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O evangelho do reino não será pregado no reino milenar?

 Alguém que me escreveu no YouTube:

O evangelho do reino não será pregado no reino milenar? Pois, após o milênio, virá o fim, com o grande trono branco?

Minha Resposta:

É importante distinguir dois momentos diferentes relacionados ao “evangelho do reino”. O evangelho do reino será anunciado durante o período da Tribulação, antes da manifestação de Cristo em glória, mas também haverá proclamação da verdade de Deus durante o próprio Reino Milenar. Durante o Milênio, Cristo será apresentado como Salvador e Rei àqueles que nascerem naquele período.

Em Mateus 24:14, o Senhor Jesus declarou:

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.”

Nesse contexto, o “fim” não é o fim do Milênio nem o julgamento do Grande Trono Branco. Trata-se do fim daquele período profético que culminará na manifestação de Cristo em glória e no estabelecimento do Seu reino sobre a Terra.

Isso fica claro pela sequência do próprio capítulo. Depois de mencionar a pregação do evangelho do reino, o Senhor fala da “abominação da desolação” (Mateus 24:15), da “grande tribulação” (Mateus 24:21) e, finalmente, da Sua manifestação:

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24:30).

Portanto, o “então virá o fim” de Mateus 24:14 não nos leva diretamente ao Grande Trono Branco de Apocalipse 20:11-15. Entre esses acontecimentos existe o Reino Milenar de Cristo.

A sequência profética é esta:

  1. A Igreja será arrebatada para estar com Cristo, conforme Primeira aos Tessalonicenses 4:13-18.

  2. Durante o período que culminará na Grande Tribulação, haverá novamente a proclamação do evangelho do reino, anunciando a aproximação do Reino do Messias (Mateus 24:14).

  3. Cristo voltará em glória e estabelecerá Seu reino (Mateus 24:29-31; Apocalipse 19:11-21).

  4. Satanás será preso durante mil anos (Apocalipse 20:1-3).

  5. Cristo reinará durante esses mil anos (Apocalipse 20:4-6).

  6. Durante o Milênio nascerão muitas pessoas. Embora vivam sob o governo perfeito de Cristo, elas ainda nascerão possuindo a natureza pecaminosa e precisarão individualmente da salvação. Por isso haverá testemunho e proclamação da verdade de Deus durante o Reino Milenar, apresentando Cristo como Salvador e Rei.

Este último ponto é particularmente importante. Às vezes imaginamos que, por Cristo estar reinando, todos os habitantes do Milênio serão automaticamente salvos. Não será assim. No início do Reino entrarão pessoas salvas, mas essas pessoas terão descendentes. As gerações nascidas durante os mil anos precisarão pessoalmente crer no Senhor.

Isaías apresenta a extraordinária extensão do conhecimento de Deus naquele período:

“Porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).

Também lemos:

“E irão muitas nações, e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e nós andemos pelas suas veredas” (Miqueias 4:2).

Zacarias mostra igualmente as nações indo a Jerusalém para adorar o Rei:

“E acontecerá que todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 14:16).

Portanto, haverá um conhecimento mundial do Senhor e um testemunho relacionado ao Rei e ao Seu reino.

Contudo, viver no Reino de Cristo não significa necessariamente possuir a vida eterna. A grande prova disso encontra-se justamente no final dos mil anos.

Apocalipse 20:7-9 diz que, quando Satanás for solto, ele sairá para enganar as nações. Surpreendentemente, encontrará uma enorme quantidade de pessoas dispostas a rebelar-se contra Cristo:

“E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar” (Apocalipse 20:7-8).

Isso demonstra uma verdade solene: nem mesmo um ambiente perfeito pode transformar a natureza humana.

Durante mil anos haverá governo perfeito, justiça, paz e conhecimento de Deus. Satanás estará preso. Cristo governará com justiça. Mesmo assim, haverá pessoas que exteriormente se submeterão ao Rei sem terem experimentado uma verdadeira conversão interior.

Quando Satanás for solto, essa condição escondida será revelada pela rebelião.

Somente depois disso chegamos ao Grande Trono Branco.

A ordem apresentada em Apocalipse 20 é muito clara:

“E, acabando-se os mil anos...” (Apocalipse 20:7).

Segue-se a libertação de Satanás, a última rebelião das nações e sua destruição (Apocalipse 20:7-10). Depois disso João declara:

“E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles” (Apocalipse 20:11).

