos:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

E quando ele crê, podemos dizer com toda a Escritura:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8).

A soberania pertence a Deus, a responsabilidade pertence ao homem, a salvação pertence ao Senhor, e toda a glória pertence ao Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Os cristãos parecem sempre ter um plano para impedir que o cristianismo continue influenciando nossa nação, discipulando as pessoas para a apatia política

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Os muçulmanos têm um plano para tornar a América uma nação muçulmana.

Os marxistas têm um plano para tornar a América uma nação marxista.

Os progressistas seculares têm um plano para tornar a América uma nação progressista secular.

Os cristãos parecem sempre ter um plano para impedir que o cristianismo continue influenciando nossa nação, discipulando as pessoas para a apatia política (“Não nos metemos com política”) ou para a ambiguidade política (“Jesus não é republicano nem democrata, nem de direita nem de esquerda” = aplicação primária do evangelho à cultura). Isso tem gerado resultados muito previsíveis nas últimas décadas.

Minha Resposta:

Compreendo a preocupação expressa nesse comentário, especialmente quando observamos mudanças morais profundas acontecendo na sociedade. Entretanto, para responder biblicamente, precisamos distinguir duas questões que muitas vezes são misturadas: a responsabilidade moral do cristão no mundo e o envolvimento do cristão na política partidária.

A Bíblia certamente não ensina que o cristão deve ser indiferente ao mal. Também não ensina que devemos assistir silenciosamente à injustiça, à imoralidade e à corrupção moral como se nada disso importasse. O Senhor Jesus disse:

“Vós sois o sal da terra” (Mateus 5:13).

E também:

“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14).

Portanto, o cristão deve exercer influência. A grande questão é: que tipo de influência?

O Novo Testamento apresenta essa influência principalmente por meio do Evangelho, de uma vida santa, das boas obras, da verdade e do testemunho de Cristo, e não por meio da conquista do poder político.

  1. O Senhor Jesus viveu em um ambiente profundamente político

Quando o Senhor Jesus esteve neste mundo, Israel encontrava-se sob domínio romano. Havia corrupção, injustiça, impostos, opressão e profundas tensões políticas.

Se alguma geração poderia esperar que o Messias organizasse um movimento político, seria aquela.

Contudo, quando quiseram fazê-Lo rei, Ele retirou-Se:

“Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte” (João 6:15).

Mais tarde, diante de Pôncio Pilatos, declarou claramente:

“O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos” (João 18:36).

Observe cuidadosamente. O Senhor não disse que não possuía um reino. Ele disse que Seu reino não tinha sua origem neste mundo.

Cristo realmente reinará sobre este mundo. As profecias anunciam um reino literal, justo e glorioso do Messias. Porém, esse reino não será estabelecido por eleições, partidos políticos ou movimentos sociais. Será estabelecido pelo próprio Senhor Jesus Cristo em Sua manifestação gloriosa.

  1. Os apóstolos também viveram sob governos profundamente imorais

Quando Paulo escreveu aos Romanos, quem governava o Império Romano não era um governante cristão. Mesmo assim, Paulo não ensinou os cristãos a formar um movimento para conquistar Roma politicamente.

Ele escreveu:

“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus” (Romanos 13:1).

Pedro ensinou de maneira semelhante:

“Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor” (1 Pedro 2:13).

Isso não significa obediência absoluta ao Estado. Quando a autoridade humana exige aquilo que contradiz diretamente a Palavra de Deus, permanece o princípio:

“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).

Portanto, o cristão respeita as autoridades, cumpre as leis, paga seus impostos, vive honestamente e procura ser um cidadão exemplar. Entretanto, sua fidelidade suprema pertence a Cristo.

  1. A Bíblia manda o cristão orar pelos governantes

Há algo particularmente importante em 1 Timóteo 2:1-2:

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade.”

Paulo poderia ter instruído os cristãos sobre como conquistar influência dentro do governo romano. Em vez disso, ensinou-os a orar por aqueles que governavam.

Isso não é apatia.

Orar pelos governantes é reconhecer que acima de presidentes, reis, parlamentos, congressos e tribunais existe um Deus soberano.

Daniel declarou:

“O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer” (Daniel 4:25).

Provérbios também declara:

“Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; a tudo quanto quer o inclina” (Provérbios 21:1).

A confiança final do cristão, portanto, não está na urna eleitoral, mas no trono de Deus.

  1. “Não nos envolvemos em política” não significa “não nos importamos com a sociedade”

Aqui está uma distinção muito importante.

