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Arrebatamento e manifestação em glória não são o mesmo evento?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Arrebatamento e manifestação em glória não são o mesmo evento?

Minha Resposta:

Para esclarecer bem essa questão, é importante separar os assuntos que muitas vezes são misturados. A confusão normalmente acontece quando se coloca no mesmo bloco o arrebatamento da Igreja, a manifestação do Senhor Jesus em glória, o evangelho da graça, o evangelho do reino, as ressurreições e os diversos juízos. As Escrituras mostram que não estamos tratando de um único evento, mas de etapas diferentes no programa de Deus. O arrebatamento não é a mesma coisa que a vinda do Senhor Jesus à terra em glória. O primeiro é um mistério revelado no Novo Testamento, no qual o Senhor vem até os ares para receber os Seus; o segundo é a Sua manifestação pública, visível, em poder e grande glória, quando todo o olho O verá e Ele virá para julgar e estabelecer o Seu reino. Por isso, não é correto fazer de Mateus 24 o mesmo evento de 1 Tessalonicenses 4 e 1 Coríntios 15. A própria distinção é afirmada com clareza: o arrebatamento é para a Igreja, é iminente e ligado à esperança celestial; a manifestação em glória é precedida por sinais, está ligada a Israel e ao mundo, e culmina no reino milenar.

  1. O evangelho da graça e o evangelho do reino

Hoje, o que está sendo pregado é o evangelho da graça de Deus. Este está ligado ao período da Igreja, que começou historicamente no dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo veio habitar na Igreja, formando o Corpo de Cristo. Todos os salvos desde o Pentecostes até o arrebatamento pertencem a esse Corpo. O foco presente é um povo celestial, unido a Cristo, aguardando ser levado para estar com Ele.

Depois do arrebatamento, o testemunho da Igreja na terra termina, mas Deus não deixará de operar. As Escrituras mostram que, após a retirada da Igreja, ainda haverá salvação na terra durante a tribulação. Nesses dias, será pregado o evangelho do reino. Mateus 24:14 fala disso claramente. Esse evangelho estará ligado à proximidade do reino do Messias e preparará pessoas para entrarem vivas no reino milenar na terra. Ainda assim, a salvação continuará sendo baseada na obra do Cordeiro, pois Apocalipse mostra claramente pessoas lavando suas vestes no sangue do Cordeiro. Ou seja, a base da salvação nunca muda: sempre é Cristo e Seu sacrifício. O que muda é o caráter da mensagem no programa dispensacional de Deus. Hoje o evangelho da graça chama um povo para Cristo e para a esperança celestial; naquele período, o evangelho do reino chamará pessoas ao arrependimento, em vista da vinda do Rei e do estabelecimento do reino na terra.

  1. Quem pregará depois do arrebatamento

Uma dúvida comum é esta: se a Igreja tiver sido arrebatada, quem vai pregar depois? A resposta apresentada nas Escrituras é que Deus selará servos Seus, especialmente os cento e quarenta e quatro mil de Apocalipse 7, provenientes de Israel. Eles estarão ligados a esse testemunho futuro e, juntamente com os que forem alcançados, a mensagem do reino será difundida pelo mundo. Assim, haverá um remanescente salvo na tribulação. Isso está em harmonia com Mateus 24:14 e com Apocalipse 7.

  1. Arrebatamento e manifestação em glória não são o mesmo evento

A diferença entre os dois pode ser resumida assim:

No arrebatamento, o Senhor vem para os Seus; na manifestação em glória, Ele vem com os Seus.

No arrebatamento, os santos O encontram nos ares; na manifestação em glória, Ele vem à terra.

No arrebatamento, há consolo para a Igreja; na manifestação em glória, há juízo sobre o mundo e preparação para o reino.

No arrebatamento, trata-se do cumprimento de um mistério revelado no Novo Testamento; na manifestação, trata-se do cumprimento de muitas profecias já anunciadas.

Além disso, entre o arrebatamento e a manifestação em glória há um intervalo. Isso é necessário porque, depois do arrebatamento, no céu ocorrem pelo menos o tribunal de Cristo e as bodas do Cordeiro. Esses acontecimentos mostram que não se trata de uma volta instantânea à terra no mesmo momento.

  1. Então haverá pessoas salvas depois do arrebatamento?

Sim. Haverá pessoas regeneradas e salvas após o arrebatamento. Não pertencerão à Igreja, porque a Igreja já terá completado o seu curso e sido levada ao céu. Serão salvos daquele período de tribulação, muitos deles por meio da pregação do evangelho do reino. Entre eles haverá judeus do remanescente fiel e também gentios alcançados nesse período. Alguns entrarão vivos no reino; outros morrerão como mártires na tribulação e serão ressuscitados mais adiante.

