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Qual sua opinião sobre cursos de teologia?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Qual sua opinião sobre cursos de teologia?

Minha Resposta:

Minha opinião precisa partir, antes de tudo, daquilo que encontramos na Palavra de Deus. Não tenho nada contra estudar profundamente a Bíblia; muito pelo contrário. Creio que todo cristão deveria ser estimulado a conhecer cada vez mais as Escrituras. A questão é distinguir entre estudar profundamente a Palavra de Deus e adotar como modelo de formação espiritual um sistema que não encontramos estabelecido no Novo Testamento.

Quando observamos a igreja no Novo Testamento, não encontramos o modelo de um seminário teológico para formar uma classe especial de cristãos, separando alguns para receberem uma formação bíblica que os demais não recebem. O padrão que encontramos é o ensino da Palavra de Deus dentro da igreja local, beneficiando todo o povo de Deus.

Em Atos dos Apóstolos 2:42, os primeiros cristãos “perseveravam na doutrina dos apóstolos”. Mais tarde, quando Paulo permaneceu em Corinto, ele ficou ali “ensinando entre eles a palavra de Deus” (Atos dos Apóstolos 18:11). Em Antioquia, Barnabé e Saulo passaram um ano inteiro reunidos com a igreja e “ensinaram muita gente” (Atos dos Apóstolos 11:26). O ensino estava ligado à vida da igreja.

Efésios 4:11-16 também mostra que Deus concedeu à Igreja homens capacitados para ensinar, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos e a edificação do Corpo de Cristo. O objetivo não é criar uma classe superior de cristãos, mas levar os santos à maturidade.

Primeira Epístola aos Coríntios 12 é igualmente importante. Os dons são distribuídos pelo Espírito Santo e exercidos para benefício de todos. A capacidade espiritual e a liderança não são produzidas simplesmente pela frequência a uma faculdade ou seminário; elas se desenvolvem sob a ação de Deus, mediante a Palavra, o exercício do dom e a experiência prática no meio do povo de Deus.

Isso não significa que todos os cristãos terão o mesmo conhecimento, o mesmo dom ou a mesma capacidade. Evidentemente, alguns se dedicarão muito mais ao estudo e alguns serão capacitados por Deus para ensinar. Romanos 12:7 menciona especificamente aquele que possui o dom de ensino: “se é ensinar, haja dedicação ao ensino”. Mas uma coisa é reconhecer diferentes dons e capacidades; outra é estabelecer uma classe espiritual diferenciada mediante formação acadêmica.

Também devemos distinguir conhecimento acadêmico de conhecimento espiritual. Uma pessoa pode estudar hebraico, grego, história, arqueologia, filosofia, hermenêutica e teologia sistemática e, apesar disso, não possuir discernimento espiritual. Primeira Epístola aos Coríntios 2:14-15 estabelece um princípio fundamental: as coisas do Espírito de Deus são discernidas espiritualmente.

É por isso que o verdadeiro conhecimento da Palavra não pode ser separado da atuação do Espírito Santo. O próprio Senhor Jesus prometeu acerca do Espírito Santo: “esse vos ensinará todas as coisas” (João 14:26). Isso não significa que o cristão não precise estudar. Pelo contrário. Significa que estudo e dependência do Espírito precisam caminhar juntos.

Paulo escreveu a Timóteo:

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (Segunda Epístola a Timóteo 2:15).

Veja que há esforço envolvido. Conhecer profundamente a Bíblia exige trabalho.

Existe uma diferença muito grande entre ler a Bíblia e estudar a Bíblia.

Uma pessoa pode ler vários capítulos diariamente durante muitos anos e ainda possuir um conhecimento bastante limitado das Escrituras. A leitura é importante, inclusive a leitura devocional, mas aquele que deseja aprofundar-se precisa aprender a estudar com propósito.

Precisa comparar Escritura com Escritura, observar o contexto, perguntar quem está falando, para quem está falando, em que circunstâncias, perceber as diferenças entre Israel e a Igreja, estudar doutrinas, acompanhar temas através de diferentes livros, observar palavras importantes e procurar compreender cada passagem dentro do conjunto da revelação bíblica.

Por isso, sou favorável a que o cristão utilize boas ferramentas. Dicionários bíblicos, concordâncias, léxicos, comentários, mapas, livros de história bíblica e outros recursos podem ser muito úteis. O problema começa quando essas ferramentas ocupam o lugar da própria Escritura ou quando a autoridade de um professor, instituição ou sistema teológico passa a determinar aquilo que devemos encontrar na Bíblia.

Nenhum comentário é inspirado. Nenhum professor é infalível. Nenhuma escola teológica possui toda a verdade.

A Palavra de Deus permanece sendo a autoridade.

É interessante observar também que alguns homens que exerceram enorme influência na exposição bíblica não foram produtos de seminários teológicos. Homens como John Nelson Darby, William Kelly e C. H. Mackintosh desenvolveram grande conhecimento das Escrituras por meio de estudo intenso e pessoal. Isso não significa que devamos aceitar tudo o que qualquer um deles escreveu. Significa simplesmente que conhecimento bíblico profundo não depende necessariamente de uma formação institucional.

Aliás, esse princípio não se limita aos homens. As irmãs também devem conhecer profundamente as Escrituras.

Um belo exemplo disso aparece em Atos dos Apóstolos 18.

Apolo era um homem eloquente e “poderoso nas Escrituras” (Atos dos Apóstolos 18:24). Entretanto, seu conhecimento ainda era incompleto. Ele conhecia somente o batismo de João. Quando Áquila e Priscila o ouviram, perceberam essa deficiência.

Então lemos:

“E, ouvindo-o Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus” (Atos dos Apóstolos 18:26).

É uma passagem muito instrutiva.

