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As assembleias não são todas autônomas? Se uma toma uma decisão de disciplina, as outras não deveriam segui-la?

 Alguém que me escreveu por e-mail:

Bom dia, irmão!

A dúvida sobre o canal Boa Semente surgiu porque vejo hoje três grupos que se identificam como "irmãos". Por exemplo, o canal do Mario Persona. Ao que parece, são três grupos diferentes. Por isso surgiu a minha dúvida.

Entendi quase tudo sobre a disciplina, só fiquei com uma dúvida no final: qual seria o sentido prático da assembleia? As assembleias não são todas autônomas? Se uma toma uma decisão de disciplina, as outras não deveriam segui-la?

Minha Resposta:

A sua pergunta é muito importante, porque toca num assunto que tem gerado muita confusão entre os cristãos.

É verdade que as assembleias locais são autônomas no sentido de que cada uma responde diretamente ao Senhor Jesus Cristo como Cabeça da Igreja. Não existe uma sede central, uma convenção, um presbitério regional ou uma organização humana acima das assembleias. Em Apocalipse 2 e 3 vemos que o Senhor trata diretamente com cada igreja local, responsabilizando-a por sua própria condição espiritual.

Porém, autonomia não significa independência absoluta. As assembleias do Novo Testamento eram autônomas, mas também reconheciam a comunhão prática umas com as outras. Em Atos 15, por exemplo, vemos igrejas locais interessadas e envolvidas numa questão que afetava o testemunho cristão de forma mais ampla. Em 1 Coríntios 5, Paulo trata da disciplina de um homem que havia cometido grave pecado moral e determina que a assembleia o removesse da comunhão. Essa decisão não era apenas um assunto privado daquela reunião, mas um ato realizado em nome do Senhor.

Quando uma assembleia age segundo as Escrituras, com temor de Deus, base bíblica e dependência do Senhor, as demais assembleias devem reconhecer essa decisão. Não porque uma igreja tenha autoridade sobre outra, mas porque todas devem reconhecer a autoridade do Senhor e da Sua Palavra.

Imagine a situação de uma pessoa colocada sob disciplina numa assembleia por pecado moral ou doutrinário. Se ela simplesmente se deslocasse para outra assembleia e fosse recebida sem qualquer exame do caso, a disciplina perderia completamente o seu valor. Haveria desordem e confusão. Por isso, normalmente, uma decisão tomada biblicamente por uma assembleia é respeitada pelas demais.

Por outro lado, isso não significa que uma assembleia seja infalível. Se uma decisão for manifestamente contrária às Escrituras, baseada em favoritismo, injustiça ou erro doutrinário, outras assembleias não são obrigadas a endossá-la cegamente. A autoridade final não está na assembleia, mas na Palavra de Deus.

O sentido prático da assembleia local é reunir os crentes ao Nome do Senhor Jesus, exercer a comunhão cristã, preservar a sã doutrina, praticar a disciplina quando necessária, anunciar o evangelho e manifestar, naquela localidade, os princípios da Igreja de Deus revelados no Novo Testamento.

Assim, podemos resumir da seguinte forma: as assembleias locais são autônomas porque respondem diretamente ao Senhor; mas não são independentes umas das outras, pois devem reconhecer a comunhão e a responsabilidade mútua que existe entre todos os que procuram andar segundo a Palavra de Deus.

Josué Matos

Baixe nosso Aplicativo Palavras do Evangelho:

Os evangelhos que descrevem as passagens proféticas, na verdade, foram escritos após os acontecimentos, como exemplo a destruição do templo em 70 d.C.?

Alguém que me escreveu no YouTube:

Há comentários de que os evangelhos que descrevem as passagens proféticas, na verdade, foram escritos após os acontecimentos, como exemplo a destruição do templo em 70 d.C. Fico confusa.

Minha Resposta:

Essa é uma dúvida muito comum, porque muitos críticos da Bíblia partem do pressuposto de que a profecia não existe. Então, quando encontram uma previsão muito precisa nas Escrituras, concluem que ela só pode ter sido escrita depois dos fatos terem acontecido.

Mas essa conclusão não é baseada em provas históricas, e sim numa pressuposição filosófica: a de que Deus não revela o futuro.

