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O TABERNÁCULO NO DESERTO

 


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O TABERNÁCULO NO DESERTO 📙

Entre todas as revelações que Deus concedeu ao homem nas páginas das Escrituras, poucas possuem tanta profundidade, beleza e riqueza espiritual quanto o Tabernáculo erguido no deserto. À primeira vista, ele poderia parecer apenas uma antiga tenda utilizada pelo povo de Israel durante sua peregrinação rumo à Terra Prometida. Porém, quando examinamos cuidadosamente cada detalhe dessa extraordinária construção, descobrimos que ela constitui uma das mais completas revelações do pensamento de Deus acerca do Seu Filho, do plano da redenção e do Seu desejo de habitar entre os homens.

O Tabernáculo não nasceu da imaginação humana. Nenhum arquiteto elaborou seu projeto. Nenhum líder religioso decidiu sua forma. Sua origem está no próprio coração de Deus. Foi Ele quem revelou cada medida, cada material, cada móvel, cada cor, cada cortina e cada detalhe da sua estrutura. Nada foi deixado ao acaso. Tudo possuía um significado e um propósito.

Quando Israel saiu do Egito, o povo havia sido libertado da escravidão, mas ainda precisava atravessar um longo deserto. A jornada seria difícil. Haveria sede, fome, perigos, provações e muitas manifestações da fraqueza humana. Contudo, antes mesmo de conduzi-los à terra prometida, Deus lhes deu algo extraordinário: Sua própria presença.

A grande maravilha do Tabernáculo não era sua beleza exterior. Não eram suas cortinas, seus móveis de ouro ou seus utensílios sagrados. A verdadeira maravilha era que Deus desejava habitar ali.

Em Êxodo 25:8 encontramos uma das declarações mais notáveis de toda a Bíblia:

"E me farão um santuário, e habitarei no meio deles."

Essas palavras revelam algo precioso acerca do caráter divino. Deus não é indiferente ao homem. Ele não permaneceu distante em Sua majestade celestial observando a humanidade de longe. Pelo contrário, Seu desejo sempre foi aproximar-se da criatura que formou.

No Jardim do Éden, Deus andava com o homem.

No deserto, Deus habitou no Tabernáculo.

Em Jerusalém, Sua glória encheu o templo.

Na plenitude dos tempos, Deus veio ao mundo na Pessoa do Senhor Jesus Cristo.

Hoje, habita em Seu povo por meio do Espírito Santo.

E no futuro eterno, habitará para sempre com os remidos no novo Céu e na nova Terra.

O Tabernáculo ocupa um lugar central nessa maravilhosa história da presença de Deus entre os homens.

Ao observarmos o acampamento de Israel, percebemos algo significativo. As tribos eram organizadas ao redor do Tabernáculo. Ele ocupava exatamente o centro do povo. Não estava numa extremidade do acampamento. Não estava escondido numa montanha distante. Estava no meio deles.

Essa disposição ensinava uma verdade que permanece válida em todas as épocas: Deus deseja ocupar o lugar central.

O centro dos pensamentos.

O centro da adoração.

O centro da comunhão.

O centro da vida.

Tudo no acampamento convergia para aquele santuário. Quando a nuvem se movia, o povo se movia. Quando a nuvem parava, o povo parava. A presença de Deus determinava a direção da jornada.

Entretanto, o Tabernáculo não foi dado apenas para ensinar verdades sobre Deus. Ele também revela importantes verdades sobre o homem.

Ao longo de toda a sua estrutura encontramos uma realidade evidente: o homem não pode aproximar-se de Deus segundo seus próprios pensamentos.

Existe uma porta.

Existe um altar.

Existe uma bacia.

Existe um sacerdócio.

Existe sangue derramado.

Existe um caminho estabelecido por Deus.

Cada elemento do Tabernáculo proclama que a aproximação de Deus somente é possível através dos meios determinados por Ele.

Essa verdade alcança seu cumprimento perfeito no Senhor Jesus Cristo.

O próprio Senhor declarou:

"Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." (João 14:6)

O Tabernáculo, portanto, não é apenas um monumento histórico. É um retrato profético do Salvador.

O altar aponta para Seu sacrifício.

A bacia aponta para Sua obra purificadora.

O candelabro aponta para Sua luz.

A mesa dos pães aponta para Seu sustento.

O altar do incenso aponta para Sua intercessão.

O véu aponta para Sua carne.

A arca aponta para Sua Pessoa gloriosa.

