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A Igreja e o Reino de Deus - Qual a Diferença?

 Alguém que me escrweveu no YouTube:

Gostei do vídeo: “A Igreja e o Reino de Deus — Qual a Diferença?”. Ajudou-me a entender este assunto complexo. Vou rever, depois das minhas férias, para entender melhor. Teve bastante Teologia Bíblica e Sistemática. PARABÉNS! Só não concordei com o entendimento do MILÊNIO LITERAL.

Minha Resposta:

Muito obrigado pelas palavras e por ter assistido ao vídeo com atenção. Fico contente por saber que o conteúdo ajudou a compreender melhor a diferença entre a Igreja e o Reino de Deus.

Quanto ao Milênio literal, compreendo que existem diferentes interpretações entre aqueles que estudam as profecias bíblicas. Há os que entendem os “mil anos” de Apocalipse 20 simbolicamente e há os que entendem que se trata de um período real e futuro. A posição que apresentei no vídeo é a segunda, porque entendo que ela acompanha de maneira mais natural tanto Apocalipse 20 como as muitas profecias do Antigo Testamento acerca do futuro reinado do Messias.

O ponto principal não está somente na expressão “mil anos”. Na realidade, o assunto começa muito antes do livro de Apocalipse.

  1. Apocalipse menciona seis vezes os mil anos

Em Apocalipse 20:1-7, a expressão “mil anos” aparece repetidamente. Satanás é preso por mil anos; os santos reinam com Cristo durante mil anos; os demais mortos não revivem até que os mil anos sejam completados; e, depois de terminados os mil anos, Satanás é solto.

Portanto, temos uma sequência:

Cristo volta em glória — Apocalipse 19:11-21;

Satanás é preso — Apocalipse 20:1-3;

Cristo reina com os Seus santos — Apocalipse 20:4-6;

completam-se os mil anos — Apocalipse 20:7;

Satanás é solto e ocorre a última rebelião — Apocalipse 20:7-10;

segue-se o julgamento do grande trono branco — Apocalipse 20:11-15;

depois aparecem o novo céu e a nova terra — Apocalipse 21:1.

Essa sequência é uma das razões pelas quais entendo que o Milênio não representa simplesmente a época atual da Igreja. O texto coloca esse reinado depois da manifestação gloriosa de Cristo descrita no capítulo 19 e antes do estado eterno apresentado nos capítulos 21 e 22.

Além disso, Apocalipse 20 apresenta os mil anos como um período definido entre acontecimentos igualmente definidos. Satanás é preso antes desse período e solto quando ele termina.

  1. A situação atual não corresponde à prisão de Satanás descrita em Apocalipse 20

Apocalipse 20:3 explica a finalidade da prisão de Satanás: “para que mais não engane as nações”.

Isso é muito importante.

No tempo presente, Satanás ainda está ativo. O apóstolo Pedro escreveu:

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (Primeira Epístola de Pedro 5:8).

Paulo também o chama de “deus deste século”, dizendo que ele cegou “os entendimentos dos incrédulos” (Segunda Epístola aos Coríntios 4:4).

Portanto, existe uma diferença evidente entre a atividade de Satanás atualmente e a condição apresentada em Apocalipse 20:1-3. Hoje ele anda em derredor e engana; naquele período estará preso no abismo para não enganar as nações.

  1. O Milênio não começa em Apocalipse 20

Apocalipse 20 revela claramente a duração do reino, mas o próprio reino já havia sido profetizado muitas vezes.

Por exemplo:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros” (Isaías 9:6).

Logo depois:

“Do incremento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino” (Isaías 9:7).

Observe que o Messias está relacionado ao trono de Davi.

A mesma verdade aparece no anúncio do nascimento do Senhor Jesus:

“Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente na casa de Jacó” (Evangelho segundo Lucas 1:32-33).

Aqui temos elementos muito específicos: o Rei é Jesus Cristo; o trono é o trono de Davi; e a casa sobre a qual Ele reinará é a casa de Jacó.

Por isso, não considero correto transformar “Jacó” em Igreja ou o “trono de Davi” simplesmente no governo espiritual de Cristo no coração dos crentes. A Igreja possui bênçãos extraordinárias em Cristo, mas isso não significa que Deus tenha cancelado aquilo que prometeu a Israel.

  1. Israel e a Igreja precisam ser distinguidos

Esse ponto está diretamente relacionado com o tema do vídeo.

Quando não distinguimos Israel da Igreja, torna-se muito difícil compreender o Milênio literalmente, porque muitas promessas feitas especificamente a Israel acabam sendo aplicadas espiritualmente à Igreja.

Paulo, entretanto, ensina que Deus ainda possui propósitos para Israel:

“Digo, pois: porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum” (Epístola aos Romanos 11:1).

