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O que acha do livro "A ordem de Deus" de Bruce Anstey?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

O que acha do livro "A ordem de Deus" de Bruce Anstey?

Minha Resposta:

O livro “A ordem de Deus”, de Bruce Anstey, é uma obra que trata de um tema muito importante: a ordem bíblica para a reunião dos cristãos, especialmente no que diz respeito à igreja local, à adoração e ao ministério.

De forma geral, pode-se dizer que o livro tem aspectos positivos, mas também exige discernimento na leitura.

Primeiro, quanto aos pontos positivos:

O livro enfatiza algo correto e necessário: que a Palavra de Deus deve ser a autoridade suprema na vida da igreja. Ele insiste que não devemos seguir tradições humanas, mas buscar nas Escrituras o padrão de Deus para a reunião dos cristãos .

Também chama atenção para a ruína do testemunho cristão ao longo do tempo, algo que a própria Bíblia já previa. Por exemplo:

Atos 20:29-30 mostra que, após a partida dos apóstolos, entrariam falsos ensinos.
2 Timóteo 4:3-4 fala de um tempo em que não suportariam a sã doutrina.

O livro também destaca princípios bíblicos importantes, como:

– O sacerdócio de todos os crentes (1 Pedro 2:5)
– A liberdade do Espírito Santo para usar quem Ele quiser (1 Coríntios 12:11; 14:26)
– A centralidade do Senhor Jesus nas reuniões (Mateus 18:20)

Esses pontos estão em harmonia com as Escrituras e são valiosos.

Agora, quanto aos cuidados necessários:

O livro tende a apresentar esses princípios de forma bastante sistematizada e, em alguns momentos, pode dar a impressão de que há uma forma quase “padronizada” e exclusiva de reunir, como se fosse a única expressão correta prática da igreja.

Isso exige cautela.

A Bíblia realmente apresenta princípios claros sobre a igreja, mas também mostra que havia diversidade prática entre as assembleias, mantendo a mesma doutrina (Romanos 14:5; 1 Coríntios 12:4-6).

Além disso, é importante lembrar:

A verdade da igreja não está em um sistema, modelo ou grupo específico, mas naquilo que está revelado na Palavra de Deus.

Outro ponto importante:

O livro combate fortemente o denominacionalismo, e nisso há fundamento bíblico, pois a divisão entre cristãos não corresponde ao ensino de “um só corpo” (Efésios 4:4).

No entanto, é preciso evitar cair em outro extremo, que seria um tipo de exclusivismo prático, como se apenas um grupo tivesse toda a verdade e os demais não tivessem nada de Deus.

A própria Escritura ensina que Deus opera onde a Sua Palavra é pregada (2 Timóteo 2:9), e que há crentes verdadeiros em diferentes contextos.

Por fim, um princípio essencial:

Tudo deve ser examinado à luz da Palavra de Deus.

Atos 17:11 mostra os bereanos examinando as Escrituras diariamente.
1 Tessalonicenses 5:21 diz: “Examinai tudo. Retende o bem.”

Resumo:

– O livro traz muitos princípios bíblicos importantes sobre a igreja e a reunião dos cristãos
– É útil para despertar exercício espiritual sobre como devemos nos reunir
– Mas deve ser lido com discernimento, sempre conferindo tudo com a Palavra
– E evitando qualquer forma de rigidez ou exclusivismo que vá além do ensino bíblico

Se for lido com esse equilíbrio, pode ser proveitoso.

Josué Matos

Os judeus esperam o Messias porque ficaram sem rei após a morte de Davi e Salomão?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Os judeus esperam o Messias porque ficaram sem rei após a morte de Davi e Salomão? É por isso que ainda aguardam um rei?

Minha Resposta:

A questão não é exatamente que os judeus esperam o Messias simplesmente porque ficaram “sem rei”, como se fosse apenas uma ausência política. A expectativa messiânica tem uma base muito mais profunda, que está nas promessas feitas por Deus ao longo das Escrituras.

Primeiro, é verdade que Davi foi estabelecido como rei por Deus, e a ele foi feita uma promessa especial. Em 2 Samuel 7:12-16, Deus prometeu que levantaria um descendente de Davi cujo reino seria estabelecido para sempre. Essa promessa não se cumpria plenamente em Salomão, nem em nenhum dos reis posteriores, porque todos morreram e seus reinos foram temporários.

Depois de Salomão, o reino foi dividido (1 Reis 12), e ao longo do tempo tanto Israel quanto Judá entraram em decadência espiritual. Por fim, vieram os cativeiros: primeiro o reino do norte (Israel) foi levado pela Assíria, e depois Judá foi levado para a Babilônia. Com isso, a linhagem real deixou de governar de forma visível.

