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Quando Jesus disse aquelas palavras em Mateus 5:32 e 19:9, em tese dando uma exceção, na verdade Ele apenas estava cumprindo e seguindo a lei que ainda estava em vigor, acerca da pureza entre o povo de Israel.

 Alguém que escreveu no WhatsApp:

Meu Deus, irmão, fica tudo muito claro. Quando Jesus disse aquelas palavras em Mateus 5:32 e 19:9, em tese dando uma exceção, na verdade Ele apenas estava cumprindo e seguindo a lei que ainda estava em vigor, acerca da pureza entre o povo de Israel. As denominações, ditas igrejas, estão escondendo isso para não perder membros dizimistas, que é outra falsa doutrina. Eu não consigo enxergar de outra forma, pois há muitos divorciados e recasados. Vem se cumprindo uma grande apostasia à margem da sã doutrina.

Minha Resposta:

Você percebeu um ponto muito importante, especialmente ao observar que Mateus 5:32 e Mateus 19:9 precisam ser entendidos dentro do contexto judaico em que o Senhor Jesus pronunciou essas palavras. Entretanto, eu faria uma pequena precisão na maneira de expressar isso: não diria simplesmente que Jesus estava apenas “cumprindo e seguindo a lei”. O Senhor vai além disso. Ele mostra que a permissão mosaica para o repúdio nunca representou o propósito original de Deus para o casamento.

Quando os fariseus perguntaram: “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?”, o Senhor não começou Sua resposta em Deuteronômio. Ele voltou muito mais atrás, à criação:

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:4-6).

Esse é o fundamento. O padrão do casamento não começa com Moisés, mas com Deus na criação, em Gênesis 2:24.

Quando os fariseus perguntaram por que, então, Moisés permitiu a carta de divórcio, o Senhor explicou:

“Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim” (Mateus 19:8).

Observe cuidadosamente: “ao princípio não foi assim”.

Portanto, a permissão existente na legislação mosaica não anulava o princípio estabelecido por Deus na criação. Era uma concessão relacionada à dureza do coração humano, não a expressão do ideal divino.

A questão da “exceção”

Aqui chegamos justamente ao ponto que você mencionou.

Mateus registra:

“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério” (Mateus 19:9).

É muito importante observar que o Senhor emprega palavras diferentes para “fornicação” e “adultério”.

A palavra traduzida por fornicação é porneia.

A palavra relacionada ao adultério é moicheia.

Essa distinção ajuda bastante na compreensão do texto. Se o Senhor estivesse simplesmente dizendo que o adultério depois do casamento desfazia o vínculo matrimonial, seria natural perguntar por que Ele não empregou diretamente a palavra referente ao adultério na chamada cláusula de exceção.

Além disso, há um detalhe muito significativo: essa cláusula aparece em Mateus, mas não aparece nas declarações paralelas de Marcos e Lucas.

Em Marcos lemos:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera” (Marcos 10:11-12).

Lucas é igualmente direto:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também” (Lucas 16:18).

Por que, então, Mateus apresenta a expressão relacionada à porneia?

O próprio Evangelho segundo Mateus fornece uma chave importante no primeiro capítulo.

José e Maria estavam desposados, mas ainda não haviam consumado o casamento:

“Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem...” (Mateus 1:18).

Mesmo assim, José é chamado de “marido”, e Maria é chamada de sua “mulher”:

“José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente” (Mateus 1:19).

E o anjo lhe disse:

“José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher” (Mateus 1:20).

Isso é muito importante.

No sistema judaico de desposamento, o compromisso possuía uma seriedade jurídica muito maior do que aquilo que hoje chamamos simplesmente de namoro ou noivado. Uma mulher desposada já podia ser chamada “mulher” daquele homem, embora ainda não tivessem se ajuntado.

Isso também aparece em Deuteronômio 22:23-24, onde uma “moça virgem desposada” é considerada “mulher do seu próximo”.

Assim, há uma compreensão muito coerente da cláusula de Mateus: a “fornicação” mencionada pelo Senhor se refere à imoralidade descoberta antes da consumação do casamento, dentro daquele contexto judaico do desposamento.

José e Maria constituem praticamente uma ilustração do próprio assunto no início do Evangelho.

José acreditou inicialmente que Maria havia sido infiel durante o período do desposamento e, por isso, “intentou deixá-la secretamente”. Naturalmente, depois recebeu a revelação divina de que a gravidez de Maria era obra sobrenatural do Espírito Santo.

Isso também explica por que Mateus, Evangelho profundamente relacionado ao contexto judaico, registra essa cláusula, enquanto Marcos e Lucas apresentam a regra sem ela.