Mais adiante:

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo” (Epístola aos Romanos 11:25-26).

Observe a palavra “até”. Existe um endurecimento parcial e temporário de Israel. Isso significa que Deus ainda tem propósitos futuros para aquela nação.

  1. Existem profecias que dificilmente podem ser colocadas na época atual ou no estado eterno

Isaías 11 apresenta um período extraordinário:

“E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará” (Isaías 11:6).

Depois acrescenta:

“Não se fará mal nem dano algum em todo o monte da minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).

Essa descrição não corresponde ao mundo presente.

Mas também encontramos elementos em outras profecias que mostram que não se trata ainda do estado eterno.

Isaías 65:20, por exemplo, ainda menciona morte e longevidade humana. Isso não pode descrever o estado eterno, porque em Apocalipse 21:4 está escrito que então “não haverá mais morte”.

Portanto, temos necessidade de reconhecer um período intermediário: não é a presente dispensação da Igreja, porque as condições descritas ainda não existem; e não é o estado eterno, porque ainda aparecem morte, nações e outras condições próprias da Terra. O Milênio encaixa-se precisamente nesse período profético.

  1. Zacarias apresenta o Senhor reinando sobre a Terra

Zacarias declara:

“E o Senhor será rei sobre toda a terra” (Zacarias 14:9).

O contexto é muito significativo. O capítulo fala da vinda do Senhor, do monte das Oliveiras, de Jerusalém e das nações.

Depois lemos:

“E acontecerá que todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorarem o Rei, o Senhor dos Exércitos, e celebrarem a festa das cabanas” (Zacarias 14:16).

Temos, portanto, Jerusalém, nações e o Senhor reconhecido como Rei.

Isso novamente não descreve adequadamente nem a presente época da Igreja nem o estado eterno. Aponta para o futuro governo messiânico de Cristo sobre a Terra.

  1. O Salmo 72 também descreve esse reinado

O Salmo 72 apresenta um Rei governando universalmente:

“Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra” (Salmos 72:8).

E:

“E todos os reis se prostrarão perante ele; todas as nações o servirão” (Salmos 72:11).

Ainda não vemos todas as nações submetidas ao Senhor Jesus dessa maneira. Hebreus reconhece exatamente essa realidade:

“Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas” (Epístola aos Hebreus 2:8).

Cristo possui o direito de reinar, mas a manifestação pública e universal desse governo ainda é futura.

  1. Cristo precisa reinar

Paulo escreveu:

“Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés” (Primeira Epístola aos Coríntios 15:25).

Depois acrescenta:

“Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (Primeira Epístola aos Coríntios 15:26).

Isso também ajuda a compreender a ordem profética. Há um período no qual Cristo reina e progressivamente todos os inimigos são colocados debaixo dos Seus pés. Finalmente, a própria morte é eliminada.

Isso concorda perfeitamente com Apocalipse 20 e 21: primeiro temos o reinado; depois, o julgamento final; finalmente, no novo céu e na nova terra, a morte já não existe.

  1. Mil anos não significa que o reino de Cristo terminará depois disso

Às vezes surge esta dificuldade: se Lucas 1:33 diz que o reino de Cristo “não terá fim”, como podemos dizer que haverá um reino de mil anos?

Não existe contradição.

Os mil anos dizem respeito a uma fase determinada do governo de Cristo sobre esta Terra. Depois disso, Seu domínio não termina. O Milênio conduz ao estado eterno.

Apocalipse 11:15 declara:

“Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.”

Portanto, Cristo não deixa de ser Rei quando terminam os mil anos. Termina aquela forma específica do reino sobre a Terra atual, e segue-se o estado eterno.

  1. Por que, então, entendo o Milênio literalmente?

Não é apenas porque Apocalipse 20 diz “mil anos”. É porque essa interpretação permite que várias linhas proféticas da Bíblia permaneçam em seu sentido natural.

Deus fez promessas a Abraão e aos seus descendentes; fez promessas a Davi acerca do seu trono; os profetas anunciaram a restauração de Israel; anunciaram Jerusalém ocupando um lugar especial; anunciaram as nações submetidas ao Messias; anunciaram paz e justiça sobre a Terra; e o Novo Testamento confirma que Jesus receberá o trono de Davi e reinará sobre a casa de Jacó.

Finalmente, Apocalipse 20 revela a duração desse período: mil anos.

Por isso, considero o Milênio literal não como uma doutrina construída exclusivamente sobre uma expressão encontrada em Apocalipse, mas como a conclusão de uma longa linha profética que começa muito antes. Apocalipse 20 não cria a esperança do reino messiânico; ele acrescenta um detalhe que as profecias anteriores não haviam revelado com a mesma clareza: a sua duração.

