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Jesus é Deus ou não? Se sim, Maria é mãe de Deus?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Jesus é Deus ou não? Se sim, Maria é mãe de Deus?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito importante, pois envolve duas verdades que precisamos compreender corretamente à luz das Escrituras: a divindade eterna do Senhor Jesus Cristo e a Sua verdadeira humanidade.

Primeiramente, a resposta é sim: Jesus Cristo é Deus. Entretanto, isso não significa que Maria seja a origem de Deus ou que tenha dado existência à Sua divindade. Precisamos distinguir cuidadosamente essas duas questões.

1. A Bíblia afirma claramente que Jesus Cristo é Deus

O Evangelho de João começa com uma das declarações mais importantes acerca da pessoa do Senhor Jesus:

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus" (João 1:1).

Observe que o texto não diz que o Verbo passou a existir em determinado momento, mas que Ele já existia no princípio. O Verbo é eterno, estava com Deus e era Deus.

Mais adiante, lemos:

"E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós" (João 1:14).

Portanto, o Senhor Jesus não começou a existir quando nasceu em Belém. Aquele que nasceu de Maria já existia eternamente como o Filho de Deus.

Outras passagens confirmam Sua divindade:

  • João 20:28 — Tomé, diante do Senhor ressuscitado, declarou: "Senhor meu, e Deus meu!"
  • Colossenses 2:9 — "Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade."
  • Hebreus 1:8 — O próprio Pai dirige-Se ao Filho, dizendo: "Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos."
  • Primeira Epístola de João 5:20 — Jesus Cristo é apresentado como o verdadeiro Deus e a vida eterna.

Logo, negar a divindade de Cristo é contrariar o testemunho das Escrituras.

2. Então, Maria é mãe de Deus?

Aqui precisamos ter cuidado com o significado das palavras.

Maria foi escolhida por Deus para ser a mãe do Senhor Jesus quanto à Sua humanidade. Ela concebeu, pelo poder do Espírito Santo, e deu à luz Aquele que é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.

O anjo Gabriel declarou:

"Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus" (Lucas 1:35).

Observe que Maria não produziu a divindade de Cristo. O Filho de Deus já existia eternamente antes de Maria nascer.

Em Gálatas 4:4, encontramos uma declaração muito esclarecedora:

"Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei."

Note a ordem das palavras: Deus enviou Seu Filho. Não diz que Deus criou um Filho por intermédio de Maria, mas que enviou Aquele que já era Seu Filho.

Maria foi o instrumento humano escolhido para a encarnação do Filho eterno de Deus.

3. O próprio Jesus esclareceu essa distinção

Existe uma passagem particularmente interessante em Lucas 1:43. Isabel, cheia do Espírito Santo, referiu-se a Maria como "a mãe do meu Senhor".

Essa expressão reconhece a grandeza da pessoa que Maria trazia em seu ventre, sem atribuir a ela a origem da divindade.

Outro acontecimento esclarecedor encontra-se em Lucas 11:27-28.

Uma mulher, admirada com o Senhor Jesus, exclamou:

"Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste!"

O Senhor respondeu:

"Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam."

Cristo não estava desprezando Maria, mas ensinando que a verdadeira bem-aventurança espiritual não está no parentesco físico com Ele, e sim na relação com Deus mediante a Sua Palavra.

Maria foi uma mulher agraciada e bendita entre as mulheres (Lucas 1:28,42), mas continuou sendo uma criatura humana que também necessitava de salvação. Ela própria declarou:

"E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador" (Lucas 1:47).

4. Jesus é uma só pessoa, com duas naturezas

Precisamos evitar dois erros: pensar que Jesus era apenas um homem que posteriormente recebeu a divindade, ou imaginar que Sua humanidade era apenas uma aparência.

A Bíblia ensina que Ele é uma única pessoa, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.

Como Deus, Ele é eterno, incriado e não possui princípio (João 1:1-3).

Como homem, nasceu de mulher, cresceu, sentiu fome, sede, cansaço e morreu verdadeiramente na cruz (Lucas 2:7,52; João 19:28,30).

Sua encarnação não diminuiu Sua divindade. Ele não deixou de ser Deus ao tornar-Se homem.

Filipenses 2:6-8 ensina que Aquele que subsistia em forma de Deus tomou a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens.

Portanto, Maria não foi mãe de uma pessoa meramente humana, separada do Filho eterno. Ela deu à luz Jesus Cristo, que é Deus manifestado em carne (Primeira Epístola a Timóteo 3:16).

Entretanto, isso não faz dela a origem da Sua natureza divina.

Conclusão

Se alguém utiliza a expressão "mãe de Deus" apenas para afirmar que Aquele que nasceu de Maria é verdadeiramente Deus, é necessário compreender o sentido teológico que pretende transmitir. A expressão, porém, pode facilmente gerar um entendimento equivocado, como se Deus tivesse começado a existir por intermédio de Maria.

Por essa razão, considero mais adequado utilizar a linguagem das próprias Escrituras: Maria é a mãe de Jesus (João 2:1), a mãe do Senhor (Lucas 1:43), e o Senhor Jesus é o Filho eterno de Deus que Se fez homem.

Maria não deu origem a Deus. Foi Deus quem deu existência a Maria e, pela Sua graça, escolheu-a para trazer ao mundo, segundo a carne, o Salvador.

Há uma diferença fundamental entre dar à luz Aquele que é Deus e ser a origem de Deus.

