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O 'deus daquele século' (2 Coríntios 4.4) do tempo de Paulo era a lei e os sacerdotes que enganavam (cegavam).

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O 'deus daquele século' (2 Coríntios 4.4) do tempo de Paulo era a lei e os sacerdotes que enganavam (cegavam).

Minha Resposta:

Agradeço expressar aqui sua opinião. Entretanto, a interpretação de que "o deus deste século" seja a lei de Moisés ou os sacerdotes judeus não encontra apoio no próprio contexto da passagem nem no restante das Escrituras.

Em 2 Coríntios 4:3-4, o apóstolo Paulo escreve:

"Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto; nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus."

Observe que Paulo não diz que os sacerdotes cegaram os incrédulos, mas que "o deus deste século" o fez. Em toda a Bíblia, esse título é atribuído a Satanás, que exerce influência sobre o presente sistema do mundo.

O próprio Senhor Jesus chamou Satanás de "o príncipe deste mundo" (João 12:31; 14:30; 16:11). Da mesma forma, em Efésios 2:2 ele é chamado de "o príncipe das potestades do ar", e em 1 João 5:19 lemos que "o mundo inteiro jaz no maligno". Esses textos apontam para a mesma realidade espiritual.

É verdade que muitos líderes religiosos judeus rejeitaram o Senhor Jesus e procuraram impedir que outros cressem nEle. O próprio Senhor denunciou essa atitude em Mateus 23:13, quando disse que eles fechavam o reino dos céus diante dos homens. Contudo, eles eram instrumentos de uma influência espiritual maior, e não o "deus deste século".

Além disso, a lei de Moisés jamais poderia ser chamada de "deus deste século". A Escritura declara que "a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom" (Romanos 7:12). O problema nunca foi a lei em si, mas o pecado do homem e a ação de Satanás, que procura afastar as pessoas da verdade do evangelho.

Assim, o ensino bíblico é que Satanás cega o entendimento dos incrédulos para impedir que vejam a glória de Cristo. Essa cegueira pode ocorrer por meio da falsa religião, da idolatria, da filosofia humana, do materialismo, do orgulho ou de qualquer outro sistema que desvie o homem de Cristo. O único remédio é a luz do evangelho, que Deus faz brilhar no coração daqueles que creem (2 Coríntios 4:6).

Josué Matos

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Igreja arrebatada? E se ela passar pela tribulação?

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Igreja arrebatada? E se ela passar pela tribulação? Essa cristandade está em um nível de arrebatamento? A igreja passar pela tribulação, ou por parte dela, vejo como misericórdia de Deus... Aí saberemos quem ama de verdade.

Minha Resposta:

Agradeço pela sua pergunta. Esse é um dos assuntos mais debatidos da escatologia cristã, mas a nossa resposta deve estar fundamentada nas Escrituras, e não apenas em argumentos humanos.

O Novo Testamento apresenta a esperança da Igreja como sendo o arrebatamento antes do derramamento da ira de Deus sobre este mundo. Em 1 Tessalonicenses 1:10 lemos que os crentes "esperam dos céus o seu Filho... Jesus, que nos livra da ira vindoura". Da mesma forma, em 1 Tessalonicenses 5:9 está escrito: "Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo."

A Grande Tribulação é apresentada como um período de juízo divino sobre um mundo que rejeitou a Deus. O próprio Senhor Jesus a descreveu como um tempo sem igual (Mateus 24:21), enquanto Apocalipse revela o derramamento sucessivo da ira de Deus sobre a terra.

É verdade que os cristãos enfrentam tribulações durante toda a presente dispensação. O Senhor disse: "No mundo tereis aflições" (João 16:33). Porém, essas aflições são diferentes da Grande Tribulação profética. Uma coisa é sofrer perseguições por causa de Cristo; outra é permanecer na terra durante o período em que Deus executará Seus juízos sobre as nações.

Você comentou que, se a Igreja passasse pela tribulação, isso serviria para mostrar quem ama verdadeiramente a Deus. Entretanto, a Bíblia ensina que Deus já prova e aperfeiçoa a fé dos seus filhos ao longo da vida presente. Tiago 1:2-4, 1 Pedro 1:6-7 e Romanos 5:3-5 mostram que as provações atuais já cumprem esse propósito. Não há indicação de que a Grande Tribulação tenha como objetivo purificar a Igreja. Antes, ela está relacionada principalmente ao juízo do mundo e ao tratamento de Deus com Israel.

