Áudios

Então penso que a lei que serve para o judeu também serve para o gentio convertido

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

A lei foi para Israel, mas a Bíblia diz que somos judeus de coração. Então penso que a lei que serve para o judeu também serve para o gentio convertido. Por isso fico pensativo com isso e outras questões desde Gênesis.

Romanos 2

28 Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne.

29 Mas é judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus.

Minha Resposta:

A sua reflexão é compreensível e toca num ponto central da interpretação bíblica: a relação entre a Lei dada a Israel e a posição do gentio convertido em Cristo. Para responder com clareza, é necessário distinguir cuidadosamente entre identidade espiritual, economia divina e propósito da Lei.

Em primeiro lugar, quando o apóstolo Paulo escreve em Romanos 2:28–29, ele não está redefinindo o gentio como judeu no sentido nacional, histórico ou legal. O próprio contexto da carta deixa isso claro. Paulo está lidando com a falsa segurança religiosa, tanto do judeu que confiava nos privilégios externos quanto do gentio que poderia imaginar que a mera posse de conhecimento religioso fosse suficiente. Assim, “judeu no interior” não significa alguém colocado debaixo da Lei mosaica, mas alguém cujo relacionamento com Deus é real, interno e produzido pelo Espírito.

A circuncisão do coração já era um conceito conhecido nas Escrituras do Antigo Testamento. Em Deuteronômio 10:16 e 30:6, o próprio Deus fala de uma obra interior, e não meramente ritual. Logo, Paulo não está introduzindo uma nova Lei para o gentio, mas mostrando que o verdadeiro valor sempre esteve na obra de Deus no coração, algo que a Lei, por si mesma, nunca pôde produzir.

É fundamental lembrar que a Lei foi dada especificamente a Israel como nação. Isso é afirmado de forma inequívoca em textos como Êxodo 19:3–6 e Salmos 147:19–20, onde se declara que Deus não tratou assim com nenhuma outra nação. A Lei tinha um propósito definido: revelar o caráter santo de Deus, expor o pecado e conduzir o homem à necessidade de redenção.

No Novo Testamento, Paulo explica esse propósito de modo direto em Gálatas 3:24–25, ao afirmar que a Lei foi aio até Cristo, mas que, chegada a fé, já não estamos debaixo desse aio. Isso significa que a Lei cumpriu sua função pedagógica e condenatória, mas não é o princípio regulador da vida cristã.

Quando Paulo fala do gentio convertido, ele afirma claramente que esse gentio não é colocado sob a Lei. Em Romanos 6:14, lemos que o crente não está debaixo da Lei, mas da graça. Mais adiante, em Romanos 7, Paulo mostra que a Lei é santa, justa e boa, mas impotente para libertar o homem do domínio do pecado. A libertação vem exclusivamente por meio de Cristo.

Além disso, o Concílio de Jerusalém, relatado em Atos dos Apóstolos 15, é decisivo nessa questão. Ali, os apóstolos rejeitam explicitamente a ideia de impor a Lei de Moisés aos gentios convertidos. Pedro chega a afirmar que isso seria colocar um jugo que nem os próprios judeus conseguiram suportar.

Portanto, ser “judeu no interior” não significa estar sujeito à Lei mosaica, mas possuir uma realidade espiritual: um coração transformado, regenerado e dirigido pelo Espírito Santo. O crente hoje vive sob outro princípio, chamado no Novo Testamento de a lei de Cristo, mencionada em Gálatas 6:2. Essa não é uma repetição da Lei de Moisés, mas a vida de Cristo expressa em amor, obediência e dependência de Deus.

Finalmente, olhar para Gênesis e para toda a Escritura é correto e necessário, mas sempre à luz da revelação progressiva. A Palavra de Deus não se contradiz, mas avança até a plena revelação em Jesus Cristo. O erro surge quando se misturam economias diferentes, aplicando ao Corpo de Cristo aquilo que foi dado exclusivamente a Israel como nação.

