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O arrebatamento não tem nada a ver com o Dia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O que eu disse é que Cristo já veio uma vez, quando foi morto e crucificado, e virá outra vez em juízo, no Dia do Senhor. Paulo não ensinou nenhuma vinda secreta.

Quando Paulo escreve aos tessalonicenses, que aguardavam o arrebatamento a qualquer momento para terem descanso das tribulações que sofriam, dizendo que o descanso é quando Jesus vier em chama de fogo, e alguém afirma que o arrebatamento não tem nada a ver com o Dia do Senhor, então essa afirmação só dá vontade de rir, porque quem afirma isso só mostra que não percebeu nada do que Paulo escreveu aos tessalonicenses.

Minha Resposta:

Vou ser mais direto nesta resposta, porque percebo que estamos chegando a um ponto em que a discussão deixou de avançar. Você continua repetindo praticamente os mesmos argumentos, mesmo depois de eu ter apresentado explicações detalhadas, acompanhadas de diversas passagens bíblicas.

Repetir uma afirmação não a transforma em verdade. Também não basta dizer que o outro não compreendeu o apóstolo Paulo ou que determinada interpretação dá vontade de rir. Isso não é argumentação bíblica.

Se deseja contrariar aquilo que escrevi, apresente os versículos que demonstram onde a minha explicação está errada. Examine os textos que citei, considere o contexto e procure responder aos argumentos apresentados.

Até agora, você tem insistido na mesma conclusão sem enfrentar adequadamente as passagens bíblicas utilizadas nas minhas respostas.

Essa maneira de proceder acaba se parecendo com a atitude de um papagaio, que repete aquilo que aprendeu sem necessariamente analisar o conteúdo do que está dizendo. É também uma característica frequentemente encontrada no sectarismo religioso: repetir continuamente uma interpretação previamente estabelecida, sem disposição para examinar seriamente os textos que possam contrariá-la.

Não estou afirmando que você pertença a alguma seita, mas advertindo sobre um comportamento que não contribui para o conhecimento das Escrituras.

Em Atos dos Apóstolos 17:11, os bereanos foram elogiados porque examinavam diariamente as Escrituras para verificar se aquilo que Paulo lhes anunciava era verdadeiro.

Observe que eles não aceitaram um ensinamento simplesmente porque Paulo o apresentou. Examinaram as Escrituras.

É esse o procedimento que espero nesta conversa.

Agora, vamos novamente ao texto bíblico.

1. Você está confundindo a primeira vinda de Cristo com os diferentes acontecimentos relacionados à Sua segunda vinda

Você escreveu:

"Cristo já veio uma vez, quando foi morto e crucificado, e virá outra vez em juízo, no Dia do Senhor."

Concordo que Cristo veio uma primeira vez e que voltará. Entretanto, ninguém está defendendo três vindas de Cristo.

A distinção entre o arrebatamento e a manifestação em glória não significa afirmar que Cristo terá três encarnações ou três vindas independentes.

Estamos tratando de acontecimentos distintos relacionados ao Seu retorno.

Na primeira vinda, Cristo veio ao mundo, nasceu de mulher, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia (Gálatas 4:4; 1 Coríntios 15:3-4).

Quanto ao futuro, as Escrituras apresentam diferentes aspectos do Seu retorno.

Em 1 Tessalonicenses 4:16-17, Cristo desce do céu e os salvos são arrebatados para encontrá-Lo nos ares.

Em Apocalipse 19:11-16, Cristo aparece em glória, vindo para julgar e guerrear.

Em Colossenses 3:4, encontramos uma informação adicional:

"Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória."

Observe cuidadosamente: quando Cristo Se manifestar em glória, os salvos também serão manifestados com Ele.

Portanto, a pergunta que você precisa responder é esta:

Se a Igreja somente será arrebatada no momento em que Cristo Se manifestar em glória, como explicar que ela já aparece associada a Ele nessa manifestação?

Essa distinção não deve ser descartada simplesmente porque você prefere considerar todos os acontecimentos como um único evento simultâneo.

2. Paulo não ensinou uma vinda secreta? Então responda ao que ele realmente escreveu

Você insiste na expressão "vinda secreta", embora eu não tenha fundamentado minha explicação nessa expressão.

O arrebatamento não depende da afirmação de que ninguém ouvirá absolutamente nada ou de que o acontecimento será invisível.

Aliás, 1 Tessalonicenses 4:16 menciona alarido, voz de arcanjo e trombeta de Deus.

Portanto, não estou defendendo a ausência de manifestações audíveis.

O que afirmo é que o arrebatamento da Igreja e a manifestação pública de Cristo em juízo possuem características e propósitos distintos.

Compare os textos:

Em 1 Tessalonicenses 4:17, os salvos são arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.

Em Zacarias 14:4, os pés do Senhor estarão sobre o monte das Oliveiras.

Em João 14:3, Cristo promete receber os Seus para Si mesmo, a fim de que estejam onde Ele está.

Em Apocalipse 19:11-21, Cristo aparece como Juiz e Guerreiro, executando juízo sobre os Seus inimigos.

Em 1 Coríntios 15:51-52, Paulo apresenta o mistério da transformação dos salvos, que acontecerá num momento, num abrir e fechar de olhos.

Em Apocalipse 19, encontramos a manifestação pública do Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Você pode discordar da interpretação pré-tribulacional, mas precisa demonstrar biblicamente por que esses acontecimentos devem ser considerados necessariamente simultâneos.

A simples afirmação de que Paulo não ensinou uma vinda secreta não responde a essa questão.

