Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Muito precioso, irmão, seu vídeo: “O Crente Vota em Quem?”, Josué Matos.
Louvado seja o Senhor Jesus por partilhar essa verdade, para a qual muitos estão cegos, inclusive muitos de nossos irmãos.
Minha Resposta:
Amém, irmão. Fico muito agradecido pelas suas palavras e, acima de tudo, desejo que toda a glória seja dada ao Senhor Jesus Cristo.
Esse assunto realmente exige cuidado, porque vivemos numa época em que a política tem provocado divisões profundas até mesmo entre aqueles que professam o nome de Cristo. Muitas vezes, irmãos que deveriam estar unidos em torno da Pessoa do Senhor Jesus acabam discutindo, separando-se e até tratando uns aos outros como adversários por causa de candidatos, partidos e ideologias políticas.
A grande questão que o crente precisa fazer não é simplesmente: “Qual candidato é melhor?” ou “Em quem devo votar?”, mas uma pergunta anterior e muito mais importante: “Qual é o lugar que o Novo Testamento dá ao cristão em relação à política deste mundo?”
Quando examinamos o Novo Testamento, encontramos orientações muito claras sobre a relação do crente com as autoridades. Devemos respeitá-las, obedecer às leis, pagar os impostos e orar pelos governantes. Entretanto, não encontramos os cristãos sendo orientados a participar da disputa pelo governo deste mundo.
Em Romanos 13:1, lemos:
“Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus.”
Portanto, o cristão não deve ser rebelde contra o governo. Ainda que discorde das autoridades, deve respeitá-las. Evidentemente, existe um limite: quando uma autoridade exige algo contrário à Palavra de Deus. Nesse caso, permanece o princípio de Atos dos Apóstolos 5:29:
“Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.”
Mas é muito interessante observar que, quando o Novo Testamento fala sobre a influência que os cristãos devem exercer em relação aos governantes, ele não aponta primeiramente para as urnas, mas para a oração.
Paulo escreveu:
“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1 Timóteo 2:1-2).
Observe a diferença. Deus não disse à Igreja que sua missão seria conquistar o governo, transformar o Império Romano ou colocar cristãos no poder. Deus mandou os cristãos orarem pelas autoridades para que pudessem viver uma vida tranquila, piedosa e honesta.
Isso acontece porque a vocação da Igreja é celestial.
Paulo escreveu:
“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).
Essa verdade muda completamente nossa perspectiva.
O cristão vive neste mundo, trabalha neste mundo, paga impostos neste mundo, respeita as autoridades deste mundo e procura fazer o bem enquanto estiver neste mundo. Contudo, ele pertence a outro lugar.
O próprio Senhor Jesus declarou diante de Pilatos:
“O meu reino não é deste mundo” (João 18:36).
Se o reino de Cristo fosse deste mundo, Seus servos lutariam para defendê-Lo. Mas o Senhor deixou muito claro que Seu reino não possui sua origem no sistema político presente.
Isso não significa que o cristão seja indiferente ao sofrimento das pessoas ou aos problemas da sociedade. Pelo contrário. Devemos fazer o bem, ajudar os necessitados, defender aquilo que é justo em nossa conduta pessoal, anunciar a verdade e manifestar o caráter de Cristo.
O Senhor Jesus disse:
“Vós sois o sal da terra” (Mateus 5:13).
E também:
“Vós sois a luz do mundo” (Mateus 5:14).
Mas existe uma diferença entre sermos luz no mundo e tentarmos assumir o controle do mundo.
A missão principal da Igreja não é reformar politicamente a sociedade, mas anunciar o Evangelho.
Quando observamos o livro de Atos dos Apóstolos, encontramos os cristãos vivendo sob governos que estavam muito longe dos princípios bíblicos. Havia idolatria, imoralidade, injustiça, escravidão e inúmeras práticas pecaminosas no Império Romano. Mesmo assim, os apóstolos não organizaram movimentos políticos para conquistar Roma.
Eles pregavam Cristo.
Pedro anunciou:
“Em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos dos Apóstolos 4:12).
Paulo atravessou cidades e províncias anunciando o Evangelho. Sua preocupação fundamental não era substituir César, mas apresentar Cristo.
Isso ocorre porque o problema fundamental da humanidade não é político. É espiritual.
Um novo governo não pode produzir um novo coração.
Uma nova lei não pode produzir o novo nascimento.
Uma eleição não pode reconciliar o pecador com Deus.
Somente Cristo pode fazer isso.
Por isso Paulo escreveu:
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17).
Existe ainda outro perigo muito sério. Quando os cristãos começam a identificar a causa de Cristo com determinado partido, candidato ou ideologia, facilmente o testemunho do Evangelho fica comprometido.
O incrédulo pode começar a pensar que ser cristão significa pertencer a determinada posição política. Entretanto, o Evangelho não é de direita nem de esquerda. O Evangelho vem do céu.
Nosso Senhor não veio fundar um partido político. Ele veio:
“buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).
Além disso, nenhum candidato representa perfeitamente os princípios de Deus. Podemos encontrar alguém que defenda determinada questão moral correta e, ao mesmo tempo, sustente outras coisas incompatíveis com as Escrituras.
Por isso devemos ter muito cuidado para não colocar nossa esperança nos homens.
O Salmo 146:3 declara:
“Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há salvação.”
A esperança do cristão não está na próxima eleição.
Nossa esperança é uma Pessoa.
Paulo escreveu:
“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tito 2:13).
Também precisamos lembrar que Deus continua soberano sobre as autoridades humanas. Daniel aprendeu esta grande verdade:
“O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer” (Daniel 4:32).
Isso não significa que todos os governantes sejam bons ou que Deus aprove suas ações. Significa que nenhum governo escapa à soberania divina e que Deus continua conduzindo a história para o cumprimento de Seus propósitos.
Portanto, enquanto o mundo pergunta:
“Quem vai governar?”
O cristão sabe:
“Deus ainda está no trono.”
Enquanto as pessoas colocam sua esperança em candidatos, o cristão coloca sua esperança em Cristo.
Enquanto partidos prometem transformar a sociedade, o Evangelho anuncia uma transformação muito mais profunda: a transformação do pecador mediante o novo nascimento.
E enquanto os reinos deste mundo surgem e desaparecem, nós aguardamos aquele Reino que jamais passará.
Apocalipse 11:15 aponta para o dia em que será declarado:
“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.”
Até aquele dia, nossa responsabilidade é clara: respeitar as autoridades, pagar aquilo que lhes é devido, obedecer às leis enquanto não contrariem a Palavra de Deus, orar pelos governantes, viver de maneira santa e anunciar fielmente o Evangelho.
Não fomos enviados ao mundo para conquistar o sistema político, mas para apresentar Cristo aos pecadores.
Nossa maior influência não está numa urna, mas numa vida piedosa, numa igreja que ora e num Evangelho anunciado com fidelidade.
Podemos mudar um governante através de uma eleição, mas somente Deus pode mudar um coração através do Evangelho.
Por isso, em vez de depositarmos nossas esperanças nos homens, devemos manter os olhos naquele que em breve virá buscar a Sua Igreja.
“Porque a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20).
Que o Senhor nos dê graça para vivermos neste mundo sem pertencermos ao seu sistema, respeitando as autoridades sem colocarmos nelas nossa esperança, fazendo o bem a todos e mantendo nossa fidelidade Àquele que verdadeiramente é o Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Josué Matos