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“El” não é necessariamente o nome pessoal de outro deus?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Evangelista Josué! Vocês nunca tiveram curiosidade de saber por que existem tantos nomes terminados em El? Samu-El, Dani-El, Rafa-El, Gabri-El, Manu-El, etc.

Isso é devido a Isra-El:

Obs.: A pessoa também enviou um vídeo que analisei e dei resposta abaixo.

Minha Resposta:

A pergunta sobre os nomes terminados em “el” é legítima e tem uma resposta relativamente simples. Entretanto, o vídeo usa essa observação verdadeira como ponto de partida para construir uma conclusão que não decorre necessariamente dos textos bíblicos.

É verdade que muitos nomes bíblicos terminam em “el”: Daniel, Samuel, Ezequiel, Gabriel, Rafael, Israel e Emanuel. Porém, isso não prova que essas pessoas tenham recebido nomes em homenagem a um deus chamado El, distinto de Javé. A terminação “el” faz parte de nomes teofóricos, isto é, nomes que contêm uma referência a Deus.

Daniel significa “Deus é meu juiz”.

Ezequiel significa “Deus fortalece” ou “Deus fortalecerá”.

Gabriel significa “homem de Deus”, “poderoso de Deus” ou “Deus é a minha força”.

Israel está relacionado ao ato de lutar ou perseverar com Deus.

Emanuel significa “Deus conosco”, conforme Mateus 1:23.

Samuel não apresenta uma formação tão simples quanto “Samu-El”, como se fossem duas palavras portuguesas unidas artificialmente. A etimologia exata do nome é discutida, mas a própria narrativa o relaciona ao fato de Ana tê-lo pedido ao Senhor, conforme o Primeiro Livro de Samuel 1:20.

Portanto, a presença de “el” nesses nomes demonstra que o elemento hebraico “El” era empregado para se referir a Deus. Não demonstra, por si só, que El e Javé fossem dois deuses originalmente separados.

  1. “El” não é necessariamente o nome pessoal de outro deus

No hebraico bíblico, “El” pode significar Deus, poderoso, forte ou alguém revestido de poder. Dependendo do contexto, pode referir-se ao Deus verdadeiro, a falsos deuses, a seres poderosos ou até mesmo a homens investidos de autoridade.

O fato de uma palavra também ter sido empregada por povos pagãos não significa que todas as suas ocorrências na Bíblia se refiram à divindade pagã.

A palavra portuguesa “deus” também pode ser usada para o Deus verdadeiro ou para uma divindade falsa. Quando dizemos “o Deus de Abraão”, não estamos falando da mesma entidade que alguém chama de “deus da guerra”, embora a palavra “deus” apareça nas duas expressões.

O contexto determina a identidade.

A Bíblia não nega que os povos pagãos chamassem suas divindades de el, elohim ou baal. O que ela ensina é que o Deus que se revelou a Abraão, Isaque, Jacó e Moisés é o único Deus verdadeiro.

“Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim” (Deuteronômio 32:39).

“Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus” (Isaías 45:5).

“Antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá” (Isaías 43:10).

Essas declarações não aparecem como uma invenção envergonhada de escribas tentando apagar um passado inconveniente. Aparecem como a mensagem coerente dos profetas contra a idolatria e o sincretismo praticados pelo próprio povo.

  1. A Bíblia identifica Javé com El

A tese do vídeo depende de separar El, Elyon e Javé como se fossem necessariamente três seres distintos. Porém, a própria Bíblia usa esses títulos para o mesmo Deus.

No capítulo 14 de Gênesis, Melquisedeque é apresentado como “sacerdote do Deus Altíssimo”, El Elyon. Poucos versículos depois, Abraão declara:

“Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra” (Gênesis 14:22).

No texto hebraico, Abraão não abandona Javé para jurar por outra divindade. Ele identifica o Senhor, Javé, como El Elyon, o Deus Altíssimo.

Isso desmonta a ideia de que o capítulo esteja necessariamente falando de dois deuses independentes.