3. O descanso mencionado em 2 Tessalonicenses 1 não determina a data do arrebatamento

Este parece ser o principal argumento que você continua repetindo.

Paulo escreveu:

"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo." (2 Tessalonicenses 1:7-8).

Você conclui que, porque Paulo relaciona o descanso dos santos à manifestação de Cristo em glória, o arrebatamento obrigatoriamente acontecerá naquele mesmo momento.

Entretanto, essa conclusão não decorre necessariamente do texto.

Primeiro, observe o assunto desenvolvido por Paulo.

Nos versículos 4 e 5, ele menciona as perseguições e aflições suportadas pelos tessalonicenses.

No versículo 6, declara que Deus recompensará com tribulação aqueles que os atribulam.

Nos versículos 7 a 10, apresenta a futura manifestação pública de Cristo, quando a justiça divina será executada e Ele será glorificado nos Seus santos.

O contraste é entre a condição presente dos perseguidos e a futura intervenção de Deus em justiça.

Paulo está assegurando que os perseguidores não permanecerão impunes e que os salvos participarão do triunfo de Cristo.

O texto não apresenta a sequência detalhada dos acontecimentos relacionados ao arrebatamento da Igreja.

Mais importante ainda: Paulo não afirma em 2 Tessalonicenses 1:7 que os mortos em Cristo ressuscitarão naquele momento, nem descreve a transformação dos vivos ou o encontro da Igreja com Cristo nos ares.

Esses detalhes são apresentados em 1 Tessalonicenses 4:13-18.

Você está utilizando uma passagem que trata da manifestação de Cristo em juízo para estabelecer uma cronologia que ela própria não apresenta.

Há uma diferença entre afirmar que os salvos terão descanso quando Cristo Se manifestar e afirmar que eles somente poderão receber descanso naquele exato momento.

O segundo enunciado não é uma consequência obrigatória do primeiro.

Considere também Apocalipse 14:13:

"Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam."

Os salvos que morrem em Cristo já desfrutam de descanso, embora a manifestação pública do Senhor ainda seja futura.

Portanto, o descanso dos salvos não precisa ser limitado a um único instante profético.

4. Você ainda não respondeu à distinção que Paulo estabelece entre a tribulação presente e a ira futura

Este é outro ponto que precisa ser enfrentado.

Em 1 Tessalonicenses 3:3-4, Paulo explica que os cristãos estavam destinados a enfrentar tribulações.

Entretanto, em 1 Tessalonicenses 1:10, afirma que aguardavam dos céus o Filho de Deus, Jesus, que os livra da ira futura.

E acrescenta:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:9).

A pergunta é simples: as perseguições sofridas pelos tessalonicenses eram a ira divina anunciada para o futuro?

Evidentemente que não.

Eles estavam sofrendo nas mãos dos homens, não experimentando os juízos escatológicos de Deus.

O próprio Paulo faz essa distinção em 2 Tessalonicenses 1:6, ao explicar que Deus futuramente retribuirá com tribulação aqueles que agora atribulam os Seus servos.

A tribulação presente dos cristãos e a futura intervenção de Deus em juízo não são acontecimentos idênticos.

Na interpretação pré-tribulacional, essa distinção é fundamental para compreender a promessa de livramento da ira futura.

Você pode procurar contrariar essa interpretação, mas precisa fazê-lo examinando os textos, e não simplesmente repetindo que os tessalonicenses estavam sofrendo perseguições.

Isso já foi reconhecido e explicado nas respostas anteriores.

5. O que Paulo realmente estava corrigindo em 2 Tessalonicenses 2?

Voltemos ao centro da discussão.

Paulo escreveu:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto." (2 Tessalonicenses 2:1-2).

É importante observar que, conforme a tradição textual seguida por diversas traduções modernas, a expressão no final do versículo 2 é "Dia do Senhor", e o sentido da advertência é que aquele dia já estivesse presente.

Os tessalonicenses estavam sendo perturbados por um ensinamento equivocado.

Paulo menciona duas questões que precisam ser consideradas cuidadosamente:

  • A vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com Ele.
  • O Dia do Senhor, acerca do qual estavam recebendo informações falsas.

O apóstolo não estava ensinando que as perseguições enfrentadas pelos cristãos constituíam prova de que o arrebatamento estava acontecendo.

Pelo contrário, procurava corrigir a falsa compreensão de que o Dia do Senhor já havia chegado.

Em seguida, menciona a apostasia e a manifestação do homem do pecado como acontecimentos relacionados àquele período profético.

Na compreensão pré-tribulacional, esses acontecimentos não são apresentados como condições que a Igreja precisa presenciar antes de encontrar Cristo nos ares.

Você afirmou anteriormente que os tessalonicenses poderiam ter certeza de que o arrebatamento não havia acontecido porque o homem do pecado ainda não tinha aparecido.

Mas onde Paulo escreveu exatamente isso?

Mostre o versículo em que ele afirma que a Igreja precisa reconhecer o homem do pecado antes de ser arrebatada.

Não basta citar 2 Tessalonicenses 2:3. É necessário demonstrar que a condição mencionada naquele versículo se refere ao arrebatamento, e não ao Dia do Senhor, que é o assunto da perturbação apresentada no versículo anterior.

Essa é precisamente a distinção que você continua deixando de examinar.

6. A esperança da Igreja é Cristo, não a manifestação do homem do pecado

Paulo escreveu aos filipenses:

"Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso." (Filipenses 3:20-21).

Observe o objeto da esperança cristã: o Salvador.

Não encontramos aqui uma orientação para aguardar primeiramente o aparecimento do homem do pecado.

