Alguém que me escreveu no WhatsApp:
Boa tarde, irmão.
Espero que o irmão, sua família e os demais irmãos estejam bem aí em Portugal. Saiba que todos vocês fazem parte das minhas orações diárias. Todos nós precisamos de oração.
Esses dias tenho recebido muitos “nãos” das empresas para as quais enviei currículo. Eu estava muito esperançoso em uma empresa (Bosch), mas não me quiseram. Meus clientes também não respondem mais, e meu ramo atual (corretor de imóveis) está muito difícil.
Fico bem desanimado, mas, por outro lado, tem sido muito bom. Tenho podido ler mais a Palavra e orar mais, em vez de ficar com o pensamento voltado ao trabalho. O trabalho é necessário para todos, não só pela sobrevivência, mas também para nos sentirmos úteis. A situação financeira está bem apertada, mas o Senhor sempre dá uma solução, que pode vir de parentes (minha sogra), embora isso me deixe muito constrangido.
Nessa situação, Deus está comigo. Tenho podido compartilhar versículos pelo Instagram e tenho certeza de que a Palavra do Senhor não é passada em vão. Pessoas estão sendo tocadas a terem comunhão com o Senhor, crentes ou não. Isso me alegra.
A natureza está gemendo, demonstrando a iminência da volta do Senhor. Sinto urgência em falar da volta do Senhor. As pessoas não estão entendendo por que a natureza está dessa forma.
É um bom motivo para pregar o Evangelho.
Um grande abraço.
Deus o abençoe.
M. M.
Bom dia, irmão.
A cada dia, uma situação diferente nessa minha caminhada de restauração: um dia feliz, outro de desespero. Hoje, por exemplo, estou aflito, com uma aflição no coração que não sei explicar. Surgem problemas e parecem gigantes demais para mim. Não vejo como poderia sair deles. Será que o Senhor ainda quer me restaurar?
Estou muito aflito!
Parece que o Senhor não ouve a minha oração!
Estou com um problema no apartamento que tem tirado a minha paz: um vazamento de água que vai para o vizinho. Para mim, parece gigante. Aliás, tudo para mim sempre parece pior. Minha família e minha criação sempre foram assim: tudo muito difícil. Não sei como mudar isso na minha mente, mesmo conhecendo o Senhor.
Desculpe-me por desabafar com você. Não tenho outra pessoa de confiança.
Minha Resposta:
Fico muito agradecido por sua confiança em compartilhar comigo algo tão pessoal. Li atentamente as duas mensagens e quero começar dizendo algo que considero muito importante: o fato de o irmão estar aflito não significa que Deus o abandonou, e o fato de não enxergar uma solução neste momento não significa que Deus não tenha uma.
Às vezes confundimos duas coisas completamente diferentes: “Eu não consigo ver uma saída” e “Não existe uma saída”. A primeira afirmação pode ser verdadeira; a segunda nós não temos condições de fazer.
Há momentos em que Deus permite que Seus filhos cheguem exatamente ao ponto em que não sabem mais o que fazer.
Paulo passou por algo semelhante.
Ele escreveu:
“Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos. Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos” (2 Coríntios 1:8-9).
Observe bem estas palavras: “até da vida desesperamos”.
Quem escreveu isso foi Paulo.
Um apóstolo.
Um servo de Deus.
Um homem de oração.
Um homem usado poderosamente pelo Senhor.
Portanto, passar por um momento em que tudo parece pesado demais não significa necessariamente que estamos fora da vontade de Deus. Paulo estava servindo ao Senhor e chegou a uma situação que estava além das suas forças.
Mas depois ele compreendeu uma das razões pelas quais Deus permitiu aquela experiência:
“Para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos.”
Talvez exista uma lição muito preciosa nisso para o irmão neste momento.
O Senhor não está exigindo que o irmão tenha forças para resolver tudo. Ele está ensinando o irmão a depender dEle justamente quando suas próprias forças parecem insuficientes.
Há problemas que Deus remove imediatamente. Há outros que Ele permite permanecer por algum tempo enquanto trabalha em nós.
Paulo também teve uma experiência assim quando pediu três vezes que o Senhor removesse o seu “espinho na carne”. A resposta foi:
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Coríntios 12:9).
Deus não retirou imediatamente o problema, mas deu a Paulo graça suficiente para atravessá-lo.
Talvez uma das coisas mais difíceis na vida cristã seja aprender que a resposta de Deus nem sempre é a retirada imediata da dificuldade. Às vezes, a resposta é a graça necessária para atravessá-la.
Sobre a pergunta do irmão: “Será que o Senhor ainda quer me restaurar?”
Eu diria para não medir o propósito de Deus pelo sentimento que o irmão tem hoje.