Tomemos o exemplo da destruição do templo. O Senhor Jesus profetizou claramente esse acontecimento:

“Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada” (Mateus 24:2).

O templo foi destruído pelos romanos no ano 70 d.C., cerca de quarenta anos após a morte e ressurreição do Senhor Jesus.

A questão é: os Evangelhos foram escritos antes ou depois desse acontecimento?

Existem fortes evidências de que os Evangelhos foram escritos antes do ano 70 d.C.

Por exemplo, o livro de Atos dos Apóstolos termina com Paulo vivo e preso em Roma, aguardando julgamento. Não menciona sua morte, que ocorreu por volta de 67 d.C. Também não menciona a perseguição de Nero nem a destruição de Jerusalém em 70 d.C., acontecimentos extremamente importantes para os cristãos.

Isso sugere que Atos foi concluído antes desses eventos.

Como Atos foi escrito por Lucas e é a continuação do Evangelho de Lucas (Atos 1:1), então o Evangelho de Lucas necessariamente foi escrito antes de Atos.

E como Marcos e Mateus são geralmente considerados ainda mais antigos, temos razões sólidas para entender que os Evangelhos já circulavam antes da destruição de Jerusalém.

Além disso, se os escritores tivessem escrito depois do ano 70 d.C., seria natural que mencionassem o cumprimento exato da profecia do Senhor Jesus. No entanto, eles registram a profecia sem acrescentar qualquer comentário do tipo: “e isto aconteceu”. Esse silêncio é significativo.

A Bíblia está repleta de profecias cumpridas. O nascimento do Senhor Jesus em Belém foi anunciado séculos antes (Miqueias 5:2). Sua morte sacrificial foi descrita em detalhes em Isaías 53, cerca de setecentos anos antes de ocorrer. Sua entrada triunfal em Jerusalém foi prevista em Zacarias 9:9.

Portanto, a destruição do templo não é um caso isolado.

No fundo, a questão não é se havia capacidade humana para prever o futuro. Nenhum homem poderia fazê-lo. A questão é se Deus existe e se Ele pode revelar antecipadamente aquilo que irá acontecer.

A Bíblia apresenta um Deus que declara:

“Anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam” (Isaías 46:10).

Por isso, não há motivo para ficar confusa. A alegação de que os Evangelhos foram escritos depois dos acontecimentos não é um fato comprovado, mas uma teoria baseada na rejeição da possibilidade de profecias inspiradas por Deus. Para quem crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, o cumprimento dessas profecias é justamente uma das maiores evidências de sua origem divina.

Josué Matos

Baixe nosso Aplicativo Palavras do Evangelho:

Tenho duas dúvidas: o seu canal tem alguma relação com o canal Boa Semente?

Alguém que me escreveu por e-mail:

Olá, irmão! Bom dia!

Tenho duas dúvidas: o seu canal tem alguma relação com o canal Boa Semente? Percebo que vocês possuem entendimentos muito semelhantes das Escrituras.

Outra dúvida: como os irmãos "abertos" tratam o pecado de um irmão dentro da assembleia? Um irmão que esteja vivendo em pecado continua participando da Ceia do Senhor? Ou qualquer pessoa que se apresente como irmão pode participar da Ceia do Senhor?

Não entendi muito bem essa parte do texto sobre os irmãos exclusivistas que está disponível no seu site. Poderia me explicar melhor?

Minha Resposta:

Olá, meu irmão.

Quanto à sua primeira pergunta, o canal Palavras do Evangelho não possui ligação institucional com o canal Boa Semente. Entretanto, é natural que existam muitas semelhanças no entendimento das Escrituras quando irmãos procuram seguir a Bíblia como única regra de fé e prática. Muitas das doutrinas fundamentais do cristianismo bíblico são comuns a todos os que procuram interpretar as Escrituras de forma literal e respeitando o contexto.

Quanto à questão da disciplina na assembleia, a Bíblia ensina que o pecado não deve ser ignorado no meio do povo de Deus. Em 1 Coríntios 5, o apóstolo Paulo trata do caso de um homem que vivia em pecado moral e ordena que a assembleia tomasse uma atitude disciplinar. O objetivo da disciplina não é destruir a pessoa, mas levá-la ao arrependimento e à restauração.