O Filho eterno não começou a existir no ventre de Maria; foi ali que assumiu a nossa humanidade.

E é precisamente essa verdade maravilhosa que encontramos em João 1:14: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós."

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Somos humanos, falhos e limitados. A Bíblia concorda com isso?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia!

A mensagem do grupo no WhatsApp Palavras do Evangelho:

“Então, a mim clamarão, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão, mas não me acharão. Porquanto aborreceram o conhecimento e não preferiram o temor do Senhor.”

Provérbios 1:28-29

Muito interessante!

Mas não conheço, nem conheci uma pessoa assim.

Não estou questionando, apenas dizendo: quem somos nós para agirmos assim?

Seria maravilhoso se fosse assim, mas somos falhos. Errar é humano. Não somos inteligência artificial.

Pensar antes de errar é bom, mas, como minha avó polonesa falava: “Você, meu neto, vai passar a sua vida toda aprendendo e, no final, descobrir que nada sabe.”

Imagine imaginar ou pensar antes de cometer alguns tipos de erros.

Não sois máquinas. Humanos sois.

A Bíblia reúne diferentes tipos de apontamentos sobre supostos erros, contradições e imprecisões, divididos entre perspectivas críticas, históricas e teológicas.

Principais categorias apontadas como “erros”:

Contradições internas e divergências numéricas:

Diferenças em relatos paralelos, como as genealogias de Jesus descritas em Mateus e Lucas, ou variações numéricas em censos e contagens de exércitos (por exemplo, entre 2 Samuel 8:4 e 1 Crônicas 18:3-4).

Choques narrativos, como a cronologia sobre Josué e a conquista de cidades em Josué 15 versus Juízes 1.

Incompatibilidades históricas e arqueológicas:

Ausência de evidências arqueológicas contemporâneas que confirmem o relato do Êxodo em massa do Egito ou um dilúvio global.

Questões sobre figuras políticas, como o papel de Belsazar no Império Babilônico.

Quora +1

Conceitos científicos antigos:

Visões da cosmovisão da Antiguidade (como a Terra fixa e o céu dividido em camadas) e classificações zoológicas da época, como o morcego listado entre as “aves” (Levítico 11:19) ou o coelho tratado como ruminante.

Erros de tradução e transmissão:

Desvios em cópias manuais ao longo dos séculos (erros de copistas) e traduções específicas, como a palavra hebraica almah (jovem) traduzida como “virgem” em Isaías 7:14, ou modificações em edições históricas (como o Novo Testamento de João Ferreira de Almeida, em 1681).

Visões sobre o tema:

Abordagem crítica e cética: vê esses pontos como provas de que a Bíblia é uma obra humana, culturalmente datada, com mitos emprestados de outras civilizações (como a Epopeia de Gilgamesh) e isenta de inerrância literal.

Abordagem apologética/tradicional: defende que muitos “erros” decorrem de leitura literalista ou fundamentalista, ignorando gêneros literários (poesia, hipérbole, linguagem fenomênica/observacional), ou restringe a inerrância estritamente aos manuscritos originais perdidos (autógrafos), atribuindo pequenas variações a lapsos de copistas que não alteram a doutrina central.

Só Deus é perfeito.

Tchau.

Minha Resposta:

Agradeço pela mensagem e pelas observações apresentadas. Gostaria de esclarecer algumas questões, principalmente porque o texto de Provérbios 1:28-29 não está ensinando que o ser humano precisa ser perfeito, que nunca pode cometer erros ou que Deus exige de nós uma capacidade sobre-humana de acertar em todas as decisões.

Na realidade, a passagem trata de algo muito diferente: a rejeição deliberada da sabedoria e das advertências de Deus.

1. O que realmente significa Provérbios 1:28-29?

Para compreendermos corretamente esses versículos, precisamos considerar o contexto que começa em Provérbios 1:20.

Ali, a sabedoria é apresentada de maneira personificada, como alguém que clama publicamente, convidando os homens a abandonarem seus caminhos insensatos e ouvirem a instrução.

Observe o que está escrito:

“Antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão.” (Provérbios 1:25).

Portanto, quando chegamos aos versículos 28 e 29, encontramos pessoas que não foram condenadas simplesmente porque cometeram erros humanos, mas porque rejeitaram repetidamente o conhecimento e desprezaram a correção.

Existe uma diferença muito grande entre alguém que erra por fraqueza ou ignorância e alguém que, conhecendo a vontade de Deus, decide desprezá-la.

A passagem descreve as consequências de uma rejeição persistente, não a atitude de Deus diante de uma pessoa sinceramente arrependida.

O próprio livro de Provérbios declara:

“Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal.” (Provérbios 24:16).

Veja que a Bíblia reconhece a possibilidade de o justo cair. A diferença está na sua atitude diante da queda.

O justo não é apresentado como alguém incapaz de errar, mas como alguém que não faz do erro o seu caminho.

2. Somos humanos, falhos e limitados. A Bíblia concorda com isso?

Certamente!

A expressão popular “errar é humano” contém uma verdade que a própria Escritura reconhece, embora não deva ser utilizada para justificar a prática deliberada do pecado.

Em Eclesiastes 7:20, lemos:

“Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça bem e nunca peque.”

O apóstolo João também escreveu:

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.” (1 João 1:8).