Priscila não aparece assumindo publicamente o lugar de mestre na igreja. Contudo, seria igualmente errado concluir que ela era uma mulher sem conhecimento bíblico. Pelo contrário, o próprio fato de estar envolvida nessa situação mostra que possuía discernimento suficiente para perceber que havia uma deficiência naquilo que Apolo estava ensinando.

Áquila e Priscila receberam aquele homem em particular e o ajudaram. Priscila permaneceu dentro da posição que Deus estabeleceu para a mulher, mas isso não a impediu de conhecer profundamente as coisas de Deus e de participar, juntamente com seu marido, daquele auxílio particular.

Portanto, uma irmã pode e deve estudar profundamente a Bíblia. Não existe na Escritura nenhuma ideia de que profundidade doutrinária seja exclusividade masculina. Existem diferenças estabelecidas por Deus quanto ao exercício público do ministério na igreja, mas não existe qualquer proibição quanto à mulher crescer profundamente no conhecimento das Escrituras.

Outro exemplo é Timóteo. Paulo lhe disse:

“E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas Escrituras” (Segunda Epístola a Timóteo 3:15).

De onde veio inicialmente esse conhecimento?

Paulo já havia mencionado “a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice” (Segunda Epístola a Timóteo 1:5).

Portanto, encontramos mulheres exercendo uma influência espiritual importantíssima na formação de Timóteo.

Quanto a fazer propriamente um curso de teologia, eu não diria que adquirir conhecimento por meio de um curso seja, em si mesmo, pecado. Alguém pode aproveitar determinadas matérias, aprender história, línguas bíblicas, geografia, contexto cultural e outras informações úteis. Entretanto, eu faria uma distinção entre aproveitar ferramentas acadêmicas e aceitar o sistema de formação ministerial do seminário como se fosse o modelo bíblico para preparar servos de Deus.

Esse modelo não encontro no Novo Testamento.

O padrão bíblico que vejo é a igreja local ensinando os santos, homens espiritualmente capacitados ensinando a Palavra, os mais experientes ajudando os mais novos e cada cristão assumindo pessoalmente a responsabilidade de estudar as Escrituras.

Paulo disse a Timóteo:

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (Segunda Epístola a Timóteo 2:2).

Observe a sequência: Paulo → Timóteo → homens fiéis → outros.

Não aparece uma instituição produzindo uma categoria profissional de ministros. Vemos verdade espiritual sendo transmitida a homens fiéis que, por sua vez, seriam capazes de ensinar outros.

Também devemos ter cuidado com a ideia de que um diploma teológico qualifica alguém automaticamente para ser pastor, ancião, mestre ou pregador. No Novo Testamento, as qualificações espirituais não são acadêmicas.

Quando lemos Primeira Epístola a Timóteo 3 e Tito 1, encontramos caráter, maturidade, vida familiar, domínio próprio, hospitalidade, fidelidade à Palavra e capacidade para ensinar. Não encontramos qualquer requisito acadêmico.

Por isso, se um irmão me perguntasse: “Preciso fazer seminário para conhecer profundamente a Bíblia?”, minha resposta seria: não.

Se perguntasse: “Preciso fazer seminário para que Deus possa me usar?”, também responderia: não.

E se perguntasse: “Então não preciso estudar?”, responderia exatamente o contrário: precisa estudar muito.

Talvez mais do que imagina.

Leia a Bíblia inteira repetidamente. Depois estude livros individualmente. Estude capítulos. Estude doutrinas. Compare passagens. Faça anotações. Utilize uma boa concordância. Consulte o significado de palavras. Quando for possível, examine termos gregos e hebraicos com ferramentas responsáveis. Leia bons comentários, mas confira tudo nas Escrituras. Ouça, irmãos, que conhecem a Palavra. Faça perguntas. Aprenda com aqueles que Deus colocou na igreja. E, acima de tudo, faça tudo isso em oração e dependência do Espírito Santo.

O grande perigo é trocar a formação espiritual pela formação meramente intelectual.

A Bíblia não foi dada apenas para informar nossa mente, mas para formar nossa vida.

Esdras apresenta um princípio muito bonito:

“Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos” (Esdras 7:10).

Observe a ordem:

buscar;

cumprir;

ensinar.

Primeiro ele procurou conhecer. Depois procurou viver. Finalmente estava em condições de ensinar.

Esse continua sendo um excelente padrão para qualquer pessoa que deseja conhecer profundamente a Palavra de Deus.

Portanto, não sou contrário ao estudo; sou inteiramente favorável ao estudo bíblico sério e profundo. Minha reserva é quanto a transformar o seminário teológico no método bíblico de formação de servos de Deus ou imaginar que um diploma confere autoridade espiritual.

A melhor “escola” do cristão continua sendo a Palavra de Deus, estudada diligentemente, no contexto da comunhão e ensino da igreja local, com auxílio de irmãos espirituais, utilizando bons recursos quando necessários e, acima de tudo, na dependência do Espírito Santo.

Josué Matos
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Os "irmãos exclusivistas" não afirmam que a fé dos pais seja suficiente para garantir a salvação dos filhos?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Irmão, permita-me fazer uma observação sobre o que disse em seu vídeo. Os irmãos exclusivistas não afirmam que a fé dos pais seja suficiente para garantir a salvação dos filhos, mas que os filhos, ao serem batizados, são tirados do paganismo e inseridos no cristianismo, mas não que sejam salvos. Falo isso porque estive em comunhão com os irmãos exclusivistas e conversávamos muito sobre esse assunto. Paz seja contigo.

Minha Resposta:

Meu irmão, agradeço sinceramente pela sua observação e pelo esclarecimento. Considero importante fazer essa distinção, especialmente porque você esteve em comunhão com os chamados irmãos exclusivistas e conhece de perto aquilo que eles ensinam sobre esse assunto.

