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Quando ouvimos as palavras que devemos tratar com amor os irmãos que cometeram alguma falta ou pecado, o que isto significa na prática?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Olá irmão, boa tarde. Quando ouvimos as palavras que devemos tratar com amor os irmãos que cometeram alguma falta ou pecado, o que isto significa na prática?

Minha Resposta:

Caro irmão,

Antes de tudo, precisamos entender que a Bíblia nunca trata o pecado na vida de um crente como algo pequeno. Pelo contrário, o pecado cometido por alguém que conhece a verdade é algo extremamente sério.

O incrédulo vive nas trevas, desconhece a Deus e é escravo do pecado. Mas o crente recebeu a luz do Evangelho, conhece a vontade de Deus e professa pertencer ao Senhor Jesus. Por isso, quando um verdadeiro crente peca, ele não está pecando apenas contra a sua consciência, mas contra a luz que recebeu, contra os privilégios que possui e contra o testemunho que deveria manter diante do mundo.

Isso explica por que as Escrituras tratam com tanta seriedade as falhas dos filhos de Deus. Em alguns casos, quando vemos uma pessoa vivendo continuamente no pecado, surge até mesmo a dúvida se ela realmente nasceu de novo. Naturalmente, somente Deus conhece os corações. Porém, quando partimos do pressuposto de que se trata de um verdadeiro crente, devemos lembrar que Deus leva muito a sério o pecado dos Seus filhos.

Mas o que significa tratar com amor um irmão que pecou?

Muitas pessoas confundem amor com tolerância ao pecado. Contudo, o amor bíblico nunca apoia o erro. Em 1 Coríntios 13:6 lemos que o amor “não folga com a injustiça, mas folga com a verdade”.

Portanto, amar um irmão não significa passar a mão sobre o seu pecado, minimizar sua culpa ou fingir que nada aconteceu. O amor verdadeiro sempre se posiciona ao lado da verdade de Deus.

O próprio Deus é o maior exemplo disso. Deus ama os Seus filhos, mas também os disciplina. Hebreus 12:6 diz:

“Porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho.”

Assim, quando um irmão falha, nossa atitude deve ser semelhante à de Deus: amor pela pessoa e reprovação do pecado.

Entretanto, a forma de agir dependerá da natureza da falta cometida.

Existem pecados que exigem disciplina coletiva da assembleia. Em casos assim, a Palavra de Deus determina que a pessoa seja retirada da comunhão da igreja. Essa medida não é falta de amor; pelo contrário, é uma demonstração de obediência a Deus e de preocupação com a restauração do faltoso.

Mesmo quando o pecador confessa seu pecado, isso não significa automaticamente que toda consequência disciplinar desapareça. O arrependimento deve ser acompanhado por evidências que demonstrem uma verdadeira mudança de atitude.

Em outros casos, a Escritura não fala de exclusão da comunhão da igreja, mas de uma restrição no relacionamento dos crentes com aquele irmão. Em 2 Tessalonicenses 3:6,14-15, Paulo ordena que os irmãos se afastem do crente desordeiro para que ele se envergonhe da sua conduta. Contudo, ele acrescenta:

“Todavia, não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão.”

Perceba o equilíbrio. Não há aprovação do erro, mas também não há hostilidade contra a pessoa.

Portanto, tratar um irmão com amor significa:

  • Orar por ele.
  • Adverti-lo segundo a Palavra de Deus.
  • Não justificar o seu pecado.
  • Não encobrir aquilo que Deus condena.
  • Aplicar a disciplina bíblica quando necessária.
  • Demonstrar interesse sincero pela sua restauração.
  • Recebê-lo novamente quando houver arrependimento genuíno.

O objetivo final nunca é humilhar o faltoso, mas levá-lo ao arrependimento e à restauração da comunhão com Deus e com os irmãos.

O amor bíblico não é permissivo. O amor bíblico é santo. Ele ama o pecador, mas não concorda com o pecado. Ele procura restaurar o irmão, mas sem sacrificar a verdade. Ele age com misericórdia, mas também com fidelidade à Palavra de Deus.