Assim, a Lei continua tendo valor como revelação do caráter de Deus e como testemunho histórico e moral, mas não como regra de vida para o crente em Cristo. A nossa posição não é a do Sinai, mas a do Calvário; não a da letra que mata, mas a do Espírito que vivifica, conforme ensinado em 2 Coríntios 3:6.

Josué Matos

Tenho visto que boa parte da teologia cristã, em maior ou menor grau, se desenvolveu não tanto de um estudo sério da Escritura

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Irmão Josué, em minhas leituras, tenho visto que boa parte da teologia cristã, em maior ou menor grau, se desenvolveu não tanto de um estudo sério da Escritura, (respeitando seu contexto mediato e imediato em sua forma histórico-gramatical), mas muito da mesma foi desenvolvido com base em pressupostos filosóficos, principalmente de Aristóteles, dentre outros. Vemos isto na teologia católica, com Tomás de Aquino, que foi profundamente influenciado por Aristóteles (já citado), bem como no Calvinismo, que se escorou profusamente em Agostinho de Hipona, que foi profundamente também influenciado pela filosofia grega. Irmão Josué, como estudar a Bíblia sem este "fermento" filosófico, que tanto influenciou o entendimento das coisas divinas com raciocínios limitados pela filosofia, nos trazendo, por fim, uma "mistura" doutrinária que tanto mal fez à obra de Deus no mundo?

Minha Resposta:

Amado irmão,

A sua percepção é bastante pertinente e toca num ponto sensível da história do pensamento cristão. De fato, ao longo dos séculos, a teologia cristã foi sendo desenvolvida em contextos culturais específicos, e isso fez com que categorias filosóficas externas às Escrituras fossem, muitas vezes, usadas como lentes interpretativas. O problema não é apenas histórico, mas metodológico e espiritual.

É inegável que, desde os primeiros séculos, houve uma aproximação entre fé cristã e filosofia grega. Já no período patrístico, especialmente com figuras como Agostinho, houve forte diálogo com o platonismo e, mais tarde, com o neoplatonismo. Na Idade Média, a síntese entre fé e razão ganhou contornos sistemáticos com Tomás de Aquino, profundamente influenciado por Aristóteles. Esses sistemas procuravam organizar a doutrina cristã de forma lógica, coerente e defensável diante do pensamento dominante da época. O mesmo pode ser observado, ainda que de forma diferente, em sistemas teológicos posteriores, inclusive no calvinismo, que herdou categorias metafísicas e conceituais anteriores à Reforma.

A Escritura, porém, não se apresenta como um tratado filosófico. Ela é revelação divina dada em linguagem histórica, progressiva, pactual e redentiva. Os autores bíblicos não pensam a partir de categorias aristotélicas como “ato e potência”, “substância e acidente”, ou “causa primeira”, mas a partir da relação viva entre Deus e o homem, do pecado, da redenção, da promessa e do cumprimento. Quando essas categorias filosóficas passam a governar a leitura do texto bíblico, o risco é inverter a ordem: em vez de a Escritura julgar os nossos sistemas, os sistemas passam a julgar a Escritura.

O próprio Novo Testamento alerta contra esse perigo. O apóstolo Paulo escreve aos colossenses advertindo: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8). Aqui não se trata de uma rejeição ao uso da razão, mas de uma denúncia clara contra qualquer estrutura de pensamento que se torne concorrente ou superior à revelação de Deus em Cristo.

Como, então, estudar a Bíblia sem esse “fermento” filosófico?

Primeiro, é necessário reafirmar a suficiência e a autoridade das Escrituras. A Bíblia interpreta a própria Bíblia. Textos claros lançam luz sobre textos mais difíceis, e nenhuma doutrina deve ser construída a partir de inferências filosóficas que não estejam firmemente ancoradas no testemunho global da Palavra de Deus. “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16).