Naturalmente, reconheço que existem cristãos sinceros que interpretam essas passagens de maneira diferente. Contudo, quando seguimos uma leitura normal das promessas feitas a Israel e distinguimos Israel da Igreja, o Milênio literal apresenta uma harmonia muito clara entre os profetas, os Evangelhos, as Epístolas e o livro de Apocalipse.

E talvez, quando rever o vídeo depois das férias, este seja um bom ponto para observar: não analisar apenas Apocalipse 20 isoladamente, mas acompanhar toda a linha bíblica do reino — desde as promessas feitas a Abraão e Davi, passando por Isaías, Salmos, Daniel e Zacarias, chegando às palavras do Senhor Jesus e, finalmente, a Apocalipse 19–21.

A grande esperança não são simplesmente “mil anos”. A grande esperança é a manifestação gloriosa do próprio Senhor Jesus Cristo como Rei, quando aquilo que hoje este mundo rejeita será publicamente reconhecido:

“E no vestido e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Apocalipse 19:16).

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:


As igrejas ‘Salão do Evangelho’ ou ‘Salão Evangélico’ surgiram no século XIX?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão, eu já sei o que você vai responder. É a mesma resposta do Mário Persona e de todos os darbystas. Se você fizer uma pesquisa rápida, vai ver que todos os que defendem a sua interpretação são exclusivistas. Sei que é difícil para você entender isso. Foi salvo e viveu a vida toda recebendo instruções de grandes servos de Deus, porém exclusivistas. Eu também bebi da mesma fonte que você. Sugiro que faça um bom curso sobre história da igreja. Vai entender que essa uniformidade de pensamento e liturgia de culto nunca existiu.

Os apóstolos ensinaram unidade; Darby ensinou uniformidade. As igrejas ‘Salão do Evangelho’ ou ‘Salão Evangélico’ surgiram no século XIX. O problema é que vocês não aceitam a história e ficam achando que são os únicos remanescentes dos apóstolos. Irmão, tome cuidado. Toda seita tem essa interpretação: separam-se de todos e se colocam na posição de únicos guardiões da verdade. É o mesmo que a Igreja Romana faz: todos os que não fazem parte dela são hereges e pagãos.

Desejo que você entenda isso. Não estou criticando a liturgia das igrejas do Sul, mas não compactuo com sua interpretação darbysta de Mateus 18:20.

Minha Resposta:

Você afirma que já sabe o que vou responder e, por isso, decidiu não ler a resposta que preparei. Nesse caso, chegamos a um problema muito simples: se você não está disposto a examinar a resposta, não existe propriamente um diálogo. Existe apenas a repetição da sua própria posição.

Também chama a minha interpretação de “darbysta”, “exclusivista” e chega a aproximá-la de uma seita. Entretanto, repetir esses rótulos não responde aos textos bíblicos apresentados.

E há algo curioso: você continua voltando ao meu canal para escrever longamente sobre o assunto. Se está tão seguro de que aquilo que defendo é apenas um erro histórico do século XIX, não vejo necessidade de tanta insistência. Você pode fazer exatamente aquilo que eu faço: crie um canal e exponha aquilo em que acredita; crie um site e publique seus estudos; produza materiais e aplicativos e disponibilize-os às pessoas. Quem desejar ouvir poderá ouvir, e quem desejar ler poderá ler. É assim que tenho trabalhado. Não preciso ir aos canais de quem pensa diferente para insistir repetidamente que aceite minha interpretação.

Quanto a Mateus 18:20, sua própria argumentação acaba confirmando uma parte importante daquilo que estou dizendo.

Sim, o contexto de Mateus 18:15-20 envolve disciplina. Nunca neguei isso. Mas observe cuidadosamente o desenvolvimento:

“Dize-o à igreja” (Mateus 18:17).

“Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu” (Mateus 18:18).

“Se dois de vós concordarem na terra” (Mateus 18:19).

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20).

Portanto, justamente porque o contexto é disciplina, Mateus 18:20 não pode ser reduzido simplesmente às duas ou três testemunhas de Mateus 18:16.

No versículo 16, os dois ou três estão relacionados ao estabelecimento do testemunho, conforme o princípio de Deuteronômio 19:15. Mas o assunto prossegue. Se o homem não os ouvir, o caso deve ser levado à igreja (Mateus 18:17). Depois disso, o Senhor fala da autoridade de ligar e desligar (Mateus 18:18), da concordância (Mateus 18:19) e, finalmente, da Sua presença no meio dos reunidos em Seu Nome (Mateus 18:20).