Josué Matos


Eu sempre me pergunto: se esse ‘deus’ comete todas essas atrocidades sendo ‘bom’, o que ele faria se ele fosse mau?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A maior ‘heresia’ de todas é dizer que um ‘deus’ que matou milhões de pessoas e animais inocentes, mandou o ‘povo escolhido’ matar crianças de peito (1 Samuel 15:3) e que vai torturar a maior parte das almas da humanidade pela eternidade é ‘bom’. Eu sempre me pergunto: se esse ‘deus’ comete todas essas atrocidades sendo ‘bom’, o que ele faria se ele fosse mau??? O lugar desse psicopata é na CADEIA! Não é que eu não acredite nesse ‘deus’, imagina, eu tenho certeza absoluta de que ele NUNCA existiu! Você quer saber a verdade sobre a gibíblia? Leia A Bíblia Desenterrada, do arqueólogo Israel Finkelstein, que prova por métodos científicos que não há evidência nenhuma sobre a existência dos personagens do Gênesis e do Êxodo. Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Josué NUNCA existiram! O Êxodo NUNCA aconteceu!

Minha Resposta:

Agradeço por expor sua opinião de forma franca. Permita-me responder a alguns pontos.

Primeiro, a existência de sofrimento, juízo e morte na Bíblia não é um problema que as Escrituras procuram esconder. Pelo contrário, elas apresentam Deus como Criador, Legislador e Juiz de toda a terra. Quando Deus exerce juízo, Ele não age como um homem pecador movido por ódio, vingança ou crueldade. A diferença fundamental é que Deus é santo, conhece perfeitamente todas as coisas e tem autoridade sobre a vida que Ele mesmo criou.

Muitas pessoas leem passagens de juízo sem considerar o contexto. Em 1 Samuel 15, por exemplo, o juízo sobre os amalequitas não surgiu de repente. Séculos antes, aquela nação havia atacado Israel de forma covarde quando o povo saía do Egito (Êxodo 17:8-16; Deuteronômio 25:17-19). Deus suportou aquela iniquidade durante gerações antes de executar o julgamento anunciado.

Também é importante lembrar que, se Deus não julga o mal, Ele é acusado de ser indiferente à injustiça. Mas quando julga, é acusado de ser cruel. Na realidade, o ser humano deseja um Deus que condene os pecados dos outros, mas que ignore os seus próprios.

Quanto ao inferno, a Bíblia não apresenta Deus lançando pessoas inocentes à condenação. Pelo contrário, ela afirma repetidamente que todos pecaram e carecem da glória de Deus (Romanos 3:23). O mesmo Deus que anuncia o juízo é o Deus que enviou Seu Filho para morrer pelos pecadores. O Senhor Jesus declarou: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (João 3:16). O evangelho não é a mensagem de um Deus procurando condenar homens inocentes, mas de um Deus oferecendo salvação a homens culpados.

Sobre a existência de Abraão, Isaque, Jacó, Moisés e Josué, é verdade que existem arqueólogos que questionam alguns aspectos da narrativa bíblica. Porém, também existem numerosos arqueólogos, historiadores e estudiosos que defendem a confiabilidade histórica substancial dos relatos bíblicos. A arqueologia não é uma ciência que “prova” ou “desprova” tudo. Ela trabalha com evidências limitadas e interpretações dessas evidências.

Além disso, a ausência de evidência arqueológica não é evidência de ausência. Durante muito tempo, críticos afirmaram que vários povos, reis e cidades mencionados na Bíblia jamais existiram. Posteriormente, diversas descobertas arqueológicas confirmaram a existência de muitos deles.

O mais significativo, porém, é que o próprio Senhor Jesus Cristo tratou Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Noé e outros personagens do Antigo Testamento como pessoas reais e históricas. Se alguém aceita a autoridade de Cristo, precisa considerar seriamente o testemunho que Ele deu acerca desses homens.

No final, a questão não é apenas arqueológica ou filosófica. A pergunta central é: quem é Jesus Cristo? Se Ele ressuscitou dentre os mortos, como testemunharam centenas de pessoas, então Sua palavra tem autoridade para interpretar a história, a moralidade, a vida e a eternidade.

A Bíblia não apresenta um Deus cruel procurando destruir a humanidade. Ela apresenta um Deus santo que julga o pecado, mas que também oferece perdão, graça e vida eterna a todos os que se arrependem e creem no Senhor Jesus Cristo.

Josué Matos


Daniel 9:24-27 — As Setenta Semanas de Daniel



A profecia das setenta semanas de Daniel é uma das mais importantes de toda a Bíblia. Ela funciona como uma espécie de cronograma profético de Deus para a nação de Israel. Sem compreender Daniel 9:24-27, torna-se muito difícil entender corretamente o discurso profético do Senhor Jesus em Mateus 24–25 e grande parte do livro de Apocalipse.