Portanto, aceito a correção quanto à maneira como apresentei essa posição no vídeo. Se dei a entender que eles ensinam diretamente que a fé dos pais é suficiente para garantir a salvação dos filhos, então essa afirmação precisa ser corrigida.

Entretanto, feita essa correção, permanece uma questão doutrinária ainda mais profunda: qual é, biblicamente, o significado de batizar uma criança que ainda não creu pessoalmente no Senhor Jesus Cristo?

Segundo aquilo que você explicou, eles não afirmam que a criança seja salva pelo batismo. O argumento seria que, pelo batismo, ela é retirada da esfera do paganismo e colocada exteriormente na esfera do cristianismo ou da cristandade.

É exatamente aqui que precisamos examinar a questão com mais cuidado, porque podemos mudar as palavras sem resolver o problema bíblico.

  1. Se o batismo não salva, o que ele mudou espiritualmente na criança?

Creio que uma pergunta ajuda a levar esse ensino às suas consequências.

Suponhamos que uma criança seja batizada quando pequena, com base na fé de seus pais. Os anos passam, ela cresce, chega à idade em que pode compreender o Evangelho, arrepender-se e exercer pessoalmente fé no Senhor Jesus Cristo. Contudo, ela nunca o faz. Permanece sem conversão, sem novo nascimento e sem fé pessoal em Cristo e, nessa condição, parte para a eternidade.

Qual foi, então, o efeito daquele batismo sobre seu estado espiritual e sobre seu destino eterno?

Essa é a questão que considero decisiva.

Ela foi salva porque havia sido batizada?

Pelo esclarecimento apresentado, a resposta necessariamente deverá ser não, porque os próprios irmãos não atribuem ao batismo o poder de salvar.

Ela recebeu vida eterna por aquele batismo?

Não.

Foi justificada por aquele batismo?

Não.

Nasceu de novo por aquele batismo?

Não.

Foi reconciliada com Deus por aquele batismo?

Não.

Então, se chegou à idade de responsabilidade pessoal, ouviu ou teve condições de compreender o Evangelho, mas nunca creu pessoalmente em Cristo, que diferença aquele batismo realizado na infância produziu quanto à sua relação eterna com Deus?

Se não produziu diferença alguma, precisamos perguntar qual fundamento bíblico existe para afirmar que ele a retirou do paganismo e a colocou no cristianismo.

E, se alguém disser que aquele batismo produziu alguma diferença espiritual quanto ao seu destino eterno, então será necessário demonstrar nas Escrituras qual foi essa diferença. Nesse caso, já se estaria atribuindo ao batismo alguma eficácia espiritual sobre uma pessoa que jamais creu pessoalmente no Senhor Jesus.

Esse é precisamente o problema.

  1. Isso é diferente da questão das crianças que morrem na primeira infância

Faço aqui uma distinção importante para que ninguém interprete erroneamente o argumento.

Não estou falando de uma criança que morre ainda pequena, sem ter chegado à capacidade de compreender o Evangelho e exercer pessoalmente a fé. Essa é outra questão.

Há boas razões bíblicas para entendermos que uma criança que parte deste mundo nessa condição está segura nas mãos de Deus. Quando o filho pequeno de Davi morreu, ele declarou:

“Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim” (Segundo Livro de Samuel 12:23).

Portanto, minha argumentação aqui não pretende afirmar que uma criança que morre antes de possuir capacidade de exercer fé pessoal esteja condenada por não ter crido.

A situação que estou propondo é diferente.

Uma criança foi batizada porque seus pais eram cristãos. Cresceu. Chegou à idade em que podia responder pessoalmente ao Evangelho. Entretanto, nunca se arrependeu nem creu pessoalmente no Senhor Jesus. Morreu nessa condição.

Nesse caso, não podemos recorrer à sua incapacidade infantil, porque ela já havia chegado à idade em que podia responder à mensagem do Evangelho.

A pergunta permanece: o batismo que recebeu na infância alterou seu destino eterno?

Se não alterou, então precisamos reconhecer que aquele batismo não lhe conferiu vida espiritual.

Se alterou, então precisamos perguntar onde a Escritura atribui ao batismo infantil semelhante eficácia.

  1. “Introduzida na cristandade”, mas em que sentido?

Também precisamos definir cuidadosamente o significado dessa expressão.

Se significa simplesmente que a criança nasceu numa família cristã, é criada por pais cristãos, ouve a Bíblia, aprende sobre Cristo, frequenta reuniões cristãs e recebe influência do Evangelho, ela não precisa ser batizada para desfrutar desses privilégios.

Ela já os possui por ter nascido naquele lar.

Timóteo é um excelente exemplo:

“E que, desde a tua meninice, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (Segunda Epístola a Timóteo 3:15).

Timóteo possuía desde a infância um enorme privilégio espiritual. Tinha uma avó temente a Deus e uma mãe temente a Deus (Segunda Epístola a Timóteo 1:5). Desde pequeno conhecia as Sagradas Escrituras.

Contudo, Paulo faz uma distinção muito importante. Conhecer as Escrituras desde criança poderia torná-lo “sábio para a salvação”, mas a salvação continuava sendo “pela fé que há em Cristo Jesus”.

Portanto, existe diferença entre privilégio familiar e salvação pessoal.

Uma criança criada num lar cristão encontra-se numa posição privilegiada quanto ao conhecimento da verdade. Mas não precisamos criar uma categoria batismal intermediária — alguém que não está salvo, mas teria sido retirado do paganismo e colocado no cristianismo mediante o batismo.

Precisamos perguntar onde o Novo Testamento ensina essa categoria.

  1. O problema fundamental: o batismo é administrado com base na fé dos pais

Há outro aspecto muito importante.

A criança não pediu para ser batizada.

Ela não confessou Cristo.

Ela não declarou arrependimento.

