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Como os tessalonicenses aguardavam o arrebatamento a qualquer momento, por causa das perseguições e tribulações que sofriam?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Como os tessalonicenses aguardavam o arrebatamento a qualquer momento, por causa das perseguições e tribulações que sofriam, por que é que Paulo lhes escreveu, na segunda carta, para eles aguardarem o arrebatamento a qualquer momento? Para eles não se esquecerem?

Minha Resposta

Agradeço pela sua pergunta. Para compreendermos corretamente o assunto, precisamos considerar o propósito das duas epístolas aos Tessalonicenses e, principalmente, distinguir dois acontecimentos proféticos que muitas vezes são confundidos: o arrebatamento da Igreja e a manifestação do Senhor Jesus Cristo em glória para estabelecer o Seu reino.

Antes de tudo, precisamos esclarecer um detalhe importante: na segunda epístola, Paulo não estava simplesmente lembrando os tessalonicenses de que deveriam continuar aguardando o arrebatamento. O principal objetivo era corrigir um entendimento equivocado que estava causando perturbação entre eles.

1. Os tessalonicenses já aguardavam a vinda do Senhor Jesus

Na primeira epístola, Paulo elogiou aqueles cristãos porque haviam abandonado os ídolos para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar a volta do Seu Filho.

Em 1 Tessalonicenses 1:9-10, lemos:

"Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura."

Observe que a esperança daqueles cristãos não estava fundamentada nas perseguições que enfrentavam, mas na promessa da vinda do Senhor Jesus.

As perseguições eram uma realidade na vida deles, conforme encontramos em 1 Tessalonicenses 1:6 e 3:3-4. Entretanto, não eram essas dificuldades que determinavam quando Cristo viria.

Eles aguardavam uma Pessoa, o Senhor Jesus Cristo, e não determinados acontecimentos proféticos.

Essa distinção é fundamental.

2. Na primeira epístola, Paulo explicou o arrebatamento da Igreja

Em 1 Tessalonicenses 4:13-18, Paulo apresentou uma revelação especial acerca da vinda do Senhor para buscar os que Lhe pertencem.

Havia entre os tessalonicenses uma preocupação relacionada aos cristãos que já haviam falecido. Eles precisavam compreender o que aconteceria com esses salvos quando o Senhor Jesus viesse.

Paulo explicou:

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Tessalonicenses 4:16-17).

Observe a expressão utilizada pelo apóstolo: "Nós, os que ficarmos vivos".

Paulo incluiu a si mesmo entre aqueles que poderiam estar vivos quando o Senhor viesse. Isso demonstra que a esperança do arrebatamento era uma realidade presente para os cristãos daquela geração.

Ele não apresentou uma série de acontecimentos que precisariam ocorrer antes desse encontro com Cristo.

O objetivo dessa revelação era trazer consolo e esperança, como confirma o versículo 18:

"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."

3. O problema na segunda epístola era diferente

Quando chegamos à segunda epístola, encontramos uma situação que precisava ser corrigida.

Os tessalonicenses estavam enfrentando perseguições e tribulações intensas. Além disso, haviam recebido informações equivocadas relacionadas ao Dia do Senhor.

Paulo escreveu:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." (2 Tessalonicenses 2:1-2).

É importante observar que algumas traduções apresentam, no versículo 2, a expressão "Dia do Senhor", enquanto outras utilizam "Dia de Cristo". O contexto mostra que Paulo estava tratando da falsa ideia de que aquele período profético de juízo já havia chegado.

Pelo que entendemos do texto, alguns estavam ensinando que os tessalonicenses já se encontravam no período relacionado ao Dia do Senhor.

Como estavam sofrendo perseguições, poderiam pensar que aquelas aflições eram os juízos divinos anunciados nas profecias.

Isso naturalmente produziria inquietação.

Afinal, se já estivessem naquele período de juízo, o que teria acontecido com a promessa de serem livrados da ira futura, mencionada em 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9?

Portanto, Paulo escreveu para corrigir esse erro doutrinário e tranquilizar aqueles cristãos.

4. O arrebatamento e o Dia do Senhor não são a mesma coisa

Aqui encontramos a chave para compreender a questão.

O arrebatamento é o acontecimento no qual o Senhor Jesus virá buscar os salvos que pertencem à Sua Igreja, ressuscitando os que morreram em Cristo e transformando os que estiverem vivos.

Essa verdade é apresentada em 1 Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:51-52.

O Dia do Senhor, por sua vez, está relacionado à intervenção divina em juízo sobre o mundo e ao estabelecimento da autoridade de Cristo.

Nas profecias do Antigo Testamento, encontramos diversas referências a esse Dia, como em Isaías 13:6-11, Joel 2:1-11 e Sofonias 1:14-18.

Em 1 Tessalonicenses 5:2-3, Paulo escreveu:

"Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite. Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição."

Observe a diferença.

No arrebatamento, os salvos serão reunidos com Cristo.

No Dia do Senhor, o mundo incrédulo enfrentará os juízos divinos.

Por isso, em 1 Tessalonicenses 5:9, Paulo declarou:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo."

Na compreensão pré-tribulacional das profecias bíblicas, a Igreja será arrebatada antes do período da grande tribulação. A Igreja não está destinada a experimentar os juízos divinos daquele período.

Isso não significa que os cristãos estejam livres de perseguições neste mundo. O próprio Senhor Jesus declarou em João 16:33 que os Seus discípulos teriam aflições.

Precisamos distinguir as tribulações que os salvos enfrentam neste mundo da futura manifestação da ira divina.

5. Por que Paulo mencionou a apostasia e o homem do pecado?

Em 2 Tessalonicenses 2:3, Paulo escreveu:

"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição."

Aqui precisamos prestar atenção ao assunto que o apóstolo está desenvolvendo.

Paulo não está dizendo que a Igreja precisa aguardar a manifestação do homem do pecado antes de ser arrebatada.