A imagem apresentada (ver imagem) resume bem a interpretação dispensacional: sessenta e nove semanas já cumpridas, um intervalo correspondente à atual era da Igreja e uma septuagésima semana ainda futura.

O Contexto da Profecia

Daniel encontrava-se no cativeiro babilônico quando estudava as profecias de Jeremias.

Ele compreendeu que os setenta anos de desolação de Jerusalém estavam chegando ao fim:

"Eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos." (Daniel 9:2)

Ao orar pela restauração de Jerusalém e do povo judeu, Daniel recebeu uma revelação muito maior do que esperava.

Ele perguntava sobre setenta anos.

Deus respondeu falando sobre setenta semanas.

O Que São as Setenta Semanas?

O texto diz:

"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade..." (Daniel 9:24)

Observe duas expressões fundamentais:

  • Teu povo = Israel.
  • Tua santa cidade = Jerusalém.

A profecia não foi dada para a Igreja.

A Igreja sequer havia sido revelada no Antigo Testamento (Efésios 3:1-9).

O assunto principal é Israel e Jerusalém.

A palavra "semana" significa literalmente um grupo de sete.

Nesse contexto trata-se de sete anos.

Portanto:

70 semanas × 7 anos = 490 anos.

São 490 anos determinados por Deus para cumprir Seus propósitos em Israel.

Os Seis Objetivos da Profecia

Daniel 9:24 apresenta seis objetivos que serão plenamente cumpridos quando a profecia terminar:

  1. Fazer cessar a transgressão.
  2. Dar fim aos pecados.
  3. Expiar a iniquidade.
  4. Trazer a justiça eterna.
  5. Selar a visão e a profecia.
  6. Ungir o Santo dos Santos.

Embora a obra expiatória tenha sido realizada no Calvário, o cumprimento completo desses objetivos ocorrerá quando Cristo estabelecer Seu reino sobre a terra.

Isso mostra que a profecia ainda não terminou.

Quando Começa a Contagem?

O anjo Gabriel fornece o ponto inicial:

"Desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém..." (Daniel 9:25)

Aqui existe uma confusão muito comum.

Muitos associam a profecia à reconstrução do templo.

Mas Daniel 9 não fala do templo.

Fala da reconstrução de Jerusalém.

A profecia menciona:

"...a praça e a tranqueira se reedificarão..."

Ou seja:

  • ruas,
  • muros,
  • sistema defensivo da cidade.

O decreto que melhor se ajusta ao texto é o dado a Neemias.

Neemias 2:1-8 registra a autorização de Artaxerxes para reconstruir Jerusalém.

Por isso a imagem corretamente associa o início da contagem a Neemias.

O foco não é o templo reconstruído nos dias de Esdras.

O foco é a cidade restaurada nos dias de Neemias.

As Primeiras Sete Semanas

Gabriel divide as setenta semanas em três partes:

  • 7 semanas
  • 62 semanas
  • 1 semana

As primeiras sete semanas correspondem a:

7 × 7 = 49 anos.

Esse período abrange a reconstrução de Jerusalém após o exílio.

Foi um período difícil, marcado por oposição constante.

Neemias descreve trabalhadores edificando com uma mão e segurando armas com a outra.

A cidade foi reconstruída "em tempos angustiosos", exatamente como Daniel havia profetizado.

As Sessenta e Duas Semanas

Após as sete semanas iniciais vêm mais sessenta e duas semanas:

62 × 7 = 434 anos.

Somando:

7 semanas + 62 semanas = 69 semanas.

69 × 7 = 483 anos.

Esses 483 anos conduzem até a manifestação pública do Messias.

A imagem relaciona esse período com Lucas 19.

Muitos estudiosos observam que a entrada triunfal do Senhor Jesus em Jerusalém representa o momento em que Israel recebeu oficialmente seu Rei.

O relógio profético chegou exatamente ao ponto previsto.

O Messias Seria Cortado

Depois das sessenta e nove semanas ocorre um acontecimento extraordinário:

"E depois das sessenta e duas semanas será tirado o Messias, e não será mais..." (Daniel 9:26)

Observe:

Não durante a sexagésima nona semana.