O casamento continua enquanto ambos vivem

Quando chegamos às epístolas, onde encontramos instruções dirigidas às igrejas, a linguagem torna-se ainda mais direta.

Romanos 7:2-3 declara:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido. De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido.”

Observe a expressão:

“enquanto ele viver”.

E depois:

“morto o marido, está livre”.

Paulo apresenta a morte, não o divórcio civil, como aquilo que põe fim ao vínculo matrimonial.

Isso concorda com 1 Coríntios 7.

Quando Paulo trata da possibilidade de separação entre cristãos, não diz que o crente separado está livre para procurar outro casamento:

“Todavia, aos casados mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” (1 Coríntios 7:10-11).

As duas possibilidades apresentadas são muito claras:

permanecer sem casar;

ou reconciliar-se.

Não encontramos uma terceira opção dizendo: “divorcie-se e case com outra pessoa”.

Mais adiante, Paulo reafirma o mesmo princípio:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

Novamente:

“todo o tempo que o seu marido vive”.

E novamente a liberdade aparece quando o marido “falecer”.

Por isso, precisamos distinguir aquilo que a legislação civil reconhece daquilo que Deus reconhece. Um tribunal pode declarar duas pessoas legalmente divorciadas perante o Estado, mas isso não significa automaticamente que o vínculo estabelecido por Deus deixou de existir.

Foi justamente por isso que o Senhor disse:

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Essa declaração é muito mais profunda do que simplesmente proibir uma determinada formalidade jurídica. O casamento é apresentado como uma união realizada diante de Deus.

A própria linguagem de “adultério” depois de um novo casamento demonstra isso.

Se o primeiro casamento tivesse sido completamente dissolvido diante de Deus pelo divórcio, casar novamente não poderia ser chamado de adultério. Adultério pressupõe a existência de um vínculo matrimonial anterior.

É justamente isso que torna tão forte Lucas 16:18:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também.”

A mulher foi repudiada. Humanamente, houve separação. Entretanto, casar com ela ainda é chamado de adultério. Isso demonstra que a ruptura reconhecida pelos homens não necessariamente desfaz aquilo que Deus estabeleceu.

Entretanto, precisamos ter cuidado com outra parte do comentário.

É verdade que vivemos dias de grande abandono da verdade bíblica. O Novo Testamento realmente profetiza:

“Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências” (2 Timóteo 4:3).

Também lemos:

“Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados” (2 Timóteo 3:13).

Contudo, devemos evitar afirmar que todas as igrejas ou todos os ensinadores que interpretam Mateus 19:9 de maneira diferente fazem isso conscientemente “para não perder dizimistas”.

Podemos demonstrar biblicamente que uma interpretação está errada sem julgar necessariamente as motivações do coração de todos que a sustentam.

Existem pessoas sinceras que foram ensinadas dessa maneira e nunca examinaram profundamente o assunto. Existem também exposições diferentes da cláusula de Mateus 19:9 entre pessoas que reconhecem a autoridade das Escrituras.

Nosso dever é:

“Pregar a palavra, instar a tempo e fora de tempo, redarguir, repreender, exortar, com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4:2).

A verdade não precisa ser enfraquecida, mas deve ser apresentada com fidelidade, paciência e amor.

Quanto ao dízimo, também é necessário fazer a distinção dispensacional. O dízimo pertence claramente ao sistema de Israel e aparece na Lei de Moisés, enquanto o ensino dado às igrejas no Novo Testamento enfatiza contribuição voluntária, proporcional, consciente e alegre:

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Coríntios 9:7).

Assim, não devemos trocar uma ordenança dada a Israel por uma espécie de imposto religioso imposto à Igreja.

Finalmente, quanto à apostasia, devemos igualmente usar o termo biblicamente e com cuidado. Certamente existe crescente abandono da verdade, e as Escrituras já advertiam que isso aconteceria. Mas nossa responsabilidade não é apenas apontar o erro dos outros. Devemos primeiro permanecer pessoalmente firmes na verdade.

Paulo escreveu a Timóteo:

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado” (2 Timóteo 3:14).

E Judas exorta:

“Batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3).

Portanto, a resposta à confusão dos nossos dias não é adaptar as Escrituras à sociedade, mas voltar humildemente às Escrituras.

No casamento, devemos voltar ao princípio:

“Serão dois numa só carne” (Mateus 19:5).

Na permanência do vínculo:

“O que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Na separação:

“Fique sem casar ou que se reconcilie” (1 Coríntios 7:11).

Na duração do vínculo:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive” (1 Coríntios 7:39).

E na liberdade para um novo casamento:

“Mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Coríntios 7:39).

