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A vinda de Cristo é em duas fases. A primeira já aconteceu e a segunda é no Dia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A vinda de Cristo é em duas fases. A primeira já aconteceu e a segunda é no Dia do Senhor. A segunda carta era para eles não se deixarem enganar por cartas falsas acerca do arrebatamento. Eles perceberam que, enquanto não vissem o homem do pecado aparecer, tinham a certeza de que o arrebatamento também não tinha acontecido. Se o arrebatamento acontecesse antes de o homem do pecado aparecer, então é que eles poderiam ser enganados, porque esse homem ainda não apareceu.

Minha Resposta:

Agradeço por apresentar novamente o seu entendimento. Creio que agora podemos identificar com maior clareza o ponto em que nossas interpretações divergem.

A sua argumentação é que os tessalonicenses precisavam observar primeiro a manifestação do homem do pecado para terem certeza de que o arrebatamento ainda não havia acontecido. Entretanto, entendo que essa conclusão não corresponde ao argumento que o apóstolo Paulo desenvolve em 2 Tessalonicenses 2.

A questão fundamental é esta: Paulo estava ensinando que o homem do pecado deveria aparecer antes do arrebatamento ou estava demonstrando que o Dia do Senhor ainda não havia chegado?

São duas coisas diferentes, e precisamos observar cuidadosamente o que o texto realmente afirma.

1. Paulo não disse que o arrebatamento já havia acontecido

Primeiramente, precisamos corrigir uma afirmação importante do seu comentário. Quando diz que a primeira fase da vinda de Cristo já aconteceu, imagino que esteja se referindo àquilo que os falsos ensinadores procuravam fazer os tessalonicenses acreditar.

Se for esse o sentido, precisamos distinguir o que eles estavam ensinando daquilo que Paulo realmente escreveu.

Em 2 Tessalonicenses 2:1-2, lemos:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto."

Algumas traduções apresentam corretamente a ideia de que o Dia do Senhor já havia chegado.

Observe que Paulo menciona dois assuntos relacionados, mas que precisam ser distinguidos:

  • A vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com Ele.

  • O Dia do Senhor, acerca do qual os tessalonicenses estavam sendo perturbados.

O primeiro assunto apresenta a esperança da Igreja de ser reunida com Cristo. O segundo envolve o período profético da intervenção divina em juízo.

Paulo não afirma que alguém estivesse ensinando diretamente que o arrebatamento já havia acontecido. O texto afirma que os tessalonicenses estavam sendo perturbados pela ideia de que o Dia do Senhor já estava presente.

Essa diferença é essencial para compreender o restante do capítulo.

2. Por que Paulo mencionou o homem do pecado?

Em 2 Tessalonicenses 2:3, Paulo escreveu:

"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição."

A sua interpretação é que Paulo estava apresentando a manifestação do homem do pecado como um sinal que a Igreja deveria aguardar antes do arrebatamento.

Entretanto, observe a pergunta que precisamos fazer ao texto: antes de quê?

O versículo 2 apresenta o assunto que Paulo está corrigindo: a alegação de que o Dia do Senhor já havia chegado.

Portanto, quando Paulo apresenta os acontecimentos mencionados no versículo 3, ele está explicando por que aquela afirmação era falsa.

O apóstolo não escreve: "O arrebatamento não acontecerá sem que primeiro apareça o homem do pecado."

Essa afirmação não se encontra no texto bíblico.

Ele está demonstrando que o Dia do Senhor não poderia ser considerado já presente, pois os acontecimentos proféticos relacionados àquele período ainda não se haviam manifestado.

Na interpretação pré-tribulacional, a manifestação do homem do pecado pertence ao desenvolvimento dos acontecimentos que se seguem ao arrebatamento da Igreja.

Assim, o argumento de Paulo não transforma a manifestação daquele homem numa condição para que os salvos sejam arrebatados.

3. Se o arrebatamento dependesse da manifestação do homem do pecado, a esperança não seria iminente

Aqui encontramos uma dificuldade importante na sua interpretação.

Na primeira epístola, Paulo ensinou:

"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Tessalonicenses 4:17).

Observe que Paulo se incluiu entre aqueles que poderiam permanecer vivos até a vinda do Senhor.

Ele não disse que os cristãos precisariam primeiramente identificar o homem do pecado.

Também não disse que deveriam aguardar uma apostasia mundial ou a manifestação do anticristo para, somente depois, começarem a esperar o arrebatamento.

A esperança apresentada é o próprio Senhor Jesus Cristo.

Em 1 Tessalonicenses 1:10, aqueles cristãos são descritos como pessoas que haviam se convertido dos ídolos para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus o Seu Filho.

Se a manifestação do homem do pecado fosse uma condição indispensável para o arrebatamento, os tessalonicenses saberiam que Cristo não poderia vir buscá-los enquanto aquele personagem não aparecesse.

Nesse caso, a expectativa imediata não seria a vinda de Cristo, mas a manifestação do homem do pecado.

Entretanto, essa não é a orientação apresentada na primeira epístola.

4. A diferença entre ser arrebatado e estar no Dia do Senhor

Considere agora um detalhe importante.