Nem na septuagésima.

Mas depois.

Isso aponta para a morte do Senhor Jesus.

A cruz não foi um acidente.

Foi prevista séculos antes.

Daniel viu o Messias sendo rejeitado e morto muito antes do nascimento de Cristo.

A imagem representa isso através do Calvário.

O Intervalo Entre a 69ª e a 70ª Semana

Este é um dos pontos mais importantes da profecia.

Muitos leitores passam diretamente da semana 69 para a semana 70.

Mas Daniel não faz isso.

Entre Daniel 9:26 e Daniel 9:27 há acontecimentos que exigem um intervalo.

Após a morte do Messias ocorre:

"o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário."

Isso aconteceu no ano 70 d.C.

Os romanos destruíram Jerusalém e o templo.

Entretanto a septuagésima semana ainda não começou.

Portanto existe um intervalo.

Esse intervalo corresponde à atual dispensação da Igreja.

A imagem chama esse período de "Era da Igreja".

É o tempo em que Deus está formando um povo celestial composto por judeus e gentios salvos.

O Mistério da Igreja

A Igreja não foi revelada aos profetas do Antigo Testamento.

Paulo afirma:

"O mistério que esteve oculto desde todos os séculos..." (Colossenses 1:26)

Por isso Daniel não vê detalhes da Igreja.

Ele vê a semana 69.

Depois vê a semana 70.

Mas não recebe explicações sobre o intervalo.

É semelhante aos picos de duas montanhas vistos à distância, sem que o vale entre elas seja percebido.

Hoje sabemos que esse "vale" já dura quase dois mil anos.

O Arrebatamento

A imagem coloca o arrebatamento ao final da era da Igreja.

Segundo essa compreensão profética, a Igreja será retirada da terra antes da septuagésima semana.

Textos principais:

  • João 14:1-3
  • 1 Tessalonicenses 4:13-18
  • 1 Coríntios 15:51-52

Após o arrebatamento, o programa profético de Deus voltará a concentrar-se em Israel.

O relógio de Daniel voltará a correr.

A Septuagésima Semana

Daniel 9:27 descreve a última semana.

Ela corresponde a sete anos.

Esta é a famosa Tribulação.

O personagem principal é:

"o príncipe que há de vir"

Trata-se do futuro governante mundial conhecido como Anticristo.

Ele fará uma aliança com muitos por uma semana.

Ou seja:

sete anos.

A Divisão da Tribulação

Os sete anos são divididos em duas partes iguais:

3 anos e meio + 3 anos e meio.

A Bíblia usa diversas expressões para o mesmo período:

  • 42 meses
  • 1.260 dias
  • tempo, tempos e metade de um tempo

Na metade da semana ocorre a quebra da aliança.

O Anticristo interrompe os sacrifícios.

Então começa a Grande Tribulação.

A Ligação com Mateus 24 e 25

Mateus 24 não descreve a era da Igreja.

O contexto é judaico.

O Senhor Jesus fala de:

  • Judeia.
  • Sábado.
  • Templo.
  • Fuga para os montes.

Tudo isso aponta para Israel.

Quando Cristo menciona:

"a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel" (Mateus 24:15)

Ele está apontando diretamente para Daniel 9:27.

A partir desse momento inicia-se a fase mais severa da Tribulação.

Mateus 24 descreve os acontecimentos da septuagésima semana.

Mateus 25 apresenta as consequências da vinda do Rei ao final desse período.

A Ligação com Apocalipse

Depois das cartas às sete igrejas (Apocalipse 2–3), a palavra "igreja" desaparece do cenário profético terrestre.

A partir do capítulo 4, João é chamado ao céu.

Em seguida aparecem:

  • os selos,
  • as trombetas,
  • as taças da ira.

Esses juízos correspondem aos acontecimentos da septuagésima semana.

Especialmente:

  • Apocalipse 6–18 → Tribulação.
  • Apocalipse 19 → Volta gloriosa de Cristo.
  • Apocalipse 20 → Reino Milenar.
  • Apocalipse 21–22 → Estado eterno.

Assim, Daniel 9 fornece a estrutura básica que Apocalipse desenvolve em detalhes.

A Volta de Cristo

Ao final da septuagésima semana o Senhor Jesus retornará visivelmente.

Apocalipse 19 descreve Sua manifestação em poder e glória.

Zacarias 14 afirma que Seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras.