Em 1 Tessalonicenses 1:10, os cristãos aguardavam dos céus o Filho de Deus.

Em 1 Coríntios 1:7, aguardavam a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.

Em Tito 2:13, Paulo apresenta a bem-aventurada esperança.

E em 1 Tessalonicenses 4:18, depois de explicar o arrebatamento, conclui:

"Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras."

É particularmente significativo que Paulo tenha apresentado o encontro com Cristo como motivo de consolação, sem estabelecer naquele capítulo uma lista de acontecimentos proféticos que precisariam ser identificados antes.

Na interpretação pré-tribulacional, a Igreja aguarda o próprio Senhor, enquanto os acontecimentos relacionados ao Dia do Senhor possuem sua ordem profética específica.

7. Agora, em vez de repetir a mesma afirmação, responda biblicamente

José, quero concluir deixando algumas perguntas objetivas.

Não peço que concorde comigo simplesmente porque escrevi uma explicação extensa. Peço que examine as Escrituras e responda aos argumentos apresentados.

  1. Onde Paulo afirma que a Igreja precisa ver o homem do pecado antes de ser arrebatada?

  2. Se 1 Tessalonicenses 4:16-17 e Apocalipse 19:11-21 descrevem exatamente o mesmo acontecimento, por que no primeiro os salvos sobem para encontrar Cristo nos ares e, no segundo, Cristo aparece em glória para executar juízo?

  3. Se o descanso de 2 Tessalonicenses 1:7 significa obrigatoriamente que o arrebatamento ocorrerá naquele exato momento, como você harmoniza essa conclusão com o descanso já desfrutado pelos salvos que morrem no Senhor, conforme Apocalipse 14:13?

  4. Como você distingue as perseguições que os cristãos estavam sofrendo da ira futura da qual Cristo promete livrar os Seus, conforme 1 Tessalonicenses 1:10 e 5:9?

  5. Se Paulo ensinava que os tessalonicenses deveriam aguardar determinados sinais antes de encontrar Cristo, por que, ao apresentar especificamente o arrebatamento em 1 Tessalonicenses 4:13-18, ele não estabelece esses sinais como condições prévias?

Essas perguntas precisam de respostas fundamentadas nas Escrituras.

E, por favor, não responda novamente apenas dizendo que Paulo ensinou que o descanso virá quando Cristo aparecer em chama de fogo. Já examinei essa passagem e expliquei por que ela não estabelece, por si só, a cronologia que você pretende defender.

Se considera minha explicação incorreta, mostre onde está o erro mediante a exposição bíblica.

Consideração final

Existe uma diferença muito grande entre estudar as Escrituras para descobrir o que elas ensinam e procurar continuamente argumentos para defender uma conclusão da qual não estamos dispostos a abrir mão.

Todos nós precisamos ter cuidado com isso.

O apóstolo Paulo escreveu:

"Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5:21).

Não disse para repetirmos tudo aquilo que aprendemos sem verificar se corresponde à verdade.

Também escreveu:

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Timóteo 2:15).

Manejar bem a Palavra exige respeitar o contexto, distinguir os assuntos tratados e considerar todas as passagens relacionadas a determinada doutrina.

Você tem todo o direito de discordar da interpretação pré-tribulacional. Entretanto, discordar não é o mesmo que refutar.

E rir de uma explicação bíblica não constitui argumento teológico.

Se deseja continuar esta conversa, apresente algo novo: uma análise contextual dos versículos que citei, uma demonstração bíblica de que minhas conclusões estão equivocadas ou uma explicação que responda diretamente às perguntas apresentadas.

Caso contrário, estaremos apenas andando em círculos.

Não pretendo transformar esta discussão numa sequência interminável de respostas ao mesmo argumento. A finalidade destes estudos é compreender e expor fielmente a Palavra de Deus, não vencer uma disputa pessoal.

Que as Escrituras tenham a última palavra, e não as nossas preferências doutrinárias.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

E sobre o jejum?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

E sobre o jejum?

Minha Resposta:

O jejum é uma prática encontrada tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Entretanto, precisamos compreender seu verdadeiro significado, sua finalidade espiritual e, principalmente, se existe algum mandamento que obrigue os cristãos a jejuar nos dias atuais.

A resposta bíblica é que o jejum é uma prática legítima, que pode acompanhar a oração e a busca pela direção de Deus, mas não constitui uma obrigação imposta à Igreja, tampouco um meio de alcançar méritos diante de Deus.

Vamos considerar algumas passagens das Escrituras.

1. O jejum no Antigo Testamento

No Antigo Testamento, o jejum estava frequentemente associado à humilhação diante de Deus, ao arrependimento, à tristeza e à busca pela orientação divina.

Encontramos diversos exemplos:

  • Moisés jejuou durante quarenta dias e quarenta noites na presença do Senhor (Êxodo 34:28).
  • Davi jejuou enquanto buscava a misericórdia de Deus pela vida de seu filho (2 Samuel 12:16).
  • Esdras proclamou um jejum para que o povo se humilhasse diante de Deus e buscasse um caminho seguro (Esdras 8:21-23).
  • Os habitantes de Nínive proclamaram um jejum como expressão de arrependimento diante da mensagem anunciada por Jonas (Jonas 3:5-10).

Entretanto, Deus deixou claro que a simples abstinência de alimentos não possuía valor espiritual quando o coração permanecia distante Dele.

Em Isaías 58:3-7, o Senhor repreendeu aqueles que jejuavam exteriormente, mas continuavam praticando injustiças, contendas e opressões.