Ela não exerceu fé pessoal.

Ela não compreendeu o significado de sua identificação com a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo.

Então, qual foi a base daquele batismo?

A fé e a decisão dos pais.

É verdade que os pais podem responder:

“Nossa fé não salva nosso filho.”

Concordamos.

Mas permanece o fato de que uma ordenança cristã foi aplicada ao filho porque os pais creram, e não porque o filho creu.

Portanto, mesmo que não se diga que a fé dos pais salvou a criança, é a fé dos pais que está servindo de fundamento para administrar à criança uma ordenança que, no Novo Testamento, está ligada à fé daquele que é batizado.

É precisamente aí que encontro a dificuldade.

Não encontramos nas Escrituras:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e, com base na tua fé, batiza teus filhos.”

Encontramos:

“De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra” (Atos dos Apóstolos 2:41).

Em Samaria:

“Mas, como cressem em Filipe, que lhes pregava acerca do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, se batizavam, tanto homens como mulheres” (Atos dos Apóstolos 8:12).

Em Corinto:

“E muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados” (Atos dos Apóstolos 18:8).

A sequência apresentada é muito clara:

ouvir → crer → ser batizado.

Não encontramos:

os pais creem → os filhos são batizados → são colocados na cristandade → posteriormente espera-se que eles venham a exercer fé pessoal.

  1. O batismo bíblico pressupõe uma profissão pessoal

É importante observar ainda que não basta alguém passar pela água para que o ato tenha automaticamente o significado bíblico do batismo cristão.

Em Atos dos Apóstolos 8, Simão professou crer e foi batizado. Entretanto, posteriormente Pedro lhe disse:

“Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus” (Atos dos Apóstolos 8:21).

Isso demonstra, pelo menos, que o rito exterior não substitui a realidade interior.

A água não transforma uma profissão sem realidade em salvação.

No caso de uma criança pequena, existe uma questão ainda anterior: ela nem sequer está fazendo profissão de fé.

Não significa que a criança esteja mentindo ou fazendo uma falsa profissão. Significa simplesmente que não fez profissão alguma.

Por isso, o problema do batismo infantil não é simplesmente a idade cronológica. O problema é a ausência daquilo que biblicamente precede o batismo: recepção consciente do Evangelho e profissão pessoal de fé.

  1. As famílias batizadas não demonstram batismo infantil

Frequentemente são mencionadas as famílias batizadas no livro de Atos dos Apóstolos.

No caso do carcereiro de Filipos, porém, lemos:

“E lhe pregaram a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa” (Atos dos Apóstolos 16:32).

Depois:

“E logo foi batizado, ele e todos os seus” (Atos dos Apóstolos 16:33).

Primeiro, portanto, a Palavra foi anunciada à casa.

Além disso, o versículo seguinte relaciona aquela casa com a alegria resultante da fé:

“E, levando-os a sua casa, lhes pôs a mesa; e, na sua crença em Deus, alegrou-se com toda a sua casa” (Atos dos Apóstolos 16:34).

Não existe no texto qualquer informação de que havia bebês naquela família. Construir o batismo infantil sobre a possibilidade de existirem crianças pequenas nessas casas é acrescentar ao texto algo que ele não afirma.

O mesmo princípio aparece repetidamente: Palavra, fé e batismo.

  1. Primeira Epístola aos Coríntios 7:14 não estabelece o batismo infantil

Outro texto que merece consideração é:

“Doutra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos” (Primeira Epístola aos Coríntios 7:14).

Mas Paulo não diz:

“Vossos filhos são santos porque foram batizados.”

A condição especial dos filhos aparece em razão da relação familiar tratada no contexto, não como resultado do batismo.

Isso é muito importante.

Se alguém deseja chamar essa condição de uma posição exterior privilegiada dos filhos de crentes, então o próprio texto demonstra que eles já possuem esse privilégio sem batismo.

Nesse caso, novamente surge a pergunta: por que precisamos do batismo para retirá-los do paganismo e introduzi-los numa esfera privilegiada, se Paulo reconhece uma posição peculiar dos filhos de um crente sem mencionar qualquer batismo?

  1. O batismo não substituiu a circuncisão de Israel

Outro argumento comum é relacionar diretamente a circuncisão de Israel ao batismo cristão.

Entretanto, Israel e a Igreja não são constituídos segundo o mesmo princípio.

Um israelita nascia fisicamente dentro daquela nação. A circuncisão estava relacionada à descendência natural e às promessas dadas àquela nação.

Mas ninguém nasce fisicamente dentro da Igreja.

O Evangelho segundo João estabelece claramente:

“Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Evangelho segundo João 1:12-13).

A expressão “não nasceram do sangue” é especialmente importante.

Pais cristãos não geram filhos cristãos espiritualmente.

A vida eterna não é hereditária.

A fé não é hereditária.

O novo nascimento não é hereditário.

A pertença ao Corpo de Cristo não é hereditária.

Por isso, não podemos transportar para a Igreja um princípio genealógico pertencente a Israel.

  1. O significado do próprio batismo aponta para uma realidade espiritual

Epístola aos Romanos 6 apresenta o significado do batismo:

“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Epístola aos Romanos 6:4).

O batismo fala de identificação com Cristo em Sua morte, sepultamento e ressurreição.

Ele não foi estabelecido para transformar uma criança num membro exterior da cristandade enquanto se aguarda para saber se, no futuro, ela realmente crerá em Cristo.

O batismo não torna alguém cristão; ele é o testemunho daquele que professa pertencer a Cristo.

O batismo não comunica vida eterna:

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna” (Evangelho segundo João 3:36).

O batismo não substitui o novo nascimento:

“Necessário vos é nascer de novo” (Evangelho segundo João 3:7).

O batismo não substitui a fé:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

  1. A semelhança prática com o batismo infantil católico

Aqui aparece também outra dificuldade.