Veja o que está acontecendo na sua própria vida. Em meio às dificuldades profissionais e financeiras, o irmão me disse que está lendo mais a Palavra, orando mais e sentindo desejo de compartilhar as Escrituras com outras pessoas.
Não estou dizendo que a dificuldade financeira seja boa em si mesma. Também não estou dizendo que o irmão deva desistir de procurar trabalho. Pelo contrário. Continue procurando emprego, enviando currículos, fazendo contatos e procurando oportunidades. O trabalho é algo digno e bíblico. Paulo escreveu: “Se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2 Tessalonicenses 3:10).
Mas existe uma diferença entre procurar trabalho e permitir que a ausência dele determine nosso valor diante de Deus.
Seu valor não diminuiu porque uma empresa respondeu “não”.
Uma porta fechada não significa que Deus fechou todas as portas.
E receber ajuda temporariamente também não significa que o irmão seja inútil.
Entendo perfeitamente o constrangimento que o irmão sente ao precisar de ajuda financeira de familiares. Entretanto, existem períodos da vida em que somos nós que ajudamos e existem períodos em que precisamos humildemente aceitar ajuda. Até Paulo, em determinadas circunstâncias, recebeu auxílio dos irmãos. Os filipenses participaram das necessidades dele, e Paulo recebeu aquela ajuda com gratidão (Filipenses 4:10-18).
Portanto, não transforme uma necessidade temporária em motivo para condenar a si mesmo.
Agora quero falar sobre esta frase:
“Parece que o Senhor não ouve a minha oração!”
Preste atenção na palavra que o próprio irmão usou: “parece”.
Essa palavra faz toda a diferença.
Há momentos em que parece que Deus está em silêncio. Mas o silêncio de Deus não significa ausência de Deus.
O salmista também perguntou:
“Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?” (Salmos 13:1).
Isso mostra que um servo de Deus pode passar por momentos em que sua experiência emocional parece contradizer aquilo que ele sabe acerca de Deus.
O sentimento diz: “Ele não está me ouvindo.”
A fé responde: “Ele está ouvindo, mesmo que eu ainda não tenha recebido a resposta.”
É exatamente aqui que Filipenses 4 se torna tão precioso:
“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4:6-7).
Observe que Paulo não promete que, depois da oração, todos os problemas desaparecerão imediatamente.
Ele promete algo diferente:
“A paz de Deus [...] guardará os vossos corações.”
Talvez o vazamento continue amanhã. Talvez seja necessário chamar alguém, descobrir a origem, conversar com o vizinho, verificar responsabilidades e encontrar uma solução prática. O cristão deve fazer tudo isso.
Mas existe algo que Deus pode fazer antes mesmo de o vazamento ser resolvido: guardar o coração do irmão.
Isso é extraordinário.
A paz de Deus não depende de compreendermos como tudo será resolvido. É justamente por isso que Paulo diz que ela “excede todo o entendimento”.
O irmão olha para o problema e pensa:
“Como vou resolver isso?”
Deus não exige que hoje o irmão saiba a resposta para tudo.
Faça aquilo que pode fazer hoje e entregue a Deus aquilo que hoje não pode fazer.
O problema do vazamento precisa ser dividido em pequenas etapas. Descobrir a origem. Ver quem pode avaliar. Saber o custo. Conversar com as pessoas envolvidas. Procurar alternativas.
Não tente resolver mentalmente, numa única noite, todas as consequências possíveis de um problema que ainda está sendo avaliado.
Foi muito significativa esta frase do irmão:
“Tudo para mim sempre parece pior.”
Talvez aqui esteja uma batalha importante.
Há pessoas cuja mente foi acostumada, durante muitos anos, a antecipar sempre o pior cenário. Quando surge um problema, a mente não enxerga apenas o problema presente; ela imediatamente constrói todas as possíveis consequências futuras.
Um vazamento deixa de ser apenas um vazamento. Em poucos minutos, a mente já imagina prejuízo enorme, conflito com vizinhos, dinheiro que não existe, problemas no apartamento e uma sequência inteira de acontecimentos que ainda nem ocorreram.
O Senhor Jesus ensinou:
“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal” (Mateus 6:34).
Isso não é irresponsabilidade. É viver um dia de cada vez.
Talvez o irmão não consiga mudar de uma vez uma maneira de pensar formada durante muitos anos. Mas pode começar submetendo cada pensamento à Palavra de Deus.
Quando surgir:
“Não vou conseguir.”
Responda:
“Não sei ainda como isso será resolvido, mas Deus conhece.”
Quando vier:
“Tudo vai dar errado.”
Pergunte a si mesmo:
“Isso aconteceu ou estou sofrendo antecipadamente por algo que apenas imaginei?”
Quando pensar:
“Deus não está me ouvindo.”
Lembre-se:
“Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Salmos 40:1).