Portanto, ninguém está afirmando que devemos agir como máquinas, que somos perfeitos ou que conseguimos antecipar todas as consequências das nossas decisões.

Deus conhece perfeitamente a nossa condição.

“Pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó.” (Salmos 103:14).

Entretanto, nossa imperfeição não elimina a responsabilidade moral que temos diante de Deus.

O Senhor não exige que sejamos oniscientes, mas nos chama a ouvir Sua Palavra, reconhecer nossos pecados e receber Sua graça.

É justamente porque somos falhos que necessitamos de um Salvador.

3. A diferença entre cometer erros e rejeitar a Deus

Gostaria de destacar especialmente este ponto, porque ele é fundamental para compreender a mensagem publicada.

Uma pessoa pode cometer um erro e reconhecer que errou. Pode cair e desejar levantar-se. Pode não compreender determinada passagem bíblica e procurar esclarecimento.

Nada disso corresponde necessariamente à atitude condenada em Provérbios 1.

O problema apresentado naquele capítulo é o coração que despreza a correção e não deseja ouvir a verdade.

O Senhor Jesus declarou:

“E não quereis vir a mim para terdes vida.” (João 5:40).

Observe a expressão: “não quereis”.

A questão não era simplesmente uma incapacidade intelectual, mas a indisposição de receber Aquele que Deus havia enviado.

Ao mesmo tempo, Cristo fez uma promessa maravilhosa:

“E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” (João 6:37).

Portanto, a mensagem de Provérbios não deve ser interpretada como se Deus estivesse procurando uma oportunidade para rejeitar pessoas imperfeitas.

Pelo contrário, ela nos ensina a importância de ouvir Sua voz enquanto temos oportunidade.

4. Quanto às supostas contradições e aos erros da Bíblia

A segunda parte da mensagem apresenta uma série de objeções frequentemente levantadas contra as Escrituras.

É importante distinguir três coisas: aquilo que o texto bíblico realmente afirma, aquilo que uma tradução apresenta e aquilo que determinado leitor interpreta.

Nem toda dificuldade de interpretação constitui uma contradição.

Da mesma forma, reconhecer que existem variantes entre manuscritos antigos não significa concluir que a mensagem bíblica seja uma invenção humana.

A Bíblia foi escrita ao longo de muitos séculos, por diferentes escritores, em contextos históricos e culturais distintos. Entretanto, apresenta uma unidade extraordinária em torno da revelação de Deus e de Seu propósito de redenção em Cristo.

Vejamos brevemente alguns exemplos mencionados.

As genealogias de Jesus em Mateus e Lucas:

Mateus 1 apresenta a genealogia de Cristo destacando Sua descendência real e Sua relação com Abraão e Davi. Lucas 3 apresenta uma genealogia que retrocede até Adão.

Existem diferentes explicações propostas para as diferenças entre essas genealogias, incluindo a possibilidade de apresentarem linhas genealógicas distintas e questões relacionadas à descendência legal e familiar.

Essas dificuldades merecem estudo, mas a existência de nomes diferentes não demonstra, por si só, que os relatos sejam falsos.

As diferenças numéricas entre Samuel e Crônicas:

É verdade que encontramos algumas diferenças numéricas entre determinados relatos paralelos do Antigo Testamento.

Algumas podem estar relacionadas à transmissão manuscrita, outras às diferentes maneiras de registrar os acontecimentos.

Reconhecer a possibilidade de um erro de copista não equivale a atribuir um erro à inspiração divina.

A inspiração diz respeito à Palavra comunicada por Deus; a transmissão manuscrita envolve o trabalho humano de preservação e reprodução dos textos.

A arqueologia e os acontecimentos bíblicos:

A ausência de determinada evidência arqueológica não constitui automaticamente uma prova de que um acontecimento nunca ocorreu.

A arqueologia trabalha com vestígios materiais que sobreviveram ao tempo, e esses vestígios são necessariamente incompletos.

Um exemplo interessante é Belsazar, mencionado em Daniel 5. Durante muito tempo, sua posição histórica foi questionada. Posteriormente, registros antigos contribuíram para esclarecer que ele exerceu autoridade na Babilônia durante a ausência de seu pai, Nabonido.

Isso demonstra a importância de não transformar as limitações do conhecimento histórico atual em conclusões definitivas contra o texto bíblico.

Quanto ao Êxodo e ao dilúvio, existem debates arqueológicos e históricos que não devem ser simplificados. A ausência de consenso sobre determinados vestígios não resolve, por si só, a questão da historicidade dos relatos.

O morcego, o coelho e a linguagem antiga:

Também precisamos compreender que a Bíblia não foi escrita utilizando os sistemas modernos de classificação científica.

Em Levítico 11, encontramos uma classificação prática de animais dentro do contexto alimentar e cerimonial de Israel.

Não seria correto exigir que um texto escrito na Antiguidade utilizasse a terminologia da zoologia moderna.

O mesmo acontece quando dizemos atualmente que o Sol nasceu ou se pôs. Estamos utilizando uma linguagem de observação, e não apresentando uma teoria científica sobre o movimento dos astros.

A palavra “virgem” em Isaías 7:14:

A palavra hebraica almah é objeto de discussão linguística, mas seu emprego não torna impossível a referência a uma jovem virgem.

Além disso, Mateus 1:22-23 apresenta expressamente o nascimento virginal do Senhor Jesus como cumprimento profético.