Mateus 24:30 declara:

"Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem."

Esta não é a vinda para buscar a Igreja.

É a vinda com a Igreja para julgar e reinar.

O Reino Milenar

Após a derrota do Anticristo e do Falso Profeta, inicia-se o reino de mil anos descrito em Apocalipse 20.

Nesse período:

  • Israel será restaurado.
  • Jerusalém será exaltada.
  • As promessas feitas aos patriarcas serão cumpridas.
  • O Messias governará as nações.

Os seis objetivos de Daniel 9:24 alcançarão seu cumprimento pleno.

Conclusão

A profecia das setenta semanas é a espinha dorsal da profecia bíblica. Ela mostra que Deus estabeleceu um programa específico para Israel e Jerusalém, iniciado com o decreto para reconstruir a cidade nos dias de Neemias. Sessenta e nove semanas conduziram exatamente até a apresentação e rejeição do Messias. Depois veio um longo intervalo, correspondente à era da Igreja, durante o qual Deus chama para Si um povo dentre todas as nações.

Quando a Igreja for arrebatada, a última semana de Daniel terá início. Os eventos descritos em Daniel 9:27, Mateus 24–25 e Apocalipse 6–19 convergirão para o mesmo período: a Tribulação e a Grande Tribulação. Ao final desses acontecimentos, Jesus Cristo retornará em glória, destruirá Seus inimigos, restaurará Israel e estabelecerá Seu reino milenar sobre a terra.

Dessa forma, Daniel 9:24-27 não é apenas uma profecia isolada. Ela constitui a chave que harmoniza os profetas do Antigo Testamento, o discurso profético do Senhor Jesus e todo o livro de Apocalipse, revelando a precisão absoluta do plano de Deus para Israel, para as nações e para a consumação da história humana.

Josué Matos

 

O tempo dos gentios ainda não acabou.

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O tempo dos gentios ainda não acabou.
Principalmente nesse meio religioso organizado bíblico.

Minha Resposta:

Realmente, o “tempo dos gentios” ainda não terminou. O próprio Senhor Jesus falou sobre isso em Lucas 21:24, dizendo que “Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem”. Isso mostra que existe um período determinado por Deus em que o domínio gentílico continua atuando no mundo.

Esse tempo começou profeticamente com a queda de Jerusalém e o domínio de Nabucodonosor, rei da Babilônia, conforme vemos em Daniel capítulos 2 e 7. Desde então, os impérios gentílicos têm exercido influência e domínio sobre a terra, especialmente sobre Israel. A profecia mostra uma sequência: Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma, culminando ainda em uma forma final de poder gentílico que se manifestará antes da volta pública do Senhor Jesus Cristo.

Mas também é verdade que o espírito gentílico entrou profundamente no meio religioso organizado. Quando observamos a simplicidade da igreja no Novo Testamento e a comparamos com muitos sistemas religiosos atuais, vemos uma grande diferença. O Senhor nunca estabeleceu uma estrutura religiosa mundial controlando os crentes através de sistemas humanos, títulos clericais ou poder político-religioso.

Em 2 Timóteo 3:1-5, Paulo advertiu sobre uma forma de piedade sem a realidade espiritual. Em Apocalipse capítulos 2 e 3, vemos o declínio progressivo da profissão cristã até chegar a um estado de mistura, mundanismo e independência de Cristo.

Hoje existe muito sistema religioso falando da Bíblia, usando linguagem cristã, mas funcionando segundo princípios humanos, empresariais e políticos. Muitas vezes o nome do Senhor é mencionado, porém a autoridade da Palavra de Deus fica em segundo plano. O homem ocupa o centro, enquanto Cristo deveria ocupar toda a preeminência.

Por isso o verdadeiro crente deve vigiar para não confundir organização religiosa com comunhão espiritual verdadeira. A Igreja de Deus não é um sistema humano mundial; ela é um corpo espiritual formado por todos os salvos unidos ao Senhor Jesus Cristo pelo Espírito Santo.

O tempo dos gentios ainda continua, tanto no aspecto político-profético como também nesse caráter de domínio humano e religioso que se espalhou pelo mundo. Porém a Palavra de Deus mostra que esse período terá fim. O Senhor Jesus voltará, estabelecerá Seu reino e todo domínio humano cairá diante dEle, conforme Daniel 2:44 declara:

“Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído.”

Josué Matos