Segundo, é fundamental respeitar o método histórico-gramatical em submissão espiritual. Isso significa ler cada texto no seu contexto imediato e mediato, considerando o género literário, o momento histórico, o propósito do autor humano e, sobretudo, a intenção do Autor divino. Mas esse método, por si só, não basta se for aplicado de forma meramente académica. O Senhor Jesus disse: “Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina” (João 7:17). O entendimento espiritual está ligado à disposição do coração.

Terceiro, é preciso deixar que a linguagem bíblica molde as nossas categorias, e não o contrário. A Bíblia fala em termos como vida e morte, luz e trevas, carne e espírito, fé e incredulidade, justiça e pecado, cabeça e corpo, pastor e ovelhas. Quando substituímos essas categorias por esquemas abstratos importados da filosofia, perdemos a força e a simplicidade da revelação divina.

Quarto, devemos reconhecer que o Espírito Santo é o verdadeiro Mestre. O Senhor prometeu que o Espírito guiaria os Seus discípulos em toda a verdade (João 16:13). O estudo sério das Escrituras não é independente da dependência espiritual. A iluminação do Espírito não anula o estudo, mas dá vida, direção e equilíbrio a ele.

Por fim, convém lembrar que Deus nunca confiou a preservação da verdade a sistemas, mas à Sua Palavra viva. A história da Igreja mostra que, sempre que a teologia se cristalizou em esquemas fechados, a vida espiritual enfraqueceu. Em contrapartida, os períodos de maior frescor espiritual foram marcados por um retorno simples, reverente e obediente às Escrituras.

Portanto, estudar a Bíblia sem o “fermento” filosófico não significa ignorar a história do pensamento cristão, mas submeter toda tradição, todo sistema e todo raciocínio à autoridade final da Palavra de Deus. É voltar a ouvir a Escritura como Palavra viva, capaz de julgar os pensamentos e intenções do coração (Hebreus 4:12), permitindo que ela mesma forme o nosso entendimento das coisas divinas.

Josué Matos

Por qual razão Deus permite ou envia o mal e o pecado no mundo?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Amado amigo e irmão Josué.  Por que sofre o justo? Minha sogra, crente temente a Deus, está com câncer.  Além de orar por ela, poderia, por favor, nos ajudar quanto a esta questão? Por que parece que a providência de Deus demora tanto nas vidas dos justos? Obrigado, e que Deus te abençoe sempre.

Mês que vem fará sete anos da morte de meu filho, na época com 22 anos. Infarto fulminante. Por que dessas dores nas nossas vidas?

Em suma, por qual razão Deus permite ou envia o mal e o pecado no mundo?

Minha Resposta:

Recebo a sua mensagem com profundo respeito e temor diante da dor que o senhor compartilha. Não se trata de uma pergunta teórica, mas de um clamor que nasce do coração ferido. A Palavra de Deus não ignora esse tipo de dor; ao contrário, ela a reconhece, a acolhe e a ilumina com verdade, ainda que nem sempre com explicações simples.

  1. Por que sofre o justo?

A Bíblia é muito clara ao afirmar que o sofrimento não é, necessariamente, consequência direta de pecado pessoal. O livro de Jó foi preservado justamente para corrigir essa ideia simplista. Jó é apresentado como homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal, e ainda assim foi profundamente afligido. O próprio Deus confirma isso em Jó 1:8 e Jó 2:3.

O sofrimento do justo não significa ausência de cuidado divino, nem indiferença da parte de Deus. Muitas vezes, ele ocorre dentro de um mundo que está debaixo das consequências da queda. Desde Gênesis 3, a criação inteira foi sujeita à corrupção. O apóstolo Paulo declara que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora, conforme Romanos 8:22. A doença, a morte e a fragilidade do corpo fazem parte desse estado decaído da criação, e os justos não estão imunes a isso.

  1. Por que a providência de Deus parece demorar?

A demora da providência de Deus não é descaso, mas faz parte do Seu modo perfeito de agir. A Escritura nos ensina que Deus vê o fim desde o princípio, como afirma Isaías 46:10. Aquilo que para nós parece atraso, para Ele está dentro de um tempo exato.