Quando o problema parecer enorme, lembre-se de que o tamanho do problema precisa ser comparado não com a nossa força, mas com o poder de Deus.
Davi não negou o tamanho de Golias. Golias realmente era gigante. O erro dos outros israelitas foi comparar Golias com eles mesmos. Davi olhou para aquela situação considerando o Senhor (1 Samuel 17:45-47).
Isso muda completamente a perspectiva.
Talvez o problema seja maior do que o irmão.
Mas não é maior do que Deus.
Também achei muito bonito o que o irmão escreveu na primeira mensagem: apesar da situação difícil, o irmão está lendo mais a Palavra, orando e compartilhando versículos.
Continue fazendo isso.
Não espere sua vida ficar perfeita para servir ao Senhor.
Paulo escreveu algumas das suas palavras mais consoladoras enquanto estava preso.
Paulo e Silas cantaram na prisão (Atos dos Apóstolos 16:25).
João recebeu grandes revelações estando exilado em Patmos (Apocalipse 1:9).
As circunstâncias podem limitar algumas coisas, mas não podem impedir Deus de usar um servo que permanece disponível em Suas mãos.
Quanto ao que o irmão mencionou sobre a criação gemer, há realmente fundamento bíblico:
“Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Romanos 8:22).
A criação está sofrendo as consequências da entrada do pecado no mundo e aguarda a sua futura libertação (Romanos 8:19-23). Entretanto, precisamos ter cuidado para não afirmar que determinado terremoto, tempestade, alteração climática ou desastre natural seja, isoladamente, uma prova de que o arrebatamento acontecerá imediatamente.
Nossa esperança da volta do Senhor está fundamentada principalmente na Sua promessa.
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4:16-17).
E qual é a conclusão?
“Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Tessalonicenses 4:18).
A verdade da volta do Senhor não foi dada para produzir pânico no crente, mas esperança, santidade, vigilância e consolo.
Quanto ao Evangelho, concordo com o irmão: enquanto aguardamos o Senhor, devemos aproveitar as oportunidades para falar de Cristo. Mas o centro da nossa mensagem não deve ser simplesmente: “Olhem como o mundo está ruim.”
O centro da nossa mensagem é Cristo.
Cristo morreu pelos nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou (1 Coríntios 15:3-4). O pecador precisa arrepender-se e crer no Senhor Jesus Cristo. Essa é a grande urgência.
Finalmente, irmão Marcelo, não carregue sozinho tudo aquilo que está acontecendo.
Continue orando. Continue procurando trabalho. Continue tomando providências práticas quanto ao apartamento. Continue lendo a Palavra. Continue falando de Cristo. E permita também que irmãos de confiança orem com o irmão e pelo irmão.
Paulo, apesar de ser apóstolo, valorizava profundamente as orações dos outros crentes. Depois de falar daquela experiência em que chegou a desesperar da própria vida, disse aos coríntios:
“Ajudando-nos também vós com orações por nós” (2 Coríntios 1:11).
Veja que coisa bonita: o grande apóstolo Paulo reconhecia que precisava das orações dos irmãos.
Então não se envergonhe de dizer:
“Eu preciso que orem por mim.”
E não conclua a história no capítulo da aflição.
Em 2 Coríntios 1, Paulo disse que havia desesperado da própria vida. Mas continuou:
“O qual nos livrou de tão grande morte e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda” (2 Coríntios 1:10).
Há passado, presente e futuro nessa confiança.
Deus livrou.
Deus livra.
E Paulo confiava que Deus continuaria cuidando dele.
Talvez hoje o irmão esteja olhando apenas para aquilo que ainda não foi resolvido. Faça também o exercício de recordar aquilo de que Deus já o livrou.
Quantas situações pareciam impossíveis cinco ou dez anos atrás e hoje ficaram para trás?
Quantas vezes o irmão pensou que não conseguiria continuar e, mesmo assim, chegou até aqui?
O Deus que cuidou do irmão ontem continua sendo Deus hoje.
Não posso prometer ao irmão que aquela empresa vai telefonar, que aparecerá determinado emprego ou que o problema financeiro será resolvido da maneira que imaginamos. A Bíblia não nos autoriza a fazer tais promessas.
Posso, entretanto, lembrar ao irmão daquilo que Deus realmente prometeu:
“Não te deixarei, nem te desampararei” (Hebreus 13:5).
Por isso, o versículo seguinte diz:
“E assim com confiança ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei” (Hebreus 13:6).
Talvez hoje o irmão não precise saber como serão os próximos seis meses.
Precisa apenas caminhar com Deus hoje.
Amanhã, receberá graça para amanhã.
E, quando sua mente começar novamente a transformar os problemas em gigantes, lembre-se:
O gigante pode ser grande para mim.
Mas nunca será grande para Deus.
Conte com minhas orações, irmão.
Josué Matos