O mesmo ocorre em outras passagens. No Segundo Livro de Samuel 22:31-32, lemos:

“O caminho de Deus é perfeito, e a palavra do Senhor refinada; e é o escudo de todos os que nele confiam. Porque quem é Deus, senão o Senhor? E quem é rochedo, senão o nosso Deus?”

Os títulos se alternam, mas o referente permanece o mesmo.

No Primeiro Livro de Samuel 2:2-3, Ana fala do Senhor e, na mesma oração, chama-o de Deus de conhecimento. A diversidade de títulos não cria uma pluralidade de deuses.

Dizer “Deus”, “Senhor”, “Altíssimo”, “Todo-Poderoso”, “Criador”, “Rei” e “Juiz” não significa falar de sete seres diferentes. São nomes, títulos e descrições do mesmo Deus.

  1. O significado de Êxodo 6:2-3

O vídeo apresenta Êxodo 6:3 como prova de que Abraão teria conhecido um deus chamado El Shaddai, enquanto Moisés teria introduzido outro chamado Javé.

Mas essa interpretação não considera adequadamente o que o próprio texto declara:

“Falou mais Deus a Moisés e disse: Eu sou o Senhor. E eu apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido” (Êxodo 6:2-3).

Observe que quem fala diz ter aparecido a Abraão, Isaque e Jacó. Ele não diz: “Outro deus apareceu a eles, mas agora eu o substituí”. Ele afirma ser o mesmo Deus que apareceu aos patriarcas.

A diferença não está na identidade do Ser, mas na plenitude da revelação e da experiência associada ao nome.

Na Bíblia, “conhecer o nome” de Deus significa mais do que aprender sua pronúncia. Significa conhecer o caráter, o poder e a fidelidade manifestados por esse nome.

Abraão podia conhecer o nome Javé em alguma medida, mas não conheceu a manifestação histórica que Israel conheceria no Êxodo. Os patriarcas receberam promessas; a geração de Moisés contemplaria o cumprimento público dessas promessas por meio das pragas, da libertação do Egito, da travessia do mar e da aliança no Sinai.

Êxodo 6 não apresenta uma troca de divindades. Apresenta uma ampliação da revelação do mesmo Deus.

  1. El Shaddai não significa necessariamente “El da montanha”

O vídeo afirma categoricamente que El Shaddai significa “El da montanha”. Isso é apresentado como fato estabelecido, quando a etimologia de Shaddai é discutida.

Tradicionalmente, a expressão é traduzida como “Deus Todo-Poderoso”. Algumas propostas relacionam o termo a poder, suficiência, proteção, abundância ou até a uma possível raiz associada a montanha. Entretanto, transformar uma proposta etimológica discutida em prova de que Abraão adorava uma divindade cananeia é ultrapassar aquilo que a evidência permite afirmar.

Em Gênesis 17:1, o próprio texto identifica aquele que aparece a Abraão:

“Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o Senhor a Abrão e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em minha presença e sê perfeito.”

O narrador chama aquele que apareceu de Senhor, e o próprio Deus se apresenta como El Shaddai. Não são duas divindades dialogando. É o mesmo Deus revelando um de seus títulos.

  1. El-Elohe-Israel não significa que Jacó adorava outro deus

Em Gênesis 33:20, Jacó levanta um altar e o chama El-Elohe-Israel, expressão que pode ser compreendida como “Deus, o Deus de Israel” ou “o poderoso Deus de Israel”.

Isso não significa: “El, uma divindade diferente de Javé, tornou-se o deus particular de Jacó”.

Quem deu a Jacó o nome Israel foi o próprio Deus. Em Gênesis 35:10-11, lemos:

“E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel será o teu nome. E chamou o seu nome Israel. Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-Poderoso.”

O Deus que muda o nome de Jacó para Israel é o mesmo que se apresenta como El Shaddai. A narrativa não sinaliza uma fusão editorial entre duas divindades. Ela apresenta continuidade.

  1. Deuteronômio 32 não diz que El entregou Israel a Javé

Esse é um dos pontos mais importantes do vídeo.

Deuteronômio 32:8 possui uma conhecida variante textual. Algumas tradições apresentam “segundo o número dos filhos de Israel”; outras evidências antigas sustentam uma leitura como “filhos de Deus” ou “anjos de Deus”.