Do início ao fim, o Tabernáculo fala do Senhor Jesus Cristo.

Por essa razão, durante séculos, estudantes das Escrituras dedicaram-se ao seu estudo. Quanto mais profundamente examinamos suas figuras, mais claramente percebemos a grandeza do plano divino.

Nenhum detalhe é insignificante.

Nenhuma medida é inútil.

Nenhuma cor foi escolhida sem propósito.

Nenhum móvel foi colocado por acaso.

Tudo possui uma mensagem.

Tudo possui uma lição.

Tudo aponta para Cristo.

Ao mesmo tempo, o Tabernáculo também nos apresenta uma visão da obra redentora de Deus ao longo dos séculos.

Ali vemos a santidade divina exigindo julgamento para o pecado.

Ali vemos a graça providenciando um substituto.

Ali vemos o sangue sendo derramado.

Ali vemos o pecador encontrando acesso à presença de Deus.

Ali vemos a comunhão restaurada.

Ali vemos, em figuras e sombras, as verdades que alcançariam sua plena realização na cruz do Calvário.

Mas o Tabernáculo não olha apenas para trás, para Israel, nem apenas para a cruz. Ele também aponta para o futuro.

A presença divina que habitava naquele santuário era uma antecipação daquilo que um dia será plenamente realizado.

O livro de Apocalipse descreve o momento em que Deus habitará para sempre com os homens.

Não haverá mais separação.

Não haverá mais pecado.

Não haverá mais véu.

Não haverá mais distância.

A comunhão interrompida no Éden será plenamente restaurada.

O propósito eterno de Deus alcançará seu cumprimento perfeito.

Assim, ao estudarmos o Tabernáculo, estamos contemplando muito mais do que uma antiga construção do deserto. Estamos observando um testemunho da graça divina, um retrato do Senhor Jesus Cristo, uma lição sobre a redenção e uma antecipação da glória futura.

Nas páginas que seguem, percorreremos cada parte dessa extraordinária habitação.

Entraremos pelo portão do átrio.

Pararemos diante do altar.

Observaremos a bacia de bronze.

Penetraremos no Santo Lugar.

Contemplaremos o candelabro, a mesa dos pães e o altar do incenso.

Atravessaremos o véu.

Chegaremos ao Santo dos Santos.

Ali encontraremos a arca da aliança, o lugar da presença de Deus.

E, ao longo dessa jornada, descobriremos que cada detalhe nos conduz à mesma Pessoa gloriosa: o Senhor Jesus Cristo.

Ele é o verdadeiro Tabernáculo de Deus.

Ele é o centro de toda a revelação divina.

Ele é o tema principal de todas as Escrituras.

E é para Ele que este estudo deseja conduzir o leitor.

Josué Matos


Eu sou o Todo e o Todo veio de mim! Eu sou DEUS!

 Alfuém que me escreveu no YouTube:

Eu sou o Todo e o Todo veio de mim! Eu sou DEUS!

Minha Resposta:

Essa afirmação não é nova. Desde o princípio da história humana, Satanás tem procurado convencer o homem de que ele pode ser como Deus. Em Gênesis 3:5, a serpente disse a Eva: "sereis como Deus". Desde então, muitas filosofias, religiões e movimentos esotéricos têm repetido essa mesma ideia de diferentes formas.

A Bíblia ensina exatamente o contrário. Deus é o Criador, e nós somos criaturas.

O profeta Isaías registrou as palavras do próprio Deus:

"Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há Deus" (Isaías 45:5).

Novamente:

"Antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá" (Isaías 43:10).

Se uma pessoa afirma ser Deus, então ela teria que possuir os atributos exclusivos de Deus. Pergunto:

Você é eterno, sem princípio e sem fim?

Você criou os céus, a terra e todas as coisas?

Você conhece simultaneamente todos os pensamentos de todos os seres humanos?

Você está presente em todos os lugares ao mesmo tempo?

Você sustenta o universo pelo poder da sua palavra?

Você pode ressuscitar mortos apenas por sua própria autoridade?

A resposta honesta para todas essas perguntas é não.

A própria existência de limitações humanas demonstra que não somos Deus. Ficamos doentes, envelhecemos, cometemos erros, esquecemos coisas, precisamos dormir, comer e dependemos de milhares de fatores para continuar vivos.

A Bíblia declara:

"Porque ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó" (Salmo 103:14).