Portanto, nesse ponto da pergunta você está correto: o Grande Trono Branco acontece depois do Milênio.

Mas precisamos distinguir isso do “fim” mencionado em Mateus 24:14. Ali, o contexto é o encerramento do período que precede a manifestação gloriosa do Senhor e a implantação do Seu reino; em Apocalipse 20:11-15, estamos mil anos adiante, diante do julgamento final dos mortos incrédulos.

Depois do Grande Trono Branco começa aquilo que podemos chamar propriamente de estado eterno:

“E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram” (Apocalipse 21:1).

Assim, resumidamente: sim, haverá proclamação da verdade de Deus e do evangelho do reino durante o Milênio, especialmente porque novas gerações nascerão e precisarão pessoalmente de Cristo. Porém, o “fim” de Mateus 24:14 não é o fim do Milênio. É o fim do período profético que culminará na volta de Cristo em glória. O Grande Trono Branco ocorrerá somente depois dos mil anos, depois da soltura de Satanás e da última rebelião da humanidade.

Josué Matos

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Existe instrução direta para a Igreja, no Novo Testamento, praticar o jejum?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa tarde, irmão.

Ainda vou meditar na sua preciosa reflexão.

Mas segue outra pergunta...

Existe instrução direta para a Igreja, no Novo Testamento, praticar o jejum?

Minha Resposta:

Sim, o jejum aparece no Novo Testamento como uma prática legítima para os discípulos do Senhor e encontramos a igreja primitiva praticando-o. Entretanto, é importante fazer uma distinção: não encontramos nas epístolas uma ordem estabelecendo o jejum como uma obrigação periódica da igreja, com dias, duração ou frequência determinados.

Em outras palavras, o Novo Testamento não institui para a Igreja uma “lei do jejum”, como se todos os cristãos fossem obrigados a jejuar em determinados dias. Contudo, o Senhor Jesus reconheceu que Seus discípulos jejuariam, ensinou como deveriam fazê-lo, e posteriormente encontramos cristãos efetivamente jejuando no livro de Atos dos Apóstolos. 

Em Atos dos Apóstolos 13:2, os irmãos em Antioquia jejuaram enquanto buscavam orientação quanto ao serviço; e, em Atos dos Apóstolos 14:23, Paulo e Barnabé oraram e jejuaram quando foram reconhecidos presbíteros nas igrejas.

  1. O Senhor Jesus não aboliu o jejum

Uma passagem importante encontra-se em Mateus 6:16-18. Observe cuidadosamente a maneira como o Senhor começa:

“E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas...” (Mateus 6:16).

Ele não disse: “Se jejuardes”, mas “quando jejuardes”. Assim como anteriormente havia dito “quando, pois, deres esmola” (Mateus 6:2) e “quando orares” (Mateus 6:5), agora diz “quando jejuardes”.

O assunto principal naquela passagem não é estabelecer quando ou quantas vezes o discípulo deve jejuar. O Senhor está corrigindo a maneira hipócrita de praticá-lo.

Os fariseus podiam transformar uma prática espiritual em demonstração pública de espiritualidade. Por isso, o Senhor ensina:

“Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto, para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mateus 6:17-18).

Portanto, o jejum não deveria servir para mostrar aos outros quão espiritual alguém é.

  1. Cristo disse que chegaria o tempo em que Seus discípulos jejuariam

Talvez esta seja uma das passagens mais esclarecedoras sobre a pergunta.

Quando perguntaram ao Senhor por que os discípulos de João e os fariseus jejuavam, mas Seus discípulos não, Ele respondeu:

“Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão” (Mateus 9:15).

O mesmo ensino aparece em Marcos 2:18-20 e Lucas 5:33-35.

Observe a última expressão:

“Então jejuarão.”

Durante a presença corporal de Cristo entre eles, aquele não era o momento apropriado para o jejum caracterizado pela tristeza e humilhação. O Noivo estava presente. Mas o Senhor antecipou Sua partida e declarou que depois disso Seus discípulos jejuariam.

Assim, não podemos afirmar que o jejum pertence exclusivamente ao judaísmo ou que desapareceu com a formação da Igreja. O próprio Senhor antecipou sua prática entre Seus discípulos depois de Sua partida.

  1. A igreja em Antioquia praticava o jejum

Quando chegamos ao livro de Atos dos Apóstolos, encontramos exatamente isso acontecendo.