Essa variante merece consideração séria. Contudo, mesmo adotando a leitura “filhos de Deus”, o texto não ensina que El era um deus maior que entregou Israel a uma divindade menor chamada Javé.

O contexto identifica o Altíssimo com o Senhor.

Veja como o cântico começa:

“Dai grandeza ao nosso Deus. Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita” (Deuteronômio 32:3-4).

Depois afirma:

“Não é ele teu Pai, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?” (Deuteronômio 32:6).

Em seguida, o Altíssimo distribui as nações, e a porção do Senhor é o seu povo:

“Porque a porção do Senhor é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança” (Deuteronômio 32:9).

O texto não diz: “El deu Israel a Javé”. Diz que o Senhor tomou Israel como sua herança dentro da distribuição soberanamente determinada pelo próprio Altíssimo.

A interpretação mais natural é que “Altíssimo”, “Senhor”, “Deus”, “Pai” e “Rocha” são designações do mesmo Deus ao longo do cântico.

Isso fica ainda mais claro no final:

“Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim” (Deuteronômio 32:39).

Seria contraditório interpretar o início do cântico como ensinando que Javé era apenas um dos filhos divinos de El, quando o próprio Javé declara, no mesmo cântico, que não existe Deus além dele.

Quanto aos “filhos de Deus”, a expressão pode se referir a seres angelicais ou autoridades espirituais relacionadas às nações. Daniel 10 fala de príncipes associados à Pérsia e à Grécia, sem transformar esses seres no Deus verdadeiro. A existência de seres espirituais não implica politeísmo.

  1. O Salmo 82 não ensina que El e Javé eram deuses diferentes

O Salmo 82 declara:

“Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses” (Salmo 82:1).

Há mais de uma interpretação possível para os “deuses” desse salmo. Eles podem ser juízes e governantes humanos, chamados de elohim porque exerciam autoridade delegada. Também podem ser entendidos como poderes espirituais submetidos ao julgamento divino.

Em qualquer das interpretações, o salmo não coloca o Deus verdadeiro como apenas mais um membro do grupo. Ele está acima dos demais, julga-os e possui autoridade para condená-los.

A interpretação de que são governantes humanos é fortalecida pelo próprio conteúdo:

“Até quando julgareis injustamente e respeitareis a aparência da pessoa dos ímpios? Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado” (Salmo 82:2-3).

O Senhor Jesus citou essa passagem em João 10:34-36 e explicou:

“Se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, e a Escritura não pode ser anulada...”

A explicação do Senhor Jesus não apresenta esses “deuses” como rivais reais do Pai. Ele fala daqueles que receberam a palavra e autoridade de Deus.

Mesmo que se adote a interpretação de seres celestiais, eles continuam sendo criaturas submetidas ao Criador. Anjos, querubins, serafins, principados e potestades não são deuses iguais ao Senhor.

“Porque quem no céu se pode igualar ao Senhor? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao Senhor?” (Salmo 89:6).

  1. A Bíblia reconhece o pecado de Israel sem torná-lo verdade divina

O vídeo menciona corretamente que muitos israelitas adoraram Baal, Aserá, Moloque e outras divindades. A própria Bíblia registra isso de maneira abundante.

Porém, o vídeo transforma o pecado praticado em prova da verdadeira fé bíblica.

Esse raciocínio não é válido.

O fato de alguns israelitas terem associado Aserá ao Senhor não prova que Deus tivesse uma esposa. Prova que alguns israelitas eram sincretistas e desobedeciam à revelação que haviam recebido.

Uma inscrição antiga dizendo “Javé e sua Aserá” pode demonstrar aquilo que certas pessoas acreditavam ou praticavam. Não demonstra que essa crença fosse verdadeira ou aprovada por Deus.

Da mesma maneira, encontrar hoje alguém que misture cristianismo com astrologia, espiritismo ou culto aos santos não prova que essas práticas façam parte do ensino original de Jesus Cristo. Prova somente que seres humanos misturam crenças.

A Bíblia não esconde o sincretismo de Israel. Pelo contrário, denuncia-o.