Isso nos ensina que o jejum nunca deveria ser considerado um ritual capaz de substituir a obediência à Palavra de Deus.

2. O que o Senhor Jesus ensinou sobre o jejum?

Em Mateus 6:16-18, o Senhor Jesus ensinou:

"Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam."

Observe que o Senhor não condenou o jejum. Sua repreensão foi dirigida àqueles que utilizavam essa prática para demonstrar uma espiritualidade que desejavam exibir publicamente.

Os fariseus transformavam o jejum numa demonstração exterior de religiosidade. Segundo Lucas 18:12, alguns se orgulhavam de jejuar duas vezes por semana.

O Senhor Jesus ensinou justamente o contrário: aquele que jejua deve fazê-lo diante de Deus, sem procurar reconhecimento humano.

Portanto, o valor do jejum não está na quantidade de horas sem comer, mas na sinceridade do coração diante do Senhor.

3. Por que os discípulos não jejuavam enquanto Jesus estava com eles?

Encontramos uma passagem particularmente importante em Mateus 9:14-15.

Os discípulos de João Batista perguntaram ao Senhor Jesus por que eles e os fariseus jejuavam frequentemente, enquanto os discípulos de Jesus não jejuavam.

O Senhor respondeu:

"Podem, porventura, andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão."

O Senhor apresentou a Si mesmo como o Esposo. Enquanto estava fisicamente com os discípulos, Sua presença era motivo de alegria.

Entretanto, chegaria o momento em que Ele lhes seria tirado.

É importante observar que Jesus não estabeleceu nessa passagem um calendário religioso, uma quantidade obrigatória de dias ou uma frequência semanal de jejum.

Ele simplesmente mostrou que haveria circunstâncias nas quais Seus discípulos jejuariam.

4. A Igreja primitiva praticava o jejum?

Sim. O livro de Atos dos Apóstolos apresenta dois exemplos particularmente esclarecedores.

Em Atos 13:2-3, encontramos os cristãos reunidos em Antioquia servindo ao Senhor e jejuando. Foi naquela ocasião que o Espírito Santo indicou Barnabé e Saulo para a obra à qual os havia chamado.

Depois disso, os cristãos jejuaram, oraram e lhes impuseram as mãos, despedindo-os.

Outro exemplo aparece em Atos 14:23:

"E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido."

Essas passagens demonstram que o jejum era praticado pelos primeiros cristãos, especialmente em circunstâncias relacionadas à oração, à dependência de Deus e a decisões importantes no serviço cristão.

Entretanto, precisamos distinguir entre uma prática registrada nas Escrituras e um mandamento universal dirigido a todos os cristãos.

O Novo Testamento não estabelece que todo crente deva jejuar determinado número de vezes por semana, nem determina períodos obrigatórios de abstinência alimentar para a Igreja.

5. O jejum torna nossa oração mais poderosa?

Aqui precisamos ter bastante cuidado com alguns ensinamentos populares.

Há quem afirme que determinadas respostas de Deus somente podem ser alcançadas mediante jejuns prolongados, ou que quanto maior o sacrifício físico, maior será o poder espiritual recebido.

Entretanto, não encontramos nas epístolas um ensino que apresente o jejum como uma espécie de instrumento para obrigar Deus a atender às nossas petições.

Nossa aproximação de Deus está fundamentada na pessoa e na obra do Senhor Jesus Cristo, e não em nossos sacrifícios pessoais.

Hebreus 4:16 declara:

"Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno."

Observe que o convite é para nos aproximarmos com confiança, fundamentados na graça divina.

O jejum pode acompanhar um período especial de oração, mas não torna Deus mais disposto a ouvir Seus filhos, como se Sua bondade dependesse da quantidade de refeições que deixamos de fazer.

Também não devemos confundir disciplina espiritual com poder espiritual. O poder pertence a Deus, e o cristão depende continuamente do Espírito Santo.

6. O cristão que não jejua está em pecado?

Não podemos afirmar isso.

Não existe nas epístolas dirigidas à Igreja um mandamento que estabeleça o jejum como uma obrigação periódica para todos os salvos.

Diferentemente da oração, sobre a qual encontramos uma exortação expressa em 1 Tessalonicenses 5:17 — "Orai sem cessar" —, não encontramos uma determinação equivalente ordenando que todos os cristãos jejuem continuamente ou em dias específicos.

Portanto, não seria correto transformar uma prática voluntária numa lei espiritual.

O cristão pode sentir a necessidade de separar determinado período para oração e jejum, especialmente diante de alguma circunstância que o leve a buscar a direção do Senhor com maior dedicação.

Contudo, isso deve acontecer de maneira sincera, sem imposições humanas e sem considerar espiritualmente inferiores aqueles que não adotam a mesma prática.

Também é importante lembrar que o jejum não é uma competição espiritual. Pessoas com limitações de saúde, necessidades alimentares específicas ou que dependem de medicamentos não devem ser constrangidas a comprometer sua saúde para demonstrar espiritualidade.

Deus conhece o coração e as circunstâncias de cada pessoa.

7. O verdadeiro jejum não substitui uma vida de comunhão com Deus

Um cristão pode permanecer muitas horas sem se alimentar e, ainda assim, continuar distante de Deus em seus pensamentos e atitudes.

Por outro lado, alguém pode desfrutar de profunda comunhão com o Senhor sem estar praticando um jejum alimentar.

A verdadeira espiritualidade não se mede pelo sofrimento físico, mas pela obediência à Palavra de Deus, pela dependência do Espírito Santo e pela manifestação do caráter de Cristo em nossa vida.