Atos dos Apóstolos 13 apresenta uma igreja local muito importante: Antioquia. Havia ali profetas e doutores, entre eles Barnabé e Saulo.

Então lemos:

“E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos dos Apóstolos 13:2).

E depois:

“Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram” (Atos dos Apóstolos 13:3).

Aqui já não estamos no período da Lei de Moisés. Estamos claramente dentro da história da Igreja.

Isso é muito significativo.

O jejum aparece associado à oração, à comunhão com Deus e a uma importante decisão relacionada à obra missionária. Não parece haver qualquer tentativa de impressionar pessoas. Pelo contrário, aqueles irmãos estavam buscando a vontade de Deus, e foi nesse contexto que o Espírito Santo tornou conhecida Sua vontade.

  1. O jejum não dava autoridade ao Espírito Santo; preparava os servos para ouvi-Lo

Devemos tomar cuidado para não transformar o jejum numa espécie de mecanismo para obrigar Deus a agir.

Atos dos Apóstolos 13 não ensina que aqueles homens jejuaram para adquirir poder sobre Deus. Eles estavam “servindo ao Senhor e jejuando”.

O jejum bíblico está relacionado à humilhação, dependência e concentração nas coisas de Deus. A pessoa voluntariamente deixa de atender, durante determinado período, uma necessidade legítima do corpo para dedicar-se mais intensamente às coisas espirituais.

Por isso, jejum e oração aparecem juntos.

O jejum sem oração pode ser apenas abstinência de alimentos. O valor espiritual não está simplesmente em deixar de comer, mas no propósito diante de Deus.

  1. Não encontramos uma legislação apostólica sobre o jejum

Aqui está uma distinção que considero muito importante.

Embora encontremos o jejum praticado no Novo Testamento, não encontramos nas epístolas instruções como:

“Todo cristão deverá jejuar uma vez por semana.”

Ou:

“A igreja deverá estabelecer determinado dia para jejum.”

Ou ainda:

“O jejum deverá durar tantas horas.”

Nada disso foi determinado.

Compare isso, por exemplo, com a Ceia do Senhor. Sobre ela encontramos instruções específicas para a igreja em 1 Coríntios 11:23-26.

Encontramos também instruções claras sobre oração em 1 Timóteo 2:1-8; sobre o ministério da Palavra em 1 Coríntios 14; sobre disciplina em 1 Coríntios 5; sobre os anciãos em 1 Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9.

Quanto ao jejum, porém, não encontramos uma regulamentação semelhante.

Portanto, devemos evitar os dois extremos.

Um extremo seria dizer: “O cristão não deve jejuar porque o jejum pertence ao Antigo Testamento.”

Isso não corresponde ao Novo Testamento, pois o Senhor disse “então jejuarão”, e encontramos cristãos jejuando em Atos dos Apóstolos 13.

O outro extremo seria transformar o jejum numa ordenança obrigatória da Igreja, estabelecendo dias, horários e regras que o Novo Testamento não estabeleceu.

Também não temos autoridade bíblica para fazer isso.

  1. O perigo do jejum como demonstração de espiritualidade

Existe ainda outro aspecto importante. O Senhor condenou severamente o jejum usado para alimentar orgulho religioso.

Na parábola do fariseu e do publicano, o fariseu dizia:

“Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo” (Lucas 18:12).

O problema não estava simplesmente em jejuar duas vezes por semana. O problema estava no coração daquele homem. Seu jejum havia se transformado em motivo de justiça própria.

Ele praticamente apresentava diante de Deus um currículo religioso.

O publicano, ao contrário:

“Nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lucas 18:13).

E foi este que desceu justificado para sua casa.

Portanto, o jejum pode ser uma prática espiritual legítima e, ao mesmo tempo, tornar-se carnal quando produz orgulho.

  1. Jejum não torna alguém mais espiritual que outro

Também precisamos ter cuidado com isso.

Um irmão que jejua não deve considerar-se superior àquele que não jejua.

O jejum não acrescenta mérito à obra de Cristo. Não aumenta nossa aceitação diante de Deus. Não completa a justificação. Nossa posição diante de Deus está inteiramente fundamentada em Cristo e em Sua obra.

“Justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1).

Portanto, não jejuamos para sermos aceitos por Deus. O crente já foi aceito no Amado, conforme Efésios 1:6.

O jejum pertence ao campo da vida prática e da disciplina espiritual, não ao fundamento da nossa salvação.