Em 1 Tessalonicenses 4:16-17, Paulo ensina que os salvos serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.

Em 1 Tessalonicenses 5:2-3, ele passa a tratar do Dia do Senhor:

"Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite. Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição."

Observe o contraste.

No arrebatamento, os salvos são reunidos com Cristo.

No Dia do Senhor, a destruição sobrevém aos que se encontram despreparados para o juízo divino.

Além disso, Paulo afirma em 1 Tessalonicenses 5:9:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo."

Isso não significa que os cristãos não enfrentem perseguições, sofrimento ou tribulações durante sua vida neste mundo.

Os próprios tessalonicenses estavam sofrendo perseguições.

Entretanto, existe uma diferença entre sofrer perseguições por causa da fidelidade a Cristo e estar sujeito ao período futuro dos juízos divinos.

A Igreja pode sofrer a oposição do mundo, mas não foi destinada à ira de Deus.

É justamente essa distinção que ajuda a compreender a preocupação de Paulo na segunda epístola.

5. O próprio capítulo apresenta algo que impede a manifestação do homem do pecado

Outro detalhe que merece atenção encontra-se em 2 Tessalonicenses 2:6-8:

"E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora, resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo."

Observe a sequência apresentada pelo apóstolo.

Primeiramente, existe algo ou alguém que impede a manifestação plena do iníquo.

Depois, essa restrição deixa de operar da maneira descrita.

Então, o iníquo será revelado.

Na compreensão pré-tribulacional, aquele que restringe a manifestação do mal é identificado com a atuação do Espírito Santo, particularmente em Sua presença e operação na Igreja.

Isso não significa que o Espírito Santo deixará de existir ou de atuar na Terra depois do arrebatamento. Ele é Deus, é onipresente e continuará operando nos propósitos divinos.

O que se entende é que haverá uma mudança na maneira como essa restrição é exercida.

É importante reconhecer que Paulo não identifica expressamente, nesses versículos, quem é aquele que detém. Por isso, essa identificação faz parte da interpretação do texto e não deve ser apresentada como uma declaração explícita do apóstolo.

Contudo, dentro da interpretação pré-tribulacional, essa passagem é coerente com a retirada da Igreja antes da manifestação plena do homem do pecado.

Portanto, o texto não exige que a Igreja permaneça na Terra para testemunhar a manifestação desse personagem.

6. O seu argumento sobre a possibilidade de serem enganados

Você escreveu:

"Se o arrebatamento acontecesse antes de o homem do pecado aparecer, então é que eles poderiam ser enganados, porque esse homem ainda não apareceu."

Entendo o seu raciocínio, mas existe uma dificuldade nessa conclusão.

Os tessalonicenses não precisavam ver o homem do pecado para saber se haviam sido arrebatados.

O arrebatamento, conforme descrito em 1 Tessalonicenses 4:16-17 e 1 Coríntios 15:51-52, envolve a ressurreição dos mortos em Cristo, a transformação dos salvos vivos e o encontro de todos eles com o Senhor nos ares.

Não é um acontecimento que um cristão participante pudesse experimentar sem perceber.

Se aqueles cristãos continuavam na Terra, naturalmente sabiam que ainda não haviam sido arrebatados.

O problema não era descobrir se eles próprios haviam participado do arrebatamento.

O problema era que estavam sendo perturbados por ensinamentos falsos acerca do Dia do Senhor.

E aqui está o ponto central: se Paulo estivesse apenas procurando demonstrar que o arrebatamento não havia acontecido, bastaria recordar-lhes aquilo que já havia ensinado sobre a reunião dos salvos com Cristo.

Mas o apóstolo apresenta os acontecimentos relacionados ao Dia do Senhor porque era justamente essa a falsa afirmação que precisava corrigir.

7. A esperança da Igreja continua sendo Cristo, e não o anticristo

Finalmente, precisamos considerar o ensino geral do Novo Testamento.

Em Filipenses 3:20-21, Paulo escreveu:

"Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso."

Em Tito 2:13, encontramos:

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo."

E em 1 Coríntios 1:7, Paulo descreve os cristãos como aqueles que aguardam a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.

Essas passagens apresentam Cristo como o objeto da esperança cristã.

Não encontramos uma orientação apostólica para que a Igreja procure identificar o homem do pecado como condição para aguardar a vinda do Senhor.

Isso não significa que todos os acontecimentos relacionados à segunda vinda de Cristo sejam iminentes. A manifestação pública do Senhor em glória está associada a acontecimentos proféticos específicos, conforme Mateus 24:29-30 e Apocalipse 19:11-21.

A distinção é que o arrebatamento da Igreja, conforme a compreensão pré-tribulacional, não depende do cumprimento prévio desses sinais.

Conclusão

Portanto, a nossa diferença de entendimento está na interpretação de 2 Tessalonicenses 2:1-3.

Você entende que Paulo apresentou a manifestação do homem do pecado como uma condição necessária para o arrebatamento.

Eu entendo que Paulo estava corrigindo a falsa afirmação de que o Dia do Senhor já havia chegado, mostrando que os acontecimentos relacionados àquele período ainda não se haviam cumprido.