Ele está explicando que o Dia do Senhor, entendido como aquele período profético de juízo, não poderia ser considerado já presente, pois determinados acontecimentos relacionados a esse período ainda não haviam ocorrido.

A manifestação do homem do pecado está associada aos acontecimentos proféticos posteriores ao arrebatamento, conforme a interpretação pré-tribulacional.

Portanto, não devemos transformar os acontecimentos descritos em 2 Tessalonicenses 2 em condições que a Igreja necessariamente precisa presenciar antes de encontrar o Senhor nos ares.

A esperança da Igreja continua sendo a vinda de Cristo.

Em Tito 2:13, encontramos:

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo."

6. Paulo queria que eles permanecessem firmes na verdade

Depois de corrigir os equívocos relacionados ao Dia do Senhor, Paulo escreveu:

"Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa." (2 Tessalonicenses 2:15).

Aqui encontramos outra parte importante da resposta à sua pergunta.

Paulo não estava simplesmente preocupado com a possibilidade de os tessalonicenses esquecerem o arrebatamento.

Ele queria que não fossem enganados por ensinamentos falsos, nem perdessem a tranquilidade diante das perseguições que estavam enfrentando.

A esperança cristã precisava permanecer fundamentada na Palavra de Deus, e não nas circunstâncias ao redor.

Além disso, em 2 Tessalonicenses 1:6-10, Paulo mostrou que Deus faria justiça aos Seus servos perseguidos e que o Senhor Jesus seria revelado do céu em glória e poder.

Aqueles cristãos não precisavam interpretar as perseguições como prova de que já estavam experimentando os juízos do Dia do Senhor.

Deus conhecia os seus sofrimentos e cumpriria todas as Suas promessas.

7. O que aprendemos para os nossos dias?

A situação dos tessalonicenses apresenta uma lição importante para nós.

Muitas pessoas procuram relacionar guerras, perseguições, crises económicas, acontecimentos políticos e catástrofes naturais com a proximidade do arrebatamento.

Entretanto, a esperança da Igreja não depende de identificarmos esses acontecimentos.

A Igreja não recebeu a orientação de aguardar o aparecimento do anticristo, a reconstrução de um templo ou o início da grande tribulação para então esperar o Senhor Jesus.

O próprio Senhor declarou:

"E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também." (João 14:3).

Essa é a esperança que deve ocupar o coração dos salvos.

É claro que a Bíblia apresenta diversos acontecimentos proféticos relacionados ao futuro de Israel, das nações e do estabelecimento do reino de Cristo. Entretanto, não devemos confundir esses acontecimentos com a promessa feita à Igreja de ser recebida pelo Senhor.

Conclusão

Respondendo diretamente à sua pergunta: não, Paulo não escreveu a segunda epístola simplesmente para que os tessalonicenses não se esquecessem de aguardar o arrebatamento.

Na primeira epístola, ele havia ensinado acerca do arrebatamento, trazendo consolo aos cristãos que estavam preocupados com aqueles que haviam morrido em Cristo.

Na segunda epístola, Paulo precisou corrigir um erro que estava perturbando a igreja: a ideia de que o Dia do Senhor já havia chegado.

Por isso, ele explicou que os acontecimentos relacionados àquele período profético ainda não estavam presentes e encorajou os cristãos a permanecerem firmes nos ensinamentos que haviam recebido.

A diferença é importante: os tessalonicenses não precisavam aguardar o homem do pecado para então esperar Cristo. Precisavam compreender que as perseguições que sofriam não significavam que já estivessem no período dos juízos divinos.

O arrebatamento permanece como a bendita esperança da Igreja, enquanto a manifestação de Cristo em glória está relacionada ao cumprimento dos propósitos divinos de juízo e governo sobre a Terra.

Assim, a nossa esperança não está em escapar das dificuldades comuns à vida cristã, mas em encontrar o Senhor Jesus, que prometeu voltar para receber os Seus.

"Certamente cedo venho. Amém. Ora, vem, Senhor Jesus." (Apocalipse 22:20).

Josué Matos

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Mário Persona não coloca só para membros aprenderem a Palavra de Deus?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Mário Persona não coloca só para membros aprenderem a Palavra de Deus... Tudo bem, eu te respeito, mas não concordo. Jesus nunca cobrou pelos seus ensinamentos.

Minha Resposta:

Agradeço pelo respeito, mas gostaria de esclarecer algumas coisas, porque acredito que o seu comentário demonstra que talvez não tenha compreendido como funciona o YouTube e, principalmente, como são disponibilizados os vídeos no meu canal.

Em primeiro lugar, concordo plenamente com a sua afirmação de que o Senhor Jesus nunca cobrou pelos Seus ensinamentos, porém Ele recebia ofertas e donativos dos seus seguidores para as despesas dele e dos seus discípulos. A Palavra de Deus não é uma mercadoria, o Evangelho não está à venda e a salvação é inteiramente gratuita, oferecida pela graça de Deus mediante a fé no Senhor Jesus Cristo.

O próprio Senhor declarou:

"De graça recebestes, de graça dai." (Mateus 10:8).

Entretanto, precisamos compreender a diferença entre cobrar pela Palavra de Deus e receber contribuições voluntárias para ajudar nas despesas daqueles que dedicam seu tempo e seus recursos à divulgação dessa mesma Palavra.

Vou explicar como funciona o meu canal.

Eu produzo diversos vídeos antecipadamente e os deixo agendados no YouTube para serem publicados em determinadas datas. Isso significa que os vídeos já estão preparados, mas ainda não chegaram ao dia programado para sua publicação.

O próprio YouTube oferece um recurso que permite disponibilizar esses vídeos antecipadamente aos membros do canal, pessoas que voluntariamente decidem contribuir financeiramente para apoiar o trabalho realizado.

Esses membros têm acesso antecipado aos vídeos, mas, quando chega a data programada, os mesmos vídeos ficam disponíveis gratuitamente para todas as pessoas, sejam membros ou não.

Portanto, não estou cobrando para que alguém aprenda a Palavra de Deus. Estou simplesmente utilizando um recurso da plataforma que permite aos apoiadores assistir antecipadamente a conteúdos que, posteriormente, serão disponibilizados gratuitamente a todos.