  1. Então, a Igreja deve praticar o jejum?

Eu responderia da seguinte maneira:

O Novo Testamento reconhece e aprova o jejum como uma prática espiritual dos discípulos do Senhor. Cristo ensinou como deveria ser praticado e declarou que Seus discípulos jejuariam depois de Sua partida. Atos dos Apóstolos mostra cristãos jejuando e orando em conexão com o serviço do Senhor e a busca da Sua vontade.

Contudo, não existe uma ordem apostólica transformando o jejum numa obrigação ritual ou numa ordenança da igreja local, nem estabelecendo frequência, duração ou dias determinados.

Portanto, podemos dizer que o jejum é bíblico, mas não legalista; recomendável em circunstâncias apropriadas, mas não uma ordenança; espiritual quando acompanhado de oração e verdadeira dependência de Deus, mas inútil quando praticado para demonstrar piedade diante dos homens.

Talvez a melhor síntese esteja justamente nas palavras do Senhor:

“Quando jejuardes...” (Mateus 6:16).

Ele reconhece a prática.

“Não vos mostreis contristados como os hipócritas...” (Mateus 6:16).

Ele condena sua ostentação.

“Teu Pai, que vê em secreto...” (Mateus 6:18).

Ele mostra para quem o jejum verdadeiramente deve ser realizado.

E finalmente:

“Então jejuarão” (Mateus 9:15).

Ele próprio antecipou que haveria lugar para essa prática entre Seus discípulos depois de Sua partida.

Assim, irmão, há fundamento neotestamentário para o jejum cristão, inclusive exemplo dentro de uma igreja local. O que não encontramos é uma ordem para transformá-lo numa regra obrigatória ou num ritual periódico para toda a Igreja.

Josué Matos

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Se Mateus 24 diz respeito a um contexto profético predominante a Israel, distinto do arrebatamento da igreja, como associar isso, sendo que haverá só uma boda do Cordeiro?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

“Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou.”

— Apocalipse 19:7.

E em Apocalipse 19:9:

“Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.”

Irmão, tem um dilema: se Mateus 24 diz respeito a um contexto profético predominante a Israel, distinto do arrebatamento da igreja, como associar isso, sendo que haverá só uma boda do Cordeiro?

Minha Resposta:

A dificuldade desaparece quando fazemos uma distinção que o próprio texto bíblico permite: uma coisa são as bodas do Cordeiro; outra é a ceia ou celebração das bodas. E também precisamos distinguir a posição da Igreja, como Noiva, da posição de Israel e dos demais convidados.

Há uma só Noiva e, portanto, uma só boda do Cordeiro. Mateus 24 não exige uma segunda boda.

  1. Quem é a esposa do Cordeiro?

Em Apocalipse 19:7-8 lemos:

“Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos.”

A esposa aqui é a Igreja. Essa figura já havia sido apresentada pelo apóstolo Paulo:

“Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (Segunda Epístola aos Coríntios 11:2).

O mesmo relacionamento aparece em Efésios 5:25-27, onde Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, tendo em vista apresentá-la a Si mesmo gloriosa, sem mácula, ruga ou coisa semelhante.

Portanto, em Apocalipse 19, não estamos diante de Israel tornando-se a esposa do Cordeiro. É a Igreja que aparece nessa posição celestial.

  1. Quando acontecem as bodas?

A sequência de Apocalipse 19 é muito importante.

Primeiro encontramos:

“São chegadas as bodas do Cordeiro” (Apocalipse 19:7).

Depois:

“Já a sua esposa se aprontou” (Apocalipse 19:7).

Somente depois disso, no versículo 11, João diz:

“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro” (Apocalipse 19:11).

Ou seja, a apresentação das bodas ocorre antes da manifestação pública de Cristo vindo do céu para a terra.

Isso combina perfeitamente com a distinção entre o arrebatamento e a manifestação de Cristo.

No arrebatamento, o Senhor vem buscar os Seus:

“Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (Primeira Epístola aos Tessalonicenses 4:17).

Depois disso ocorre o Tribunal de Cristo, relacionado à avaliação do serviço dos crentes (Primeira Epístola aos Coríntios 3:12-15; Segunda Epístola aos Coríntios 5:10). Isso ajuda a compreender por que, em Apocalipse 19:8, a esposa já aparece vestida de linho fino, identificado com “as justiças dos santos”.

Então temos uma sequência coerente:

Arrebatamento da Igreja → Tribunal de Cristo → Bodas do Cordeiro → manifestação de Cristo em glória.