Quando juntamos essas passagens, o ensino apresenta uma coerência admirável. Não precisamos construir uma doutrina sobre uma frase isolada de Mateus 19:9. Precisamos interpretar essa frase à luz do contexto judaico de Mateus e, depois, compará-la com Marcos 10:11-12; Lucas 16:18; Romanos 7:1-3 e 1 Coríntios 7:10-11,39.

A Escritura deve interpretar a Escritura.

E acima das mudanças culturais, das legislações humanas e das conveniências religiosas permanece a palavra do próprio Senhor Jesus:

“Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mateus 19:6).

Josué Matos

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Após o arrebatamento da Igreja, o aparecimento do iníquo será imediato, ou as pessoas irão clamar por um “salvador” para resolver o caos, e então ele se manifestará?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Uma pergunta: após o arrebatamento da Igreja, o aparecimento do iníquo será imediato, ou as pessoas irão clamar por um “salvador” para resolver o caos, e então ele se manifestará? Ou ele se manifestará imediatamente após o arrebatamento?

Minha Resposta:

A Palavra de Deus nos permite estabelecer a ordem dos acontecimentos, mas é importante não afirmar além daquilo que foi revelado. A Bíblia não diz que haverá determinado número de horas, dias, semanas ou meses entre o arrebatamento da Igreja e a manifestação do iníquo. Portanto, não podemos estabelecer um intervalo cronológico que as Escrituras não estabelecem.

Entretanto, há uma ligação muito estreita entre a retirada da Igreja e a manifestação desse homem.

O texto principal é 2 Tessalonicenses 2:6-8:

“E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda.”

A expressão “e então será revelado o iníquo” é muito importante. Existe atualmente uma força restritiva que impede a plena manifestação desse homem. O mistério da iniquidade já está operando, mas ainda não chegou à sua manifestação final numa pessoa.

Entendemos que Aquele que restringe essa manifestação é o Espírito Santo agindo presentemente por meio da Igreja. Quando a Igreja for arrebatada, conforme 1 Tessalonicenses 4:13-18, essa forma específica da atuação restritiva do Espírito Santo chegará ao fim. Isto não significa que o Espírito Santo deixará a Terra ou deixará de operar. Ele é Deus e é onipresente. Haverá, inclusive, pessoas salvas durante o período da tribulação. O que terminará será Sua atuação particular através da Igreja como habitação de Deus neste presente período.

É significativo que Paulo diga:

“E então será revelado o iníquo” (2 Tessalonicenses 2:8).

Isso indica uma sequência bastante direta: o impedimento é retirado e o iníquo é revelado.

Portanto, não encontramos fundamento bíblico para afirmar que necessariamente haverá um longo período depois do arrebatamento no qual a humanidade ficará procurando alguém para resolver o caos e somente depois surgirá o iníquo. Essa possibilidade pode parecer lógica do ponto de vista humano, mas não é apresentada dessa maneira nas Escrituras.

Por outro lado, também precisamos distinguir entre a existência desse homem, sua manifestação pública e o desenvolvimento posterior de seu poder.

Ele poderá muito bem já ser uma figura conhecida no cenário político antes de ser identificado pelo caráter profético que as Escrituras lhe atribuem. A Bíblia não diz que ele aparecerá subitamente do nada. O que 2 Tessalonicenses 2 ensina é que chegará o momento determinado por Deus em que ele será “revelado”.

Há também Daniel 9:27, que apresenta um acontecimento decisivo no início da última semana profética:

“E ele firmará aliança com muitos por uma semana.”

Essa semana corresponde ao período final de sete anos relacionado especialmente com Israel e com os acontecimentos que culminarão na manifestação gloriosa do Senhor Jesus Cristo.

Portanto, o cenário bíblico aponta para uma rápida reorganização política e religiosa depois do arrebatamento.

Podemos imaginar que o desaparecimento repentino de todos os verdadeiros crentes causará enorme perplexidade no mundo. Pense no impacto social, econômico, político e até familiar desse acontecimento. Milhões de pessoas desaparecerão instantaneamente.

“Num momento, num abrir e fechar de olhos” (1 Coríntios 15:52).

Entretanto, devemos ter cuidado aqui: a Bíblia não descreve detalhadamente como os governos explicarão o arrebatamento nem afirma explicitamente que haverá um clamor mundial dizendo: “Precisamos de um salvador.” Isso seria uma dedução, e não uma declaração das Escrituras.

O que sabemos é que surgirá um sistema de extraordinário poder político e religioso.

Apocalipse 13 apresenta duas figuras especialmente importantes. A primeira besta sobe do mar e recebe enorme autoridade política:

“E deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação” (Apocalipse 13:7).