A interpretação cristã dessa passagem não depende simplesmente de uma escolha arbitrária feita por um tradutor moderno.

Quanto às diferenças entre edições e traduções, elas precisam ser examinadas individualmente, comparando os manuscritos, o contexto e as línguas originais.

A existência de dificuldades textuais não autoriza a conclusão de que toda a Escritura esteja comprometida.

5. A Bíblia foi escrita por homens falhos, mas sua origem é divina

Aqui encontramos uma distinção fundamental.

Os escritores bíblicos eram seres humanos. Moisés, Davi, Pedro e Paulo não eram homens perfeitos.

A própria Bíblia registra suas fraquezas, seus pecados e suas limitações.

Entretanto, a inspiração das Escrituras não depende da perfeição pessoal daqueles que foram utilizados para escrevê-las.

O apóstolo Pedro declarou:

“Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:21).

E Paulo escreveu:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça.” (2 Timóteo 3:16).

Portanto, a posição cristã não é que os escritores bíblicos fossem máquinas ou que Deus tivesse eliminado suas características pessoais.

Deus utilizou homens reais, com diferentes personalidades, estilos e vocabulários, conduzindo-os pelo Espírito Santo na comunicação de Sua Palavra.

É perfeitamente legítimo estudar os manuscritos, examinar questões históricas e procurar compreender passagens difíceis. A fé bíblica não exige que abandonemos a razão.

Contudo, também precisamos reconhecer que uma dificuldade ainda não resolvida não é necessariamente um erro demonstrado.

6. Só Deus é perfeito!

Concordo plenamente com a última afirmação da mensagem: só Deus é perfeito.

E é justamente aqui que encontramos a beleza do Evangelho.

Se a salvação dependesse de nossa perfeição pessoal, nenhum de nós poderia ser salvo.

Romanos 3:23 declara:

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.”

Mas a passagem continua apresentando a maravilhosa graça divina:

“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.” (Romanos 3:24).

O Senhor Jesus não veio ao mundo porque encontrou pessoas perfeitas. Ele veio precisamente porque somos pecadores e necessitamos de redenção.

“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” (Lucas 19:10).

Assim, gostaria de concluir voltando à mensagem inicial de Provérbios.

O propósito daquela advertência não é exigir que o homem nunca erre, mas mostrar que é perigoso desprezar continuamente a voz de Deus.

Não precisamos conhecer pessoalmente alguém que tenha chegado à condição descrita em Provérbios 1 para reconhecer a seriedade da advertência. A Palavra de Deus revela atitudes do coração que nem sempre conseguimos perceber exteriormente.

Nossa limitação humana deve conduzir-nos à humildade, não à rejeição da verdade.

Podemos passar a vida inteira aprendendo e chegar ao fim reconhecendo quanto ainda desconhecemos, como dizia sua avó. Essa é uma observação muito interessante.

Entretanto, existe algo que podemos conhecer com segurança: Deus nos ama, Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou, e todo aquele que nEle crê recebe a vida eterna (João 3:16; 1 Coríntios 15:3-4).

Não somos máquinas. Somos seres humanos, falhos e necessitados da graça divina.

E é exatamente para pessoas assim que o Evangelho foi anunciado.

Josué Matos

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No ministério terreno de Jesus, estava estabelecida uma aliança; depois da cruz, foi estabelecida uma Nova Aliança?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão, poderia me tirar uma dúvida? Corrija-me se eu estiver errado no raciocínio. No ministério terreno de Jesus, estava estabelecida uma aliança; depois da cruz, foi estabelecida uma Nova Aliança.

Se estiver correto isso, no ensinamento de Jesus antes da cruz, quando é mencionada aquela exceção em Mateus, não seria mais uma prova de que Ele estava se referindo à exigência da pureza em Israel, de acordo com a Lei, em Deuteronômio 22, entre outras passagens do Velho Testamento que exigiam a virgindade em Israel?

Pensando aqui: o registro em Mateus foi depois da cruz, mas as palavras, o ensinamento, foram ditas antes. O Evangelho de Mateus é dirigido aos judeus, o debate é entre judeus e, devido a tudo isso, não tem como se aplicar à Igreja...

Pelo menos é o que eu entendi...

Mateus 5:32: “Qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz que ela cometa adultério.”

Mateus 5:32: “Qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz que ela cometa adultério.”

O que eu entendi aqui é que, entre os judeus, se a mulher fosse pura, o casamento se consumava, estando ligados e ficando sujeitos ao adultério se houvesse outro casamento entre eles...

Para a Igreja, depois da cruz, o apóstolo Paulo só se dirige a solteiros e viúvas...

Depois, aos casados, é o próprio Deus que se manifesta, ordenando: reconcilie-se ou fique só...

Então, compreendi que nada se sobrepõe à ordem: o que Deus ajuntou, o homem não separa. O homem não tem competência para isso, exceto a morte...

Agora, se dissermos que Mateus 5:32 e 19:9 servem para a Igreja, então poderíamos dizer que o apóstolo Paulo se esqueceu de dizer aos solteiros, viúvas e divorciados? Não tem como, né, irmão?

Se estiver correto isso, no ensinamento de Jesus antes da cruz, quando é mencionada aquela exceção em Mateus, não seria mais uma prova de que Ele estava se referindo à exigência da pureza em Israel, de acordo com a Lei, em Deuteronômio 22, entre outras passagens do Velho Testamento que exigiam a virgindade em Israel?