O único que pode dizer legitimamente "EU SOU" é Deus. Quando Moisés perguntou qual era o Seu nome, Deus respondeu:

"EU SOU O QUE SOU" (Êxodo 3:14).

Séculos depois, o Senhor Jesus aplicou esse título a Si mesmo ao dizer:

"Antes que Abraão existisse, eu sou" (João 8:58).

Portanto, a grande questão não é o homem tornar-se Deus, mas reconhecer sua condição de pecador e voltar-se para Deus mediante a fé em Jesus Cristo.

O evangelho não ensina que o homem é Deus. O evangelho ensina que Deus se fez homem na pessoa do Senhor Jesus Cristo para salvar pecadores.

"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:23).

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem" (1 Timóteo 2:5).

A maior necessidade do ser humano não é descobrir uma suposta divindade dentro de si, mas reconhecer seu pecado, arrepender-se e receber o Salvador que Deus enviou.

Josué Matos


O SUMO SACERDOTE E SUA RELAÇÃO COM CRISTO

(Ver imagem)

Entre todas as figuras do Antigo Testamento, poucas são tão ricas em significado espiritual quanto a do sumo sacerdote de Israel. Sua pessoa, suas vestes, suas funções e seu ministério foram estabelecidos por Deus para ensinar verdades profundas acerca do Senhor Jesus Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote.

O sacerdócio israelita não surgiu por iniciativa humana. Foi instituído pelo próprio Deus. Arão, irmão de Moisés, foi escolhido para ocupar esse cargo elevado, e seus descendentes exerceram essa função ao longo da história de Israel.

Êxodo 28:1 registra:

"Faze também chegar a ti teu irmão Arão, e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o sacerdócio."

O sumo sacerdote era o representante oficial do povo diante de Deus e, ao mesmo tempo, representava Deus diante do povo.

A FUNÇÃO DO SUMO SACERDOTE

O sumo sacerdote exercia um ministério único em Israel.

Embora houvesse muitos sacerdotes, somente ele podia entrar no Lugar Santíssimo uma vez por ano, no Dia da Expiação.

Levítico 16 descreve essa cerimônia solene.

Ali ele levava o sangue do sacrifício para dentro do véu e o apresentava diante de Deus em favor da nação.

Essa entrada anual demonstrava duas verdades.

Primeiro, que o pecado separava o homem de Deus.

Segundo, que somente através do sacrifício poderia haver aproximação.

Hebreus 9:7 diz:

"No segundo tabernáculo entrava só o sumo sacerdote, uma vez no ano."

Todo esse sistema apontava para a obra futura do Senhor Jesus Cristo.

A MITRA

Sobre a cabeça do sumo sacerdote estava a mitra, uma espécie de turbante sagrado.

Na parte frontal havia uma lâmina de ouro puro contendo as palavras:

"Santidade ao Senhor."

Êxodo 28:36-38 mostra que essa inscrição representava a separação total para Deus.

A cabeça fala dos pensamentos, propósitos e intenções.

No Senhor Jesus vemos perfeita santidade.

Jamais houve um pensamento impuro ou uma intenção errada em Sua vida.

Hebreus 7:26 declara:

"Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores."

AS PEDRAS DE ÔNIX

Sobre os ombros do sumo sacerdote havia duas pedras de ônix.

Nelas estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel.

Êxodo 28:12 afirma:

"Arão levará os seus nomes diante do Senhor sobre ambos os seus ombros, para memória."

Os ombros simbolizam força.

O sumo sacerdote carregava simbolicamente o povo sobre seus ombros.

Essa figura encontra seu cumprimento em Cristo.

O Bom Pastor não apenas conhece Suas ovelhas, mas as carrega em Seu poder.

Lucas 15:5 diz:

"E, achando-a, a põe sobre os seus ombros, cheio de júbilo."

O PEITORAL DO JULGAMENTO

O peitoral era uma das peças mais impressionantes das vestes sacerdotais.

Nele estavam doze pedras preciosas, cada uma representando uma tribo de Israel.

Êxodo 28:29 declara:

"Assim Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo sobre o seu coração."

Se os ombros falam da força de Cristo, o peitoral fala do Seu amor.

O povo era levado não apenas sobre os ombros, mas também sobre o coração.

Cristo sustenta os Seus com poder infinito e os ama com amor perfeito.

João 13:1 declara:

"Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim."

Cada pedra era diferente.

Algumas eram mais brilhantes.

Outras possuíam cores distintas.

Mas todas estavam igualmente próximas do coração do sumo sacerdote.

Assim também acontece com os crentes.