Depois aparece outra besta:

“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão” (Apocalipse 13:11).

Esse segundo personagem possui uma aparência enganadora. Parece cordeiro, mas sua voz revela sua verdadeira origem: fala como o dragão. Haverá, portanto, uma combinação extraordinária de poder político, religioso e satânico.

Além disso, 2 Tessalonicenses 2:9 mostra que a manifestação do iníquo será acompanhada de elementos sobrenaturais:

“Esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira.”

Isso explica por que multidões acreditarão nele. Não será simplesmente um político habilidoso oferecendo soluções econômicas. Sua atuação estará relacionada diretamente com a atividade de Satanás.

É também importante perceber que seu verdadeiro caráter será revelado progressivamente.

No princípio, sua atuação poderá parecer extremamente benéfica. Daniel apresenta uma aliança, aparentemente oferecendo estabilidade. Mas, no meio da semana, essa situação mudará dramaticamente:

“Na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares” (Daniel 9:27).

O Senhor Jesus refere-Se diretamente a esse acontecimento:

“Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo...” (Mateus 24:15).

Paulo acrescenta outro detalhe impressionante:

“O qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” (2 Tessalonicenses 2:4).

Assim, aquele que inicialmente poderá ser recebido como solução acabará revelando-se como inimigo declarado de Deus.

É exatamente esse contraste que torna o período tão terrível. O mundo rejeitou o verdadeiro Cristo e acabará recebendo aquele que vem em seu próprio nome.

O próprio Senhor Jesus disse:

“Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis” (João 5:43).

Há aqui uma impressionante correspondência profética. O mundo rejeitou o Príncipe da Paz, mas receberá uma paz falsa. Rejeitou o verdadeiro Messias, mas aceitará um falso messias. Rejeitou a verdade de Deus e receberá a mentira de Satanás.

Por isso Paulo escreve:

“E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade” (2 Tessalonicenses 2:11-12).

Portanto, resumindo: o arrebatamento remove o testemunho da Igreja e a presente restrição que impede a plena manifestação do iníquo. Depois disso, o caminho estará aberto para sua revelação. 2 Tessalonicenses 2:7-8 sugere uma sequência muito próxima — “até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo”.

Mas não podemos dizer se haverá algumas horas, dias, semanas ou algum outro pequeno intervalo, porque Deus simplesmente não revelou isso.

Também não precisamos imaginar necessariamente que o mundo ficará durante muito tempo procurando desesperadamente um líder até encontrá-lo. É perfeitamente possível que esse homem já esteja em posição de destaque e que, depois do arrebatamento, as circunstâncias permitam sua rápida ascensão e manifestação. Contudo, isso permanece no campo da possibilidade; não devemos transformá-lo em doutrina.

O que podemos afirmar com segurança é a ordem bíblica:

A Igreja será arrebatada (1 Tessalonicenses 4:16-17); a presente restrição será removida (2 Tessalonicenses 2:6-7); o iníquo será revelado (2 Tessalonicenses 2:8); haverá uma aliança relacionada com a última semana de Daniel (Daniel 9:27); seu verdadeiro caráter será plenamente manifestado, inclusive com sua pretensão de ocupar o lugar de Deus (2 Tessalonicenses 2:4; Mateus 24:15); e, finalmente, o Senhor Jesus Cristo aparecerá em glória e destruirá todo esse sistema de rebelião.

O fim do iníquo já está determinado:

“E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda” (2 Tessalonicenses 2:8).

Assim, a profecia bíblica não termina com o triunfo do anticristo, mas com o triunfo absoluto do Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos

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Qual a garantia que temos de que a Bíblia não foi adulterada?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão Josué, qual a garantia que temos de que a Bíblia não foi adulterada?

Primeiros textos do Antigo Testamento: por volta de 1400–1200 a.C. (dependendo da datação adotada).

Últimos escritos do Novo Testamento: provavelmente no final do século I d.C., aproximadamente 90–100 d.C.

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta muito importante, porque estamos falando de documentos escritos ao longo de muitos séculos e que, durante grande parte de sua história, precisaram ser copiados manualmente. Portanto, a pergunta é legítima: como podemos saber que aquilo que lemos hoje corresponde substancialmente ao que os escritores bíblicos escreveram?

É importante começar fazendo uma distinção. Uma coisa é perguntar se ocorreram erros de cópia durante a transmissão dos manuscritos. Outra coisa completamente diferente é afirmar que a Bíblia foi adulterada, isto é, que alguém ou alguma instituição modificou deliberadamente sua mensagem de maneira generalizada.