Portanto, à pergunta “então haverá um arrebatamento, junto com a ressurreição dos irmãos que dormem, e depois um ajuntamento de pessoas regeneradas após o arrebatamento?”, a resposta é: sim, mas é preciso distinguir bem os grupos. No arrebatamento, são ressuscitados os crentes da presente era e transformados os crentes vivos da Igreja. Depois, durante a tribulação, Deus salvará outras pessoas que não pertencem à Igreja, mas ao testemunho daquele tempo.

  1. As ressurreições

As Escrituras não apresentam uma única ressurreição geral para todos ao mesmo tempo. Há distinções.

Primeiro, no arrebatamento, ressuscitam os crentes da era da Igreja que dormiram em Cristo, e os crentes vivos são transformados. Isso é o que vemos em 1 Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:51-52. O arrebatamento inclui ressurreição e transformação.

Depois, no fim da tribulação e em conexão com a vinda do Senhor em glória, há ressurreição dos santos ligados àquele período, incluindo os mártires da tribulação. O plano da “ressurreição para a vida” tem etapas. Não é tudo no mesmo instante.

Por fim, depois do milênio, ocorre a ressurreição dos ímpios para comparecerem diante do grande trono branco. Essa é a ressurreição para juízo. Ela é distinta da ressurreição dos justos e ocorre mil anos depois.

  1. Os juízos nas Escrituras

Também aqui é necessário separar.

Há, em primeiro lugar, o juízo que caiu sobre o Senhor Jesus na cruz. Ali a questão do pecado do crente foi tratada de uma vez por todas. Romanos 8:1 e 2 Coríntios 5:21 mostram que a condenação do crente foi levada por Cristo. Por isso, o salvo nunca mais comparecerá para ser julgado quanto à sua salvação.

Há também o autojulgamento do crente nesta vida. O crente é chamado a examinar-se, julgar-se e andar em santidade diante de Deus. Além disso, existe o juízo governamental de Deus em Sua casa, isto é, Sua disciplina no presente sobre os Seus. Exemplos disso são citados no Novo Testamento.

Depois do arrebatamento, vem o tribunal de Cristo. Esse tribunal não é para decidir salvação ou perdição. Essa questão já foi resolvida pela fé em Cristo. O tribunal de Cristo é para avaliação de obras, serviço, fidelidade, motivos e galardão. O crente comparece ali como salvo, não como réu perdido.

Depois, durante a tribulação, há os juízos de Deus derramados sobre a terra, como vemos em Apocalipse 6 a 19. São juízos providenciais e depois mais intensos, preparando o cenário para a manifestação do Senhor em glória.

Quando o Senhor vier em glória, haverá juízo sobre as nações vivas, como em Mateus 25:31-46. Esse juízo não é o grande trono branco. Aqui o Senhor trata com pessoas vivas das nações, separando-as como ovelhas e bodes, em conexão com a Sua vinda para reinar.

Quanto a Israel, haverá também um juízo purificador e seletivo. Jeremias 30 fala do “tempo de angústia de Jacó”, e Ezequiel 20 mostra o Senhor tratando com Israel, separando os rebeldes do remanescente que entrará na bênção do reino. Portanto, há, sim, um juízo especial ligado ao povo judeu antes da plena restauração nacional.

Finalmente, depois do milênio, ocorre o juízo do grande trono branco. Ali comparecem os mortos ímpios. Esse juízo não é para a Igreja, nem para os salvos, nem para decidir quem talvez possa ainda ser salvo. É o juízo final dos perdidos, segundo suas obras, culminando no lago de fogo.

  1. Uma sequência simples para não confundir

Se quisermos colocar de forma bem simples, a ordem é esta:

Primeiro, vivemos hoje no período da Igreja, em que é pregado o evangelho da graça.

Depois, o próximo grande evento é o arrebatamento da Igreja, com ressurreição dos crentes que dormem em Cristo e transformação dos crentes vivos.

Em seguida, no céu, acontecem o tribunal de Cristo e as bodas do Cordeiro.

Enquanto isso, na terra ocorre a tribulação, com juízos divinos e a pregação do evangelho do reino, inclusive por meio do remanescente judeu selado.

Depois, o Senhor Jesus volta em glória à terra, com os Seus santos.

Então há juízo sobre as nações vivas e o trato purificador com Israel.

Em seguida, vem o reino milenar de Cristo.

No final do milênio, vem a ressurreição dos ímpios e o juízo do grande trono branco.

  1. Resposta direta à dúvida levantada

Portanto, não são “três eventos soltos” sem relação, mas uma sequência profética ordenada.

Sim, haverá o arrebatamento com a ressurreição dos crentes da Igreja.