É importante não confundir o acontecimento que Paulo utiliza para introduzir seu argumento — a vinda de Cristo e a nossa reunião com Ele — com o acontecimento acerca do qual os tessalonicenses estavam sendo enganados — o Dia do Senhor.

Também reconheço que existem diferentes interpretações cristãs dessa passagem. A posição pré-tribulacional resulta da compreensão conjunta desses textos e da distinção entre o arrebatamento da Igreja e a manifestação de Cristo em glória.

Por isso, não considero correto afirmar que Paulo estava ensinando aos tessalonicenses que deveriam aguardar primeiro a manifestação do homem do pecado para depois esperarem o arrebatamento.

O ensino de Paulo era que permanecessem firmes na verdade recebida, sem se deixarem perturbar por falsos ensinamentos.

E a esperança que ele lhes havia apresentado continuava sendo a mesma:

"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Tessalonicenses 4:17).

Essa é a esperança da Igreja: encontrar o Senhor Jesus Cristo e permanecer eternamente com Ele.

Josué Matos

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John Nelson Darby inventou o dispensacionalismo e o arrebatamento pré-tribulacional?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Gostei da sua resposta, assim como achei interessante a resposta do criador do canal. Parto dos mesmos pressupostos que você, porém é difícil ter uma opinião categórica sobre escatologia, pois nem os maiores teólogos afirmam com certeza absoluta a respeito dela. O caminho mais seguro (como você mesma disse) é analisar quais pressupostos vêm de entendimentos externos e quais dão mais valor às Escrituras.

Minha Resposta:

Agradeço pelo seu comentário e pela maneira respeitosa como está acompanhando esta discussão. Concordo que devemos ter humildade ao estudar os acontecimentos futuros, reconhecendo que existem questões proféticas sobre as quais cristãos sinceros apresentam interpretações diferentes.

Entretanto, gostaria de acrescentar algumas considerações que considero importantes, especialmente porque o assunto deste vídeo não é simplesmente uma discussão entre diferentes escolas escatológicas, mas uma questão muito específica: John Nelson Darby inventou o dispensacionalismo e o arrebatamento pré-tribulacional, ou essas verdades já estavam presentes nas Escrituras?

Primeiramente, concordo com sua observação de que precisamos examinar cuidadosamente os pressupostos que utilizamos para interpretar a Bíblia. Contudo, esse princípio deve ser aplicado igualmente a todas as posições escatológicas, incluindo o pré-tribulacionismo, o pós-tribulacionismo e as demais interpretações.

Nenhuma interpretação deve ser aceita simplesmente porque é antiga, porque possui muitos defensores ou porque foi ensinada por determinado teólogo. O critério fundamental precisa ser a própria Palavra de Deus.

Em Atos dos Apóstolos 17:11, encontramos um exemplo precioso nos crentes de Bereia, que examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo ensinava correspondia à revelação divina. Esse deve ser o nosso procedimento.

1. A dificuldade da escatologia não significa que Deus deixou tudo indefinido

É verdade que existem dificuldades na interpretação das profecias bíblicas. Entretanto, precisamos distinguir entre aquilo que Deus não revelou e aquilo que Ele revelou, mas que exige estudo cuidadoso para ser compreendido.

Em Deuteronômio 29:29, lemos:

"As coisas encobertas são para o Senhor, nosso Deus; porém as reveladas são para nós e para nossos filhos, para sempre."

Portanto, embora não possamos conhecer todos os detalhes dos acontecimentos futuros, devemos procurar compreender aquilo que Deus efetivamente revelou.

O apóstolo Paulo, ao ensinar sobre o arrebatamento, não apresentou o assunto como uma especulação humana. Em 1 Tessalonicenses 4:15, declarou:

"Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor."

E, depois de explicar a ressurreição dos que morreram em Cristo e o arrebatamento dos crentes vivos, concluiu:

"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras." (1 Tessalonicenses 4:18).

Isso demonstra que a revelação profética não foi concedida para produzir confusão, mas para fortalecer a esperança dos salvos.

2. Precisamos distinguir entre a salvação e os diferentes propósitos de Deus

Na discussão anterior, foi apresentada a ideia de que existe um único povo redimido, um único Salvador e um único plano de redenção.

Concordo plenamente que existe apenas um Salvador e que ninguém, em nenhuma época, foi salvo independentemente da obra de Cristo.

Atos dos Apóstolos 4:12 declara que não existe outro nome pelo qual devamos ser salvos.

Entretanto, a unidade da salvação não significa necessariamente que Israel e a Igreja possuam a mesma identidade ou que Deus tenha estabelecido exatamente as mesmas promessas e responsabilidades para ambos.

Em Romanos 11:25-29, Paulo explica que Israel experimentou um endurecimento parcial até que a plenitude dos gentios haja entrado. O mesmo capítulo afirma que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis.

Já em Efésios 3:3-6, Paulo apresenta a Igreja como um mistério que não havia sido revelado às gerações anteriores da mesma maneira como foi manifestado aos apóstolos e profetas pelo Espírito.