No livro dos Juízes, o povo repetidamente abandona o Senhor e serve aos baalins e a Astarote.

No Primeiro Livro dos Reis 18, Elias não apresenta Javé e Baal como duas versões da mesma divindade da tempestade. Ele exige uma decisão:

“Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; e, se Baal, segui-o” (Primeiro Livro dos Reis 18:21).

Depois do fogo, o povo não declara que Javé absorveu os atributos de Baal. Declara:

“Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!” (Primeiro Livro dos Reis 18:39).

No Segundo Livro dos Reis 23, Josias não está apagando arbitrariamente uma deusa legítima da história de Israel. Está removendo objetos idólatras cuja presença violava a lei de Deus.

Séculos antes de Josias, a lei já dizia:

“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura” (Êxodo 20:3-4).

Também dizia:

“Os seus altares transtornareis, e as suas estátuas quebrareis, e os seus bosques cortareis” (Êxodo 34:13).

Portanto, a condenação de Aserá não começou com uma suposta manipulação política de Josias. Já fazia parte da legislação atribuída a Moisés.

  1. O Salmo 29 não prova que Javé copiou Baal

O vídeo argumenta que, por Baal ser descrito como senhor das tempestades e por o Salmo 29 descrever a voz do Senhor sobre as águas e os trovões, Israel teria transferido para Javé os atributos de Baal.

Mas semelhança de linguagem não prova dependência teológica nem identidade entre os seres.

Chuva, nuvens, trovões, vento e tempestades são fenômenos universais. Povos diferentes naturalmente poderiam usar essas imagens ao falar de poder divino.

A questão bíblica não é se os pagãos usavam anteriormente determinada imagem. A questão é: quem realmente governa a criação?

O Salmo 29 responde que a tempestade não pertence a Baal. Pertence ao Senhor, porque toda a natureza está debaixo de sua autoridade.

A Bíblia frequentemente retira das falsas divindades aquilo que os homens lhes atribuíam e mostra que somente o Senhor possui esse poder.

Os egípcios associavam o Nilo, o sol, os animais e a fertilidade a suas divindades. As pragas do Egito mostraram que esses elementos estavam submetidos ao Deus de Israel.

Isso não significa que o Senhor absorveu os deuses egípcios. Significa que os desmascarou.

“E sobre todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o Senhor” (Êxodo 12:12).

Da mesma forma, o fogo no Carmelo mostrou que Baal não controlava o fogo, a chuva ou as tempestades. O Senhor controlava.

  1. O Senhor não começou como um deus local do deserto

A Bíblia realmente relaciona manifestações do Senhor ao Sinai, Seir e Parã. Isso ocorre porque esses lugares fazem parte da história da revelação e da marcha de Israel.

Contudo, manifestar-se em um lugar não significa originar-se naquele lugar.

O Senhor apareceu a Moisés no Sinai, mas já havia aparecido a Abraão na Mesopotâmia e em Canaã. Estêvão declarou:

“O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã” (Atos dos Apóstolos 7:2).

O Senhor julgou o Egito, abriu o mar, sustentou Israel no deserto, deu vitórias em Canaã e anunciou juízo sobre muitas nações. Ele nunca é apresentado na Bíblia como preso geograficamente ao Sinai.

Salomão declarou:

“Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus te não poderiam conter” (Primeiro Livro dos Reis 8:27).

O Salmo 24 declara:

“Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Salmo 24:1).

A narrativa bíblica não começa apresentando Deus como uma divindade tribal do deserto. Começa com:

“No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1).

  1. O monoteísmo não nasceu no exílio babilônico

O vídeo afirma que Israel somente aprendeu a proclamar um único Deus durante ou depois do exílio. Entretanto, as declarações de exclusividade divina aparecem muito antes do exílio na narrativa bíblica.

No cântico de Moisés:

“Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses?” (Êxodo 15:11).

Na lei:

“Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deuteronômio 6:4).

Na oração de Ana:

“Não há santo como o Senhor; porque não há outro fora de ti” (Primeiro Livro de Samuel 2:2).

Na oração de Davi:

“Portanto, grandioso és, ó Senhor Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu só” (Segundo Livro de Samuel 7:22).