A primeira coisa realmente aconteceu: existem variantes entre os manuscritos antigos. A segunda afirmação, porém, não encontra sustentação na evidência documental disponível.

  1. A própria Bíblia apresenta Deus como aquele que preserva Sua Palavra

A confiança cristã na preservação das Escrituras começa no próprio caráter de Deus.

O Senhor Jesus declarou:

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mateus 24:35).

Em outro lugar, encontramos:

“Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (Isaías 40:8).

O Salmo 119 também declara:

“Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu” (Salmos 119:89).

E o Senhor Jesus afirmou acerca das Escrituras:

“...a Escritura não pode ser anulada” (João 10:35).

Isso não significa necessariamente que Deus prometeu preservar cada cópia manuscrita sem qualquer erro de copista. A história dos manuscritos mostra que os copistas cometeram erros. Significa, porém, que Deus não permitiu que Sua revelação desaparecesse ou fosse corrompida de maneira que Sua mensagem se tornasse irrecuperável.

  1. Não possuímos apenas uma linha de transmissão

Aqui está um dos argumentos mais importantes.

Se tivéssemos apenas uma Bíblia manuscrita, copiada de outra, que foi copiada de outra, durante muitos séculos, seria muito mais difícil verificar se alterações haviam ocorrido.

Mas não foi assim que a Bíblia chegou até nós.

Existem numerosos manuscritos provenientes de diferentes épocas e regiões. No caso do Novo Testamento, há manuscritos gregos, traduções muito antigas para outros idiomas e numerosas citações dos textos bíblicos encontradas nos escritos dos primeiros cristãos.

Isso cria uma enorme rede de testemunhas independentes.

É justamente a existência de muitos manuscritos que nos permite descobrir diferenças entre eles.

Suponhamos, por exemplo, que dez copistas copiassem determinado texto e um deles, acidentalmente, omitisse uma frase. Se tivéssemos somente a cópia dele, talvez nunca soubéssemos da omissão.

Mas, possuindo as outras nove cópias, podemos compará-las e identificar facilmente o problema.

Portanto, curiosamente, a existência de variantes nos manuscritos não demonstra que perdemos a Bíblia. Pelo contrário: a enorme quantidade de testemunhas é justamente aquilo que permite identificar as variantes e reconstruir o texto com extraordinária segurança.

  1. Existem, sim, variantes textuais

É importante não esconder esse fato.

Os manuscritos antigos não são absolutamente idênticos. Há diferenças de grafia, inversões na ordem das palavras, omissões acidentais, repetições, harmonizações e outras variações produzidas durante séculos de cópia manual.

Por exemplo, um copista poderia repetir uma palavra, saltar uma linha porque duas linhas terminavam de maneira semelhante ou trocar a ordem de duas palavras.

A existência dessas variantes é conhecida e estudada. Existe inclusive uma área especializada chamada crítica textual, cuja finalidade é comparar os manuscritos e determinar, com a maior segurança possível, a forma mais antiga do texto.

Portanto, quando alguém diz: “A Bíblia sofreu alterações durante as cópias”, precisamos perguntar:

“Que tipo de alterações?”

Se estiver falando de variantes entre manuscritos, sim, elas existem.

Mas se estiver afirmando que alguém reescreveu a Bíblia inteira e modificou sua mensagem, então precisa apresentar evidências para isso.

São afirmações completamente diferentes.

  1. Uma adulteração generalizada seria extremamente difícil

Imagine o que seria necessário para adulterar o Novo Testamento depois que seus livros começaram a circular.

Seria preciso localizar manuscritos espalhados por diversas regiões, recolhê-los, alterar todos eles da mesma maneira, modificar traduções já existentes e ainda corrigir as citações que cristãos haviam feito desses textos em seus próprios escritos.

Isso se tornaria cada vez mais impossível conforme o cristianismo se espalhava geograficamente.

Os textos não estavam guardados em um único edifício sob controle de uma única organização. Eram copiados e distribuídos.

As igrejas possuíam seus exemplares. Cristãos copiavam textos. Traduções eram produzidas. Escritores citavam passagens.

Portanto, não existia um único “arquivo central” que alguém pudesse modificar e, dessa forma, alterar todas as Bíblias existentes.

  1. O próprio Novo Testamento mostra que os escritos circulavam

Paulo escreveu aos Colossenses:

“E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodiceia lede-a vós também” (Colossenses 4:16).

Isso mostra que os documentos eram compartilhados entre as igrejas.

Pedro também demonstra conhecimento de uma coleção de cartas de Paulo:

“...como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas...” (2 Pedro 3:15-16).

Assim, desde muito cedo, os escritos apostólicos começaram a circular para além de seus destinatários originais.