Cada um possui sua individualidade, mas todos são igualmente amados pelo Senhor.

URIM E TUMIM

Dentro do peitoral encontravam-se o Urim e o Tumim.

Embora a Bíblia não explique detalhadamente sua forma ou composição, sabemos que eram utilizados para buscar orientação da parte de Deus.

Eles simbolizam luz e perfeição.

No Senhor Jesus encontramos a perfeita revelação da vontade de Deus.

João 14:9 registra Suas palavras:

"Quem me vê a mim vê o Pai."

Toda a luz divina encontra-se nEle.

Toda a sabedoria divina manifesta-se nEle.

O ÉFODE

O éfode era uma vestimenta especial usada exclusivamente pelo sumo sacerdote.

Era confeccionado com ouro, azul, púrpura, carmesim e linho fino.

Cada elemento possuía significado espiritual.

O ouro fala da glória divina.

O azul fala do céu.

A púrpura fala da realeza.

O carmesim fala dos sofrimentos.

O linho fino fala da perfeição moral.

Todos esses elementos encontram sua plenitude na pessoa do Senhor Jesus.

Ele é Deus manifestado em carne.

É o Homem celestial.

É o Rei prometido.

É o Servo sofredor.

É o Homem perfeito.

A TÚNICA AZUL

Debaixo do éfode havia uma túnica inteiramente azul.

O azul frequentemente simboliza aquilo que é celestial.

O Senhor Jesus veio do céu.

João 3:13 declara:

"Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu."

Mesmo vivendo neste mundo, Sua origem, Seu caráter e Seus interesses eram celestiais.

Ele podia dizer:

"Eu não sou deste mundo."

OS SINOS E AS ROMÃS

Na borda inferior da túnica azul havia sinos de ouro alternados com romãs.

Êxodo 28:33-35 descreve esse detalhe.

Os sinos produziam som.

As romãs produziam fruto.

O som fala do testemunho.

O fruto fala do caráter.

Deus deseja ambos na vida do Seu povo.

Não basta falar sem produzir fruto.

Também não basta produzir fruto sem testemunho.

No Senhor Jesus encontramos perfeita harmonia entre palavras e obras.

Tudo o que Ele dizia era confirmado por aquilo que fazia.

A TÚNICA BRANCA

Por baixo de todas as demais vestes havia uma túnica branca de linho fino.

O branco fala de pureza, justiça e perfeição.

Cristo é absolutamente puro.

Pilatos declarou:

"Não acho nele crime algum."

O ladrão arrependido reconheceu:

"Este nenhum mal fez."

Até os demônios sabiam quem Ele era:

"O Santo de Deus."

O LUGAR SANTÍSSIMO

O sumo sacerdote tinha acesso ao Lugar Santíssimo.

Ali estava a arca da aliança.

Ali se manifestava a glória divina.

Ali o sangue era apresentado diante de Deus.

Mas tudo isso era apenas uma sombra.

Hebreus 9:24 declara:

"Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu."

O Senhor Jesus entrou na própria presença de Deus por nós.

Seu sacerdócio é superior ao de Arão.

Seu sacrifício é superior aos sacrifícios levíticos.

Seu ministério é eterno.

CRISTO, O GRANDE SUMO SACERDOTE

A Epístola aos Hebreus apresenta repetidamente o Senhor Jesus como nosso grande Sumo Sacerdote.

Hebreus 4:14 declara:

"Tendo, pois, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus."

Diferentemente dos sacerdotes terrenos, Ele nunca precisará ser substituído.

Nunca morrerá.

Nunca falhará.

Nunca precisará oferecer sacrifício pelos próprios pecados.

Hebreus 7:25 afirma:

"Pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus."

Hoje Cristo está à direita de Deus.

Intercede pelos Seus.

Sustenta os Seus.

Representa os Seus diante do Pai.

CONCLUSÃO

As vestes do sumo sacerdote não eram apenas roupas cerimoniais.

Cada detalhe foi planejado por Deus para revelar aspectos da pessoa e da obra do Senhor Jesus Cristo.

A mitra fala de Sua santidade.

As pedras de ônix falam de Sua força.

O peitoral fala de Seu amor.

O Urim e o Tumim falam de Sua perfeita sabedoria.

O éfode fala de Sua glória.

A túnica azul fala de Sua origem celestial.

Os sinos e romãs falam de Seu testemunho e fruto.

A túnica branca fala de Sua pureza absoluta.

Tudo converge para Cristo.