Assim, reconhecer uma distinção entre Israel e a Igreja não significa defender dois caminhos de salvação, mas reconhecer diferentes aspectos do propósito de Deus, todos fundamentados na pessoa e na obra do Senhor Jesus Cristo.

Essa distinção é importante porque influencia diretamente a interpretação das profecias relativas à tribulação, à restauração de Israel e ao reino futuro de Cristo.

3. A esperança da Igreja e a manifestação de Cristo

Outro ponto importante é que as Escrituras apresentam características diferentes relacionadas à vinda do Senhor.

Em 1 Tessalonicenses 4:16-17, Cristo desce do céu, os mortos em Cristo ressuscitam e os crentes vivos são arrebatados para encontrá-Lo nos ares.

Em João 14:2-3, o Senhor Jesus promete voltar para receber os Seus e levá-los para onde Ele está.

Por outro lado, em Zacarias 14:4, encontramos o Senhor colocando os pés sobre o monte das Oliveiras. Em Apocalipse 19:11-21, Ele aparece em glória para julgar as nações e estabelecer Sua vitória sobre os poderes que se opõem a Deus.

A interpretação pré-tribulacionista compreende esses acontecimentos como duas fases da mesma segunda vinda de Cristo: primeiro, Sua vinda para receber a Igreja; posteriormente, Sua manifestação pública em glória.

Reconheço que outros intérpretes entendem essas passagens de maneira diferente. Entretanto, a distinção não foi criada simplesmente para sustentar um sistema teológico. Ela procura explicar as características apresentadas nos próprios textos bíblicos.

Também é importante lembrar que a Igreja recebe a promessa de livramento da ira vindoura, conforme 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9, além da promessa de ser guardada da hora da provação mencionada em Apocalipse 3:10.

A questão interpretativa está em determinar se esse livramento significa a retirada da Igreja antes daquele período ou sua preservação durante os acontecimentos. Considerando o conjunto das profecias, entendo que a primeira interpretação oferece maior coerência com a esperança apresentada nas epístolas.

4. A interpretação mais simples nem sempre é a mais superficial

Gostaria também de comentar uma expressão utilizada na discussão anterior: a ideia de que determinada interpretação seria mais natural por apresentar uma única vinda, uma única reunião dos santos e um único povo de Deus.

Precisamos ter cuidado com esse argumento.

A simplicidade de uma interpretação não deve ser medida apenas pela quantidade de distinções que ela reconhece, mas pela capacidade de explicar todas as passagens bíblicas sem desconsiderar seu contexto.

Por exemplo, no Antigo Testamento, encontramos profecias sobre os sofrimentos do Messias e outras sobre Seu reinado glorioso.

Isaías 53 apresenta o Servo sofredor, enquanto Isaías 9:6-7 anuncia o Messias que governará sobre o trono de Davi.

Hoje compreendemos que essas profecias se cumprem em momentos diferentes: a primeira vinda de Cristo e Sua futura manifestação em glória.

Portanto, reconhecer diferentes etapas no cumprimento de um propósito divino não significa necessariamente fragmentar a revelação bíblica.

O importante é verificar se as próprias Escrituras justificam essas distinções.

5. Nossa confiança não deve estar nos teólogos, mas na Palavra de Deus

Concordo que não devemos estabelecer nossas convicções simplesmente porque determinados estudiosos defendem uma posição.

Entretanto, também não considero correto concluir que, porque existem divergências entre grandes teólogos, não podemos alcançar convicções firmes sobre aquilo que Deus revelou.

Em 2 Timóteo 2:15, Paulo recomenda que procuremos manejar bem a Palavra da verdade.

Em 2 Pedro 1:19, encontramos uma declaração muito significativa:

"E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro."

A profecia bíblica não foi concedida para alimentar especulações, mas para orientar os crentes e fortalecer sua esperança.

Naturalmente, devemos distinguir entre a certeza da revelação divina e a possibilidade de falhas em nossa compreensão. A Palavra de Deus é infalível; nossas interpretações precisam ser constantemente examinadas à sua luz.

Conclusão

Portanto, considero muito válida sua preocupação em identificar quais pressupostos procedem das Escrituras e quais são introduzidos pelos intérpretes.

Contudo, esse exame precisa considerar toda a revelação bíblica, desde as promessas feitas a Israel até os ensinamentos apostólicos sobre a Igreja, o arrebatamento, a tribulação e a manifestação gloriosa de Cristo.

Quanto a John Nelson Darby, podemos reconhecer sua importante participação na organização e divulgação do dispensacionalismo no século XIX, sem concluir automaticamente que ele inventou as verdades bíblicas utilizadas para fundamentá-lo.

Da mesma maneira, a antiguidade de uma interpretação não constitui, por si só, uma garantia de que ela seja correta.

Minha convicção pré-tribulacionista não está fundamentada na autoridade de Darby, nem na de qualquer outro expositor, mas na compreensão que tenho do conjunto das Escrituras.

E considero especialmente importante lembrar que o propósito da esperança cristã não é simplesmente conhecer a ordem dos acontecimentos futuros, mas viver em santidade, vigilância e comunhão com o Senhor Jesus Cristo.