Quanto mais cópias eram produzidas e distribuídas, mais difícil se tornava qualquer tentativa posterior de alteração universal.

  1. O Antigo Testamento também apresenta evidências importantes de preservação

Durante muito tempo alguém poderia perguntar: “Como sabemos que o texto hebraico não foi profundamente alterado durante os séculos?”

Os manuscritos encontrados na região do Mar Morto deram uma contribuição muito importante para essa questão.

Eles forneceram manuscritos bíblicos muito anteriores aos manuscritos hebraicos medievais que durante muito tempo constituíram nossa principal base documental.

Isso permitiu comparar textos separados por muitos séculos.

Há diferenças textuais em determinados lugares, naturalmente, mas a comparação também demonstra uma notável continuidade da tradição textual do Antigo Testamento.

Isso é muito significativo.

Temos, portanto, diferentes testemunhas do texto hebraico e também antigas traduções, como a tradução grega do Antigo Testamento, que permitem comparações.

  1. A Bíblia nunca escondeu a importância da transmissão escrita

Deus ordenou repetidamente que Sua revelação fosse registrada.

Disse Deus a Moisés:

“Escreve isto para memória num livro...” (Êxodo 17:14).

Novamente:

“Escreve estas palavras...” (Êxodo 34:27).

A respeito da Lei, encontramos:

“E escreveu Moisés esta lei...” (Deuteronômio 31:9).

Os profetas também receberam ordens semelhantes. Deus disse a Jeremias:

“Toma o rolo de um livro e escreve nele todas as palavras que te tenho falado...” (Jeremias 36:2).

No Novo Testamento encontramos o mesmo princípio:

“Estas, porém, foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus...” (João 20:31).

E no final do Novo Testamento:

“Escreve num livro o que vês e envia-o às sete igrejas...” (Apocalipse 1:11).

A revelação divina não deveria depender exclusivamente da memória humana. Ela foi registrada e transmitida.

  1. Jesus confirmou as Escrituras que existiam em Seus dias

Este é um argumento especialmente importante para o cristão.

Quando o Senhor Jesus esteve neste mundo, os escritos de Moisés já tinham atravessado muitos séculos de transmissão.

Mesmo assim, Cristo tratava as Escrituras disponíveis em Seus dias como Palavra de Deus.

Ele dizia:

“Está escrito...” (Mateus 4:4).

E novamente:

“Não tendes lido o que Deus vos declarou...?” (Mateus 22:31).

Observe a força dessa declaração. Jesus estava falando de algo que havia sido escrito séculos anteriormente, mas disse:

“o que Deus vos declarou”.

Para Cristo, aquilo que Deus havia dito nas Escrituras continuava falando às gerações posteriores.

Depois de Sua ressurreição, Ele afirmou:

“São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos” (Lucas 24:44).

Portanto, o próprio Senhor reconheceu a autoridade das Escrituras que haviam sido transmitidas durante séculos.

  1. Os apóstolos igualmente confiavam nas Escrituras

Paulo escreveu:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16).

Pedro escreveu:

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21).

A inspiração pertence aos escritos dados por Deus. A transmissão posterior ocorreu por meio de seres humanos, razão pela qual surgiram variantes de cópia. Entretanto, a abundância de testemunhos manuscritos permite identificar e estudar essas diferenças.

Não precisamos defender uma ideia que a própria evidência não exige, como se todos os copistas da história tivessem sido miraculosamente impedidos de cometer qualquer erro.

Eles cometeram erros.

Mas erros de copistas não equivalem à adulteração da Bíblia.

  1. Nenhuma doutrina fundamental do cristianismo depende de uma passagem cuja existência seja desconhecida por causa das variantes

Esse ponto também é muito importante.

As grandes doutrinas bíblicas não dependem de um único versículo isolado.

A divindade do Senhor Jesus Cristo, Sua humanidade, Sua morte, Sua ressurreição, a realidade do pecado, a necessidade de salvação, a justificação pela fé, o juízo futuro, a ressurreição dos mortos e a segunda vinda de Cristo aparecem repetidamente nas Escrituras.

Por exemplo, mesmo que alguém tentasse retirar determinada passagem que ensina a ressurreição de Cristo, encontraria essa verdade novamente em Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos dos Apóstolos, Romanos, 1 Coríntios, 1 Pedro e outros lugares.

Paulo escreveu:

“Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3-4).

A mensagem central está profundamente entrelaçada em todo o Novo Testamento.

  1. Portanto, qual é a nossa garantia?

Podemos falar de dois tipos de segurança que se complementam.