Gálatas 4:4-5 — Cristo nasceu sob a Lei para resgatar os que estavam debaixo dela.

  1. A Nova Aliança foi estabelecida pelo sangue de Cristo.

Hebreus 9:16-17 — O texto relaciona a validade do testamento à morte do testador.

O começo do Novo Testamento como parte da Bíblia e o início da Nova Aliança em vigor não têm distinção?

Minha Resposta:

A sua observação é muito pertinente, especialmente porque procura compreender as Escrituras respeitando as diferentes dispensações e distinguindo o ministério terreno do Senhor Jesus da revelação posteriormente entregue aos apóstolos para a Igreja.

De maneira geral, concordo com a linha principal do seu raciocínio, embora seja necessário esclarecer alguns pontos para não chegarmos à conclusão de que todos os ensinamentos pronunciados pelo Senhor Jesus antes da cruz sejam exclusivamente judaicos e, portanto, sem aplicação para os cristãos.

Vamos considerar a questão por partes.

1. O Novo Testamento como divisão da Bíblia e a Nova Aliança não começaram no mesmo momento

Sim, existe uma distinção importante.

Quando abrimos a Bíblia no Evangelho de Mateus, estamos entrando na parte das Escrituras que convencionalmente chamamos de Novo Testamento. Entretanto, historicamente, os acontecimentos narrados no início dos Evangelhos ainda ocorreram durante a dispensação da Lei.

Gálatas 4:4-5 declara:

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.”

Portanto, o Senhor Jesus nasceu, viveu e desenvolveu Seu ministério terreno entre pessoas que estavam debaixo da Lei de Moisés.

A Nova Aliança, por sua vez, foi anunciada antecipadamente em Jeremias 31:31-34 e teve seu fundamento estabelecido pelo sangue derramado de Cristo.

Na última ceia, o Senhor declarou:

“Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22:20).

Hebreus 9:15-17 também relaciona a morte de Cristo à eficácia dessa nova disposição divina.

Assim, precisamos distinguir três coisas:

  • O Novo Testamento como divisão literária da Bíblia, que começa com Mateus.
  • O período histórico do ministério terreno de Cristo, quando Israel ainda estava debaixo da Lei.
  • A Nova Aliança, cujo fundamento é o sangue de Cristo derramado na cruz.

É importante acrescentar que a Nova Aliança foi originalmente prometida à casa de Israel e à casa de Judá (Jeremias 31:31). A Igreja, embora distinta de Israel, participa atualmente das bênçãos espirituais fundamentadas no sangue de Cristo (1 Coríntios 11:25; 2 Coríntios 3:6).

Portanto, a distinção que você percebeu é correta.

2. O contexto judaico da exceção mencionada em Mateus

Aqui chegamos ao ponto principal da sua pergunta.

Em Mateus 5:32 e 19:9 encontramos uma expressão que não aparece da mesma maneira nos relatos paralelos de Marcos e Lucas: a exceção relacionada à fornicação, ou prostituição, conforme a tradução bíblica utilizada.

Isso merece atenção.

Mateus apresenta particularmente o Senhor Jesus como o Messias prometido a Israel. Seu Evangelho contém numerosas referências aos costumes judaicos, às profecias do Antigo Testamento e às questões relacionadas à Lei de Moisés.

Em Mateus 19:3, por exemplo, os fariseus perguntaram ao Senhor se era lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo.

O debate estava diretamente relacionado à interpretação judaica de Deuteronômio 24:1-4.

Entretanto, o Senhor Jesus não começou Sua resposta pela legislação mosaica. Ele voltou ao princípio da criação:

“Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mateus 19:6).

Isso é muito significativo.

Antes da existência de Israel, antes de Moisés e antes da instituição da Lei, Deus já havia estabelecido o casamento como uma união entre um homem e uma mulher (Gênesis 2:24).

Consequentemente, o casamento não é uma instituição exclusivamente judaica, nem uma ordenança que tenha surgido com a Nova Aliança. É uma instituição divina estabelecida na criação.

Quanto à exceção encontrada em Mateus, existe uma interpretação que a relaciona ao contexto matrimonial judaico, especialmente à situação dos desposados.

Entre os judeus, o compromisso matrimonial possuía um caráter jurídico muito mais forte do que o noivado normalmente possui em nossa sociedade. Os desposados já eram considerados marido e mulher, embora ainda não tivessem consumado o casamento.

Um exemplo bastante esclarecedor encontra-se em Mateus 1:18-19.

Maria estava desposada com José e, antes de se ajuntarem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, desconhecendo inicialmente a origem daquela gravidez, pensou em deixá-la secretamente.

Observe que José é chamado de marido de Maria, embora ainda não tivessem passado a viver maritalmente.

Esse contexto ajuda a compreender por que a questão da fornicação poderia ter uma importância particular no ambiente matrimonial judaico.

Deuteronômio 22:13-21 também demonstra a seriedade atribuída à pureza sexual no contexto do casamento israelita.

Contudo, precisamos fazer uma ressalva: não seria correto afirmar que a palavra grega utilizada em Mateus, porneia, significa exclusivamente a ausência de virgindade antes do casamento. Seu significado é mais amplo e envolve imoralidade sexual.

Portanto, a interpretação da exceção como relacionada ao contexto judaico dos desposados é uma explicação possível e coerente com essa linha de entendimento, mas não devemos apresentá-la como se o significado da palavra, isoladamente, resolvesse toda a discussão.