Na oração de Salomão:

“Para que todos os povos da terra saibam que o Senhor é Deus e que não há outro” (Primeiro Livro dos Reis 8:60).

Elias, no Carmelo, orou:

“Para que este povo conheça que tu, Senhor, és Deus” (Primeiro Livro dos Reis 18:37).

Esses textos pertencem a contextos narrativos anteriores ao exílio. Pode-se questionar a data atribuída aos documentos, mas isso já seria partir de uma teoria crítica que pressupõe reconstruções editoriais. Não é uma conclusão que o próprio texto obrigue o leitor a aceitar.

  1. Os profetas não inventaram um Deus universal para superar o trauma

Isaías não apresenta a soberania universal de Deus como uma “reinvenção”. Ele a apresenta como verdade.

Segundo o vídeo, Israel teria perdido seu templo e sua terra e, para enfrentar a derrota, reinterpretou seu deus nacional como Criador universal. Mas a Bíblia explica o exílio de outra maneira.

O Senhor não foi derrotado pela Babilônia. Ele usou a Babilônia como instrumento de juízo contra o pecado de Judá.

Muito antes da destruição de Jerusalém, Moisés já havia advertido que a desobediência levaria Israel ao exílio, conforme Deuteronômio 28. Os profetas também anunciaram o cativeiro antes de ele ocorrer.

Quando Jerusalém caiu, isso não surpreendeu a revelação bíblica nem exigiu a invenção de um Deus maior. Confirmou o juízo que o próprio Deus havia anunciado.

Nabucodonosor não venceu porque os deuses babilônicos eram superiores. Deus entregou Jerusalém por causa da rebelião do povo.

“E o Senhor entregou nas suas mãos a Joaquim, rei de Judá” (Daniel 1:2).

  1. O vídeo transforma possibilidades em certezas

Esse é um problema metodológico recorrente.

O vídeo começa com fatos verdadeiros ou parcialmente verdadeiros:

– existem nomes terminados em “el”;

– “El” era usado em outras culturas semíticas;

– Israel frequentemente caiu no sincretismo;

– há uma variante textual em Deuteronômio 32:8;

– o Salmo 82 fala de “deuses”;

– existem imagens de tempestade nos salmos;

– houve culto a Aserá entre israelitas infiéis;

– Josias promoveu uma grande reforma religiosa;

– Israel foi levado ao exílio.

Contudo, depois liga esses dados por meio de uma narrativa especulativa:

– El era originalmente um deus diferente;

– Javé era uma divindade menor do deserto;

– El entregou Israel a Javé;

– os escribas fundiram os dois deuses;

– Javé absorveu os atributos de Baal;

– Javé recebeu Aserá como consorte;

– Josias usou o Estado para apagar religiões anteriores;

– escribas reescreveram a história;

– o exílio inventou o monoteísmo.

Essas conclusões não são simples leituras dos textos. São uma reconstrução hipotética sustentada por uma determinada escola crítica.

O vídeo usa expressões como “a evidência sugere”, “será que”, “imagine”, “talvez”, “uma memória foi apagada” e “uma voz foi silenciada”. Porém, ao longo da apresentação, essas possibilidades passam a ser tratadas como se fossem fatos históricos demonstrados.

Isso produz uma narrativa envolvente, mas não necessariamente uma interpretação sólida.

  1. Diversidade de nomes não significa diversidade de deuses

Deus é chamado, nas Escrituras, de:

El — Deus ou Poderoso;

Elohim — Deus;

Elyon — Altíssimo;

El Shaddai — Deus Todo-Poderoso;

Adonai — Senhor ou Soberano;

Javé — o nome pelo qual se revelou em sua relação de aliança;

Rocha;

Pastor;

Rei;

Criador;

Juiz;

Pai.

Essas designações revelam diferentes aspectos de seu caráter e de sua atuação.

Uma pessoa pode ser chamada pelo nome, pelo sobrenome e também ser descrita como pai, marido, professor, cidadão, escritor ou trabalhador. Isso não a transforma em seis pessoas diferentes.