Como escreveu o apóstolo João:

"E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro." (1 João 3:3).

Agradeço novamente sua participação. Discussões conduzidas com respeito e fundamentadas nas Escrituras podem contribuir para um estudo mais cuidadoso da Palavra de Deus, mesmo quando não chegamos às mesmas conclusões.

Josué Matos

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Como os tessalonicenses aguardavam o arrebatamento a qualquer momento, por causa das perseguições e tribulações que sofriam?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Como os tessalonicenses aguardavam o arrebatamento a qualquer momento, por causa das perseguições e tribulações que sofriam, por que é que Paulo lhes escreveu, na segunda carta, para eles aguardarem o arrebatamento a qualquer momento? Para eles não se esquecerem?

Minha Resposta

Agradeço pela sua pergunta. Para compreendermos corretamente o assunto, precisamos considerar o propósito das duas epístolas aos Tessalonicenses e, principalmente, distinguir dois acontecimentos proféticos que muitas vezes são confundidos: o arrebatamento da Igreja e a manifestação do Senhor Jesus Cristo em glória para estabelecer o Seu reino.

Antes de tudo, precisamos esclarecer um detalhe importante: na segunda epístola, Paulo não estava simplesmente lembrando os tessalonicenses de que deveriam continuar aguardando o arrebatamento. O principal objetivo era corrigir um entendimento equivocado que estava causando perturbação entre eles.

1. Os tessalonicenses já aguardavam a vinda do Senhor Jesus

Na primeira epístola, Paulo elogiou aqueles cristãos porque haviam abandonado os ídolos para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar a volta do Seu Filho.

Em 1 Tessalonicenses 1:9-10, lemos:

"Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura."

Observe que a esperança daqueles cristãos não estava fundamentada nas perseguições que enfrentavam, mas na promessa da vinda do Senhor Jesus.

As perseguições eram uma realidade na vida deles, conforme encontramos em 1 Tessalonicenses 1:6 e 3:3-4. Entretanto, não eram essas dificuldades que determinavam quando Cristo viria.

Eles aguardavam uma Pessoa, o Senhor Jesus Cristo, e não determinados acontecimentos proféticos.

Essa distinção é fundamental.

2. Na primeira epístola, Paulo explicou o arrebatamento da Igreja

Em 1 Tessalonicenses 4:13-18, Paulo apresentou uma revelação especial acerca da vinda do Senhor para buscar os que Lhe pertencem.

Havia entre os tessalonicenses uma preocupação relacionada aos cristãos que já haviam falecido. Eles precisavam compreender o que aconteceria com esses salvos quando o Senhor Jesus viesse.

Paulo explicou:

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Tessalonicenses 4:16-17).

Observe a expressão utilizada pelo apóstolo: "Nós, os que ficarmos vivos".

Paulo incluiu a si mesmo entre aqueles que poderiam estar vivos quando o Senhor viesse. Isso demonstra que a esperança do arrebatamento era uma realidade presente para os cristãos daquela geração.

Ele não apresentou uma série de acontecimentos que precisariam ocorrer antes desse encontro com Cristo.

O objetivo dessa revelação era trazer consolo e esperança, como confirma o versículo 18:

"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."

3. O problema na segunda epístola era diferente

Quando chegamos à segunda epístola, encontramos uma situação que precisava ser corrigida.

Os tessalonicenses estavam enfrentando perseguições e tribulações intensas. Além disso, haviam recebido informações equivocadas relacionadas ao Dia do Senhor.

Paulo escreveu:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." (2 Tessalonicenses 2:1-2).

É importante observar que algumas traduções apresentam, no versículo 2, a expressão "Dia do Senhor", enquanto outras utilizam "Dia de Cristo". O contexto mostra que Paulo estava tratando da falsa ideia de que aquele período profético de juízo já havia chegado.

Pelo que entendemos do texto, alguns estavam ensinando que os tessalonicenses já se encontravam no período relacionado ao Dia do Senhor.

Como estavam sofrendo perseguições, poderiam pensar que aquelas aflições eram os juízos divinos anunciados nas profecias.

Isso naturalmente produziria inquietação.

Afinal, se já estivessem naquele período de juízo, o que teria acontecido com a promessa de serem livrados da ira futura, mencionada em 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9?

Portanto, Paulo escreveu para corrigir esse erro doutrinário e tranquilizar aqueles cristãos.

4. O arrebatamento e o Dia do Senhor não são a mesma coisa

Aqui encontramos a chave para compreender a questão.

O arrebatamento é o acontecimento no qual o Senhor Jesus virá buscar os salvos que pertencem à Sua Igreja, ressuscitando os que morreram em Cristo e transformando os que estiverem vivos.

Essa verdade é apresentada em 1 Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:51-52.

O Dia do Senhor, por sua vez, está relacionado à intervenção divina em juízo sobre o mundo e ao estabelecimento da autoridade de Cristo.

Nas profecias do Antigo Testamento, encontramos diversas referências a esse Dia, como em Isaías 13:6-11, Joel 2:1-11 e Sofonias 1:14-18.