Se batizamos uma criança sem fé pessoal com a finalidade de colocá-la exteriormente dentro da cristandade, acabamos realizando um ato muito semelhante, na sua forma básica, ao batismo infantil praticado pelo catolicismo.

Evidentemente, existem diferenças doutrinárias importantes. Não seria correto afirmar que os irmãos exclusivistas necessariamente atribuem ao batismo a mesma eficácia sacramental que a doutrina católica lhe atribui.

Mas permanece uma semelhança fundamental: uma ordenança é administrada a uma criança que não exerceu fé pessoal.

E a dificuldade torna-se ainda maior se posteriormente for considerado válido até mesmo o batismo católico recebido na infância quando aquela pessoa, anos depois, realmente se converte.

Nesse caso precisamos perguntar:

Como pode uma cerimônia realizada antes da fé tornar-se, retroativamente, o batismo de alguém que posteriormente creu?

O batismo recebido quando a pessoa não possuía fé não pode adquirir posteriormente a fé que estava ausente no momento em que foi realizado.

A fé posterior não pode ser transportada retrospectivamente para a infância.

  1. Atos dos Apóstolos 19 apresenta um princípio importante

Em Atos dos Apóstolos 19:1-5, Paulo encontrou homens que haviam recebido anteriormente o batismo de João.

Depois de receberem esclarecimento acerca do Senhor Jesus:

“E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus” (Atos dos Apóstolos 19:5).

Isso apresenta um princípio importante.

A verdade compreendida posteriormente não transformou automaticamente o ato anterior em algo diferente daquilo que ele representava quando foi realizado.

Portanto, se uma pessoa recebeu uma cerimônia batismal quando criança, sem fé pessoal em Cristo, sua conversão aos quinze, vinte, trinta ou cinquenta anos não pode voltar no tempo e colocar fé pessoal dentro daquele ato praticado na infância.

O padrão bíblico continua sendo que o batismo cristão acompanha a fé daquele que é batizado.

  1. Voltemos à pergunta que realmente testa essa doutrina

Talvez a maneira mais simples de verificar as consequências dessa posição seja apresentar um caso concreto.

Um casal cristão tem um filho.

A criança é batizada porque seus pais creem.

Diz-se que ela foi retirada do paganismo e colocada na cristandade.

Ela cresce.

Aos dez, quinze, vinte anos ou mais, possui plena capacidade de compreender o Evangelho.

Entretanto, nunca se arrepende.

Nunca recebe pessoalmente o Senhor Jesus.

Nunca nasce de novo.

Nunca exerce fé salvadora em Cristo.

E morre nessa condição.

Pergunto:

Aquele batismo infantil modificou seu destino eterno?

Se a resposta for “sim”, então o batismo recebeu alguma eficácia espiritual independente da fé pessoal, e precisamos encontrar nas Escrituras onde Deus prometeu isso.

Se a resposta for “não”, então precisamos perguntar qual foi o significado espiritual real de dizer que o batismo a “retirou do paganismo e a colocou na cristandade”.

Porque, quanto à questão fundamental da relação daquela pessoa com Deus, permaneceu necessária a mesma coisa que seria necessária se ela jamais tivesse recebido aquele batismo:

“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo” (Atos dos Apóstolos 16:31).

É justamente aí que aparece a inconsistência.

Não estamos discutindo aqui o destino eterno de bebês ou crianças que morrem antes de possuírem capacidade de responder pessoalmente ao Evangelho. Estamos falando de alguém que recebeu o batismo infantil, cresceu, tornou-se pessoalmente responsável diante da mensagem do Evangelho, mas nunca creu.

O batismo recebido dos pais não pode ocupar o lugar da fé que aquela pessoa jamais exerceu.

  1. A fé dos pais tem enorme importância, mas não pode substituir a fé do filho

A fé dos pais é preciosa.

Pais cristãos devem ensinar seus filhos:

“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos” (Deuteronômio 6:6-7).

Devem criá-los:

“Na doutrina e admoestação do Senhor” (Epístola aos Efésios 6:4).

Devem orar por eles, ensinar-lhes as Escrituras e apresentar-lhes continuamente a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo.

Mas existe algo que nenhum pai cristão pode fazer pelo filho: crer em seu lugar.

Os pais podem ensinar o Evangelho aos filhos, mas não podem arrepender-se pelos filhos.

Podem orar pelos filhos, mas não podem nascer de novo pelos filhos.

Podem levar os filhos às reuniões cristãs, mas não podem convertê-los.

Podem transmitir-lhes conhecimento bíblico, mas não podem transmitir-lhes vida eterna biologicamente.

Da mesma forma, sua fé não pode servir de substituto para a fé pessoal que, no padrão do Novo Testamento, precede o batismo.

  1. Portanto, reconheço a correção, mas permanece a divergência bíblica

Meu irmão, agradeço novamente sua observação. É importante representar corretamente aquilo que outros irmãos realmente ensinam.

Portanto, faço a correção: se esses irmãos não ensinam que a fé dos pais salva os filhos e não ensinam que o batismo infantil salva a criança, não devemos afirmar que eles ensinam isso.

Contudo, isso não resolve a questão bíblica.

Pelo contrário, leva-nos à pergunta principal:

Se a fé dos pais não salva o filho e o batismo não salva o filho, com que autoridade bíblica a fé dos pais é utilizada como base para administrar ao filho uma ordenança que, no Novo Testamento, acompanha a fé pessoal daquele que é batizado?

E onde encontramos no Novo Testamento a doutrina de que esse batismo retira uma criança do paganismo e a introduz na cristandade?

Não basta dar um nome a essa posição. É necessário demonstrá-la pelas Escrituras.