Do ponto de vista histórico e documental, possuímos uma enorme quantidade de testemunhas textuais que podem ser comparadas entre si. As diferenças não são escondidas; são catalogadas, estudadas e avaliadas. Justamente por possuirmos tantas testemunhas, podemos detectar onde os copistas divergiram.

Do ponto de vista da fé, cremos no Deus que inspirou Sua Palavra e que não permitiria que Sua revelação desaparecesse da Terra.

Pedro escreveu:

“Mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pedro 1:25).

Não precisamos afirmar que nunca houve um erro de cópia. Houve. Também não precisamos dizer que todos os manuscritos são idênticos. Não são.

A afirmação correta é muito mais sólida: apesar de séculos de transmissão manuscrita, possuímos testemunhos suficientes para comparar os textos, identificar suas variantes e conhecer com enorme segurança aquilo que os escritores bíblicos escreveram.

E há ainda uma pergunta que deve ser feita a quem afirma que “a Bíblia foi adulterada”:

Quando ela foi adulterada?

Quem realizou essa adulteração?

Quais manuscritos foram alterados?

Onde estão os manuscritos anteriores que apresentam a suposta versão original?

Em que século ocorreu essa mudança?

Como conseguiram modificar simultaneamente manuscritos espalhados geograficamente, traduções antigas e citações já existentes?

A afirmação de adulteração precisa ser demonstrada historicamente, e não apenas repetida.

A Bíblia não chegou até nós porque um manuscrito sobreviveu isoladamente durante milhares de anos. Ela chegou através de uma ampla tradição documental que permite comparar testemunha com testemunha.

Por isso podemos reconhecer humildemente a existência das variantes produzidas pela transmissão humana e, ao mesmo tempo, afirmar com confiança:

“A palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pedro 1:25).

Josué Matos

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Como se dá, na prática, o “falem dois ou três, e os outros julguem”?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Oi, irmão. Sobre o ministério da Palavra, sabemos que é aberto aos irmãos que estão em comunhão. Minha dúvida é: como se dá, na prática, o “falem dois ou três, e os outros julguem”?

Agradeço. Paz seja contigo.

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta importante porque Primeira aos Coríntios 14:29 precisa ser entendida dentro do seu contexto e, principalmente, precisamos distinguir aquilo que acontecia na igreja apostólica da aplicação desse princípio às reuniões da igreja local hoje.

Paulo escreveu:

“E falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (Primeira aos Coríntios 14:29).

Primeiramente, o texto não está dizendo simplesmente que qualquer irmão em comunhão poderia levantar-se e falar. O versículo diz especificamente “profetas”. Naquele período inicial da Igreja havia o dom sobrenatural de profecia, pelo qual Deus comunicava revelação antes que o Novo Testamento estivesse completo. Por isso, no versículo seguinte encontramos:

“Mas, se a outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o primeiro” (Primeira aos Coríntios 14:30).

Observe a palavra “revelada”. Portanto, estamos diante de uma situação própria daquele período em que havia profetas recebendo revelação divina.

Hoje não temos profetas nesse sentido. A revelação de Deus nas Escrituras está completa, e nossa responsabilidade não é receber novas revelações, mas ensinar, expor e aplicar fielmente aquilo que Deus já revelou em Sua Palavra.

Entretanto, os princípios estabelecidos nesse capítulo continuam extremamente importantes para o ministério da Palavra na igreja local.

O primeiro princípio é a pluralidade do ministério.

Paulo diz: “falem dois ou três”. Isso mostra que o padrão apresentado não é o ministério monopolizado permanentemente por um único homem. Na igreja local existem diferentes dons concedidos pelo Senhor.

“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (Primeira aos Coríntios 12:7).

Também lemos:

“Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” (Primeira aos Coríntios 12:18).

Assim, uma igreja não deveria depender espiritualmente de um único homem que ensina todas as semanas como se somente ele tivesse capacidade para ministrar. O Senhor distribui dons entre os membros do Corpo.

Ao mesmo tempo, isso não significa que qualquer irmão, simplesmente porque está em comunhão, necessariamente tenha o dom de ensinar publicamente.

Primeira aos Coríntios 12:29 pergunta:

“São todos mestres?”

A resposta evidente é não.

Portanto, estar em comunhão permite ao irmão participar da vida da igreja, mas não significa automaticamente que possua todos os dons. Um irmão pode ser muito espiritual, fiel e piedoso e, contudo, não possuir capacidade dada por Deus para o ministério público da Palavra.

Na prática, os irmãos vão sendo reconhecidos pelo exercício do dom que receberam do Senhor. Isso não exige uma ordenação humana ou um título eclesiástico, mas também não significa ausência de discernimento por parte da igreja.