Sim, depois do arrebatamento haverá pessoas salvas na terra, não como Igreja, mas como remanescente e convertidos do período da tribulação.

Sim, haverá outra ressurreição ligada aos santos desse período, antes do milênio.

E sim, a manifestação em glória não é o mesmo acontecimento do arrebatamento. Uma é a vinda do Senhor para buscar a Sua Igreja; a outra é a Sua revelação pública ao mundo para julgar e reinar.

Se desejar, depois eu posso transformar tudo isso numa resposta curta, pronta para enviar no grupo, em formato de mensagem.

Josué Matos








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O dispensacionalismo não se sustenta diante do texto bíblico

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Com respeito, o dispensacionalismo não se sustenta diante do texto bíblico. Nunca houve “tentativa e erro” no relacionamento de Deus com o homem, mas um plano eterno centrado no Cordeiro. Existe apenas uma dispensação da graça, revelada desde Gênesis. O restante é ginástica teológica. Maranata!

Minha Resposta:

É importante reconhecer, antes de tudo, que há uma verdade correta no que você afirmou: Deus nunca esteve em “tentativa e erro”. Seu plano sempre foi perfeito, eterno e imutável. A Escritura declara claramente que o Senhor Jesus Cristo é “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8), e também que fomos escolhidos “antes da fundação do mundo” (Efésios 1:4). Portanto, não há evolução no propósito de Deus, nem ajustes ao longo do tempo.

No entanto, é necessário distinguir entre duas coisas que a Bíblia também distingue com clareza:

o plano eterno de Deus
e as diferentes formas pelas quais Deus tratou com o homem ao longo da história

Essa distinção é essencial.

  1. A unidade do plano de Deus

Você está correto ao afirmar que o evangelho não mudou. Desde Gênesis 3:15, quando foi prometida a “semente da mulher”, Deus já anunciava a vitória de Cristo sobre Satanás. Esse é o mesmo fundamento que aparece em toda a Escritura.

Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça (Gênesis 15:6; Romanos 4:3). Davi fala da bem-aventurança do homem a quem Deus imputa justiça sem obras (Salmos 32:1-2; Romanos 4:6-8). No Novo Testamento, a salvação continua sendo pela graça mediante a fé (Efésios 2:8-9).

Portanto, não existem vários caminhos de salvação. Há apenas um: Cristo.

  1. As diferentes dispensações não são “tentativa e erro”

O equívoco está em entender as dispensações como se fossem experiências falhas de Deus. A Escritura nunca apresenta assim.

A própria Bíblia fala de diferentes administrações ou dispensações. Em Efésios 1:10, lemos sobre “a dispensação da plenitude dos tempos”. Em Efésios 3:2, Paulo fala da “dispensação da graça de Deus”. Em Colossenses 1:25, ele menciona uma administração que lhe foi confiada.

A palavra “dispensação” significa administração, mordomia, maneira de Deus lidar com o homem em determinado período.

Essas mudanças não indicam falha divina, mas revelação progressiva.

Por exemplo:

Antes da lei, não havia mandamentos escritos como no Sinai (Romanos 5:13)
Sob a lei, Israel estava debaixo de um sistema específico (Gálatas 3:24)
Hoje, a Igreja não está debaixo da lei, mas da graça (Romanos 6:14)

Isso não é contradição. É desenvolvimento da revelação.

  1. A própria Escritura reconhece mudanças na forma de Deus tratar com o homem

Hebreus 1:1 declara:

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais pelos profetas…”

Aqui vemos claramente que Deus falou “de muitas maneiras”, não apenas de uma.

Em João 1:17 está escrito:

“Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.”

Não significa que não havia graça antes, mas que agora ela foi plenamente revelada em Cristo.

Outro exemplo claro está em Atos 17:30:

“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam.”

Observe: há um “antes” e um “agora”.

Isso é exatamente o que o ensino das dispensações procura organizar: não diferentes planos de salvação, mas diferentes responsabilidades do homem diante de Deus conforme a luz recebida.

  1. A relação entre unidade e diversidade na revelação

A Escritura mostra ao mesmo tempo:

uma unidade absoluta no propósito de Deus
e uma diversidade nas suas administrações

Isso é semelhante ao que vemos no desenvolvimento de uma criança até a maturidade. O propósito é o mesmo, mas as fases são distintas.

Gálatas 4:1-5 usa essa figura ao comparar o povo de Deus com um herdeiro que, enquanto menino, está sob tutores, mas depois entra na liberdade.

  1. O perigo de negar as distinções bíblicas

Quando se elimina toda distinção entre os diferentes períodos bíblicos, surgem confusões sérias, como:

misturar Israel com a Igreja
colocar o crente de hoje debaixo da lei
ignorar a posição celestial da Igreja em Cristo
não compreender corretamente profecias futuras

A própria história da Igreja primitiva mostra que houve grande conflito exatamente nesse ponto, quando alguns queriam misturar lei e graça .