Existe uma diferença muito grande entre essas duas situações.

Também não sei exatamente como o Mário Persona organiza as publicações no canal dele, se agenda os vídeos antecipadamente ou se utiliza esse recurso do YouTube. Portanto, não seria correto da minha parte fazer qualquer afirmação sobre o funcionamento do canal dele sem conhecer os detalhes.

Mas posso falar com conhecimento sobre o meu próprio trabalho.

A Palavra de Deus é gratuita, mas os meios utilizados para divulgá-la têm custos

Talvez algumas pessoas não percebam que produzir conteúdos cristãos exige tempo, dedicação e recursos financeiros.

A mensagem que transmito é gratuita, mas a câmera que utilizo para gravar os vídeos não foi gratuita. O computador, os equipamentos, os programas utilizados na edição e outros recursos necessários à produção também representam despesas.

Além disso, existem os livros e materiais cristãos que disponibilizo gratuitamente. Muitos desses materiais exigem investimentos na preparação, edição, formatação, manutenção e distribuição.

Essas despesas não desaparecem simplesmente porque o conteúdo é cristão.

E faço tudo isso sem exigir que alguém pague para ouvir uma mensagem, assistir a um vídeo ou conhecer o Evangelho.

Por isso, quando alguém decide contribuir voluntariamente, não está comprando a Palavra de Deus. Está ajudando a custear os meios utilizados para que essa Palavra continue sendo anunciada e divulgada.

O que a Bíblia ensina sobre o sustento daqueles que trabalham na obra de Deus?

É interessante observar que o próprio Novo Testamento ensina que aqueles que se dedicam ao trabalho espiritual podem receber auxílio material.

O apóstolo Paulo escreveu:

"Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho." (1 Coríntios 9:14).

Paulo não estava ensinando que os pregadores deveriam vender suas mensagens, mas mostrando que aqueles que trabalham na divulgação do Evangelho têm o direito de receber sustento material.

No mesmo capítulo, ele pergunta:

"Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais?" (1 Coríntios 9:11).

Observe que Paulo estabelece uma distinção entre aquilo que é espiritual e aquilo que é material. A mensagem espiritual é anunciada, e aqueles que são beneficiados por esse trabalho podem contribuir materialmente para o sustento de quem o realiza.

O próprio Paulo, em determinadas circunstâncias, preferiu não exercer esse direito, trabalhando com as próprias mãos para não criar obstáculos ao Evangelho (1 Coríntios 9:12-18; Atos dos Apóstolos 18:3).

Entretanto, isso não significa que ele condenasse aqueles que recebiam auxílio financeiro.

Pelo contrário, quando escreveu aos filipenses, agradeceu pelas contribuições que havia recebido:

"Porque também uma e outra vez me mandastes o necessário a Tessalônica." (Filipenses 4:16).

E acrescentou:

"Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta." (Filipenses 4:17).

Veja que Paulo não considerava essas ofertas uma forma de comercializar a Palavra de Deus. Eram expressões voluntárias de comunhão e participação na obra do Senhor.

Em Gálatas 6:6, encontramos outra orientação:

"E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui."

Portanto, contribuir voluntariamente com aqueles que trabalham no ensino e na divulgação das Escrituras não é contrário à Bíblia. Pelo contrário, é um princípio claramente reconhecido no Novo Testamento.

Naturalmente, isso jamais deve ser confundido com a exploração financeira da fé, com promessas de bênçãos em troca de dinheiro ou com a comercialização das coisas espirituais. Essas práticas não encontram aprovação nas Escrituras.

Antes de julgar, é necessário conhecer os fatos

O que me chama a atenção no seu comentário é que você apresenta uma crítica sem, aparentemente, conhecer como os vídeos são preparados e publicados.

A Bíblia nos ensina:

"Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha." (Provérbios 18:13).

Antes de concluir que alguém está cobrando pela Palavra de Deus, seria mais prudente procurar compreender o que realmente está acontecendo.

Você afirma que Jesus nunca cobrou pelos Seus ensinamentos, e está correto. Mas também é importante lembrar que, durante o Seu ministério terreno, havia pessoas que contribuíam materialmente para o sustento das necessidades daqueles que O acompanhavam.

Em Lucas 8:1-3, lemos sobre algumas mulheres que acompanhavam o Senhor Jesus e Seus discípulos e que os serviam com seus bens.

Isso demonstra que receber auxílio material para a realização de um trabalho espiritual não significa vender a mensagem de Deus.

O Senhor Jesus também ensinou:

"Digno é o trabalhador do seu salário." (Lucas 10:7).

Portanto, não podemos utilizar uma parte das Escrituras para condenar aquilo que outras passagens claramente reconhecem como legítimo.

Uma reflexão sobre a disposição de contribuir

Gostaria também de lhe fazer uma pergunta.

Em vez de criticar aqueles que dedicam tempo, recursos e esforços à divulgação da Palavra de Deus, por que não considerar a possibilidade de contribuir voluntariamente para ajudar nesse trabalho?

Tanto o Mário quanto eu temos despesas relacionadas às atividades que realizamos. Não estou falando em pagar para receber ensinamentos, mas em ajudar aqueles que investem seus próprios recursos para que outras pessoas tenham acesso gratuito a esses conteúdos.

É muito fácil assistir a vídeos, utilizar materiais disponibilizados gratuitamente e, depois, criticar aqueles que procuram meios legítimos de custear esse trabalho.

Mas também seria bom reconhecer que, por trás de cada vídeo, existem horas de preparação, gravação, edição e dedicação.

A Bíblia declara:

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria." (2 Coríntios 9:7).

Ninguém é obrigado a contribuir. Ninguém precisa tornar-se membro do meu canal. E ninguém precisa pagar para assistir aos vídeos quando eles são publicados gratuitamente.

Entretanto, aqueles que desejam contribuir têm toda a liberdade de fazê-lo, e não considero correto censurá-los por isso.