Quando examinamos os exemplos apostólicos, encontramos repetidamente:

“foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra” (Atos dos Apóstolos 2:41);

“como cressem... se batizavam” (Atos dos Apóstolos 8:12);

o eunuco ouviu acerca de Jesus e então pediu o batismo (Atos dos Apóstolos 8:35-38);

Cornélio e os seus ouviram a Palavra e então foram batizados (Atos dos Apóstolos 10:44-48);

a Palavra foi anunciada ao carcereiro e à sua casa e então veio o batismo (Atos dos Apóstolos 16:31-34);

“muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados” (Atos dos Apóstolos 18:8).

O padrão é claro:

Evangelho → recepção da Palavra → fé pessoal → batismo.

Não:

fé dos pais → batismo dos filhos → entrada na cristandade → fé pessoal talvez muitos anos depois.

É por isso que considero que a questão não pode ser resolvida simplesmente dizendo que “o batismo não salva; apenas introduz na cristandade”. A própria ideia de introduzir pelo batismo alguém que ainda não creu numa posição cristã precisa de fundamento apostólico.

O batismo bíblico não é uma antecipação da fé futura.

Não é uma extensão da fé dos pais sobre os filhos.

Não é uma cerimônia que recebe posteriormente seu significado quando a pessoa finalmente se converte.

É o testemunho daquele que pessoalmente recebeu o Evangelho e professa pertencer ao Senhor Jesus Cristo.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Epístola aos Efésios 2:8-9).

Portanto, agradeço pela correção e pelo espírito respeitoso com que apresentou sua observação. É sempre proveitoso corrigirmos uma descrição quando ela não representa exatamente aquilo que outros irmãos ensinam. Mas, depois dessa correção, permanece intacta a necessidade de examinar o ensino à luz das Escrituras. E é nesse ponto que continuo não encontrando fundamento no Novo Testamento para o batismo infantil, seja ele apresentado como meio de salvação, seja apresentado apenas como meio de introduzir uma criança na cristandade.

Paz seja contigo também.

Josué Matos
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Qual a base bíblica para o dízimo no Novo Testamento? Ou é só oferta no Novo Testamento?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Qual a base bíblica para o dízimo no Novo Testamento? Ou é só oferta no Novo Testamento?

Minha Resposta:

Essa é uma pergunta importante, porque precisamos distinguir entre aquilo que Deus estabeleceu para Israel debaixo da Lei e aquilo que o Novo Testamento ensina às igrejas.

A resposta mais direta é: não encontramos no Novo Testamento um mandamento determinando que os cristãos entreguem obrigatoriamente dez por cento dos seus rendimentos. O princípio estabelecido para a Igreja é o da contribuição voluntária, regular, pessoal, proporcional e feita com alegria.

O dízimo aparece várias vezes no Antigo Testamento e estava incorporado ao sistema estabelecido por Deus para Israel. Os levitas, por exemplo, não receberam uma herança territorial como as demais tribos e eram sustentados pelos dízimos:

“E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo seu serviço que exercem, o serviço da tenda da congregação” (Números 18:21).

Encontramos também instruções sobre os dízimos em Levítico 27:30-33; Deuteronômio 12:17-19; 14:22-29 e 26:12-15.

É verdade que o dízimo aparece antes da Lei de Moisés. Abraão deu a Melquisedeque “o dízimo de tudo” (Gênesis 14:20), acontecimento posteriormente mencionado em Hebreus 7:1-10. Jacó também prometeu dar a Deus o dízimo de tudo quanto recebesse (Gênesis 28:20-22).

Entretanto, é importante observar que esses acontecimentos não aparecem no Novo Testamento como mandamentos estabelecendo que os cristãos devam entregar obrigatoriamente dez por cento.

E Mateus 23:23?

Algumas pessoas apresentam as palavras do Senhor Jesus aos fariseus como prova de que o dízimo continua obrigatório:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas e não omitir aquelas” (Mateus 23:23).

Devemos observar cuidadosamente o contexto. O Senhor estava falando aos escribas e fariseus, judeus que ainda se encontravam debaixo da Lei. A Igreja ainda não havia sido formada. A morte, ressurreição e ascensão do Senhor Jesus ainda não haviam ocorrido, e o Espírito Santo ainda não havia descido no dia de Pentecostes, conforme Atos dos Apóstolos 2.

Por isso, Mateus 23:23 não pode simplesmente ser transformado numa ordenança dada à Igreja. O Senhor reconheceu ali uma obrigação existente dentro da dispensação em que aqueles judeus viviam.

O mesmo acontece em Lucas 11:42. Em Lucas 18:12, o fariseu declara: “dou os dízimos de tudo quanto possuo”, mas evidentemente essa declaração também não constitui uma ordem dada à Igreja.

E Hebreus capítulo 7?

Hebreus 7 fala bastante sobre dízimos, especialmente do dízimo que Abraão deu a Melquisedeque. Porém, o propósito da passagem não é estabelecer uma regra financeira para as igrejas. O assunto é a superioridade do sacerdócio de Melquisedeque em relação ao sacerdócio levítico e, principalmente, a superioridade do sacerdócio do Senhor Jesus Cristo.

O próprio argumento de Hebreus mostra a mudança ocorrida:

“Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei” (Hebreus 7:12).

Portanto, usar Hebreus 7 para estabelecer uma cobrança obrigatória de dez por cento à Igreja não corresponde ao propósito da passagem.

Qual é, então, o princípio para a Igreja?

Um dos textos mais claros encontra-se em 1 Coríntios 16:1-2:

“Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade.”

Observe que Paulo não disse: “cada um entregue o dízimo”. Ele apresenta princípios muito mais adequados à graça.

A contribuição deveria ser regular: “no primeiro dia da semana”.

Deveria ser individual: “cada um de vós”.

Deveria ser planejada: “ponha de parte”.