Em Colossenses 2:20-23, o apóstolo Paulo adverte contra práticas religiosas baseadas em proibições humanas e no rigor para com o corpo, mostrando que tais exercícios, por si mesmos, não possuem poder para vencer os desejos da carne.

Isso não significa que toda abstinência voluntária seja errada. Significa que não devemos atribuir ao sofrimento físico uma capacidade espiritual que as Escrituras não lhe conferem.

O jejum não santifica automaticamente uma pessoa. A santificação está relacionada à ação de Deus em nossa vida, mediante Sua Palavra e o Espírito Santo (João 17:17; 2 Tessalonicenses 2:13).

Conclusão

O jejum é uma prática bíblica legítima, mas não é uma condição para a salvação, não constitui uma obrigação periódica para a Igreja e não deve ser utilizado como instrumento de demonstração pública de espiritualidade.

Quando praticado, deve acompanhar uma atitude sincera de oração, humilhação e dependência de Deus.

Não devemos condenar quem jejua, nem acusar de desobediência aquele que não jejua.

O importante é compreender que nossa comunhão com Deus não depende de rituais exteriores, mas de nosso relacionamento com Ele por meio do Senhor Jesus Cristo.

O cristão não precisa passar fome para convencer Deus a ouvi-lo. Ele já possui, em Cristo, livre acesso ao Pai (Efésios 2:18).

O jejum pode ser uma expressão de nossa dedicação a Deus, mas jamais deve ocupar o lugar daquilo que é verdadeiramente essencial: a fé, a obediência, a oração e a comunhão diária com o Senhor.

Josué Matos

Conheça Nossos Aplicativos:

Gostaria de saber se existe algum curso ou uma espécie de “teologia”, pois quero me aprofundar na pregação, assim como os irmãos mais experientes.

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa noite! Gostaria de tirar uma dúvida. Estou congregando em uma assembleia, mas gostaria de saber se existe algum curso ou uma espécie de “teologia”, pois quero me aprofundar na pregação, assim como os irmãos mais experientes. Desde já, agradeço!

Minha Resposta:

Primeiramente, fico contente em saber do seu desejo de aprofundar-se no conhecimento das Escrituras e desenvolver-se no ministério da Palavra de Deus. Esse é um desejo muito importante, especialmente quando nasce de um coração que procura conhecer melhor o Senhor Jesus Cristo e ser útil na Sua obra.

Quanto à sua pergunta, existem, sim, cursos bíblicos, estudos sistemáticos e excelentes materiais que podem ajudá-lo a adquirir um conhecimento mais profundo das Escrituras. Entretanto, gostaria de compartilhar algumas considerações bíblicas que considero fundamentais, especialmente para alguém que está congregando em uma assembleia de cristãos reunidos ao nome do Senhor Jesus.

1. A formação de um pregador começa com a Palavra de Deus

O primeiro aspecto que precisamos compreender é que, nas Escrituras, a preparação de alguém para o ministério da Palavra não está necessariamente vinculada à formação acadêmica ou à obtenção de um diploma de teologia.

Observe o conselho que o apóstolo Paulo deu ao jovem Timóteo:

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2 Timóteo 2:15).

Observe que Paulo não disse a Timóteo que procurasse primeiramente a aprovação dos homens, mas a aprovação de Deus. Também destacou a necessidade de manejar corretamente a Palavra da verdade.

Isso exige dedicação, disciplina, leitura, meditação, oração e perseverança.

Um bom pregador não é necessariamente aquele que consegue falar durante uma hora, que possui um vocabulário sofisticado ou que impressiona os ouvintes com seus conhecimentos. É aquele que consegue transmitir fielmente aquilo que Deus revelou em Sua Palavra.

2. A importância de aprender com os irmãos mais experientes

Você mencionou que deseja aprofundar-se na pregação, assim como os irmãos mais experientes. Isso é muito bom, pois uma das maneiras pelas quais Deus prepara Seus servos é justamente por meio do convívio e do aprendizado com aqueles que já possuem experiência no ministério.

Veja o exemplo de Timóteo, que acompanhou o apóstolo Paulo e recebeu dele instruções preciosas.

Em 2 Timóteo 2:2, Paulo escreveu:

"E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros."

Temos aqui um princípio maravilhoso: a transmissão fiel da verdade bíblica de uma geração para outra.

Minha sugestão é que procure aproximar-se dos irmãos mais experientes da assembleia onde você congrega. Converse com eles, peça orientações sobre como estudar determinados livros da Bíblia e, se possível, solicite que algum deles o acompanhe em seus estudos.

Também é muito proveitoso observar como esses irmãos desenvolvem uma mensagem: como apresentam o contexto bíblico, explicam determinada passagem, relacionam outros textos das Escrituras e fazem a aplicação prática para os ouvintes.

Entretanto, lembre-se de que não devemos procurar imitar a personalidade ou a maneira de falar de determinado pregador. Cada servo possui características próprias, e é o Senhor quem concede os dons espirituais.

3. O dom espiritual e a preparação pessoal

Existe outro aspecto muito importante.

A Bíblia ensina que os dons espirituais são concedidos pelo Espírito Santo, conforme a Sua vontade.

Em 1 Coríntios 12:11, lemos:

"Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer."

Isso significa que nenhum curso de teologia, por melhor que seja, pode conceder a alguém o dom de ensinar ou pregar.

O dom procede de Deus. Entretanto, aquele que recebeu determinado dom tem a responsabilidade de desenvolvê-lo mediante o exercício, o estudo e a dependência do Senhor.