A diferença entre discordar e acusar

Você tem todo o direito de não concordar com o sistema de membros do YouTube. Não há problema algum nisso.

Se não deseja contribuir, não contribua. Se prefere esperar pela publicação gratuita dos vídeos, eles estarão disponíveis nas datas programadas.

Entretanto, discordar de uma prática não significa que ela seja contrária à Palavra de Deus.

Também precisamos ter cuidado para não julgar as intenções de pessoas cujas circunstâncias desconhecemos.

O Senhor Jesus declarou:

"Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça." (João 7:24).

Isso não significa que não podemos examinar práticas à luz das Escrituras. Podemos e devemos fazê-lo. Mas precisamos conhecer os fatos antes de formular acusações.

Não considero justo afirmar que alguém está vendendo os ensinamentos de Cristo simplesmente porque utiliza um recurso de apoio financeiro oferecido por uma plataforma digital.

A Palavra de Deus deve continuar sendo anunciada gratuitamente, e esse é o compromisso que procuro manter.

Se você entende que não deve contribuir financeiramente, respeito sua decisão. Apenas peço que respeite também a liberdade daqueles que desejam ajudar voluntariamente.

E, se continuar discordando, pode apresentar essa questão ao Senhor em oração, sem necessidade de atribuir intenções erradas a quem você não conhece.

Afinal, o apóstolo Paulo escreveu:

"Quem és tu que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai." (Romanos 14:4).

Espero que essa explicação tenha esclarecido a diferença entre cobrar pela Palavra de Deus e receber apoio voluntário para custear sua divulgação.

O Evangelho é gratuito. A salvação é gratuita. A graça de Deus não pode ser comprada. Mas os equipamentos, os materiais e os recursos utilizados para levar essa mensagem às pessoas possuem custos reais.

Que possamos compreender essa diferença e tratar uns aos outros com respeito, justiça e conhecimento das Escrituras.

Josué Matos

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João 20:17 deixa claro que Jesus subiu para o Pai somente naquele dia? Não houve subida antes da ressurreição?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão, perdoe-me a insistência, mas o texto de João 20:17 deixa claro que Jesus subiu para o Pai somente naquele dia. Não houve subida antes da ressurreição. Veja: ‘Diga a eles que subo para o Pai’.

Um outro ponto que precisamos esclarecer é: Jesus não diz ‘não me toques’ porque ainda não subi para o Pai. Ele disse ‘não me detenhas’, ou seja, não vamos alongar a conversa porque eu tenho algo muito importante para fazer. Portanto, Ele demonstra pressa. E manda um recado aos discípulos: diga a eles para me aguardarem na Galileia, que lá me encontrarão.

A partir daí, Jesus não mais convive com eles. Ele vai fazer aparições esporádicas, e sempre com outras aparências, até subir definitivamente na presença de todos. Isso deixa claro que Ele não estava mais neste mundo e, após a ressurreição, não era mais humano.

Veja que, nessas aparições, os discípulos só percebiam que se tratava de Jesus após Ele falar algo extraordinário e não mais reconheciam Sua aparência. Veja que, no episódio do mar, Jesus Se apresenta a eles novamente, porém eles não O reconhecem fisicamente:

‘Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? Sabendo que era o Senhor.’ (João 21:12 — ACF)

Minha Resposta:

Agradeço pela consideração e pela insistência no assunto, porque isso nos dá a oportunidade de examinar com mais atenção aquilo que a própria Escritura diz. Creio, porém, que precisamos separar algumas afirmações, pois algumas delas estão corretas, enquanto outras vão além do que o texto bíblico permite concluir.

  1. João 20:17 não ensina uma ascensão naquele mesmo dia

Concordo que João 20:17 não deve ser usado para ensinar que o Senhor Jesus já havia subido ao Pai naquela manhã e depois retornado à Terra. O próprio Senhor disse:

“Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai; mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20:17).

Portanto, naquele momento Ele ainda não havia ascendido ao Pai. A ascensão pública e definitiva aconteceria posteriormente, depois do período de quarenta dias mencionado em Atos dos Apóstolos:

“Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeita ao reino de Deus” (Atos dos Apóstolos 1:3).

Depois desses quarenta dias:

“E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos” (Atos dos Apóstolos 1:9).

Assim, João 20:17 aponta para a ascensão que ainda estava por acontecer. O Senhor estava ensinando Maria Madalena que uma nova condição de relacionamento estava começando. Ela não deveria pensar que tudo simplesmente voltaria à situação existente antes da cruz. Cristo havia ressuscitado, e em breve ascenderia ao Pai.

  1. “Não me toques” ou “não me detenhas”?

Aqui sua observação merece consideração. A ideia de “não me detenhas”, “não continues agarrada a mim” ou “deixa de te apegar a mim” realmente expressa melhor o sentido da passagem do que entender as palavras como uma proibição absoluta de qualquer contato físico.

Isso é importante porque o próprio contexto bíblico prova que tocar no corpo ressuscitado do Senhor não era proibido.

Mais tarde, Ele disse a Tomé:

“Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado” (João 20:27).

Em outra ocasião, Ele disse aos discípulos:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24:39).

Portanto, João 20:17 não significa: “Maria, você não pode tocar no meu corpo ressuscitado”. Se esse fosse o significado, haveria dificuldade em harmonizá-lo com Lucas 24:39 e João 20:27.

Maria, tomada pela alegria de reencontrar seu Senhor, queria agarrar-se a Ele. O Senhor estava mostrando que o relacionamento deles não continuaria simplesmente como antes. Sua ascensão estava próxima e uma nova condição seria estabelecida.

  1. Mas isso não significa que Jesus deixou de ser humano

É justamente neste ponto que não posso concordar com a conclusão apresentada.

A afirmação de que, “após a ressurreição, não era mais humano”, contradiz diretamente várias declarações das Escrituras.

O próprio Senhor ressuscitado declarou:

“Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24:39).

Observe cuidadosamente as palavras: “sou eu mesmo”.