Da mesma maneira, a variedade de títulos divinos não demonstra que escribas fundiram uma coleção de deuses.

  1. A revelação bíblica culmina em Jesus Cristo

O Novo Testamento não apresenta Jesus como a continuação de uma lenta invenção religiosa. Apresenta-o como a plena revelação do Deus que falou aos patriarcas e profetas.

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hebreus 1:1-2).

O Deus que falou aos pais é o Deus que falou pelo Filho.

O Evangelho de João declara:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1).

Emanuel não significa que Jesus estava relacionado a uma antiga divindade chamada El, posteriormente absorvida por Javé. Significa exatamente aquilo que Mateus explica:

“Deus conosco” (Mateus 1:23).

O Senhor Jesus identificou o Deus de Abraão, Isaque e Jacó como o Deus vivo:

“Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos” (Mateus 22:32).

Ele não corrigiu Moisés dizendo que Abraão adorava El enquanto Moisés adorava Javé. Pelo contrário, afirmou a continuidade da revelação.

Conclusão

Sim, há muitos nomes bíblicos terminados em “el”, porque “El” é um elemento hebraico usado em referência a Deus. Isso é interessante e digno de estudo.

Entretanto, esses nomes não comprovam que El e Javé fossem originalmente dois deuses diferentes.

A própria Bíblia identifica Javé como El Elyon, o Deus Altíssimo. O Deus que apareceu aos patriarcas como El Shaddai é aquele que falou a Moisés como Javé. Deuteronômio 32 não ensina que Javé recebeu Israel de um deus superior. O Salmo 82 não coloca o Senhor entre rivais iguais. O sincretismo com Baal e Aserá foi pecado condenado pelos profetas, não a fé verdadeira posteriormente apagada. E o monoteísmo não surge como uma invenção desesperada do exílio, mas atravessa a revelação bíblica desde a lei, os cânticos e os livros históricos até os profetas.

A Bíblia não esconde que Israel muitas vezes se corrompeu. Ela registra idolatria, apostasia, falsos altares, falsos profetas e alianças com religiões pagãs. Mas uma coisa é reconhecer que israelitas pecadores misturaram o culto ao Senhor com práticas pagãs. Outra, completamente diferente, é afirmar que o próprio Deus da Bíblia nasceu dessa mistura.

O pecado de Israel não define a identidade de Deus.

A pergunta decisiva não é: “O que alguns israelitas chegaram a praticar?”, mas: “O que Deus revelou acerca de si mesmo?”

A resposta bíblica é:

“Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus” (Isaías 45:5).

“Porque todos os deuses dos povos são ídolos, mas o Senhor fez os céus” (Salmo 96:5).

“Mas o Senhor Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno” (Jeremias 10:10).

“Sabemos que o ídolo nada é no mundo e que não há outro Deus, senão um só” (Primeira Epístola aos Coríntios 8:4).

Josué Matos

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Então, mesmo crendo em Jesus, isso mostra que o pecado anula o sacrifício de Cristo na vida do pecador?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Graça e paz, irmão. Ao final desse vídeo, você cita as passagens quando afirma que Jesus Cristo é nosso Advogado quando o crente peca. Porém, também diz que quem vive na prática do pecado nunca o conheceu. Então, mesmo crendo em Jesus, isso mostra que o pecado anula o sacrifício de Cristo na vida do pecador?

Minha Resposta:

Muito boa a sua pergunta. A resposta é não. O pecado não anula o valor do sacrifício de Cristo. O sangue do Senhor Jesus tem valor eterno e perfeito, e a salvação daquele que verdadeiramente nasceu de novo não depende da perfeição da sua caminhada, mas da perfeição da obra consumada de Cristo na cruz.

Entretanto, a Bíblia faz uma distinção muito importante entre o crente que cai em pecado e a pessoa que vive deliberadamente na prática do pecado.

Em 1 João 2:1 lemos: "Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo." Observe que João escreve para pessoas já salvas ("filhinhos") e reconhece que um crente pode cair em pecado. Nessa situação, Cristo exerce Seu ministério de Advogado, restaurando a comunhão do filho com o Pai. Não é uma nova salvação, mas a restauração da comunhão que foi interrompida pelo pecado.