E deveria ser proporcional: “conforme a sua prosperidade”.

Não encontramos uma porcentagem determinada.

O ensino fica ainda mais claro em 2 Coríntios:

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Coríntios 9:7).

Aqui temos uma diferença importante. A contribuição cristã não deve ser resultado de coerção. Paulo diz “segundo propôs no seu coração”. Também diz “não com tristeza, ou por necessidade”.

Portanto, ninguém deveria transformar a contribuição cristã numa espécie de imposto religioso.

Isso significa que o cristão pode simplesmente não contribuir?

Também não.

Seria um erro sair do legalismo do dízimo obrigatório e cair no egoísmo de não contribuir.

O Novo Testamento não reduz a responsabilidade do cristão; pelo contrário, eleva-a. Em 2 Coríntios 8, os cristãos da Macedônia são apresentados como um exemplo extraordinário. Apesar de sua pobreza, contribuíram generosamente:

“Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente” (2 Coríntios 8:3).

A palavra importante aqui é “voluntariamente”.

Mas há algo ainda mais profundo no versículo 5:

“E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus” (2 Coríntios 8:5).

Esse é o verdadeiro fundamento da contribuição cristã: antes de entregar alguma coisa, o cristão reconhece que ele próprio pertence ao Senhor.

Isso concorda com Romanos 12:1:

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”

O cristão não pertence dez por cento ao Senhor e noventa por cento a si mesmo. Tudo pertence ao Senhor: sua vida, seu corpo, seu tempo, seus bens e seus recursos. Somos administradores daquilo que Deus colocou em nossas mãos.

Além disso, o Novo Testamento ensina claramente que os recursos materiais devem ser utilizados para sustentar a obra de Deus e aqueles que trabalham nela.

Paulo escreve:

“Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1 Coríntios 9:14).

Veja também 1 Coríntios 9:7-11; Gálatas 6:6; Filipenses 4:10-18 e 1 Timóteo 5:17-18.

Da mesma maneira, as contribuições eram usadas para ajudar irmãos necessitados. Isso aparece claramente em Atos dos Apóstolos 4:34-35; 11:27-30; Romanos 15:25-27; 1 Coríntios 16:1-4 e 2 Coríntios 8–9.

Portanto, não seria correto concluir: “Como não existe dízimo obrigatório, não preciso dar nada”.

O ensino é exatamente o contrário. O cristão deve contribuir, mas sua contribuição nasce da graça e não de uma porcentagem legalmente imposta.

E se alguém quiser dar dez por cento?

Não há problema algum.

Um cristão pode estabelecer dez por cento como referência pessoal para organizar suas contribuições. Outro poderá contribuir com quinze, vinte ou trinta por cento, dependendo da sua prosperidade, responsabilidades e exercício diante do Senhor. Em determinadas circunstâncias, alguém poderá dar muito mais.

O problema começa quando transformamos os dez por cento numa lei para a Igreja e afirmamos que todo cristão está biblicamente obrigado a entregar exatamente essa porcentagem.

Não encontramos tal mandamento nas epístolas.

Aliás, quando Paulo apresenta extensamente o assunto das contribuições em 1 Coríntios 16 e 2 Coríntios 8–9, seria a ocasião perfeita para dizer: “Entreguem dez por cento”. Mas ele não faz isso. Em vez disso, fala de prosperidade, disposição do coração, voluntariedade, generosidade e alegria.

Por isso, podemos resumir o ensino do Novo Testamento desta maneira: o dízimo de dez por cento não é apresentado como uma lei obrigatória para a Igreja; a contribuição, porém, é claramente ensinada. Ela deve ser regular, pessoal, planejada, proporcional à prosperidade, voluntária, generosa e alegre.

A graça não deveria produzir menos generosidade do que a Lei. Quem compreende quanto recebeu de Deus em Cristo não perguntará apenas: “Qual é o mínimo que preciso dar?”, mas procurará saber: “Quanto posso colocar à disposição do Senhor daquilo que Ele confiou às minhas mãos?”

Porque o grande modelo da contribuição cristã não é uma porcentagem, mas o próprio Senhor Jesus:

“Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis” (2 Coríntios 8:9).

Esse é o princípio da graça: não dar porque uma lei exige dez por cento, mas dar voluntariamente, proporcionalmente e com alegria porque primeiro recebemos tudo de Deus em Cristo.

Josué Matos

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Estou precisando de ajuda para melhor explicar Primeira Coríntios 11:15, onde diz: "pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha".

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Bom dia, irmão Josué. Estou precisando de ajuda para melhor explicar Primeira Coríntios 11:15, onde diz: "pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha".

Há mulheres que querem justificar o não uso do véu na congregação com este verso bíblico.

Minha Resposta:

Bom dia, irmão. Desculpe não ter respondido na hora. Quando o irmão me enviou a mensagem, eu estava saindo para caminhar. Agora voltei e preparei este texto para tentar explicar melhor 1 Coríntios 11:15, porque realmente esse versículo, quando é separado do restante do capítulo, pode dar a impressão de que o cabelo substitui o véu. Mas, quando acompanhamos o argumento de Paulo desde o início, percebemos que o cabelo comprido e o véu são duas coisas diferentes.

O versículo 15 diz:

“Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu.” — 1 Coríntios 11:15

A pergunta então é: se o cabelo foi dado à mulher “em lugar de véu”, por que ela precisaria usar também uma cobertura na cabeça na congregação?

A resposta fica mais simples quando não começamos pelo versículo 15, mas pelos versículos anteriores.

Em 1 Coríntios 11:5-6, Paulo fala da mulher que está com a cabeça descoberta. E então diz:

“Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também...”

Veja a importância desse argumento.

Paulo está falando de uma mulher que já possui cabelo. Tanto possui que ele diz que, se ela não quiser se cobrir, então que seja também tosquiada ou rapada.