O próprio Paulo aconselhou Timóteo:

"Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos" (1 Timóteo 4:15).

Observe a expressão: "para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos".

O crescimento espiritual e o desenvolvimento no ministério devem tornar-se evidentes ao longo do tempo.

Por isso, não tenha pressa em ocupar uma posição pública. Dedique-se primeiramente a conhecer as Escrituras, crescer espiritualmente e servir ao Senhor nas oportunidades que Ele colocar diante de você.

4. Como começar um estudo bíblico mais aprofundado?

Gostaria de sugerir um caminho bastante prático para seus estudos.

  1. Comece estudando sistematicamente os livros da Bíblia, procurando compreender o assunto principal de cada livro, seu contexto histórico, seu propósito e seus ensinamentos.

  2. Dedique atenção especial às epístolas do Novo Testamento, pois nelas encontramos instruções fundamentais sobre a doutrina cristã, a Igreja, a vida espiritual e o funcionamento das assembleias locais.

  3. Estude as principais doutrinas bíblicas, como a pessoa e a obra de Cristo, a salvação, a justificação, a santificação, a Igreja como Corpo de Cristo, a igreja local, os dons espirituais e os acontecimentos proféticos.

  4. Procure compreender a diferença entre Israel e a Igreja, bem como as diferentes maneiras pelas quais Deus tem administrado Seus propósitos ao longo das Escrituras.

  5. Utilize bons comentários bíblicos, concordâncias, dicionários e outros materiais que possam auxiliá-lo na compreensão dos textos.

  6. Desenvolva o hábito de preparar pequenos esboços bíblicos. Escolha uma passagem, identifique seu assunto principal, procure compreender o contexto e organize os ensinamentos encontrados nela.

Uma recomendação importante: nunca comece procurando uma mensagem pronta para depois encontrar versículos que sustentem aquilo que deseja dizer. Faça o contrário. Comece com o texto bíblico, procure compreender o que Deus está ensinando naquela passagem e permita que a mensagem seja construída a partir das próprias Escrituras.

O exemplo dos bereanos é muito instrutivo:

"Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim" (Atos dos Apóstolos 17:11).

5. É necessário fazer um curso de teologia?

Não considero errado estudar teologia, desde que compreendamos que a própria palavra significa, em seu sentido mais comum, o estudo acerca de Deus e das verdades relacionadas a Ele.

O problema não está em estudar teologia, mas na orientação doutrinária que recebemos.

Existem instituições e cursos que ensinam interpretações bastante diferentes daquelas que encontramos nas Escrituras. Alguns, inclusive, apresentam conceitos que enfraquecem a autoridade e a inspiração divina da Bíblia.

Portanto, é necessário discernimento.

Se você deseja seguir a linha doutrinária das assembleias de cristãos reunidos somente ao nome do Senhor Jesus, recomendo que procure materiais de estudo que respeitem os princípios bíblicos relacionados à Igreja, à sua organização, ao sacerdócio de todos os crentes e à liberdade concedida pelo Espírito Santo para o exercício dos dons espirituais.

Há excelentes obras escritas por servos de Deus que dedicaram suas vidas ao estudo e à exposição das Escrituras. Muitos deles nunca dependeram de títulos acadêmicos para exercer seu ministério, mas foram instrumentos preciosos nas mãos do Senhor.

Naturalmente, isso não significa desprezar o conhecimento acadêmico, o estudo das línguas originais ou a pesquisa histórica. Todos esses recursos podem ser úteis, desde que permaneçam subordinados à autoridade das Escrituras.

Deixo aqui o link de uma editora no Brasil que tem bons comentários bíblicos:
https://www.lojasadoutrina.com.br

6. Antes de ser um bom pregador, procure ser um homem de Deus

Gostaria de concluir destacando algo que considero ainda mais importante do que aprender técnicas de pregação.

Em 1 Timóteo 4:16, Paulo aconselhou:

"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem."

Observe a ordem apresentada pelo apóstolo: primeiro, o cuidado com a própria vida; depois, o cuidado com a doutrina.

A vida daquele que ministra a Palavra deve estar em harmonia com aquilo que ele ensina.

Também encontramos um princípio precioso em Esdras 7:10:

"Porque Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor, e para a cumprir, e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos."

Veja a sequência: buscar, cumprir e ensinar.

Primeiramente, Esdras procurou conhecer a Palavra de Deus. Depois, comprometeu-se a praticá-la. Somente então encontramos a referência ao ensino.

Essa continua sendo uma excelente orientação para todos aqueles que desejam servir ao Senhor por meio do ministério da Palavra.

Portanto, minha recomendação é que continue congregando, aproveite as oportunidades de aprendizado com os irmãos mais experientes, desenvolva um programa pessoal de estudo bíblico e procure crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo.

Não se preocupe em alcançar rapidamente a experiência daqueles que já possuem muitos anos de ministério. Lembre-se de que, antes de serem pregadores experientes, eles também precisaram aprender, estudar, enfrentar dificuldades e amadurecer espiritualmente.

E, acima de tudo, nunca permita que o desejo de pregar seja maior do que o desejo de conhecer a Cristo.

Que o Senhor lhe conceda sabedoria, perseverança e discernimento, e que seu crescimento espiritual possa ser uma bênção para a assembleia onde você congrega.

Josué Matos

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A vinda de Cristo é em duas fases. A primeira já aconteceu e a segunda é no Dia do Senhor?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

A vinda de Cristo é em duas fases. A primeira já aconteceu e a segunda é no Dia do Senhor. A segunda carta era para eles não se deixarem enganar por cartas falsas acerca do arrebatamento. Eles perceberam que, enquanto não vissem o homem do pecado aparecer, tinham a certeza de que o arrebatamento também não tinha acontecido. Se o arrebatamento acontecesse antes de o homem do pecado aparecer, então é que eles poderiam ser enganados, porque esse homem ainda não apareceu.