Quando um crente está vivendo deliberadamente em pecado, sem arrependimento, ele não deve continuar na comunhão prática da assembleia. Isso inclui a participação na Ceia do Senhor. A disciplina bíblica não é uma expulsão da família de Deus, pois a salvação não é perdida, mas uma exclusão da comunhão da igreja local enquanto persistir o pecado.

Por outro lado, também não é correto afirmar que qualquer pessoa que simplesmente se apresente como irmão possa participar da Ceia do Senhor sem qualquer responsabilidade. A Ceia é a expressão da comunhão dos crentes reunidos ao nome do Senhor Jesus. A assembleia possui a responsabilidade de zelar pela santidade da mesa e pela sã doutrina.

Ao mesmo tempo, é importante compreender que existe uma diferença entre a Mesa do Senhor e a comunhão da assembleia. A Mesa do Senhor pertence ao Senhor e não aos homens. Quando uma pessoa é colocada sob disciplina, ela é afastada da comunhão prática da igreja e, consequentemente, não participa da Ceia. Porém, isso não significa que os homens tenham autoridade para excluí-la da Mesa do Senhor em sentido absoluto. A disciplina é exercida na esfera da comunhão da assembleia.

Sobre a questão dos chamados "exclusivistas", a principal diferença histórica surgiu na maneira de aplicar a comunhão e a disciplina. Alguns grupos passaram a entender que uma decisão tomada por determinado grupo deveria ser automaticamente reconhecida por todos os demais grupos em qualquer lugar do mundo, criando uma estrutura de dependência muito ampla. Outros irmãos entenderam que cada igreja local possui responsabilidade direta diante do Senhor para examinar os casos à luz das Escrituras.

Em resumo, a posição que procuro defender é que a disciplina deve ser bíblica, exercida com amor, justiça e humildade; que o pecado não pode ser tolerado; que o arrependimento deve levar à restauração; e que a autoridade final pertence às Escrituras e ao Senhor da igreja, e não a sistemas humanos.

Que o Senhor continue nos guiando em toda a verdade da Sua Palavra.

Josué Matos


Se numa empresa onde você trabalha convidam para participar da festa junina, como um cristão deveria se posicionar?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Se numa empresa onde você trabalha convidam para participar da festa junina, como um cristão deveria se posicionar?

Minha Resposta:

Essa é uma questão que exige discernimento espiritual e também equilíbrio. Nem toda festa junina tem exatamente o mesmo conteúdo. Algumas são apenas eventos sociais com comidas típicas, enquanto outras mantêm elementos religiosos ligados aos santos do catolicismo romano, especialmente Santo Antônio, São João e São Pedro.

O princípio bíblico é que o cristão deve evitar qualquer participação em práticas religiosas que não estejam fundamentadas na Palavra de Deus. O apóstolo Paulo escreveu:

"Portanto, meus amados, fugi da idolatria" (1 Coríntios 10:14).

Também lemos:

"E não sejais participantes com eles" (Efésios 5:7).

Se a festa possui procissões, rezas, homenagens a santos, rituais religiosos ou qualquer forma de devoção religiosa, o cristão deve abster-se, pois sua lealdade pertence exclusivamente ao Senhor Jesus Cristo.

Por outro lado, se a empresa promove apenas um convívio social entre funcionários, sem qualquer conotação religiosa, cada cristão deve agir segundo a sua consciência diante de Deus. Mesmo assim, é importante avaliar se a sua presença poderá ser interpretada como apoio às práticas religiosas associadas ao evento.

Romanos 14:23 ensina:

"Tudo o que não é de fé é pecado."

Assim, a pergunta não deve ser apenas: "Posso participar?", mas também: "Posso participar com uma consciência tranquila diante do Senhor?"

Outro princípio importante encontra-se em 1 Coríntios 10:31:

"Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus."

Se a participação não glorifica a Deus, causa tropeço a outros crentes ou compromete o testemunho cristão, é melhor não participar.

Muitos irmãos, por amor ao Senhor e para evitar qualquer associação com práticas religiosas humanas, preferem não participar dessas festividades. Outros comparecem apenas em atividades profissionais inevitáveis, sem envolvimento nas partes religiosas. Em qualquer caso, a decisão deve ser tomada em oração, buscando honrar ao Senhor Jesus acima de tudo.

Josué Matos