  1. Conclusão

Portanto, a verdade bíblica não está em escolher entre:

um único plano eterno de Deus
ou diferentes dispensações

mas em reconhecer ambos.

Deus sempre teve um único plano: Cristo.

Mas Ele revelou esse plano progressivamente, tratando o homem de formas distintas ao longo do tempo, sem jamais mudar o fundamento da salvação.

Assim, o dispensacionalismo, quando corretamente entendido, não nega a unidade do evangelho, mas procura respeitar todas as distinções que a própria Escritura apresenta.

Quanto à expressão final, “Maranata”, nela todos concordamos:

“O Senhor breve virá.”

1 Coríntios 16:22

Josué Matos

Em relação ao desligamento em caso de pecados, poderia citar exemplos em quais situações deveríamos levar diretamente ao conhecimento da igreja local?

 Alguém me escreveu no WhatsApp:

Irmão, em relação ao desligamento em caso de pecados, poderia citar exemplos em quais situações deveríamos levar diretamente ao conhecimento da igreja local?

Minha Resposta:

A Escritura faz uma distinção muito importante entre tipos de pecados e, consequentemente, entre o modo como devem ser tratados. Nem todo pecado é tratado da mesma forma, e é exatamente aqui que muitos se confundem.

Primeiro, há pecados de ordem pessoal ou conflitos entre irmãos. O próprio Senhor ensina o procedimento em Mateus 18:15-17. Se um irmão pecar contra outro, deve-se tratar em particular. Se houver arrependimento, o assunto termina ali. Caso contrário, leva-se uma ou duas testemunhas. Persistindo a recusa, então sim, o caso é levado à igreja. Portanto, nesses casos, não se começa levando à igreja, mas segue-se um processo de restauração.

Um exemplo claro disso está em Filipenses 4:2-3, onde duas irmãs estavam em desacordo. O apóstolo Paulo não ordena exclusão, mas exorta à reconciliação e até pede ajuda de outros irmãos para restaurar a comunhão. Isso mostra que nem todo pecado exige disciplina pública, mas sim tratamento pastoral e espiritual visando restauração.

Por outro lado, há pecados de natureza moral grave ou pública, que comprometem o testemunho da assembleia e a santidade da casa de Deus. Esses devem ser levados diretamente ao conhecimento da igreja, mesmo que haja arrependimento posterior.

Em 1 Coríntios 5, o apóstolo Paulo trata de um caso de imoralidade extremamente grave. Ele não orienta um processo gradual, mas ordena diretamente a exclusão: “Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” (1 Coríntios 5:13). E no mesmo capítulo há uma lista clara de pecados que exigem tal ação: “Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer” (1 Coríntios 5:11).

Isso mostra que, quando se trata de pecados que são moralmente escandalosos ou que afetam o testemunho público, a questão não é apenas o arrependimento individual, mas a pureza da igreja diante de Deus.

Por exemplo:

Se um crente é encontrado em adultério ou fornicação, mesmo que depois diga que se arrependeu, o pecado já teve um caráter público ou moralmente grave. Isso exige ação da igreja.

Se um crente é conhecido como ladrão ou desonesto em seu trabalho, isso afeta diretamente o testemunho cristão. A igreja deve agir.

Se um crente vive em embriaguez ou práticas mundanas públicas, igualmente compromete o nome do Senhor.

Nesses casos, a disciplina não é apenas corretiva, mas também preservadora da santidade da assembleia, conforme 1 Coríntios 5:6-7, onde o pecado é comparado ao fermento que leveda toda a massa.

Além disso, há também a questão doutrinária. Se um irmão, por ignorância, apresenta algum erro, ele deve ser instruído com mansidão, conforme 2 Timóteo 2:24-25. Mas se ele insiste em propagar erro e tenta influenciar a igreja, então o assunto passa a ser coletivo e deve ser tratado pela assembleia, pois já não é apenas uma fraqueza pessoal, mas um perigo para todos.

Portanto, podemos resumir assim:

Conflitos pessoais e pecados entre irmãos: seguem o processo de Mateus 18, visando restauração.

Erros por ignorância: tratados com ensino e paciência.

Pecados morais graves ou públicos (como os de 1 Coríntios 5): devem ser levados diretamente à igreja, mesmo que haja arrependimento, pois envolvem o testemunho coletivo.

Persistência no pecado ou na doutrina errada: também exige ação da igreja.

A disciplina não é uma negação da graça, mas uma expressão da santidade de Deus. A igreja é chamada de “casa de Deus” (1 Timóteo 3:15), e por isso deve refletir Seu caráter.

Josué Matos