Alguém que me escreveu no WhatsApp:
A Nova Terra no Estado Eterno continuará separada da habitação da Igreja ou poderá se fundir com o Terceiro Céu e ser uma habitação única tanto para a Igreja quanto para os judeus?
Pelo seu entendimento, o que o irmão acha, lembrando que a Bíblia não revela essa questão.
Mas, pelo entendimento do irmão.
Minha Resposta:
Esta é uma pergunta interessante porque realmente entramos em uma área onde a revelação bíblica é limitada. Precisamos tomar cuidado para não afirmar como doutrina aquilo que Deus não revelou claramente.
O que a Bíblia afirma é que, no Estado Eterno, haverá “novos céus e nova terra” (Apocalipse 21:1; 2 Pedro 3:13). Também vemos a descrição da Cidade Santa, a Nova Jerusalém, descendo do céu da parte de Deus (Apocalipse 21:2).
Um detalhe importante é que a Nova Jerusalém continua sendo apresentada como distinta da nova terra. João vê a cidade “descendo do céu”, o que sugere uma identidade própria. Além disso, a cidade é chamada “a esposa, a mulher do Cordeiro” (Apocalipse 21:9-10), apontando para uma relação especial com a Igreja.
Ao mesmo tempo, Apocalipse 21:3 diz: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens”. Isso mostra uma proximidade e comunhão perfeitas entre Deus e todos os remidos. Não há mais pecado, morte, separação, maldição ou qualquer barreira.
Por isso, pessoalmente, não creio que a Nova Jerusalém deixe de existir como entidade distinta. A descrição bíblica parece indicar que ela continua tendo sua identidade própria. Porém, também não vejo uma separação no sentido de distância ou exclusão entre a Igreja e os demais remidos.
Devemos lembrar que as distinções administrativas que existem durante o Milênio parecem chegar ao seu propósito final. Em 1 Coríntios 15:24-28 vemos que o Senhor Jesus entregará o reino ao Pai, após haver sujeitado todas as coisas. O Estado Eterno apresenta uma condição de perfeita harmonia sob o governo de Deus.
Portanto, meu entendimento é que a Nova Jerusalém continuará existindo como a habitação especial da Igreja glorificada, mas em perfeita união e comunhão com todos os remidos que habitarão os novos céus e a nova terra. Não imagino uma fusão literal da cidade com o terceiro céu ou com a nova terra, porque a Escritura não afirma isso. Também não imagino uma separação que crie diferentes níveis de acesso a Deus, porque Apocalipse 21 enfatiza precisamente o contrário: Deus habitando com os homens em perfeita comunhão.
Em resumo: a Bíblia parece indicar distinção sem separação. Identidades preservadas, mas comunhão perfeita. Além desse ponto, entramos em terreno onde Deus não revelou detalhes suficientes para sermos dogmáticos.
Josué Matos