Por outro lado, em 1 João 3:6-9 lemos que aquele que vive pecando não conheceu a Deus. O verbo empregado ali indica uma prática contínua, habitual e deliberada do pecado como estilo de vida. João não está falando de quedas ocasionais, mas de uma vida caracterizada pelo pecado, sem arrependimento e sem transformação.

O verdadeiro salvo pode tropeçar, como aconteceu com Pedro ao negar o Senhor três vezes. Também Davi caiu gravemente em pecado. Contudo, ambos foram levados ao arrependimento pelo próprio Deus. Já quem vive confortavelmente no pecado, sem qualquer evidência de novo nascimento, demonstra que nunca experimentou a regeneração produzida pelo Espírito Santo.

O próprio Senhor Jesus declarou: "Pelas suas frutas os conhecereis" (Mateus 7:16-20). A salvação produz uma nova vida. Não significa perfeição, mas uma nova direção. O salvo luta contra o pecado; o perdido vive nele.

Paulo também ensina esse equilíbrio em Romanos 6:1-2: "Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum." A graça não incentiva o pecado; ela transforma o pecador.

Portanto, não é o pecado que anula o sacrifício de Cristo. O que a prática contínua e impenitente do pecado revela é que a profissão de fé daquela pessoa nunca foi genuína. Quem nasceu de Deus possui uma nova natureza, é disciplinado pelo Pai quando erra (Hebreus 12:5-11) e encontra em Cristo um Advogado quando confessa seus pecados (1 João 1:9; 2:1). Mas quem faz do pecado seu modo de viver demonstra não ter conhecido verdadeiramente o Senhor.

Josué Matos

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"Vós sois deuses" Salmo 82:6

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Amém, irmão.

Hoje tive uma revelação do Espírito Santo sobre um evento que aconteceu há oito meses, quando eu tinha acabado de me converter praticamente. Eu estava com os pensamentos alinhados com Deus, e era como se Ele falasse comigo por meio dos pensamentos. Ele falava várias coisas, e uma delas, que na época pensei ser apenas um delírio meu, era: "Tu és deus". Eu não entendia o porquê. Pensei até que pudesse ser blasfêmia e, por isso, não dei muita importância àquele acontecimento.

Porém, hoje procurei viver um dia agradável a Deus e, no final do dia, fui fazer uma oração, desejando ouvir a voz do Espírito Santo. Então entendi que, naquele dia, realmente era Deus falando comigo. A ficha finalmente caiu. Compreendi que era Ele, porque somos iguais a Ele também, conhecedores do bem e do mal. E eu dizia para Deus: "Como assim eu sou igual a Ti? Como assim eu sou deus?".

Deus abençoe você, amigo. Não esqueça da promessa de Deus.

Minha Resposta:

Agradeço por compartilhar o seu testemunho. É muito bom ver o desejo sincero de ouvir a Deus e de agradá-Lo. Entretanto, toda experiência espiritual precisa ser examinada à luz da Palavra de Deus, pois ela é a autoridade final para discernirmos o que vem do Senhor e o que pode ser fruto dos nossos próprios pensamentos.

Quanto à expressão "vós sois deuses", usada no Salmo 82:6 e citada pelo Senhor Jesus em João 10:34-36, ela não ensina que os seres humanos possuem natureza divina ou que sejam deuses no sentido próprio. No contexto do Salmo 82, Deus está falando aos juízes de Israel, homens que receberam autoridade para julgar em Seu nome. Eles são chamados de "deuses" apenas em sentido representativo, porque exerciam uma função delegada por Deus. Logo em seguida, o próprio texto declara: "Todavia, como homens morrereis" (Salmo 82:7), mostrando claramente que continuavam sendo criaturas humanas e mortais.

Quando o Senhor Jesus citou essa passagem, Seu objetivo não foi ensinar que todos os homens são deuses, mas responder aos judeus que O acusavam de blasfêmia. Se a própria Escritura chamou aqueles juízes de "deuses" em sentido figurado, quanto mais legítimo era que Ele, o Filho de Deus, enviado pelo Pai, afirmasse Sua verdadeira identidade.