Portanto, naquele momento existem duas coisas distintas:

1. O cabelo que a mulher já possui.
2. Uma cobertura que ela deve colocar sobre a cabeça.

Se o cabelo fosse o próprio véu dos versículos 5 e 6, o argumento de Paulo não faria sentido. Seria como se Paulo estivesse dizendo: “Se a mulher não tem cabelo, então corte o cabelo”. Isso seria contraditório.

Mas não é isso que ele diz.

Ele diz, em outras palavras: se ela não quer colocar a cobertura sobre a cabeça, então que corte também o cabelo. E, como é vergonhoso para a mulher ficar tosquiada ou rapada, Paulo conclui claramente:

“Que ponha o véu.” — 1 Coríntios 11:6

Então, este é o primeiro ponto que eu explicaria às irmãs: o próprio contexto mostra que cabelo e véu não são a mesma coisa.

Depois, chegando aos versículos 14 e 15, Paulo passa a falar da cobertura que a própria natureza deu à mulher.

Ele diz que é desonra para o homem ter cabelo crescido, mas:

“Ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso.”

Ou seja, Deus deu à mulher uma glória natural: o cabelo comprido.

Há inclusive uma diferença interessante nas palavras gregas usadas por Paulo.

Nos primeiros versículos, quando Paulo fala de a cabeça estar coberta, ele emprega palavras relacionadas ao verbo grego κατακαλύπτω — katakalyptō, que significa cobrir, velar, manter coberto.

Mas, no versículo 15, quando diz que o cabelo foi dado à mulher “em lugar de véu” ou “por cobertura”, a palavra é περιβόλαιον — peribólaion, que tem o sentido de cobertura, envoltório, algo que envolve ou cai ao redor.

Portanto, Paulo não está simplesmente repetindo no versículo 15 exatamente a mesma coisa que havia dito nos versículos 5 e 6.

Podemos entender assim, de uma maneira bem simples:

A mulher possui uma cobertura natural: o seu cabelo comprido.

E, quando está na reunião da igreja, usa uma cobertura sobre a cabeça: o véu, lenço ou mantilha.

Uma cobertura não elimina a outra.

Pelo contrário, as duas ensinam o mesmo princípio espiritual.

E qual é esse princípio?

Precisamos voltar ao versículo-chave de toda essa passagem, 1 Coríntios 11:3:

“Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo.”

Esse é o assunto principal do capítulo: a ordem de chefia estabelecida por Deus.

Por isso o homem participa das reuniões com a cabeça descoberta, enquanto a mulher cobre a cabeça. São sinais visíveis de uma verdade espiritual.

Paulo ainda diz em 1 Coríntios 11:10:

“Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos.”

Ou seja, existe alguma coisa sobre a cabeça dela que manifesta exteriormente o reconhecimento da autoridade estabelecida por Deus.

Depois, nos versículos 14 e 15, Paulo mostra que a própria natureza confirma essa distinção: o cabelo comprido é desonroso para o homem, enquanto o cabelo comprido é glória para a mulher.

Então podemos resumir assim:

O homem: cabelo curto e cabeça descoberta na reunião.

A mulher: cabelo comprido e cabeça coberta na reunião.

São duas distinções que caminham juntas.

Há ainda uma maneira muito simples de mostrar que o versículo 15 não pode significar: “Como tenho cabelo, não preciso usar véu.”

Se essa interpretação fosse correta, teríamos que voltar ao versículo 6 e perguntar:

Por que Paulo mandaria colocar o véu?

Ele diz expressamente:

“Que ponha o véu.”

Não faria sentido Paulo ensinar nos versículos 5 e 6 que a mulher deve se cobrir e, nove versículos depois, dizer que ela não precisa se cobrir porque já tem cabelo.

Isso faria Paulo contradizer a si mesmo dentro de poucos versículos.

Não há contradição quando entendemos que são duas coberturas diferentes.

O cabelo é a cobertura natural, a glória que Deus deu à mulher.

O véu é a cobertura colocada sobre a cabeça no contexto da reunião, manifestando a ordem de chefia estabelecida por Deus.

Por isso, quando alguém usa somente a última frase do versículo 15 — “o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha” — para dizer que a irmã não precisa usar véu, está isolando essa frase de todo o raciocínio que Paulo começou no versículo 3 e desenvolveu até o versículo 16.

É preciso ler o capítulo inteiro.

E há outro detalhe importante: Paulo não fundamenta isso simplesmente num costume de Corinto. Nos versículos 7 a 9, ele volta até Gênesis, capítulos 1 e 2, à criação do homem e da mulher. No versículo 10 menciona os anjos. Nos versículos 14 e 15 apela à natureza. E no versículo 16 termina mencionando “as igrejas de Deus”.

Portanto, o argumento é muito mais amplo do que um costume local de Corinto.

Assim, eu explicaria às irmãs com bastante simplicidade:

“Irmãs, o cabelo comprido não substitui o véu. Se substituísse, Paulo não poderia dizer no versículo 6: ‘que ponha o véu’. O cabelo comprido é a cobertura natural e a glória que Deus deu à mulher; o véu é a cobertura que ela coloca sobre a cabeça na reunião, como sinal da ordem de chefia ensinada desde o versículo 3. Uma coisa não anula a outra.”

E é importante ensinar isso com mansidão, sem transformar o véu simplesmente numa regra da congregação. A irmã precisa compreender por que usa o véu. Quando compreende o princípio da chefia, deixa de ser apenas “a igreja manda usar” e passa a ser uma maneira consciente de honrar a ordem que Deus estabeleceu.

No final, o assunto não é simplesmente um pedaço de tecido sobre a cabeça. O assunto maior é a honra devida a Cristo e a submissão à ordem estabelecida por Deus na Sua Palavra.

Josué Matos

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