No entanto, mesmo após a queda dos reis, Deus continuou a reafirmar a promessa de um descendente de Davi que reinaria. Por exemplo:

Isaías 9:6-7 fala de um Filho que governaria sobre o trono de Davi eternamente.
Jeremias 23:5 anuncia um “Renovo justo” que reinaria como rei.
Ezequiel 37:24 menciona “Davi” como príncipe sobre o povo (referindo-se a um descendente messiânico).

Portanto, os judeus não esperam o Messias apenas porque “faltou um rei”, mas porque Deus prometeu um Rei definitivo, eterno, da linhagem de Davi.

Agora, aqui está o ponto central:

O Senhor Jesus Cristo é exatamente o cumprimento dessas promessas.

Ele nasceu da linhagem de Davi (Mateus 1:1; Lucas 1:32-33).
Foi anunciado como o herdeiro do trono de Davi.
Mas não veio estabelecer um reino político naquele momento — veio primeiro para morrer pelos pecados (Isaías 53; João 1:29).

Isso explica por que a maioria dos judeus não O reconheceu: eles esperavam um Messias reinando visivelmente, e não um Messias sofredor.

Hoje, eles ainda aguardam esse Messias, porque rejeitaram o verdadeiro quando Ele veio. Como está em João 1:11: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”.

No plano de Deus, porém, isso não foi falha, mas propósito. O Senhor Jesus será reconhecido por Israel no futuro, quando Ele voltar em glória (Zacarias 12:10). Então, sim, Ele reinará como Rei sobre Israel e sobre toda a terra.

Resumindo:

– A expectativa messiânica não nasceu da ausência de reis, mas das promessas de Deus a Davi.
– O Messias prometido já veio: o Senhor Jesus Cristo.
– Ele não foi aceito por Israel na sua primeira vinda.
– Israel ainda espera o Messias porque rejeitou o verdadeiro.
– No futuro, Ele será reconhecido e reinará como Rei.

Isso mostra a harmonia das Escrituras e como tudo converge para a pessoa do Senhor Jesus Cristo, que é ao mesmo tempo o Salvador rejeitado e o Rei que virá.

Josué Matos

Os Exclusivistas disseram que tenho que me ajoelhar na reunião de oração

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia, estava lendo os artigos de suas respostas e vi um sobre a questão dos irmãos exclusivistas que demoram para receber os novos membros à ceia do Senhor. Isso aconteceu comigo também… Depois de um ano, muitos foram recebidos na comunhão da igreja, mas eu não… sabe por quê? Porque não me ajoelhava para orar… eles disseram que era uma exigência bíblica no culto… é assim também no meio de vocês?

Essa foi a justificativa que o irmão me deu: mas esse principio tem na palavra de Deus. 

"E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles."

Atos 20:7-36

Minha Resposta:

Obrigado por compartilhar o que aconteceu contigo. Entendo que isso pode gerar confusão e até tristeza, por isso é importante responder com base clara na Palavra de Deus.

Sobre o que você relatou: não há na Escritura qualquer ensino que coloque o ajoelhar-se para orar como condição para alguém ser recebido na comunhão da igreja.

A Bíblia mostra diferentes posições na oração. Em Atos dos Apóstolos 20:36 vemos irmãos orando de joelhos; em Marcos 11:25, o Senhor fala de orar estando em pé; em Mateus 26:39, Ele mesmo se prostra. Ou seja, a postura pode variar — nunca foi estabelecida como regra obrigatória.

Quando olhamos para o Novo Testamento, o recebimento de alguém na comunhão estava ligado a coisas espirituais e morais, não a formas externas da oração. Por exemplo, em Atos dos Apóstolos 9:26-28, quando Saulo tentou ajuntar-se aos discípulos, houve cuidado, mas a questão era se ele era realmente convertido — não hábitos ou costumes externos.

Da mesma forma, a Palavra mostra claramente quando alguém não deve ser recebido ou deve ser afastado: casos de pecado moral não julgado (1 Coríntios 5:11-13), falsa doutrina sobre a pessoa de Cristo (2 João 9-11) ou vida desordenada persistente (2 Tessalonicenses 3:6). Fora dessas situações, não encontramos base bíblica para impor outras condições.

Transformar algo como a postura na oração em critério para comunhão é ir além do que está escrito. Colossenses 2:20-23 alerta exatamente contra regras humanas que parecem espirituais, mas não têm valor diante de Deus.

Isso não significa que ajoelhar-se seja errado — pelo contrário, é uma forma reverente e bíblica. Mas é uma prática voluntária, não uma exigência para aceitação.

A comunhão cristã está fundamentada na vida que vem de Deus, na fé em Cristo e em um andar compatível com o evangelho, não em formas exteriores.