Aquilo que Arão representava em figura, o Senhor Jesus cumpre em realidade.

Hoje não dependemos de um sacerdote terreno para nos aproximarmos de Deus.

Temos um grande Sumo Sacerdote vivo, glorificado e eterno.

Por isso Hebreus 4:16 nos convida:

"Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça."

Josué Matos


OS SETE MONTES DO EVANGELHO DE MATEUS

 

(Ver imagem)

O Evangelho de Mateus apresenta o Senhor Jesus Cristo como o Messias prometido a Israel e o legítimo Herdeiro do trono de Davi. Logo nos primeiros versículos, Mateus faz questão de identificá-Lo como "Filho de Davi, Filho de Abraão" (Mateus 1:1), demonstrando que todas as promessas feitas aos patriarcas e aos reis encontram seu cumprimento nEle.

Ao longo do Evangelho, diversos montes tornam-se cenários de acontecimentos decisivos. Não se trata apenas de locais geográficos. Cada monte revela um aspecto da pessoa, da obra e da glória do Senhor Jesus. Juntos, eles formam uma progressão que apresenta o Messias a Israel e mostra a crescente responsabilidade da nação diante da Sua presença.

O MONTE DA TENTAÇÃO

Mateus 4:8-11

O primeiro monte aparece logo após o batismo do Senhor Jesus.

Conduzido pelo Espírito ao deserto, Ele enfrenta Satanás em uma série de tentações.

No terceiro teste, o diabo O leva a um monte muito alto e oferece todos os reinos do mundo e a sua glória.

Adão havia sido derrotado em um jardim.

Israel havia fracassado no deserto.

Mas o Senhor Jesus triunfa onde todos os outros fracassaram.

Cada tentação é respondida com a Palavra de Deus.

Mateus 4:10 registra:

"Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás."

Aqui vemos o Rei perfeito recusando o caminho fácil da glória sem a cruz.

O Messias demonstra Sua absoluta obediência ao Pai.

O MONTE DO SERMÃO

Mateus 5 a 7

No segundo monte encontramos o famoso Sermão do Monte.

Se no primeiro monte vemos o caráter do Rei, neste vemos os princípios do Seu Reino.

O Senhor sobe ao monte e começa a ensinar.

As bem-aventuranças revelam as características daqueles que pertencem ao Reino dos Céus.

Ao longo do sermão, o Senhor expõe o verdadeiro significado da Lei e denuncia a superficialidade da religião dos líderes judeus.

Mateus 5:20 declara:

"Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus."

O monte do sermão revela o Senhor Jesus como o Mestre divino.

Nenhum escriba ensinava como Ele.

Nenhum profeta falava com tal autoridade.

Mateus 7:29 afirma:

"Porque os ensinava como tendo autoridade."

O MONTE DA ORAÇÃO

Mateus 14:23

Após alimentar a multidão, o Senhor despede o povo e sobe sozinho ao monte para orar.

Enquanto os discípulos enfrentam a tempestade no mar, Ele permanece em comunhão com o Pai.

Este monte revela o Senhor Jesus como o grande Intercessor.

Mesmo durante Seu ministério terreno, Ele mantinha constante dependência de Deus.

A oração ocupava lugar central em Sua vida.

O mesmo Salvador que orava naquele monte continua hoje intercedendo pelos Seus.

Hebreus 7:25 declara:

"Vivendo sempre para interceder por eles."

O MONTE DOS MILAGRES

Mateus 15:29-38

O Senhor sobe a um monte próximo ao mar da Galileia.

Ali multidões chegam trazendo cegos, coxos, mudos e enfermos.

O texto diz que Ele os curou.

Mais tarde, alimenta milhares de pessoas com poucos pães e peixes.

Esse monte revela o Messias como o grande Benfeitor.

Os profetas haviam anunciado que, quando o Messias viesse, os cegos veriam, os surdos ouviriam e os coxos saltariam de alegria.

Isaías 35:5-6 predissera exatamente essas coisas.

Os milagres eram sinais destinados a comprovar Sua identidade messiânica.

Entretanto, apesar das evidências, a maioria da nação permaneceu incrédula.

O MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO

Mateus 17:1-9

Este é um dos momentos mais extraordinários dos Evangelhos.

O Senhor leva Pedro, Tiago e João a um alto monte.

Ali Sua aparência é transformada diante deles.

Seu rosto resplandece como o sol.

Suas vestes tornam-se brancas como a luz.