Primeira Coríntios 5:4 confirma precisamente esse princípio quando Paulo trata de disciplina na igreja de Corinto:

“Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Portanto, não precisamos de John Nelson Darby para estabelecer a ligação entre o Nome do Senhor, a reunião da igreja e o exercício da autoridade coletiva. Paulo já fazia essa ligação em Primeira Coríntios 5.

Você diz ainda que nenhuma epístola foi dirigida à “igreja que se reúne em Nome do Senhor Jesus”. Evidentemente, porque isso não é um título denominacional. Ninguém está propondo colocar numa placa: “Igreja que se reúne ao Nome do Senhor Jesus”.

As igrejas eram identificadas pelas localidades: “a igreja de Deus que está em Corinto” (Primeira Coríntios 1:2); “às igrejas da Galácia” (Gálatas 1:2); “à igreja dos tessalonicenses” (Primeira Tessalonicenses 1:1). O Nome que deveria governar sua comunhão não era “Paulo”, “Apolo” ou “Cefas”, exatamente porque Paulo condenou esse espírito partidário em Primeira Coríntios 1:10-13.

Por isso, minha questão continua sendo bíblica, não histórica.

Você insiste que eu deveria estudar mais história da Igreja. História é útil, mas ela não possui autoridade para estabelecer a doutrina da igreja local. Minha fé e prática não podem ser determinadas pelo que aconteceu no século II, no século XVI, no século XIX ou no século XXI. A pergunta deve continuar sendo: “Que diz a Escritura?” (Romanos 4:3).

Aliás, permita-me uma comparação. Quem trabalha com identificação de dinheiro verdadeiro não precisa conhecer cada falsificação já produzida para reconhecer uma nota autêntica. As falsificações podem mudar constantemente; o padrão verdadeiro permanece o mesmo. Da mesma maneira, não preciso conhecer cada movimento, divisão ou sistema religioso que surgiu em dois mil anos para saber o padrão que encontro no Novo Testamento. Preciso conhecer bem o original.

Os crentes de Bereia foram elogiados não porque dominavam a história religiosa, mas porque “cada dia examinavam nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos dos Apóstolos 17:11).

Por fim, o argumento de que determinadas igrejas estão envelhecendo, diminuindo ou perdendo jovens também não determina se uma doutrina é verdadeira ou falsa. Se números, crescimento e capacidade de atrair novas gerações fossem critérios para determinar a verdade, precisaríamos considerar corretos muitos movimentos religiosos que crescem extraordinariamente enquanto abandonam claramente princípios das Escrituras.

A verdade não é decidida por maioria, juventude, modernidade ou popularidade.

Quando muitos discípulos abandonaram o Senhor Jesus, Ele não modificou Sua mensagem para tornar-se mais atraente. Pelo contrário, perguntou aos doze: “Quereis vós também retirar-vos?” (João 6:67). Pedro respondeu: “Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:68).

Portanto, você é livre para discordar de mim. Não tenho qualquer problema com isso. Mas, como você mesmo declarou que já sabe qual será minha resposta e não está disposto a lê-la, penso que não há utilidade em continuarmos repetindo indefinidamente os mesmos argumentos.

Já apresentei minha posição e os textos bíblicos que a sustentam. Agora deixo que cada leitor faça aquilo que os bereanos fizeram: examine as Escrituras e veja se estas coisas são assim.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Ontem houve uma tentativa de sequestro de um avião a caminho de Tel Aviv, cheio de israelenses. Mais uma vez, os israelenses saíram ilesos.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia. Ontem houve uma tentativa de sequestro de um avião a caminho de Tel Aviv, cheio de israelenses. Mais uma vez, os israelenses saíram ilesos.

Eu gostaria de entender, não de questionar as atitudes de Deus. Ele não tem que me dar satisfação, pois é soberano em tudo. Porém, parece haver um contraste entre os irmãos no passado, em Hebreus 11:30-39, que sofreram pela fé, e esses israelenses que não conhecem a Deus.

Poderia me explicar, por gentileza?

Um abraço.

Minha Ressposta:

A sua pergunta é muito interessante, porque toca em dois assuntos que precisamos distinguir cuidadosamente: a soberania e a providência de Deus sobre os acontecimentos deste mundo e, ao mesmo tempo, o relacionamento particular de Deus com Israel em Seu propósito profético.

Primeiramente, precisamos ter cuidado para não interpretar um acontecimento específico — como o livramento de pessoas de um acidente, atentado, guerra ou tentativa de sequestro — como prova de que aquelas pessoas são salvas ou de que Deus está aprovando espiritualmente a vida delas.

O Senhor Jesus ensinou exatamente o contrário desse tipo de conclusão. Em Lucas 13:1-5, algumas pessoas falaram ao Senhor sobre galileus que haviam sido mortos por Pilatos. O Senhor respondeu:

“Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo.”