Além disso, o arrebatamento é apresentado como uma "bendita esperança" (Tito 2:13), um acontecimento iminente, pelo qual os crentes aguardam a qualquer momento. Se a Igreja tivesse de atravessar parte ou toda a Tribulação, diversos acontecimentos proféticos precisariam ocorrer antes, retirando justamente esse caráter de expectativa constante.

Portanto, embora existam irmãos sinceros que defendam posições diferentes, entendo que o ensino mais consistente das Escrituras é que a Igreja será arrebatada antes do início da Grande Tribulação. Isso, porém, não significa uma vida sem sofrimento até lá. Enquanto aguardamos a vinda do Senhor, continuaremos enfrentando lutas, perseguições e provações, permanecendo vigilantes, fiéis e santos, aguardando a qualquer momento o chamado do Senhor para encontrar-se com Ele nos ares.

Josué Matos

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O que seria exatamente prevaricar com a sã doutrina?

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2 João 1:9

'Todo aquele que prevarica e não persevera na doutrina de Cristo não tem a Deus.'

João 5:39

'Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.'

João 12:48

'Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.'

Efésios 2:20

'A igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo Jesus Cristo a principal pedra da esquina.'

Graça e paz, irmão Josué.

Esses versículos acredito que estão em harmonia quando dizem respeito à sã doutrina. Por exemplo, quando diz em Efésios 2:20 sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, esse fundamento seria a sã doutrina?

Outra pergunta: o que seria exatamente prevaricar com a sã doutrina? Porque, ocorrendo essa prevaricação, a Bíblia afirma que não se tem a Deus, excluindo a pessoa de ser membro da igreja e do corpo de Cristo.

Minha Resposta:

Sim, esses versículos estão em perfeita harmonia. Todos eles apresentam a mesma verdade sob ângulos diferentes: Deus revelou Seu Filho, e essa revelação foi entregue por Cristo aos apóstolos, sendo registrada nas Escrituras. É essa revelação que constitui o fundamento doutrinário da igreja.

Quando Efésios 2:20 afirma que a igreja está "edificada sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas", não está falando das pessoas em si, mas da revelação divina comunicada por meio deles. Os apóstolos do Novo Testamento e os profetas, especialmente no contexto da revelação do mistério da igreja, receberam de Deus a verdade que hoje possuímos nas Escrituras. Cristo é a pedra angular, e o ensino apostólico está firmado nEle.

Por isso, em Atos dos Apóstolos 2:42 encontramos que os primeiros cristãos "perseveravam na doutrina dos apóstolos". A igreja nunca recebeu autoridade para criar novas doutrinas, mas apenas para guardar fielmente aquilo que foi entregue "uma vez aos santos", conforme Judas 3.

Em 2 João 9, porém, é importante observar cuidadosamente o significado de "prevaricar". A ideia do texto não é a de um crente sincero que possui dificuldades de compreensão ou que ainda está amadurecendo espiritualmente. O verbo empregado por João descreve aquele que vai além do ensino de Cristo, abandona deliberadamente a verdade e passa a ensinar outra doutrina.

Portanto, "prevaricar" nesse contexto significa ultrapassar os limites da revelação divina, deixando de permanecer na doutrina de Cristo para seguir um ensino diferente. Era exatamente o problema dos falsos mestres que negavam a Pessoa do Senhor Jesus, especialmente Sua verdadeira encarnação, introduzindo doutrinas estranhas.

João não está tratando de diferenças secundárias entre cristãos, mas de abandono consciente da verdade fundamental acerca de Cristo. Por isso ele afirma: "não tem a Deus". Quem rejeita o Filho também rejeita o Pai, conforme o próprio Senhor declarou em João 5:23 e João 12:48.

Quanto à sua pergunta sobre ser excluído da igreja e do corpo de Cristo, é necessário fazer uma distinção.

O corpo de Cristo é formado por todos os verdadeiros salvos. Somente Deus conhece perfeitamente quem realmente pertence a Cristo (2 Timóteo 2:19).

Já a comunhão prática da igreja local possui responsabilidade de preservar a sã doutrina. Se alguém passa a ensinar doutrinas falsas acerca da Pessoa e da obra de Cristo, a igreja deve agir biblicamente para proteger o testemunho do Senhor. As cartas do Novo Testamento mostram claramente que os falsos mestres não deveriam ser recebidos nem apoiados (2 João 10-11; Gálatas 1:8-9; Tito 3:10-11).

Assim, a exclusão da comunhão da igreja local não acontece por causa de pequenas diferenças de entendimento ou por dificuldades de crescimento espiritual, mas quando existe persistência em pecado moral ou na propagação consciente de falsa doutrina.