Não era outro ser. Não era uma manifestação temporária. Não era um espírito assumindo diferentes aparências. Era o mesmo Jesus que havia sido crucificado, agora ressuscitado e possuindo um corpo glorificado.

Ele inclusive mostrou as marcas da crucificação:

“E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés” (Lucas 24:40).

Depois:

“Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado e um favo de mel; o que ele tomou e comeu diante deles” (Lucas 24:42-43).

Tudo isso foi feito justamente para demonstrar a realidade da Sua ressurreição corporal.

A ressurreição não destruiu a humanidade de Cristo; glorificou Seu corpo humano.

Ele continua sendo verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.

  1. O Senhor Jesus continua sendo Homem depois da ascensão

Esta verdade torna-se ainda mais evidente quando observamos aquilo que o Novo Testamento diz depois da ascensão.

Paulo escreveu:

“Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Timóteo 2:5).

Observe que Paulo não disse que Cristo “foi homem”. Ele escreveu depois da ressurreição e ascensão e ainda O apresenta como “Jesus Cristo, homem”.

Também lemos:

“Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dos mortos” (Atos dos Apóstolos 17:31).

A humanidade de Cristo não foi uma condição temporária que começou em Belém e terminou na manhã da ressurreição.

“O Verbo se fez carne” (João 1:14).

O Filho eterno de Deus assumiu verdadeira humanidade e, depois de ressuscitado, permanece o Homem glorificado no Céu.

Por isso Estêvão, depois da ascensão, declarou:

“Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus” (Atos dos Apóstolos 7:56).

Ele ainda é chamado “Filho do Homem” no Céu.

  1. Seu corpo ressuscitado era diferente, mas continuava sendo um corpo real

Aqui talvez esteja a origem da dificuldade.

O corpo ressuscitado do Senhor não estava mais sujeito às limitações próprias da vida mortal. Isso, porém, não significa que Ele tenha deixado de possuir humanidade.

Paulo explica esse princípio em 1 Coríntios 15:

“Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual” (1 Coríntios 15:44).

“Corpo espiritual” não significa “um espírito sem corpo”. Se assim fosse, a própria expressão seria contraditória.

É um corpo verdadeiro, porém adequado à nova condição da ressurreição.

O próprio Senhor demonstrou isso quando apareceu aos discípulos estando as portas fechadas:

“Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio” (João 20:19).

Seu corpo possuía propriedades que ultrapassavam as limitações de nosso corpo mortal. Mas continuava sendo o Seu corpo.

  1. O fato de algumas pessoas não O reconhecerem não significa que Ele assumisse constantemente “outras aparências”

Precisamos tomar cuidado para não transformar uma observação em uma doutrina que o texto não afirma.

Maria inicialmente não O reconheceu:

“Ela, cuidando que era o hortelão...” (João 20:15).

Mas basta observar a situação: Maria estava chorando junto ao sepulcro e não esperava encontrar Jesus vivo.

No caminho de Emaús existe uma explicação ainda mais clara:

“Os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem” (Lucas 24:16).

Não diz que Jesus estava necessariamente com outro corpo ou outra identidade física. A Escritura explica que havia um impedimento no reconhecimento deles.

Posteriormente:

“Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram” (Lucas 24:31).

Portanto, não devemos inverter o texto. A passagem não diz que Jesus mudou de aparência e por isso não O reconheceram; diz que os olhos deles estavam impedidos de reconhecê-Lo.

  1. João 21:12 também não prova mudança de aparência

O texto citado diz:

“Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? Sabendo que era o Senhor” (João 21:12).

Observe a última expressão: “sabendo que era o Senhor”.

João já havia reconhecido Jesus antes:

“Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor” (João 21:7).

Além disso, a cena acontece de manhã, com Jesus na praia e os discípulos inicialmente dentro do barco:

“E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus” (João 21:4).

Portanto, construir sobre João 21:12 a doutrina de que Cristo possuía “outras aparências” ou de que “não era mais humano” vai muito além daquilo que João está dizendo.

  1. Durante quarenta dias Jesus permaneceu neste mundo

Também não podemos afirmar que, depois da ressurreição, Jesus “não estava mais nesse mundo”.

Atos dos Apóstolos 1:3 é muito claro:

“Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias.”

Durante esses quarenta dias Sua presença entre os discípulos já não tinha o mesmo caráter de antes da cruz. Ele não retomou simplesmente a rotina anterior. Suas aparições foram específicas e tiveram propósitos determinados.

Mas Ele ainda não havia ascendido ao Céu.

Somente depois:

“Foi elevado às alturas” (Atos dos Apóstolos 1:9).

Portanto, precisamos conservar a ordem bíblica:

morte → sepultamento → ressurreição corporal → quarenta dias de aparições → ascensão → glorificação à direita de Deus.

  1. Uma distinção importante: Mesa do Senhor e Ceia do Senhor

Aproveito para esclarecer também uma distinção que frequentemente causa confusão.

As expressões “Mesa do Senhor” e “Ceia do Senhor” estão relacionadas, mas não são simplesmente sinônimos.

A “Mesa do Senhor” aparece em 1 Coríntios 10:

“Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1 Coríntios 10:21).

Já a “Ceia do Senhor” aparece em 1 Coríntios 11:

“De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a Ceia do Senhor” (1 Coríntios 11:20).

Em 1 Coríntios 10, a ênfase está na comunhão e na associação. Em 1 Coríntios 11, a ênfase está no memorial realizado quando a igreja se reúne.

Por isso, podemos dizer de maneira simples:

A Mesa do Senhor fala do princípio de comunhão e da esfera de associação sob a autoridade do Senhor.

A Ceia do Senhor fala do ato memorial realizado pela igreja reunida, usando o pão e o cálice para recordar o Senhor e anunciar Sua morte até que Ele venha.

Na Mesa temos comunhão; na Ceia temos comemoração.

A Mesa nos leva a perguntar: “Com quem e com o que estamos associados?”

A Ceia nos leva a perguntar: “De quem estamos nos lembrando?”