Depois Ele mencionou as dezoito pessoas sobre as quais caiu a torre de Siloé e perguntou se elas eram mais culpadas que os demais habitantes de Jerusalém. Novamente respondeu que não.

Portanto, alguém escapar de uma tragédia não significa necessariamente que seja mais justo, assim como alguém morrer numa tragédia não significa necessariamente que seja mais pecador.

  1. O próprio Hebreus 11 apresenta os dois lados

Na realidade, o contraste que você percebe já aparece dentro do próprio capítulo 11 de Hebreus.

Veja algo muito interessante.

Em Hebreus 11:33-35 encontramos pessoas que, pela fé:

“venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos.”

Aqui temos livramento.

Daniel foi preservado dos leões. Os três amigos de Daniel foram preservados do fogo. Outros “escaparam do fio da espada”.

Mas imediatamente depois o texto muda:

“E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada” (Hebreus 11:36-37).

Observe a expressão: “e outros”.

Uns escaparam da espada.

Outros morreram pela espada.

E todos estavam vivendo pela fé.

Este é justamente um dos grandes ensinamentos de Hebreus 11. A fé não significa que Deus necessariamente nos livrará fisicamente de todo sofrimento. Pela fé, alguns foram libertos; pela mesma fé, outros aceitaram a morte sem negar a Deus.

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego entenderam muito bem isso quando disseram a Nabucodonosor:

“Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses” (Daniel 3:17-18).

Eles sabiam que Deus podia livrá-los, mas não presumiram que Deus fosse obrigado a fazê-lo.

Essa é uma fé extraordinária: “Deus pode; mas, mesmo que não faça, continuaremos fiéis”.

  1. Portanto, sofrimento não significa abandono de Deus

Quando chegamos aos mártires de Hebreus 11, poderíamos pensar que Deus os abandonou. Porém, a avaliação divina é exatamente oposta.

Hebreus 11:38 diz:

“Dos quais o mundo não era digno.”

Aos olhos humanos, eles perderam tudo. Aos olhos de Deus, o mundo é que não era digno deles.

Por isso, precisamos distinguir livramento temporal de bênção espiritual.

Uma pessoa pode receber um grande livramento nesta vida e continuar perdida espiritualmente. Outra pode morrer por causa de sua fidelidade a Cristo e entrar imediatamente na presença do Senhor.

O maior livramento não é escapar da morte física. O maior livramento é escapar da condenação eterna.

O próprio Senhor Jesus foi rejeitado, perseguido e crucificado. Os apóstolos sofreram. Estêvão foi apedrejado (Atos dos Apóstolos 7:54-60). Tiago foi morto à espada (Atos dos Apóstolos 12:1-2). Pedro, naquela mesma ocasião, foi milagrosamente libertado da prisão (Atos dos Apóstolos 12:3-11).

Veja novamente o princípio: Tiago morreu; Pedro foi libertado.

Seria Tiago menos amado por Deus?

Certamente não.

Deus tinha propósitos diferentes para cada um.

  1. E quanto aos israelenses de hoje?

Aqui precisamos acrescentar outra verdade importante.

A Bíblia ensina que Israel continua tendo um lugar específico nos propósitos de Deus, mas isso não significa que todo israelense atualmente seja salvo ou esteja espiritualmente em comunhão com Deus.

Paulo deixa isso muito claro em Romanos capítulos 9 a 11.

Quanto à condição espiritual atual da nação, existe incredulidade. Paulo escreve:

“Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Romanos 11:32).

Também diz:

“Que Israel não conseguiu aquilo que buscava; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos” (Romanos 11:7).

Portanto, não devemos confundir a posição profética de Israel com a salvação individual de cada israelense.

Um judeu precisa de Cristo exatamente como um gentio precisa de Cristo.

Pedro disse:

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos dos Apóstolos 4:12).

Hoje, judeus e gentios são salvos da mesma maneira: pela graça de Deus, mediante a fé no Senhor Jesus Cristo.

  1. Entretanto, Deus não terminou Seu propósito com Israel

Aqui está outro lado da questão.

Embora Israel esteja atualmente, em grande parte, em incredulidade, isso não significa que Deus tenha cancelado as promessas feitas àquela nação.

Paulo pergunta diretamente:

“Digo, pois: porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum” (Romanos 11:1).

Mais adiante ele explica:

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo” (Romanos 11:25-26).

E apresenta uma razão importantíssima:

“Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” (Romanos 11:29).

Isso significa que Deus ainda cumprirá aquilo que prometeu a Abraão, Isaque, Jacó e Davi. A incredulidade atual de Israel não tornou Deus infiel às Suas promessas.

Entretanto, devemos ser cuidadosos aqui: isso não significa que todo acontecimento moderno envolvendo Israel possa ser interpretado automaticamente como uma intervenção milagrosa de Deus.