Habacuque também lutou com essa sensação de demora e ouviu do Senhor: “Se tardar, espera-o; porque certamente virá, não tardará” (Habacuque 2:3). Aos nossos olhos humanos, a espera é pesada; aos olhos de Deus, ela está ajustada à Sua sabedoria eterna.

Além disso, a Palavra nos mostra que Deus, muitas vezes, opera mais profundamente em nós durante o tempo da espera do que no momento da resposta. Romanos 5:3–5 ensina que a tribulação produz perseverança, a perseverança experiência, e a experiência esperança. Não se trata de romantizar a dor, mas de reconhecer que Deus não a desperdiça.

  1. A dor da perda de um filho

A morte de um filho é uma das dores mais profundas que um ser humano pode experimentar. A Bíblia não tenta minimizar essa dor. O próprio Senhor Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro, conforme João 11:35, mesmo sabendo que o ressuscitaria. Isso nos mostra que o choro não é falta de fé, mas expressão legítima de amor e de perda.

O salmista declara: “Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Salmos 116:15). Isso não significa que a morte seja boa em si mesma, mas que Deus não trata a vida dos seus filhos com indiferença. O apóstolo Paulo afirma que, para os que estão em Cristo, partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor, conforme Filipenses 1:23. Essa verdade não elimina a dor da separação, mas oferece esperança quanto ao destino daquele que partiu no Senhor.

  1. Deus permite ou envia o mal e o pecado?

A Escritura distingue claramente entre a origem do pecado e a soberania de Deus. Deus não é o autor do pecado, nem da maldade moral. Tiago 1:13 afirma que Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta. O pecado entrou no mundo pela desobediência do homem, conforme Romanos 5:12.

Contudo, Deus é soberano até mesmo sobre aquilo que Ele não aprova moralmente. Ele permite o mal, mas nunca perde o controle da história. Um dos textos mais claros sobre isso é Gênesis 50:20, quando José diz a seus irmãos: “Vós intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem”. O mal foi real, a dor foi real, mas Deus operou acima e através disso para cumprir Seus propósitos.

No Novo Testamento, vemos o maior exemplo disso na cruz. Atos 2:23 afirma que o Senhor Jesus foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, e ainda assim foi morto por mãos de homens injustos. O pecado humano foi responsável; a soberania divina estava presente; e o resultado foi a nossa redenção.

  1. O que nos sustenta quando não há respostas completas?

A Bíblia não promete que entenderemos todas as razões nesta vida. Deuteronômio 29:29 declara que as coisas encobertas pertencem ao Senhor, mas as reveladas nos pertencem. O que nos é revelado é suficiente para confiar, mesmo quando não compreendemos.

O Senhor Jesus assegurou que nenhuma dor é ignorada por Deus. Ele afirmou que nem um pardal cai por terra sem o consentimento do Pai e que até os cabelos da nossa cabeça estão contados, conforme Mateus 10:29–30. Isso não explica tudo, mas garante que nada escapa ao cuidado divino.

Por fim, a esperança cristã não está na ausência de sofrimento nesta vida, mas na certeza de que ele não é o capítulo final. Apocalipse 21:4 declara que Deus enxugará dos olhos toda lágrima, e que não haverá mais morte, nem pranto, nem dor. Essa promessa não anula a dor presente, mas dá sentido à perseverança.

Que o Deus de toda consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, conforme 2 Coríntios 1:3–4, fortaleça o seu coração, conforte sua família e sustente sua fé, mesmo quando as perguntas permanecem sem resposta completa.

Receba meu abraço fraterno em Cristo.

Josué Matos

Qual a genealogia de Jó? Era descendente de qual linhagem dos filhos de Adão?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Qual a genealogia de Jó?  Era descendente de qual linhagem dos filhos de Adão?