Minha Resposta:

Agradeço por apresentar novamente o seu entendimento. Creio que agora podemos identificar com maior clareza o ponto em que nossas interpretações divergem.

A sua argumentação é que os tessalonicenses precisavam observar primeiro a manifestação do homem do pecado para terem certeza de que o arrebatamento ainda não havia acontecido. Entretanto, entendo que essa conclusão não corresponde ao argumento que o apóstolo Paulo desenvolve em 2 Tessalonicenses 2.

A questão fundamental é esta: Paulo estava ensinando que o homem do pecado deveria aparecer antes do arrebatamento ou estava demonstrando que o Dia do Senhor ainda não havia chegado?

São duas coisas diferentes, e precisamos observar cuidadosamente o que o texto realmente afirma.

1. Paulo não disse que o arrebatamento já havia acontecido

Primeiramente, precisamos corrigir uma afirmação importante do seu comentário. Quando diz que a primeira fase da vinda de Cristo já aconteceu, imagino que esteja se referindo àquilo que os falsos ensinadores procuravam fazer os tessalonicenses acreditar.

Se for esse o sentido, precisamos distinguir o que eles estavam ensinando daquilo que Paulo realmente escreveu.

Em 2 Tessalonicenses 2:1-2, lemos:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto."

Algumas traduções apresentam corretamente a ideia de que o Dia do Senhor já havia chegado.

Observe que Paulo menciona dois assuntos relacionados, mas que precisam ser distinguidos:

  • A vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e a nossa reunião com Ele.
  • O Dia do Senhor, acerca do qual os tessalonicenses estavam sendo perturbados.

O primeiro assunto apresenta a esperança da Igreja de ser reunida com Cristo. O segundo envolve o período profético da intervenção divina em juízo.

Paulo não afirma que alguém estivesse ensinando diretamente que o arrebatamento já havia acontecido. O texto afirma que os tessalonicenses estavam sendo perturbados pela ideia de que o Dia do Senhor já estava presente.

Essa diferença é essencial para compreender o restante do capítulo.

2. Por que Paulo mencionou o homem do pecado?

Em 2 Tessalonicenses 2:3, Paulo escreveu:

"Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição."

A sua interpretação é que Paulo estava apresentando a manifestação do homem do pecado como um sinal que a Igreja deveria aguardar antes do arrebatamento.

Entretanto, observe a pergunta que precisamos fazer ao texto: antes de quê?

O versículo 2 apresenta o assunto que Paulo está corrigindo: a alegação de que o Dia do Senhor já havia chegado.

Portanto, quando Paulo apresenta os acontecimentos mencionados no versículo 3, ele está explicando por que aquela afirmação era falsa.

O apóstolo não escreve: "O arrebatamento não acontecerá sem que primeiro apareça o homem do pecado."

Essa afirmação não se encontra no texto bíblico.

Ele está demonstrando que o Dia do Senhor não poderia ser considerado já presente, pois os acontecimentos proféticos relacionados àquele período ainda não se haviam manifestado.

Na interpretação pré-tribulacional, a manifestação do homem do pecado pertence ao desenvolvimento dos acontecimentos que se seguem ao arrebatamento da Igreja.

Assim, o argumento de Paulo não transforma a manifestação daquele homem numa condição para que os salvos sejam arrebatados.

3. Se o arrebatamento dependesse da manifestação do homem do pecado, a esperança não seria iminente

Aqui encontramos uma dificuldade importante na sua interpretação.

Na primeira epístola, Paulo ensinou:

"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Tessalonicenses 4:17).

Observe que Paulo se incluiu entre aqueles que poderiam permanecer vivos até a vinda do Senhor.

Ele não disse que os cristãos precisariam primeiramente identificar o homem do pecado.

Também não disse que deveriam aguardar uma apostasia mundial ou a manifestação do anticristo para, somente depois, começarem a esperar o arrebatamento.

A esperança apresentada é o próprio Senhor Jesus Cristo.

Em 1 Tessalonicenses 1:10, aqueles cristãos são descritos como pessoas que haviam se convertido dos ídolos para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar dos céus o Seu Filho.

Se a manifestação do homem do pecado fosse uma condição indispensável para o arrebatamento, os tessalonicenses saberiam que Cristo não poderia vir buscá-los enquanto aquele personagem não aparecesse.

Nesse caso, a expectativa imediata não seria a vinda de Cristo, mas a manifestação do homem do pecado.

Entretanto, essa não é a orientação apresentada na primeira epístola.

4. A diferença entre ser arrebatado e estar no Dia do Senhor

Considere agora um detalhe importante.

Em 1 Tessalonicenses 4:16-17, Paulo ensina que os salvos serão arrebatados para encontrar o Senhor nos ares.

Em 1 Tessalonicenses 5:2-3, ele passa a tratar do Dia do Senhor:

"Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite. Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição."

Observe o contraste.

No arrebatamento, os salvos são reunidos com Cristo.

No Dia do Senhor, a destruição sobrevém aos que se encontram despreparados para o juízo divino.

Além disso, Paulo afirma em 1 Tessalonicenses 5:9:

"Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo."

Isso não significa que os cristãos não enfrentem perseguições, sofrimento ou tribulações durante sua vida neste mundo.

Os próprios tessalonicenses estavam sofrendo perseguições.