Se israelenses escapam de um atentado, podemos agradecer a Deus pela preservação daquelas vidas. Mas não temos autoridade bíblica para afirmar, sem uma revelação específica das Escrituras, que aquele determinado acontecimento ocorreu porque aquelas pessoas eram israelenses.

Deus, em Sua providência, preserva diariamente inúmeras pessoas de diferentes nacionalidades, inclusive pessoas que não O conhecem.

  1. Deus também demonstra bondade aos que não O conhecem

O Senhor Jesus disse:

“Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45).

Paulo também disse aos habitantes pagãos de Listra que Deus:

“não se deixou a si mesmo sem testemunho, beneficiando-vos lá do céu, dando-vos chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os vossos corações” (Atos dos Apóstolos 14:17).

Portanto, uma pessoa não precisa ser salva para experimentar a bondade providencial de Deus.

Todos nós respiramos o ar que Deus criou. O sol nasce sobre crentes e incrédulos. Deus concede alimento, saúde, inteligência, família, oportunidades e inúmeros livramentos a pessoas que talvez jamais tenham reconhecido Sua mão.

Romanos 2:4 diz que “a benignidade de Deus te leva ao arrependimento”.

Assim, o livramento de uma pessoa incrédula não significa aprovação divina. Pode ser simplesmente mais uma demonstração da paciência e da bondade de Deus, dando-lhe oportunidade para arrepender-se.

  1. Israel continua sendo uma nação especial no propósito profético

Ao mesmo tempo, existe algo singular em Israel que não podemos ignorar.

Deus disse a Abraão:

“E far-te-ei uma grande nação” (Gênesis 12:2).

Posteriormente prometeu a terra à sua descendência (Gênesis 13:14-17; 15:18).

Séculos de desobediência de Israel não anularam aquilo que Deus determinou cumprir. Romanos 11 mostra que a rejeição atual da nação é temporária. Existe um futuro para Israel nos propósitos de Deus.

Por isso, devemos manter duas verdades juntas:

Israel, como nação, possui promessas terrenas e proféticas que Deus ainda cumprirá.

Porém, o israelense individualmente não é salvo simplesmente porque descende de Abraão.

João Batista já advertia:

“E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão” (Mateus 3:9).

A descendência natural não substitui a necessidade de arrependimento e fé.

  1. Não devemos medir o amor de Deus pelas circunstâncias

Talvez este seja o ponto principal da sua pergunta.

Se julgarmos apenas pelas circunstâncias, poderíamos chegar a conclusões completamente erradas.

José foi vendido como escravo e depois lançado injustamente numa prisão. Parecia abandonado, mas Deus estava com ele (Gênesis 39:21).

João Batista foi decapitado (Mateus 14:10).

Estêvão foi apedrejado (Atos dos Apóstolos 7:59).

Paulo sofreu açoites, prisões, naufrágios, fome e inúmeras perseguições (2 Coríntios 11:23-27).

O próprio Senhor Jesus foi chamado de “homem de dores e experimentado nos trabalhos” (Isaías 53:3).

Portanto, seria impossível dizer que ausência de sofrimento significa maior favor de Deus.

Às vezes Deus demonstra Seu poder tirando o Seu servo da fornalha.

Outras vezes demonstra Seu poder sustentando o Seu servo dentro dela.

Às vezes Ele livra da morte.

Outras vezes Ele concede graça para enfrentar a morte.

Paulo experimentou os dois lados. Em certa ocasião escreveu:

“E fomos libertados de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda” (2 Coríntios 1:10).

Mas, no final da vida, sabendo que sua morte estava próxima, escreveu:

“Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4:6-7).

Ele não considerou sua morte uma derrota.

  1. Hebreus 11 fornece a resposta mais completa

Portanto, quando colocamos lado a lado os israelenses que escaparam dessa situação e os fiéis de Hebreus 11 que sofreram, não devemos concluir que existe uma contradição.

O próprio Hebreus 11 mostra que Deus pode permitir resultados diferentes.

Pela fé, alguns:

“escaparam do fio da espada” (Hebreus 11:34).

Pela fé, outros:

“foram mortos ao fio da espada” (Hebreus 11:37).

A mesma fé.

O mesmo Deus.

Resultados terrenos diferentes.

Mas todos dentro da soberania divina.

E há uma expressão muito importante no final do capítulo:

“E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa” (Hebreus 11:39).

Observe: “todos estes”.

Tanto aqueles que venceram batalhas como aqueles que morreram.

Tanto aqueles que foram milagrosamente libertados como aqueles que foram martirizados.

Todos receberam bom testemunho pela fé.