É verdade que, pela regeneração, recebemos uma nova vida e nos tornamos participantes da natureza divina (2 Pedro 1:4), mas isso não significa que nos tornamos deuses. Continuamos sendo criaturas redimidas pela graça. Somos filhos de Deus por adoção (Romanos 8:15-17; Gálatas 4:4-7), fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27) e estamos sendo transformados à imagem de Cristo (2 Coríntios 3:18), porém jamais compartilhamos Sua divindade.

Por isso, tenha muito cuidado com qualquer impressão ou voz interior que contradiga ou vá além do ensino das Escrituras. O Espírito Santo nunca conduz um filho de Deus a uma conclusão que a própria Palavra não confirma. Antes, Ele glorifica o Senhor Jesus Cristo (João 16:13-14) e nos conduz à verdade revelada.

Continue buscando comunhão com o Senhor, orando e estudando a Bíblia. Quanto mais conhecemos a Palavra de Deus, mais facilmente discernimos Sua vontade e evitamos interpretações que, embora pareçam espirituais, não encontram fundamento nas Escrituras.

Josué Matos

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O "cristianismo" é a religião do "amor", copiou o mito do "inferno" do Zoroastrismo, mas o "inferno" do Zoroastrismo não era eterno! É muito "amor" no coração!

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O "cristianismo" é a religião do "amor", copiou o mito do "inferno" do Zoroastrismo, mas o "inferno" do Zoroastrismo não era eterno! É muito "amor" no coração! ❤❤❤

Mas, mesmo assim, eu gosto de ler a Bíblia.

Minha Resposta:

Obrigado por compartilhar sua opinião e também por dizer que gosta de ler a Bíblia. Creio que este é o melhor ponto de partida para qualquer conversa sobre temas espirituais.

A afirmação de que o conceito bíblico do inferno foi copiado do Zoroastrismo é uma hipótese defendida por alguns estudiosos, mas está longe de representar um consenso histórico. O Antigo Testamento já apresenta a realidade do juízo de Deus muito antes do surgimento ou da influência persa sobre Israel. No Novo Testamento, o próprio Senhor Jesus falou repetidas vezes sobre a condenação futura. Se alguém aceita a autoridade dos Evangelhos, precisa considerar seriamente o ensino de Cristo sobre esse assunto.

Foi o Senhor Jesus quem declarou: "E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna" (Mateus 25:46). Observe que a mesma palavra "eterna" é usada tanto para a vida dos salvos quanto para o castigo dos perdidos. Se a vida eterna não tem fim, o texto também apresenta o castigo como tendo esse mesmo caráter.

O apóstolo Paulo escreveu que aqueles que rejeitam o evangelho "sofrerão pena de eterna destruição, banidos da face do Senhor" (2 Tessalonicenses 1:8-9). Já em Apocalipse 20:11-15 encontramos o julgamento diante do grande trono branco, onde aqueles cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida são lançados no lago de fogo.

Quanto ao amor de Deus, a Bíblia realmente o apresenta de maneira extraordinária. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito" (João 3:16). Mas o mesmo versículo mostra que esse amor oferece um meio de escapar da perdição. Deus não deseja que ninguém pereça (2 Pedro 3:9), porém também não força ninguém a recebê-Lo. Seu amor não elimina Sua justiça; ambos fazem parte do Seu caráter perfeito.

Se o inferno não existisse ou fosse apenas temporário, muitas advertências feitas pelo próprio Senhor Jesus perderiam o seu sentido. Ele falou mais sobre o juízo futuro do que qualquer outro personagem das Escrituras. Isso demonstra que o objetivo dessas advertências não era espalhar medo, mas chamar os pecadores ao arrependimento e oferecer-lhes a salvação.

Meu incentivo é que você continue lendo a Bíblia, mas permitindo que ela fale por si mesma. Em vez de interpretar as Escrituras à luz de teorias históricas, procure examinar se essas teorias realmente explicam todo o ensino bíblico. A fé cristã está fundamentada na pessoa de Jesus Cristo, em Sua morte e ressurreição, e no testemunho das Escrituras.

Josué Matos

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