Entretanto, existe uma diferença entre sofrer perseguições por causa da fidelidade a Cristo e estar sujeito ao período futuro dos juízos divinos.

A Igreja pode sofrer a oposição do mundo, mas não foi destinada à ira de Deus.

É justamente essa distinção que ajuda a compreender a preocupação de Paulo na segunda epístola.

5. O próprio capítulo apresenta algo que impede a manifestação do homem do pecado

Outro detalhe que merece atenção encontra-se em 2 Tessalonicenses 2:6-8:

"E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora, resiste até que do meio seja tirado; e então será revelado o iníquo."

Observe a sequência apresentada pelo apóstolo.

Primeiramente, existe algo ou alguém que impede a manifestação plena do iníquo.

Depois, essa restrição deixa de operar da maneira descrita.

Então, o iníquo será revelado.

Na compreensão pré-tribulacional, aquele que restringe a manifestação do mal é identificado com a atuação do Espírito Santo, particularmente em Sua presença e operação na Igreja.

Isso não significa que o Espírito Santo deixará de existir ou de atuar na Terra depois do arrebatamento. Ele é Deus, é onipresente e continuará operando nos propósitos divinos.

O que se entende é que haverá uma mudança na maneira como essa restrição é exercida.

É importante reconhecer que Paulo não identifica expressamente, nesses versículos, quem é aquele que detém. Por isso, essa identificação faz parte da interpretação do texto e não deve ser apresentada como uma declaração explícita do apóstolo.

Contudo, dentro da interpretação pré-tribulacional, essa passagem é coerente com a retirada da Igreja antes da manifestação plena do homem do pecado.

Portanto, o texto não exige que a Igreja permaneça na Terra para testemunhar a manifestação desse personagem.

6. O seu argumento sobre a possibilidade de serem enganados

Você escreveu:

"Se o arrebatamento acontecesse antes de o homem do pecado aparecer, então é que eles poderiam ser enganados, porque esse homem ainda não apareceu."

Entendo o seu raciocínio, mas existe uma dificuldade nessa conclusão.

Os tessalonicenses não precisavam ver o homem do pecado para saber se haviam sido arrebatados.

O arrebatamento, conforme descrito em 1 Tessalonicenses 4:16-17 e 1 Coríntios 15:51-52, envolve a ressurreição dos mortos em Cristo, a transformação dos salvos vivos e o encontro de todos eles com o Senhor nos ares.

Não é um acontecimento que um cristão participante pudesse experimentar sem perceber.

Se aqueles cristãos continuavam na Terra, naturalmente sabiam que ainda não haviam sido arrebatados.

O problema não era descobrir se eles próprios haviam participado do arrebatamento.

O problema era que estavam sendo perturbados por ensinamentos falsos acerca do Dia do Senhor.

E aqui está o ponto central: se Paulo estivesse apenas procurando demonstrar que o arrebatamento não havia acontecido, bastaria recordar-lhes aquilo que já havia ensinado sobre a reunião dos salvos com Cristo.

Mas o apóstolo apresenta os acontecimentos relacionados ao Dia do Senhor porque era justamente essa a falsa afirmação que precisava corrigir.

7. A esperança da Igreja continua sendo Cristo, e não o anticristo

Finalmente, precisamos considerar o ensino geral do Novo Testamento.

Em Filipenses 3:20-21, Paulo escreveu:

"Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso."

Em Tito 2:13, encontramos:

"Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo."

E em 1 Coríntios 1:7, Paulo descreve os cristãos como aqueles que aguardam a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo.

Essas passagens apresentam Cristo como o objeto da esperança cristã.

Não encontramos uma orientação apostólica para que a Igreja procure identificar o homem do pecado como condição para aguardar a vinda do Senhor.

Isso não significa que todos os acontecimentos relacionados à segunda vinda de Cristo sejam iminentes. A manifestação pública do Senhor em glória está associada a acontecimentos proféticos específicos, conforme Mateus 24:29-30 e Apocalipse 19:11-21.

A distinção é que o arrebatamento da Igreja, conforme a compreensão pré-tribulacional, não depende do cumprimento prévio desses sinais.

Conclusão

Portanto, a nossa diferença de entendimento está na interpretação de 2 Tessalonicenses 2:1-3.

Você entende que Paulo apresentou a manifestação do homem do pecado como uma condição necessária para o arrebatamento.

Eu entendo que Paulo estava corrigindo a falsa afirmação de que o Dia do Senhor já havia chegado, mostrando que os acontecimentos relacionados àquele período ainda não se haviam cumprido.

É importante não confundir o acontecimento que Paulo utiliza para introduzir seu argumento — a vinda de Cristo e a nossa reunião com Ele — com o acontecimento acerca do qual os tessalonicenses estavam sendo enganados — o Dia do Senhor.

Também reconheço que existem diferentes interpretações cristãs dessa passagem. A posição pré-tribulacional resulta da compreensão conjunta desses textos e da distinção entre o arrebatamento da Igreja e a manifestação de Cristo em glória.

Por isso, não considero correto afirmar que Paulo estava ensinando aos tessalonicenses que deveriam aguardar primeiro a manifestação do homem do pecado para depois esperarem o arrebatamento.

O ensino de Paulo era que permanecessem firmes na verdade recebida, sem se deixarem perturbar por falsos ensinamentos.

E a esperança que ele lhes havia apresentado continuava sendo a mesma:

"Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1 Tessalonicenses 4:17).

Essa é a esperança da Igreja: encontrar o Senhor Jesus Cristo e permanecer eternamente com Ele.

Josué Matos

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