Isso nos ensina que a verdadeira vitória não consiste necessariamente em permanecer vivo, saudável ou livre de problemas. A verdadeira vitória é permanecer fiel a Deus.

Por isso Paulo podia dizer:

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1:21).

Então, podemos agradecer a Deus quando vidas são preservadas, sejam israelenses ou de qualquer outra nacionalidade. Toda preservação da vida é motivo de gratidão. Mas não devemos transformar cada acontecimento político, militar ou extraordinário envolvendo Israel em cumprimento profético específico, a menos que a própria Escritura nos dê fundamento para isso.

Ao mesmo tempo, devemos reconhecer que Israel não desapareceu dos propósitos de Deus. A nação encontra-se atualmente em incredulidade, mas Deus ainda cumprirá Suas promessas. O futuro espiritual de Israel não está fundamentado na justiça dos israelenses atuais, mas na fidelidade de Deus à Sua própria Palavra.

E quanto aos santos que sofreram em Hebreus 11, eles não receberam menos de Deus. Na verdade, a Escritura lhes presta um dos maiores testemunhos que alguém poderia receber:

“Dos quais o mundo não era digno” (Hebreus 11:38).

Alguns glorificaram a Deus sendo libertados.

Outros glorificaram a Deus permanecendo fiéis até a morte.

E tanto o livramento como a perseverança estavam debaixo da mão soberana de Deus.

Josué Matos

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Você disse que a pressa era por causa da glorificação do corpo

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Perdoe-me, irmão, mas a sua resposta sobre a pressa de Jesus para subir ao Pai, após encontrar Maria Madalena, não faz sentido. Você disse que a pressa era por causa da glorificação do corpo. Ele ressuscitou, apareceu para ela e só subiu na presença de todos após quase um mês de aparições esporádicas, e com possíveis corpos diferentes. Lembra dos dois discípulos no caminho de Emaús? Eles não o reconheceram, mesmo jantando com Ele. Por fim, voltou a aparecer muito tempo depois para Saulo.

Minha Resposta:

Obrigado pela observação. Entretanto, é necessário esclarecer alguns pontos, porque a sua conclusão atribui à minha resposta algo que não foi exatamente o que eu afirmei. Eu não disse que Jesus estava com “pressa” para realizar a ascensão definitiva ao céu. Essa ideia de “pressa” não deve ser confundida com aquilo que está sendo tratado em João 20:17.

O texto diz:

“Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20:17).

A ascensão pública e definitiva do Senhor aconteceu posteriormente, depois do período em que Ele Se apresentou ressuscitado aos discípulos. Sobre isso não há dúvida, pois Lucas declara:

“Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeita ao reino de Deus” (Atos dos Apóstolos 1:3).

Portanto, foram quarenta dias, e não simplesmente “quase um mês”. Depois desse período aconteceu a ascensão descrita em Atos dos Apóstolos 1:9:

“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.”

Mas isso não anula João 20:17. Pelo contrário, precisamos entender cada passagem dentro do seu próprio contexto.

Em João 20, Maria Madalena encontra o Senhor ressuscitado e, ao reconhecê-Lo, evidentemente procura agarrar-se a Ele. Por isso, uma forma muito apropriada de compreender a expressão é “não me detenhas” ou “não continues agarrada a mim”. A ideia não é simplesmente que Maria estivesse proibida de tocar fisicamente no Senhor.

Isso fica evidente porque outras pessoas tocaram no Senhor ressuscitado.

Mateus registra:

“E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram” (Mateus 28:9).

Mais tarde, o próprio Senhor disse a Tomé:

“Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; e chega a tua mão e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente” (João 20:27).

Portanto, João 20:17 não pode significar que o corpo ressuscitado de Cristo não pudesse ser tocado enquanto Ele ainda não tivesse realizado a ascensão definitiva.

O ponto é outro.

Maria havia recuperado, por assim dizer, Aquele que pensava ter perdido. Naturalmente, desejava conservá-Lo consigo. Porém, o relacionamento dos discípulos com Cristo não continuaria como antes da cruz. O Senhor havia ressuscitado e seguiria para o Pai. Maria não deveria agarrar-se àquela forma anterior de relacionamento terreno com Ele.

É justamente por isso que Jesus não apenas diz “não me detenhas”, mas imediatamente acrescenta:

“...porque ainda não subi para meu Pai.”

A ascensão estava diante dEle.

O próprio Senhor já havia preparado os discípulos para essa mudança:

“Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai” (João 16:28).

E também:

“Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei” (João 16:7).

Portanto, não estou dizendo que a ascensão definitiva registrada em Atos dos Apóstolos 1 aconteceu naquele mesmo momento diante de Maria. A Bíblia afirma claramente que houve quarenta dias de aparições antes dessa ascensão.