Sobre o texto que lhe apresentaram, em Atos dos Apóstolos 20:7-36, é importante entender com cuidado o que ele realmente ensina.

Nesse trecho, está escrito no final:

“E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles” (Atos 20:36)

Sim, Paulo se ajoelhou para orar. Isso é verdade. Mas o texto descreve uma situação, não estabelece um mandamento.

Se esse versículo fosse uma regra obrigatória, então teríamos que dizer que:

– sempre deve haver muitas luzes no ambiente (Atos 20:8)
– alguém deve pregar até meia-noite (Atos 20:7)
– a reunião deve acontecer num cenáculo (Atos 20:8)

Percebe? O texto está narrando o que aconteceu, não criando uma norma para todos os tempos.

A Bíblia está cheia de exemplos assim. Nem tudo o que os servos de Deus fizeram é um mandamento — muitas coisas são apenas registros de circunstâncias.

Além disso, como já vimos, a própria Palavra mostra que existem várias posições na oração:

– Em pé: “quando estiverdes orando” (Marcos 11:25)
– Prostrado: “prostrou-se sobre o seu rosto” (Mateus 26:39)
– De joelhos: como em Atos 20:36

Ou seja, Deus nunca limitou a oração a uma única postura.

O problema não é alguém ajoelhar-se — isso é bom, reverente e bíblico.

O problema é transformar isso em condição para aceitar alguém na comunhão da igreja.

E isso a Palavra de Deus não autoriza.

Os apóstolos nunca examinaram ninguém dizendo:

– “Você ora de joelhos?”
– “Você segue tal forma externa?”

Mas sim:

– se havia fé verdadeira em Cristo
– se havia vida compatível com o evangelho

Em Atos dos Apóstolos, quando alguém era recebido, o foco era a realidade espiritual, não a forma exterior.

O que aconteceu com você não foi zelo bíblico — foi acrescentar algo que Deus não colocou.

E isso pode mesmo dar essa sensação que você descreveu, de peso, de opressão, porque não vem da liberdade do evangelho.

“Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos torneis a colocar debaixo do jugo da servidão” (Gálatas 5:1)

A comunhão cristã é baseada em Cristo, na nova vida e na verdade do evangelho — não em regras humanas.

Você fez bem em se afastar de um ambiente assim, se aquilo estava ferindo sua consciência e não estava de acordo com a Palavra.

Que o Senhor continue consolando o seu coração e te conduzindo a um lugar onde Ele seja o centro e a Sua Palavra seja suficiente.

Josué Matos

Jesus mandou comprar espada? (Lucas 22:36)

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Sim, Cristo mandou comprar espada. Quando Pedro cortou a orelha de Malco, Cristo mandou colocar a espada em seu lugar, na bainha portanto, não mandou jogar fora.

Minha Resposta:

Entendo o que você colocou, mas é importante considerar com atenção o sentido da palavra “Basta” em Lucas 22.

Quando os discípulos disseram: “Senhor, eis aqui duas espadas”, e o Senhor respondeu: “Basta” (Lucas 22:38), não há necessidade de entender que Ele estivesse dizendo que duas espadas eram suficientes. Pelo contrário, o mais coerente com o contexto é que Ele estivesse encerrando a conversa, como se dissesse: “basta desse assunto” ou “vocês não compreenderam”.

Isso se confirma pelo que acontece logo em seguida. Quando Pedro usa a espada:

“Então Jesus disse a Pedro: Mete a tua espada na bainha” (João 18:11)

E ainda:

“Todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão” (Mateus 26:52)

Ou seja, se o Senhor tivesse realmente incentivado o uso literal da espada, não faria sentido Ele repreender Pedro no momento em que a espada foi usada.

Além disso, o próprio contexto de Lucas 22 mostra que o Senhor estava falando de algo mais profundo, ligado ao fato de que Ele seria contado com os malfeitores (Lucas 22:37). Os discípulos, porém, entenderam de forma literal, e o Senhor encerra a conversa com um “basta”, diante da incompreensão deles.

Há ainda outro detalhe importante: quando o Senhor diz em Lucas 22:51 “Deixai, basta”, ali já é uma interrupção direta da ação violenta, mostrando claramente que Ele não queria que aquilo prosseguisse.

Portanto, a ideia central não é que o Senhor estivesse autorizando o uso de armas, mas que os discípulos não entenderam o que Ele disse — e Ele encerra o assunto.

Isso está em harmonia com todo o ensino do Novo Testamento:

“O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos” (João 18:36)

“As armas da nossa milícia não são carnais” (2 Coríntios 10:4)

Logo, o “Basta” não é aprovação das espadas, mas uma correção implícita: eles não haviam compreendido o sentido do que Ele estava dizendo.

Josué Matos