É justamente por isso que Paulo trata primeiro da Mesa no capítulo 10 e depois da Ceia no capítulo 11.

Na Mesa:

“O cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Coríntios 10:16).

Na Ceia:

“Fazei isto em memória de mim” (1 Coríntios 11:24).

E:

“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Coríntios 11:26).

Portanto, a Mesa do Senhor não é simplesmente o móvel sobre o qual colocamos o pão e o cálice. É uma expressão espiritual de comunhão sob o senhorio de Cristo.

A Ceia do Senhor, por sua vez, é aquilo que fazemos em memória dEle, conforme Sua própria ordem.

  1. A grande verdade que precisamos preservar

Finalmente, penso que devemos tomar muito cuidado com a afirmação de que Cristo “após a ressurreição não era mais humano”, porque ela atinge uma verdade fundamental acerca da Pessoa do Senhor Jesus.

O Cristo que morreu é o Cristo que ressuscitou.

“Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3-4).

O túmulo ficou vazio porque Seu corpo ressuscitou.

Ele disse:

“Sou eu mesmo” (Lucas 24:39).

Mostrou as mãos e os pés.

Convidou os discípulos a tocá-Lo.

Comeu diante deles.

Tomé pôde contemplar as marcas dos cravos.

E, quarenta dias depois, aquele mesmo Jesus foi elevado ao Céu diante dos discípulos.

Por isso os anjos disseram:

“Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir” (Atos dos Apóstolos 1:11).

Não foi outro Jesus que ascendeu, e não será outro Jesus que voltará.

Ele é o Filho eterno de Deus que verdadeiramente Se fez Homem, morreu, ressuscitou corporalmente, ascendeu ao Céu e permanece o Homem glorificado à direita de Deus.

Por isso a esperança cristã não é que um espírito ou uma aparência de Jesus venha novamente. Esperamos o próprio Senhor:

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu” (1 Tessalonicenses 4:16).

E nossa própria ressurreição está ligada à dEle:

“Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Filipenses 3:21).

Seu corpo é agora glorioso, incorruptível e imortal; mas continua sendo corpo verdadeiro. Sua humanidade não foi abandonada na ressurreição. Ao contrário, a ressurreição demonstrou o triunfo da Sua humanidade perfeita sobre a morte.

Assim, concordamos que “não me detenhas” transmite adequadamente a ideia de João 20:17 e que não precisamos imaginar uma ascensão secreta naquela manhã. Contudo, não podemos avançar daí para a conclusão de que Jesus deixou de ser Homem. Lucas 24:39 praticamente encerra essa questão nas próprias palavras do Senhor ressuscitado:

“Sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.”

Josué Matos

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Se a nossa POSIÇÃO é em CRISTO, por que os exclusivistas evitam que novos irmãos partam o pão?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Graça e paz, Josué.

Pergunta de uma pessoa:

Se a nossa POSIÇÃO é em CRISTO, por que os exclusivistas evitam que novos irmãos partam o pão?

Se já estamos em CRISTO espiritualmente e a MESA é ESPIRITUAL, não terrena?

Minha Resposta:

A pergunta é importante porque envolve verdades que, embora relacionadas, não devem ser confundidas: nossa posição em Cristo, a Igreja que é o Corpo de Cristo, a igreja local, a Mesa do Senhor, a Ceia do Senhor e a comunhão de uma igreja local.

Primeiramente, concordo que todo verdadeiro salvo está em Cristo. A Palavra de Deus declara:

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).

Também lemos:

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” (2 Coríntios 5:17).

E ainda:

“Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo” (Gálatas 3:27).

Portanto, a posição espiritual do salvo em Cristo não depende de ele pertencer a determinada denominação, grupo ou igreja local. Todo aquele que verdadeiramente nasceu de novo pertence a Cristo e, consequentemente, pertence à Igreja que é o Corpo de Cristo.

Entretanto, aqui precisamos fazer uma distinção muito importante: pertencer ao Corpo de Cristo não significa automaticamente estar na comunhão prática de determinada igreja local.

  1. A Igreja, Corpo de Cristo, e a igreja local

A Igreja que é o Corpo de Cristo é formada por todos os verdadeiros salvos desta presente dispensação.

“Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo” (1 Coríntios 12:13).

Esta é uma realidade espiritual que Deus realizou. Nenhum ancião recebe alguém no Corpo de Cristo, e nenhuma igreja local pode excluir alguém do Corpo de Cristo. É Deus quem coloca o salvo nessa posição.

Mas, quando chegamos à igreja local, encontramos uma esfera de testemunho e responsabilidade coletiva.

Por exemplo, em Atos dos Apóstolos 2:41-42 encontramos uma ordem muito instrutiva:

“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.”

Observe a sequência:

receberam a Palavra;

foram batizados;

foram acrescentados;

perseveravam na doutrina dos apóstolos;

na comunhão;

no partir do pão;

e nas orações.

Portanto, o partir do pão não aparece como uma atividade isolada da vida da igreja local.

A pessoa não chegava simplesmente para participar do pão e do cálice sem qualquer relação com a comunhão, a doutrina e o testemunho daquela igreja.

  1. Não somos recebidos simplesmente à Ceia do Senhor

Este é um ponto que precisa ser compreendido.

Biblicamente, não deveríamos pensar na recepção de uma pessoa simplesmente como “recebê-la para partir o pão”.

A recepção é à comunhão da igreja local.

A Ceia do Senhor é uma das expressões dessa comunhão.

Atos dos Apóstolos 2:42 não diz apenas que perseveravam no partir do pão. Antes disso, diz que perseveravam “na doutrina dos apóstolos e na comunhão”.

Isso significa que a comunhão da igreja local é muito mais ampla do que comer do pão e beber do cálice.

Quando uma pessoa é recebida na comunhão, ela passa a compartilhar dos privilégios e também das responsabilidades daquela igreja local.

Por isso, seria incorreto reduzir toda a questão da comunhão à pergunta: “Posso ou não posso partir o pão?”