  1. Onde entra Mateus 24?

É justamente aqui que precisamos evitar misturar duas coisas distintas.

Mateus 24 não está descrevendo as bodas do Cordeiro. O assunto predominante é a situação profética na terra, particularmente relacionada a Israel, Jerusalém, Judeia, o período de grande tribulação e finalmente a manifestação pública do Filho do Homem.

Observe a linguagem:

“Então, os que estiverem na Judeia, fujam para os montes” (Mateus 24:16).

“E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado” (Mateus 24:20).

“Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais” (Mateus 24:21).

Depois:

“E verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mateus 24:30).

Portanto, o ponto culminante de Mateus 24 é a manifestação do Filho do Homem à terra.

Já Primeira Epístola aos Tessalonicenses 4 apresenta o Senhor descendo e os santos subindo para encontrá-Lo nos ares.

São movimentos diferentes:

No arrebatamento, os santos sobem para encontrar Cristo.

Na manifestação, Cristo desce em glória, e os Seus vêm com Ele.

Isso é confirmado em Colossenses 3:4:

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória.”

  1. Então por que aparecem figuras de casamento em Mateus?

Aqui está provavelmente a origem do dilema.

Depois do discurso de Mateus 24, encontramos em Mateus 25 a parábola das dez virgens:

“Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo” (Mateus 25:1).

Pode surgir a pergunta: se essas pessoas estão esperando o Noivo, não seriam elas a Igreja esperando pelo arrebatamento?

Não necessariamente.

Ali elas não são apresentadas como a Noiva. São pessoas que saem ao encontro do Noivo.

Essa diferença é muito importante.

João Batista utilizou uma distinção semelhante:

“O que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo” (João 3:29).

Observe as categorias:

Cristo — o Esposo.

Igreja — a esposa.

Outros — amigos ou convidados.

Portanto, nem toda figura de casamento na Bíblia transforma aqueles que aparecem na parábola em membros da Noiva.

  1. Apocalipse 19 faz exatamente essa distinção

Veja algo muito interessante entre os versículos 7 e 9.

No versículo 7 temos:

“a sua esposa se aprontou”.

Mas no versículo 9 temos:

“Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.”

Se os chamados para a ceia fossem exatamente a mesma figura da esposa, teríamos uma construção bastante estranha: a esposa seria simultaneamente aquela que está se casando e uma convidada para o próprio casamento.

A linguagem sugere uma distinção.

Há o Cordeiro.

Há Sua esposa.

E há aqueles que são chamados à ceia.

Isso nos ajuda muito a compreender as passagens proféticas relacionadas a Israel.

  1. Bodas e ceia das bodas não precisam significar exatamente o mesmo momento

Esse é talvez o ponto principal para responder ao dilema.

Apocalipse 19:7 fala das “bodas do Cordeiro”.

Apocalipse 19:9 fala daqueles “chamados à ceia das bodas do Cordeiro”.

No costume matrimonial que serve de pano de fundo à figura, o casamento e a celebração ou banquete nupcial estavam intimamente relacionados, mas não precisavam designar exatamente o mesmo momento.

Assim, podemos entender as bodas propriamente ditas como relacionadas a Cristo e Sua Igreja no céu, antes da manifestação gloriosa; enquanto a celebração pública das bênçãos resultantes dessa união se relaciona com o estabelecimento do Reino na terra.

Não são duas esposas.

Não são dois casamentos.

Não são duas bodas do Cordeiro.

É um único relacionamento matrimonial de Cristo com Sua Igreja, seguido pela manifestação pública da glória desse relacionamento.

  1. Israel não precisa ser a Noiva para participar da alegria das bodas

Isso também resolve outra dificuldade.

Israel terá uma posição extraordinária no Reino milenar, conforme as promessas do Antigo Testamento. Mas isso não exige transformar Israel na Igreja.

Deus pode conceder bênçãos diferentes a grupos diferentes sem destruir a unidade do Seu propósito em Cristo.

Israel restaurado desfrutará das bênçãos terrenas do Reino prometido. A Igreja estará associada celestialmente com Cristo.

Por isso encontramos, por exemplo, as promessas feitas a Israel em Isaías 2:1-4; Isaías 11:1-10; Jeremias 31:31-37 e Zacarias 12–14, sem necessidade de transformar Israel na Igreja.