Moisés e Elias aparecem conversando com Ele.

Uma voz vinda do céu declara:

"Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o."

Neste monte vemos o Senhor Jesus manifestado em Sua glória.

A transfiguração oferece uma antecipação do Reino futuro.

Pedro mais tarde recordaria esse acontecimento em 2 Pedro 1:16-18, afirmando que havia sido testemunha ocular da majestade de Cristo.

A transfiguração demonstra que o Messias rejeitado também é o Rei glorioso que voltará para estabelecer Seu Reino.

O MONTE DA REVELAÇÃO

Mateus 24 e 25

Sentado no Monte das Oliveiras, o Senhor responde às perguntas dos discípulos acerca do futuro.

Ele revela acontecimentos relacionados à destruição de Jerusalém, à Tribulação, à Sua segunda vinda e ao estabelecimento do Reino.

Mateus 24:3 registra a pergunta dos discípulos:

"Que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?"

A resposta constitui um dos mais importantes discursos proféticos das Escrituras.

Nesse monte o Senhor aparece como o Profeta prometido.

Ele revela eventos que ainda estavam séculos à frente.

Fala da Grande Tribulação.

Fala da Abominação Desoladora.

Fala da Sua volta em glória.

Fala do julgamento das nações.

O monte da revelação mostra que a história não está fora do controle de Deus.

Tudo caminha para o cumprimento dos Seus propósitos.

O MONTE DA GRANDE COMISSÃO

Mateus 28:16-20

Após Sua ressurreição, o Senhor encontra Seus discípulos em um monte da Galileia.

Ali pronuncia as últimas palavras registradas por Mateus.

Toda autoridade lhe foi dada no céu e na terra.

Ele envia os discípulos para fazer discípulos de todas as nações.

Mateus 28:18-20 declara:

"Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto ide."

O Evangelho que começou apresentando o Rei de Israel termina com o Senhor exercendo autoridade universal.

O Messias rejeitado por Israel torna-se o Salvador oferecido ao mundo inteiro.

Neste último monte vemos Cristo como Cabeça e Senhor.

Ele possui toda autoridade.

Ele envia Seus servos.

Ele promete Sua presença.

"E eis que eu estou convosco todos os dias."

A REJEIÇÃO DO MESSIAS

Ao longo do Evangelho de Mateus observamos um aumento constante da oposição ao Senhor Jesus.

Apesar dos Seus ensinos.

Apesar dos Seus milagres.

Apesar das evidências incontestáveis.

Os líderes religiosos endurecem seus corações.

O ponto decisivo ocorre em Mateus 12, quando atribuem ao poder de Satanás as obras realizadas pelo Espírito de Deus.

A partir daí ocorre uma mudança importante no ministério do Senhor.

Em Mateus 13 Ele começa a ensinar por parábolas.

Os mistérios do Reino são revelados aos discípulos, mas permanecem ocultos aos incrédulos.

A rejeição de Israel não surpreendeu Deus.

Ela já fazia parte do plano profético que culminaria na cruz e posteriormente na formação da Igreja.

A REVELAÇÃO PROGRESSIVA DO MESSIAS

Quando observamos os sete montes juntos, percebemos uma bela progressão.

No monte da tentação vemos Sua perfeição moral.

No monte do sermão vemos Sua sabedoria.

No monte da oração vemos Sua comunhão com o Pai.

No monte dos milagres vemos Seu poder e compaixão.

No monte da transfiguração vemos Sua glória.

No monte da revelação vemos Sua autoridade profética.

No monte da grande comissão vemos Seu governo universal.

Cada monte acrescenta uma nova dimensão da pessoa do Senhor Jesus.

CONCLUSÃO

Os sete montes de Mateus formam um retrato extraordinário do Messias prometido a Israel.

Neles contemplamos o Rei perfeito, o Mestre divino, o Intercessor fiel, o Benfeitor compassivo, o Filho glorioso, o Profeta anunciado e o Senhor de toda autoridade.

Embora tenha sido rejeitado por grande parte da nação, Sua identidade foi plenamente demonstrada.

Os milagres confirmaram Suas palavras.

As profecias confirmaram Sua missão.

A ressurreição confirmou Sua vitória.

Mateus começa apresentando o Rei e termina apresentando o Rei ressuscitado.

E o mesmo Senhor que enviou Seus discípulos naquele monte continua hoje chamando homens e mulheres de todas as nações para segui-Lo, servi-Lo e aguardarem Sua volta gloriosa.

Josué Matos