A questão é maior:

“Posso estar em comunhão com esta igreja, com sua doutrina, seu testemunho e sua prática?”

Existe responsabilidade dos dois lados. A igreja recebe a pessoa, mas, em certo sentido, a pessoa também recebe aquela igreja e identifica-se com a sua comunhão.

  1. Mesa do Senhor e Ceia do Senhor não são exatamente a mesma coisa

Aqui está, talvez, uma das principais causas de confusão.

As expressões aparecem em contextos diferentes.

A “Mesa do Senhor” aparece em 1 Coríntios 10:21:

“Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.”

Já a expressão “Ceia do Senhor” aparece em 1 Coríntios 11:20:

“De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a Ceia do Senhor.”

Embora as duas verdades estejam relacionadas, não devemos simplesmente transformar as duas expressões em sinônimos absolutos.

A Mesa do Senhor, em 1 Coríntios 10, apresenta principalmente o princípio da comunhão.

A Ceia do Senhor, em 1 Coríntios 11, apresenta a reunião memorial instituída pelo Senhor Jesus, na qual os crentes comem do pão e bebem do cálice em memória dEle.

Podemos resumir assim:

A Mesa do Senhor fala da comunhão.

A Ceia do Senhor fala da comemoração.

A Mesa enfatiza aquilo com que estamos associados.

A Ceia enfatiza Aquele de quem nos lembramos.

  1. O que significa “mesa” na Bíblia?

Precisamos abandonar a ideia de que a “Mesa do Senhor” seja simplesmente o móvel onde são colocados o pão e o cálice.

Não é disso que 1 Coríntios 10 está tratando.

O contexto começa anteriormente:

“Porventura o cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Coríntios 10:16).

Depois Paulo usa Israel como exemplo:

“Vede a Israel segundo a carne; os que comem os sacrifícios não são, porventura, participantes do altar?” (1 Coríntios 10:18).

Finalmente ele menciona a “mesa dos demônios” (1 Coríntios 10:21).

Obviamente, Paulo não está contrastando dois móveis.

Ele está falando de duas comunhões incompatíveis.

Participar de uma mesa significa identificar-se com aquilo que ela representa.

É nesse sentido que a Mesa do Senhor é espiritual. Mas o fato de ela ser espiritual não elimina suas consequências práticas.

Pelo contrário, é justamente porque a comunhão é espiritual que devemos ter cuidado com nossas associações.

  1. A Mesa do Senhor não pertence a um grupo religioso

Também precisamos tomar cuidado para não transformar a expressão “Mesa do Senhor” numa espécie de título denominacional.

Nenhuma denominação pode dizer: “A Mesa do Senhor pertence a nós.”

Ela é do Senhor.

Também não existe nas Escrituras uma classe de cristãos chamada “os da Mesa do Senhor”, como se determinada organização religiosa tivesse adquirido direitos sobre ela.

Paulo diz:

“a mesa do Senhor” (1 Coríntios 10:21).

O destaque está na palavra “Senhor”.

É a Sua autoridade que importa.

Portanto, a pergunta principal não deveria ser: “Qual grupo possui a Mesa do Senhor?”

A pergunta deveria ser:

“Estamos procurando obedecer à Palavra do Senhor na comunhão da igreja local?”

  1. A Ceia do Senhor

Quando chegamos a 1 Coríntios 11, a ênfase muda.

Ali encontramos:

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” (1 Coríntios 11:23-24).

Aqui temos claramente a comemoração.

O pão nos faz recordar o corpo do Senhor entregue por nós.

O cálice nos faz recordar Seu sangue derramado.

E Paulo acrescenta:

“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (1 Coríntios 11:26).

Portanto, a Ceia olha em pelo menos duas direções.

Olhamos para trás:

“a morte do Senhor”.

E olhamos para a frente:

“até que venha”.

No centro está a Pessoa de Cristo:

“em memória de mim”.

  1. Se todos os salvos estão em Cristo, por que não admitir imediatamente qualquer pessoa ao partir do pão?

Porque posição espiritual e comunhão prática não são exatamente a mesma coisa.

Um exemplo muito claro está em 1 Coríntios 5.

O homem mencionado naquele capítulo era reconhecido como estando dentro da esfera da igreja local, mas, devido ao pecado moral grave em que persistia, deveria ser colocado fora daquela comunhão:

“Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” (1 Coríntios 5:13).

Isso não significa que os anciãos tinham poder para retirar alguém do Corpo de Cristo.

Nenhum homem possui esse poder.

Mas a igreja tinha responsabilidade quanto à sua comunhão local.

Portanto, a Bíblia estabelece uma distinção entre a posição que alguém possui diante de Deus e a condição prática necessária para desfrutar da comunhão de uma igreja local.

Outro exemplo aparece em 2 Tessalonicenses 3:6:

“Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que andar desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebeu.”

Veja que Paulo chama a pessoa de “irmão”, mas, ao mesmo tempo, reconhece que seu comportamento poderia exigir uma ação prática da igreja.

Logo, o argumento “ele está em Cristo, portanto necessariamente deve participar imediatamente de tudo na igreja local” não resolve a questão.

  1. Mas isso autoriza o exclusivismo?

Não.

Existe um perigo no outro extremo.

Uma igreja pode ser tão cuidadosa com a recepção que acaba estabelecendo condições que a própria Palavra de Deus não estabeleceu.

Não devemos acrescentar mandamentos humanos às Escrituras.

Não deveríamos perguntar se a pessoa pertence ao “nosso grupo”, se utiliza determinado nome religioso ou se procede exatamente do mesmo círculo de igrejas.

A pergunta fundamental é se temos razões bíblicas para reconhecê-la como uma pessoa salva, batizada, de vida moral compatível com a profissão cristã, que não esteja envolvida em doutrina fundamentalmente falsa ou em associações que comprometam a comunhão e que esteja disposta a caminhar de acordo com a Palavra de Deus.

A recepção bíblica não deve ser nem descuidada nem sectária.