Um cristão pode denunciar biblicamente o aborto sem transformar o púlpito em plataforma eleitoral.

Pode defender o casamento conforme estabelecido por Deus em Gênesis 2:24 e confirmado pelo Senhor Jesus em Mateus 19:4-6 sem pertencer a um partido político.

Pode ensinar a verdade sobre sexualidade, família, criação, justiça, honestidade, autoridade e responsabilidade individual sem identificar o Evangelho com a direita ou com a esquerda.

Pode ajudar pobres, necessitados, viúvas, órfãos, estrangeiros e pessoas marginalizadas sem aderir a uma ideologia política.

Pode condenar racismo, violência, corrupção, imoralidade e injustiça porque a Palavra de Deus os condena.

Portanto, separação da política partidária não significa indiferença moral.

Pelo contrário, significa que nossa autoridade para definir o certo e o errado não vem de um partido, mas da Palavra de Deus.

  1. O cristianismo não precisa transformar uma nação em “nação cristã” para cumprir sua missão

Aqui talvez esteja o ponto fundamental.

A Grande Comissão não diz:

“Ide e conquistai os governos das nações.”

O Senhor Jesus disse:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28:19).

E:

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

Em Atos dos Apóstolos 1:8, encontramos novamente:

“Ser-me-eis testemunhas.”

O objetivo é alcançar pessoas de todas as nações, não transformar cada nação numa versão política do cristianismo.

Há uma diferença enorme entre uma nação composta majoritariamente por pessoas influenciadas historicamente pelo cristianismo e o Reino de Deus.

Nenhum país moderno deve ser identificado com o Reino de Deus.

A Igreja também não substituiu Israel como uma nova nação político-territorial destinada a governar o mundo nesta dispensação.

A Igreja é um povo chamado para fora das nações e unido a Cristo.

  1. A verdadeira transformação começa no coração

Suponhamos que amanhã todas as leis de uma determinada nação fossem substituídas por leis moralmente excelentes. Isso transformaria pecadores em filhos de Deus?

Não.

Uma lei pode restringir determinadas manifestações do pecado, e isso certamente pode trazer benefícios sociais. Mas nenhuma legislação consegue produzir o novo nascimento.

O Senhor Jesus disse:

“Necessário vos é nascer de novo” (João 3:7).

O problema fundamental do homem não é político. É espiritual.

Cristo ensinou:

“Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Marcos 7:21-22).

Portanto, trocar governantes sem transformar corações nunca resolverá o problema fundamental da humanidade.

O Evangelho trabalha exatamente onde a política não consegue chegar: no coração.

  1. O cristianismo primitivo transformou sociedades sem possuir poder político

Este é um fato impressionante no livro de Atos dos Apóstolos.

Os primeiros cristãos não tinham presidentes, deputados, senadores, governadores ou partidos políticos cristãos. Humanamente falando, não tinham poder.

Mas tinham o Evangelho.

Em Tessalônica, seus adversários disseram:

“Estes que têm alvoroçado o mundo chegaram também aqui” (Atos dos Apóstolos 17:6).

Como fizeram isso?

Pregando Cristo.

Vivendo vidas transformadas.

Formando igrejas locais.

Ensinando a Palavra.

Evangelizando.

Fazendo discípulos.

O cristianismo não conquistou inicialmente o mundo tomando o palácio de César; conquistou corações anunciando um Salvador crucificado e ressuscitado.

  1. “Jesus não é republicano nem democrata” é uma afirmação verdadeira, embora possa ser mal utilizada

A frase pode ser usada como desculpa para evitar questões morais difíceis. Nesse caso, seu uso é inadequado.

Mas a afirmação em si contém uma verdade importante: Jesus Cristo não pode ser colocado dentro de nenhuma plataforma política humana.

Nenhum partido pode dizer legitimamente: “Cristo pertence a nós.”

É melhor inverter a pergunta.

Não devemos perguntar: “Jesus está do lado da direita ou da esquerda?”

Devemos perguntar: “Eu estou do lado da verdade revelada por Deus?”

Em determinados assuntos, uma proposta política pode coincidir com princípios bíblicos. Em outros, poderá contradizê-los profundamente.

O cristão não deve modificar a Bíblia para ajustá-la ao seu partido preferido. Deve julgar todas as ideias humanas pela Palavra de Deus.

  1. Nossa cidadania principal está nos céus

Paulo escreveu:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

A palavra usada transmite a ideia de cidadania ou comunidade política. O cristão vive neste mundo, mas pertence a outro.

Pedro emprega linguagem semelhante:

“Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros” (1 Pedro 2:11).