Ao mesmo tempo, a Igreja possui sua vocação celestial:

“Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Epístola aos Filipenses 3:20).

  1. Mateus 24 e Apocalipse 19, portanto, se encaixam

Podemos colocar os acontecimentos da seguinte maneira:

A Igreja está na terra durante o presente período.

Cristo vem para os Seus e ocorre o arrebatamento, conforme Primeira Epístola aos Tessalonicenses 4:13-18 e Primeira Epístola aos Coríntios 15:51-52.

A Igreja está com Cristo no céu.

Na terra desenrolam-se os acontecimentos proféticos que culminam na grande tribulação e na manifestação do Filho do Homem descrita em Mateus 24.

No céu, a Igreja comparece perante o Tribunal de Cristo e aparece posteriormente preparada como esposa.

Apocalipse 19:7 anuncia as bodas do Cordeiro.

Então o céu se abre em Apocalipse 19:11.

Cristo vem em glória.

Os santos vêm com Ele, como também ensinam Colossenses 3:4 e Apocalipse 19:14.

Cristo estabelece Seu Reino, e as bênçãos relacionadas à grande celebração messiânica alcançam Israel restaurado e os demais participantes do Reino.

Assim, Mateus 24 não descreve outra boda. Descreve acontecimentos que conduzem à manifestação pública daquele que já possui Sua esposa.

  1. Uma ilustração simples

Podemos resumir usando a própria figura matrimonial.

Imagine:

O Noivo recebe Sua Noiva.

As bodas acontecem.

Depois o casal aparece publicamente.

Em seguida acontece a grande celebração com os convidados.

A presença de convidados na celebração não significa que o Noivo tenha se casado novamente.

Da mesma maneira, a presença de Israel e de outros santos nas bênçãos relacionadas à celebração do Reino não significa uma segunda boda do Cordeiro.

Há um só Cordeiro.

Há uma só esposa do Cordeiro.

Há uma só união matrimonial.

Mas existem convidados que participam da alegria resultante dessa união.

É exatamente por isso que Apocalipse 19 consegue dizer, com apenas dois versículos de diferença:

“já a sua esposa se aprontou” (Apocalipse 19:7),

e:

“Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro” (Apocalipse 19:9).

A esposa está preparada; os outros são chamados.

Portanto, irmão, não há contradição entre interpretar Mateus 24 predominantemente dentro do programa profético relacionado a Israel e afirmar que existe apenas uma boda do Cordeiro. O problema só aparece quando identificamos todos os participantes das figuras matrimoniais como sendo a Noiva.

A Igreja é a esposa; Cristo é o Cordeiro e Esposo; Israel restaurado e outros santos podem participar da alegria e das bênçãos da celebração sem se tornarem, por isso, a esposa.

E essa distinção preserva tanto as promessas específicas feitas a Israel quanto a posição singular que o Novo Testamento atribui à Igreja como Noiva de Cristo.

Josué Matos
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Devemos repreender o inimigo?

 Alguém que me escreveu no WhatsApp:

Boa noite, irmão.

Há um certo costume/doutrina entre os crentes denominacionais de, quando enfrentam alguma situação adversa, dizerem que têm que repreender o inimigo. Eu não encontrei nenhuma passagem na Bíblia que aprove essa prática.

Recordo-me daquela jovem adivinhadora que ficou atormentando os apóstolos, e eles expulsaram o demônio dela. Também me recordo de uma situação de Paulo em que, numa das viagens, Satanás impediu a viagem. Mesmo assim, Paulo não repreendeu o inimigo. O mesmo Paulo, quando foi picado pela víbora, nada falou.

Estou falando isso porque hoje tive uma situação comum na vida de todos. Vou resumir: meu carro acendeu a luz da injeção eletrônica. Levei-o ao mecânico, e o carro saiu pior do que estava. Levei-o a outro mecânico, que constatou que o primeiro havia colocado uma vela de ignição errada, o que poderia ter fundido o motor.

Fiquei irado com o primeiro mecânico e me excedi em palavras. Já pedi perdão a Deus por isso, mas sei que isso em mim precisa mudar, e preciso confiar mais no Senhor, até mesmo em situações que podem nos prejudicar muito. Não adianta eu querer resolver tudo do meu jeito.

Eu creio que foi uma situação muito mais de Deus querendo me mostrar como devo agir do que o inimigo me atacando.

Passei o dia sem paz. Agora à noite, parei, abri a Bíblia e li alguns salmos, e a paz voltou (Salmos de Davi, do 12 ao 18).

Referente ao assunto, o que o irmão poderia dizer?

Minha Resposta:

Creio que o irmão percebeu corretamente dois aspectos importantes nessa experiência. O primeiro diz respeito à prática de “repreender o inimigo”; o segundo, ainda mais pessoal, diz respeito à maneira como Deus pode usar circunstâncias desagradáveis para trabalhar em nosso caráter.

Quanto ao primeiro ponto, realmente não encontramos no Novo Testamento uma orientação dada aos crentes para que, diante de cada dificuldade, problema financeiro, enfermidade, acidente, defeito mecânico ou outra adversidade, comecem a “repreender Satanás”. O ensino apostólico segue outra direção.

Há uma passagem particularmente esclarecedora em Judas 9. Quando Miguel, o arcanjo, contendia com o diabo acerca do corpo de Moisés, ele “não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda”. Se até Miguel, um arcanjo, não assumiu para si essa autoridade de pronunciar julgamento contra Satanás, devemos ter muita cautela com a maneira leviana como algumas pessoas hoje se dirigem diretamente ao diabo.

O ensino dado ao crente é:

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7).

Observe a ordem. Primeiro: “sujeitai-vos [...] a Deus”. Depois: “resisti ao diabo”. A resistência ao diabo não consiste em desafiar Satanás verbalmente, mas em permanecer sujeito a Deus e firme na fé.

Pedro ensina a mesma coisa:

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé” (Primeira Epístola de Pedro 5:8-9).

Portanto, temos três atitudes: sobriedade, vigilância e resistência firme na fé. Não encontramos a orientação: “repreendei o diabo”.

Isso não significa negar a realidade da atividade de Satanás. Muito pelo contrário. A Bíblia mostra claramente que Satanás é real e que pode se opor à obra de Deus. O próprio Paulo escreveu:

“Por isso bem quisemos uma e outra vez ir ter convosco, pelo menos eu, Paulo, mas Satanás no-lo impediu” (Primeira Epístola aos Tessalonicenses 2:18).

Paulo reconheceu que Satanás havia colocado um impedimento no seu caminho. Entretanto, é interessante que não encontramos Paulo dizendo: “Eu repreendo Satanás e determino que esse impedimento desapareça”. Ele reconheceu a ação do adversário, mas continuou dependendo da direção e providência de Deus.

Temos ainda Segunda Epístola aos Coríntios 12:7. Paulo fala de seu “espinho na carne” como “um mensageiro de Satanás para me esbofetear”. Qual foi a reação de Paulo? Ele não repreendeu Satanás. Ele foi ao Senhor:

“Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim” (Segunda Epístola aos Coríntios 12:8).

E o Senhor não removeu o espinho. Em vez disso, respondeu:

“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (Segunda Epístola aos Coríntios 12:9).

Isso é muito instrutivo. Algo que Paulo relacionava à atividade de Satanás estava, ao mesmo tempo, debaixo da soberania de Deus e sendo usado por Deus para produzir humildade no apóstolo.

A história de Jó apresenta o mesmo princípio. Satanás estava agindo, mas não podia ultrapassar os limites estabelecidos por Deus (Jó 1:10-12; 2:4-6). Jó não conhecia os acontecimentos que estavam ocorrendo no mundo espiritual. Mesmo assim, sua grande preocupação era sua relação com Deus.

Isso nos leva à situação que o irmão relatou.

Nem toda adversidade deve ser imediatamente atribuída a Satanás.

O carro apresentar defeito pode simplesmente fazer parte das circunstâncias normais da vida. Um mecânico cometer um erro pode decorrer de incompetência, descuido ou falha humana. Não precisamos procurar uma causa demoníaca para cada contratempo que encontramos.

Naturalmente, Satanás pode aproveitar circunstâncias para nos tentar. E talvez aí esteja uma distinção importante.

O problema mecânico pode não ter sido produzido por Satanás, mas a ira descontrolada certamente pode tornar-se uma oportunidade para o inimigo. Paulo escreve:

“Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Não deis lugar ao diabo” (Epístola aos Efésios 4:26-27).

Veja como isso se aproxima da experiência que o irmão descreveu. O problema inicial estava no carro, mas rapidamente o problema mais importante passou para o coração.

A vela errada poderia prejudicar o motor; porém, a ira poderia prejudicar espiritualmente o irmão.

Talvez, portanto, a pergunta mais proveitosa não seja: “Foi Satanás que fez isso?”, mas: “O que Deus quer trabalhar em mim através disso?”

Tiago escreve:

“Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, sabendo que a prova da vossa fé obra a paciência” (Tiago 1:2-3).

Deus pode usar circunstâncias extremamente comuns para revelar coisas que ainda precisam ser trabalhadas em nós. Às vezes imaginamos que conhecemos nosso coração até surgir uma circunstância que nos contraria profundamente. É nesse momento que aparece aquilo que estava escondido.

O irmão mesmo identificou isso quando escreveu: “Sei que isso em mim precisa mudar”.

Esse reconhecimento é muito importante.

O problema não está em perceber que houve pecado. O perigo seria justificar a ira dizendo: “Ele merecia ouvir aquilo porque quase estragou meu motor”. Pode até haver razão legítima para reclamar, exigir reparação ou responsabilizar alguém pelo prejuízo. O cristão não precisa aceitar passivamente uma injustiça. Mas uma coisa é buscar justiça; outra é pecar enquanto procuramos justiça.

Tiago diz:

“Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus” (Tiago 1:19-20).

Podemos estar absolutamente certos quanto aos fatos e completamente errados quanto à maneira de reagir.

O mecânico poderia estar errado, mas isso não tornaria correta uma reação pecaminosa.

Por isso, creio que há bastante sabedoria no que o irmão percebeu: talvez Deus tenha permitido a circunstância para mostrar uma área que ainda precisa ser tratada.

Pedro escreve:

“Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (Primeira Epístola de Pedro 5:6-7).

E é significativo que imediatamente depois Pedro fale sobre Satanás:

“Sede sóbrios; vigiai...” (Primeira Epístola de Pedro 5:8).

Primeiro entregamos nossa ansiedade a Deus; depois permanecemos sóbrios e vigilantes diante do adversário.

Há ainda outro detalhe muito bonito no seu relato. O irmão disse que passou o dia sem paz, mas à noite abriu a Bíblia, leu os Salmos 12 a 18, e a paz voltou.

Isso também é muito instrutivo.

Davi conheceu circunstâncias incomparavelmente mais difíceis do que um problema material. Foi perseguido, caluniado, traído e ameaçado de morte. Entretanto, nos Salmos ele continuamente leva sua angústia para Deus.

No Salmo 13, justamente dentro da sequência que o irmão leu, Davi começa perguntando:

“Até quando te esquecerás de mim, Senhor? Para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto?” (Salmos 13:1).

Mas termina dizendo:

“Mas eu confio na tua benignidade; na tua salvação se alegrará o meu coração. Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem” (Salmos 13:5-6).

As circunstâncias talvez ainda não tivessem mudado. Quem mudou foi Davi diante das circunstâncias.

E no Salmo 18 encontramos:

“O Senhor é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio” (Salmos 18:2).

Esse é o caminho.

A paz não voltou porque o problema do carro desapareceu naquele momento. A paz voltou quando o coração voltou a ocupar-se com Deus.

Há uma grande lição nisso.

Frequentemente queremos primeiro que Deus mude as circunstâncias para depois termos paz. Deus, porém, muitas vezes trabalha de maneira inversa: Ele muda nosso coração diante das circunstâncias e nos dá paz mesmo antes de o problema ser resolvido.

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Epístola aos Filipenses 4:6-7).

Portanto, irmão, eu resumiria assim: não precisamos viver procurando Satanás atrás de cada problema. Precisamos viver procurando a mão de Deus em todas as circunstâncias.

Quando houver realmente oposição do inimigo, a orientação bíblica é sujeitar-nos a Deus, vigiar e resistir firmes na fé. Quando houver uma provação, devemos perguntar o que Deus deseja produzir em nós. Quando pecarmos em nossa reação, devemos confessar o pecado, aprender com a queda e prosseguir. E quando a ansiedade roubar nossa paz, devemos fazer exatamente aquilo que o irmão fez: voltar à presença de Deus e à Sua Palavra.

Talvez o maior resultado de toda essa experiência não seja descobrir por que a luz da injeção eletrônica acendeu, mas descobrir algo que Deus quis iluminar dentro do coração.

O carro precisava de reparação, mas Deus mostrou que havia também algo em nós que precisava ser tratado.

E esse segundo conserto tem valor eterno.

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará” (Salmos 37:5).

Josué Matos

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