Quanto aos “possíveis corpos diferentes”, aqui também precisamos ter bastante cuidado para não afirmar mais do que a Escritura afirma.

A Bíblia não diz que Jesus apareceu depois da ressurreição usando corpos diferentes.

Pelo contrário, o Senhor fez questão de demonstrar aos discípulos a identidade e realidade do Seu corpo ressuscitado.

Quando eles pensaram estar vendo um espírito, Ele declarou:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24:39).

A expressão é muito importante:

“Sou eu mesmo.”

Depois acrescentou:

“E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés” (Lucas 24:40).

João registra a mesma realidade:

“E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado” (João 20:20).

E, oito dias depois, as marcas da crucificação continuavam identificáveis, pois Jesus disse a Tomé:

“Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; e chega a tua mão e põe-na no meu lado” (João 20:27).

Portanto, não temos base bíblica para falar em vários corpos. Temos o mesmo Jesus que morreu, foi sepultado e ressuscitou corporalmente, agora numa condição de ressurreição.

Quanto aos dois discípulos no caminho de Emaús, o próprio texto explica por que eles não reconheceram Jesus:

“Os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem” (Lucas 24:16).

Mais tarde:

“Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram” (Lucas 24:31).

Observe que Lucas não diz que Jesus tinha outro corpo e, por essa razão, eles não conseguiram reconhecê-Lo. Diz que os olhos deles estavam impedidos de reconhecê-Lo e, posteriormente, foram abertos.

Há uma diferença muito grande entre as duas afirmações.

Além disso, pouco depois, quando Jesus apareceu aos discípulos reunidos, fez questão de eliminar qualquer dúvida acerca da realidade corporal da Sua ressurreição:

“Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo” (Lucas 24:38-39).

Ele chegou inclusive a comer diante deles:

“Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado e um favo de mel; o que ele tomou, e comeu diante deles” (Lucas 24:42-43).

Portanto, o episódio de Emaús não prova a existência de “possíveis corpos diferentes”.

Finalmente, você menciona corretamente a aparição do Senhor a Saulo. Porém, essa aparição pertence a outra situação.

Quando Cristo apareceu a Saulo no caminho de Damasco, a ascensão de Atos dos Apóstolos 1 já havia acontecido. Cristo já estava no céu.

Paulo realmente viu o Senhor ressuscitado e glorificado, tanto que posteriormente escreveu:

“E, por derradeiro de todos, me apareceu também a mim, como a um abortivo” (1 Coríntios 15:8).

E também perguntou:

“Não sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo, Senhor nosso?” (1 Coríntios 9:1).

Mas a aparição a Saulo não significa que Jesus tenha voltado a viver na terra ou que tenha assumido outro corpo.

Atos dos Apóstolos deixa claro que a manifestação veio do céu:

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu” (Atos dos Apóstolos 9:3).

E a voz declarou:

“Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos dos Apóstolos 9:5).

Temos, portanto, duas situações distintas.

Primeiro, depois da ressurreição, Cristo permaneceu quarenta dias manifestando-Se aos discípulos e dando “muitas e infalíveis provas” de que estava vivo (Atos dos Apóstolos 1:3).

Depois aconteceu Sua ascensão pública e definitiva, quando “uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos” (Atos dos Apóstolos 1:9).

Posteriormente, Cristo glorificado manifestou-Se a Saulo a partir do céu.

Uma coisa não contradiz a outra.

Há ainda um detalhe muito precioso em João 20:17 que não deve ser perdido em toda essa discussão. O Senhor diz a Maria:

“Vai para meus irmãos.”

E acrescenta:

“Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.”

A obra da cruz estava consumada. Cristo havia ressuscitado. Agora os Seus são chamados de “meus irmãos”, sendo introduzidos, pela graça, numa nova posição e numa nova proximidade com Deus.

Isso concorda com Hebreus:

“Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hebreus 2:11).

Portanto, João 20:17 não está ensinando que Jesus realizou naquele instante, diante de Maria, a ascensão pública narrada em Atos dos Apóstolos 1. Tampouco precisamos imaginar que Ele tenha usado vários corpos durante as aparições posteriores à ressurreição.

O que a Escritura afirma com segurança é que o mesmo Jesus que morreu ressuscitou corporalmente, apresentou-Se vivo durante quarenta dias, ascendeu posteriormente ao céu e, já glorificado, manifestou-Se mais tarde a Saulo.

E quanto à expressão “pressa”, volto ao ponto inicial: essa não foi a afirmação que fiz. Portanto, não seria correto construir a objeção partindo da ideia de que eu teria dito que Jesus estava com “pressa” para realizar naquele momento a ascensão definitiva descrita em Atos dos Apóstolos.

Josué Matos

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