Em 1 Tessalonicenses 5:2-3, Paulo escreveu:

"Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite. Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição."

Observe a diferença.

No arrebatamento, os salvos serão reunidos com Cristo.

No Dia do Senhor, o mundo incrédulo enfrentará os juízos divinos.

Por isso, em 1 Tessalonicenses 5:9, Paulo declarou:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo."

Na compreensão pré-tribulacional das profecias bíblicas, a Igreja será arrebatada antes do período da grande tribulação. A Igreja não está destinada a experimentar os juízos divinos daquele período.

Isso não significa que os cristãos estejam livres de perseguições neste mundo. O próprio Senhor Jesus declarou em João 16:33 que os Seus discípulos teriam aflições.

Precisamos distinguir as tribulações que os salvos enfrentam neste mundo da futura manifestação da ira divina.

5. Por que Paulo mencionou a apostasia e o homem do pecado?

Em 2 Tessalonicenses 2:3, Paulo escreveu:

"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição."

Aqui precisamos prestar atenção ao assunto que o apóstolo está desenvolvendo.

Paulo não está dizendo que a Igreja precisa aguardar a manifestação do homem do pecado antes de ser arrebatada.

Ele está explicando que o Dia do Senhor, entendido como aquele período profético de juízo, não poderia ser considerado já presente, pois determinados acontecimentos relacionados a esse período ainda não haviam ocorrido.

A manifestação do homem do pecado está associada aos acontecimentos proféticos posteriores ao arrebatamento, conforme a interpretação pré-tribulacional.

Portanto, não devemos transformar os acontecimentos descritos em 2 Tessalonicenses 2 em condições que a Igreja necessariamente precisa presenciar antes de encontrar o Senhor nos ares.

A esperança da Igreja continua sendo a vinda de Cristo.

Em Tito 2:13, encontramos:

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo."

6. Paulo queria que eles permanecessem firmes na verdade

Depois de corrigir os equívocos relacionados ao Dia do Senhor, Paulo escreveu:

"Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa." (2 Tessalonicenses 2:15).

Aqui encontramos outra parte importante da resposta à sua pergunta.

Paulo não estava simplesmente preocupado com a possibilidade de os tessalonicenses esquecerem o arrebatamento.

Ele queria que não fossem enganados por ensinamentos falsos, nem perdessem a tranquilidade diante das perseguições que estavam enfrentando.

A esperança cristã precisava permanecer fundamentada na Palavra de Deus, e não nas circunstâncias ao redor.

Além disso, em 2 Tessalonicenses 1:6-10, Paulo mostrou que Deus faria justiça aos Seus servos perseguidos e que o Senhor Jesus seria revelado do céu em glória e poder.

Aqueles cristãos não precisavam interpretar as perseguições como prova de que já estavam experimentando os juízos do Dia do Senhor.

Deus conhecia os seus sofrimentos e cumpriria todas as Suas promessas.

7. O que aprendemos para os nossos dias?

A situação dos tessalonicenses apresenta uma lição importante para nós.

Muitas pessoas procuram relacionar guerras, perseguições, crises económicas, acontecimentos políticos e catástrofes naturais com a proximidade do arrebatamento.

Entretanto, a esperança da Igreja não depende de identificarmos esses acontecimentos.

A Igreja não recebeu a orientação de aguardar o aparecimento do anticristo, a reconstrução de um templo ou o início da grande tribulação para então esperar o Senhor Jesus.

O próprio Senhor declarou:

"E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também." (João 14:3).

Essa é a esperança que deve ocupar o coração dos salvos.

É claro que a Bíblia apresenta diversos acontecimentos proféticos relacionados ao futuro de Israel, das nações e do estabelecimento do reino de Cristo. Entretanto, não devemos confundir esses acontecimentos com a promessa feita à Igreja de ser recebida pelo Senhor.

Conclusão

Respondendo diretamente à sua pergunta: não, Paulo não escreveu a segunda epístola simplesmente para que os tessalonicenses não se esquecessem de aguardar o arrebatamento.

Na primeira epístola, ele havia ensinado acerca do arrebatamento, trazendo consolo aos cristãos que estavam preocupados com aqueles que haviam morrido em Cristo.

Na segunda epístola, Paulo precisou corrigir um erro que estava perturbando a igreja: a ideia de que o Dia do Senhor já havia chegado.

Por isso, ele explicou que os acontecimentos relacionados àquele período profético ainda não estavam presentes e encorajou os cristãos a permanecerem firmes nos ensinamentos que haviam recebido.

A diferença é importante: os tessalonicenses não precisavam aguardar o homem do pecado para então esperar Cristo. Precisavam compreender que as perseguições que sofriam não significavam que já estivessem no período dos juízos divinos.

O arrebatamento permanece como a bendita esperança da Igreja, enquanto a manifestação de Cristo em glória está relacionada ao cumprimento dos propósitos divinos de juízo e governo sobre a Terra.

Assim, a nossa esperança não está em escapar das dificuldades comuns à vida cristã, mas em encontrar o Senhor Jesus, que prometeu voltar para receber os Seus.