Minha resposta:

A pergunta sobre a genealogia de Jó é muito pertinente, pois o livro que leva o seu nome é singular na Escritura: ele apresenta um homem histórico, piedoso e profundamente provado, mas sem fornecer uma genealogia explícita, como ocorre com muitos outros personagens do Antigo Testamento.

A Bíblia não apresenta uma genealogia direta e formal de Jó, nos moldes de Gênesis 5, Gênesis 10 ou 1 Crônicas. Não há um texto que diga claramente: “Jó, filho de…” seguido de uma linhagem até Adão. Ainda assim, a Escritura fornece dados suficientes para situá-lo historicamente e genealogicamente de forma responsável.

  1. A origem de Jó segundo a Escritura

Jó é apresentado logo no início do livro como “homem da terra de Uz” (Jó 1:1). A terra de Uz não pertence ao território de Israel, o que já indica que Jó não era israelense, nem descendente direto de Abraão, Isaque ou Jacó.

Em Lamentações 4:21, Uz é associado à região de Edom, e em Gênesis 36:28 encontramos Uz como descendente de Esaú, por meio de Disã. Além disso, Gênesis 22:21 menciona Uz como filho de Naor, irmão de Abraão. Essas referências mostram que o nome Uz aparece em diferentes ramos familiares semitas, o que indica que a região recebeu esse nome de um ancestral antigo, e não necessariamente que Jó fosse descendente direto de um único Uz específico.

  1. Jó dentro da linhagem de Adão

Embora a Bíblia não detalhe sua genealogia, é possível afirmar com segurança que Jó era descendente de Adão por meio da linhagem de Sem, filho de Noé. Isso se sustenta por várias razões bíblicas:

– Jó vive em um contexto claramente pós-diluviano.
– Ele pertence ao mundo semita oriental, tanto pela linguagem quanto pelos figurinos.
– A revelação que Jó possui sobre Deus, sobre o Criador e sobre a responsabilidade moral do homem corresponde à tradição transmitida desde os patriarcas antigos.

Portanto, Jó se encaixa na mesma grande linhagem humana que vai de Adão a Noé, de Noé a Sem, e de Sem aos povos do Oriente.

  1. O período histórico de Jó

O livro de Jó apresenta características que apontam para um período patriarcal muito antigo:

– A riqueza de Jó é medida em gado, não em prata ou ouro (Jó 1:3).
– Ele atua como sacerdote de sua própria família, oferecendo holocaustos por seus filhos (Jó 1:5), prática comum antes da Lei mosaica.
– Não há qualquer menção à Lei de Moisés, ao sacerdócio levítico ou à nação de Israel.
– A longevidade de Jó após suas provações (Jó 42:16) se aproxima dos patriarcas antigos.

Esses elementos indicam que Jó viveu provavelmente na mesma época de Abraão ou depois pouco, ainda no período patriarcal.

  1. Por que a genealogia de Jó não foi revelada?

A ausência da genealogia de Jó não é uma omissão casual, mas teológica. O Espírito Santo apresenta Jó como um homem justo fora de Israel, para mostrar que:

– O temor do Senhor não estava restrito a uma única nação.
– Deus sempre teve testemunhas legítimas entre os gentios.
– A justiça diante de Deus nunca foi baseada em linhagem, mas em fé e integridade de coração.

Jó é descrito como “íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1:1), sem qualquer apoio em particularidades nacionais ou religiosas.

  1. Conclusão

Em resumo:

– A Bíblia não fornece uma genealogia explícita de Jó.
– Ele não pertence à linhagem de Israel, mas ao tronco semita descendente de Adão por meio de Sem.
– Viveu no período patriarcal, possivelmente contemporâneo de Abraão.
– Sua origem fora de Israel ressalta a universalidade do temor do Senhor e da soberania de Deus.
– Jó é apresentado como um exemplo de fé genuína antes da Lei, antes de Israel e fora de qualquer sistema religioso formal.

Assim, Jó permanece como uma poderosa testemunha de que Deus sempre se revela aos que O busca com sinceridade, independentemente de genealogia, território ou dispensação.

Josué Matos


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