Isso explica por que o cristão não pode depositar sua esperança definitiva em projetos nacionais.

Os Estados Unidos passarão.

O Brasil passará.

Portugal passará.

Todos os impérios, repúblicas e sistemas políticos humanos passarão.

Mas o Reino de Cristo permanecerá.

Daniel profetizou:

“O Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído” (Daniel 2:44).

  1. Isso significa que devemos permanecer silenciosos diante do pecado?

De maneira alguma.

João Batista repreendeu Herodes:

“Não te é lícito possuir a mulher de teu irmão” (Marcos 6:18).

Ele não precisou tornar-se político para dizer ao governante que estava errado.

Paulo pregou diante de Félix “da justiça, e da temperança, e do juízo vindouro”, a ponto de Félix ficar atemorizado (Atos dos Apóstolos 24:25).

Os cristãos devem falar.

Devemos anunciar a verdade.

Devemos defender aquilo que Deus chama de certo.

Devemos denunciar aquilo que Deus chama de pecado.

Mas há uma diferença entre falar profeticamente à sociedade e tornar a Igreja instrumento de um projeto partidário.

Quando a Igreja se identifica com um partido, inevitavelmente passa a carregar também os erros daquele partido.

Quando permanece identificada com Cristo, pode confrontar todos eles.

  1. A maior influência cristã sobre uma sociedade continua sendo espiritual

Imagine milhares de pessoas verdadeiramente convertidas a Cristo.

Maridos amando suas esposas conforme Efésios 5:25.

Esposas vivendo piedosamente.

Pais criando seus filhos na disciplina e admoestação do Senhor, conforme Efésios 6:4.

Trabalhadores honestos.

Empresários honestos.

Jovens vivendo em pureza.

Cristãos ajudando necessitados.

Famílias restauradas.

Pessoas abandonando drogas, prostituição, mentira, corrupção e violência.

Igrejas pregando fielmente a Palavra de Deus.

Isso teria enorme influência social.

Mas seria consequência do Evangelho transformando pessoas, e não da Igreja conquistando o Estado.

O cristão é sal e luz justamente porque é diferente do sistema que procura iluminar.

  1. Cristo ainda governará este mundo

Finalmente, o cristão não é pessimista quanto ao futuro de Cristo.

O mundo não terminará nas mãos dos marxistas, dos progressistas, dos muçulmanos, dos conservadores, dos republicanos ou dos democratas.

Terminará sob a autoridade de Jesus Cristo.

Apocalipse 11:15 declara:

“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.”

E Apocalipse 19:16 apresenta o Senhor Jesus como:

“REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES.”

Então haverá um governo perfeitamente justo.

Não haverá corrupção.

Não haverá fraude eleitoral.

Não haverá interesses partidários.

Não haverá lobby.

Não haverá injustiça legislativa.

Não haverá governante pecador ocupando o trono.

Isaías 9:6 declara:

“E o principado está sobre os seus ombros.”

O mundo ainda conhecerá o governo perfeito, mas somente quando conhecer o governo direto do Rei perfeito.

Conclusão

Portanto, eu não diria que o cristão que se mantém separado da política partidária está necessariamente promovendo “apatia política”.

A questão é outra.

O cristão foi chamado para uma missão superior: representar Cristo num mundo que O rejeitou.

Isso não significa fechar os olhos para a sociedade. Significa exercer influência segundo os meios que Deus estabeleceu: oração, Evangelho, santidade, boas obras, testemunho, verdade, amor ao próximo e fidelidade às Escrituras.

Podemos lamentar quando uma sociedade abandona princípios bíblicos. Podemos ensinar claramente contra o pecado. Podemos defender a verdade. Podemos aproveitar as liberdades civis que Deus nos concede. Devemos obedecer às autoridades enquanto elas não nos obrigarem a desobedecer a Deus.

Mas nunca devemos confundir o avanço do Evangelho com a vitória de um partido político.

Paulo não disse: “Nossa esperança está em Roma.”

Ele disse:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).

É possível conquistar uma eleição e perder uma geração para Cristo.

Também é possível viver sob um governo hostil e ver o Evangelho avançar poderosamente, como aconteceu no primeiro século.

Nossa esperança não é que os cristãos consigam finalmente controlar os governos deste mundo.

Nossa esperança é uma Pessoa:

“aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13).

A Igreja não recebeu a missão de preparar o trono para Cristo mediante política. Cristo estabelecerá Seu próprio trono quando vier.

Até lá, nossa responsabilidade permanece clara:

“Pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos: