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Estou reunindo em uma denominação insatisfeito

Alguém que me escreveu no YouTube: 

Estou passando exatamente por essa situação, estou em uma das maiores cidades do mundo praticamente sozinho. Estou reunindo em uma denominação insatisfeito, sem conseguir me desenvolver, já tentei pedir ajuda a alguns irmãos mas sem sucesso. Oro ao Senhor para que haja um pouco mais de empenho porque aqui tem 12 milhões de pessoas onde a grande maioria está perdida e estamos sem conseguir trabalhar porque a fidelidade está diminuindo.

Minha Resposta:

Olá, a sua situação não é nova na história do povo de Deus. Desde os dias apostólicos já havia lugares com muitos habitantes e pouca fidelidade, e isso nunca impediu o Senhor de operar. Pelo contrário, muitas vezes é exatamente nesses cenários que Ele manifesta mais claramente a Sua obra.

Primeiramente, é importante compreender que a obra de Deus não depende de estruturas humanas ou de grandes organizações, mas da fidelidade individual daqueles que desejam honrá-Lo. O apóstolo Paulo escreveu: “Além disso, requer-se dos despenseiros que cada um se ache fiel” (1 Coríntios 4:2). Note que ele não fala de resultados visíveis, mas de fidelidade. A responsabilidade do crente é ser fiel; o resultado pertence ao Senhor.

Você menciona estar reunindo em uma denominação e sentir-se limitado. Isso é algo que muitos crentes experimentam quando percebem que o sistema humano não corresponde ao padrão das Escrituras. Em Atos dos Apóstolos, vemos que os crentes se reuniam simplesmente ao nome do Senhor Jesus, dependendo do Espírito Santo e da Palavra, sem depender de sistemas organizacionais humanos. A igreja primitiva crescia não por estruturas, mas porque “a palavra de Deus crescia e se multiplicava” (Atos 12:24) .

Quanto ao sentimento de estar sozinho, lembre-se que o próprio Senhor disse: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mateus 18:20). Isso mostra que a presença do Senhor não depende de número, mas de realidade espiritual. Mesmo que você esteja sozinho por um tempo, isso não significa abandono, mas pode ser um período de preparação.

Outro ponto importante é que a obra do evangelho não está limitada à coletividade organizada. Em Atos 8, por exemplo, os crentes foram dispersos, e “iam por toda parte anunciando a palavra” (Atos 8:4). Ou seja, mesmo fora de um contexto estruturado, o testemunho continuou. Isso mostra que você pode ser usado por Deus exatamente onde está.

Sobre a grande quantidade de pessoas ao seu redor, isso deve ser visto não como um peso, mas como um campo missionário. O Senhor Jesus disse: “A seara é realmente grande, mas poucos são os ceifeiros” (Mateus 9:37). O problema nunca foi a falta de pessoas para alcançar, mas a falta de trabalhadores disponíveis e fiéis.

Quanto à falta de apoio de outros irmãos, isso também já ocorreu no passado. O apóstolo Paulo disse: “Na minha primeira defesa ninguém foi comigo, antes todos me desampararam” (2 Timóteo 4:16). No entanto, ele acrescenta: “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me” (2 Timóteo 4:17). Isso mostra que, mesmo quando faltam homens, o Senhor permanece suficiente.

Portanto, o caminho diante de você envolve algumas atitudes claras:

  1. Permanecer na Palavra de Deus, pois ela é o fundamento de todo crescimento espiritual (Atos 20:32).
  2. Manter uma vida de oração constante, buscando direção do Senhor.
  3. Não depender de sistemas humanos para servir, mas da direção do Espírito Santo.
  4. Estar disposto a testemunhar individualmente, mesmo que de forma simples.
  5. Buscar comunhão com outros que desejam andar segundo a verdade, ainda que poucos.

Por fim, lembre-se de que Deus sempre trabalhou com remanescentes. Em tempos de declínio, Ele não procura grandes números, mas corações fiéis. Como está escrito: “Os olhos do Senhor passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é perfeito para com ele” (2 Crônicas 16:9).

Permaneça firme. O Senhor conhece o seu desejo, vê a sua dificuldade e sabe usar até mesmo a solidão para moldar e preparar um servo útil para a Sua obra.

Josué Matos

Não se pode usar os judeus para fazer as pessoas aceitarem Jesus?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

Não se pode usar os judeus para fazer as pessoas aceitarem Jesus? Podemos usar o Espírito Santo como na pregação de Pedro em Atos, cheio do Espírito Santo, pregando para uma multidão — e eram quem? Eram judeus. Ele estava onde? No templo. Hoje é difícil encontrar Pedro nas igrejas?

Minha Resposta:

A sua colocação mistura algumas verdades com conclusões que precisam ser ajustadas à luz das Escrituras.

Em primeiro lugar, é verdade que em Atos 2 o apóstolo Pedro, cheio do Espírito Santo, pregou a judeus. O próprio contexto mostra isso claramente: “homens judeus e todos os que habitais em Jerusalém” (Atos dos Apóstolos 2:14). Isso está em perfeita harmonia com o plano de Deus naquele momento, pois o evangelho começou sendo anunciado aos judeus primeiro, conforme o próprio Senhor havia dito em Lucas 24:47: “que em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”.

O livro de Atos mostra exatamente esse desenvolvimento: primeiro aos judeus, depois aos samaritanos (Atos dos Apóstolos 8), e finalmente aos gentios (Atos dos Apóstolos 10). Esse avanço não foi humano, mas dirigido pelo Espírito Santo.

Portanto, usar o exemplo de Pedro pregando aos judeus não significa que o evangelho deva ficar restrito a eles, nem que os judeus sejam um “meio” para levar outros a Cristo. O propósito de Deus sempre foi mais amplo. Como está escrito: “em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (Atos dos Apóstolos 10:35).

Em segundo lugar, é correto afirmar que a verdadeira conversão não é produzida por argumentos humanos, nem por estratégias baseadas em pessoas ou grupos, mas pela ação do Espírito Santo através da Palavra de Deus. O Senhor Jesus disse em João 16:8 que o Espírito convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo. E em Romanos 10:17 lemos que “a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”.

Logo, não é uma questão de “usar judeus” ou qualquer outro grupo, mas de pregar fielmente o evangelho, confiando que o Espírito Santo fará a obra no coração.

Em terceiro lugar, quanto à afirmação de que “hoje é difícil encontrar Pedro nas igrejas”, é importante entender que Pedro não é um modelo exclusivo de lugar (templo) ou método (pregação pública a judeus), mas um exemplo de dependência do Espírito Santo e fidelidade à mensagem.

A pregação de Pedro não estava ligada ao templo como instituição permanente, mas a uma fase inicial da história da igreja. O próprio desenvolvimento do livro de Atos mostra que as reuniões cristãs passaram a ocorrer em casas (Atos dos Apóstolos 2:46), e não centradas no templo.

Além disso, o ministério apostólico não era uniforme. Pedro teve um papel mais voltado aos judeus (Gálatas 2:7-8), enquanto Paulo foi levantado como apóstolo dos gentios. Isso demonstra que Deus usa diferentes instrumentos, mas sempre com o mesmo fundamento: Cristo e a Sua obra.

Em resumo:

  • Pedro pregou aos judeus porque era o início do evangelho, não um padrão exclusivo.
  • O evangelho é para todas as nações, não apenas para um povo específico.
  • A conversão é obra do Espírito Santo por meio da Palavra, não de métodos humanos.
  • O modelo apostólico não está preso a templos ou formas externas, mas à fidelidade à verdade.

O essencial não é “encontrar Pedro nas igrejas”, mas encontrar homens e mulheres que, como ele, sejam cheios do Espírito Santo e fiéis à Palavra de Deus.

Josué Matos

A Bíblia é um livro que conta a história do homem, 100% pelas mãos do homem, só isso.

Alguém que escreveu no YouTube: 

A Bíblia não é uma farsa.

Só é mal lida, mal compreendida, mal interpretada e mal colocada em prática como ela é.
A Bíblia é um livro que conta a história do homem, 100% pelas mãos do homem, só isso.
Deus não tem nada a ver com isso.
E foi escrita para as necessidades específicas da época em que foi escrita.
O homem de nosso tempo, no que refere ao assunto, tem outras necessidades.

Minha Resposta:

A sua colocação parte de um ponto que parece razoável à primeira vista — o fato de a Bíblia ter sido escrita por homens — mas ignora completamente aquilo que a própria Escritura declara sobre sua origem e natureza.

A Bíblia afirma claramente que, embora tenha sido escrita por homens, não teve origem humana. Em 2 Pedro 1:21 lemos: “porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”. Aqui está a chave: Deus utilizou homens, mas não foi um produto meramente humano.

O mesmo princípio aparece em 2 Timóteo 3:16: “Toda a Escritura é divinamente inspirada”. Isso não significa que os escritores perderam sua individualidade, mas que foram conduzidos de tal maneira que aquilo que escreveram corresponde exatamente ao pensamento de Deus. Portanto, há dois elementos: instrumento humano e origem divina.

Dizer que Deus “não tem nada a ver com isso” contradiz diretamente o testemunho interno da própria Escritura e também a sua unidade impressionante. Escrita ao longo de cerca de 1500 anos, por diversos autores, em contextos distintos, ela apresenta um plano coerente: desde Gênesis até Apocalipse, o tema central é a revelação de Deus e a redenção do homem por meio do Senhor Jesus Cristo.

Além disso, a Bíblia não trata apenas das “necessidades da época”, mas da condição permanente do homem. O problema do homem não mudou: o pecado. Em Romanos 3:23 lemos: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Essa realidade é tão atual hoje quanto nos dias em que o texto foi escrito.

Da mesma forma, a solução também não mudou. O Senhor Jesus disse em João 14:6: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. Isso não é uma resposta cultural limitada a um período histórico, mas uma verdade absoluta.

A ideia de que “hoje temos outras necessidades” ignora que a necessidade fundamental do homem continua sendo reconciliação com Deus. Questões sociais, emocionais ou culturais mudam, mas a necessidade espiritual permanece a mesma: vida, perdão e salvação.

Por fim, a própria preservação da Bíblia ao longo dos séculos, sua influência contínua e sua capacidade de transformar vidas apontam para algo além de um simples livro humano. Como está escrito em Hebreus 4:12: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz...”.

Portanto, não é correto dizer que a Bíblia é apenas um livro humano. Ela é, sim, um livro escrito por homens, mas sob a direção divina. Reduzi-la a um documento histórico é ignorar sua própria reivindicação, sua unidade e o seu poder.

Josué Matos

As pessoas que passarem por esse período terão chance de salvação?

Alguém que me escreveu no YouTube:

Graça e paz presbítero, as pessoas que passarem por esse período terão chance de salvação mesmo não tendo seus nomes no livro da vida, caso aceitem a Cristo e neguem a marca da besta? Outra coisa, se nessa passagem de Apocalipse 13 diz que será feito guerra aos santos então a igreja passará pela grande tribulação?

Minha Resposta:

A sua pergunta envolve dois pontos importantes: a possibilidade de salvação durante a grande tribulação e a identidade dos “santos” de Apocalipse 13.

Primeiro, quanto à salvação durante esse período. A Palavra de Deus mostra claramente que haverá, sim, pessoas salvas após o arrebatamento da Igreja. Em Apocalipse 7:9-14 vemos uma grande multidão que “veio da grande tribulação”, indicando que muitos crerão nesse tempo. Essas pessoas não tinham seus nomes escritos previamente no livro da vida no sentido de já serem crentes antes, mas ao crerem no testemunho de Deus naquele período, passam a pertencer a Ele.

Isso está em harmonia com o princípio geral das Escrituras: a salvação sempre é pela fé. Assim como hoje está escrito em João 3:36, também naquele tempo quem crer será salvo, ainda que sob condições extremamente difíceis. No entanto, a diferença é que esse período será marcado por juízo, engano e perseguição sem precedentes (2 Tessalonicenses 2:10-12).

Destaco aqui que os que ouviram o evangelho nesta época da Igreja e rejeitaram não terão oportunidade de salvação após o arrebatamento: "A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade." (2 Tessalonicenses 2:9-12)

A recusa da marca da besta será uma evidência dessa fé. Apocalipse 14:9-12 mostra que aqueles que não aceitarem a marca demonstram fidelidade a Deus, ainda que isso lhes custe a vida. Portanto, sim, haverá salvação, mas com sofrimento intenso e, em muitos casos, martírio.

Segundo ponto: os “santos” de Apocalipse 13:7.

É fundamental entender que a palavra “santos” na Bíblia não se refere exclusivamente à Igreja. O termo significa simplesmente “separados para Deus”. Em diferentes períodos, Deus tem pessoas na terra que Lhe pertencem, e todas são chamadas de santos.

A Igreja, porém, não estará na grande tribulação. Isso se baseia em várias passagens:

  • 1 Tessalonicenses 1:10: “Jesus… nos livra da ira futura”
  • 1 Tessalonicenses 5:9: “Deus não nos destinou para a ira”
  • Apocalipse 3:10: “Eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo”

Além disso, em Apocalipse capítulos 6 a 18, onde a tribulação é descrita, a Igreja não aparece na terra. Ela já foi arrebatada, conforme 1 Tessalonicenses 4:16-17.

Portanto, os “santos” perseguidos em Apocalipse 13 são aqueles que crerão após o arrebatamento — os chamados santos da tribulação. Eles não fazem parte da Igreja (o Corpo de Cristo), mas são pessoas que se converterão nesse período.

Isso está em harmonia com a distinção bíblica entre o tempo atual da graça (iniciado em Atos 2) e o período futuro em que Deus voltará a tratar diretamente com Israel e com as nações, sob juízo, como também se vê no ensino profético das Escrituras .

Em resumo:

  • Haverá salvação durante a grande tribulação, mediante fé em Deus e rejeição da besta.
  • Essa salvação será acompanhada de perseguição e, muitas vezes, morte.
  • Os “santos” de Apocalipse 13 não são a Igreja, mas os convertidos desse período.
  • A Igreja será arrebatada antes da tribulação e não passará por esse tempo de juízo.

Josué Matos