3. Por que Marcos e Lucas não apresentam a mesma exceção?

Essa observação fortalece a necessidade de examinarmos cuidadosamente os diferentes contextos dos Evangelhos.

Marcos 10:11-12 registra:

“Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra adultera contra ela. E, se a mulher deixar a seu marido e casar com outro, adultera.”

Lucas 16:18 declara:

“Qualquer que deixa sua mulher e casa com outra adultera; e aquele que casa com a repudiada pelo marido adultera também.”

Observe que, nessas passagens, não encontramos a cláusula de exceção registrada por Mateus.

Isso não significa que os Evangelhos estejam em contradição. Cada escritor, inspirado pelo Espírito Santo, apresenta os ensinamentos do Senhor segundo o propósito particular do seu relato.

É significativo que Marcos mencione também a mulher que deixa o marido, uma situação especialmente compreensível no ambiente jurídico romano.

Mateus, por sua vez, registra a discussão em seu contexto judaico.

Entendo, portanto, que devemos considerar seriamente a particularidade da exceção apresentada em Mateus, sem transformá-la automaticamente numa autorização geral para o divórcio seguido de um novo casamento entre cristãos.

4. O ensino específico para a Igreja em 1 Coríntios 7

Aqui encontramos uma das passagens mais importantes para esclarecer sua pergunta.

O apóstolo Paulo, escrevendo a uma igreja local, trata diretamente das questões matrimoniais.

Em 1 Coríntios 7:10-11, lemos:

“Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.”

Observe três aspectos fundamentais.

Primeiro, Paulo afirma expressamente que essa determinação procede do Senhor. Quando diz “não eu, mas o Senhor”, está fazendo referência à autoridade do ensinamento de Cristo.

Segundo, ele reconhece que uma separação pode ocorrer. Entretanto, não transforma essa separação numa dissolução automática do vínculo matrimonial.

Terceiro, apresenta duas possibilidades para quem se separou: permanecer sem casar ou reconciliar-se com o cônjuge.

Não encontramos aqui uma terceira possibilidade autorizando o casamento com outra pessoa enquanto o primeiro cônjuge permanece vivo.

Isso é particularmente significativo porque Paulo estava escrevendo a uma igreja situada num ambiente gentílico, muito diferente dos costumes matrimoniais judaicos.

Também precisamos observar que, em 1 Coríntios 7:12, quando Paulo diz “digo eu, não o Senhor”, não está oferecendo uma opinião humana sem autoridade divina. Ele está tratando, sob inspiração do Espírito Santo, de uma situação que não havia sido abordada diretamente nos ensinamentos terrenos de Cristo: o casamento entre uma pessoa convertida e outra que permanece incrédula.

Assim, não existe oposição entre Cristo e Paulo, mas uma revelação harmoniosa e progressiva da vontade de Deus.

5. Paulo se esqueceu de mencionar os divorciados?

Não. E considero esse um dos pontos mais importantes da sua observação.

Em 1 Coríntios 7, Paulo apresenta orientações para diferentes situações matrimoniais:

  • Aos solteiros e às viúvas, nos versículos 8 e 9.
  • Aos casados, nos versículos 10 e 11.
  • Aos que possuem cônjuges incrédulos, nos versículos 12 a 16.
  • Às virgens, a partir do versículo 25.
  • Às viúvas, novamente, no versículo 39.

Entretanto, ao tratar especificamente dos casados que se separam, sua orientação é permanecer sem casar ou buscar a reconciliação.

Isso não pode ser considerado um esquecimento.

Em 1 Coríntios 14:37, o próprio apóstolo afirma que aquilo que escreve constitui mandamento do Senhor.

Além disso, encontramos duas declarações particularmente esclarecedoras.

Romanos 7:2:

“Porque a mulher que está sujeita ao marido, enquanto ele viver, está-lhe ligada pela lei; mas, morto o marido, está livre da lei do marido.”

E 1 Coríntios 7:39:

“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor.”

Observe que Paulo não apresenta o divórcio como o acontecimento que liberta uma pessoa para contrair outro casamento. Ele menciona expressamente a morte.

Portanto, entendo que a orientação apostólica para a Igreja confirma a permanência do vínculo matrimonial enquanto ambos os cônjuges vivem.

6. Mas o ensino de Mateus não se aplica à Igreja?

Aqui faria apenas um ajuste na maneira de expressar sua conclusão.

Não devemos afirmar simplesmente que Mateus 5:32 e 19:9 não servem para a Igreja, pois isso poderia transmitir a ideia de que os ensinamentos do Senhor Jesus registrados nos Evangelhos perderam sua autoridade para os cristãos.

O próprio Paulo, em 1 Coríntios 7:10, recorre àquilo que o Senhor havia ordenado.

A distinção necessária é outra: nem todas as instruções pronunciadas durante o ministério terreno de Cristo foram dirigidas diretamente à Igreja, que ainda seria formada, mas isso não significa que seus ensinamentos não contenham princípios permanentes para ela.

Por exemplo, em Mateus 10:5-6, o Senhor ordenou aos doze que não fossem aos gentios, mas às ovelhas perdidas da casa de Israel. Posteriormente, em Mateus 28:19, encontramos a ordem de fazer discípulos de todas as nações.

Não existe contradição. Existe uma distinção dispensacional que precisa ser respeitada.