"Certamente cedo venho. Amém. Ora, vem, Senhor Jesus." (Apocalipse 22:20).

Josué Matos

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Mário Persona não coloca só para membros aprenderem a Palavra de Deus?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Mário Persona não coloca só para membros aprenderem a Palavra de Deus... Tudo bem, eu te respeito, mas não concordo. Jesus nunca cobrou pelos seus ensinamentos.

Minha Resposta:

Agradeço pelo respeito, mas gostaria de esclarecer algumas coisas, porque acredito que o seu comentário demonstra que talvez não tenha compreendido como funciona o YouTube e, principalmente, como são disponibilizados os vídeos no meu canal.

Em primeiro lugar, concordo plenamente com a sua afirmação de que o Senhor Jesus nunca cobrou pelos Seus ensinamentos, porém Ele recebia ofertas e donativos dos seus seguidores para as despesas dele e dos seus discípulos. A Palavra de Deus não é uma mercadoria, o Evangelho não está à venda e a salvação é inteiramente gratuita, oferecida pela graça de Deus mediante a fé no Senhor Jesus Cristo.

O próprio Senhor declarou:

"De graça recebestes, de graça dai." (Mateus 10:8).

Entretanto, precisamos compreender a diferença entre cobrar pela Palavra de Deus e receber contribuições voluntárias para ajudar nas despesas daqueles que dedicam seu tempo e seus recursos à divulgação dessa mesma Palavra.

Vou explicar como funciona o meu canal.

Eu produzo diversos vídeos antecipadamente e os deixo agendados no YouTube para serem publicados em determinadas datas. Isso significa que os vídeos já estão preparados, mas ainda não chegaram ao dia programado para sua publicação.

O próprio YouTube oferece um recurso que permite disponibilizar esses vídeos antecipadamente aos membros do canal, pessoas que voluntariamente decidem contribuir financeiramente para apoiar o trabalho realizado.

Esses membros têm acesso antecipado aos vídeos, mas, quando chega a data programada, os mesmos vídeos ficam disponíveis gratuitamente para todas as pessoas, sejam membros ou não.

Portanto, não estou cobrando para que alguém aprenda a Palavra de Deus. Estou simplesmente utilizando um recurso da plataforma que permite aos apoiadores assistir antecipadamente a conteúdos que, posteriormente, serão disponibilizados gratuitamente a todos.

Existe uma diferença muito grande entre essas duas situações.

Também não sei exatamente como o Mário Persona organiza as publicações no canal dele, se agenda os vídeos antecipadamente ou se utiliza esse recurso do YouTube. Portanto, não seria correto da minha parte fazer qualquer afirmação sobre o funcionamento do canal dele sem conhecer os detalhes.

Mas posso falar com conhecimento sobre o meu próprio trabalho.

A Palavra de Deus é gratuita, mas os meios utilizados para divulgá-la têm custos

Talvez algumas pessoas não percebam que produzir conteúdos cristãos exige tempo, dedicação e recursos financeiros.

A mensagem que transmito é gratuita, mas a câmera que utilizo para gravar os vídeos não foi gratuita. O computador, os equipamentos, os programas utilizados na edição e outros recursos necessários à produção também representam despesas.

Além disso, existem os livros e materiais cristãos que disponibilizo gratuitamente. Muitos desses materiais exigem investimentos na preparação, edição, formatação, manutenção e distribuição.

Essas despesas não desaparecem simplesmente porque o conteúdo é cristão.

E faço tudo isso sem exigir que alguém pague para ouvir uma mensagem, assistir a um vídeo ou conhecer o Evangelho.

Por isso, quando alguém decide contribuir voluntariamente, não está comprando a Palavra de Deus. Está ajudando a custear os meios utilizados para que essa Palavra continue sendo anunciada e divulgada.

O que a Bíblia ensina sobre o sustento daqueles que trabalham na obra de Deus?

É interessante observar que o próprio Novo Testamento ensina que aqueles que se dedicam ao trabalho espiritual podem receber auxílio material.

O apóstolo Paulo escreveu:

"Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho." (1 Coríntios 9:14).

Paulo não estava ensinando que os pregadores deveriam vender suas mensagens, mas mostrando que aqueles que trabalham na divulgação do Evangelho têm o direito de receber sustento material.

No mesmo capítulo, ele pergunta:

"Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais?" (1 Coríntios 9:11).

Observe que Paulo estabelece uma distinção entre aquilo que é espiritual e aquilo que é material. A mensagem espiritual é anunciada, e aqueles que são beneficiados por esse trabalho podem contribuir materialmente para o sustento de quem o realiza.

O próprio Paulo, em determinadas circunstâncias, preferiu não exercer esse direito, trabalhando com as próprias mãos para não criar obstáculos ao Evangelho (1 Coríntios 9:12-18; Atos dos Apóstolos 18:3).

Entretanto, isso não significa que ele condenasse aqueles que recebiam auxílio financeiro.

Pelo contrário, quando escreveu aos filipenses, agradeceu pelas contribuições que havia recebido:

"Porque também uma e outra vez me mandastes o necessário a Tessalônica." (Filipenses 4:16).