O segundo princípio é que “os outros julguem”.

Aqui “julgar” não significa que, depois de cada irmão terminar sua mensagem, alguém precise levantar-se publicamente e dizer se concorda ou não com o que foi falado.

Não é essa a ideia.

Trata-se de discernimento espiritual.

O ministério apresentado à igreja nunca está acima da Palavra de Deus. Tudo aquilo que é ensinado precisa ser avaliado à luz das Escrituras.

Esse mesmo princípio aparece em Primeira aos Tessalonicenses 5:20-21:

“Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem.”

Também encontramos em Primeira João 4:1:

“Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus.”

Portanto, enquanto um irmão ministra, os demais irmãos espirituais, especialmente aqueles maduros e experientes na Palavra, estão ouvindo com discernimento.

Eles estão considerando: aquilo que está sendo ensinado está de acordo com as Escrituras? Cristo está sendo exaltado? A passagem foi corretamente aplicada? Há equilíbrio doutrinário? O ministério está edificando a igreja?

Esse julgamento normalmente acontece silenciosamente durante o ministério.

Se aquilo que foi ensinado está correto, a igreja recebe e é edificada.

Se surgir algum pequeno equívoco, talvez seja suficiente conversar posteriormente com o irmão.

Se, porém, alguém ensinar algo doutrinariamente grave ou contrário às Escrituras, os irmãos responsáveis pela igreja não devem simplesmente permitir que o erro continue sendo ensinado.

É justamente aqui que entra a responsabilidade dos presbíteros.

Em Atos dos Apóstolos 20:28, Paulo diz:

“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus.”

E Tito 1:9 diz que o presbítero deve ser:

“Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes.”

Portanto, existe liberdade no ministério, mas liberdade não significa ausência de governo espiritual.

O Espírito Santo dirige a reunião, mas os presbíteros têm responsabilidade diante de Deus pela doutrina e pelo cuidado do rebanho.

Outro princípio importante aparece no versículo 30:

“Cale-se o primeiro.”

Isso ensina consideração pelos outros irmãos.

Um irmão não deveria ocupar todo o tempo disponível simplesmente porque começou a falar. Se há outros irmãos capazes de contribuir para a edificação, deve existir sensibilidade para lhes dar oportunidade.

Paulo continua:

“Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros, para que todos aprendam e todos sejam consolados” (Primeira aos Coríntios 14:31).

Observe: “uns depois dos outros”.

Não há competição.

Não há dois falando simultaneamente.

Não há disputa pelo púlpito.

Não há necessidade de um irmão mostrar que sabe mais que outro.

O objetivo é muito simples:

“Para que todos aprendam e todos sejam consolados.”

Esse é o grande teste do ministério: a edificação da igreja.

Primeira aos Coríntios 14:26 estabelece o princípio:

“Faça-se tudo para edificação.”

Além disso, Paulo acrescenta uma declaração extremamente importante:

“E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (Primeira aos Coríntios 14:32).

Isso significa que ninguém pode justificar desordem dizendo: “O Espírito Santo me obrigou a falar”.

O Espírito Santo nunca conduz alguém de maneira contrária à ordem que Ele próprio estabeleceu nas Escrituras.

O irmão mantém domínio próprio. Ele pode começar, terminar, resumir sua mensagem e dar lugar a outro irmão.

Por isso Paulo conclui:

“Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz” (Primeira aos Coríntios 14:33).

E finalmente:

“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (Primeira aos Coríntios 14:40).

Então, trazendo isso diretamente para a prática de uma igreja local hoje: não reproduzimos exatamente Primeira aos Coríntios 14:29 como se ainda houvesse profetas recebendo novas revelações. O que permanece é o princípio espiritual. O ministério não deve ser monopolizado por um homem; os irmãos que possuem dom para ensinar devem ter oportunidade de exercê-lo; ninguém deve dominar a reunião; tudo deve ocorrer com ordem e consideração mútua; e aquilo que é ministrado deve ser continuamente examinado à luz das Escrituras.

Portanto, “os outros julguem” não significa criar uma espécie de debate público depois de cada mensagem. Significa que nenhum ministério é recebido cegamente. A Palavra de Deus é a autoridade final, e os irmãos espiritualmente maduros, especialmente aqueles que cuidam do rebanho, têm responsabilidade de discernir aquilo que está sendo ensinado.

Há, portanto, uma diferença importante entre “ministério aberto” e “ministério sem ordem”. O primeiro é bíblico; o segundo não é. A liberdade do Espírito Santo nunca elimina o discernimento, o exercício dos dons, a responsabilidade dos presbíteros nem a ordem da casa de Deus.

Josué Matos

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