Da mesma maneira, devemos considerar o contexto judaico da cláusula de exceção em Mateus, sem descartar o princípio universal estabelecido pelo próprio Senhor acerca do casamento.

A posição que considero mais coerente com o conjunto das Escrituras é que a exceção de Mateus não deve ser utilizada para estabelecer uma autorização geral de novo casamento para pessoas divorciadas enquanto o primeiro cônjuge permanece vivo.

A interpretação que relaciona essa exceção à situação particular dos desposados judeus oferece uma explicação para sua presença em Mateus e sua ausência em Marcos e Lucas.

Reconheço, entretanto, que existem diferentes interpretações dessa passagem. A questão não deve ser resolvida simplesmente pela ausência da exceção nos demais Evangelhos, mas pelo exame harmonioso de toda a revelação bíblica.

7. O princípio que permanece: o que Deus ajuntou não separe o homem

Acredito que sua conclusão principal está correta.

A autoridade para estabelecer o casamento pertence a Deus. A legislação humana pode reconhecer juridicamente um divórcio, mas não possui autoridade para modificar, por si mesma, aquilo que Deus estabeleceu como princípio matrimonial.

É importante observar que o Senhor Jesus não disse apenas que Moisés havia estabelecido determinadas regras para Israel. Ele afirmou:

“Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez?” (Mateus 19:4).

E acrescentou:

“Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mateus 19:6).

O Senhor estava restaurando a atenção dos Seus ouvintes para a vontade original de Deus, anterior à própria Lei de Moisés.

Esse mesmo princípio aparece posteriormente em Efésios 5:31-32, quando Paulo utiliza a união matrimonial como figura da relação entre Cristo e a Igreja.

Portanto, o casamento possui uma dignidade que ultrapassa os costumes sociais, as legislações nacionais e as diferentes dispensações.

Isso não significa que uma pessoa deva permanecer exposta à violência, ao abuso ou a situações que coloquem sua integridade em perigo. A proteção da vida e a segurança pessoal precisam ser consideradas. Contudo, a necessidade de afastamento por razões graves não deve ser confundida automaticamente com liberdade bíblica para estabelecer outro casamento.

Conclusão

Respondendo objetivamente à sua última pergunta: sim, o começo do Novo Testamento como divisão da Bíblia e o estabelecimento da Nova Aliança são acontecimentos distintos.

O Senhor Jesus desenvolveu Seu ministério terreno sob a Lei, anunciou a Nova Aliança e estabeleceu seu fundamento mediante Sua morte na cruz.

Quanto à questão matrimonial, considero importante conservar estas distinções:

  1. A exceção registrada em Mateus precisa ser examinada à luz do contexto judaico no qual foi pronunciada.
  2. O princípio da permanência do casamento não começou com Moisés, mas com Deus, no jardim do Éden.
  3. A revelação apostólica dirigida à Igreja apresenta a reconciliação ou a permanência sem novo casamento como orientação para os cônjuges separados.
  4. A morte de um dos cônjuges é expressamente apresentada como o acontecimento que liberta o sobrevivente para um novo casamento (Romanos 7:2-3; 1 Coríntios 7:39).

Assim, não entendo que Paulo tenha esquecido de mencionar uma autorização para os divorciados. Pelo contrário, suas instruções são suficientemente claras quanto ao princípio que devemos observar.

A questão fundamental não é procurar até onde podemos ir para desfazer uma união matrimonial, mas compreender até onde vai a autoridade daquilo que Deus estabeleceu.

E, nesse sentido, as palavras do Senhor Jesus continuam sendo a referência fundamental:

“Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mateus 19:6).

Que Deus nos conceda sabedoria para interpretar Sua Palavra com fidelidade, respeitando tanto as distinções dispensacionais quanto a harmonia de toda a revelação divina.

Josué Matos

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Besta: líder do sistema católico? Anticristo: líder do sistema protestante? E o falso profeta, de qual linhagem será: Roma ou Israel?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Graça, irmão Josué!

Tenho uma pergunta:

  • Besta: líder do sistema católico?
  • Anticristo: líder do sistema protestante?
  • E o falso profeta, de qual linhagem será: Roma ou Israel?

Minha Resposta:

Sua pergunta envolve três personagens importantes das profecias bíblicas. Entretanto, precisamos esclarecer algumas questões, pois existe certa confusão quando se procura identificar a Besta, o Anticristo e o Falso Profeta como se fossem três personagens distintos, cada um representando uma determinada organização religiosa.

Na interpretação profética que considero mais coerente com o conjunto das Escrituras, o Anticristo e o Falso Profeta são a mesma pessoa, enquanto a Besta que sobe do mar, mencionada em Apocalipse 13, é outro personagem.

Vamos considerar o que a Bíblia realmente revela.

1. A primeira Besta: o líder político do futuro Império Romano

Em Apocalipse 13:1-10, João contempla uma besta subindo do mar, com sete cabeças e dez chifres.

Essa primeira Besta representa o último grande governante gentílico, que exercerá autoridade sobre o futuro Império Romano restaurado.

Sua relação com Roma é estabelecida especialmente pela comparação entre Apocalipse 13 e Daniel 7:7-8, 23-25.

Daniel apresenta quatro grandes impérios gentílicos, sendo o quarto identificado historicamente com Roma. Sua manifestação final será caracterizada por uma confederação de dez reis, entre os quais surgirá um governante que alcançará extraordinário poder.