  1. Por que pode haver necessidade de esperar?

Imagine uma pessoa completamente desconhecida chegando a uma igreja local e dizendo:

“Sou salvo e quero partir o pão hoje.”

Os responsáveis nunca a viram. Não sabem quem ela é, no que acredita, como vive nem de onde veio.

Seria necessariamente uma ofensa pedir algum tempo para conhecê-la?

Não.

Isso não significa afirmar que ela não seja salva.

Significa apenas reconhecer a responsabilidade da igreja.

No Novo Testamento encontramos inclusive o princípio das cartas de recomendação.

Paulo escreve:

“Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencreia, para que a recebais no Senhor, como convém aos santos” (Romanos 16:1-2).

Em outra ocasião encontramos:

“E, querendo ele passar à Acaia, o animaram os irmãos e escreveram aos discípulos que o recebessem” (Atos dos Apóstolos 18:27).

Isso mostra que havia reconhecimento e responsabilidade entre as igrejas.

Não era simplesmente uma situação em que qualquer desconhecido chegava, declarava-se cristão e automaticamente participava de tudo.

Ao mesmo tempo, não encontramos no Novo Testamento fundamento para criar uma burocracia religiosa que mantenha indefinidamente afastado um crente conhecido, piedoso e biblicamente apto apenas porque ele não pertence ao mesmo círculo de igrejas.

  1. “Examine-se, pois, o homem a si mesmo”

Alguém poderá citar:

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (1 Coríntios 11:28).

Isso é verdade e muito importante.

Entretanto, precisamos respeitar o contexto.

Paulo está tratando da maneira como os crentes que já estavam na igreja em Corinto participavam da Ceia do Senhor.

Alguns estavam participando de maneira indigna. Por isso deveriam examinar a si mesmos.

O texto não ensina que toda responsabilidade da igreja desaparece e que qualquer pessoa pode determinar unilateralmente sua própria participação.

Se interpretássemos dessa maneira, entraríamos em conflito com outras passagens que ensinam claramente a responsabilidade coletiva da igreja quanto à sua comunhão, disciplina e pureza.

  1. Estar “em Cristo” não elimina a responsabilidade prática

Este princípio aparece em muitas áreas da vida cristã.

O salvo está “em Cristo”, mas deve andar como Cristo andou:

“Aquele que diz que está nele também deve andar como ele andou” (1 João 2:6).

O salvo é santo quanto à sua posição, mas também recebe a ordem:

“Como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1 Pedro 1:15).

Temos, portanto, posição e prática.

Nossa posição é perfeita em Cristo.

Nossa prática deve corresponder à nossa posição.

O mesmo princípio se aplica à comunhão da igreja local.

  1. A Mesa é espiritual, mas isso não significa que seja individual

Este ponto também é importante.

Dizer que algo é espiritual não significa dizer que seja puramente individual.

A comunhão apresentada em 1 Coríntios 10 é coletiva:

“Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão” (1 Coríntios 10:17).

Observe as palavras:

“nós”;
“muitos”;
“um só corpo”;
“todos participamos”.

É uma realidade espiritual, porém expressa coletivamente.

Por isso, a participação no partir do pão nunca deveria ser entendida como uma decisão puramente particular:

“Eu sei que sou salvo, portanto ninguém tem nada a ver com minha participação.”

Isso contraria o próprio significado de comunhão.

Comunhão significa participação compartilhada.

  1. Então qual seria o equilíbrio bíblico?

Creio que podemos resumir da seguinte maneira.

Todo verdadeiro salvo está em Cristo e pertence ao Seu Corpo.

Nenhuma igreja local coloca alguém em Cristo.

Nenhuma igreja local possui a Mesa do Senhor.

A Mesa do Senhor, em 1 Coríntios 10, enfatiza comunhão e associação espiritual sob o senhorio de Cristo.

A Ceia do Senhor, em 1 Coríntios 11, é a comemoração instituída pelo Senhor, na qual os crentes reunidos comem o pão e bebem do cálice em memória dEle.

A Ceia do Senhor é uma expressão da comunhão da igreja local, e não uma cerimônia independente dessa comunhão.

Por isso, biblicamente, não deveríamos falar apenas em “receber alguém à Ceia”; o princípio mais amplo é receber alguém à comunhão da igreja local.

Essa recepção envolve responsabilidade.

A igreja não deve receber levianamente quem vive em pecado conhecido ou sustenta doutrina que atinge fundamentos da fé.

Por outro lado, também não deve rejeitar um verdadeiro crente simplesmente porque ele não pertence ao seu círculo de igrejas ou não carrega determinado rótulo.

É preciso evitar os dois extremos:

a abertura sem discernimento e o exclusivismo sectário.

  1. O centro deve continuar sendo Cristo

Finalmente, quando discutimos a Mesa e a Ceia do Senhor, existe o perigo de gastarmos tanto tempo discutindo quem pode ou não participar que acabamos perdendo de vista o grande propósito da própria Ceia.

O Senhor não disse:

“Fazei isto para demonstrardes que sois melhores do que outros cristãos.”

Também não disse:

“Fazei isto em memória da vossa igreja.”

Muito menos:

“Fazei isto em memória do vosso grupo.”

Ele disse:

“Fazei isto em memória de mim” (1 Coríntios 11:24).

Cristo é o centro.

A Mesa é do Senhor.

A Ceia é do Senhor.

A igreja é de Deus.

A Palavra é a autoridade.

Portanto, não devemos usar a verdade da comunhão para criar uma seita fechada, nem usar a verdade da nossa posição em Cristo para eliminar a ordem, a santidade e a responsabilidade da igreja local.

Precisamos conservar as duas verdades.

Todo verdadeiro salvo está em Cristo.

Mas todo verdadeiro salvo é também chamado a andar em obediência a Cristo.

É justamente porque pertencemos a Ele que devemos desejar comunhão com outros salvos segundo a Sua Palavra, procurando manter “a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Efésios 4:3), sem sacrificar a verdade e sem criar exigências que Deus não criou.

Josué Matos

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