A verdadeira sã doutrina sempre conduz à piedade (1 Timóteo 6:3), glorifica a Pessoa do Senhor Jesus Cristo e permanece fiel à Palavra de Deus. Permanecer na doutrina de Cristo é permanecer naquilo que Ele revelou acerca de Sua Pessoa, Sua obra, Seu evangelho e tudo quanto foi transmitido pelos apóstolos inspirados.

Josué Matos

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Lucas 11:41: Parece ser uma citação, ainda que indireta, do Eclesiástico (livro apócrifo)?

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Irmão Josué Matos, boa noite.

Estava lendo a passagem bíblica de hoje e chamou minha atenção o que está em Lucas 11:41. Parece ser uma citação, ainda que indireta, do Eclesiástico (livro apócrifo). Poderia me ajudar na exegese desse versículo? Obrigado.

Minha Resposta:

Sua pergunta é muito interessante e já foi levantada por diversos estudiosos das Escrituras.

O texto de Lucas 11:41 diz:

"Antes, dai esmola do que tendes, e eis que tudo vos será limpo."

À primeira vista, alguns entendem que o Senhor Jesus estaria fazendo referência ao livro de Eclesiástico, especialmente porque há um trecho naquele livro que associa a esmola à purificação dos pecados. Entretanto, essa conclusão não é necessária.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que o Senhor Jesus jamais citou explicitamente os livros apócrifos como Escritura inspirada. Quando Ele apelava à autoridade divina, dizia repetidamente: "Está escrito", referindo-se às Escrituras reconhecidas pelos judeus, isto é, à Lei, aos Profetas e aos Salmos (Lucas 24:44). Da mesma forma, os apóstolos fundamentaram sua doutrina nas Escrituras do Antigo Testamento, sem atribuir autoridade inspirada aos livros apócrifos.

Além disso, o ensino de Lucas 11:41 é bastante diferente da ideia encontrada em Eclesiástico.

O contexto de Lucas 11 é uma severa repreensão aos fariseus. Eles eram extremamente cuidadosos com as purificações externas, os rituais e as cerimônias religiosas, mas o Senhor declarou que, por dentro, estavam cheios de rapina e de maldade (Lucas 11:39). Em seguida, afirmou:

"Todavia, dai de esmola o que está dentro, e eis que tudo vos será limpo."

A expressão "o que está dentro" é importante. O Senhor não está ensinando que a esmola compra o perdão dos pecados ou purifica a alma diante de Deus. Isso contrariaria todo o ensino das Escrituras, que afirmam claramente que a salvação é pela graça, mediante a fé, e que a purificação é realizada unicamente pelo sangue de Cristo (Efésios 2:8-9; Hebreus 9:14; 1 João 1:7).

A ideia é que, em vez de demonstrarem uma religiosidade apenas exterior, os fariseus deveriam possuir um coração transformado, generoso e misericordioso. A esmola seria apenas a manifestação prática dessa mudança interior. Em outras palavras, quando o interior é tratado por Deus, o exterior passa naturalmente a refletir essa transformação.

Essa interpretação harmoniza-se com diversas passagens bíblicas:

• Mateus 23:25-28, onde o Senhor condena a aparência religiosa sem santidade interior.

• Mateus 23:26: "Limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo."

Observe que o pensamento é praticamente o mesmo de Lucas 11. A prioridade é sempre o interior.

Também encontramos esse princípio em Provérbios 4:23:

"Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida."

Assim, Lucas 11:41 não ensina que a esmola produz perdão ou purificação espiritual. Antes, mostra que Deus deseja um coração sincero, misericordioso e transformado, e não apenas uma religião de aparências.

Quanto à possível semelhança de linguagem com Eclesiástico, devemos lembrar que ideias semelhantes podem aparecer em diversos escritos da época, sem que isso signifique aprovação ou reconhecimento de inspiração. O apóstolo Paulo, por exemplo, citou poetas gregos em Atos 17:28 e Tito 1:12, mas isso não transformou suas obras em Escritura inspirada. Da mesma forma, uma eventual semelhança verbal entre Lucas e um livro apócrifo não prova dependência nem lhe confere autoridade divina.

Portanto, a exegese de Lucas 11:41 deve ser feita à luz do próprio contexto imediato e do ensino geral das Escrituras. O Senhor Jesus está contrastando a pureza exterior dos fariseus com a necessidade de uma transformação interior, que se manifesta em amor, misericórdia e generosidade. Não se trata de ensinar que a esmola remove pecados, mas que uma vida transformada por Deus produz obras compatíveis com essa transformação.

Josué Matos

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