Apocalipse 17:12-13 confirma que os dez chifres representam dez reis que entregarão sua autoridade à Besta.

Portanto, a primeira Besta será essencialmente um governante político, embora também reivindique adoração e exerça influência religiosa.

Não encontramos fundamento bíblico suficiente para afirmar que ela será simplesmente o líder da Igreja Católica. Sua ligação profética é com o poder imperial romano, e não necessariamente com a ocupação de um cargo eclesiástico.

2. A segunda Besta: o Anticristo e Falso Profeta

Em Apocalipse 13:11, João apresenta outro personagem:

"E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão."

Observe que essa segunda Besta apresenta uma aparência semelhante à de um cordeiro, mas sua voz revela sua verdadeira natureza satânica.

Ela procura imitar Cristo, mas conduz os homens à adoração da primeira Besta.

Posteriormente, esse mesmo personagem é identificado como o Falso Profeta (Apocalipse 19:20).

Na interpretação que distingue o governante romano do líder religioso que atuará em Israel, essa segunda Besta corresponde ao Anticristo, também relacionado ao homem do pecado apresentado em Segunda Tessalonicenses 2:3-4.

Ele exercerá uma função essencialmente religiosa, promovendo a apostasia e procurando ocupar o lugar que pertence exclusivamente a Deus.

3. O Falso Profeta será de Roma ou de Israel?

Considero mais provável que esteja relacionado a Israel.

Existem algumas razões bíblicas para essa compreensão.

Primeiramente, enquanto a primeira Besta sobe do mar, a segunda sobe da terra (Apocalipse 13:1,11). Alguns intérpretes compreendem o mar como uma representação das nações gentílicas, conforme Apocalipse 17:15, enquanto a terra, nesse contexto profético, estaria relacionada à terra de Israel.

Entretanto, devemos reconhecer que essa identificação da terra não é explicitamente definida no próprio texto.

Outro aspecto importante é que o Senhor Jesus declarou aos judeus:

"Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis." (João 5:43).

Essa declaração é frequentemente relacionada à futura recepção do Anticristo por parte da nação judaica.

Além disso, em Segunda Tessalonicenses 2:4, encontramos o homem do pecado procurando estabelecer-se no templo de Deus, apresentando-se como se fosse o próprio Deus.

Daniel 9:27 também descreve uma aliança futura, seguida pela interrupção dos sacrifícios e pela manifestação da abominação desoladora.

Esses acontecimentos possuem uma ligação muito particular com Israel e Jerusalém.

Assim, dentro dessa compreensão profética, o Anticristo será um falso messias, associado à apostasia de Israel, e atuará em cooperação com o governante gentílico representado pela primeira Besta.

Contudo, a Bíblia não declara expressamente sua genealogia ou nacionalidade. Por isso, não devemos transformar uma conclusão interpretativa em uma afirmação absoluta das Escrituras.

4. E quanto ao sistema católico e protestante?

Aqui precisamos fazer outra distinção importante.

Apocalipse 17 apresenta uma mulher identificada como Babilônia, a Grande, assentada sobre uma besta escarlate.

Essa mulher representa um sistema religioso corrupto, associado ao poder político e caracterizado pela infidelidade espiritual.

Sua relação com a cidade dos sete montes (Apocalipse 17:9,18) estabelece uma importante ligação com Roma.

Entendo que esse sistema religioso futuro poderá reunir diferentes expressões do cristianismo meramente nominal e apóstata, incluindo elementos provenientes tanto do catolicismo quanto do protestantismo liberal e de outras manifestações religiosas.

Entretanto, não seria correto afirmar que todos os católicos ou protestantes individualmente pertençam necessariamente a esse sistema futuro.

Também precisamos distinguir a mulher de Apocalipse 17 da primeira Besta de Apocalipse 13. Elas estão associadas, mas não são a mesma coisa.

Aliás, Apocalipse 17:16 revela que a própria Besta e os dez reis acabarão destruindo a mulher, demonstrando que o poder político e o sistema religioso não permanecerão unidos até o fim.

Conclusão

Resumindo, a compreensão profética apresentada é esta:

  1. Primeira Besta: o futuro governante gentílico, relacionado ao Império Romano restaurado (Apocalipse 13:1-10).
  2. Anticristo ou Falso Profeta: a segunda Besta, um líder religioso que enganará os homens, promoverá a adoração da primeira Besta e estará particularmente relacionado a Israel (Apocalipse 13:11-18; 19:20).
  3. Babilônia, a Grande: o sistema religioso apóstata apresentado em Apocalipse 17, que inicialmente exercerá influência sobre o poder político, mas posteriormente será destruído por ele.

Portanto, não considero biblicamente correto estabelecer a divisão de que a Besta será o líder católico, o Anticristo será o líder protestante e o Falso Profeta será um terceiro personagem.

A profecia apresenta dois grandes instrumentos humanos de Satanás: um governante político e um líder religioso, ambos atuando sob o poder do dragão (Apocalipse 13:2,11-12).

Finalmente, é importante lembrar que esses acontecimentos pertencem ao cenário profético que se desenvolverá após o arrebatamento da Igreja, conforme a compreensão pré-tribulacional. A esperança da Igreja não é aguardar a manifestação do Anticristo, mas a vinda do Senhor Jesus Cristo para buscar os Seus (Primeira Tessalonicenses 4:16-17; Tito 2:13).

Josué Matos

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