E acrescentou:

"Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta." (Filipenses 4:17).

Veja que Paulo não considerava essas ofertas uma forma de comercializar a Palavra de Deus. Eram expressões voluntárias de comunhão e participação na obra do Senhor.

Em Gálatas 6:6, encontramos outra orientação:

"E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui."

Portanto, contribuir voluntariamente com aqueles que trabalham no ensino e na divulgação das Escrituras não é contrário à Bíblia. Pelo contrário, é um princípio claramente reconhecido no Novo Testamento.

Naturalmente, isso jamais deve ser confundido com a exploração financeira da fé, com promessas de bênçãos em troca de dinheiro ou com a comercialização das coisas espirituais. Essas práticas não encontram aprovação nas Escrituras.

Antes de julgar, é necessário conhecer os fatos

O que me chama a atenção no seu comentário é que você apresenta uma crítica sem, aparentemente, conhecer como os vídeos são preparados e publicados.

A Bíblia nos ensina:

"Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha." (Provérbios 18:13).

Antes de concluir que alguém está cobrando pela Palavra de Deus, seria mais prudente procurar compreender o que realmente está acontecendo.

Você afirma que Jesus nunca cobrou pelos Seus ensinamentos, e está correto. Mas também é importante lembrar que, durante o Seu ministério terreno, havia pessoas que contribuíam materialmente para o sustento das necessidades daqueles que O acompanhavam.

Em Lucas 8:1-3, lemos sobre algumas mulheres que acompanhavam o Senhor Jesus e Seus discípulos e que os serviam com seus bens.

Isso demonstra que receber auxílio material para a realização de um trabalho espiritual não significa vender a mensagem de Deus.

O Senhor Jesus também ensinou:

"Digno é o trabalhador do seu salário." (Lucas 10:7).

Portanto, não podemos utilizar uma parte das Escrituras para condenar aquilo que outras passagens claramente reconhecem como legítimo.

Uma reflexão sobre a disposição de contribuir

Gostaria também de lhe fazer uma pergunta.

Em vez de criticar aqueles que dedicam tempo, recursos e esforços à divulgação da Palavra de Deus, por que não considerar a possibilidade de contribuir voluntariamente para ajudar nesse trabalho?

Tanto o Mário quanto eu temos despesas relacionadas às atividades que realizamos. Não estou falando em pagar para receber ensinamentos, mas em ajudar aqueles que investem seus próprios recursos para que outras pessoas tenham acesso gratuito a esses conteúdos.

É muito fácil assistir a vídeos, utilizar materiais disponibilizados gratuitamente e, depois, criticar aqueles que procuram meios legítimos de custear esse trabalho.

Mas também seria bom reconhecer que, por trás de cada vídeo, existem horas de preparação, gravação, edição e dedicação.

A Bíblia declara:

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria." (2 Coríntios 9:7).

Ninguém é obrigado a contribuir. Ninguém precisa tornar-se membro do meu canal. E ninguém precisa pagar para assistir aos vídeos quando eles são publicados gratuitamente.

Entretanto, aqueles que desejam contribuir têm toda a liberdade de fazê-lo, e não considero correto censurá-los por isso.

A diferença entre discordar e acusar

Você tem todo o direito de não concordar com o sistema de membros do YouTube. Não há problema algum nisso.

Se não deseja contribuir, não contribua. Se prefere esperar pela publicação gratuita dos vídeos, eles estarão disponíveis nas datas programadas.

Entretanto, discordar de uma prática não significa que ela seja contrária à Palavra de Deus.

Também precisamos ter cuidado para não julgar as intenções de pessoas cujas circunstâncias desconhecemos.

O Senhor Jesus declarou:

"Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça." (João 7:24).

Isso não significa que não podemos examinar práticas à luz das Escrituras. Podemos e devemos fazê-lo. Mas precisamos conhecer os fatos antes de formular acusações.

Não considero justo afirmar que alguém está vendendo os ensinamentos de Cristo simplesmente porque utiliza um recurso de apoio financeiro oferecido por uma plataforma digital.

A Palavra de Deus deve continuar sendo anunciada gratuitamente, e esse é o compromisso que procuro manter.

Se você entende que não deve contribuir financeiramente, respeito sua decisão. Apenas peço que respeite também a liberdade daqueles que desejam ajudar voluntariamente.

E, se continuar discordando, pode apresentar essa questão ao Senhor em oração, sem necessidade de atribuir intenções erradas a quem você não conhece.

Afinal, o apóstolo Paulo escreveu:

"Quem és tu que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai." (Romanos 14:4).

Espero que essa explicação tenha esclarecido a diferença entre cobrar pela Palavra de Deus e receber apoio voluntário para custear sua divulgação.

O Evangelho é gratuito. A salvação é gratuita. A graça de Deus não pode ser comprada. Mas os equipamentos, os materiais e os recursos utilizados para levar essa mensagem às pessoas possuem custos reais.

Que possamos compreender essa diferença e tratar uns aos outros com respeito, justiça e conhecimento das Escrituras.

Josué Matos

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